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Extraparlamentares dizem que manifestações põem a democracia em risco 

A plataforma dos partidos políticos extraparlamentares convida a Renamo, MDM, PODEMOS e a todos os partidos concorrentes nas eleições gerais de 09 de outubro para privilegiar o diálogo e não as manifestações, porque, no seu entender, minam a democracia, a paz e a unidade nacional. Também, os extraparlamentares repudiam os resultados eleitorais por entenderem que não refletem a verdade. A

Fátima Mimbire, cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), está satisfeita com o nível de receção do seu manifesto ao longo da primeira semana da campanha eleitoral, em Maputo. A cabeça-de-lista do MDM, diz também que vai continuar a privilegiar o contacto interpessoal assim como vai adoptar a estratégia de concentração de massas.

É o sétimo dia da campanha eleitoral e apesar das chuvas, o MDM, concentrou-se na sua sede provincial, em Maputo, para fazer os trabalhos de balanço da semana e planificar as estratégias para os próximos dias. E, aliás, a chuva atrapalhou mas nem por isso as actividades do partido pararam. “Para não expormos os nossos membros a estas baixas temperaturas preferimos ficar aqui a desenvolver trabalhos internos”, disse.

Sobre o balanço, Mimbire mostrou-se satisfeita. “Notámos que a semana foi boa. Trabalhamos bastante com as pessoas e temos um bom feedback”.

Ao mesmo tempo, Mimbire assegurou que as estratégias do partido de mobilizar eleitores não vão mudar. “Vamos amanhã para Marracuene, vamos continuar a privilegiar este contacto corpo a corpo. Mas também vamos alargar as nossas actividades, vamos envolver mais pessoas e continuar o nosso trabalho”, sustentou.

O MDM está igualmente a sensibilizar as pessoas para aderirem em massa às assembleias de voto para contrariar a tendência dos altos níveis de abstenção.

O primeiro secretário provincial da Frelimo, Avellino Muchine, apela para maior mobilização de eleitores para votar em Daniel Chapo, nas eleições de 09 de Outubro próximo. O partido entende que o seu candidato presidencial é a pessoa certa para governar o país.

O apelo foi feito hoje, durante um encontro com os membros do partido na Autarquia da Matola-Rio.

No entender do primeiro secretário provincial da Frelimo, é preciso mobilizar eleitores para o candidato, de modo que o desenvolvimento do país prossiga.

“Camaradas, temos de mobilizar todos os nossos membros, até aqueles que não são nossos membros para votarem no nosso candidato e no nosso partido. Temos de votar para desenvolvermos e o nosso manifesto tem cinco pilares” que visam “responder aos desafios do nosso país”, disse Avellino Muchine.

Segundo Muchine, somente um partido e candidato com experiência podem trazer soluções para problemas relacionados com estrada, saúde, educação, entre outros, que afectam aos moçambicanos.

“Para ultrapassarmos esses desafios é preciso ter experiência (..). É preciso ter experiência e Daniel Chapo tem experiência de governação. Vamos votar nele.”

O cabeça de lista da Renamo, António Muchanga, diz que o seu partido vai investir para destruir as células partidárias no parelho do Estado. Muchanga falava em reação a um vídeo em que supostos funcionários públicos de um hospital falavam do candidato presidencial da Frelimo. 

Com a chuva a cair nas Cidades de Maputo e Matola, a vida corre timidamente, mas ainda assim, a actividade política continua ao rubro. Por um lado, os partidos políticos fazem reuniões de balanço semanal, por outro, a caça ao voto continua.  A Renamo, na província de Maputo, saiu à rua e esteve no mercado da Madruga, no centro da cidade da Matola.

Na ocasião, Muchanga condenou o que chamou de partidarização do Estado em alusão a um vídeo que está a circular em plataformas digitais, no qual aparecem funcionários públicos, alegadamente afectos a um hospital, exaltando o candidato presidencial do partido Frelimo.

“Nós vamos investir na despartidarização do Estado, porque o Estado não pertence a nenhum partido, o Estado é de todos os moçambicanos. A Frelimo não deve continuar a fazer isso, é preciso continuar a lutar contra isso “.

Fora a crítica ao  vídeo, Muchanga falou do manifesto do partido Renamo, destacando melhorias e reformas em sectores essenciais como a saúde, educação e infraestrutura.

Este sábado Muchanga diz que vai “caçar” votos no Distrito de Namaacha.

