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Extraparlamentares dizem que manifestações põem a democracia em risco 

A plataforma dos partidos políticos extraparlamentares convida a Renamo, MDM, PODEMOS e a todos os partidos concorrentes nas eleições gerais de 09 de outubro para privilegiar o diálogo e não as manifestações, porque, no seu entender, minam a democracia, a paz e a unidade nacional. Também, os extraparlamentares repudiam os resultados eleitorais por entenderem que não refletem a verdade. A

Há partidos políticos que investem muito pouco na campanha eleitoral, apesar de terem recebido fundos para o efeito. A constatação é do Consórcio Mais Integridade, que lamenta a falta de profissionalismo.

Ernesto Nhanale, do consórcio Mais Integridade, defendeu que os partidos políticos não fazem uso devido dos media na campanha. 

“Na análise que estamos a fazer, estou mais para a questão dos conteúdos dos media, tenho verificado muito o baixo investimento dos próprios partidos políticos. Eles não investem na produção do tempo de antena, sendo que podiam aproveitar recursos muito ligeiros para fazer gravações de qualidade, no entanto, tudo é feito de forma muito pouco profissional”, disse.  

Nhanale acrescentou ainda que é preciso que as redes sociais sejam melhor aproveitadas, pois é onde se pode encontrar quase 25% da audiência, sobretudo, da população jovem.

Por outro lado, o grupo desconfia que a Frelimo esteja a usar fundos e bens públicos para fins partidários.

“Nós sabemos que a Frelimo tem feito uso dos recursos do Estado para também mostrar essa robustez junto do potencial eleitoral. São meios de Estado que têm sido usados, meios de transporte, meios financeiros também, porque não podemos esquecer que figuras-chave do partido Frelimo, também ocupam cargos no Estado”, disse Edson Cortês. 

A plataforma fez, na quarta-feira, o balanço dos 19 dias de campanha eleitoral, onde destacou o encontro entre as caravanas da Frelimo e Renamo, sem anomalias,  nas províncias de Manica, Tete, Zambézia e Cabo Delgado.

O candidato presidencial, Venâncio Mondlane, diz que os impostos cobrados às empresas exploradoras de recursos minerais serão cobrados ao nível provincial e não central, para beneficiar as populações locais. Mondlane promete, ainda, acabar com os raptos em um ano.

Da Praça da Liberdade ao Mercado Central. Este foi, em suma, o roteiro da marcha do candidato presidencial, Venâncio Mondlane, na cidade de Lichinga.

Mondlane começou, na apresentação de seu projecto político, por dizer que vai introduzir a descentralização fiscal, o que, segundo explicou, passa pelos impostos cobrados às empresas que exploram recursos minerais, e não só, passarem a ser canalizados para cada província onde se desenvolvem as actividades. É que, segundo Mondlane, não faz sentido que os valores sejam geridos ao nível central, cortando o desenvolvimento local.

Mondlane criticou o facto de o ouro e o grafite extraídos em Niassa não beneficiarem a população nem a província.

De a uns anos a esta parte, os raptos começaram a abalar o país, com alguns empresários a serem obrigados a pagar pelo resgate. Sobre o fenómeno, Venâncio Mondlane garantiu, em Lichinga, que vai acabar, em um ano, com o crime que “retrai investimento” em Moçambique. Como? Diz que as autoridades policiais, no seu governo, vão fazer uso de tecnologias em coordenação com vários países. Sossegou, por outro lado, os munícipes de Lichinga, assegurando que vai combater a criminalidade que tira o sono, sobretudo, aos comerciantes.

A propósito do emprego, garantiu que vai abrir linhas de financiamento para projectos da juventude. Disse a esta camada social que o seu governo vai dar dinheiro a quem apresentar projectos de geração de rendas. Em matéria de transporte, o candidato presidencial apresentou o projecto de uma “locomotiva” que liga todo o país, sendo que a mesma tem a designação de “Moz Express.”

