O País – A verdade como notícia

O Director-geral da Agência de Promoção de Investimentos e Exportações, Lourenço Sambo, diz que os produtos agrícolas de Moçambique não estão a ser elegíveis para exportação por falta de capacidade para a sua certificação dentro do país.

Sambo falava, hoje, num encontro dedicado à exportação de produtos agrícolas de Moçambique para os países do Médio Oriente, organizado pela Câmara de Comércio de Dubai.

Lourenço Sambo diz que nem para Dubai nem para nenhum outro mercado exigente Moçambique estaria em condições de exportar os seus produtos agrícolas e pecuários.

Na visão do dirigente da instituição responsável por facilitar as exportações, o país deve começar a olhar com muita seriedade para a certificação dos produtos agrícolas, incluindo os da pecuária.

“Estamos agora com um dilema: estamos a produzir a macadâmia em Sussundenga, em Niassa e aqui em Maputo, mas não temos capacidade de certificação. Sussundenga o que faz é levar o produto para a África do Sul, lá é certificado e é  considerado Made in South Africa. Então é isso tudo que temos de olhar”, explicou Sambo, acrescentando que “mercados como o Médio Oriente são exigentes, tão exigentes quanto nós. Não podemos comer qualquer coisa que não saibamos da sua proveniência”.

Sambo diz mais, Moçambique deve começar a fazer a agricultura do terreno e não dos escritórios, como tem vindo a acontecer actualmente. “Nós aqui em Moçambique fazemos muita agricultura no Ministério, nas direcções provinciais, mas não é aí, a agricultura é feita no campo e também vive da especialização”, concluiu.

Para já, Dubai já identificou alguns produtos existentes em Moçambique e que, a ser potencializada a sua produção, poderia importar com em maiores quantidades do que já o faz agora, principalmente tendo em conta que os países do Médio Oriente  praticamente não praticam agricultura por serem de uma zona desértica.

“Neste momento temos, por exemplo, a castanha de cajú, a ervilha, o feijão e a banana como os produtos que Moçambique mais exporta para Dubai”, revelou Abdulla Momade, em representação da Câmara de Comércio de Dubai.

O Inquérito aos Orçamentos Familiares (IOF 2019/20) arranca em Outubro próximo, e está orçado em cinco milhões de dólares, metade do valor gasto no levantamento anterior.

Trata-se de uma actividade que tem como objectivo principal, recolher informação respeitante as receitas e despesas dos agregados familiares e outras características socioeconómicas. O objectivo final é obter vários indicadores sobre as condições de vida dos agregados familiares em Moçambique.

O IOF irá abranger um total de 13.560 agregados familiares, sendo 7.152 na zona urbana e 6.408 na zona rural, numa amostra que foi desenhada para ser representativa a nível nacional, provincial e áreas de residência urbano-rural, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Espera-se igualmente que através do IOF seja possível a disponibilização de base para a actualização da estrutura e características de consumo dos agregados familiares, elementos essenciais para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

Outros indicadores a serem incorporados neste inquérito que leva um ano, serão a obtenção de informação actualizada dos agregados familiares sobre habitação, posse de bens duráveis, saúde, emprego, educação e turismo.

Integrado nos preparativos deste levantamento, teve lugar esta segunda-feira, um seminário de auscultação aos usuários, com a finalidade de recolher subsídios para enriquecer os instrumentos que serão utilizados na recolha de dados.

Esta terça-feira, arranca uma acção de formação dos inquiridores, que terão a missão de realizar o inquérito piloto, durante o próximo mês de Julho. A recolha de dados do inquérito principal está agendada para 21 de Outubro de 2019 à 20 de Outubro de 2020.

Refira-se que os últimos quatro Inquéritos aos Orçamentos Familiares realizados entre 1996 e 2015 custaram cerca de 21 milhões de dólares.

 

A parceria entre o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) e o Standard Bank, desde 2008, já resultou no financiamento conjunto de mais de quatro biliões de dólares norte-americanos em projectos económicos nos sectores de telecomunicações, agricultura, turismo, entre outros continente africano, incluindo Moçambique.

O facto foi revelado pelo administrador delegado do Standard Bank em Moçambique, Chuma Nwokocha, à margem de um workshop, promovido em Maputo, por esta instituição bancária, sob o lema “Elevando a parceria China-África a novos patamares”.

