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A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pretende mobilizar investimentos avaliados em 1,7 mil milhões de dólares em vários projectos estratégicos durante a vigésima Conferência Anual do Sector privado, que será realizada nos dias 12 a 14 deste mês. O valor, segundo o Vice-Presidente da CTA, Honório Manuel, será direcionado a iniciativas em sectores como agroindústria, energia, infraestrutura e indústria transformadora, com o objectivo de gerar emprego, aumentar a produção nacional e dinamizar a economia.

Segundo Honório Manuel, os projectos abrangem sectores considerados estratégicos para o relançamento económico, incluindo agro-indústria, logística e infraestrutura, indústria transformadora, energia e serviços digitais. “Estamos a falar de iniciativas que têm potencial de gerar emprego, aumentar a capacidade produtiva interna e substituir importações. Além disso, permitem criar novas cadeias de valor e garantir maior competitividade das nossas empresas”, explicou.

O dirigente sublinha que grande parte dos projectos será apresentada em formato de Parcerias Público-Privadas, modelo que considera essencial num contexto em que o Estado enfrenta limitações orçamentais. “É fundamental criar condições claras, previsíveis e transparentes para que o sector privado se envolva. A CSP será o espaço onde o Governo, os investidores e os empresários alinharão expectativas em torno dessas oportunidades”, disse.

Questionado sobre os principais constrangimentos que continuam a travar o desenvolvimento empresarial, Honório Manuel reconhece que o país tem avançado em algumas reformas, mas ainda enfrenta desafios marcantes, tais como a burocracia na criação de empresas, morosidade no licenciamento, imprevisibilidade tributária e dificuldades na execução contratual.

“O sector privado necessita de previsibilidade. Um investidor só arrisca o seu capital quando sabe quais são as regras do jogo, se elas são estáveis e se existe confiança de que serão respeitadas. Hoje, ainda temos zonas cinzentas que desincentivam a tomada de decisão”, afirmou.

Para Manuel, o Diálogo Público-Privado é um instrumento estruturante para corrigir estes obstáculos, desde que os compromissos sejam assumidos com metas, calendários e mecanismos de acompanhamento. “É importante que o Diálogo Público-Privado deixe de ser apenas um exercício de discurso e passe a ser uma matriz de execução real, com responsabilidades partilhadas entre Governo e sector privado”, reforçou.

O Vice-Presidente da CTA afirma que um dos eixos estratégicos da próxima fase do desenvolvimento económico nacional deve ser a industrialização orientada para o mercado interno e regional. Moçambique continua a importar grande parte dos bens que consome, incluindo alimentos e produtos de primeira necessidade que poderiam ser produzidos localmente.

“Nós podemos e devemos produzir mais dentro do país. Temos terra, mão-de-obra jovem e recursos naturais. O que falta é assegurar condições para que os empresários invistam em processamento, tecnologia e logística. Se não criarmos capacidade de transformação local, continuaremos dependentes do exterior e vulneráveis a choques externos”, frisou.

Manuel destaca que a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) oferece oportunidades inéditas para inserir Moçambique nas cadeias de valor regionais, mas isso só será possível com políticas de estímulo à produção e à exportação.

Questionado sobre o impacto do clima político na economia, Manuel foi cauteloso, mas afirmou que estabilidade é um activo económico e que qualquer incerteza institucional pode atrasar decisões de investimento.

“Os investidores observam sinais, e a previsibilidade institucional é essencial. O país deve continuar a consolidar o diálogo e reforçar a confiança entre as instituições e a sociedade civil para garantir que o ambiente económico seja favorável ao investimento”, disse.

Ao concluir, o Vice-Presidente da CTA reforçou que a Conferência não deve ser apenas um evento de discursos e apresentações, mas sim um espaço de assinatura de acordos, mobilização de capitais e definição de compromissos claros.

“O sector privado está pronto para investir e contribuir para o crescimento económico. O que esperamos é que este seja um momento de viragem, em que saímos com decisões concretas, projectos financiados e uma agenda clara de reformas para os próximos meses”, finalizou.

A abertura da Vigésima Conferência Anual do Sector privado será presidida pelo presidente da República, Daniel Chapo, que vai igualmente, participar de um painel de alto nível onde será o moderador.

A Assembleia da República aprovou por unanimidade a proposta de revisão da Lei de Autorização Legislativa, que permite ao Governo proceder à Revisão do Regime Jurídico dos Seguros. A proposta foi apresentada pela Ministra das Finanças, Carla Louveira, que disse que o sector movimentou, no ano passado, 24,16 mil milhões de meticais.

