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O País – A verdade como notícia

Rogério Zandamela diz que várias riquezas tem sido descobertas no continente, em particular na África Oriental e Austral, entretanto tira-se poucos ganhos, pois são pessoas de outros continentes que exploram os recursos. Aponta como exemplo a bacia do Rovuma, que tem mais de 100 triliões de metros cúbicos de gás, cujas empresas envolvidas na exploração são de continentes de fora de África. “Nos últimos anos, a África Oriental tornou-se rapidamente num dos principais centros de jazigos de gás naturais do mundo. A região ao largo da costa, que faz fronteira, a nordeste, com Moçambique, e a sudeste, com Tanzânia, conhecida como bacia do Rovuma, contém um volume estimado em mais de 100 triliões de pés cúbicos de gás natural, tornando-a numa das maiores descobertas de gás a nível mundial”, referiu o governador do Banco de Moçambique, que falava na abertura do Fórum dos Vice-governadores e Secretários Permanentes dos Ministérios das Finanças do Instituto de Gestão Financeira e Macroeconómica, MEFMI (em sigla inglesa).

Zandamela acrescenta que “várias empresas multinacionais adiantaram-se a aproveitar esta oportunidade, em particular empresas sedeadas nos Estados Unidos da América e na Itália”, daí que, para o governador, nos próximos anos, “parece ser obrigatória uma abordagem proactiva da região para o desenvolvimento de capacidades regionais, no contexto do crescimento regional da indústria energética, tráfego e infra-estruturas ao largo da costa”.

E porque o tema do encontro é a integração regional entre os países membros do MEFMI, Rogério Zandamela destaca a importância dos países da região austral e oriental de África estarem unidos, para vencer a pobreza. “É nosso papel, como guardiões da política monetária e fiscal, que caminhemos em paralelo com o resto do mundo no que concerne à erradicação da pobreza e concretização dos objectivos económicos globais”, disse Zandamela.

O MEFMI, criado em 1994, é um organismo regional, que congrega países da África Oriental e Austral, com o objectivo de apoiar os seus membros a construir uma capacidade institucional sustentável, promover boas práticas nos Bancos Centrais, Ministérios de Finanças, ajudando-os na identificação de desafios emergentes, riscos e oportunidades. Moçambique é membro de pleno direito do MEFMI desde Dezembro de 2004, altura que o Governo assinou e ractificou os instrumentos de adesão ao organismo.

O Fórum dos Vice-governadores e Secretários Permanentes dos Ministérios das Finanças do MEFMI dura dois dias, devendo terminar amanhã. Tem como objectivo informar aos participantes sobre os desenvolvimentos e desafios no sector macroeconómico e financeiro, bem como a troca de experiências. O evento acontece uma vez em cada dois anos.

 

É um marco para as duas partes: a indústria Matama consegue entrar na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) para aumentar a sua visibilidade e projecção, e é a primeira empresa a aderir à Bolsa este ano, de um total de quatro que constituem a meta para este ano.

A adesão daquela indústria aconteceu a 24 de Abril findo, mas só hoje é que houve a divulgação oficial, num evento havido na cidade de Maputo. “A meta este ano são quatro empresas. Uma já está cotada, faltam três. Vamos continuar a trabalhar para esse objectivo, de termos pelo menos mais três empresas cotadas este ano”, anunciou Salimo Valá, Presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Moçambique.

A indústria Matama está sediada no distrito da Manhiça, a 60 km da cidade de Maputo, e conta com um capital social de 450 milhões de meticais. Até aqui processa gado bovino, contando com um centro de engorda, matadouro e talho. A carne processada abastece o mercado nacional, mas a perspectiva é de exportar.

“Na situação normal da Matama, estamos a falar de um facturamento anual de cerca de 10 milhões de dólares. Há-de haver economia de divisas, porque as pessoas deixam de importar, mas, ao mesmo tempo, há-de haver uma parte que vai ser para a exportação, numa primeira fase, para o mercado asiático, Maurícias e outros países”, precisou Boavida Muthombene, membro fundador da empresa em referência.

