O País – A verdade como notícia

Os empresários indianos mostram-se dispostos a investir em Moçambique nas áreas de energia, indústria farmacêutica e exploração de gás, com um volume de negócios estimado em cerca de 10 mil milhões de dólares. A intenção foi manifestada nesta terça-feira, durante o Fórum de Negócios entre os dois países, que teve lugar em Maputo.

Com uma relação de cooperação bilateral que remonta à conquista da Independência Nacional, Moçambique e a Índia continuam a evidenciar fortes ambições enquanto parceiros económicos. A indústria farmacêutica, a agricultura e o fornecimento de serviços em projectos de exploração de gás são, segundo o secretário de Estado do Comércio, áreas apetecíveis que podem unir empresários indianos e moçambicanos.

“Moçambique tem cerca de 35 milhões de hectares férteis, sendo um dos poucos países em África e no mundo com esta quantidade de terras cultiváveis. Os nossos índices de produção ainda são extremamente baixos. Moçambique é, como disse o senhor embaixador, um dos grandes exportadores de pó de dhal para a Índia, mas tem capacidade para triplicar esse volume. Também exporta muita castanha, muito gergelim e alguns feijões, mas o potencial é enormíssimo. Convidamos as empresas indianas a virem, de preferência em parceria com os moçambicanos, que é o que também pretendemos, para podermos explorar esse potencial agrícola — não só para transformar Moçambique num dos maiores exportadores de produtos, mas também para alcançarmos a auto-suficiência alimentar”, afirmou António do Rosário Grispos, secretário de Estado do Comércio.

O Fórum de Negócios Índia–Moçambique, realizado nesta terça-feira, em Maputo, abriu espaço para a apresentação de oportunidades de investimento entre as partes. A CTA considera que o volume de negócios entre os dois países pode ser significativamente alargado.

Segundo Álvaro Massingue, presidente da CTA, “é hora de elevar esta parceria para um novo patamar. Existe uma complementaridade natural entre duas economias dinâmicas. Moçambique dispõe de 36 milhões de hectares de terras aráveis, recursos hídricos abundantes e uma das costas mais extensas da África Austral. A Índia traz tecnologia agrícola acessível, sistemas modernos de irrigação e experiência consolidada em agro-processamento.”

O Conselho Empresarial da Índia aponta para as indústrias de energia, farmacêutica, exploração mineira e agricultura como as áreas que despertam maior interesse.

“Acredito que existem oportunidades imediatas, a médio e longo prazo em Moçambique, especialmente no sector da saúde. E a saúde é um tema muito amplo: inclui hospitalidade, diagnósticos e indústria farmacêutica — há muito por desenvolver. Depois, há a agricultura, começando pela pesca, que envolve toda a cadeia agrícola e a rede de fornecimento: sementes, tecnologia de sementes resistentes a doenças e que requerem menos água. Há muito desenvolvimento técnico a acontecer nesse domínio”, explicou Shivank Goael, presidente do Conselho Empresarial da Índia.

Em 2024, o comércio bilateral entre Moçambique e a Índia ultrapassou os 800 milhões de dólares, impulsionado, sobretudo, pela exportação de produtos agrícolas e de bens de capital.

Moçambique continua a negociar a reestruturação da dívida contraída junto do Brasil para a construção do Aeroporto Internacional de Nacala, na província de Nampula. A confirmação foi feita, nesta segunda-feira, pela Ministra das Finanças, Carla Loveira, tendo afirmado que o processo aguarda a decisão do Senado brasileiro, órgão responsável pela aprovação final doacordo.

“Iniciámos negociações com o Brasil para reestruturar a dívida associada à construção do Aeroporto de Nacala. Neste momento, tudo depende da decisão do Senado brasileiro, e esperamos que possa haver avanços que garantam maior sustentabilidade financeira para o país”, disse Carla Loveira.

