O País – A verdade como notícia

As manifestações que têm sido convocadas pelo candidato presidencial do PODEMOS, Venâncio Mondlane estão a impactar de forma negativa na fluidez da logística no Porto da Beira, pois os maiores utilizadores do mesmo, os países do Interland, estão muito cautelosos com vista a evitarem danos.

De acordo com a Cornelder de Moçambique, operadora do Terminal do Porto da Beira, em média são movimentados 700 camiões por dia. Contudo, quando há manifestações o movimento baixa para menos da metade.

“Muitas empresas estão cautelosas por isso ontem circulou um número reduzido e durante os dias das manifestações o fluxo rodoviário reduziu muito, depois, quando se sentaram seguros temos 2000 camiões a quererem entrar no porto ao mesmo tempo e em dias recebemos 80 camiões por hora”, revelou Jean de Vries, administrador delegado da Cornelder de Moçambique.

O Porto da Beira é a principal porta de entrada para toda a carga que se desloca de e para Moçambique, assim como dos países do Interland. A redução na fluidez do tráfego, preocupa a Cornelder.
“Está difícil dizer os prejuízos mas os navios estão mais lentos por causa do congestionamento dos camiões. Os navios que dependem desse transporte ficam parados e isso provoca bastantes problemas na fluidez da logistica”, referiu.

As manifestações estão a impactar igualmente nas medidas tomadas para pôr fim ao congestionamento de camiões na entrada para o Porto da Beira.

“Por exemplo, a estrada de sentido único como essas manifestações está difícil de medir o impacto real porque temos dias muito calmos. Você tinha de carregar hoje mas se houve manifestações ou ameaças de manifestações as medidas de exigir documentação as medidas ficam mais difíceis de implementar”, acrescentou.

O presidente da República pediu aos agentes turísticos para investirem em embarcações de qualidade, rapidez e conforto para operarem com eficiência na maior ponte-cais do mundo, que vai começar a operar a partir do próximo ano. Filipe Nyusi disse que a ponte será uma manancial de oportunidades, sobretudo para os pesquisadores e investigadores na área da biodiversidade.

Moçambique terá a maior ponte-cais do mundo a partir de 2025. A infraestrutura, cuja primeira pedra para construção foi lançada, hoje, pelo presidente da república, estará lozalizada no distrito de Kanyaka. Filipe Nyusi recomendou bom uso da ponte mas disse que o essencial é que se invista em mais embarcações e de qualidade.

“Convidamos todos os agentes da indústria turística a valorizar este esforço, investindo em mais embarcações de lazer de qualidade, velocidade e conforto, mas também em infraestruturas turísticas. Ter uma ponte-cais como está e não ter embarcações é a mesma coisa que ter estrada sem carrro”, disse.

Nyusi, assegurou que a ponte vai impulsionar o desenvolvimento da ilha e não só por isso. “A ponte-cais irá promover as trocas comerciais propiciando o acesso ao mercado mais amplo da cidade de Maputo o que serve de estímulo para o aumento da capacidade de produção e produtividade das pequenas e médias empresas de Kanyaka e diversos sectores com maior destaque para a pesca.”

Segundo Nyusi, o investimento trará inúmeras vantagens para os pesquisadores e investigadores nacionais. “A ilha de Inhaca é um centro de investigação na área de investigação e a nossa ponte será um meio seguro e rápido para facilitar o movimento dos pesquisadores e investigadores. A ponte representa uma verdadeira oportunidade de desenvolvimento socioeconômico da investigação e criação de emprego de qualidade e estímulo do turismo, sendo um factor catalisador que permitirá a população local prosperar”, referiu Nyusi.

A infraestrutura que surge no âmbito da responsabilidade social da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) naquela ilha, estará pronta em 2025, aproximadamente 12 anos depois de interditada em 2013, devido ao nível de degradação.

A cerimónia de lançamento da primeira pedrada contou também com a presença do ministro dos transportes e Comunicação, Mateus Magala, e do presidente do Município de Maputo, Rasaque Manhique.

Além das vantagens sócio-econômicas, a ponte cais de Kanyaka será a maior do mundo e espera-se que seja mais uma infraestrutura turística da cidade de Maputo, além da ponte Maputo Katembe.