Ser cotado na Bolsa de Valores implica uma série de benefícios, segundo avançou Salimo Valá, dentre os quais “assegurar maior visibilidade da empresa, ter potencial de valorização, dar mais credibilidade à empresa e aos que investem nas acções das empresas e tem a possibilidade de aceder a fontes alternativas de financiamento, além de incentivos que o Governo atribui às empresas cotadas na Bolsa”.

Criada em 1998, a BVM conta, neste momento, com a Cervejas de Moçambique, a Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos, a construtora CETA, a seguradora EMOSE e agora a Matama.

A infra-estrutura com capacidade anual para transportar 18 milhões de toneladas de carvão mineral será inaugurada no próximo dia 12 de Maio. Possui 912 quilómetros de linha férrea que liga Tete a Nacala e um terminal portuário. O Presidente do Conselho de Administração do Corredor Logístico de Nacala, Renato Torres, fala do projecto

O Corredor Logístico de Nacala será inaugurado em breve. Como é que esta infra-estrutura deverá contribuir para o escoamento de mercadorias nas zonas centro e norte do país?

O Corredor Nacala foi concebido para ser de alta eficiência e de altos volumes. Por consequência, teremos um corredor com custos muito mais competitivos e que tem capacidade para carregar navios muito maiores. Com isso, o frete de carvão que se exporta pelo Corredor Nacala chega ao cliente final a um custo muito mais baixo. Então, isso gera competitividade tanto para as empresas como para o próprio país, que tem capacidade de exportar o carvão a custos muito mais competitivos no mercado internacional.

Em que consiste o Corredor Nacala, quais são as infra-estruturas de apoio que tem e qual é a zona geográfica abrangida?

O Corredor Nacala conecta a mina de carvão de Moatize até ao terminal portuário de carvão de Nacala-a-Velha. Para isso, temos parte da linha-férrea construída em Moçambique, temos aproximadamente 200 quilómetros dentro do território malawiano, voltamos a Moçambique através de Entre-Lagos, passando pelo distrito de Cuamba e cidade de Nampula até Nacala-a-Velha. Esse é o troço do chamado Corredor Logístico de Nacala. Em Nacala-a-Velha, temos um terminal portuário recém-construído, onde inclusive vai acontecer a inauguração do Corredor, no próximo dia 12. Há um terminal portuário de classe mundial, com capacidade para carregar navios de até 180 mil toneladas em tempo recorde, onde conseguimos até ser competitivos com qualquer país a nível mundial que exporta minerais como carvão.

Qual é a capacidade desta linha ferroviária em termos de toneladas de mercadoria durante o ano?

A capacidade que se espera atingir no próximo ano deve ser de 18 milhões de toneladas de carvão. Somado a isso, temos o transporte de carga geral, que inclui combustível e outras cargas, além do próprio transporte de passageiros, que hoje é feito entre Nacala, Entre-Lagos, conecta o Malawi, e também no troço Cuamba-Lichinga, onde já temos comboio de passageiros regular.

Há previsão de aumento desta capacidade ao longo dos anos ou trata-se de capacidade definitiva?

O projecto inicial foi concebido para atingir 18 milhões de toneladas, mas, a partir daí, deverão ser feitos novos investimentos, tanto na própria linha-férrea, nos vagões e locomotivas, como na própria infra-estrutura da mina, para poder produzir carvão suficiente para ser transportado acima dessa capacidade inicial.

Essa capacidade de 18 milhões de toneladas responde a expectativas dos vários operadores, especialmente os da área de carvão em Tete?

   
Com certeza, porque também existe a infra-estrutura do porto da Beira, que se soma a essa capacidade adicional de transporte do carvão. Os CFM também investiram, nos últimos anos, na capacidade da linha, então, hoje já se tem uma capacidade adicional ao Corredor de Nacala no porto da Beira que serve os operadores de carvão.