O candidato presidencial da Renamo, Ossufo Momade, promete melhorar o sistema de educação e, para tal, garante bons salários aos professores. As promessas foram feitas nos povoados de Itenta e Mahetha, no distrito de Nacarôa, em Nampula, onde também disse que vai trazer melhorias na saúde e infra-estruturas, caso vença as eleições.

Esta quarta-feira, Ossufo Momade, junto da sua comitiva, saiu de Nacarôa em direcção ao distrito de Memba para mais um dia de campanha eleitoral, e a estrada escolhida para seguir viagem é de difícil transitabilidade.

Ao longo da viagem, o candidato presidencial da Renamo, Ossufo Momade, parou no posto administrativo de Itenta, onde havia público que ladeava a estrada. Naquele povoado, Momade apelou aos eleitores para afluírem em massa às mesas de voto para votarem em si e nos candidatos do partido à Assembleia da República e às assembleias provinciais de todo o país.

“No dia 9 de Outubro, ninguém deve ficar em casa. Vamos todos votar em Ossufo Momade e na Renamo para melhorar a vossa vida. Ninguém deve ficar em casa. Temos de votar.”

Depois de discursar, o candidato presidencial seguiu viagem rumo a Moma, mas, mais uma vez, foi parado em Mahetha, onde uma enorme população o esperava. Naquele povoado, a Renamo prometeu melhorar a saúde e a educação.

“Desde Nacarôa até, aqui não vimos nenhuma casa de alvenaria. São só casas de material local. Nós queremos melhorar a educação, para termos melhores escolas, com condições para as nossas crianças. Os professores vão ter melhores condições e bons salários, para que não andem nos agiotas. Vamos construir hospitais para que o nosso povo tenha melhor saúde, mas, para que isso aconteça, temos de votar na Renamo.”

E, devido à degradação da estrada, Momade prometeu que, caso seja eleito Presidente da República, vai resolver o problema.

A província de Gaza, com mais de 1.1 milhões de eleitores, é a província que se segue no périplo de caça ao voto que Daniel Chapo está a fazer pela zona sul do país. A porta de entrada foi o distrito de Chongoene, onde falou do cumprimento da promessa da Frelimo de construir em Gaza um aeroporto e a doca que é o ponto de partida para o porto de Chongoene a partir do qual deve se exportar as areias pesadas de Chibuto.

No seu discurso, prometeu asfaltar a estrada Chongoene-Manjacaze via Mangunze. Chapo diz que essa estrada é fundamental para a facilitação da comunicação entre os dois distritos da província de Gaza.

O candidato presidencial da Frelimo compromete-se ainda a trabalhar no sentido de explorar todas as potencialidades agrícolas de Gaza, para que a mesma possa recuperar o estatuto de produtora de alimentos para alimentar todo o país e exportar excedentes.

Para que tal seja real quer atrair investidores nacionais e estrangeiros para que possam instalar agricultura mecanizada e até fábricas de agro-processamento de pequeno, médio e grande porte o que vai criar empregos para a juventude.

Retomou a promessa de instalar nos distritos de centro de formação técnico-profissional para que os jovens tenham formação vocacional em áreas como carpintaria, electricidade, mecânica, construção civil, entre outras. Os formandos deverão ainda receber kits de auto-emprego para iniciarem seus negócios. 

Voltou a falar do seu projecto para resolver o problema da habitação que passa pela construção de casas sociais e infra-estruturação de terrenos que posteriormente serão distribuídos pelos jovens que poderão fazer auto-construção paulatinamente. 

Agricultura, indústria, infra-estruturas, turismo vão continuar a ser as principais prioridades de desenvolvimento do país. Quer ainda garantir a melhoria da qualidade da educação com a introdução da educação Cívico-Patriotica e ainda a Educação Ética e Moral para que os jovens possam conhecer a história do país e sejam educadas a saber que não devem se envolver em actividade ilícitas, tenham espírito de solidariedade.

Ossufo Momade denúncia tentativa de impedimento de realização de comício popular na sede do distrito de Nacarôa, na província de Nampula. Para Momade, tal acção só pode ser movida pelo partido governamental.