A governante acrescentou que esta reestruturação se enquadra numa estratégia mais ampla do Governo para gerir de forma eficiente os compromissos externos, reduzir riscos e atrair investimentos. O Aeroporto Internacional de Nacala, inaugurado em Dezembro de 2014, foi financiado com um empréstimo de 125 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil (BNDES). A obra foi considerada estratégica para o desenvolvimento do norte do país, funcionando como um pólo de ligação internacional e facilitando o escoamento de produtos e passageiros.

Apesar de parte da dívida já ter sido liquidada, o Governo busca uma reestruturação que permita pagamentos mais compatíveis com a actual situação económica do país. “O objectivo é aliviar a pressão financeira sobre o Estado e garantir que os compromissos com o Brasil sejam honrados de forma organizada”, reforçou a ministra das finanças.

A visita do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a Maputo serviu também para aprofundar a cooperação económica entre os dois países. Carla Loveira destacou a intenção de criar um banco de desenvolvimento em Moçambique, que funcione como instrumento para captar investimentos estratégicos e apoiar grandes projectos de infraestrutura.

Além disso, a governante sublinhou a necessidade de melhorar a gestão de activos apreendidos em crimes económicos. “Este é um passo importante para fortalecer a transparência e a eficiência na gestão de recursos do Estado, garantindo que os bens apreendidos sejam utilizados em benefício do desenvolvimento do país”, afirmou.

No âmbito doméstico, a Ministra das Finanças abordou ainda as reivindicações salariais de alguns funcionários da Autoridade Tributária, que exigem pagamento baseado na carreira de técnico superior. Carla Loveira sublinhou que os pagamentos devem respeitar a lei e a Tabela Salarial Única, enfatizando que o Governo permanece firme na aplicação das normas legais.

“Os funcionários devem-se conformar com a legislação em vigor. Entendemos as preocupações, mas o Estado deve agir dentro da lei”, disse. A governante reconheceu que estas reivindicações têm sido recorrentes nos últimos tempos, mas reforçou que qualquer decisão será tomada em conformidade com a legislação vigente.

Loveira concluiu que, apesar dos desafios económicos e financeiros, Moçambique procura criar mecanismos financeiros e institucionais que garantam maior estabilidade e desenvolvimento sustentável. “O país está a trabalhar para garantir que investimentos estratégicos, como o Aeroporto de Nacala, sirvam de alavanca para o crescimento económico e não apenas como passivo financeiro”, finalizou.

A Embraer está a produzir aviões com capacidade para transportar 146 pessoas de olho para o mercado africano. O anúncio foi feito, ontem, na cidade de Maputo, num contexto em que a LAM procura comprar oito novas aeronaves.

Desde Fevereiro deste ano que a empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) procura por aviões no mercado, incluindo da Embraer, para comprar com objectivo de repor a sua frota e tornar a actividade da empresa sustentável. 

No Fórum Empresarial Brasil-Moçambique, realizado na capital do país ontem, uma das maiores produtoras de aviões do mundo, a brasileira Embraer apresentou uma proposta de solução, de olho no mercado africano.

“Nossos aviões têm uma capacidade de 146 lugares. Somos líderes mundiais nessa categoria de até 150 lugares. Permitem ligar directamente aeroportos e cidades para as quais antigamente não existiam ligação”, disse o vice-presidente da Embraer, João Taborda.

De acordo com o vice-presidente da Embraer, João Pedro Taborda, a aposta nos aviões pequenos visa melhorar a eficácia das companhias aéreas.

“Muitas vezes nós vemos aeronaves grandes que viajam com muitos lugares vazios. Isso é muito ineficiente e oneroso para as companhias aéreas. No caso concreto, no mercado africano, 85% das rotas implicam o transporte de menos de 200 pessoas por dia. Portanto, é muito eficaz que as companhias aéreas voem em aviões voem com o mínimo de cadeiras vazias”, disse João Pedro Taborda.

De referir que a LAM tem vasta experiência no uso de aviões da Embraer.

Outra novidade do fórum é a pretenção da Empresa Nacional de Hidrocarboneto de passar a possuir licenças de exploração de hidrocarbonetos e não apenas participar em projectos que tenham como operadores outras empresas.  