Composto por 21 seguradoras, três micro-seguradoras e uma vasta rede de mediadores, o sector de seguros movimentou cerca de 24,16 mil milhões de meticais em 2024 e o Governo considera que o sector pode gerar ainda mais receita se for melhorado. Segundo a ministra Carla Louveira, o objectivo da revisão passa por criar condições para que o sector torne-se sustentável, evitando que este seja usado como instrumento para práticas de branqueamento de capitais.

“No tocante às condições de acesso e exercício da actividade seguradora e da mediação, visa-se reforçar a responsabilidade em matéria de governação, garantindo que a gestão dos operadores seja transparente, sã e prudente, e que observe os princípios de boa gestão; proibir a acumulação de cargos pelos titulares dos órgãos sociais, para evitar conflitos de interesse”,  disse a governante aos deputados da Assembleia da República.

Outras mudanças propostas pelo Executivo têm a ver com “promoção da figura do provedor do cliente, pessoa formada e credenciada pela entidade de supervisão, em defesa dos interesses do consumidor de seguros”. Quanto ao Regime Jurídico do Contrato de Seguro, a proposta estabelece regras de conduta dos mediadores, assegurando a protecção dos clientes e a qualidade dos serviços e produtos do sector.

O instrumento legal visa actualizar e modernizar as regras do sector segurador, alinhando-as com práticas internacionais e respondendo às exigências do mercado moçambicano. Entre os principais objectivos da revisão estão a maior transparência nas operações, a proteção dos consumidores e o fortalecimento do sector como motor de crescimento económico.

O regime jurídico actual que regula a actividade seguradora e de resseguro estabelece os direitos e deveres dos tomadores de seguros, define regras para a declaração de risco e determina a supervisão do sector pelo Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM).

Com a revisão, espera-se que os contratos de seguro se tornem mais claros e acessíveis aos cidadãos, proporcionando melhor proteção e mecanismos de reclamação. Para as empresas, a alteração pode abrir caminho para novos produtos, maior segurança jurídica e acesso fácil ao mercado.

Além de proibir a acumulação de cargos pelos titulares dos órgãos sociais e promover a figura do provedor do cliente, o Governo propõe criar a Central de Risco de Seguros, com o objectivo de internacionalizar o sector, que no ano passado cresceu 11,6%. Segundo a ministra, o ingresso no mercado internacional é um projecto em desenvolvimento desde 2023.

“As reformas legislativas no sector de seguros surgem no contexto da dinâmica actual do país e em conformidade com princípios e boas práticas de governação emanadas por organizações internacionais das quais Moçambique é membro, nomeadamente a Associação Internacional dos Supervisores de Seguros e o Comité das Autoridades de Supervisão de Instituições Financeiras Não Bancárias da SADC”, esclareceu a governante.

Deputados exigem melhorias da proposta

Em reacção à proposta, os deputados das quatro bancadas da Assembleia da República, nomeadamente, da Frelimo, do Podemos, da Renamo e do MDM, pediram melhorias estruturais, apontando a falta de inclusão e apropriação das empresas de seguros pelo sector público como um desafio.

Na ocasião, o deputado da Renamo, Arnaldo Chalaua, afirmou que a bancada votou a favor, na esperança de que as medidas se traduzissem em resultados concretos. Por seu turno, a bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), através da deputada Judite Sitoe Macuácua, destacou que a ausência de mecanismos de gestão de risco mina o desenvolvimento do sector de seguros.

O maior partido da oposição, Podemos, criticou o facto de o artigo 9 da actual Lei de Seguros demonstrar a ausência de critérios de mérito e vulnerabilidade ao financiamento ao terrprismo e branqueamento de capitais. 

O governador do Banco de Moçambique alerta que Moçambique continua a depender da poupança dos outros países para financiar a sua economia. O alerta foi lançado na última quarta-feira na província de Cabo Delgado.

De acordo com Rogério Zandamela, as transacções entre o país e o resto do mundo tiveram um agravamento de 3,1% no défice da conta corrente no primeiro semestre do presente ano, face a igual período de 2024.

Zandamela fez essas abordagens na quarta-feira durante o Conselho Consultivo do Banco de Moçambique, evento que discute até hoje os desafios do sistema financeiro nacional e da economia em geral.

Para melhor perceber sobre os dizeres do governador, o “O País Económico” ouviu alguns economistas nacionais. Egas Daniel começa por dizer que o alerta mostra que o país continua dependente do sector externo nas três dimensões mais importantes de financiamento à economia. 

Uma das dimensões é o financiamento público, já que, segundo refere, as despesas não totalmente as receitas, o que torna o país dependente de fontes externas, como dívida, para cobrir o seu défice orçamental. 

“Por isso que estou a falar da dívida pública externa que nós sabemos que está em níveis elevados neste momento”, conclui e arrola a produção como sendo a segunda dimensão do financiamento à economia.

