O Hospital Central de Maputo (HCM) ainda não tem data para pôr a funcionar a única máquina de radioterapia do país, avariada há quase um ano, ou seja, os doentes com cancro vão continuar a viver na incerteza e a recorrer a formas alternativas para o seu tratamento.
A última promessa relacionada com a máquina avariada em Março do ano passado, feita pelo ex-ministro da Saúde, Armindo Tiago, foi a reparação na primeira semana de Dezembro, mas até aqui ainda não foi mexida, e agora não há data para que volte a funcionar.
O director-clínico do HCM, António Assis da Costa, reconheceu que a máquina era uma grande esperança para tratar cancro, visto que muitos pacientes precisam de sair do país para fazer o tratamento. Porém, sem avançar quais, disse que há dificuldades para resolver o problema.
“É um grande calcanhar de Aquiles termos esta avaria. Nós estamos há alguns anos a tratar deste assunto. Esperemos que, num futuro breve, não me pergunte datas porque não vou dar, mas a nossa concentração é trazer os técnicos dos nossos parceiros para ajudar-nos a ultrapassar o problema”, disse o médico.
Apesar de não avançar data, Da Costa garantiu que tudo está a ser feito para resolver o problema e que já foram encontrados parceiros para a reparação, e são provenientes da Índia, um dos países que mais recebem moçambicanos para tratamento.
Questionado sobre os custos para a reparação da máquina, o interlocutor preferiu não responder, mas avançou que o HCM precisa, por ano, de cerca de cinco milhões de Meticais para manter o equipamento.
O médico assegura que, ainda assim, nenhum paciente está sem tratamento, ou seja, os doentes estão a ser submetidos a formas alternativas, apesar de não serem muito eficazes.
HCM celebra Dia Mundial do Doente
O médico falava à margem das celebrações do Dia Mundial do Doente, em que pacientes e profissionais de saúde do Hospital Central de Maputo estiveram reunidos numa celebração eucarística.
Com cânticos de alegria, uma liturgia com mensagens de esperança, a missa dirigida pelo arcebispo de Maputo, Dom João Carlos, serviu para honrar os doentes e quem cuida deles.
“Fazemos um convite a todos os que sofrem e a todos os que cuidam dos enfermos para não perderem a esperança, que é um dom e que nos torna firme nas dificuldades e alimenta a virtude que chamamos virtude da fortaleza, que é muito actual para os dias de hoje, como muitas pessoas desanimam da vida e param no meio da luta. Então, não podemos perder a esperança, que é um dom de Deus”, encorajou o arcebispo.
O HCM recebe uma média diária de 950 pacientes, e o desafio é, segundo o director-clínico, garantir um atendimento humanizado e de qualidade.
O Dia Mundial do Doente foi instituído pelo Papa João Paulo II como forma de os fiéis orarem pelos que padecem de doenças.