O candidato da Frelimo, Daniel Chapo, continua a trabalhar na província de Tete. Tem comícios agendados na vila de Chitima, sede do distrito de Cahora Bassa, distrito de Magoé e na vila Autárquica de Changara, todos eles localizados no sul da província de Tete.

No comício que dirigiu em Chitima falou da sua experiência de governação desde que foi administrador distrital em Nacala-a-Velha, onde dirigiu o processo de reassentamento para dar lugar à construção da linha férrea que liga Nacala a Moatize e um porto para exportação de carvão mineral.

Chapo disse que é pelo sucesso que teve no trabalho como administrador que foi enviado a Palma, onde havia o desafio de se realizar o reassentamento para dar lugar aos mega-projectos de exploração do gás natural. Depois de isso, foi enviado a Inhambane já como Governador. 

Pelo bom trabalho que fez, Chapo gaba-se de ter sido o único governador provincial que a Frelimo manteve como candidato para o mesmo cargo, mesmo depois da introdução da eleição de governadores provinciais, facto que se deu devido ao apelo da população de Inhambane.

Daniel Chapo acredita que foi pelo seu percurso que foi escolhido pelo partido para se candidatar ao cargo de Presidente da República, pois tiveram em conta a sua experiência de governação bem sucedida. 

E esclareceu que é dessa forma que a Frelimo escolhe as pessoas para dirigir o país, tendo sempre em conta a experiência de governação anterior, pois o partido está preocupado em melhorar a qualidade de governação. 

Por conta disso, considera-se um motorista experiente, diferentemente dos outros candidatos que não têm nenhuma experiência de governação, e, por isso, não são bons motoristas, nem têm carta de condução.  Pelo que perguntou à sua audiência: “qual motorista vão escolher no dia 9 de Outubro? Os que nem sabem conduzir ou o experiente?”

Indo às promessas eleitorais, Chapo diz que a primeira acção da sua governação vai ser restaurar a paz em todo o país, porque considera os ataques terroristas em Cabo Delgado um ataque a todo o país, pelo que, deve-se restaurar a paz. 

Em segundo lugar, a grande prioridade é o desenvolvimento do capital humano, com particular atenção para os jovens que têm o emprego como uma grande preocupação. Pelo que, promete usar os recursos colectados das empresas que exploram os recursos minerais em Tete para o desenvolvimento da Província, pois os recursos não devem apenas beneficiar os distritos explorados, mas todos os outros. E com esse dinheiro deve construir-se mais estradas, escolas, hospitais, levar água potável a mais gente, energia eléctrica. 

Por outro lado, promete apostar na agricultura para que os jovens que vivem em Tete trabalhem nas grandes firmas e indústrias de processamento que deverão ser instalados nos distritos com elevado potencial agrícola. 

Outra preocupação dos jovens que Chapo quer resolver é o acesso à habitação, tendo proposto duas soluções para o efeito. A primeira é a construção de casas sociais que os jovens podem pagar em prestações por 10 ou 20 anos. E a segunda opção é a infra-estruturação de terrenos, através de  colocação de estradas, água e energia e entregar aos jovens. 

Falou ainda do apoio e financiamento ao empreendedorismo. Tal será viabilizado através da criação de um Banco de Desenvolvimento, um banco para o povo, que deverá levar dinheiro aos distritos, com taxas de juro acessíveis, para emprestar aos jovens, às mulheres e aos homens. 

O candidato da Frelimo à Presidência da República prometeu igualmente a construção de centros de formação técnico-profissional, para que jovens que não consigam continuar com os seus estudos possam ser formados para que tenham uma profissão que lhes vai permitir gerar trabalho e rendimento.

O candidato reconhece, no entanto, que tudo o que está a prometer só vai acontecer de forma eficaz se o seu governo combater certos males. Tal é o caso da corrupção que considera que é um mal que rouba ao povo, enriquecendo alguns e aprofundando a pobreza de muitos. 

Chapo quer acabar com a corrupção nas fronteiras e nas estradas, diz não fazer sentido que, em cada 5 km, a Polícia de Trânsito tenha postos de controlo para exigir documentos aos condutores. Na sua governação, diz que não quer ver mais a polícia a esconder para medir velocidade nas estradas com o objectivo de “extorquir” os automobilistas.

 

O candidato presidencial, Venâncio Mondlane, escala, esta sexta-feira, 30 de Agosto, a província da Zambézia, onde irá prosseguir com a sua campanha eleitoral. O facto foi confirmado na página do “Facebook” de Mondlane, em que se dá a conhecer que o mesmo deve desembarcar por volta das 14h00.