Egas lembra ainda que o país produz pouco para satisfazer as suas próprias necessidades e que o dinheiro que consegue das exportações de produtos não cobre as importações. “Logo, estamos dependentes ainda da poupança externa para financiar e cobrir o défice da balança comercial”, conclui.

Para compensar a referida diferença, ou seja, para cobrir o défice da balança comercial, Egas diz que muitas vezes o país recorre ao financiamento externo, tornando-se assim cada vez mais dependente.

Chamado também a comentar sobre os pronunciamentos de Rogério Zandamela, o economista Júlio Saramala salientou que as constatações evidenciam um problema estrutural na economia moçambicana. 

“O país ainda não consegue gerar internamente os recursos necessários para sustentar o seu próprio crescimento”, disse. 

Júlio Saramala entende ainda que a dependência limita a autonomia das políticas económica, fiscal e cambial, e deixa expostos a choques externos e a pressões sobre as reservas que o país possui. 

O economista defende que o agravamento do défice da conta corrente descrito pelo governador do banco central confirma que o país gasta mais em importações do que arrecada nas suas vendas ao mundo e rendimentos externos, um sinal claro de fragilidade da sua balança de pagamentos.

Para reverter o cenário, Saramala diz que mais do que discursos sobre diversificação da economia, é necessário mobilizar a poupança interna de forma inteligente e canalizá-la para o investimento produtivo. 

“O país precisa dinamizar o Fundo de Desenvolvimento Local (FDEL), o Fundo de Garantia Mútua e, de forma estratégica, o Fundo Soberano, para que deixem de ser apenas estruturas institucionais e passem a ser motores reais de financiamento à economia”, sugere Júlio Saramala. 

Em paralelo, Saramala diz que a política cambial deve ser mais previsível e orientada à competitividade, reduzindo a volatilidade e garantindo que o acesso às divisas seja compatível com as necessidades do sector produtivo.

“A elevada dívida pública precisa ser renegociada para libertar espaço fiscal e dar oxigénio ao sector privado e às famílias. Uma economia não cresce se o Estado absorve toda a liquidez do sistema. O Governo deve trabalhar com o sistema financeiro para melhorar o acesso ao crédito bancário, sobretudo para pequenas e médias empresas, reduzindo o custo de financiamento e ampliando a intermediação financeira”, sugere. 

De acordo com Saramala, se o Estado combinar a gestão responsável da dívida, a estabilidade cambial e o estímulo à poupança e ao crédito produtivo, ajudaria o país a reduzir a dependência de capitais externos e a construir um crescimento mais sólido, sustentado por recursos internos.

Zandamela prevê recuperação económica em 2026

O Banco de Moçambique é optimista quanto à recuperação da economia nacional no próximo ano. Nas suas perspectivas para os próximos anos, o regulador do sistema financeiro nacional fala de recuperação gradual.

“Antevemos uma recuperação gradual da actividade económica, sustentada pela implementação de projectos estruturantes em áreas estratégicas e pela melhoria das condições internas de produção”, prevê.

No tocante ao custo de vida, as projecções do Banco de Moçambique para a subida do nível geral de preços  apontam para a manutenção abaixo de 10% nos próximos anos. Porém, alerta que persistem desafios relevantes.

“A nível interno, destaca-se o contínuo agravamento do risco fiscal, o ambiente de negócios desafiante, os choques climáticos e a necessidade de reformas estruturais profundas”, descreveu o governador do banco central.

No mundo, o governador do banco central sublinha que constituem desafios a desaceleração da actividade económica, a persistência da subida generalizada do nível geral de preços e elevados níveis de incerteza.

O Município de Boane recebeu 2,2 milhões de meticais para financiar iniciativas de negócios locais no âmbito do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) Alguns candidatos demonstram desconhecer os procedimentos e muitos ainda não possuem um plano de negócios estruturado.

Entre os concorrentes, destaca-se Lurdes Macilane, residente neste município, que necessita de 100 mil meticais para desenvolver o seu plano de negócio na área de catering e já tem alguma experiência no setor. 

Por outro lado, Angélica, jovem de 26 anos, pretende empreender na área da pecuária, mas ainda não dispõe de um plano nem do orçamento necessário. Dino Mpeuce, natural de Sofala e residente em Boane há mais de 10 anos, é carpinteiro e pretende expandir o seu negócio, com potencial de empregar jovens.

Estes candidatos concorrem aos 2,2 milhões de meticais disponibilizados para o município, com valores a atribuir que variam entre 5 mil e 500 mil meticais, conforme a dimensão dos projectos.