“Queremos ser operadores. Significa que o Governo deve dar voto de confiança à ENH e já estamos em processo para isso”, disse a Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Ludovina Bernardo.

Na verdade, esse é o caminho seguido pelo Brasil, através da empresa Petrobras, que na altura da sua criação produzia dois mil barris de petróleo por dia e hoje produz 4,6 milhões de barris por dia, dos quais 2,3 milhões ficam no país.

“Ser operador é muito importante porque quem opera determina a tecnologia que vai usar, quem são os fornecedores e os parceiros. Ser operador é um desafio e é extremamente fundamental”, disse Sylvia dos Anjos, uma das directoras da Petrobras.

Num contexto em que 62% da população moçambicana tem acesso à energia eléctrica, a EDM convida empresas brasileiras a instalarem indústrias no país, para produzir material eléctrico, entre eles, cabos, transformadores e contadores.

No parque industrial de Beluluane, onde está a Mozal, há várias facilidades para empresas que queiram investir, segundo a MozParks, empresa gestora.

Do Brasil, há uma garantia de formação dos moçambicanos para o uso eficiente de equipamento dada pela Weg África, empresa de capitais brasileiros.

O Fórum Empresarial acontece no âmbito da segunda visita a Moçambique do presidente brasileiro, Lula da Silva, depois da primeira que fez há 17 anos. 

Especialistas em Petróleo e Gás defendem que Moçambique deve adoptar metodologias próprias para a transição energética, uma vez que a maior parte da energia produzida é renovável. Os especialistas falavam, nesta sexta-feira, em Maputo, durante o Lançamento do Clube de Petróleo, uma ferramenta de partilha de experiências entre actores do sector energético.

A transição energética é um processo irreversível e Moçambique não está alheio a esta realidade, porém especialistas defendem que o País deve adoptar uma metodologia própria.

“Porque a maior parte dos países que hoje fala de transição, e fazem muito bem, porque o ambiente precisa, estão numa fase da exploração dos seus recursos extremamente avançada e apanham Moçambique no início desta actividade (…) Será que é justo falar que Moçambique se deveria focar neste assunto de transição energética ou deveria aproveitar esta janela de oportunidade que tem, que eu acredito que é uma das grandes oportunidades que Moçambique tem para realmente sair da situação do país de rendimento que temos, para um país de rendimento de classe média”, disse  Quincardete Lourenço, Investigador.

A ser feita, entende o investigador Milagre Manhique, deve se ajustar à realidade de cada País. “ A África do Sul tem o desafio de sair do carvão para gás e depois, se calhar, migrar para fontes mais limpas, enquanto Moçambique já começou numa fonte mais limpa. Ou seja, a marcha que deve ser feita para o processo de transição energética deve ser olhada como o tema também do Clube de Petróleo”, explicou Rudêncio  Morais, especialista em Petróleo e Gás.

No entanto, os países africanos apresentam um desalinhamento de interesses opostos, conforme defende o Director Geral da agência nacional de Energia Atómica . Será que aqui, ao nível da região África do Sul, todos os países da SADC não estão em condições de tirar o dinheiro que é necessário para construir o Mphanda Nkuwa, Por que nos investidores que estão a investir na causa quase nenhum país africano está lá (…)  Estamos na mesma região, temos os mesmos problemas, mas ainda não estamos a ter facilidade de encontrar soluções sustentáveis para os problemas da região”.

Os painelistas falavam nesta sexta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Clube de Petróleo, uma entidade não governamental.

“Este lançamento ocorre num momento crucial em que Moçambique, tal como todo o continente africano, posiciona-se na linha da frente das discussões globais sobre transição energética. Uma transição de energia justa, que reconheça as nossas realidades, proteja os nossos recursos, promova o desenvolvimento humano e integre de forma equilibrada as fontes tradicionais e renováveis”, afirmou a antiga ministra da justiça, Helena Kida.