Venâncio Mondlane deve, na Zambézia, escalar vários distritos para apresentar o seu programa de governação, caso seja eleito a 9 de Outubro próximo.

Na quarta-feira, regressou ao país, depois de ter estado, durante pouco tempo, na África do Sul, onde manteve encontro com a comunidade moçambicana na terra do rand. Mondlane entrou pela porta da fronteira de Ressano Garcia, tendo sido recebido por membros e simpatizantes do PODEMOS e da CAD, assim como populares que se juntaram na marcha que fez.

Numa camioneta, Mondlane disse que “Moçambique não é propriedade de nenhum partido político. Este país pertence a todos os moçambicanos”, frisou.

Venâncio Mondlane acrescentou que as receitas de Ressano Garcia devem beneficiar as comunidades locais. “No meu Governo, a maior parte das receitas de Ressano Garcia será para o seu desenvolvimento”, prometeu.

Mondlane diz estar determinado a unir Moçambique e garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua filiação política, tenham orgulho de ser moçambicanos.

A Igreja Católica, em Nampula, ameaça aplicar a sanção de perda do direito de direcção paroquial ao padre Fernão Magalhães Raúl, clérigo que decidiu concorrer ao cargo de governador provincial pelo Movimento Democrático de Moçambique.

Até há bem pouco tempo, o padre Fernão Magalhães Raúl dirigia a paróquia de Cazuzu, na província de Nampula, mas decidiu trocar o ambiente religioso pela política activa, apresentando-se como cabeça-de-lista do Movimento Democrático de Moçambique para o cargo de governador da província de Nampula.

Num comunicado datado de 28 de Agosto de 2024, assinado pelo arcebispo da Diocese de Nampula, Dom Inácio Saure, lê-se o seguinte:
“O Reverendíssimo Padre Fernão Magalhães Raúl tomou a decisão de candidatar-se ao cargo de governador da província de Nampula (e efectivou a sua decisão) sem conhecimento do seu arcebispo, seu superior hierárquico (…) “Essa decisão do clérigo é contrária à legislação eclesiástica, que impede os clérigos de participarem cargos que importem a participação no exercício do poder civil, como estabelece o Código de Direito Canónico (…).”

O comunicado avança que, depois de ter tomado conhecimento, através das redes sociais, da candidatura do padre Fernão Magalhães Raúl, o arcebispo de Nampula chamou o padre para que se explicasse, e foi aconselhado a retirar a sua candidatura, por ser contrária à lei da Igreja Católica. No entanto, o candidato pediu, verbalmente, ao arcebispo uma dispensa temporária do ministério sacerdotal por dois anos, o que não foi aceite, tendo sido instruído a fazê-lo por escrito, e fê-lo, mas a resposta também foi negativa.

E, porque a decisão de avançar para o cargo político já tinha sido dada, o padre Fernão Magalhães Raúl deu e continua a dar a cara pelo MDM e, na abertura da campanha, foi questionado pelo “O País” sobre esta sua decisão, ao que respondeu que “é uma questão de liberdade de escolha”.

Perante esta situação, a Igreja Católica adverte: “Se o Reverendíssimo Padre Fernão Magalhães Raúl persistir na sua decisão, a igreja poderá impor-lhe a pena canónica de suspensão a divinis, isto é, de proibição do exercício de actos de direitos e de poder adquiridos das ordens sagradas e, se não o fizer, poderá ser-lhe aplicada uma pena mais grave, sem excluir a possibilidade de perda do estado clerical.”

A perda do estado clerical é o mesmo que perder o poder de exercício da tarefa de direcção ministerial, mas não é excomungado. Ou seja, não deixa de ser católico.

O Hospital Central de Nampula (HCN), o maior e de referência da zona Norte de Moçambique, com uma capacidade de 530 camas, diz-se preparado para quaisquer incidentes que possam ocorrer durante a campanha eleitoral em curso no país, escreve a Agência de Informação de Moçambique.

O director dos Serviços de Urgência do HCN, Sulaimana Isidoro, disse a jornalistas, nesta quarta-feira que, nos primeiros quatro dias da campanha eleitoral, deu entrada no banco de socorros um indivíduo, supostamente ferido, num desentendimento na colagem de cartazes, acto protagonizado por desconhecidos.

“Deu entrada um indivíduo que sofreu agressão física, protagonizada por desconhecidos algures na cidade de Nampula, quando estava a colar cartazes do seu partido político. Não temos outros registos que provoquem alarme”, informou o médico-cirurgião.

