A economia africana deverá crescer 4,5% em 2026 e acelerar para 5% em 2027, mas a redução da ajuda externa deixa vários países mais vulneráveis a novos choques económicos. A previsão foi avançada esta quinta-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), durante as reuniões anuais da instituição e do Banco Mundial, em Banguecoque, na Tailândia.
Segundo o responsável pelo Departamento Africano do FMI, Zeine Zeidane, a assistência ao desenvolvimento destinada ao continente caiu de forma acentuada em 2025 e deverá registar uma nova redução de 12% este ano. A diminuição dos recursos externos limita a capacidade dos governos para responder a crises e financiar programas essenciais, num contexto internacional marcado por incerteza e pressões sobre os preços da energia.
Apesar dos riscos, o FMI considera que as economias africanas têm demonstrado resiliência perante a crise energética associada à guerra no Médio Oriente. A instituição reviu em alta a previsão de crescimento para 2026, reflectindo o desempenho económico regional e os ajustamentos feitos por alguns países. No entanto, alerta que esta evolução positiva não elimina as fragilidades estruturais nem garante que os ganhos sejam duradouros.
A redução da ajuda externa é uma das principais preocupações. Os recursos dos parceiros internacionais financiam, em vários países, serviços de saúde, educação, assistência humanitária e projectos de desenvolvimento. A diminuição desses fundos pode obrigar os governos a escolher entre despesas prioritárias, numa altura em que muitos enfrentam dívida elevada, custos de financiamento onerosos e necessidades sociais crescentes.
O FMI adverte que a margem de manobra para absorver novos choques é limitada. Uma nova interrupção no fornecimento de energia, uma subida acentuada da aversão ao risco nos mercados internacionais ou fenómenos climáticos extremos, incluindo um episódio forte de El Niño, poderão agravar as pressões sobre as economias africanas. Conflitos e insegurança persistentes representam também riscos para a produção, o comércio e a segurança alimentar em diferentes regiões.
A subida dos preços dos combustíveis, dos fertilizantes e dos transportes pode aumentar os custos de produção e encarecer os alimentos, afectando sobretudo as famílias com rendimentos mais baixos.
Perante este cenário, a instituição defende que os países africanos reforcem a capacidade de mobilizar receitas internas, melhorem a eficiência da despesa pública e diversifiquem as fontes de financiamento do desenvolvimento. O investimento privado, a transformação local dos recursos naturais e a criação de empregos são apontados como elementos importantes para tornar o crescimento mais sustentável e menos dependente de factores externos.
As projecções para 2026 e 2027 surgem, assim, acompanhadas de um alerta: a África poderá continuar a crescer, mas a redução da ajuda externa e a exposição a choques globais tornam urgente reforçar a resiliência das economias e garantir fontes de financiamento mais previsíveis.
Desafio passa por reduzir dependências e preservar o investimento social real.
Desemprego cai para 21,3% em angola, mas atinge 40,7% dos jovens
A taxa de desemprego em Angola recua de 31,5%, em 2024, para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 10,2 pontos percentuais, segundo dados apresentados, esta quinta-feira, pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, em Luanda. Apesar da descida, o mercado de trabalho continua marcado pelo desemprego juvenil, pelas desigualdades de género e pelo peso da informalidade.