“Percebemos que a maior parte das pessoas ainda não tem um plano de negócios. Muitas apenas querem o dinheiro. Mas será um grande desafio para a Comissão de Avaliação e Selecção das Candidaturas, porque o valor mínimo é 2 mil meticais e o máximo 500 mil. Vamos fazer tudo para não conceder fundos a quem não sabe o que vai fazer, porque a pessoa vai receber e não terá como devolver”, explicou Geraldina Bonifácio, edil de Boane.

As candidaturas estarão abertas por 30 dias, terminando no próximo dia 20 de Novembro. Depois deste período, a comissão de avaliação dará o veredito final e seleccionará os projectos apurados.

“Até meados de Dezembro, já teremos feito os desembolsos. A equipa está pronta para agir e recolher informações sobre as necessidades dos candidatos. Vamos trabalhar mesmo aos sábados e domingos, se necessário. Teremos o cuidado de visitar todos os pré-seleccionados, porque, por exemplo, se alguém submeter um projecto para criação de frangos sem ter uma capoeira, ainda que emprestada, o negócio não será sustentável. Vir buscar o dinheiro depois para construir a capoeira será muito complicado”, alertou a dirigente municipal.

Ao todo, 1,5 mil milhões de meticais foram disponibilizados pelo Governo para apoiar iniciativas de negócios de jovens em todo o país, com 60% dos fundos direcionados para a juventude.

O Gabinete Central de Combate à Corrupção já começou a ouvir os funcionários do Tesouro, no âmbito das denúncias de corrupção no pagamento de fornecedores de bens e serviços às instituições públicas. Os empresários são obrigados a pagar 10% do valor devido pelo Estado para reaver os pagamentos pelos serviços já prestados. O CDD, que, nos últimos dias, tem vindo a apresentar denúncias, diz que já devia haver detenções em conexão com os casos.

“O País” escreveu, no início da semana, sobre o escândalo de corrupção no pagamento do Imposto do Valor Acrescentado (IVA), envolvendo funcionários da Autoridade Tributária. Dias depois, informações apontam que a instituição não é a única, há casos similares no Tesouro Nacional.

Com base em informações apuradas junto a fontes próximas ao Ministério das Finanças e ao sector empresarial nacional, alguns funcionários do Tesouro têm vindo a cobrar aos fornecedores de bens e serviços das instituições públicas.

Aliás,  o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), que diz estar preocupado com a crescente onda de corrupção no Tesouro, confirma haver  processos que correm termos desde 2024, envolvendo funcionários da instituição, e segundo apurou “O País”, as vítimas são empresários nacionais.

Na segunda-feira, o porta-voz do GCCC garantiu haver processos em curso envolvendo funcionários do Tesouro, porém não revelou detalhes. Na mesma segunda-feira, a instituição ligada ao Ministério Público ouviu, durante cerca de seis horas, o director nacional do Tesouro na qualidade de testemunha.

Segundo apurou “O País”, os 10% é a taxa mínima cobrada para dinamizar os pagamento pelo serviço prestado ao Estado, e os que não colaboram chegam a esperar meses ou anos para receber os seus valores.

O Governo evita pronunciar-se sobre o assunto, mas, recentemente, a Ministra das Finanças confirmou à imprensa a existência de trabalhos internos para apurar os factos. Já o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, na trigésima sexta sessão ordinária, afirmou que o Governo não vai tolerar tais actos no seio do Tesouro.

CDD EXIGE DETENÇÕES

O Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD) tem vindo a denunciar o escândalo de cobranças ilícitas, que passou a dominar a relação entre o Estado e os empresários, no processo de pagamento. Em Agosto passado, chegou a solicitar esclarecimentos ao Ministro das Finanças.

“É uma situação antiga que vem acontecendo, e só agora veio à superfície com denúncias formais. No seio dos empresários que prestam serviços ao Estado, esta já era uma reclamação conhecida, mas, finalmente, como disse, chegou ao espaço público”, reagiu André Mulungo, do Centro para a Democracia e Direitos Humanos.

No decurso das investigações, o CDD entende que alguns intervenientes deveriam ser detidos para evitar qualquer obstrução ao processo.

“Defendemos que algumas pessoas devem responder a este processo em prisão, essencialmente por duas razões: enquanto continuarem nos seus postos de trabalho e em liberdade, há risco de destruírem provas ou de obstruir o decurso normal do trabalho da Procuradoria-Geral da República. Portanto, consideramos que é positivo que o Gabinete Central de Combate à Corrupção esteja a fazer este trabalho, mas deve ir além, promovendo a detenção dessas pessoas”, explicou.

O CDD considera também importante que as sanções sejam exemplares, de forma a desencorajar outros funcionários públicos de se envolverem em esquemas similares, uma vez que esta “febre” parece atingir todo o aparelho estatal.