A iniciativa apresenta-se como um mecanismo de promoção do sector de petróleo e gás.

“O Clube de Petróleo é uma plataforma neutra, inclusiva e estratégica dedicada à promoção de debates, formação de quadros, produção de conhecimento e articulação sectorial. Pautamos sempre pela divulgação de informação de qualidade. Aspiramos ser um centro de excelência e referência em Moçambique e em África”, explicou Octavia Nobre do Clube de Petróleo.

O evento reuniu membros do Governo, políticos, empresários do sector e estudantes.

A ExportaMoz projecta aumentar em cerca de 30% a capacidade de exportação da província de Gaza, a médio e longo prazo, com ambição de, posteriormente, escalar este desempenho para o nível nacional. A meta está enquadrada na parceria que a instituição mantém com o Governo provincial, que será formalizada com a assinatura de um memorando de entendimento durante um workshop agendado para amanhã, em Xai-Xai.

O evento junta o Conselho Executivo Provincial, o sector privado e as principais empresas ligadas à cadeia de valor da exportação, num fórum que deverá acolher entre 150 e 200 participantes. Na ocasião, serão apresentados o potencial produtivo e exportável da província de Gaza, com destaque para os distritos de Manjacaze e Chókwè.

Segundo Miguel Joia, CEO da ExportaMoz, o memorando com o Governo de Gaza vem apenas oficializar um trabalho já em curso: o levantamento de base (baseline) do potencial produtivo e exportável dos 14 distritos da província, conduzido em coordenação com a Direcção Provincial da Indústria e Comércio. O entendimento define responsabilidades das partes e benefícios desta “parceria inteligente” entre o sector privado e o executivo provincial, com o objetivo de “apresentar os distritos da província de Gaza ao mundo e ao comércio internacional” e gerar impacto no tecido económico local.

No agronegócio, Gaza é vista pela ExportaMoz como um território com “potencial produtivo fora de série”, com enfoque em culturas como castanha de caju, cereais, legumes, hortícolas e arroz. A instituição está a trabalhar com operadores específicos para aumentar a produção e exportação de arroz e piripiri seco para a África do Sul, bem como para triplicar, de 5 para 15 milhões de dólares, o volume de exportações de castanha a partir da província.

Joia explica que o principal desafio dos produtores continua a ser a ligação aos mercados, marcada por falta de informação sobre destinos, continuidade de fornecimento e previsibilidade de negócio. Para responder a este problema, a ExportaMoz combina o estudo da oferta local com a análise da procura internacional, apostando em negócios de “nearshoring” – exportação por via rodoviária para mercados regionais – e tirando partido da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

No processo de seleção de empresas, a ExportaMoz trabalha com uma base de dados que classifica os operadores em puramente produtivos, cooperativas de fomento, empresas com potencial exportável e grandes exportadores. A prioridade recai sobre estas últimas, por terem maior capacidade de alavancar cadeias de valor, criar emprego e aumentar a arrecadação fiscal para o Estado.

A província de Gaza torna-se agora a quinta a formalizar um memorando de entendimento com a ExportaMoz, depois de Maputo, Nampula, Niassa e Cabo Delgado. A organização já trabalha, no entanto, com todas as direções provinciais da Indústria e Comércio do país e projecta, até 2026, ter acordos formais em todas as províncias e, eventualmente, com a cidade de Maputo.

No capítulo da digitalização, a ExportaMoz lançou recentemente o portal “Exporta” (Mozesporta), uma plataforma que funciona como marketplace entre a oferta local e a demanda internacional. Através deste portal, é carregada informação sobre o potencial produtivo dos distritos, promovendo transparência de preços, capacidade de oferta e criação de benchmarks entre empresas exportadoras.

Para responder às dificuldades de financiamento enfrentadas por produtores e empresas emergentes, a ExportaMoz estruturou ainda uma linha de financiamento que junta grandes importadores nacionais com liquidez em meticais, bancos comerciais e o mercado internacional, visando desintermediar o acesso a crédito para empresas exportadoras. A organização opera, igualmente, uma incubadora que oferece soluções em logística, qualidade e ligação a mercados, incluindo apoio na estruturação de contratos de compra (off-taker), por exemplo, para o fomento do gergelim em vários distritos.

