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O País – A verdade como notícia

Depois das cidades de Pemba, Nampula e Tete, coube nesta sexta-feira, a cidade da Beira, acolher um seminário de oportunidade de negócios  para que as empresas moçambicanas possam ter informação daquilo que serão os concursos que serão no âmbito da construção da fábrica do processamento do gás natural liquefeito na bacia do Rovuma.

Para o  presidente do conselho empresarial provincial de Sofala,  este seminário abre boas perspectivas no futuro dos empresários locais.

O governador  de Sofala que orientou a abertura deste seminário, indicou que abre-se assim uma grande oportunidade de negócio para os empresários nacionais.

Refira-se que as grandes oportunidades de negócios para as empresas moçambicanas estarão na área de construção, de fornecimento de equipamentos e de bens alimentares.
 

A empresa norte-americana, Exxon Mobil, inicia, em Outubro próximo, os trabalhos de e pesquisa e prospecção de hidrocarbonetos, em Angoche, na província de Nampula.

Segundo a AIM, que cita a rádio pública, foi possível apurar, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, que já estão criadas todas as condições para o início destas actividades.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, reuniu-se com representantes daquela empresa, à margem da 73ª sessão da Assembleia-geral das Nações Unidas. Ainda de acordo com a AIM, foi no referido encontro que os representantes da Exxon Mobil reafirmaram o interesse de explorar hidrocarbonetos eventualmente existentes em Angoche.

O Chefe do Estado moçambicano e os representantes da empresa norte-americana não prestaram declarações à imprensa mas deixaram claro que o encontro entre as partes foi produtivo.

A participação da petrolífera norte-americana Exxon Mobil na exploração de gás natural em Moçambique iniciou, no ano passado, com a compra da participação da ENI na Bacia do Rovuma. Na altura, o Governo considerou que a participação da empresa era um passo para permitir o uso da grande competência técnica, além de tirar partido da robustez financeira da Exxon Mobil no projecto.

O Estado moçambicano arrecadou mais de 350 milhões de dólares norte-americanos decorrentes da tributação das mais-valias da transação entre a Exxon Mobil e a ENI.

O Instituto Nacional de Turismo (Inatur) de Moçambique está à procura de parceiros interessados em investir 365 milhões de dólares no projecto turístico das ilhas Crusse e Jamali, no distrito de Mossuril, província de Nampula, segundo fonte oficial, citada pelo Macauhub.

O director-geral da sociedade Mozaico do índigo, Felizardo da Costa, citado pelo jornal Notícias disse que o projecto contempla a construção de estâncias turísticas de classe mundial.

Da Costa informou ainda que os projectos em carteira incluem a exploração das potencialidades existentes na região norte do país, como a Reserva do Niassa, Ilha de Moçambique, ilhas Crusse e Jamali, lago Niassa, arquipélago das Quirimbas, cidades de Pemba, Nacala e Nampula.

A Mozaico do Índigo foi constituída em 2009, com participações de 51% do Inatur em 51% e de 49% do Instituto de Gestão de Participações do Estado, assumindo-se como o parceiro de entidades privadas e públicas no desenvolvimento das áreas de potencial turístico.

 

A Galp diz que as autoridades moçambicanas e os investidores devem ser competentes para que Moçambique se torne competitivo no mercado global de gás. O CEO da empresa revela ainda que o projecto de gás liderado pela Eni que arranca em 2022 começa a operar em pleno em 2023.

Em exclusivo ao “O País”, o Presidente Executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, falou das expectativas da empresa relativas ao projecto de gás, Coral Sul, no qual detém 10%, na Bacia do Rovuma, cuja decisão de investimento foi aprovada em 2017 e prevê-se que arranque em 2022.

Embora acredite que no final da próxima década Moçambique possa ser verdadeiramente um player à escala global, o CEO da empresa de capitais portugueses sublinha que tal só poderá acontecer se houver competência tanto das autoridades moçambicanas como dos investidores.

“Temos que ser competentes, todos, autoridades locais e aquilo que são os investidores para que possamos fazer de Moçambique verdadeiramente um player competitivo à escala global. Eu acredito que isso vai acontecer”, considera o CEO de Galp.