O encontro, que envolveu empresários chineses e moçambicanos, enquadra-se na visita da comitiva do ICBC, liderada por Hu Hao, vice-presidente deste banco chinês a Moçambique, para estabelecer contactos com o Standard Bank, empresários chineses e líderes de 20 empresas nacionais estratégicas entre as quais a Electricidade de Moçambique (EDM), a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

O ICBC e o Standard Bank, têm representações em mais de 40 países no mundo, incluindo o continente africano: “São poucos os bancos no mundo com esta cobertura territorial e em produtos e serviços. O ICBC tem mais de 16 mil balcões, sendo que em África este banco realiza as suas transacções, através do Standard Bank”, frisou Chuma Nwokocha.

O Banco Industrial e Comercial da China detém 20 por cento do Grupo Standard Bank, uma parceria que torna o investimento chinês em Moçambique mais cómodo e fácil, dada à experiência de ambas as instituições.

Para Chuma Nwokocha, a parceria com o ICBC vai alavancar ainda mais a contribuição do Standard Bank no desenvolvimento de Moçambique, onde tem estado a financiar muitos projectos de desenvolvimento. 

No sector do petróleo e gás, os dois bancos investiram, aproximadamente, 8 biliões de dólares norte-americanos na construção da Plataforma Flutuante de Gás Natural Liquefeito (FLNG), em Palma, na província de Cabo Delgado.

“Sabemos que a China é um dos maiores financiadores de projectos em Moçambique e, deste modo, o Standard Bank está melhor posicionado, através da sua capacidade, expertise e conhecimento profundo do mercado, para trazer o potencial do ICBC a Moçambique”, indicou o administrador delegado.

De acordo com o executivo sénior e vice-presidente do ICBC, Dr. Hu Hao, “nos últimos anos, os países têm aprofundado as relações em várias vertentes e inúmeros sectores. Em 2018, a China passou a ser o principal investidor em Moçambique com um investimento acumulado de mais de 7 biliões de dólares norte-americanos nos sectores de infra-estrutura, agricultura, telecomunicações, mineração, entre outros. O número de empresas chinesas interessadas em investir em Moçambique aumentou significativamente”.

 

 

Um mês depois do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter cortado o crescimento do Produto Interno (PIB) de Moçambique para 1.8%, o Banco Mundial seguiu a mesma linha, ao rever o nível de incremento da economia para 2%, menos 1,5 pontos percentuais que a previsão de Janeiro.

“A região do sudeste da África foi atingida por dois devastadores ciclones tropicais, Idai e Kenneth, em Março e Abril deste ano, que tiveram forte impacto na vida humana e causaram sérios danos à infra-estrutura social e económica das Ilhas Comores, Malawi, Zimbabwe e, em particular, Moçambique ”, escreveram os analistas no relatório “World Economic Forecasts”, publicado semana passada, em Washington.

“As importações de bens de capital relacionados aos grandes projectos de investimento em infra-estrutura têm contribuído para o crescimento dos déficits orçamentais em alguns países da região”, refere o Banco Mundial.

No caso de Moçambique, “o déficit aumentará ainda mais durante os efeitos dos ciclones devido ao enfraquecimento das exportações de materiais agrícolas e às altas importações de material de reconstrução e ajuda”.

Os analistas económicos desta instituição financeira internacional, apontaram que a pressão relacionada à realização de eleições gerais de Outubro próximo, não ajuda a situação financeira do país, que, assim como outros países, está em dificuldades financeiras que podem ser aumentadas devido a vários desenvolvimentos.

No relatório, os economistas do Banco Mundial reduziram a previsão de crescimento da África Subsaariana para 2,9% neste ano, destacando as preocupações com o aumento da dívida pública, a desaceleração dos principais parceiros e dificuldades de financiamento.

Para 2020, o Banco Mundial prevê um crescimento de 3,3% na África Subsaariana, assumindo que o sentimento dos investidores melhorará em algumas das principais economias da região, que a produção de petróleo se recuperará nos grandes exportadores e que o crescimento robusto das economias da região, que consomem menos recursos, será apoiado por uma produção agrícola forte contínua e investimento público sustentado.

 

 

 

O crescimento da cidade de Palma, na província de Cabo Delgado, com os recentes projectos de investimento na área do gás, está a preocupar as organizações ambientalistas, que antevêem uma devastação da natureza caso não se observe um planeamento adequado.

