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O País – A verdade como notícia

Jorge Cravo, da Leadership, fala do papel das tecnologias na dinamização da sociedade e da economia. Diz que a Moztech é uma espécie de barómetro do estado das tecnologias em Moçambique. Veja a seguir as linhas de força do seu pensamento.

O que é que levou a Leadeship a abraçar a iniciativa Moztech?
A Leadership acreditou, desde a criação do conceito da Moztech, que a iniciativa era de uma elevada mais-valia para o país, para os sectores público e privado e para os cidadãos. Assim sendo, assumimos o compromisso de parceria com a Moztech desde a primeira edição e sem qualquer hesitação. Desde então, temos contribuído orgulhosamente para a realização da maior feira de tecnologia do país, construindo e materializando a visão de que Moçambique tem que ser parte activa na Sociedade de Informação Global. Hoje, a MozTech é, sem sombra de dúvida, um evento de referência no sector das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no país e na região.

De que forma as tecnologias têm ajudado a Leadership a desenvolver as suas actividades?

A Leadership promove uma cultura de excelência no seio dos seus colaboradores e na relação com os seus clientes. Hoje em dia é difícil alcançar a excelência sem utilizar tecnologias de informação e comunicação (TIC). Somos hoje mais eficientes e mais eficazes na gestão da empresa, graças à utilização de ferramentas e de sistemas que contribuem substancialmente para a melhoria da qualidade do nosso trabalho e da nossa comunicação, bem como para alocação mais adequada dos recursos. Mesmo na interacção com os nossos clientes, procuramos inovar continuamente, melhorando os canais de comunicação e utilizando sistemas de CRM – Customer Relationship Management que nos aproximem, ainda mais, dos nossos clientes.

Que lições é que se podem tirar da edição passada da Moztech?

São várias as lições que podemos tirar da terceira edição da Moztech. Por um lado, a edição passada mostrou-nos que a Moztech já conquistou um espaço importante no panorama nacional e é vista como uma referência no sector das TIC. Por outro lado, o número de expositores, de visitantes e de oradores e o nível de satisfação com o evento também revelou que a iniciativa supera sempre as expectativas dos stakeholders, a cada ano que passa. Sentimos que a tónica da Moztech deve, por isso, continuar na promoção da inovação contínua ao nível dos diversos sectores, bem como no reforço da abordagem GLOCAL: Pensar Global, Agir Local.

Que novidades a Leadership vai apresentar nesta quarta edição da MozTech?

A presença da Leadership este ano estará voltada essencialmente para duas áreas: uma forte aposta na qualidade e relevância dos oradores que trará para esta edição; e a realização de sessões de pitch para apoiar os mais jovens na apresentação dos seus projectos, de forma segura, clara e objectiva. Consideramos que a nossa contribuição para o evento e para o país deve ter uma abordagem dual: por um lado, ao nível das ideias e do conhecimento; e, por outro lado, através de ferramentas que tragam resultados visíveis na vida dos jovens.

Qual é a expectativa da Leadership em relação ao tema deste ano “Era digital: Uma Nova Forma de Viver e Fazer Negócios”?

O tema deste ano é extremamente pertinente, dada as mudanças que a era digital está a imprimir na vida das pessoas e das empresas. Hoje, somos mais tecnológicos do que nunca, tanto em contexto pessoal, como profissional. Há um novo paradigma que é preciso compreender, de forma a poder tirar maior partido desta era. Por isso, a nossa expectativa é de que com a reflexão e discussão à volta deste tema nos diferentes painéis, se consiga criar um rastilho propulsor de uma nova dinâmica digital, tanto ao nível da sociedade, como da própria economia.

Que importância tem este evento para uma sociedade como a moçambicana?

Conforme já referido, a MozTech assume-se já como o evento de referência na área das tecnologias de informação e comunicação em Moçambique. Os diferentes formatos permitem uma conjugação ímpar de experiências e estimulam a participação de públicos com perfis bastante diferenciados.  A MozTech tem tido o mérito de estimular o debate em torno das tecnologias e do seu papel no processo de educação e de participação do cidadão na vida em sociedade, fomentando o acesso a conhecimento e experiências de ponta, contribuindo para a redução da infoexclusão e estimulando a participação dos jovens. Estes são, sem dúvida, alguns dos contributos para a sociedade moçambicana – aproximar Moçambique da Sociedade de Informação Global.

