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O País – A verdade como notícia

O Governo de Moçambique definiu a área de infra-estruturas como uma das prioridades para o quinquénio 2015-2019. Para este ano, o executivo injectou cerca de 7 mil milhões de meticais para reabilitação de estradas, valor que o Fundo de Estradas considera muito pouco para alcançar as metas definidas.

O Presidente do fundo de Estradas, Ângelo Macuácua, diz que as infra-estruturas rodoviárias são de custo elevado, e “sem uma manutenção adequada e bem planificada, o país pode vir a pagar mais caro ainda pela sua reabilitação”.

Neste momento, o Fundo de Estradas está a mobilizar parceiros, empresas e outras formas de contribuição como “taxas de portagens, taxas de combustível e rodoviárias”, para arrecadação de fundos para cobrir reabilitação de estradas.

A informação foi avançada esta quinta-feira em Maputo na terceira reunião do Comité Executivo da Associação dos Fundos de Manutenção de Estradas de África, evento que conta com a participação de Namíbia, Zâmbia, Quénia, Etiópia, Camarões, Costa de Marfim e República Centro Africana

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) está desenhar um plano de investimentos para a operacionalização do Plano Director de Redução do Risco de Desastres 2017-2030.

O Governo aprovou em 2017 o Plano Director para a Redução do Risco de Desastres, um instrumento multissectorial que vai vigorar até 2030. Na manhã desta quinta-feira, o INGC reuniu-se para desenhar estratégias que vão permitir a operacionalização do plano director.

Sem adiantar em quanto está orçado o plano, Augusta Maíta falou de diversas fontes de financiamento, além do Estado.

O INGC diz que o desenho do plano de investimento para o Plano Director de Redução do Risco de Desastres 2017-2030 surge numa boa altura e que estará alinhado ao Plano Quinquenal do Governo.

 

A empresa italiana, Syrah Resources, vai fornecer grafite extraído em Moçambique a empresa chinesa, Qingdao Taida-Huarun New Energy Technology Co.Ltd.

De acordo com o comunicado da Syrah Resources citado pelo Macauhub o contrato entra imediatamente em vigor e irá fornecer 20 mil toneladas de grafite a extrair na mina de Balama, até 31 de Agosto de 2019.

“Todos os restantes pormenores deste contrato de compra e venda são confidenciais”, pode ler-se na nota divulgada.

A empresa chinesa desenvolve e fabrica produtos à base de carbono, incluindo esferas de grafite para a produção de baterias.

A Syrah Resources está envolvida num projecto de extracção de grafite em Balama, Cabo Delgado, norte de Moçambique, que desde o início da exploração e processamento em Novembro de 2017 produziu mais de 160 mil toneladas de grafite, grande parte da qual foi já exportada através do porto de Nacala, na província de Nampula.

A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) vai adquirir até o final deste ano dois rebocadores de maior capacidade para facultar as manobras de navios no porto da Beira, em Sofala.

O porto da Beira regista passos importantes na sua consolidação como um dos gigantes da região. Um desses passos foi dado com a aquisição de dois rebocadores para manobras de navios naquele porto.

Os rebocadores valem 16 milhões de dólares norte americanos, de acordo com informações reveladas hoje, pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) dos CFM, Miguel Matabel, no workshop sobre a viabilização do porto da Beira na distribuição de combustíveis para a região da SADC.

“Vamos nos capacitar, vamos adquirir uma lancha de pilotos para agilizar tudo isto e assegurar que barcos de maior calada, de mais carga, mais combustível possam chegar até ao porto da Beira”, disse.

Por seu turno, o ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, disse que o workshop decorreu numa altura oportuna porque dentro de dias haverá assinatura de acordo da expansão do porto da Beira e a Cornelder, concessionária dos portos moçambicanos da Beira e de Quelimane, no centro do país.

O governante assegurou que “o país não vai perder clientes por causa dos desvios de combustível” porque, segundo ele, a percentagem do roubo é muito inferior, que não chega a um por cento.

“Não pode entrar nos cálculos do Governo, isto é coisa para combater e eliminar, simplesmente, não há outra alternativa”, sublinhou.

 

O Comité para o Jubileu da Dívida (CJD) diz que os princípios de acordo entre o Governo moçambicano e parte dos detentores de títulos da dívida pública podem vir a sair caro para o país.

Um dia depois do Executivo de Maputo ter anunciado que chegou a acordo com parte dos detentores da dívida pública moçambicana, retomando os pagamentos em 2019 e entregando 5% das receitas fiscais do gás natural até 2033, o Comité para o Jubileu da Dívida descreve um cenário negativo para o país. Na opinião do economista-sénior do CJD, Tim Jones, o acordo sobre a dívida em Moçambique pode custar mais caro, ou seja, “centenas de milhões de dólares a mais do que o empréstimo original”.