O workshop desta terça-feira contará também com a apresentação do plano da Zona Económica Especial de Agronegócio do Limpopo, assente no antigo Regadio do Baixo Limpopo, que deverá beneficiar seis distritos ligados a esta infraestrutura e criar novas oportunidades de produção e negócios.

Miguel Joia deixou uma palavra de agradecimento à Governadora de Gaza e ao Executivo provincial, sublinhando que a assinatura do memorando “não é o ponto de partida, mas a formalização de um trabalho já em marcha”, que pretende transformar o potencial produtivo da província em resultados concretos de exportação, emprego e receitas para Moçambique.

O Governo ainda não tem um prazo para a auditoria dos custos recuperáveis da TotalEnergies, mas diz que a multinacional já pode reiniciar as suas atividades. O auditor poderá ser selecionado sem um concurso público.

Depois de ter anunciado, na última terça-feira, que vai auditar os custos que a TotalEnergies diz ter incorrido durante o período de suspensão de sua actividade por razões de força maior, o Governo diz ainda não ter prazos para o trabalho.

“Existem peças e componentes fabricadas na Europa, peças e componentes nos Estados Unidos. Então, há vários países que integram todas as especialidades que vão estar nesta componente. Neste caso, se calhar o auditor precisaria de fazer uma movimentação em todos esses lugares, dependendo que ele vai dizer que precisa em termos de plano de trabalho  e nesta base vai-se definir o prazo razoável para ela poder desenvolver a sua actividade. Portanto, não está definido nem o prazo, nem o auditor que vai fazer, mas penso que vai ser na base de um concurso muito aberto para percebermos que inteligências existem”, explicou o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa. 

Mas essa é apenas uma possibilidade. O porta-voz do Executivo revela que existem outras saídas a serem consideradas neste processo.

“Pode ser que o Governo seja aconselhado pelos países que têm muito mais experiência e indiquem ou sugiram um leque de entidades com muita experiência nesta área, e com base nisso o Governo entenda lançar um concurso aberto, ou buscar num grupo muito restrito de entidades com renome internacional, em função do prazo”, explicou. 

Para já, há termos de referência a serem preparados para a auditoria avançar. “Primeiro para o concurso, que tem ser feito para encontrar um auditor, segundo o termo de referência para auditoria, para se saber o que é que o auditor tem que fazer, ou pelo menos o auditor tem que propor que audições vai levar a cabo para alcançar a finalidade que o Governo pretende”, acrescentou Impissa. 

De acordo com Inocêncio Impissa, a TotalEnergies tem 30 dias para apresentar o cronograma das actividades a realizar no quadro da retoma do projecto de gás.

No caso da suspensão da actividade mineira em Manica, o Governo promete aplicar mão dura para todos aqueles que ignoram a sua medida, sem distinções.  Impissa assegura que há vários processos crime abertos para empresas que têm vindo a violar o decreto do Conselho de Ministros.

O Standard Bank investiu, no ano passado, em iniciativas de responsabilidade social corporativa e reforçou a sua presença junto das comunidades, através do apoio a projectos de impacto em áreas como educação, saúde e inclusão social. As intervenções espelham o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a criação de valor partilhado em Moçambique.

O Standard Bank apresentou, recentemente, o seu primeiro Relatório de Sustentabilidade referente a 2024, que constitui um marco na sua estratégia de transparência e responsabilidade. O documento, publicado de forma autónoma e separado das demonstrações financeiras, posiciona o banco entre as instituições pioneiras em Moçambique a reportar, de maneira estruturada, os resultados e os impactos da sua actuação em matéria de sustentabilidade.