De que forma as ideias da feira podem ser transformadas em factores de crescimento?

A Moztech, por ser um evento anual, funciona como uma espécie de barómetro do estado das tecnologias de informação e comunicação em Moçambique. É neste espaço que se apresentam as iniciativas de TIC mais relevantes que foram concretizadas nos diferentes sectores a nível nacional (público, privado e sociedade civil), assim como se reflectem sobre as orientações estratégicas a seguir, se debatem as iniciativas planificadas para o futuro e se partilham boas práticas nacionais e internacionais. Por esta via, a MozTech é o palco por excelência para a transformação de ideias em planos de acção, o que contribui para o crescimento.

“Na Moztech respira-se tecnologia”

Até que ponto a Moztech pode ajudar na massificação do uso das tecnologias de informação e comunicação no país?
A massificação da utilização das tecnologias de informação e comunicação é um desafio incontornável para Moçambique. É claramente o caminho a seguir.

A Moztech tem o condão de reunir num único espaço todos os stakeholder’s nacionais do sector das tecnologias, ao mesmo tempo que apresenta experiências e produtos tecnológicos internacionais que promovem a utilização mais responsável e segura das tecnologias.

Na Moztech respira-se tecnologia. São três dias intensos onde só se fala e vive tecnologia. Por outro lado, a divulgação do evento é multicanal, com destaque na imprensa escrita, na TV, na internet e na rádio, o que permite garantir uma abrangência de públicos que poucos eventos conseguem. Mesmo quem não tem oportunidade de estar presencialmente na Moztech consegue sentir o ambiente que se vive na Feira e acompanhar as discussões, assegurando que os resultados são disseminados junto de uma franja significativa da população.

O administrador da ITGEST, Vitor Prisca, fala da presença da empresa que dirige em Moçambique e dos desafios para maior inclusão digital da população. Veja a seguir a entrevista ao dirigente da companhia que participa na Moztech.

O que é que levou a ITGEST a abraçar a iniciativa MozTech?
A ITGest implementa soluções tecnológicas com o objectivo de aumentar a eficiência dos seus clientes. É uma empresa participada do Grupo Ideias Dinâmicas – Tecnologias, a ITGest está presente em Moçambique mas também em Angola e Portugal. A partir deste ano vamos iniciar operações na África do Sul e Índia. Sendo a MozTech a maior e mais importante iniciativa ligada ao sector das tecnologias de informação e comunicação em Moçambique não podíamos deixar de estar presentes, até porque se trata de um ano em que estamos a reforçar a nossa presença local. Queremos por isso fazer chegar através da ITGest Moçambique todas as capacidades e competências do nosso grupo.

Que novidades a ITGEST vai apresentar nesta quarta edição do MozTech?

O nosso foco é dar a conhecer as nossas competências, o conhecimento que temos dos processos de negócio e partilhar informação sobre os nossos projectos em Moçambique. Do ponto de vista da oferta de auditoria e consultoria de IT, os nossos serviços têm como objectivo apoiar o CIO e CTO numa visão 360° da gestão e controlo da função de IT, numa lógica de ciclo de vida ao mais baixo custo de posse.  Ao nível das soluções empresariais a nossa parceria com a SAP África permite-nos responder aos desafios mais complexos, somos igualmente SAP Education Center e entidade formadora certificada pelo INEFP.
 
As nossas soluções verticais baseiam-se em produtos desenvolvidos pela fábrica de software em tecnologias abertas. Uma dessas soluções é o CSS-Customer Smart Service para SAP IS U (Industry Solution for Utilities), um front-end unificado em que a experiência de utilizador começa pelo acesso à visão 360° do cliente e a partir daí é orientado ao longo de cada etapa do processo que levou o cliente a se dirigir ao departamento comercial. A primeira versão deste produto destina-se aos processos comerciais das utilities: águas, gás e electricidade. Ajudou a reduzir os tempos de atendimento, as necessidades de formação e os erros na execução dos processos em clientes com mais de 500 mil pontos de entrega e em breve com mais de 1.3 milhões.

