O País – A verdade como notícia

Moçambique está a produzir 230 mil toneladas de feijão bóer por ano. Na segunda reunião sobre esta cultura decorrida sexta-feira em Quelimane os pequenos produtores queixaram-se dá baixa de preços de referência por quilo do feijão bóer.

Januário Francisco um pequeno produtor da província de Nampula explicou que se inicialmente o quilo de referência era de 30 meticais por aquilo em 2017 a situação foi contrária. O quilo chegou a custar cinco meticais prejudicando sobremaneira os produtores. Disse ainda que a situação melhorou ligeiramente a partir do mês de Outubro deste ano onde o preço do quilo subiu para doze meticais.

Atanásio Santos produtor da Zambézia tem fé que alguma coisa vai acontecer para subida do preço do feijão por forma a compensar os esforços dos produtores sobretudo nos custos de produção por hectare que se situam em nove mil meticais.  

Hassnein Taki, PCA do grupo Royal um dos grandes compradores do feijão bóer reconheceu que o produtor não ganhou nada pelo facto do bloqueio de exportação feito para Índia. Na sequência o feijão foi vendido para as indústrias de produção de rícino e não de alimentação, só para salvar os gastos feitos pelas empresas compradoras do feijão.

2017 não foi animador para os produtores do feijão bóer devido ao bloqueio de exportação para Índia o principal mercado. Sucede que a Índia teve uma superprodução na ordem de 3.8 milhões de toneladas de feijão bóer. As necessidades daquele país são de 2.6 toneladas o que coloca uma reserva alimentar de um milhão de toneladas.

Momed Valá Director-Geral do Instituto de Cereais de Moçambique reconhece os prejuízos que os produtores e às pressas acumularam devido ao bloqueio de exportação do feijão. "Comprometeu a expectativa e não a cota de exportação e encaixe ao nível do nosso tesouro que muito mais deveríamos ter contribuído. Ao invés de ganhar 400 milhões poderíamos chegar aos 800 milhões de dólares" disse avançando a necessidade de se conquistar outros mercados para evitar cenários de 2017.

Na reunião decorrida sexta-feira em Quelimane os intervenientes da cadeia de valor do feijão bóer acordaram um preço de referência do feijão bóer para 2019 na ordem de 18 a 24 meticais.

Empresários moçambicanos fazem balanço positivo do exercício económico de 2018. Contudo, apontam alguns pontos negativos que constituíram barreira no desenvolvimento de negócios.
 
Passando em revista o ano prestes a terminar, a classe empresarial moçambicana atribui nota positiva aos principais indicadores macroeconómicos, com destaque para a ligeira melhoria do país no ranking de Doing Business do Banco Mundial. Porém, nem tudo foi positivo.
 
“Ninguém  está satisfeito. A subida de Moçambique no ranking do Doing Business poderia ser maior ainda, a análise de dados mostra que das três variáveis avaliadas. Moçambique era a melhor qualificada de toda África Austral em 2012, na posição 30, de lá a esta parta Moçambique caiu 34 lugares”, Esclareceu o Presidente da CTA, Agostinho Vuma
 
Acerca da sobrecarga tributária Vuma disse que a neutralização da tendência dos diversos sectores do Estado em introduzir taxas que oneram ainda mais a actividade produtiva é a causa da neutralização da subida no doing business.
 
Para 2019, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique recomenda mais reformas para a facilitação de negócios.

No primeiro negócio, o Moza Banco adquire 100 por cento do capital do Banco Terra Moçambique. Em comunicado, o Presidente do Conselho de Administração do Moza Banco explica que a compra irá consolidar a estrutura financeira e patrimonial da instituição bancária.

Já o PCA do Banco Terra Moçambique considera que a transação representa uma oportunidade e cria a possibilidade de o banco estar mais próximo dos seus clientes.