O relatório destaca iniciativas concretas em áreas como inclusão financeira e educação digital, empoderamento de jovens e mulheres empreendedoras, compromisso ambiental, ética e governação corporativa, segurança da informação e cibersegurança, assim como investimentos sociais em sectores essenciais como saúde e educação.

Evidencia, igualmente, a valorização dos colaboradores, o apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME) e a contribuição fiscal, reafirmando o papel do banco como parceiro de confiança para o desenvolvimento do país, refere um comunicado enviado ao “O País”.

Em 2024, o Standard Bank investiu em iniciativas de responsabilidade social corporativa, reforçando a sua presença junto das comunidades, através do apoio a projectos de impacto em áreas como educação, saúde e inclusão social. Estas intervenções espelham o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a criação de valor partilhado em Moçambique, segundo o documento.

“Este relatório é a demonstração do nosso compromisso em crescer com responsabilidade, criando valor partilhado e contribuindo activamente para o desenvolvimento sustentável de Moçambique. Pretendemos prestar contas de forma transparente sobre o impacto positivo que geramos na sociedade, através de projectos que promovem inclusão, inovação e responsabilidade social corporativa”, afirmou Bernardo Aparício, administrador-delegado do Standard Bank.

Enquanto banco líder em Moçambique e parte integrante do Grupo Standard Bank, a instituição reafirma a sua responsabilidade de impulsionar um crescimento económico sustentável e inclusivo.

Esse compromisso traduz-se tanto na geração de valor económico como no impacto social e ambiental positivo junto das comunidades onde actua, desempenhando um papel duplo, o de instituição financeira e agente de desenvolvimento, que tem sido central na sua trajectória de 130 anos no país.

A estratégia de sustentabilidade do Standard Bank está alinhada aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ao Acordo de Paris e aos Princípios das Nações Unidas para a Banca Responsável (PRB), assegurando uma integração prática de critérios ESG nos seus processos de decisão.

Entre as prioridades assumidas estão a gestão de riscos sociais e climáticos, associados à transição energética e às dinâmicas socioeconómicas de Moçambique.

O Banco de Moçambique anunciou, esta sexta-feira, uma nova redução da taxa de juro de política monetária (taxa MIMO), que passa de 9,75% para 9,50%. A decisão foi tornada pública pelo governador Rogério Zandamela durante uma conferência de imprensa do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, e traduz aquilo que o responsável descreveu como “uma redução modesta, prudente e ajustada ao actual contexto de riscos e incertezas macroeconómicas”.

Segundo o governador, esta decisão resulta do “agravamento dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para o atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna pelo Estado”.

Apesar de pressões, a inflação mantém-se controlada. Em Outubro, fixou-se em 4,8%, depois de ter estado em 4,9% em Setembro. A inflação subjacente, que exclui produtos mais voláteis como frutas, vegetais e bens administrados, também abrandou.

Zandamela sublinhou que, no médio prazo, a manutenção da inflação num dígito depende sobretudo da estabilidade do Metical e da tendência favorável dos preços internacionais das principais mercadorias importadas. “Temos um ambiente relativamente estável, mas sujeito a riscos acrescidos”, disse.

O Banco de Moçambique voltou a manifestar preocupação com o agravamento do endividamento público interno e o seu impacto no normal funcionamento do mercado financeiro. Excluindo contratos de curto prazo e responsabilidades em mora, a dívida está actualmente em 465,8 mil milhões de meticais, o que representa um crescimento de 50,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2024.

Segundo Zandamela, o persistente atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna pelo Estado “tem reduzido a apetência por títulos públicos e contribuído para a rigidez das taxas de juro no mercado monetário interbancário”.

Com esta decisão, o banco central aprofunda o ciclo de flexibilização iniciado em Abril. Naquela altura, a taxa MIMO foi reduzida de 10,25% para 9,75%, um corte de meio ponto percentual que marcou o primeiro alívio do ano. Agora, em Novembro, o Banco de Moçambique volta a ajustar a taxa, desta vez de 9,75% para 9,50%, acumulando uma descida total de 0,75 pontos percentuais em 2025. De acordo com o governador, estes cortes têm sido graduais para “evitar fragilizar o processo de estabilização macroeconómica num contexto de riscos agravados”.