O Governo entende que a continuidade das manifestações pode levar o país a um declínio e pede ao sector privado que mantenha as actividades comerciais em funcionamento. Não obstante, o Executivo garante disponibilidade de combustíveis e produtos de primeira necessidade.

O Governo e o sector privado sentaram-se à mesma mesa, esta quarta-feira, para encontrar soluções para mitigar o impacto económico e social das manifestações que têm sido desencadeadas em contestação dos resultados eleitorais. O objectivo passa por garantir o funcionamento pleno das instituições e empresas privadas que, desde a semana de 21 de Outubro, caminham a meio gás.

O ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, que dirigiu o encontro entre a CTA e o Governo, lembrou que o país é pobre e que a vandalização de bens públicos e privados pode agravar a situação de precariedade.

O país parou ou funcionou a meio gás e, nos passados dia 24 e 25, foi quase uma paralisação total, com poucas empresas a funcionarem. Este é um cenário que o Governo não quer que se repita, sobretudo porque nós somos um país pobre, que precisa trabalhar, um país que já teve experiência amarga da guerra dos 16 anos, para não citar a dos 10 anos, e agora a instabilidade no Norte de Cabo Delgado”, disse Silvino Moreno.

O governante não tem dúvidas de que os impactos da paralisação poderão afectar, não só a parte económica, mas também a social. “Nós tivemos inúmeras escolas que não leccionaram nos três dias. Outras leccionaram a meio gás, e isto vai ter um impacto no programa de formação dos nossos estudantes e teremos, efectivamente, no final do dia, estudantes mal formados ou com matérias não abordadas, porque aqueles três dias foram fechados. O impacto não é apenas do ponto de vista da receita, é também do ponto de vista das oportunidades que o país perde num dia fechado, num dia sem comunicação ou num dia em que os sectores não funcionam”, lamenta a fonte.

A situação deve ser controlada, adverte Moreno, sob risco de inundar o contexto económico do país, num momento em que começa a haver dificuldades para o acesso de produtos e especulação de preços no mercado nacional.  Para o governante, “as manifestações não têm sido pacíficas. Infelizmente, a experiência que temos dos três dias da semana passada, houve arrombamento de estabelecimentos comerciais, destruição de infra-estruturas públicas e houve, também, mortes e acções que atentam à segurança de pessoas e bens”.

Ficam para trás três dias de paralisação, e o Estado diz não ter, para já, a contabilização dos prejuízos, e o país pode voltar a parar de funcionar durante sete dias. Para evitar o pior cenário, o Governo garante que  vai criar condições de segurança  para que a circulação de pessoas e bens não seja condicionada.

“Nós pretendemos que o país continue em paz, que as manifestações não sejam para a destruição da economia, que o movimento não seja para a destruição das infra-estruturas, muito menos para impedir as pessoas de ir trabalhar, porque essa é, de facto, a principal forma de termos a economia a funcionar. O nosso apelo é que as empresas se mantenham abertas e que os funcionários se dirijam aos locais de trabalho. O Governo vai fazer o seu melhor para garantir a segurança. Queremos que o país não tenha paragem, porque isso vai ter grandes efeitos na economia do país”, entende o ministro da Economia e Finanças. 

Manifestações provocaram perda de 1200 postos de empregos

A paralisação de actividades em diversos sectores gera, em média, perdas económicas estimadas em mais de 1,4 mil milhões Meticais por dia, um cenário que assusta o Governo. Entretanto, nas suas contas, o sector privado afirma ter perdido mais de três mil milhões de Meticais durante a paralisação e, por isso alerta que o sector pode declinar nos próximos dias.

Dados apresentados pelo presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, apontam que a vandalização de bens gerou perdas em cerca de 33 estabelecimentos comerciais em todo o país,  o que significa mais de três mil milhões de Meticais perdidos.

“Tivemos sabotagens, vandalização, arrombamentos de estabelecimentos privados e comerciais em número de 33, onde se pode estimar uma perda de mais de três mil milhões de dólares. E houve ainda 1200 postos de emprego prejudicados”, informou Vuma.

Vuma afirma que “a paralisação da actividade resultou na redução das transacções do mercado cambial, que reduziram 75,3%, onde da média de cerca de 60 milhões de dólares caiu para cerca de 14 milhões nos dias 24 e 25 de Outubro passado. Portanto, as empresas estão a implementar planos de crise, visando minimizar as perdas que estamos a conhecer”. 