“O povo moçambicano não devia ter de pagar estas dívidas injustas”, disse Jones à Lusa, lembrando que “os empréstimos que foram originalmente concedidos foram dados sem o acordo do Parlamento, a uma empresa sem receitas e não beneficiaram os moçambicanos”.

Nessa perspectiva de “não pagamento”, o CJD defende que devem ser os bancos que emprestaram o dinheiro a assumir a responsabilidade, uma vez que, por um lado, não foram feitas as diligências necessárias para aferir da capacidade financeira da entidade que recebeu as verbas e, por outro, a Assembleia da República (AR) não ractificou os empréstimos.

Refira-se, o acordo de princípio anunciado pelo Ministério da Economia e Finanças, no site oficial, prevê a troca dos actuais títulos por uma nova emissão de dívida soberana, no valor de 900 milhões de dólares, e por um instrumento de valorização, que na prática reserva 5% das receitas fiscais provenientes do gás natural nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, até ao limite de 500 milhões de dólares.

“O acordo de princípio alcançado pelas partes, e o apoio dos detentores dos títulos para a reestruturação da dívida, está condicionado ao acordo entre as partes sobre a documentação mutuamente satisfatória, definindo os termos detalhados da reestruturação, incluindo a implementação, e a obtenção pelo ministério de todas as aprovações parlamentares e governamentais necessárias em Moçambique”, lê-se no comunicado.

Acrescentando, que “a reestruturação será provavelmente implementada por meio de uma solicitação de consentimento e oferta para a troca de títulos, que será lançada pelo ministério assim que possível, provavelmente no início de 2019”.

Assim, os detentores de títulos de dívida pública no valor de 725 milhões de dólares serão “convidados a trocar os títulos existentes por dois novos instrumentos representativos de obrigações seniores não garantidas da República de Moçambique”, sendo o primeiro uma nova emissão de títulos de dívida e o segundo “uma série de instrumentos de valorização (‘VRIs’), associados às receitas fiscais dos projectos de gás da Área 1 e Área 4 em Moçambique”.

Os novos títulos, explica-se no comunicado, terão um valor nominal de 900 milhões de dólares, com maturidade a 30 de Setembro de 2033 e um cupão de 5,875%, considerando a taxa de 4% seja paga em dinheiro e 1,875% pagável através de capitalização até (e incluindo em) 30 de Setembro de 2023, com 5,875% pagáveis em dinheiro posteriormente.

O primeiro pagamento dos juros semestrais ocorrerá já em Março de 2019, e depois em Setembro, e o capital será pago em cinco parcelas anuais iguais, de 2029 a 2033.

 

Uma missão de técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) encontra-se em Maputo, desde esta terça-feira, para mais uma ronda de supervisão do país. O staff desta instituição financeira internacional fará uma visita de duas semanas.

Oficialmente é desconhecida a agenda do FMI, mas fonte segura dos escritórios desta instituição da Bretton Woods na capital moçambicana, adiantou ao “O País” que a agenda da visita é para analisar os recentes desenvolvimentos alcançados em Moçambique.

A vinda da missão desta instituição financeira internacional à Maputo acontece numa altura em que o país experimenta novos “sopros suáveis” nos principais indicadores macroeconómicos, ou seja, crescimento gradual da economia.

Só para ilustrar os sinais de recuperação económica do país, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,4 por cento de Janeiro a Setembro do corrente ano, apesar das chuvas acima do normal que caíram no primeiro trimestre e que afectaram a execução do Orçamento do Estado (OE), sobretudo na agricultura.

Recorda-se, que a anterior vinda de uma equipa do corpo técnico do Fundo Monetário Internacional foi entre Julho e Agosto de 2018, numa missão chefiada por Ricardo Velloso, que visava proporcionar contribuições para a elaboração do Orçamento do Estado (OE) do próximo ano.

Na altura, o FMI recomendou a eliminação das isenções do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), excepto para os bens da cesta básica e o fortalecimento da administração deste imposto. Do lado da despesa, a missão aconselhou a redução do tamanho da folha salarial como percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) através de aumentos salariais moderados, particularmente para as camadas melhor remuneradas do sector público.

A missão do Fundo Monetário Internacional realçou também a importância de continuar a limitar outros itens da despesa através de uma melhor priorização, incluindo despesas de investimento público.

