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O País – A verdade como notícia

O distrito de Chicualacuala, em Gaza, conta com uma agência bancária desde ontem. Trata-se do primeiro banco a funcionar no distrito depois de mais de 15 anos. O empreendimento resulta de um investimento do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural. O banco, localizado na vila Eduardo Mondlane, funciona desde Fevereiro, mas foi oficialmente inaugurado este domingo.

É um empreendimento especial, porque foi construído pelo Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural e está a ser explorado pelo banco Moza, seleccionado via concurso público, no âmbito do projecto do Governo chamado “Um distrito, um banco”.

O banco fica há cerca de 700 quilómetros da cidade de Maputo e quase 400 quilómetros do distrito de Chókwè, em Gaza. Sem instituição bancária, os funcionários públicos eram dispensados três dias por mês para levantarem os seus salários em Chókwè. Depois de cortar a fita que simboliza a inauguração, a governadora de Gaza, Stela Pinto da Graça Zeca, falou da importância do banco, tendo destacado o encurtamento de distâncias.

“Queremos colocar unidades comerciais aqui por forma que seja possível, em curto espaço de tempo, usar esse dinheiro, guardar, comprar aquilo que nós precisamos de comprar noutros locais, aqui no distrito de Chicualacuala ou num local muito mais próximo. Aí estaremos a trazer o desenvolvimento integrado no nosso distrito“, considerou a governadora.
Os residentes de Chicualacuala explicam que sofriam muito com a falta de bancos. Para não percorrer longas distâncias, transferiam dinheiro para conta de pessoas que tinham valores disponíveis que depois lhes entregavam em mão, e em contrapartida pagavam 10% do valor à pessoa que prestava esse serviço.

“Usávamos o sistema de transferências bancárias e eles nos entregavam o dinheiro que solicitávamos e nos cobravam 10% do valor ”, disse Ricardo Cuambe, técnico de saúde local.

Esta é a oitava agência bancária que o MITADER, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), inaugura num distrito, refira-se muito distante da capital provincial. Até 2019, o Governo prevê inaugurar mais 62 unidades bancárias em todo o país no âmbito do projecto.

“Ainda para este ano, está prevista a abertura de mais 12 agências bancárias em vários distritos do país até completar no final deste quinquénio a cobertura dos 70 balcões ainda em falta“, diz a Presidente do Conselho de Administração do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável, Augusta Maíta.

O Governo investiu pouco mais de 181 milhões de meticais nas sete agências. Segundo o MITADER, dados actuais mostram que cercada de 90% dos moçambicanos não têm uma conta bancária numa instituição formal e apenas 72 distritos, dos 152 existentes, têm pelo menos um banco.

Quessanias Matsombe falou, nesta segunda-feira, numa conferência de imprensa que tinha como objectivo fazer o balanço do périplo feito por si e seus apoiantes. O candidato da lista B que percorreu todo o país manteve contacto com diversos empresários, membros da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários.

Faltando apenas três dias para as eleições, Quessanias diz estar confiante na vitória, pois, 70% das confederações garantiram o seu apoio.

Matsombe desvaloriza as ameaças que alguns dos seus apoiantes foram vítimas ao longo da campanha. A descentralização daquele órgão é apontado como um dos principais desafios deste candidato.

As eleições do próximo presidente da CTA estão marcadas para esta quinta-feira, 25 de Maio.

Os candidatos à presidência da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Quessanias Matsombe e Agostinho Vuma, irão participar no programa Linha Aberta, da Stv, amanhã à noite.

Linha Aberta inicia às 22h e os candidatos à presidência da CTA deverão discutir à volta do futuro da instituição.
A votação para eleição do Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique está marcada para dia 25 deste mês.

 

Foram três dias de reuniões, visitas e negociações. Grandes negócios foram fechados com destaque para o investimento de 7 mil milhões de dólares a ser realizado pela Shell numa refinaria de gás natural para produzir gasóleo. Mas também a instalação de uma fábrica de cervejas da Heineken em Bobole, no distrito de Marracuene.

Uma das visitas que o Chefe de Estado efectuou foi ao Porto de Roterdão, uma experiência que quer ver replicada no país pela forma como o mesmo está estruturado e desenvolvido.