Anabela Rodrigues, Directora Nacional da WWF, defende que deve haver um equilíbrio entre a promoção da urbanização de Palma e a conservação da natureza.

Estas constatações surgem de uma avaliação dos planos de edificação da cidade de Palma, feito pela Universidade de Columbia de Nova Iorque, numa perspectiva de maior resiliência às mudanças climáticas.

Os problemas da natureza são uma preocupação mundial, pelo que diversas organizações ligadas ao ambiente estão a organizar um movimento com vista a persuadir os governos e lideres mundiais a alcançarem um acordo sobre a natureza, explicou Anabela Rodrigues.

Ainda neste contexto, está agendado para 202, uma série de conferências a nível do clima e da biodiversidade, com vista ao alcance do acordo sobre a natureza.

 

 

A Anadarko contratou três empresas para o fornecimento de serviços no projecto de gás natural liquefeito na Área 1 da Bacia do Rovuma.
São as primeiras contratações no âmbito da exploração do gás natural liquefeito na Área 1 da Bacia do Rovuma. Trata-se da joint-venture constituída pelos grupos McDermott, Saipem e Chiyoda. A primeira parcela do contrato representa dois mil milhões de dólares.

De acordo com o comunicado publicado, esta quarta-feira pela McDermott, é um acordo que abrange a elaboração do projecto de engenharia, a aquisição de equipamentos e a construção de todas as instalações em terra, que incluem duas unidades de processamento de gás natural com uma capacidade de 12,88 milhões de toneladas por ano.

Os grupos McDermott e Saipem montaram um escritório na Itália onde uma equipa mista irá liderar a gestão do projecto antes de assumirem, em conjunto, a responsabilidade de proceder à construção das instalações na província de Cabo Delgado, onde vai ser desenvolvido o projecto de Gás Natural Liquefeito.

O grupo japonês Chiyoda terá apenas como tarefa o fornecimento de serviços de consultoria à parceria à joint-venture.

O comunicado divulgado quarta-feira pelo grupo americano informa ainda que os trabalhos no local só vão começar assim que a Anadarko Petroleum aprovar a Decisão Final de Investimento, a qual se espera que seja feita ainda este mês de Junho.

A burocracia continua a ser uma das maiores barreiras para o melhoramento do ambiente de negócios em Moçambique. Isto é o que diz o primeiro relatório do Doing Business sub-nacional realizado pelo Grupo Banco Mundial e apresentado hoje em Maputo.

Entre os três itens avaliados pelo Banco Mundial, a cidade de Maputo é o melhor lugar para abrir empresas, Manica é onde melhor são executados os contratos e Zambézia é a província mais indicada para registo de propriedade. Ainda assim, Moçambique está entre as 12 economias no mundo onde abrir empresa é mais difícil, tudo devido à excessiva burocracia.

Sobre os informais, o Ministro da Indústria e Comércio diz que há necessidade de se definir com clareza a quem chamar de informal, principalmente porque isso tem implicações na classificação geral do Doing Business.

Em representação do sector privado, o empresário Kekobad Patel afirmou que o ambiente de negócios não está bem e diz que há falta de vontade por parte do Governo e do Parlamento.

O estudo do Banco Mundial indica que se todas as províncias adoptassem as boas práticas identificadas em cada uma delas, a classificação geral de Moçambique no Doing Business melhoraria em 22 lugares, saindo de 135 para 113 entre 190 economia.

O consórcio liderado pela petrolífera italiana Eni reafirma que vai começar a produzir gás natural na Bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, em meados de 2022. Será o primeiro projecto a extrair gás naquela área onde estão as maiores reservas do país.

O arranque da primeira produção de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma, região norte do país, está dependente da construção de uma plataforma flutuante já em curso na cidade de Busan, na Coreia do Sul, com um nível de acabamento de 40%. A infra-estrutura está em construção na segunda cidade mais populosa e no principal centro económico da Coreia do Sul, na Ásia Oriental. Os trabalhos estão a cargo do estaleiro da Samsung Heavy Industries, uma das companhias líderes da indústria naval a nível mundial.