Segundo André Mulungo, estas pessoas não têm perfil para continuar a servir o Estado e devem ser afastadas, dando um sinal claro aos demais de que este comportamento não é aceitável. 

“Queremos que o Gabinete Central de Combate à Corrupção siga com o processo, que haja acusação e que o expediente seja remetido ao tribunal”, acrescentou.

Fontes próximas ao Gabinete Central de Combate à Corrupção asseguram que os processos referidos ainda se encontram em fase de instrução.

A União Europeia, em coordenação com a Cooperação Alemã e a Fundação Tony Elumelu, lançou, nesta quarta-feira, a segunda edição do Programa de Empreendedorismo Feminino para África, que visa, entre vários objectivos, apoiar iniciativas de empreendedorismo femenino.

O programa, implementado em oito países africanos, incluindo Moçambique, visa capacitar mulheres empreendedoras, fornecendo-lhes ferramentas, recursos e financiamento para desenvolver negócios sustentáveis. Na primeira edição, 2000 empreendedoras em todo o continente receberam apoio para expandir os seus projetos.

“As mulheres africanas têm um papel essencial no desenvolvimento económico dos seus países. Este programa oferece as ferramentas, o financiamento e a mentoria necessários para transformar ideias em negócios de sucesso”, afirmou Moyo Awotile, directora de Comunicação e Marketing da Fundação Tony Elumelu.

A participação das mulheres no empreendedorismo africano tem vindo a crescer, mas continua a enfrentar desafios como falta de acesso a financiamento e formação especializada, e com base em programas como estes, a União Europeia pretende provocar mudanças. 

Cada participante seleccionada poderá receber um financiamento inicial não reembolsável de 5.000 dólares norte-americanos, bem como acesso a formação de classe mundial e orientação especializada. “Estamos a criar oportunidades reais para que as mulheres possam crescer os seus negócios, gerar emprego e contribuir para a redução da pobreza em África”, acrescentou Moyo Awotile.

Para aumentar a participação, o Banco UBA e a Fundação Tony Elumelu estão a promover sessões públicas de divulgação nos países abrangidos. Em Moçambique, a sessão decorreu esta quarta-feira, em Maputo, em formato híbrido, com transmissão ao vivo e interacção entre potenciais candidatas e beneficiárias da edição anterior. “Estas sessões não são apenas informativas, mas também inspiram e motivam as mulheres a candidatar-se”, destacou Moyo Awotile.

O programa prevê ainda outras acções de apoio, como contratação de influenciadores locais, acompanhamento do número de candidaturas, organização de clínicas de candidatura e produção de vídeos explicativos sobre o processo.

Segundo os financiadores, a submissão das candidaturas decorre até Janeiro do próximo ano, e as organizações querem envolver maior número de mulheres, principalmente jovens. 

“Encorajamos todas as mulheres empreendedoras a submeterem as suas candidaturas e a aproveitarem esta oportunidade única de transformar os seus negócios e impactar positivamente”, advertiu Moyo Awotile.

O projecto de financiamento de iniciativas juvenis e desenvolvimento comunitário, liderado pela União Europeia e parceiros não é o único. Em Novembro de  2024, o Banco Africano de Desenvolvimento, desembolsou cerca de 11 milhões de dólares para projectos de segurança alimentar e inclusão juvenil. 

O referido apoio incluiu o financiamento de iniciativas de mitigação dos impactos do terrorismo em Cabo Delago, que segundo dados recentes 25 mil nos últimos ataques.

Moçambique está a abrir novas rotas no céu e no desenvolvimento. Com uma aposta clara na modernização das infraestruturas aeroportuárias e na ampliação da conectividade interna e internacional, o país procura consolidar-se como um destino turístico competitivo e sustentável. A empresa Aeroportos de Moçambique está no centro desta transformação, trabalhando para que cada pista de aterragem seja também uma porta aberta para novas oportunidades de investimento, negócios e lazer.

O turismo é hoje um dos sectores mais estratégicos para a diversificação da economia moçambicana, e os aeroportos assumem papel essencial neste processo. São o primeiro contacto de quem visita o país e, muitas vezes, o cartão de visita que define a experiência do viajante. “Os aeroportos são um braço do turismo, e o turismo precisa de conectividade. Se tivermos pontos de entrada de referência, como Vilankulo, Beira e Nacala, estamos a garantir que os turistas que vêm de longe encontrem novas rotas e melhores condições para chegar aos seus destinos”, explica Fonseca da Fonseca, administrador operacional da empresa Aeroportos de Moçambique.

O gestor reconhece que o turismo e a aviação vivem numa relação simbiótica. Um cresce com o outro, e o investimento em novas rotas é fundamental para dinamizar as duas áreas. “Os aeroportos sobrevivem do turismo, e o turismo sobrevive dos aeroportos. Queremos fazer desta relação um motor de crescimento”, reforça.