Qual foi o investimento feito para a implantação deste corredor, que teve a duração de quatro anos?

Totalizando toda a linha-férrea e o porto, foi na casa de 4,5 mil milhões de dólares. É um investimento muito grande e, hoje, essa linha-férrea e o terminal portuário estão totalmente reabilitados e em condições de operar numa capacidade de classe mundial. O investimento foi feito pela Vale e Portos e Caminhos-de-ferro de Moçambique (CFM). A Mitsui entrou recentemente, em Março deste ano, depois do investimento estar concluído. Então, o investimento que iniciou em 2012 foi uma parceria entre a Vale e os CFM.

Que impacto directo terá este terminal para a zona norte do país, mais concretamente na região de Nacala-a-Velha?

O imediato é a criação de emprego. Somando na linha-férrea e porto, trabalhadores próprios e de empresas contratadas, temos em torno de quatro mil empregos. Além do próprio emprego, gera vários serviços adicionais, como hotéis, restaurantes e transportes, que são empregos indirectos que acabam sendo atraídos por essa concentração de renda na região que não existia há quatro anos. Cerca de 95% dos empregados são moçambicanos. Por exemplo, de todos os trabalhadores das operações, tanto do porto como da linha-férrea, que são operadores directos e empregados do Corredor Logístico de Nacala, cerca de 99% são moçambicanos. Temos alguns estrangeiros com mais experiência, até para fazer os treinamentos e capacitação dessa mão-de-obra.

Qual é o traçado da linha-férrea em Moçambique?  

Em Moçambique, temos 700 quilómetros e, em Malawi, 200. Se não passasse por Malawi, a linha-férrea seria muito mais longa, daria uma volta grande e iria encarecer o projecto, aumentaria o custo de transporte e o que nós buscamos é ter uma linha-férrea o mais eficiente possível, para conseguir ter essa competitividade que buscamos.

Até que ponto este projecto vem responder ao desafio de competitividade e torna as matérias-primas moçambicanas competitivas no mercado internacional, em particular o carvão?

Com o Corredor Norte, projecto Nacala, passamos a ser competitivos com qualquer empresa a nível mundial. Se olharmos para os grandes exportadores de minérios do mundo, basicamente Brasil e Austrália, veremos que a linha-férrea e o porto do projecto Nacala foram feitos com a melhor tecnologia possível, para conseguir estabelecer um corredor logístico muito eficiente aqui em Moçambique. Com relação a isso, posso assegurar que hoje Moçambique está entre os exportadores de minérios mais competitivos do mundo.

Tem uma ideia do peso percentual de mercadoria que vai passar pelo Corredor, além de carvão?

Todas essas infra-estruturas ferroviárias e portuárias que requerem um investimento muito alto, precisam de uma carga que nós chamamos de carga âncora, que vai pagar o custo de operação do dia-a-dia, vai pagar a manutenção da infra-estrutura, então, o carvão é importante nesse sentido. Tendo garantia que esses 18 milhões de toneladas estão circulando pela linha-férrea, garante-se que a linha-férrea está aberta e competitiva e está operando na sua máxima capacidade. Com isso, abrimos espaço para todas essas mercadorias. Por exemplo, no Corredor de Desenvolvimento do Norte, que é a empresa que tem a concessão do terminal de Nacala-porto, opera-se diversas cargas, contentores, combustíveis, algodão. Hoje, você tem um comboio com 40 vagões saindo de Nacala-porto e chega ao Malawi em menos de 48 horas. Então, isso abre uma capacidade de logística para que qualquer investidor que queira entrar em Moçambique, ou no Malawi e Zâmbia, que também estão conectados a essa linha-férrea, transporte a sua mercadoria a um custo baixo, com segurança, competitividade e apetência de atender os clientes destas empresas. Todo o combustível que vai para Malawi, óleo, diesel e gasolina, é importado através de diversos portos, inclusive o da Beira.

