As recentes projecções do Ministério das Finanças apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) num intervalo entre 2,9% a 3,0% para 2025, e uma inflação que poderá estabilizar-se em 7,0%. Os dados foram avançados pela Ministra da Finanças, Carla Louveira, durante uma audiência concedida à Directora Adjunta do Departamento Africano do Fundo Monetário Internacional (FMI), esta semana, em Maputo.
Os dados avançados pela titular do Pelouro fazem parte dos aspectos que são objectos de avaliação pela missão do FMI que esteve no país, de 19 de Fevereiro a 04 de Março para a 5ª e 6ª avaliações no âmbito do Programa de Facilidades de Crédito Alargado.
A nova projecção do crescimento do PIB de até 3%, está abaixo da anterior projecção que apontava um crescimento de até 4,7%. O Cenário Fiscal de Médio Prazo 2025-2027, divulgado em Junho do ano passado, previa um crescimento 5,5% para 2024 e 4,7% em 2025, depois de em 2023 ter atingido 5,0%.
Aliás, o Cenário Fiscal já previa que o BIP seria afectado pela redução no desempenho do sector extractivo devido ao alcance da capacidade máxima de produção, igualmente no sector agrícola e de transportes e comunicações pelos efeitos climáticos que afectam o seu desempenho.
Assim cai por terra a expectativa de aumento do PIB para o teto de 1,6 bilhões de Meticais em 2025 que consta do documento.
Há também novas projecções em relação à inflação. Segundo Carla Louveira,a subida generalizada de preços poderá estabilizar-se em 7% em 2025. As projecções anteriores eram ligeiramente mais baixas. “Espera-se que a inflação se mantenha dentro da banda 4,5-5,5% entre 2025 e 2027 alinhada ao objectivo de manter a inflação em um dígito, embora sujeita a pressões de choques de oferta e aumentos nos preços das commodities, especialmente alimentos e energia”, CFMP – 2025-2027.
Fora a nova projecção do PIB, contrária às anteriores previsões, a ministra abordou os desafios do sector fiscal, onde se verificaram desafios na arrecadação da Receita do Estado e contenção das despesas, particularmente com a Massa Salarial e Serviço da Dívida Pública, num contexto de recuperação económica.
Aliás, a Directora Adjunta do Departamento Africano do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Senhora Andrea Richter Hume, disse que a missão está muito preocupada com a situação fiscal do país nos aspectos relacionados a arrecadação de receitas e racionalização da despesa publica, massa salarial, dívida pública, e outros pagamentos em atraso”, e por isso mostra total disponibilidade em continuar a trabalhar como novo Governo de Moçambique nestes assuntos.
Por seu turno a Ministra das Finanças fez menção aos progressos alcançados até ao momento, com quatro avaliações bem-sucedidas e desembolsos acumulados de 330 milhões de dólares.
“Este programa, no valor total de 470 milhões de dólares, tem sido um pilar essencial para a estabilidade macroeconômica do nosso país”, referiu a dirigente para de seguida reiterar o compromisso de continuar a trabalhar com o FMI e outros parceiros internacionais, assegurando uma abordagem focada na consolidação fiscal, crescimento económico e o bem-estar social.
“O cumprimento dos compromissos assumidos continua a ser uma prioridade, e o Governo tomará todas as medidas necessárias para garantir a confiança dos nossos parceiros e a resiliência da economia moçambicana” , acrescentou.
A vinda do FMI ao País visava compreender melhor a situação actual e discutir a possibilidade de ajudar o País neste novo ciclo de governação 2025-2029.
A META DO PIB TAMBÉM FALHOU EM 2024
A economia moçambicana cresceu apenas 1,9% em 2024, e a queda é justificada pelos impactos das manifestações e protestos pós-eleitorais no país, de acordo com as declarações da ministra das Finanças, Carlas Louveira, falando há dias no lançamento da Linha de Crédito para recuperação pós protestos.
“Estas ações violentas contra ativos públicos e privados impactou negativamente na taxa de crescimento económico, tendo-se situado em 1,9% em 2024, contra os 5,5% que haviam sido programados para este ano de 2024, e 5,4% observado no período homólogo de 2023”.
A ministra também associou a queda ao impacto dos choques climáticos, com destaque para a tempestade tropical severa Filipo, que provocou chuvas intensas, cheias e inundações em algumas cidades e vilas, sobretudo na zona sul.
As palavras da ministra fazem jus ao balanço do Plano Económico e Social referente ao último trimestre de 2024, que descrevem que “a economia moçambicana caiu 4,87% só no quarto trimestre de 2024, em termos homólogos, período marcado pela contestação pós-eleitoral no país”.
Segundo o documento, o Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) apresentou uma variação negativa de 4,87% no quarto trimestre de 2024, quando comparado ao mesmo período do ano 2023″,