A expansão das rotas aéreas é, por isso, um dos pontos centrais do plano de desenvolvimento da empresa. Nos últimos meses, foram anunciadas novas ligações domésticas e internacionais que prometem aproximar Moçambique do resto do mundo. “Estamos a melhorar as comunicações em todo o país, e isso já está a ter impacto. O número de sobrevoos aumentou, o que mostra que o nosso espaço aéreo está a tornar-se mais atrativo para outras companhias”, afirma Fonseca.

Entre as novas ligações já confirmadas, estão as rotas Joanesburgo–Kruger, operada pela AirLink, e Nacala–Joanesburgo, com início previsto para fevereiro do próximo ano. “Temos também planos para fortalecer o aeroporto da Beira, transformando-o num verdadeiro hub regional”, acrescenta o administrador, revelando que novas rotas Beira–Porto, Beira–Vietname e Beira–Dubai estão também em execução.

A estratégia é transformar cada aeroporto numa plataforma de integração regional, capaz de responder à crescente procura por voos diretos e ligações rápidas para o turismo, o comércio e a cooperação internacional. A Beira, por exemplo, está a reposicionar-se como ponto de ligação estratégica entre o centro de Moçambique, o interior de África e as principais capitais do mundo.

Mas é o aeroporto internacional de Nacala que continua a ser o maior símbolo desta ambição. Concebido para ser um dos principais polos de conexão aérea do país, Nacala foi projetado com capacidade para receber grandes aeronaves e operar voos intercontinentais. A infraestrutura, moderna e tecnologicamente avançada, representa um investimento estratégico não apenas para o turismo, mas também para a dinamização económica do norte do país.

A empresa Aeroportos de Moçambique vê Nacala como peça-chave na integração das regiões norte e centro ao mapa global da aviação. O plano passa por atrair companhias internacionais, criar parcerias com operadores turísticos e desenvolver zonas comerciais complementares dentro e fora do aeroporto.

Nos últimos anos, o crescimento da procura turística tem impulsionado o tráfego aéreo em destinos como Vilankulo, Pemba e Tete, e a requalificação destas infraestruturas é essencial para consolidar a imagem de um país preparado para receber. “Acreditamos que o futuro do turismo passa pela conectividade. O viajante moderno quer facilidade, conforto e segurança, e nós estamos a trabalhar para oferecer exatamente isso”, sublinha Fonseca da Fonseca.

Além das novas rotas, o plano da empresa inclui investimentos em modernização tecnológica, expansão de terminais, melhoria da iluminação e sinalização das pistas e reforço da segurança operacional. Há também um foco crescente na digitalização dos serviços, com o objetivo de agilizar processos de check-in, gestão de bagagens e informações de voo.

Outro pilar essencial é a sustentabilidade. Os aeroportos estão a incorporar práticas ambientalmente responsáveis, incluindo a gestão eficiente de energia, o uso de fontes renováveis e a redução das emissões de carbono, numa clara resposta às exigências globais do turismo verde.

A aposta em novas rotas e aeroportos modernos está alinhada com o Plano Nacional de Desenvolvimento do Turismo, que prevê que o sector represente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. Para isso, a conectividade aérea é apontada como um dos fatores decisivos.

Com esta estratégia, Moçambique posiciona-se para competir com destinos tradicionais da África Austral, como Tanzânia, Namíbia e África do Sul. Vilankulo e Inhambane, por exemplo, já se destacam entre os destinos mais procurados para turismo de praia e mergulho, enquanto Gorongosa e Niassa ganham força no segmento de ecoturismo e safaris.

As novas rotas abrem também espaço para o crescimento de negócios locais. Hotéis, operadores turísticos, transportadoras e pequenas empresas ligadas ao turismo beneficiam diretamente da maior circulação de visitantes. Em paralelo, o aumento de voos comerciais cria empregos diretos e indiretos e estimula a economia regional.

No entanto, o desafio não está apenas em abrir novas rotas, mas em garantir que cada aeroporto se torne sustentável e eficiente. Para isso, a gestão integrada entre as autoridades de aviação, turismo e investimentos é vista como essencial.

Moçambique quer mostrar que está pronto para voar mais alto. Os novos aeroportos e rotas não são apenas corredores aéreos; são sinais de um país que está a abrir as suas portas ao mundo, apostando no turismo como caminho para o progresso económico e social.

Enquanto os aviões ganham altitude e cruzam os céus moçambicanos, há uma ideia que ecoa com força: o turismo é o novo combustível do desenvolvimento, e as asas de Moçambique estão novamente prontas para levantar voo.