Noutra operação, o Moza Banco aumentou o seu capital através da empresa chamada Arise, que passará a deter uma participação de 29.5 por cento na estrutura acionista do banco. Arise é uma empresa gestora de um fundo de investimento em África com parceiros na região subsaariana.

“A empresa foi fundada por três investidores fundamentais, nomeadamente, o Rabobank (banco de referência holandês), Norfund (um dos maiores fundos de investimento do mundo e de origem norueguesa e FMO (Fundo de Investimento holandês) ”, refere o comunicado.

Arise gere actualmente mais de 660 milhões de dólares em activos e opera em mais de 10 países. O negócio permitirá a Arise expandir os seus investimentos em Moçambique.

A empresa irlandesa Kibo Energy e a Electricidade de Moçambique (EDM) renovaram o memorando de entendimento para financiar e construir o projecto de Benga. A EDM está empenhada em prestar assistência necessária para o desenvolvimento do projecto, informa a Kibo Energy em comunicado, citado pelo Macauhub.

O projecto de Benga visa a construção, na província de Tete, de uma central térmica alimentada com uma capacidade de 150 a 300 megawatts.

De acordo com o Macauhub, o presidente-executivo da Kibo Energy, Louis Coetzee, afirma que “estamos a fazer grandes progressos em Moçambique com o desenvolvimento do projecto de Benga a avançar de acordo com o plano.”

A empresa decidiu alargar por um período de mais quatro meses, ou seja, até 30 de Março de 2019, o prazo limite para a confirmação final do acordo de desenvolvimento estratégico com a empresa chinesa de construção civil, SEPCO3, que estava previsto para 30 de Novembro de 2018.

O acordo assinado estabelecia que a SEPCO3 iria proceder a um investimento em duas fases no capital social da Kibo Energy, apoiando em simultâneo a estratégia e a posição no mercado africano da empresa irlandesa.

O custo de vida em Moçambique registou um agravamento em Novembro, face ao mês anterior. Neste período, a cidade de Nampula foi a mais cara do país, indica o Instituto Nacional de Estatística.
 
Com a quadra festiva à porta, os preços dos principais produtos básicos começam a registar subida nas principais cidades moçambicanas. Depois de um comportamento de desaceleração ao longo dos primeiros 10 meses deste ano, Novembro mostrou uma tendência contrária nos preços.
 
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, no mês passado os preços registaram uma subida de 0,27 por cento, mais 20 pontos percentuais em relação a Outubro.
 
Desagregando a inflação mensal por produto, destaca-se a subida dos preços do tomate, de peixe fresco, das refeições fora de casa, do coco, do detergente em pó e do arroz, que em conjunto concorreram para uma contribuição no total da inflação mensal de cerca de 0,30 pontos percentuais positivos.
 
Já o custo de vida por cidade, o INE refere que Nampula foi a mais cara do país, seguida da Beira e Maputo.
 
Em termos acumulados, ou seja, de Janeiro a Novembro deste ano, o país registou uma subida de preços na ordem de 3,14%, abaixo dos 4,5% do igual período de 2017.
 

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, reduziu a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) em 75 pontos base, para 14,25 por cento. Para além da taxa monetária o Comité Político decidiu, igualmente, reduzir em 75 pontos base as taxas da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) e da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) para 11,25% e 17,25%, respectivamente.

A confirmação da manutenção da inflação em um dígito está na origem da revisão em baixa da taxa MIMO.
 
“De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação mensal, medida pela variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Moçambique, foi de 0,27% em Novembro, após 0,07% no mês anterior. Tal traduziu-se numa inflação anual de 4,27% em Novembro, mantendo-se o abrandamento iniciado em Setembro de 2018, quando esta se situou em 4,89%. Esta descompressão foi favorecida pelo menor crescimento anual dos preços dos bens alimentares e dos combustíveis líquidos”, lê-se no comunicado enviado pelo Banco Central à nossa redacção.

O comunicado revela ainda que de acordo com os dados publicados pelo INE, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2 por cento no terceiro trimestre de 2018, impulsionado pelos sectores da indústria extractiva, agricultura e comércio.

Já a taxa de câmbio do metical face ao dólar dos EUA manteve uma tendência para depreciação, motivada pelo fortalecimento do dólar no mercado internacional.

Entretanto, o saldo das reservas internacionais brutas incrementou 70,8 milhões de dólares para 3,130,2 milhões de dólares em finais de Novembro. Por outro lado a taxa de juro média de crédito, para o prazo de um ano, reduziu de 23,25 por cento, em Setembro, para 22,79 por cento em Outubro. 

Quanto ao fluxo da dívida pública interna contraída com recurso a Bilhete do Tesouro aumentou, desde o último Comité Político, 3.759 milhões de meticais, passando o saldo para 112.016 milhões de meticais. 

O comunicado refere ainda que as condições actuais da economia moçambicana favorecem a projecção de uma inflação baixa e estável, em torno de um dígito, no curto e médio prazos.

A partir de Janeiro, a banca e outros credores passarão a contar com uma base centralizada de dados sobre informações financeiras de pessoas e empresas.

Não é de hoje que a banca e as instituições de microfinanças tem dificuldades de conceder financiamentos, e é ainda mais complicado quando os valores são elevados. A dificuldade é mais grave para os outros tipos de fornecedores, como telecomunicações, retalhistas, serviços de utilidade pública, seguros, entre outros.

Mas este é um problema que “tem os dias contados”, uma vez que a partir de Janeiro de 2019, os Bancos e Instituições de Microfinanças passam a compartilhar dados que possibilitarão o aumento do volume de empréstimos e melhorarão o acesso ao financiamento, com menor risco de crédito no mercado nacional.

Trata-se do arranque das actividades de um “Bureau de crédito“, que surge com a entrada no mercado nacional, da sul-africana Compuscan. “Basicamente recolhemos a base de dados de crédito de todo o sector, financeiro e não financeiro” explicou a Directora de Desenvolvimento de Negócio da Compuscan, Lara Cangi.

Ainda explicando a forma como funcionara a entidade, Lara Cangi disse que depois de recolhidos os dados de diversas empresas, “validam a informação e produzem relatórios de crédito”.

Esta última fase, a produção de relatórios, “possibilita que seja documentado o histórico de bom comportamento dos indivíduos, e eles terão acesso a mais crédito” explicou a directora acrescentando que “eles terão a possibilidade de ter os tempos de respostas sobre os créditos solicitados num curto espaço de tempo, o que motiva ao mercado a solicitar mais crédito”.

A Compuscan foi recentemente autorizada, como primeira agência de informação de crédito no país, mas até então, os relatórios eram feitos pelo Banco de Moçambique, que é a central de registo de crédito pública (também conhecido por Bureau de crédito pública).

“A informação que o Banco disponibiliza é baseada na informação da Banca comercial fechada aos números de bancos do país”, mas há indivíduos que também tem crédito nas instituições de microfinanças, cuja informação “não existe esta agregada”.

Este vazio em termos de informação poderá ser fechado “pelos relatórios da Compuscan, sem contar que com o tempo, a mesma pretende abranger todo sector de mercado” revela a Directora de Desenvolvimento de Negócios.   

A Compuscan chega quase três anos depois da criação da Lei que cria o Sistema de Informação de Crédito de Gestão Privada, e torna-se assim, a primeira agência de informação de crédito.

Criada há 24 anos, a Compuscan opera em nove países africanos, incluindo Moçambique.

Ao longo da última década, mais de 500 Pequenas e Médias Empresas (PME) moçambicanas foram contratadas pela petroquímica sul-africana, Sasol, para prestação de serviços diversos.