“Vocês são fortes”, disse Ossufo Momade aos jovens que estavam presentes diante de uma tribuna edificada no centro da vila sede de Nacarôa, onde alegadamente houve ordens para que o espaço não fosse ocupado pela comitiva da Renamo. 

O candidato da Renamo disse que aquele é um espaço público e, por isso, ninguém devia ser impedido de ali trabalhar. “Este espaço não é da Frelimo. Este distrito não é da Frelimo, é vosso”. 

O comício terminou ao cair do dia e a comitiva de Ossufo Momade voltou a enfrentar dificuldades para alojar o seu candidato, em Nacarôa, onde até depois das 18 horas, de terça-feira, o problema ainda não tinha sido resolvido. 

O dono do estabelecimento de hospedagem não estava no local, nem atendia o celular.

Ossufo Momade promete industrialização, no Posto administrativo de Alua, no distrito de Erati, que detém um enorme potencial agrícola. O candidato presidencial da Renamo disse ainda que é preciso que as pessoas tenham acesso a três refeições diárias.

“Aqui vocês produzem muito. Vocês produzem arroz, milho, gergelim e feijão. Então, vamos instalar aqui uma fábrica para processar esses produtos e dar empregos aos jovens”, prometeu o candidato presidencial da Renamo, acrescentando que, caso vença as eleições, vai mudar o estado das coisas naquele posto administrativo, na província de Nampula .

Num comício popular decorrido debaixo de uma árvore frondosa bem ao lado da Estrada Nacional Número 1 (EN1), onde houve populares que vinham ver e ouvir o filho da terra, Momade disse que: “é necessário que as nossas crianças tenham acesso a três refeições, tenham matabicho (pequeno almoço), o almoço e o jantar, para que não sofram com desnutrição. Nós vamos trabalhar para isso. As nossas crianças não devem morrer cedo por falta de comida porque nós produzimos”.

Também prometeu que, caso vença as eleições, o seu Governo vai intervir na comercialização agrícola, pois, para Ossufo Momade, não faz sentido que os compradores e importadores determinem preços na hora de adquirir a produção saída das terras de Erati.

As promessas eleitorais de Ossufo Momade abrangem o sector da educação, saúde e transportes onde Momade prometeu melhorar esses sectores.

A Missão de Observação União Europeia diz que não vai ignorar as reclamações sobre a transparência das eleições autárquicas ao observar o pleito deste ano. O grupo reitera o apelo aos órgãos eleitorais para que publiquem as actas dos resultados nas suas páginas de internet.

A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia apresentou, esta terça-feira, em Maputo, a sua estrutura e metodologia de trabalho para as eleições gerais de 9 de Outubro.

O grupo não observou as eleições autárquicas de 2023, mas garante que acompanhou todas as incidências e que as levará em conta na observação deste escrutínio.

“Estamos aqui como uma nova missão, com novos analistas e experientes. Vamos examinar e analisar o que vai acontecer nestas eleições de 2024. Em relação às eleições autárquicas do ano passado, quero destacar que a União Europeia não tinha uma missão no país, embora eu tenha escutado o que disse o alto-comissário representante naquela época. E vamos analisar, como disse, estas eleições com todos os indicadores que eu referenciei”, explicou Laura Cereza, chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Eleitoral.

Em 2019, depois de observar as eleições, a Missão da União Europeia recomendou, em nome da transparência, que fossem publicadas no sítio de internet da CNE as actas dos resultados das eleições, uma recomendação agora reiterada.

“Houve também uma recomendação em 2019, em que a missão citou a nossa recomendação de publicar todos os resultados de cada local de votação na página da CNE. Continuaremos a apoiar essas recomendações”, disse a responsável.

Cereza acredita que esta e outras recomendações podem ser implementadas, dado que já tinham sido deixadas nas últimas eleições gerais, em 2019.

“Estamos certos que as recomendações de 2019 foram ouvidas pelas autoridades nacionais e pela sociedade civil. Sabemos que eles ajudaram a sociedade civil com os seus trabalhos, com as suas demandas, e estamos em constante diálogo com as autoridades nacionais, com os partidos políticos, para trabalharmos juntos, para que essas recomendações sejam implementadas em breve”, apontou.