Face ao endividamento público, o FMI encorajou o Executivo de Maputo a recorrer, na medida máxima possível, ao financiamento externo por donativos e crédito altamente concecional, assegurando ao mesmo tempo, que a emissão de garantias da dívida siga estritamente os novos procedimentos de aprovação mais rigorosos estabelecidos em Dezembro de 2017.

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, José Pacheco, disse que Moçambique pretende exportar açúcar para Angola, Pacheco não adiantou qual seria o modela adoptado para a exportação.

O ministro disse que Moçambique tem um excedente de açúcar e que as equipas técnicas de Moçambique e Angola vão tratar sobre as questões logísticas e o preço e que “a ser viável, possamos iniciar a cooperação neste ponto”, disse Pacheco, escreve o Macauhub.

O chefe da diplomacia moçambicana falava momentos após um encontro, em Maputo, com o seu homólogo angolano, Manuel Domingos Augusto, que sexta-feira iniciou uma visita de trabalho de três dias a Moçambique.

Além do comércio, acrescentou José Pacheco citado pela agência noticiosa Lusa, Moçambique pretende beneficiar da experiência de Angola no que diz respeito à indústria extractiva.

“Angola tem muita experiência na área de hidrocarbonetos, pretendendo nós dela beneficiar, tendo em conta que a indústria extractiva em Moçambique tem estado a conhecer um desenvolvimento rápido”, acrescentou José Pacheco.

O governo moçambicano chegou a um acordo de princípios com quatro instituições detentoras dos títulos da chamada “dívida oculta”, contraída com aval do Estado, para financiar a criação das empresas EMATUM, MAM e ProIndicus.

O acordo anunciado pelo Ministério da Economia e Finanças, através de um comunicado divulgado no seu site oficial, define novos termos da reestruturação de USD 726.524.000 que deviam ser pagos até o ano 2023, a uma taxa de juro de 10.5%.

Os termos acordados determinam a extensão do período de pagamento da dívida para mais 10 anos, ou seja, a maturidade passa de 2023 para 2033.

Para o efeito, o governo compromete-se a emitir, no início do próximo ano, “novos títulos da dívida” e “uma série de instrumentos de valorização” que estarão associados a receitas fiscais dos projectos de gás da bacia do Rovuma.

Os novos títulos terão um valor nominal de 900 milhões de dólares, que deverão ser trocados pelos actualmente detidos pelos credores.

A partir do primeiro trimestre do próximo ano, o governo promete retomar o pagamento dos juros, equivalentes a 6% da dívida.

A partir de 2029 prevê iniciar o pagamento anual do capital, aplicando para o efeito, 5,0% da receita fiscal de projectos de gás natural de Área 1e 4 da bacia do Rovuma.

Os credores com os quais o governo fechou este acordo representam 60% dos detentores dos títulos da dívida soberana, faltando chegar a entendimento com os restantes, que detém a maioria do valor absoluto em dívida.

A formalização do acordo está agora “está condicionada ao acordo entre as partes sobre a documentação mutuamente satisfatória definindo os termos detalhados da reestruturação, incluindo a implementação, e a obtenção pelo Ministério de todas aprovações parlamentares e governamentais necessárias em Moçambique” salienta o comunicado.

O Estado deve ao sector privado cerca de 29 biliões de meticais, grande parte desse valor é absorvido pelas empresas do ramo de construção civil, que no momento suspiram de alívio, porque há  promessa de pagamento de 17% do montante, até finais deste ano.

O Governo anunciou em Outubro passado, o início de pagamentos em atrasos da dívida com o sector privado relacionada com o fornecimento de bens e serviços. Na altura, o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, fez saber que o maior stock da dívida era com empresas de construção civil, cuja sua maioria se encontra em situação de falência iminente.

Em exclusivo a nossa reportagem, a Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) confirmou o pagamento das dívidas.

"Já há bons sinais. As empresas de construção civil já começaram a receber os valores da parte da dívida. Isso está a dar um novo fôlego ao sector", disse Bento Machaila, vice-presidente da FME.

Acrescentando, que apesar desses pagamentos, debatem-se com outras questões de tesouraria no seio da agremiação, ou seja, falta de pagamento de cotas por parte de algumas das 150 construtoras filiadas à Federação Moçambicana de Empreiteiros.

Recorda-se, que a referida dívida foi contraída ao longo da última década. A mesma (dívida) resulta da facturação do fornecimento de bens e prestação de serviços no período compreendido entre 2009 até ao primeiro semestre de 2018.

Neste momento, a preocupação do sector privado prende-se com o facto de cerca de nove biliões da facturação não ter, até aqui, autorização de pagamento (visto) do Tribunal Administrativo (TA), ou seja, o Estado não assumiu essa dívida.

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