No que diz respeito a fases que seguem até atingir a produção plena de gás no projecto da Área 4, na bacia do Rovuma, consórcio liderado pela italiana Eni, Carlos Gomes da Silva esclarece o seguinte. “Normalmente temos um crescendo da produção até que ela atinja o patamar de funcionamento, o que acontece entre seis meses e um ano. Acreditamos que 2023 seja um ano de pleno funcionamento dessa primeira unidade”, refere o presidente executivo da Galp.

O CEO falava nesta quarta-feira à margem do Congresso Rio Oil and Gas, realizado no Rio de Janeiro, considerado o maior evento da indústria de petróleo e gás latino-americano.

À margem do evento, a nossa fonte disse ainda que Moçambique está numa posição geoestratégica excelente e geográfica equidistante das várias plataformas de consumo, seja ela, a plataforma continental americana, do Médio-Oriente/Europa, seja ainda do sudoeste asiático.

“Nós costumamos a dizer também que Moçambique é um novo Qatar e verdadeiramente concorrente na escala global”, afirmou.

A BP deverá comprar a totalidade do gás que deverá ser extraído na área 4 da Bacia do Rovuma numa primeira, entretanto, o consórcio liderado pela Eni está a trabalhar para chegar a um acordo com outros compradores para as próximas fases, revelou o Presidente Executivo da Galp.

Para a empresa portuguesa, a questão de venda de gás é um dos elementos importantes, ao lado da tecnologia a ser usada, ao lado do conceito de desenvolvimento, do financiamento e do quarto regulatório, daí que os investidores e reguladores concessionários estão todos empenhados para que o projecto seja implementado dentro de um tempo que seja o economicamente adequado.

Além da Galp, na área 4 da Bacia do Rovuma, a companhia italiana Eni detém 25% do consórcio, assim como a norte-americana Exxonmobil (25%), a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos é detentora de 10% e a sul-coreana Kogas também detém 10% e a chinesa CNODC (20%).

A operar no Brasil há 20 anos, actualmente, a Galp diz ter um dos projectos mais importantes daquele país e ocupar a terceira posição entre os operadores do sector de petróleos. Segundo o CEO, a experiência adquirida naquele país sul-americano será replicada em Moçambique.

“A Galp atingiu o marco histórico dos 100 milhões de barris de petróleo e gás produzidos no Brasil, onde tem vindo a consolidar a sua posição como 3ª maior produtora concessionária de petróleo e gás natural, através da sua subsidiária Petrogal Brasil”, informou a firma portuguesa.

Os 100 milhões de barris foram ultrapassados no segundo trimestre deste ano, período em que a Galp assinalou outro importante marco no país: a produção média superior a 100 mil barris diários de petróleo e gás no Campo Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, no Brasil.

A companhia petrolífera Anadarko já gastou cerca de 850 milhões de dólares norte americanos na compra de serviços e produtos das empresas nacionais e admite contratar mais de cinco mil pessoas na fase de construção da placa de processamento do Gás natural liquefeito no Rovuma. Esta informação foi revelada esta quarta-feira na cidade de Tete pelo representante da Anadarko durante o Seminário de Oportunidades Locais (SOL).
 
Trata-se de um evento organizado pela Anadarko com objectivo de partilhar informações sobre oportunidades que a companhia pode oferecer a empresas nacionais. Na ocasião,  o gestor de conteúdo local da anadarko para área 1, Benjamim Cavele, esclareceu que a petrolífera tem pautado por priorizar as empresas nacionais e mão-de-obra local no âmbito da sua responsabilidade de fortalecimentos de empresariado local.

“A Anadarko e seus parceiros irão alocar um valor de 2.5 mil milhões de dólares para empresas de propriedade moçambicana e empresas registadas em Moçambique”, disse Cavele.
 
Por sua vez o governador da província de Tete, Paulo Auade, destacou a importância do papel da anadarko e manifestou compromisso do governo na criação de políticas para melhorar as parcerias público-privado.
 
Depois da cidade de Tete esta sexta-feira será a cidade da Beira a acolher o Seminário de Oportunidades Locais.
 

Empresas brasileiras aguardam pelo arranque dos projectos de exploração de gás na Bacia do Rovuma para prestarem serviços aos mega-progectos. Elas estão interessadas em investir em áreas como engenharia civil, metrologia e certificação de conteúdo local.