A entrada e saída de mercadoria vindo do exterior também foi um exercício condicionado durante as manifestações e que poderá ser mais grave caso a paralisação por uma semana se efective. A CTA lamenta o facto, que não só foi registado na capital do país.

“Tivemos interrupção de tráfego no corredor de Maputo. (…) Em alguns poucos troços, inclusive na fronteira, acabou havendo tanta obrigação de encerrar, o que afectou a entrada de cerca de 1200 a 1300 camiões, dos quais 90% de logística tinham como destino o Porto de Maputo.

Ademais, a CTA alerta que, caso Moçambique decida fechar-se ao mundo, poderá sofrer uma pressão económica no tocante à procura de bens e serviços. Segundo Vuma, “este impacto mostra que também estamos a impedir a entrada de produtos de primeira necessidade para a nossa economia. Queremos, com isto, apelar aos nossos colegas do sector privado, do comércio, para se absterem dessas práticas especulativas”.

 

Que o Governo encontre a melhor forma de resolver a situação das manifestações

A CTA exorta o Governo e o PODEMOS, reconhecido como o promotor das manifestações, a encontrarem a melhor solução face ao que o país se transformou, entretanto sem o comprometimento dos objectivos traçados para o presente ano.

“Para além de pedir ao Governo para que seja um interlocutor do povo, com o objectivo de pôr fim a esta situação, apelamos para que, havendo esta manifestação, seja muito disciplinada e melhor do que o que nós vimos nos últimos dias. Nós, como sector privado, também testemunhamos uma mensagem que dá a entender que fechámos as nossas unidades. Estaremos abertos a partir desta quinta-feira”, assegurou.

O grupo, que diz ter, neste momento, um grande desafio de divisas no país, promete que vai continuar a fazer tudo para manter o bom ambiente de negócios em Moçambique. “A nossa preocupação como sector privado… estamos a trabalhar, isto nos encontra a trabalharmos com muita promessa de resultados positivos com o Banco de Moçambique, na perspectiva de aumentar a disponibilidade de divisas para fazermos frente às importações que vão tentar alimentar o nosso país na próxima quadra festiva.”

O Governo moçambicano está, cada vez mais, a endividar-se. De Julho a Setembro, a dívida por si contraída situou-se em 1 044 940,1 Meticais, um aumento de 7% em relação ao período entre Outubro e Dezembro do ano de 2023.

A informação consta do balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado referente ao terceiro trimestre do presente ano, um documento publicado pelo Ministério da Economia e Finanças.

Em termos globais, embora o endividamento público tenha aumentado, a dívida que o Executivo contraiu fora do país reduziu 1%. Enquanto isso, a dívida dentro do país aumentou 26%.

Uma das explicações para a redução da dívida externa é o vencimento e pagamento das prestações da dívida existente num contexto em que o Governo decidiu não contrair novos financiamentos fora do país.

Por seu turno, a dívida pública contratada dentro do país aumentou significativamente pelo facto de o Governo ter emitido novas obrigações de tesouro num valor de 30 139,5 milhões de Meticais.

Em termos acumulados, o saldo da dívida pública externa foi de 648 883,3 milhões de Meticais, com destaque para o multilateral com um peso de 54,3% e da dívida interna foi de 396 056,7 milhões.

No tocante ao pagamento da dívida interna do Estado, o Governo pagou não só as obrigações de tesouraria no âmbito da reestruturação e consolidação fiscal, refere o Ministério da Economia e Finanças. 

“Foi fixado o limite de 45 739 milhões de Meticais, do qual, durante o período de Janeiro a Junho, foram emitidas Obrigações no valor de 30 139,5 milhões de Meticais”, mostra o Executivo no balanço.

No entanto, no período de Janeiro a Setembro do ano em curso, foram emitidos Bilhetes de Tesouro no montante de 151 028,4 milhões de Meticais, tendo-se efectuado substituições e amortizações no valor global de 112 071,1 milhões de Meticais, diz o Executivo.

No período em análise, o Executivo pagou ainda 537,8 milhões de Meticais das dívidas com fornecedores de bens e serviços, dos anos anteriores, segundo o balanço que temos vindo a citar. 