A União Europeia reitera, igualmente, que a sua presença nestas eleições pode contribuir para a transparência assim como conferir mais confiança aos eleitores.

O presidente honorário da Frelimo, Joaquim Chissano, disse que não há dúvidas de que o partido trouxe desenvolvimento rápido nos últimos 50 anos. Chissano reforçou a campanha da Frelimo na Cidade de Maputo e pediu maior atenção às críticas feitas sobre a Frelimo.

O presidente honorário da Frelimo Joaquim Chissano, usou da palavra para reiterar o seu apoio ao candidato presidencial, Daniel Chapo. Num encontro com a comunidade académica, o antigo chefe de Estado pronunciou-se sobre as críticas feitas ao seu partido.

“Começamos a trazer mais médicos formados fora do país, como foi o caso de Pascoal Mucumbe, do que os médicos formados dentro do país. Ver uma sala cheia assim (Centro Cultural Moçambique China) e depois alguém aparecer alguém a dizer que nós, em mais de 50 anos, nós, a Frelimo, não fizemos nada”. Chissano justificou dando o seguinte exemplo: “Quando saí de Moçambique em 1960, não existiam muitas escolas secundárias e muito menos o ensino geral. Numa província, podia existir apenas uma escola, mas nos dias que correm temos várias instituições de ensino secundário e mais de 40 universidades”, defendeu Joaquim Chissano, presidente honorário da Frelimo.

Joaquim Chissano deu uma aula de sapiência na qual destacou o papel da governação da Frelimo no desenvolvimento.

“Penso que se nós tivermos aquele espírito de construir o nosso país com vontade para isso, somos capazes de reduzir a distância que nos separa dos outros que estão diante de nós, podemos ultrapassar alguns países africanos até. A velocidade que imprimimos de um tempo para cá foi muito rápida, para ter 47 universidades. Podemos comparar-nos com outros países, mas nós queremos superar a nossa própria capacidade”, afirmou.

O presidente honorário da Frelimo falou, também, dos pilares no manifesto de Daniel Chapo.

Esta terça-feira, em mais uma jornada de “caça ao voto”, Venâncio Mondlane escalou o distrito de Lago, província do Niassa, um ponto com potencial turístico e recursos florestais e minerais que podem alavancar aquela parcela do país.

O candidato presidencial defendeu, na interacção com a população, em Manhamba, que as comunidades em redor da Reserva Nacional do Niasa devem benefeciar de parte das receitas da zona de conservação. Para o engenheiro, é fundamental que se trace programas que insiram as mesmas em projectos de geração de renda Mondlane diz ainda estar preocupado com constantes casos de conflito homem-animal, sendo que se deve olhar primeiro para a componente humana e, depois, a bravia.

Empoderamento da mulher e organização do sector informal são outros pontos abordados por Venâncio Mondlane no contacto com a população.

Mondlane diz que os jovens devem estar bem integrados em projectos que lhes permitem criar renda.

O candidato presidencial voltou a falar sobre o imperativo de se despartidarizar o Estado, uma acção que, na sua óptica, irá contribuir para o desenvolvimento do país.

Sem registo de incidentes, as caravanas do Podemos e Frelimo cruzaram-se no posto administrativo de Mandeze.

Segunda-feira, o candidato presidencial, Venâncio Mondlane, defendeu que a população de Marrupa deve beneficiar da exploração de recursos minerais. Mondlane promete ainda intervir para minimizar o problema do conflito homem-animal e reduzir impostos cobrados aos pequenos comerciantes.

Esta posição foi vincada depois de uma passeata por algumas artérias. O discurso, aliás, foi carregado promessas de distribuição justa para a população local dos proveitos da exploração de recursos minerais marcaram actividades de Mondlane naquele ponto do país.

Uma vez mais, o candidato presidencial assegurou que os impostos cobrados aos pequenos comerciantes serão reduzidos. Falou ainda dos efeitos do conflito homem-animal, que afectam os nativos de Marrupa.

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