Quinhentas e quarenta PME moçambicanas forneceram, ao longo dos últimos 10 anos, algum serviço à petroquímica sul-africana, Sasol, que opera no mercado da chamada ‘’Pérola do Índico’’ desde 2006. Os serviços fornecidos pelas empresas nacionais incluem, a manufactura, Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), segurança, saúde, ambiente, mecânica, transporte, Riscos e Qualidade (SHERQ) e consumíveis gerais, apurou "O País" junto dos escritórios da Sasol em Maputo.

Em termos de custos, consta que esta multinacional sul-africana já aplicou 66 milhões de dólares em PME, correspondente a 30% do custo total de USD 220 milhões de USD em fornecedores locais. O objectivo da estratégia de conteúdo local da Sasol é de criar capacidade local e desenvolver fornecedores bem-sucedidos que possam impulsionar a criação de emprego e fornecer uma vasta gama de bens, serviços e habilidades nos padrões internacionais do sector de petróleo e gás.

É nessa perspectiva, que esta multinacional iniciou um programa piloto com 17 empresas e fornecedores locais para o desenvolvimento em certas áreas chave de capacitação. Refira-se, que a Sasol anunciou em Maio deste ano, o desembolso de 100 milhões de dólares anuais, para a compra de bens e serviços nas Pequenas e Médias Empresas moçambicanas. Na altura foi assinado um acordo de cooperação entre a petroquímica e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

O acordo visa permitir desenvolver acções que irão concorrer para facilitar a participação das entidades moçambicanas nas oportunidades de negócios nos projectos de hidrocarbonetos operados pela Sasol no país. Com os grandes investimentos da indústria de petróleo e gás natural previstos para o próximo ano, a gigante sul-africana já disponibilizou 127 oportunidades de negócios para garantir a participação das PME moçambicanas.

Refira-se, que nos próximos anos, está previsto o desenvolvimento de projectos de gás natural na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, por consórcios liderados pelas companhias norte-americana Anadarko e a italiana ENI, após a descoberta de grandes reservas na região.

Os analistas da Economist Intelligence Unit (EIU) fazem uma avaliação pessimista da restruturação do crédito soberano de Moçambique. Para este grupo, o acordo com detentores dos títulos da dívida da MAM e ProIndicus está "muito distante".

"Mesmo que o Governo tenha chegado a acordo com os credores da dívida da EMATUM (que representam 60% da dívida total), o entendimento com os detentores de títulos da dívida da MAM e ProIndicus ainda está muito distante do alcance", escrevem os analistas da EIU, na sua mais recente avaliação sobre o risco de crédito soberano de Moçambique.

Acrescentando, que "os caminhos de financiamento continuam severamente restritos", uma vez que estas questões não estão resolvidas. Sobre as perspectivas macroeconómicas, a Economist Intelligence Unit prevê que Moçambique cresça “apenas 3,4%” no próximo ano, acelerando para 4,5% entre 2020 e 2022, com fraco desempenho em vários sectores da economia.

"Esperamos que o desempenho económico permaneça lento, com o PIB real (Produto Interno Bruto) crescendo apenas 3,4%", referem os especialistas da unidade de análise económica da EIU. Esta previsão é uma revisão em baixa das projecções do Executivo de Maputo para 2019, que fixou em 4,7%, o nível de crescimento do PIB.

O grupo realça ainda, que o acesso limitado ao financiamento pelos agricultores continuará a travar o crescimento no sector agrícola e uma queda nos preços do carvão vai ser um obstáculo ao aumento produção mineira, um dos principais vectores da economia.

Por outro lado, acrescentam, as dificuldades financeiras do Governo e os atrasos nos pagamentos aos fornecedores continuarão a "penalizar fortemente o sector bancário, bem como a minar a confiança do investidor".

Bons sinais à vista. Apesar desses choques macroeconómicos, a partir de 2023, a EIU diz que a imagem vai mudar com o início da produção e exportação de gás natural.

“Isso dará gás à economia que, até o final do período em análise (2023) deverá crescer 7,5%”, concluem.

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