O País – A verdade como notícia

Funhalouro e a lição de liderança que brotou da terra

Era uma daquelas tardes abrasadoras que só o interior de Moçambique sabe oferecer. A terra em Funhalouro estava seca, cansada e sedenta, como se o calor fosse eterno. Mas ali, onde o silêncio reina e o horizonte parece intocável, havia mais do que uma vila à espera de água. Havia uma história à espera de ser contada.

Foi neste pequeno canto da província de Inhambane que uma lição de liderança brotou do chão, não pelas mãos da tecnologia, mas pela sabedoria do povo. Tudo começou com uma missão aparentemente simples: abrir furos para trazer água às comunidades locais. A equipa chegou munida de máquinas e convicções, mas esqueceram o essencial – o diálogo.

Cinco tentativas frustradas depois, o responsável pela obra viu-se encurralado entre a terra que se recusava a ceder e a pressão de entregar resultados. Num momento de desespero, o líder da equipe decidiu ligar ao então Governador de Inhambane, Daniel Chapo, talvez na esperança de ouvir uma solução técnica ou, quem sabe, uma autorização para desistir. Mas Chapo, com a calma de quem já enfrentou outras secas – físicas e metafóricas –, ofereceu uma resposta que ninguém esperava.

“Já falaram com a comunidade? Já ouviram o que eles têm a dizer?”

A resposta foi um desconcertante “não”. Afinal, na cabeça de quem está habituado a operar máquinas e consultar mapas, a terra deveria ser dominada pela ciência, e não pela história oral. Chapo insistiu: “Voltem. Sentem-se com as pessoas. Escutem. A sabedoria delas vale mais do que qualquer equipamento.”

E assim foi. Numa roda simples, cercados pela humildade de quem conhece a terra como a palma da mão, a equipa ouviu as vozes que antes ignoraram. Um régulo, com um sorriso que parecia misturar paciência e ironia, resumiu tudo numa frase: “Pensámos que sabiam o que estavam a fazer. Mas já que perguntam, podemos ajudar.”

Guiados pelos conselhos da comunidade, os engenheiros começaram a perfurar onde a população indicava. E, como se a terra quisesse premiar a escuta e a colaboração, cada furo trouxe à superfície a água tão aguardada. A alegria que brotou do chão era apenas igualada pelo alívio de quem, finalmente, foi ouvido.

Mas esta história não é apenas sobre água. É sobre liderança. Sobre o tipo de líder que não se esconde atrás de estatísticas ou teorias, mas que entende que a força de Moçambique está no seu povo.

Daniel Chapo, que hoje preside o país, mostrou, naquele dia em Funhalouro, que a verdadeira liderança não nasce de decisões solitárias, mas da humildade de saber ouvir. E, agora, ao olhar para ele como Presidente, a pergunta que ecoa é: será que manterá essa proximidade? Será que continuará a acreditar que o futuro de Moçambique só pode ser construído de mãos dadas com o povo?

Os moçambicanos querem um presidente que saiba que as máquinas sozinhas não constroem o progresso e que o desenvolvimento só acontece quando se trabalha com as pessoas, e não para elas. Queremos um país onde cada voz conta, onde o agricultor, o pescador e o estudante têm tanto a ensinar quanto o economista ou o engenheiro.

Talvez a maior lição de Funhalouro seja esta: não importa quão avançada seja a tecnologia ou quão bem-intencionadas sejam as políticas. Se o povo não for ouvido, os furos continuarão secos.

Hoje, Daniel Chapo carrega o peso de um país cheio de sonhos e desafios. Mas, como Funhalouro mostrou, a solução não está apenas nas suas mãos. Está nas vozes dos moçambicanos, nas comunidades que, tal como a terra, esperam apenas ser tocadas com respeito e atenção.

Moçambique é uma terra de potencial, mas esse potencial só será realizado quando todos forem incluídos no processo. Como em Funhalouro, o sucesso de Chapo como Presidente não será medido pelo número de projetos concluídos, mas pelo impacto real na vida das pessoas.

A água de Funhalouro não foi apenas um recurso encontrado; foi uma lição aprendida. E que esta lição seja a bússola que guie Moçambique para um futuro mais justo, mais inclusivo e mais humano.

Pois, no final, a verdadeira força de um líder não está em impor soluções, mas em construir pontes para que o povo possa, ele próprio, encontrar as respostas que sempre teve.

Tal como foi em Inhambane, acredito num Daniel Chapo, agora Presidente, mostrando que o verdadeiro sucesso da liderança está em ouvir, em aprender, e em trabalhar lado a lado com o povo. Pois, no final, como ele bem sabe, a verdadeira força de Moçambique não vem das sondas ou dos furos, mas da sabedoria coletiva e da colaboração constante entre governo e cidadãos. 

Esse é o Moçambique que queremos ver crescer.

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos