Já no segundo dia da formação e engajamento da media em assuntos de tributação, os jornalistas continuaram a reflectir à volta do seu papel no alargamento da base tributária em cada um dos países africanos. Entretanto nesta sessão focaram-se nas dificuldades que encontram no seu trabalho.
Os profissionais da comunicação social dos mais de 20 países presentes no evento convergiam na ideia de que os jornalistas precisam de ter uma maior noção dos assuntos que escrevem, especialmente a tributação. Mas isso só vai acontecer se se apostar na especialização dos mesmos.
Ou seja, a falta de conhecimento profundo sobre a tributação faz com que os jornalistas escrevam histórias que não causam impacto nas pessoas, porque eles sequer sabem como humanizar. “Eles não entendem os números que vêm nos relatórios”, como disse o jornalista liberiano Kaihenneh Sengbeh, falando em representação de países falantes de língua inglesa.
Sengbeh diz que um dos maiores desafios é que as próprias autoridades tributárias trazem informações complicadas sem nenhuma explicação sobre o significado de cada elemento destes documentos.
“Os jornalistas não podem ser bons a tudo, eles não podem escrever sobre tudo que aparece na pauta”, explicou o representante da delegação moçambicana, Peter Ndlate, acrescentando que só um jornalista inteirado nas matérias é que pode ter uma capacidade de fazer o seguimento (follow up) “profundo” dos assuntos: nomeadamente fiscalizar as actividades do Governo com dinheiro dos impostos, assim como educar as pessoas sobre a tributação.
Outra dificuldade encontrada pelos jornalistas no terreno é a questão da censura interna e externa quando o assunto são os impostos.
“Os media são, antes de tudo, empresas e têm como objectivo o lucro e eles estão susceptíveis a cometer erros fiscais. Numa situação dessas, há tendência de se cortar a matéria”, explicou Mildred Chama, falando da questão da censura.
Uma ideia que veio a ser reforçada pela delegação moçambicana diz que “muitas vezes quando o assunto toca a uma falha do Governo dificilmente há abertura para que possamos publicar".