Vamos também apresentar o KHIS-Healthcare Information System que é um sistema de gestão clínica e administrativa, capaz de assegurar a gestão de todas as valências de um hospital ou clínica, integrando outros sistemas através do standard HL7. Está presente em hospitais com centenas de camas e que fazem mais de 6.000 operações por ano.
Entre as outras soluções vamos ter igualmente o KLIMS-Laboratory Information and Management System que é uma solução completa para a gestão de laboratórios e de verificação de qualidade de produto em qualquer sector de actividade. Um dos nossos clientes tem utentes de um Hospital no Dubai que acedem aos resultados dos seus testes de DNA através do portal de cliente do KLIMS. Outros em África, eliminaram mais de 30% de fraude interna na realização de análises clínicas através controlo dos consumos de reagentes e consumíveis.

Até que ponto a MozTech pode ajudar na massificação do uso das tecnologias de informação e comunicação como factor de crescimento?

A MozTech é um fórum de partilha de conhecimento e de experiências e isso é essencial para que haja uma compreensão da importância da tecnologia por todos as partes interessadas, públicas ou privadas. O desafio colectivo é como usar a tecnologia para diminuir a exclusão digital entre os meios urbanos e rurais. Em boa verdade há mais de 4,5 biliões de pessoas sem acesso à internet apesar de viverem em zonas com cobertura móvel 2G e 3G, sendo que na África subsaariana quatro em cinco acessos à internet são feitos através de um telemóvel. Os obstáculos a uma maior penetração da internet são os custos dos smartphones e a falta de conteúdos locais, ecossistemas de aplicações que sirvam as necessidades concretas dos utilizadores como seja o acesso a serviços públicos como a educação e a saúde.

Segundo o Fórum Económico Mundial, há uma relação directa entre o acesso à internet e o crescimento do PIB. Por cada 10% de penetração adicional da internet, o PIB per capita cresce 1,2% e caso se trate de banda larga o crescimento é de 1,38%. Por isso, só teremos essa massificação como factor de crescimento, quando se criarem as condições que permitem ao utilizador de um país em vias de desenvolvimento ter a possibilidade de escolher entre o download da última versão de uma app desenvolvida no Silicon Valley ou de outra desenvolvida no seu país de origem. Dessa forma, ele estará ligado ao mundo com mais hipóteses de ter sucesso.

Numa altura em que cerca de 90 por cento dos moçambicanos não tem acesso a uma conta numa instituição financeira formal, as soluções tecnológicas podem ser a solução para expandir os serviços financeiros à população sem acesso a banca. Quem defende é Esselina Macome, assessora da FSD Moçambique. Desde 2014, focada na inclusão financeira, a FSD Moçambique trabalha lado a lado com instituições financeiras e promove o uso de ferramentas tecnológicas para expandir os serviços financeiros para os jovens, mulheres e população das zonas rurais.

Tendências globais mostram que as tecnologias são aliadas do sector financeiro para sua expansão a cada vez mais pessoas. Em Moçambique, apenas 10% dos serviços financeiros disponíveis estão nas zonas rurais.
“Os serviços digitais são aqueles que mais rapidamente vão atingir essa população que está no fim da pirâmide”, diz.

A inovação tecnológica é uma das apostas da organização, por isso esta quarta, quinta e sexta-feiras, a FSD fará parte da quarta edição da maior feira de tecnologias de Moçambique, Moztech, onde ao lado de pastelistas nacionais e internacionais vai debater o tema “O papel das FinTech na promoção da Inclusão Financeira”.
“O nosso painel vai permitir trazer esse debate. O que em Moçambique sabemos sobre as Fintech, que tipo de Fintech nós temos, o que a regulação permite fazer neste capítulo. Teremos também no nosso painel experiências de outros países para sabermos que está acontecer fora de Moçambique, relacionadoas tecnologias financeiras”, explica Macome.

As ideias saídas da Moztech, segundo a companhia, podem contribuir para o desenvolvimento tecnológico e para isso é igualmente importante apostar na formação.
Em Moçambique, quase metade das pessoas com acesso a serviços financeiros formais em áreas rurais, gastam mais de duas horas para chegar a uma instituição financeira, segundo dados do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural.

