Os custos totais de aquisição e produção de energia, passaram de 9,810,414,744 meticais em 2015, para 22,490, 824, 905 meticais em 2016, o que corresponde a um aumento de 129%. Revela o relatório saído da reunião realizada a 12 e 13 de Abril passado, para fazer o balanço das actividades de 2016.
O documento não detalha a causa directa dessas perdas, mas enumera uma série de outras ocorrências negativas que justificam as dificuldades que teve de enfrentar num ano difícil também em termos de desempenho da economia moçambicana no seu todo.
A distribuidora pública de energia eléctrica reporta ainda que as perdas totais de energia passaram de 25%, em 2015, para 26%, o correspondente a 1 424 Gigawatts/hora (GWh) em 2016.
Paralelamente, um pouco por todo o país testemunharam-se avarias de equipamentos que condicionaram o fornecimento de energia a diversos locais, incluindo a Cidade de Maputo e Matola. Houve pontos do país que tiveram limitações de acesso à energia eléctrica por um espaço de até três meses. De acordo com dados da EDM, a quantidade de transformadores avariados na rede de distribuição passou de 119 unidades em 2015, para 128 unidades em 2016.
De forma mais individualizada, a EDM destaca a avaria do chamado GT35, da Central Back up da Beira, condicionando a disponibilidade de 12 Megawatts (MW) durante 25 dias; avaria do grupo 9 da Central de Temane, condicionando a disponibilidade de 2.4 MW durante 90 dias; quebra de cabo de guarda entre as torres 10 e 11 da chamada linha CL9, condicionando o fornecimento de cerca de 18 MW durante 23horas; queda de 12 torres da linha CL3, condicionando o fornecimento de 9MW.
Vandalização de infra-estruturas
A estes males sobrepõe-se a velha questão da vandalização dos equipamentos eléctricos, que se manifesta, principalmente, pelo roubo de cabos eléctricos. No ano passado, a vandalização resultou em perdas na ordem de 24 milhões de meticais.
Em 2013 e 2014, por exemplo, roubos de cabos e o derrube de postes de transporte de energia eléctrica causaram prejuízos directos e indirectos avaliados em 70 milhões de meticais em todo o país (45 milhões de meticais em 2013 e 25 milhões no ano seguinte).
A empresa tem-se empenhado em investir na prevenção da vandalização dos seus equipamentos, e no mais recente relatório reforça pedindo ajuda para a denúncia de todos os casos que atentem contra o bom funcionamento da infra-estrutura eléctrica nacional, ao mesmo tempo que a própria EDM estuda um mecanismo de incentivo para as denúncias, através das linhas verdes a serem disponibilizadas pela empresa.
Apesar destas dificuldades, a empresa definiu como meta tornar-se “numa empresa de referência nacional e regional assente numa estratégica de acesso universal de energia eléctrica em 2030 e torna-se pólo de geração de energia da região Austral”. Esta meta é justificada pelos avanços alcançados no ano passado e nas transformações a introduzir a partir deste ano.
Avanços alcançados ano passado
O ano 2016 foi para a EDM desafiante. Ainda assim, há avanços a assinalar: a taxa de electrificação passou de 25.9%, em 2015, para 26.2%, em 2016; ligação de mais duas sedes distritais à Rede Eléctrica Nacional (Marara, em Tete, e Molumbo na Zambézia); expansão da rede de distribuição em média tensão em 415 km a nível nacional, o que permitiu a ligação de 70,994 novas famílias à Rede Eléctrica Nacional; expansão da rede de alta tensão em 245 km com a inauguração da linha de transporte de energia de alta tensão Lionde – Mapai e respectiva subestação em Mapai, assegurando o fornecimento de energia com qualidade ao norte da província de Gaza; fornecimento da subestação móvel de 25MVA, permitindo fornecimento alternativo de emergência à cidade de Quelimane; reposição da subestação da Matola em 75% com o comissionamento da cascata (80MW) e reparação do transformador (160MVA) após os incidentes de 2015, factos que permitiram a reposição do fornecimento normal de energia eléctrica às cidades de Maputo e Matola a partir do mês de Julho; conclusão do projecto de expansão da Subestação de Matambo, 130 MVA, em Tete; a frequência média de interrupções no sistema de transporte reduziu em 30% relativamente a 2015; o volume de energia exportada cresceu em 79% relativamente a 2015, passando de 862 GWh para 1,541 GWh; as vendas totais de energia passaram de 16,348,819,781meticais, em 2015, para 29,122,396,974 meticais, em 2016, o que corresponde a um crescimento de 78%; o índice de cobertura do sistema de contadores pré-pago passou de 88% para 90% do total dos clientes em 2016.
Mais 200 mil ligações este ano
Ainda no ano de 2017, a EDM espera atingir as 200 mil ligações de novos clientes como resultado do processo de revisão do anterior processo de procurment para a aquisição de contadores, através do qual a EDM passa a ter uma relação directa com os fabricantes de contadores ganhando no preço, assistência técnica, formação, entre outras questões relevantes. A empresa já tem garantidos 300 mil contadores para os próximos 12 meses, cuja primeira entrega dos 60 mil foi na primeira quinzena de Maio. “Nenhum potencial cliente que pretenda celebrar contrato com a EDM dentro das condições exigidas para tal ser-lhe-á vedado o acesso por falta de contador”, promete a EDM.
Em breve pretende melhorar atendimento ao cliente
“Na componente humana, o agente humano da EDM está sendo equipado para melhor servir os seus clientes, desde o aprumo, a cordialidade, a diligência, a eficiência e eficácia no trabalho que executa. Porque o “feedback” (resposta) do cliente serve para avaliar esse desiderato, será estabelecido um centro de comunicação com acesso directo ao Presidente do Conselho de Administração (PCA) da EDM para os casos em que o cidadão (cliente ou não) tenha uma opinião, reclamações de situações não resolvidas (ex: demora na reclamação de facturas, demora no atendimento de situações que possam criar perigo, demora na resolução de avarias ou avarias mal resolvidas)”.