Moçambique está a abrir novas rotas no céu e no desenvolvimento. Com uma aposta clara na modernização das infra-estruturas aeroportuárias e na ampliação da conectividade interna e internacional, o país procura consolidar-se como um destino turístico competitivo e sustentável. A empresa Aeroportos de Moçambique está no centro desta transformação, trabalhando para que cada pista de aterragem seja também uma porta aberta para novas oportunidades de investimento, negócios e lazer.

O turismo é hoje um dos sectores mais estratégicos para a diversificação da economia moçambicana, e os aeroportos assumem papel essencial neste processo. São o primeiro contacto de quem visita o país e, muitas vezes, o cartão de visita que define a experiência do viajante. 

“Os aeroportos são um braço do turismo, e o turismo precisa de conectividade. Se tivermos pontos de entrada de referência, como Vilankulo, Beira e Nacala, estamos a garantir que os turistas que vêm de longe encontrem novas rotas e melhores condições para chegar aos seus destinos”, explica Fonseca da Fonseca, administrador operacional da empresa Aeroportos de Moçambique.

O gestor reconhece que o turismo e a aviação vivem numa relação simbiótica. Um cresce com o outro, e o investimento em novas rotas é fundamental para dinamizar as duas áreas. “Os aeroportos sobrevivem do turismo, e o turismo sobrevive dos aeroportos. Queremos fazer desta relação um motor de crescimento”, reforça.

A expansão das rotas aéreas é, por isso, um dos pontos centrais do plano de desenvolvimento da empresa. Nos últimos meses, foram anunciadas novas ligações domésticas e internacionais que prometem aproximar Moçambique do resto do mundo. “Estamos a melhorar as comunicações em todo o país, e isso já está a ter impacto. O número de voos aumentou, o que mostra que o nosso espaço aéreo está a tornar-se mais atrativo para outras companhias”, afirma Fonseca.

Entre as novas ligações já confirmadas, estão as rotas Joanesburgo–Kruger, operada pela AirLink, e Nacala–Joanesburgo, com início previsto para Fevereiro do próximo ano. “Temos também planos para fortalecer o aeroporto da Beira, transformando-o num verdadeiro hub regional”, acrescenta o administrador, revelando que novas rotas Beira–Porto, Beira–Vietname e Beira–Dubai estão também em execução.

A estratégia é transformar cada aeroporto numa plataforma de integração regional, capaz de responder à crescente procura por voos directos e ligações rápidas para o turismo, o comércio e a cooperação internacional. A Beira, por exemplo, está a reposicionar-se como ponto de ligação estratégica entre o centro de Moçambique, o interior de África e as principais capitais do mundo.

Mas é o aeroporto internacional de Nacala que continua a ser o maior símbolo desta ambição. Concebido para ser um dos principais polos de conexão aérea do país, Nacala foi projectado com capacidade para receber grandes aeronaves e operar voos intercontinentais. A infraestrutura, moderna e tecnologicamente avançada, representa um investimento estratégico não apenas para o turismo, mas também para a dinamização económica do norte do país.

NACALA NO CENTRO DA MUDANÇA

A empresa Aeroportos de Moçambique vê Nacala como peça-chave na integração das regiões norte e centro ao mapa global da aviação. O plano passa por atrair companhias internacionais, criar parcerias com operadores turísticos e desenvolver zonas comerciais complementares dentro e fora do aeroporto.

Nos últimos anos, o crescimento da procura turística tem impulsionado o tráfego aéreo em destinos como Vilankulo, Pemba e Tete, e a requalificação destas infraestruturas é essencial para consolidar a imagem de um país preparado para receber. “Acreditamos que o futuro do turismo passa pela conectividade. O viajante moderno quer facilidade, conforto e segurança, e nós estamos a trabalhar para oferecer exatamente isso”, sublinha Fonseca da Fonseca.

Além das novas rotas, o plano da empresa inclui investimentos em modernização tecnológica, expansão de terminais, melhoria da iluminação e sinalização das pistas e reforço da segurança operacional. Há também um foco crescente na digitalização dos serviços, com o objetivo de agilizar processos de check-in, gestão de bagagens e informações de voo.

Outro pilar essencial é a sustentabilidade. Os aeroportos estão a incorporar práticas ambientalmente responsáveis, incluindo a gestão eficiente de energia, o uso de fontes renováveis e a redução das emissões de carbono, numa clara resposta às exigências globais do turismo verde.

A aposta em novas rotas e aeroportos modernos está alinhada com o Plano Nacional de Desenvolvimento do Turismo, que prevê que o sector representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. Para isso, a conectividade aérea é apontada como um dos fatores decisivos.