Neste momento, o principal porto para escoar mercadorias para Malawi e Zâmbia é o da Beira. Será que esta nova infra-estrutura será o novo caminho a ser usado por esses países?

Acredito que, com o desenvolvimento, vamos ter um aumento da procura e do consumo. Então, o Corredor de Nacala é uma opção, principalmente pela questão ferroviária. Vamos transportar essa mercadoria a custos muito mais baixos para esses países e isso vai ter um impacto directo para a economia desses países. Basicamente, o combustível comanda os preços de tudo o que é comercializado no país. Penso que essa é a grande vantagem que esses países vão ter com a operacionalização desses projectos, além de Moçambique.

Vocês já têm uma ideia do que o Corredor Logístico de Nacala vai render de receitas ao Estado?

Vamos pegar num número. Só o Corredor Logístico de Nacala, que é a operadora de carvão, paga em torno de 650 milhões de meticais de impostos e tarifas. As contribuições indirectas de outras empresas que prestam serviços têm números que não podemos estimar.

Com a entrada da Mitsui, como é que ficou a estrutura accionista e o funcionamento do Corredor Logístico de Nacala?

A estrutura accionista não altera muito, porque a Mitsui entrou como sócia da Vale. Então, onde entrou a Vale, agora é Vale e Mitsui, sendo que os outros accionistas continuam inalterados. Temos os CFM, que operam a carga geral em Moçambique; temos os accionistas nacionais, que também são nossos parceiros nesse empreendimento. O que vai acontecer é que, daqui para frente, a própria Mitsui terá seus projectos de investimento. Eles têm uma visão de investimento de longo prazo e o Governo do Japão tem uma parceria muito grande com o Governo de Moçambique, então, penso que isso vai atrair novos investidores. Existe um projecto da JICA lá no porto de carga geral de Nacala-porto, que é uma parceria que já existia entre o governo moçambicano e o governo japonês, então, eu penso que isso tudo vai alavancar o investimento no Corredor e vai atrair novos investidores.

O Corredor será inaugurado dentro de dias.

Na próxima sexta-feira, dia 12 de Maio, teremos um evento com a presença do Presidente da República, ministros, quadros dos governos moçambicano, japonês e brasileiro e de todas as empresas, o presidente da Vale estará presente. Penso que vai ser um evento muito importante, além de tudo, para a divulgação dessa infra-estrutura.

O Corredor já está a funcionar em fase experimental.
Iniciou em meados de 2015 e, a partir de Janeiro de 2016, iniciou a evolução da operação, sendo que, a partir de agora, já estamos em fase normal de operação, onde faltam pequenos ajustes para atingir a capacidade máxima. Podemos dizer que, a partir do início deste ano, já estamos a operar em capacidade máxima.

Um factor essencial neste negócio de carvão é a oscilação do preço. Até que ponto isso pode afectar o desempenho do Corredor Logístico de Nacala? Será este um factor que vocês têm em conta?
Claro. A nossa missão é ser competitivos em qualquer cenário de preços. Procuramos sempre estar entre os produtores de custos mais baixos. Tanto na produção, na mina, quanto na logística, procuramos sempre ter custos baixos, para podermos suportar qualquer oscilação de preços e continuarmos, assim, a operar.

Até que ponto o Corredor pode servir os grandes projectos de gás e petróleo que estão a ser desenvolvidos em Cabo Delgado?

Claramente que qualquer grande projecto vai tirar proveito dessas infra-estruturas. Uma das nossas preocupações muito grandes é perder as pessoas que formámos desde 2012 para esses grandes projectos. Daí que temos que fazer um trabalho muito grande junto ao Ministério da Educação para formar mais pessoas. Esperamos, também, que o fluxo aumente no Aeroporto de Nacala.