 

O distrito de Chicualacuala, em Gaza, conta com uma agência bancária desde ontem. Trata-se do primeiro banco a funcionar no distrito depois de mais de 15 anos. O empreendimento resulta de um investimento do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural. O banco, localizado na vila Eduardo Mondlane, funciona desde Fevereiro, mas foi oficialmente inaugurado este domingo.

É um empreendimento especial, porque foi construído pelo Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural e está a ser explorado pelo banco Moza, seleccionado via concurso público, no âmbito do projecto do Governo chamado “Um distrito, um banco”.

O banco fica há cerca de 700 quilómetros da cidade de Maputo e quase 400 quilómetros do distrito de Chókwè, em Gaza. Sem instituição bancária, os funcionários públicos eram dispensados três dias por mês para levantarem os seus salários em Chókwè. Depois de cortar a fita que simboliza a inauguração, a governadora de Gaza, Stela Pinto da Graça Zeca, falou da importância do banco, tendo destacado o encurtamento de distâncias.

“Queremos colocar unidades comerciais aqui por forma que seja possível, em curto espaço de tempo, usar esse dinheiro, guardar, comprar aquilo que nós precisamos de comprar noutros locais, aqui no distrito de Chicualacuala ou num local muito mais próximo. Aí estaremos a trazer o desenvolvimento integrado no nosso distrito“, considerou a governadora.
Os residentes de Chicualacuala explicam que sofriam muito com a falta de bancos. Para não percorrer longas distâncias, transferiam dinheiro para conta de pessoas que tinham valores disponíveis que depois lhes entregavam em mão, e em contrapartida pagavam 10% do valor à pessoa que prestava esse serviço.

“Usávamos o sistema de transferências bancárias e eles nos entregavam o dinheiro que solicitávamos e nos cobravam 10% do valor ”, disse Ricardo Cuambe, técnico de saúde local.

Esta é a oitava agência bancária que o MITADER, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), inaugura num distrito, refira-se muito distante da capital provincial. Até 2019, o Governo prevê inaugurar mais 62 unidades bancárias em todo o país no âmbito do projecto.

“Ainda para este ano, está prevista a abertura de mais 12 agências bancárias em vários distritos do país até completar no final deste quinquénio a cobertura dos 70 balcões ainda em falta“, diz a Presidente do Conselho de Administração do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável, Augusta Maíta.

O Governo investiu pouco mais de 181 milhões de meticais nas sete agências. Segundo o MITADER, dados actuais mostram que cercada de 90% dos moçambicanos não têm uma conta bancária numa instituição formal e apenas 72 distritos, dos 152 existentes, têm pelo menos um banco.

Quessanias Matsombe falou, nesta segunda-feira, numa conferência de imprensa que tinha como objectivo fazer o balanço do périplo feito por si e seus apoiantes. O candidato da lista B que percorreu todo o país manteve contacto com diversos empresários, membros da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários.

Faltando apenas três dias para as eleições, Quessanias diz estar confiante na vitória, pois, 70% das confederações garantiram o seu apoio.

Matsombe desvaloriza as ameaças que alguns dos seus apoiantes foram vítimas ao longo da campanha. A descentralização daquele órgão é apontado como um dos principais desafios deste candidato.

As eleições do próximo presidente da CTA estão marcadas para esta quinta-feira, 25 de Maio.

Os candidatos à presidência da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Quessanias Matsombe e Agostinho Vuma, irão participar no programa Linha Aberta, da Stv, amanhã à noite.

Linha Aberta inicia às 22h e os candidatos à presidência da CTA deverão discutir à volta do futuro da instituição.
A votação para eleição do Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique está marcada para dia 25 deste mês.

 

Foram três dias de reuniões, visitas e negociações. Grandes negócios foram fechados com destaque para o investimento de 7 mil milhões de dólares a ser realizado pela Shell numa refinaria de gás natural para produzir gasóleo. Mas também a instalação de uma fábrica de cervejas da Heineken em Bobole, no distrito de Marracuene.

Uma das visitas que o Chefe de Estado efectuou foi ao Porto de Roterdão, uma experiência que quer ver replicada no país pela forma como o mesmo está estruturado e desenvolvido.

O chefe de Estado visitou ainda o Instituto de Pesquisa Aplicada de Água que desenvolveu o sistema de gestão da água da Holanda, considerado um dos melhores do mundo. O Presidente ficou impressionado com nível de conhecimento que os holandeses têm sobre os recursos hídricos moçambicanos.