O chefe de Estado visitou ainda o Instituto de Pesquisa Aplicada de Água que desenvolveu o sistema de gestão da água da Holanda, considerado um dos melhores do mundo. O Presidente ficou impressionado com nível de conhecimento que os holandeses têm sobre os recursos hídricos moçambicanos.

O desenvolvimento do Plano Mestre de Requalificação da cidade da Beira foi outro tema que dominou as reuniões na Holanda, por isso, a presença na delegação presidencial, do edil daquela cidade, Daviz Simango.

Filipe Nyusi diz regressar à casa com o a convicção de que os objectivos da viagem  à  Holanda foram cumpridos e trouxe ganhos importantes para a economia do país.

O Governo está a procura de um parceiro para investir na empresa Linhas Aéreas de Moçambique de modo a torná-la competitiva a nível nacional e internacional, segundo deu a conhecer o Chefe de Estado, Filipe Nyusi no final da sua visita ao Reino dos Países Baixos.

“A ideia é transformar as linhas aéreas moçambicanas mais actuantes e mais interventivas. Existem muitos mais contactos a acontecer, para convidara algumas empresas com renome e musculatura financeira, com know-how na área, capaz de atrair o mercado internacional”, disse.

O Governo está igualmente à procura de uma companhia aérea que possa transformar o Aeroporto de Nacala em seu Hub regional ou internacional.

Filipe Nyusi aproveitou a ocasião para esclarecer que estes são resultados da sua visita aos ministérios e que o público deve ter paciência que há um movimento de mudanças estruturais que está a acontecer e as visitas feitas aos ministérios estão a trazer resultados.
 

A cidade de Maputo tem assistido, nas  últimas semanas, falta de gás doméstico.  “O País Económico” constatou que em alguns postos de revenda botijas de gás  de cozinha, em apenas duas horas, chegavam a ser compradas 150 unidades.

Num contexto em que muitas famílias substituíram o carvão pelo gás para confeccionar alimentos, cidadãos chegam a ficar mais de uma semana a procurar por uma botija em diferentes postos de revenda.
José Machai vive na cidade de Maputo e ficou uma semana sem poder usar gás na sua residência, porque não conseguia encontrar à venda a botija de 11 quilogramas, a mais usada pelos munícipes.
 
“Estou a uma semana sem gás em casa. A minha botija acabou e saí para comprar uma nova. Comecei por procurar na zona em que vivo e não encontrei. Fui para os bairros vizinhos e também não encontrei. vivo no Zimpeto e só consegui comprar a botija na zona da Sommerschield”, contou Machai.
 
O preço do gás doméstico foi, nesta semana, ajustado e aumentou 9 meticais e 27 centavos, passando de 61,08/kg para 70,32/kg. O Ministério dos Recursos Minerais e Energia justifica o aumento do preço de gás com a conjuntura internacional adversa.

Apesar deste aumento, a procura pelo produto aumenta. A constante requisição do gás doméstico está directamente ligada ao preço do carvão vegetal praticado na cidade capital. Um saco de 50 kg de carvão é comercializado ao preço de 1600 à 1700 meticais e com esse valor é possível comprar duas botijas de gás de 11 kg.

Nos postos de revenda visitados pelo “O País Económico” os gerentes afirmaram que em menos de duas horas o stock acaba.
“A procura pelo gás tem vindo a aumentar diariamente. Ontem, recebi 150 botijas do fornecedor e em menos de duas horas todas as garrafas foram compradas. E este cenário repete-se sempre que recebemos gás, os clientes vêm a correr para conseguir comprar o produto”, disse Lúcia Mbeve, gerente de um posto de venda de gás doméstico. A procura é tanta que ultrapassa as quantidades solicitadas pelos revendedores.

Alguns comerciantes recebem entre 100 a 150 garrafas. Rodrigues Chin, gerente de outro posto de venda de gás, diz que faz a requisição de 250 à 300 garrafas, mas só tem recebido 150 garrafas. Chin entende que a restrição no fornecimento está também aliada à enorme procura.