Mais de 1 600 casas construídas para reassentar famílias
Um dos problemas sempre levantados nos grandes projectos de infra-estruturas em Moçambique são os reassentamentos. As pessoas, muitas vezes, queixam-se de não serem transferidas para locais similares ou melhores que os anteriores. Isso já aconteceu com grandes empresas. Não teremos neste projecto problemas similares aos já registados no país?

Aprendemos com projectos antigos. O nosso projecto é dos mais recentes em Moçambique. Fizemos um trabalho criterioso e cuidadoso com as famílias. Outro aspecto é que grande parte da infra-estrutura já existia, por isso, o impacto é um pouco menor do que se tivéssemos construído de zero. No projecto Corredor Logístico de Nacala, foram construídas mais de 1 600 casas para as pessoas que tinham construído moradias ao longo da linha férrea. Por questões de segurança, tivemos que reassentar as pessoas, foi feito até um estudo na área do porto. Tem havido reclamações isoladas que vamos atendendo ao longo do tempo. Nós temos monitores sociais que acompanham as famílias até dois anos após o reassentamento, para garantir que elas tenham uma actividade económica. Estamos a investir em agricultura familiar, para que as pessoas tenham rendimento. Para evitar atropelamentos, é importante que essas pessoas tenham uma actividade. Investimos em mais de 90 furos de água, para evitar que as pessoas tenham que se deslocar a outras comunidades para buscar água, atravessando as linhas.

 

O Tribunal Judicial de Ka-Mpfumo, cidade de Maputo, decidiu eliminar a possibilidade da candidatura única a Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), assegurou ao nosso jornal o director de campanha de Quessanias Mastombe, candidato que havia sido excluído do processo pela Comissão Eleitoral.

“Confirmo que estão descartadas as eleições no dia 04 de Maio e serão marcadas numa data a anunciar”, disse ao nosso jornal o director de campanha de Quessanias Mastombe, Mateus Tembe.

Segundo Mateus Tembe, a CTA será ouvida no dia 11 de Maio para explicar porquê que se chegou à situação de reprovação da candidatura de Quessanias Matsombe, ficando apenas um candidato à corrida pela presidência da CTA, Agostinho Vuma.

“Trata-se de uma decisão proferida numa providência cautelar, sendo, por isso, provisória até que o mesmo Tribunal venha a tomar decisão contrária. No dia 11 de Maio corrente, a CTA será ouvida na referida providência cautelar”, refere um comunicado da direcção de candidatura de Quessanias.

Com a sua exclusão ao processo, Quessanias Matsombe informou que iria recorrer ao Tribunal. Seus apoiantes receberam a resposta do Tribunal na manhã desta terça-feira por volta das 10 horas, levantaram o processo no Judicial e notificaram a CTA para se apresentar ao Tribunal.

Importa referir que Agostinho Vuma tinha convocado uma conferência para anunciar o fim da sua campanha às 18 horas de hoje.

Entretanto, o presidente da Comissão Eleitoral, Pedro Baltazar, disse à nossa reportagem, por volta das 17h30, que ainda não tinha nenhuma informação oficial da Confederação das Associações Económicas de Moçambique. Daí que não confirma a suspensão das eleições marcadas para esta quinta-feira, 4 de Maio.

 