Com esta estratégia, Moçambique posiciona-se para competir com destinos tradicionais da África Austral, como Tanzânia, Namíbia e África do Sul. Vilankulo e Inhambane, por exemplo, já se destacam entre os destinos mais procurados para turismo de praia e mergulho, enquanto Gorongosa e Niassa ganham força no segmento de ecoturismo e safáris.

As novas rotas abrem também espaço para o crescimento de negócios locais. Hotéis, operadores turísticos, transportadoras e pequenas empresas ligadas ao turismo beneficiam diretamente da maior circulação de visitantes. Em paralelo, o aumento de voos comerciais cria empregos directos e indiretos e estimula a economia regional.

No entanto, o desafio não está apenas em abrir novas rotas, mas em garantir que cada aeroporto se torne sustentável e eficiente. Para isso, a gestão integrada entre as autoridades de aviação, turismo e investimentos é vista como essencial.

A província do Niassa quer virar a página. Depois de meses marcados por ataques terroristas que abalaram a Reserva Especial do Niassa e afastaram visitantes, o maior território de conservação do país procura agora recuperar a confiança dos turistas e investidores. Na Feira Internacional de Turismo (FIKANI 2025), em Vilankulo, a província apresenta-se com uma nova imagem, determinada a mostrar que é muito mais do que o seu passado recente.

Entre maquetes de lodges, fotografias de paisagens selvagens e danças tradicionais, Niassa surge como o gigante adormecido do turismo moçambicano. A governadora Judite Massengele lidera a comitiva com um discurso firme e otimista: a província, garante, está segura e pronta para recomeçar.

“A situação está normalizada, a população circula, as instâncias turísticas estão a funcionar e há confiança no regresso à normalidade”, disse Massengele, sublinhando que o governo e as forças de segurança reforçaram o controlo nas áreas antes afetadas pelos ataques.

Niassa, que durante anos foi vista essencialmente como um celeiro agrícola, quer agora explorar a outra metade do seu potencial: o turismo. Com 42 mil quilómetros quadrados de reservas e parques naturais, é o lar de espécies emblemáticas como elefantes, leões, leopardos, búfalos e hipopótamos — os chamados Big Five. “Temos uma das maiores áreas de conservação do país e queremos atrair investidores que apostem tanto na observação de fauna bravia como no turismo de contemplação”, explica a governadora.

O plano é simples, mas ambicioso: transformar a biodiversidade e as águas do Lago Niassa em motores de crescimento. São mais de 600 quilómetros de costa, ladeados por aldeias pesqueiras e praias serenas, que podem ser convertidos em polos de ecoturismo. Massengele acredita que o segredo está na ligação entre a terra e a água. “Tendo um investidor que aposte no turismo de contemplação e outro na área costeira, podemos criar um pacote integrado. O turista que visita Mecula pode seguir de avião ou por estrada até ao lago. As duas áreas não devem ser isoladas, devem complementar-se”, defende.

Este conceito de turismo integrado é visto como uma aposta de futuro. A ideia é criar rotas que combinem safaris na Reserva do Niassa com mergulhos nas águas azuis do lago, transformando a província num destino de contrastes — onde o selvagem e o sereno se encontram.

A presença de Niassa na FIKANI 2025 é também um gesto simbólico. Representa a resistência e a esperança de uma província que se recusa a ser definida pelos seus desafios. O pavilhão de Niassa, decorado com esculturas de madeira, capulanas e imagens aéreas da reserva, tem sido um dos mais visitados. Investidores nacionais e estrangeiros passam, perguntam, mostram interesse.

Além do turismo de natureza, o governo provincial quer apostar em infraestruturas de apoio, formação de guias, segurança nas rotas e inclusão das comunidades locais nas cadeias de valor do turismo. “O turismo só será sustentável se beneficiar o povo de Niassa”, defende Massengele.

Com um mosaico cultural único — resultado da convivência de mais de 15 grupos etnolinguísticos —, a província quer também valorizar o turismo cultural, promovendo festivais, gastronomia e tradições locais como parte da experiência do visitante.

Apesar de não ter saída para o mar, Niassa oferece horizontes que o olhar não alcança. O seu desafio é transformar o isolamento geográfico numa vantagem competitiva, explorando o encanto da autenticidade e a promessa de aventura.

O renascimento turístico de Niassa acontece num momento em que Moçambique procura consolidar o turismo como um dos pilares da diversificação económica. E, para a governadora, este é o momento certo: “O país está a crescer, os investidores estão a olhar para o norte e Niassa quer ser parte dessa nova narrativa.”

Enquanto as luzes da feira brilham sobre os stands, fica a sensação de que o turismo moçambicano está a reescrever-se — e Niassa quer estar no centro dessa nova história, onde o medo cede lugar à esperança, e a natureza volta a ser sinónimo de vida, e não de ameaça.

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