O CPMO alerta que os riscos e incertezas associados à inflação permanecem elevados no médio prazo. Entre estes riscos, destacam-se os efeitos dos choques climáticos, a lentidão na reposição da capacidade produtiva e na oferta de bens e serviços, e, sobretudo, o já referido atraso no pagamento dos instrumentos da dívida pública interna.

“A direcção da política monetária estará condicionada à avaliação contínua dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação”, afirmou Zandamela, reforçando que o Banco de Moçambique continuará a seguir uma postura de prudência.

Para o economista Egas Daniel, a redução, ainda que ligeira, “mostra que permanece a intenção de estimular a economia através de uma política monetária mais acomodatícia”. Segundo ele, a descida tende a “libertar mais crédito e aumentar a liquidez na economia”, mas esse efeito não deve ser imediato.

Egas explica que, à medida que o Banco de Moçambique reduz as taxas, “a economia responde cada vez menos, porque o mercado está mais rígido e condicionado por outros factores estruturais”. Entre estes, destaca o risco de crédito num contexto de arrefecimento económico e o crescimento económico inferior ao crescimento populacional registado nos dois primeiros trimestres do ano.

“Não estamos a ver, no curto prazo, ganhos proporcionais na economia decorrentes da redução do custo do dinheiro”, afirmou. Segundo o economista, o impacto limitado justifica a cautela do Banco Central.

Ainda assim, Daniel reconhece que há sinais positivos no horizonte: a inflação controlada, a saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI e o levantamento da cláusula de força maior pela TotalEnergies podem reforçar a eficácia da política monetária.


“A conjugação destes factores pode permitir que, a partir do próximo ano, se comecem a vislumbrar melhores ganhos para a economia”, disse, acrescentando que a expectativa é que a redução do custo do dinheiro beneficie não apenas famílias, mas sobretudo o sector produtivo. “É aí onde a taxa de juro mais baixa faz, de facto, diferença”, sublinhou.

O Presidente da República quer reforçar a cooperação com  o grupo UBA, para desenvolver as áreas de energia, agricultura e turismo. Daniel Chapo defende que o UBA tem um importante papel no desenvolvimento do setor privado, em África. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, esteve reunido com o presidente do grupo United Bank for Africa, Tony Elumalu, num encontro com o objctivo de expandir a cooperação nos principais sectores económicos do país. 

Para o chefe de Estado, as áreas de energia, agricultura e turismo são as mais críticas, por isso a necessidade de fortalecê-las, para acelerar o desenvolvimento. 

Falando após o encontro, o presidente do grupo UBA destacou a importância da colaboração entre o sector privado e o governo e de aproveitar os recursos naturais e a sua população jovem..

“O futuro da África está nas mãos de nossos jovens. Nós sabemos que vocês são muito energéticos, que trabalham duro, ambiciosos e que você querem fazer seu marco na jornada de transformação da África. Nós acreditamos em você, nossos jovens”, explicou Tony Elumalu, Presidente do UBA 

Ainda no encontro,  o Presidente da República elogiou o compromisso de longa data do UBA com o avanço da inclusão financeira e o crescimento do setor privado em toda a África.

Por sua vez, Tony Elumalu referiu que vai continuar a apoiar a agenda de Moçambique através de investimentos direcionados em setores-chave. 

“Então, eu desejo sucessos, eu desejo a todos nós para que possamos erradicar a pobreza na África, para que possamos criar prosperidade no continente. Isso está no coração da minha filosofia de capitalismo em África. E para o nosso presidente, minha mensagem é simples. Estou encorajado, impressionado. ele foi tão articulado sobre a sua visão, sobre o que ele quer alcançar e o que está a acontecer na economia”. 

A visita ao país foi feita no âmbito da busca de parcerias governamentais, de modo a aprofundar o investimento em economias mais promissoras de África. 

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