“O stock não chega até o fim de semana. Encomendo 250 ou 300 botijas por dia, mas só recebo 150 garrafas. O fornecedor oficial não tem conseguido dar vazão aos pedidos feitos peles seus clientes. Somos muitos revendedores nesta situação. Suponho que esta restrição seja para garantir que todos tenham um pouco de gás para vender”, explicou Chin. Se a procura continuar intensa, adivinha-se uma crise profunda do produto na cidade de Maputo.

A visita oficial que o Presidente da República, Filipe Nyusi, está a realizar ao Reino dos Países Baixos é dominada por uma agenda eminentemente económica. Um dos grandes ganhos que Filipe Nyusi deverá levar de volta a Moçambique é o compromisso praticamente selado com a Shell para a construção de uma refinaria de gás natural em Palma, para a produção de combustíveis líquidos, com destaque para o gasóleo.

Segundo o PCA da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, Omar Mithá, aquela petrolífera vai investir mais de 7 mil milhões de meticais para operacionalizar o projecto, ou seja, “se nós não contássemos os projectos da ENI e da Anadarko, seria o segundo maior projecto de Moçambique depois da Mozal e seria sete vezes mais que a Mozal”, realçou Omar Mithá, que assegurou que a ENH vai entrar como accionista no projecto. Mithá não tem dúvidas sobre o impacto económico que o mesmo vai ter em Moçambique: “Só pela produção que vai fazer, dá para abastecer um milhão de carros por semana e centenas de aviões Boeing 737”, o que poderá representar uma grande viragem em termos do peso do gasóleo nas importações de combustíveis líquidos actualmente feitas pelo Governo.

No entanto, Mithá adverte que será necessário ver a questão do preço do produto para o consumidor final e a questão fiscal, de modo a ver se esta indústria não pedirá algumas isenções ou facilidades que poderão fazer um balanceamento com a situação fiscal. Aliás, a própria Shell, na comunicação que fez à imprensa que cobre a visita do Chefe de Estado, disse que estes são aspectos que estão a ser negociados com o Governo e que poderão exigir um regime fiscal atractivo. Alex Battaglia, representante da Shell em Moçambique, não disse, no entanto, qual é o regime fiscal que a empresa poderá propor ao Governo.

Em relação aos outros dois projectos que o Governo adjudicou, parte do gás natural de Rovuma, o PCA da ENH disse que não tinha os valores dos investimentos que irão realizar, porque a empresa que dirige não vai integrar as respectivas estruturas accionistas. Mas sabe-se que se trata da Yara Internacional, que foi adjudicada 90 milhões de pés cúbicos/dia para a produção de 1,3 milhão de toneladas métricas de fertilizantes e 50 megawatts de energia eléctrica, e à GI Energy Africa coube 41.8 milhões de pés cúbicos/dia para a produção de 250 megawatts de energia eléctrica.

Por outro lado, Omar Mithá esclareceu que toda essa quantidade de gás natural não serão os royalties que o Governo deverá receber da ENI e da Anadarko, mas a parte do gás que aquelas empresas são obrigadas, por lei, a vender no território nacional, para promover a industrialização e desenvolvimento económico do país. Aliás, sobre os royalties, o Governo prefere exportar o gás e ganhar dinheiro, para poder financiar as suas actividades.

Entretanto, o Governo teve de realizar um concurso público para que houvesse transparência na distribuição das quotas desse gás natural, porque havia muita concorrência. “Para que não houvesse uma situação de desigualdade, de favorecimento ou de outras situações que poderiam ser associadas, até a corrupção, preferiu-se fazer um concurso público”, esclareceu Mithá, tendo acrescentado que foram tomados em conta, entre os critérios, “rentabilidade, os efeitos sobre a economia, redução de importações, redução das assimetrias regionais, entre outros, sem se esquecer, obviamente, das questões da viabilidade e da sustentabilidade do próprio projecto, do ponto de vista socioeconómico”, disse.

Agenda do Presidente

No prosseguimento da sua visita, o Presidente da República visitou, ainda ontem, o Senado do Reino da Holanda, onde reuniu com alguns senadores; visitou a Erasmus Centre for Enterpreneurship, entidade na qual o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação rubricou um acordo de parceria com aquela entidade; visitou o Instituto de Pesquisa Aplicada em Água, no sentido de se inteirar da experiência daquele país na gestão da água, tendo em conta que está situado abaixo do nível das águas do mar e chove quase todos os dias, daí que o governo local teve que desenvolver uma estratégia para evitar inundações cíclicas.