Os valores da dívida efectivamente pagos totalizaram o montante de 50 674,1 milhões de Meticais, equivalentes a um decréscimo de 20,2% em relação ao período do ano anterior, mostra o documento.

Para assegurar a importação de combustíveis pela Empresa PETROMOC, foi contraído um empréstimo de curto prazo de 3600 milhões de Meticais a ser pago no actual exercício económico.

Para tal, o Estado assinou uma garantia de curto prazo, com o seu registo apenas dentro do exercício económico de 2024, sem impacto no stock de garantias nem no stock da dívida pública de 2024.

No período em análise, as despesas com o pessoal tiveram uma realização de 157 454,2 milhões de Meticais, o correspondente a 79% do orçamento anual, e os salários e remunerações e as demais despesas com o pessoal alcançaram 79,7% e 59,5% respectivamente.

Em termos globais, as operações financeiras activas totalizaram, no período em análise, o valor de 2344,2 milhões de Meticais, o correspondente a 43,4% do orçamento anual, tendo registado um decrescimento de 16,4% em termos reais, quando comparado com o período homólogo do exercício económico anterior. 

“As operações financeiras passivas atingiram o montante de 51 087,2 milhões de Meticais, correspondente a 83,9% do orçamento anual e um crescimento real de 9,4% em relação ao mesmo período do ano anterior”, diz o documento publicado pelo Ministério das Finanças.

Moçambique está, neste momento, a passar por um processo de transição governativa, em que há necessidade de se pensar num novo Plano Económico e Social e Orçamento do Estado, daí que é preciso entendermos que prioridades o novo Governo tem para o país nos próximos três meses.

Egas Daniel e Júlio Saramala, economistas, avançam que o Orçamento de Estado não deve ser apenas uma questão de despesas de investimentos. Tem de ser algo bem estratégico de criação de oportunidades para o crescimento do país. As declarações dos dois economistas foram feitas no programa televisivo “O País Económico”.

Segundo Júlio Saramala, uma das grandes prioridades do Governo, no próximo ano, tem de ser, efectivamente, garantir a redução da dívida pública. “Temos de fazer aqui uma redução dos nossos gastos recorrentes.”

Deve haver uma balança entre redução dos gastos, amortização, principalmente da dívida interna e externa, que é uma das grandes preocupações, mas também tem de haver investimentos, investimentos prioritários. O Banco de Moçambique diz que a inflação se mantém promissora, abaixo de um dígito. Há uma perspectiva de crescimento económico relativamente favorável, até mesmo sem contar com a indústria extractiva. 

Há necessidade de se olhar para o sector da educação, que é basilar no nosso país, uma vez que o Ministério da Educação já referiu que depende do Orçamento do Estado do próximo ano para garantir uma distribuição dos livros a tempo.

Se tivermos alunos que não têm professores ou se  tivermos um certo número de professores, há uma necessidade extrema de pagar horas extras. Se forem calculadas essas horas extras, é possível que se descubra que contratando novos professores o custo seja menor.

Existem alguns sectores muito importantes que devem ser observados na concepção desse novo orçamento. Pode-se investir no sector da agricultura, que é a base de desenvolvimento, infra-estruturas, como as estradas e sectores como os das energias renováveis. “Não podemos apenas nos focar num crescimento que dependa apenas das receitas da indústria extractiva. Estamos a falar de óleo, gás etc. Temos de diversificar a economia, temos de garantir que haja políticas de investimentos locais”, disse Saramala.

O Orçamento do Estado deve estar focado na garantia de uma economia que esteja a produzir ou ter receitas suficientes para que possa diminuir a dívida interna, produzir ainda mais e não ter de recorrer aos financiamentos externos, como tem sido de costume.

Contudo, Júlio Saramala diz que o Orçamento do Estado não pode deixar de lado a questão do terrorismo, visto que “não se pode diminuir o custo da defesa, do Orçamento de Estado,

O Governo entende que a continuidade das manifestações pode levar o país a um declínio e pede ao sector privado que mantenha as actividades comerciais em funcionamento. Em uma reunião havida esta quarta-feira, o governo garante disponibilidade de combustíveis e produtos de primeira necessidade.

O Executivo e o sector privado sentaram-se à mesma mesa para encontrar soluções para mitigar o impacto económico e social das manifestações que têm sido desencadeadas em contestação dos resultados eleitorais.