O desenvolvimento do Plano Mestre de Requalificação da cidade da Beira foi outro tema que dominou as reuniões na Holanda, por isso, a presença na delegação presidencial, do edil daquela cidade, Daviz Simango.

Filipe Nyusi diz regressar à casa com o a convicção de que os objectivos da viagem  à  Holanda foram cumpridos e trouxe ganhos importantes para a economia do país.

O Governo está a procura de um parceiro para investir na empresa Linhas Aéreas de Moçambique de modo a torná-la competitiva a nível nacional e internacional, segundo deu a conhecer o Chefe de Estado, Filipe Nyusi no final da sua visita ao Reino dos Países Baixos.

“A ideia é transformar as linhas aéreas moçambicanas mais actuantes e mais interventivas. Existem muitos mais contactos a acontecer, para convidara algumas empresas com renome e musculatura financeira, com know-how na área, capaz de atrair o mercado internacional”, disse.

O Governo está igualmente à procura de uma companhia aérea que possa transformar o Aeroporto de Nacala em seu Hub regional ou internacional.

Filipe Nyusi aproveitou a ocasião para esclarecer que estes são resultados da sua visita aos ministérios e que o público deve ter paciência que há um movimento de mudanças estruturais que está a acontecer e as visitas feitas aos ministérios estão a trazer resultados.
 

A cidade de Maputo tem assistido, nas  últimas semanas, falta de gás doméstico.  “O País Económico” constatou que em alguns postos de revenda botijas de gás  de cozinha, em apenas duas horas, chegavam a ser compradas 150 unidades.

Num contexto em que muitas famílias substituíram o carvão pelo gás para confeccionar alimentos, cidadãos chegam a ficar mais de uma semana a procurar por uma botija em diferentes postos de revenda.
José Machai vive na cidade de Maputo e ficou uma semana sem poder usar gás na sua residência, porque não conseguia encontrar à venda a botija de 11 quilogramas, a mais usada pelos munícipes.
 
“Estou a uma semana sem gás em casa. A minha botija acabou e saí para comprar uma nova. Comecei por procurar na zona em que vivo e não encontrei. Fui para os bairros vizinhos e também não encontrei. vivo no Zimpeto e só consegui comprar a botija na zona da Sommerschield”, contou Machai.
 
O preço do gás doméstico foi, nesta semana, ajustado e aumentou 9 meticais e 27 centavos, passando de 61,08/kg para 70,32/kg. O Ministério dos Recursos Minerais e Energia justifica o aumento do preço de gás com a conjuntura internacional adversa.

Apesar deste aumento, a procura pelo produto aumenta. A constante requisição do gás doméstico está directamente ligada ao preço do carvão vegetal praticado na cidade capital. Um saco de 50 kg de carvão é comercializado ao preço de 1600 à 1700 meticais e com esse valor é possível comprar duas botijas de gás de 11 kg.

Nos postos de revenda visitados pelo “O País Económico” os gerentes afirmaram que em menos de duas horas o stock acaba.
“A procura pelo gás tem vindo a aumentar diariamente. Ontem, recebi 150 botijas do fornecedor e em menos de duas horas todas as garrafas foram compradas. E este cenário repete-se sempre que recebemos gás, os clientes vêm a correr para conseguir comprar o produto”, disse Lúcia Mbeve, gerente de um posto de venda de gás doméstico. A procura é tanta que ultrapassa as quantidades solicitadas pelos revendedores.

Alguns comerciantes recebem entre 100 a 150 garrafas. Rodrigues Chin, gerente de outro posto de venda de gás, diz que faz a requisição de 250 à 300 garrafas, mas só tem recebido 150 garrafas. Chin entende que a restrição no fornecimento está também aliada à enorme procura.

“O stock não chega até o fim de semana. Encomendo 250 ou 300 botijas por dia, mas só recebo 150 garrafas. O fornecedor oficial não tem conseguido dar vazão aos pedidos feitos peles seus clientes. Somos muitos revendedores nesta situação. Suponho que esta restrição seja para garantir que todos tenham um pouco de gás para vender”, explicou Chin. Se a procura continuar intensa, adivinha-se uma crise profunda do produto na cidade de Maputo.

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