Filipe Nyusi visitou, ainda, o porto de Roterdão, um dos maiores e principais portos do mundo, e reuniu-se com académicos e alguns membros da sociedade civil holandesa. Já a sua esposa, Isaura Nyusi, visitou a Phillips, uma gigante da electrotecnia, onde ficou a conhecer os mais recentes equipamentos médicos de alta tecnologia desenvolvidos por aquela multinacional que tem interesse em aumentar a venda de tais equipamentos às unidades sanitárias.

A comitiva do Presidente da República que visita Holanda conta com a presença de mais de 50 empresários, liderados pela Confederação das Associações Económicas. Os mesmos tiveram contactos com mais de 100 empresários holandeses e discutiram parcerias e possibilidades de financiamento. O encontro dos “homens de negócios” foi encerrado pelo Presidente da República, que, na ocasião, apelou aos empresários holandeses a não terem receio de investir em Moçambique, destacando as áreas de agricultura, pecuária, turismo, recursos minerais e formação do capital humano.

Mas o Chefe de Estado enfatizou a necessidade do empresariado holandês também apostar no sector de transporte de passageiros. Filipe Nyusi disse que há no país uma grande oportunidade para o sector de transporte urbano de passageiros, nas cidades de Maputo, Beira e Nampula, mas também em Tete, Nacala e Pemba, sendo que os empresários dos dois países deviam negociar parcerias e possíveis subsídios que o Governo poderia, eventualmente, atribuir aos investidores.

Igualmente, disse que o sector da aviação civil está aberto ao investimento estrangeiro, porque o Governo está preocupado em desenvolver este tipo de transporte no país, que nos últimos meses tem registado muitas dificuldades. Ainda assim, tem havido muito interesse de investidores de outros países. “Ainda hoje, ouvi algum desenvolvimento, a qualquer momento já não haverá espaço para discutir este assunto, os outros vão pegar, não estou a fazer chantagem, é real. Mas como ainda não vi documento da discussão que está a ser feita, ainda vamos a tempo” disse Filipe Nyusi.

Sector financeiro em peso na Holanda

A banca moçambicana esteve em peso na missão empresarial à Holanda, representada pelo Banco Comercial e de Investimentos, Banco Nacional de Investimentos e BancABC. Nos vários encontros, houve um grande interesse do sector financeiro holandês na banca moçambicana. Aliás, bancos e fundos de investimento apresentaram aos empresários moçambicanos linhas de financiamento directo e outros que podem ser feitos em parceira com bancos nacionais, principalmente para incentivar importações de Moçambique para Holanda, mas também há os que pretendem incentivar exportações holandesas para o nosso país, com destaque para navios, que deverão operacionalizar o sonho do Governo de reactivar a cabotagem.
 
Aliás, o Presidente da República visitou uma das empresas de construção naval, a Damen, que está interessada em vender os seus navios a Moçambique. Para tal, apresentou ao Chefe de Estado uma embarcação que foi construída a pensar no mercado moçambicano e que pode ser usada para transporte de pessoas e mercadorias. Em princípio, a mesma poderá ser oferecida pela empresa ou pelo governo holandês, para o transporte entre a Ilha de Inhaca e a cidade de Maputo.

Na ocasião, o ministro dos Transportes e Comunicações revelou que o Governo está muito interessado em adquirir embarcações que podem facilitar a comercialização agrícola, transportando mercadorias de locais com pequenas infra-estruturas para atracagem até aos grandes portos.

O aumento da capacidade de produção de energia eléctrica no país levou a empresa Electricidade de Moçambique (EDM) a integrar a delegação presidencial que visita Holanda, com o objectivo da empresa negociar com a petrolífera Shell a construção de uma central eléctrica em Pemba, Cabo Delgado.

A infra-estrutura eléctrica deverá ser a gás natural e o projecto está orçado em mais de 200 milhões de dólares, devendo melhorar a qualidade de electricidade que actualmente é fornecida à zona Norte do país.

 

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