A paralisação de actividades e diversos sectores já gerou perdas económicas estimadas em mais de 1,4 mil milhões meticais, um cenário que assusta o governo.

O Ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, alerta que o país é pobre e a vandalização de bens públicos e privados pode agravar a situação de precariedade.

A vandalização de bens gerou perdas em cerca de 33 estabelecimentos comerciais, o que significa mais de três mil milhões de meticais perdidos e 1.200 postos de emprego prejudicados. Por isso, fez saber o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, o quadro não é favorável para os os empresários.

O Governo garante que vai criar condições de segurança de pessoas e bens enquanto a ameaça à ordem pública persistir, bem como a disponibilidade de combustíveis e produtos de primeira necessidade.

Na sua mais recente avaliação, a agência de rating Standard & Poor’s (S&P) diz que há uma elevada probabilidade de Moçambique falhar pagamentos da dívida pública interna em moeda local. Por isso, reduziu o rating do país em Meticais de CCC+ para CCC.

“Reduzimos a classificação de longo prazo em moeda local para CCC, principalmente porque vemos riscos elevados de atrasos nos pagamentos em dívida comercial. Nós entendemos que os atrasos continuarão até 2024 no mercado interno enquanto o país acumula atrasos ​​com fornecedores e empreiteiros”, pode-se ler na nota da S&P.

Segundo a S&P, CCC é um rating que mostra uma classificação de um grau especulativo, ou seja, actualmente vulnerável e dependente de condições de negócio, financeiras e económicas favoráveis para honrar com compromissos financeiros.

Na opinião da agência de rating, a recente redução é resultado de medidas fiscais mais gerais e pressões de liquidez, mas também reflecte as dificuldades administrativas e gestão dificiente da dívida pública do país.

De acordo com a análise, os desafios de gestão de liquidez em Moçambique permanecem consideráveis, com alguns atrasos nos pagamentos aos credores do Estado e a acumulação de atrasos no pagamento a fornecedores e empreiteiros.

Por outro lado, a S&P entende que a revisão salarial sector público, através da Tabela Salarial Única (TSU), bem como os choques relacionados com o clima, o pagamento dos juros da dívida pública e as despesas pré-eleitorais estão a pressionar o Governo.

“Os reembolsos da dívida em moeda estrangeira permanecem comparativamente modestos até que o único Eurobond de Moçambique comece a vencer a partir de 2028, por isso afirmamos nosso rating de longo prazo em moeda estrangeira em ‘CCC+”.

Por outro lado, a agência reduziu o índice local de longo prazo de crédito soberano em moeda estrangeira de Moçambique de CCC+ para CCC. Já os de curto prazo em moedas locais e estrangeiras foram mantidos em ‘C’.

Já as perspectivas, tanto para a moeda local como para os ratings de longo prazo em moeda estrangeira, são estáveis, segundo a avaliação feita no dia 18 de Outubro pela S&P Global Ratings.

“Poderíamos reduzir os ratings em moeda local e em moeda estrangeira em Moçambique se a posição de liquidez do governo enfraquecesse – como visto, por exemplo, através do levantamento contínuo de activos líquidos ou de acumulação de pagamentos atrasados ​a credores e fornecedores – ou se houvesse novos choques económicos ou externos ou atrasos nos grandes projectos de gás”, refere a agência.

O cenário poderia ser positivo se a classificação das receitas do Governo se fortalecerem, por exemplo devido a um aumento na produção de gás no médio prazo, permitindo, em última análise, que Moçambique estabilize a sua posição fiscal.

Segundo a agência, antes do dia 9 de Outubro, data das últimas eleições gerais, cujo vencedor é o candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo, a derrapagem fiscal ocorreu à medida que as restrições de gastos e as reformas fiscais se estagnaram.

Com Daniel Chapo como Presidente, a agência diz esperar que a política governamental permaneça “difícil”, com compromissos de redução dos desafios fiscais, de melhorar a infra-estrutura e das condições socioeconómicas e de gestão das receitas futuras do gás.

Conclui ainda, a agência de notação financeira, que as perspectivas poderiam melhorar substancialmente com o grande potencial de exportação de gás assim que os principais projectos se tornarem operacionais (actualmente previsto para 2029–2030).