A fonte anotou que equipas do sector da saúde estão em prontidão para atender a qualquer situação nestes dias em que decorre a campanha.
“O Serviço de Urgências foi reforçado. Além disso, o banco de sangue dispõe, actualmente, de 250 unidades em resultado das campanhas que fizemos para a doação, no sentido de estarmos preparados para qualquer necessidade neste período”, disse.

Apesar disso, Isidoro apela aos intervenientes no processo eleitoral para que se portem com civismo e evitem desordens que possam culminar em agressões e outros incidentes.

“Este é um momento de festa e de mostrar cidadania, respeito pelos outros cidadãos e seus partidos políticos que vão trabalhar neste processo. Que cada um venda o seu manifesto sem alterar a dinâmica normal da população e, em função disso, evitar causar mais traumas e problemas. Vimos, nas eleições passadas, tumultos, o que nos levou a criar brigadas para os 45 dias desta campanha eleitoral e mesmo após a eleição”, explicou a fonte.

Na província de Nampula, concorrem nove partidos que procuram lugares na assembleia provincial, que esperam o voto dos 3 266 882 milhões de eleitores inscritos no recenseamento eleitoral.

Armando Guebuza, acredita que Daniel Chapo é capaz de governar o país mesmo “em águas agressivas”. O presidente honorário da Frelimo desafia o candidato a ter como prioridade o alcance da paz e o desenvolvimento do país.

Guebuza esteve, esta quinta-feira, reunido com a Brigada Central de Assistência à Cidade de Maputo. Depois do encontro, o antigo Presidente da República declarou apoio total à corrida de Daniel Chapo, porque o considera capaz.

“Eu acredito que ele é capaz, é capaz de navegar mesmo em águas agressivas, e, sobretudo, acredito que ele pode continuar trabalhando no sentido de valorizar aquilo que é a Frelimo, trabalhando junto do povo”, disse Armando Guebuza.

Armando Guebuza acredita ainda que Daniel Chapo é capaz de alcançar a paz no país.

“Sem paz, não há desenvolvimento. O desenvolvimento só pode ser, de facto, possível, se alcançarmos a paz. Quando falo da paz, falo de algo muito conhecido entre nós. A guerra em Cabo Delgado é um motivo de preocupação profunda de todos os moçambicanos e os membros da Frelimo, sendo também moçambicanos, estão, também, profundamente preocupados com isso”, avançou.

De acordo com Armando Guebuza, este é um momento de festa para os moçambicanos.

Questionado sobre a capacidade de Daniel Chapo em responder ao problema dos raptos no país, Armando Guebuza disse que o candidato está agora exposto ao povo e, como membro do partido, vai apoiar as decisões que ele [povo] tomar. “Acredito que ele [Daniel Chapo] quer o bem do nosso povo”.

No que diz respeito ao cumprimento das leis eleitorais, pelos partidos políticos, o antigo Chefe de Estado apelou a todos os partidos a serem dialogantes.

A Frelimo, na província de Maputo, diz que é preciso votar no candidato presidencial do partido, Daniel Francisco Chapo, para continuar a construir e desenvolver Moçambique. Tomaz Salomão, chefe-adjunto da brigada central de assistência à província de Maputo, trabalhou no mercado de Malhampsene, na autarquia da Matola.

O mercado de Malhampsene é um ponto de confluência de pessoas de várias origens da província de Maputo e não só, e foi onde, no sexto dia da campanha eleitoral, a Frelimo, chefiada por Tomaz Salomão, membro da comissão política e chefe-adjunto da brigada central de assistência à província de Maputo, escalou para pedir votos.

Ao interagir com os vendedores, Salomão não só pediu votos para Daniel Chapo, e para sua força política, como também ouviu as preocupações da população.

Nessa interação, conversou com uma jovem de 22 anos de idade que está a cursar o terceiro ano de contabilidade e auditoria no Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria, ISCAM, na Cidade de Maputo, história que ouviu, lamentou e teceu algumas palavras de conforto e força.

“Fiquei sensibilizado com a jovem. Dou muita força para que continue. Tem que votar no dia 9 de Outubro e votar no candidato Daniel Chapo para continuar a construir Moçambique.”

Além do contacto com o eleitorado, no mercado de Malhampsene, onde decorria também a distribuição de material de propaganda do partido Frelimo, Salomão explicou, outrossim, o posicionamento do seu candidato presidencial no boletim de voto, bem como o da sua formação política.

A campanha eleitoral no mercado de Malhampsene foi marcada por um ambiente festivo com os membros da Frelimo a entoarem cânticos e a distribuírem material de propaganda.

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