Milhares de empresas participam da conferência Oïl and Gás Rio 2018, no Rio de Janeiro, Brasil. Algumas delas revelaram ao O País que estão interessadas em investir em Moçambique, estando apenas à espera do arranque da exploração do gás prevista para 2022.

Reconhecendo a importância do cumprimento da lei, principalmente no que se refere às políticas de conteúdo local no sector petrolífero, uma outra empresa pretende se instalar em Moçambique para prestar serviços de certificação do cumprimento de conteúdo local.

Com 37 anos no mercado brasileiro, a empresa Hirsa que fornece serviços e equipamentos tecnológicos que controlam a medição do petróleo, também tenciona entrar no país.

Para concretizar esse objectivo de operar em Moçambique, mas particularmente em Cabo Delgado, a Hirsa está a estudar em firmar parcerias com as empresas nacionais.

 

Empresários exigem transparência na implementação do Acordo de Facilitação do Comércio

Empresários exigem transparência na implementação do Acordo de Facilitação do Comércio no país. Para este grupo, falta clareza na fixação de taxas nas importações e exportações de mercadorias e bens.

A exigência surge depois de o Governo ter rubricado em 2016, o Acordo de Facilitação de Comércio, visando estabelecer boas práticas e regras comuns para comércio internacional.

Em representação do Governo, o director nacional do comércio externo, Amílcar Arone, diz que as altas taxas praticadas no comércio serão revistas.

Estudos apontam, que a plena implementação do Acordo de Facilitação do Comércio pode reduzir os custos do comércio numa média de 14,3%, com maior destaque para os países africanos.

Estima-se que até 2030, este acordo poderá ainda incrementar o crescimento mundial das exportações a uma média anual de 0,5% e o Produto Interno Bruto em mais de 0,5%.

 

Metical perdeu valor face ao Euro e Dólar norte-americano no fecho da semana passada, indica o Banco de Moçambique. Desde a segunda quinzena de Agosto passado, que a divisa moçambicana, face ao Euro, por exemplo, tem vindo a desvalorizar.

De acordo com a média das taxas de câmbio diárias divulgadas pelo Banco Central no site oficial, nos últimos sete dias, o Euro foi comprado, oficialmente a uma média de 70,40 meticais, ou seja, 1,09 meticais mais caro que na semana anterior, enquanto a venda foi feita em média a 71,80 meticais, mais 1,11 meticais a mais.

Em relação Dólar, o Banco Central indica que cada unidade da moeda norte-americana foi comprada em média, na semana passada, a 60,14 meticais, ou seja, 47 centavos mais cara que na semana anterior, enquanto a venda foi feita em média a 61,34 meticais, ou seja, 48 centavos a mais.

A moeda europeia encareceu em mais de 4,5 meticais, tanto do lado da compra como da venda.

Nos últimos tempos, o Banco de Moçambique tem vindo a adoptar novas políticas monetárias, com vista a estabilizar o câmbio e reduzir as taxas médias de juro de referência no mercado.

 

O Brasil alerta que é preciso ter clareza sobre o que se pretende com uma política de conteúdo local, para evitar a retração de investimentos. O país sul-americano teve que alterar várias vezes suas políticas de conteúdo local para torná-las mais simples, transparentes e atractivas, segundo Secretário de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil, Igor Calvet.

Com erros, o Brasil aprendeu e melhorou a sua política de conteúdo local, admite Igor Calvet. De 2005 a 2013, o país tinha uma política baseada em penalizações às empresas de exploração de petróleo e gás, mas desde 2016, a abordagem mudou, segundo o Secretário.

Calvet disse que outro grande erro cometido por Brasil é a fixação de percentagens altíssimas de conteúdo local. “Isso encarecia a actividade das companhias do ramo, daí que o país teve que cortar pela metade todas taxas, que em alguns casos chegavam a atingir 80 por cento”, disse.

A Falta de objectividade nos itens que compõem a política de conteúdo local é outro erro de palmatória, segundo a experiência do Brasil.

Igor diz que não existe uma única fórmula de política de conteúdo local válida para todos países. Mas numa altura em que Moçambique assina projectos importantes de gás e ainda discute a política de conteúdo nacional, a experiência de países como Brasil podem ser importantes.

 

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