“Perspectivas económicas significativas dependem do projecto de 20 mil milhões de dólares da Área 1 liderado pela TotalEnergies, que poderá reiniciar totalmente a construção em 2025”, avança a agência.

Tal acontece, segundo a agência, num contexto em que as reservas de gás natural do país são grandes, estimadas em 160 trilhões de pés cúbicos, tendo a produção, na bacia do Rovuma, arrancado em Novembro de 2022 com a plataforma flutuante de Gás Natural Liquefeito Coral Sul, que tem capacidade de 3,4 milhões de toneladas por ano.

Embora continue o terrorismo em Cabo Delgado, a agência entende que a situação de segurança perto do projecto de Gás Natural Liquefeito liderado pela Eni melhorou desde 2021, com o apoio militar da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Ruanda. Enquanto isso, a actividade económica na cidade de Palma (perto do Campo de gás da Área 1) melhorou à medida que a população regressou, diz a S&P.

Reagindo à recente classificação, a Confederação das Associações Económicas (CTA) lamentou o facto de a agência de rating Standard & Poor’s ter baixado o rating de endividamento de Moçambique, o que poderá contribuir para o aumento do custo do dinheiro para o país, tanto no mercado nacional como no mercado internacional.S&P alerta que Moçambique pode falhar pagamento da dívida pública interna.

Na sua mais recente avaliação, a agência de rating Standard & Poor’s (S&P) diz que há uma elevada probabilidade de Moçambique falhar pagamentos da dívida pública interna em moeda local. Por isso, reduziu o rating do país em Meticais de CCC+ para CCC.

“Reduzimos a classificação de longo prazo em moeda local para CCC, principalmente porque vemos riscos elevados de atrasos nos pagamentos em dívida comercial. Nós entendemos que os atrasos continuarão até 2024 no mercado interno enquanto o país acumula atrasos ​​com fornecedores e empreiteiros”, pode-se ler na nota da S&P.

Segundo a S&P, CCC é um rating que mostra uma classificação de um grau especulativo, ou seja, actualmente vulnerável e dependente de condições de negócio, financeiras e económicas favoráveis para honrar com compromissos financeiros.

Na opinião da agência de rating, a recente redução é resultado de medidas fiscais mais gerais e pressões de liquidez, mas também reflecte as dificuldades administrativas e gestão dificiente da dívida pública do país.

De acordo com a análise, os desafios de gestão de liquidez em Moçambique permanecem consideráveis, com alguns atrasos nos pagamentos aos credores do Estado e a acumulação de atrasos no pagamento a fornecedores e empreiteiros.

Por outro lado, a S&P entende que a revisão salarial sector público, através da Tabela Salarial Única (TSU), bem como os choques relacionados com o clima, o pagamento dos juros da dívida pública e as despesas pré-eleitorais estão a pressionar o Governo.

“Os reembolsos da dívida em moeda estrangeira permanecem comparativamente modestos até que o único Eurobond de Moçambique comece a vencer a partir de 2028, por isso afirmamos nosso rating de longo prazo em moeda estrangeira em ‘CCC+”.

Por outro lado, a agência reduziu o índice local de longo prazo de crédito soberano em moeda estrangeira de Moçambique de CCC+ para CCC. Já os de curto prazo em moedas locais e estrangeiras foram mantidos em ‘C’.

Já as perspectivas, tanto para a moeda local como para os ratings de longo prazo em moeda estrangeira, são estáveis, segundo a avaliação feita no dia 18 de Outubro pela S&P Global Ratings.

“Poderíamos reduzir os ratings em moeda local e em moeda estrangeira em Moçambique se a posição de liquidez do governo enfraquecesse – como visto, por exemplo, através do levantamento contínuo de activos líquidos ou de acumulação de pagamentos atrasados ​a credores e fornecedores – ou se houvesse novos choques económicos ou externos ou atrasos nos grandes projectos de gás”, refere a agência.

O cenário poderia ser positivo se a classificação das receitas do Governo se fortalecerem, por exemplo devido a um aumento na produção de gás no médio prazo, permitindo, em última análise, que Moçambique estabilize a sua posição fiscal.

Segundo a agência, antes do dia 9 de Outubro, data das últimas eleições gerais, cujo vencedor é o candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo, a derrapagem fiscal ocorreu à medida que as restrições de gastos e as reformas fiscais se estagnaram.