Foram vários momentos marcantes, a começar pela criação do próprio canal. Agitou-nos emocionalmente, era tudo novo, mas como me referi anteriormente, somos todos jovens e aceitámos esse desafio de peito aberto. No cômputo geral, as várias coberturas que fomos fazendo ao longo destes três anos de existência marcaram-nos muito e profundamente. A cobertura das eleições gerais em 2014, a tomada de posse do nosso Presidente da República e do seu Governo… E outros momentos não muito positivos para a nossa história, mas que também marcaram profundamente a forma como fomos noticiando esses acontecimentos, falo, por exemplo, da cobertura da descoberta dos corpos ou valas comuns nas províncias de Manica e Sofala, do caso dos refugiados moçambicanos no vizinho Malawi. Foram momentos muito tensos, porque pessoalmente tive que tomar decisões de risco, conjuntamente com os meus colegas que estavam no terreno. Eles ligavam e diziam, por exemplo, “há possibilidade de termos uma grande história, mas existe este e aquele risco. Então, directora, avançámos?” Eu colocava a mão na cabeça e dizia, nossa, é realmente difícil. E assumimos esses riscos, obviamente, nos acautelando daquilo que poderiam ser os cálculos possíveis para ter a confiança de que vale a pena assumir estes riscos. As equipas foram ao terreno e, no final do dia, quando ligavam e diziam conseguimos e estamos a salvo, era um momento de alegria e festejos, porque tínhamos de facto uma grande história. No caso dos corpos, era a confirmação de que existiam os corpos de que se falava, as pessoas estavam a ser mortas e jogadas de forma desumana nas matas de Manica e Sofala. E no caso dos refugiados, testemunhar a forma como eles viviam e colher o depoimento sobre as razões que os levavam a fugir do próprio país para o Malawi. Além destes eventos, lembro-me, e com alguma tristeza, da cobertura de vários momentos de instabilidade política. Positivamente, temos a cobertura do I Grande Fórum Mozefo, que marcou a nossa estação, porque abordámos vários temas da nossa sociedade, na perspectiva de dar um contributo para o desenvolvimento do nosso país, e foram várias personalidades que deram o seu contributo, quer nacionais como internacionais.

A forma como planificámos a cobertura do Fórum Mozefo marcou-nos, porque foram semanas e semanas a trabalhar no plano estratégico, na criação de equipas específicas para atender à demanda dos leitores do nosso site. E quem acompanhou o evento pôde ver que estivemos fortemente presentes a nível do site. Outro grande marco foi a criação do programa Grande Plano, tivemos que criar uma equipa nova, com pouca experiência para assumir um desafio muito grande de preparar reportagens profundas sobre temas que mexem com a nossa sociedade, na perspectiva de gerar uma reflexão sobre como esta sociedade pode desenvolver-se com estes problemas e como ultrapassá-los. Foi com muito entusiasmo que tomámos esta decisão e avançámos com este produto.

Depois do sucesso alcançado nas três edições anteriores, a MozTech, maior feira de tecnologias de Moçambique, lançou, esta quarta-feira, a sua 4.ª edição, que irá decorrer nos dias 24, 25 e 26 de Maio de 2017, em Maputo, onde serão debatidas novas tendências e produtos relativos a oito temáticas: “Tendências do Digital”; “Internet of Everything”; “O Futuro do Entretenimento”; “Realidade Virtual e Realidade Aumentada”; “Marketing Digital”; “Comércio Electrónico”; “iCities” e “Empreendedorismo Tecnológico”.

O PCE da MozTech, Daniel David, disse, durante um breve discurso, que pretende que a 4.ª edição reforce as parcerias, garanta a continuidade da vida e dos negócios, reveja o modelo de governanção, criando uma configuração e modelo de gestão deste evento de forma participativa. Por seu turno, a vice-ministra da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional, convidada a fazer uma breve apresentação sobre o Comércio Electrónico em Moçambique, Desafios e Oportunidades, referiu ser necessário criar-se um ambiente propício para o desenvolvimento do sector e que a MozTech pode, através da sua plataforma, ajudar nesse sentido.

Na perspectiva de poder contribuir para o desenvolvimento e transformação do país, os organizadores têm várias ambições, entre elas superar os níveis alcançados na última edição, para além de colocar ao dispor dos visitantes e participantes as últimas tendências tecnológicas. Foi dentro desta perspectiva que o director-executivo da MozTech, Enoque Jerónimo, desafiou os presentes para a uma nova experiência. “Com as ideias que trazemos, queremos fazer da MozTech um dos eventos tecnológicos reconhecidos a nível internacional”, afirmou.