Para perceber o trabalho em curso, uma equipa do “O País” deslocou¬-se, hoje, ao estaleiro da Samusung. No terreno, confirmou a montagem de um bloco ou compartimento da plataforma,  de um total de 22, um dos marcos considerados mais importantes do projecto.

Trata-se de um passo de muitos que se seguem, no sentido de concluir a instalação da plataforma até finais do ano 2021. Após concluído, o navio flutuante deverá ser conduzido a Moçambique, num percurso que deverá levar cerca de um mês, segundo o director geral da Coral FLNG (Eni). Para flexibilizar os trabalhos, os equipamentos para a plataforma estão a ser construídos em muitos países, entre eles, Estados Unidos de América, Singapura, Itália, França. Depois de concluidas, as peças serão levadas à Coreia do Sul para a montage.

O director geral do projecto Coral FLNG da Eni, garante que até próximo mês, metade da infra-estrutura estará pronta.
“Vamos produzir o gás liquefeito a partir de 2022. A fase actual é muito importante porque vamos construir o casco e depois todo o equipamento que vai fazer a produção. Estamos a produzir outro equipamento importantre em Singapura”, informou o director geral do Coral FLNG da Eni.

Em Setembro deste ano, arrancam as perfurações no fundo do mar e a instalação de equipamento submarino na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

“A fase que estamos a desenvolver em Moçambique também é muito importante porque a perfuração ‘e muito importante para fazer seis poços, onde o gás vai, depois, sair na nossa planta lutuante”, considera Maurizio Lanzo que acrecenta que a instalação da logistica está em curso.

Caberá a BP comprar toda a produção do projecto Coral Su, isto é, cerca de 3,4 milhões de toneladas de gás ao ano, durante 20 anos, sem deixar nada para Moçambique conforme explica o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleo, Carlos Zacarias.

“Foi de princípio, de consenso, entre os concessionários e o Governo, que neste projecto não iríamos ter gás directamente para o mercado nacional porque seria muito mais caro levar o gás natural liquifeito no alto mar para a terra, o que iria trazer complicações no fornecimento”, explicou Carlos Zacarias, PCA do Instituto Nacional de Petróleo.

Contudo, esclarece Carlos Zacarias, há outros dois projectos em papeline que vão acontecer ao mesmo tempo até 2024 que vão permitir ao país ter 400 milhões de pés cúbicos para um dos projectos e 500 milhões de pés cúbicos para outro, quantidades.

“São quantidades muito grandes que vão permitir a implementação de projectos para o mercado nacional como seja projectos de fertilizantes, de combustíveis líquidos, electricidade, entre outros”, referiu o Presidente do Conselho de Adminitração do Instituto Nacional de Petróleo.

As empresas com participações na área 4 do Rovuma testemunharam, hoje, a montagem do primeiro bloco na plataforma em construção na Coreia do Sul, entre elas, a moçambicana ENH, Galp, Kogas e CNPC, com 10% cada e a Eni e ExxonMobil com 25% cada.

 

A equipa multidisciplinar que analisa a venda da Anadarco à companhia Occidental Petrolium aguarda ainda por documentos do negócio para decidir se haverá encaixe de mais-valias. A imformação é avançada pelo PCA do Instituto Nacional de Petróleo, Carlos Zacarias.

A equipa multidisciplinar é liderada pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela. Segundo o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Petróleo, não se pode estimar o valor das mais-valias antes da conclusão do negócios.

“Esse é um processo que ainda não foi concluído e estamos à espera que o processo seja concluído e que a documentação seja apresentada ao Governo para que se faça a avaliação final daquilo que potencialmente podem ser mais-valias”, disse Carlos Zacarias.

Porém, o Instituto Nacional dos Petróleos, um dos integrantes da equipa multidisciplinar, faz saber que já estão em curso avaliações preliminares do possível encaixe de mais-valias.
“Neste momento, nós estamos a fazer alguma avaliação, mas a avaliação de todo um processo depende dos factos reais. Os factos reais mostram, neste momento, que a Anadarko está a ser adquiridada pela Occidental e existe a intenção dessa companhia em vender os accets em África às Total”, explicou o PCA do Instituto Nacional de Petróleos.

Importa referir que a Occidental Petroleum juntou-se à Total para adquirir a petrolífera Anadarko, que lidera um dos maiores investimentos de gás natural no país, na área 1 da Bacia do Rovuma, por 38 biliões de dólares.

 

 

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