Com Daniel Chapo como Presidente, a agência diz esperar que a política governamental permaneça “difícil”, com compromissos de redução dos desafios fiscais, de melhorar a infra-estrutura e das condições socioeconómicas e de gestão das receitas futuras do gás.

Conclui ainda, a agência de notação financeira, que as perspectivas poderiam melhorar substancialmente com o grande potencial de exportação de gás assim que os principais projectos se tornarem operacionais (actualmente previsto para 2029–2030).

“Perspectivas económicas significativas dependem do projecto de 20 mil milhões de dólares da Área 1 liderado pela TotalEnergies, que poderá reiniciar totalmente a construção em 2025”, avança a agência.

Tal acontece, segundo a agência, num contexto em que as reservas de gás natural do país são grandes, estimadas em 160 trilhões de pés cúbicos, tendo a produção, na bacia do Rovuma, arrancado em Novembro de 2022 com a plataforma flutuante de Gás Natural Liquefeito Coral Sul, que tem capacidade de 3,4 milhões de toneladas por ano.

Embora continue o terrorismo em Cabo Delgado, a agência entende que a situação de segurança perto do projecto de Gás Natural Liquefeito liderado pela Eni melhorou desde 2021, com o apoio militar da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Ruanda. Enquanto isso, a actividade económica na cidade de Palma (perto do Campo de gás da Área 1) melhorou à medida que a população regressou, diz a S&P.

Reagindo à recente classificação, a Confederação das Associações Económicas (CTA) lamentou o facto de a agência de rating Standard & Poor’s ter baixado o rating de endividamento de Moçambique, o que poderá contribuir para o aumento do custo do dinheiro para o país, tanto no mercado nacional como no mercado internacional.

Os níveis de poupança reduziram em Moçambique, revela o relatório produzido pelo Banco de Moçambique. Segundo o documento, a redução ocorreu de forma significativa no ano passado, comparativamente ao ano de 2022.

Os economistas Mukhtar Carimo e Edgar Chuze apontam a taxa das reservas obrigatórias e a dívida interna como os principais motivos para a redução dos níveis de poupança em Moçambique.

O relatório produzido pelo Banco de Moçambique revela que, no ano de 2022, os níveis de poupança rondavam os 47% e, em 2023, essa poupança que os moçambicanos fazem nos bancos, através dos seus depósitos, reduziu para 44%.

Mukhtar Abdul Carimo revela que, nos últimos dois a três anos, o país tem enfrentado diversas dificuldades financeiras, principalmente no que se refere a valores para poder fazer face às despesas internas. E, quando o país não tem capacidade interna de gerar fundos para fazer face às despesas diárias, recorre à dívida interna, aumentando ou fazendo com que o fosso seja maior e, como consequência, a massa monetária deixa de circular no sistema.

O país, por via das obrigações e dos títulos de tesouro, endivida-se. Por esta via, também surge alguma liquidez disponível no banco e, deixando de haver disponibilidade em termos de massa monetária, o que acontece é que as famílias se vêem na impossibilidade de fazer poupanças, dando prioridade às despesas do seu dia-a-dia.

Com a redução da capacidade de poupança, os bancos comerciais também se ressentem desta realidade, uma vez que os níveis de reservas obrigatórias estão, neste momento, em torno dos 40%, o que faz com que quase a metade do valor disponível ou que deveria estar disponível nos bancos comerciais seja alocado ao banco central. Isto faz com que o valor disponível para emprestar seja reduzido.

Visto que quase 40% do valor é canalizado ao Banco de Moçambique, se o nível de poupanças as famílias reduziu, no sistema financeiro, em vez de existir 100 milhões de Meticais poupados, passaram a existir 50 milhões. O que acontece é que os bancos deixam de ter capacidades normais para poderem emprestar o dinheiro, dando a possibilidade de circulação do mesmo na economia.

Carimo disse ainda que, num contexto em que a Tabela Salarial Única (TSU) trouxe esperança para os funcionários públicos de melhoria de vida, a taxa de inflação veio a gorar as expectativas dos mesmos, visto que, houve aumento salarial na Função Pública, mas, no mesmo momento, o período inflacionário está coincidentemente alto, o faz com que o poder de aquisição também reduza.
Porém, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique, vislumbra-se um cenário mais agradável, visto que esta inflação, apesar de os preços estarem a aumentar, comparativamente aos anos anteriores, fala-se de uma pequena redução.