A 4.ª edição da MozTech pretende afunilar o debate sobre a era digital e o impacto da tecnologia na vida dos cidadãos e nos negócios, analisando ainda as implicações da tecnologia para o desenvolvimento de Moçambique. A edição 2017 traz algumas inovações, a primeira das quais será o novo local escolhido para acolher os debates dos diferentes painéis. Os três dias serão vividos no Centro Internacional de Conferência Joaquim Chissano e haverá uma forte aposta em oradores internacionais, numa clara intenção de cruzar ideias de fora que possam desenvolver o país. Outro novo conceito é o “MozTech City”, um espaço no qual, durante três dias, os participantes poderão viver numa atmosfera de serviços tecnológicos com todo o apoio de serviços indispensáveis. Um espaço para fazer negócios, onde patrocinadores e expositores poderão cruzar ideias.

A edição 2017 traz, ainda, muitos temas actuais, que obrigam a que os debates se ajustem à actualidade. O avanço da tecnologia faz mudar a forma como o consumidor vive as suas experiências. “Realidade Virtual, Realidade Aumentada” procurará debater sobre as mudanças no futuro.

Macurungo e Palmeiras registaram, na manha de hoje, várias situações críticas. Residentes perderam bens e gado. O INGC promete intervir.na manha de hoje, várias situações críticas. Residentes perderam bens e gado. O INGC promete intervir.

Os cartões de crédito American Express já podem ser usados em Moçambique, através de POS e ATM do BCI. O banco e a empresa que emite os cartões formalizaram, ontem, um acordo para o efeito. Trata-se de um meio que vai facilitar a vida das pessoas que visitam o país, assegura o presidente da Comissão Executiva do Banco Comercial e de Investimentos (BCI).

“Todos aqueles que nos visitam, em Moçambique, e que vêm em trabalho ou em lazer, em actividades turísticas, vão passar a utilizar os seus cartões American Express em todos os nossos terminais e, portanto, fazer os seus pagamentos de serviços, compras, utilização em ATM, o que até agora era impossível de ser feito”, explica o PCE do BCI, Paulo Sousa.

American Express é uma empresa de serviços financeiros que emite cartões de crédito, incluindo para o seguimento empresarial. O presidente da Comissão Executiva do BCI adianta ainda que o meio bancário vai permitir ao país captar mais divisas e a melhorar a balança de pagamentos, porque são estrangeiros que visitam Moçambique e fazem suas compras.

“Todas as empresas que nos visitam, seja por actividades de investimento, muitas empresas relacionadas com o petróleo e gás natural seguramente serão utilizadores de cartões American Express e passam a partir de hoje a fazer utilização normal dos seus cartões como faziam em outros países da região, por exemplo na África do Sul, onde os cartões eram já aceites há muitos anos e isso não era uma realidade em Moçambique, e passa a ser realidade“, diz o presidente da Comissão Executiva do BCI.

Paulo Sousa explica que o objectivo do banco comercial é permitir que os cerca de 9 600 comerciantes que têm o sistema de pagamento electrónico POS do BCI aderiram ao produto American Express nos próximos tempos.

No quadro do acordo rubricado ontem, cabe ao BCI a responsabilidade pela gestão das relações com os comerciantes, bem como a expansão da rede Americam Express no país. Desde 1997, a empresa American Express tem vindo a firmar parcerias com grupo de bancos e instituições financeiras em todo o mundo, emitindo produtos americanos de marca American Express e aceitando pagamento na sua rede. Ontem, o acordo entre as partes foi assinado por Paulo Sousa, presidente da Comissão Executiva do Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e a vice-presidente para o desenvolvimento de parcerias bancarias para a Europa, Médio Oriente e África, Catherine Malec.

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