Por outro lado, Edgar Chuze avança que os moçambicanos não têm muita cultura de poupança e que, com a volatilidade do mercado financeiro, os poucos que fazem poupança desistem da mesma devido à dinâmica do mercado.

Contudo, as famílias de renda média e alta normalmente têm tendência a fazer outro tipo de investimentos que não são a poupança, por razões alheias ou por diversas razões. Uma das razões é que as taxas de juros, de depósitos a prazo, não são muito atractivas para que se possa colocar o excesso de disponibilidade na banca para gerar juros. Este aspecto retrai a apetência de parte dos moçambicanos para a adesão a este tipo de práticas.

No que concerne à revisão da Tabela Salarial Única ou à revisão anual dos salários do sector privado, Chuze diz que ainda se está aquém daquilo que são as necessidades dos cidadãos moçambicanos. Pois os salários ainda estão longe de satisfazer a cesta básica para a sobrevivência dos moçambicanos.

Soluções para reverter o cenário da desaceleração dos níveis de poupança
Para Mukhtar Carimo, a solução para reverter o actual cenário passa por se investir na literacia financeira, apesar de existirem meios mais do que suficientes para o acesso à mesma. O nível de bancarização continua muito baixo. Porém, o que mais pesa é o que foi referido anteriormente, o facto de muitos dos cidadãos moçambicanos consumirem o salário do mês seguinte muito antes de chegar.

“O país primeiro tem de estar numa situação bastante diferente em termos económicos em relação ao que acontece hoje. O custo de uma cesta básica versus o seu rendimento é quase insustentável, mesmo com a Tabela Salarial Única (TSU).”

Para Edgar Chuze só se pode falar de literacia e mercado apetecível se os cidadãos moçambicanos tiverem excesso nos seus rendimentos. Caso contrário, será em vão, porque o cidadão sempre irá perguntar-se: como eu vou poupar se aquilo que eu recebo nem sequer chega para satisfazer as minhas necessidades básicas? Então, é preciso que se melhorem as condições para depois se ter espaço para a educação para fazer a poupança.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz que o país perdeu 1,4 mil milhões de Meticais, devido à paralisação da actividade económica, resultante das manifestações da passada segunda-feira. Agostinho Vuma, presidente da CTA, explicou que as manifestações podem desmotivar o investimento estrangeiro no país. 

Em conferência de imprensa, nesta quarta-feira, o presidente do CTA falou dos impactos das últimas manifestações ocorridas na passada segunda. Vuma diz que o sector económico foi extremamente afectado pela paralisação da actividade económica, principalmente, o sector informal, com uma percentagem de 90%. 

Para Vuma, os prejuízos económicos e sociais para a classe trabalhadora e suas famílias são imensuráveis, “numa altura em que o país se debate com a problemática do desemprego, sendo, na sua maioria, a juventude”. 

O Presidente da Confederação disse ainda que a publicidade dos tumultos que é feita a nível internacional vai desmotivar o turismo em Moçambique, o que, segundo ele, colocará em causa as perspectivas de chegada de 365 mil turistas, podendo também resultar na perda de receitas estimadas em cerca de 50 milhões de dólares norte-americanos. 

O sector privado pediu o fim dos tumultos nas manifestações e paz, para que as empresas possam continuar a produzir e gerar empregos. Além disso, Vuma acrescentou que a repercussão das manifestações na comunidade internacional poderá contribuir para o aumento do custo de financiamento. 

“Isto, numa altura na qual a Agência de Rating, a Standard & Poors, baixou o rating de endividamento de Moçambique, o que poderá contribuir para o aumento dos custos de financiamento, tanto no mercado interno como no internacional. Ou seja, por um lado as empresas registam perdas, por outro lado, não terão opções de se financiar para recuperação”, explicou. 

A CTA  apela a todas as forças políticas e candidatos, bem como os sindicatos e servidores ao cumprimento do dever de considerarem outras formas de pressão e de reivindicação que não provoquem impactos tão negativos na vida da população e lança “um vigoroso não à greve”.

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