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Moçambique vai beneficiar de cerca de 195 milhões de meticais para questões de emergência e ajuda humanitária, um valor a ser desembolsado pelo governo chinês.

O valor consta do novo pacote das medidas de apoio aos países abrangidos pela iniciativa de cooperação internacional Cinturão e Rota anunciado pelo presidente da China Xi Jinping, escreve a Rádio Moçambique.

Ainda no âmbito deste pacote, o primeiro-ministro Adriano Maleiane fez saber hoje, na China, que Moçambique vai beneficiar igualmente de financiamento para construção de um centro cirúrgico nacional.

Na conferência de imprensa que serviu para fazer o balanço da visita à China,Maleiane fez saber que o presidente chinês anunciou uma carteira de investimento de cerca de cinquenta bilhões de dólares, refere a RM.

Cada país deverá submeter projecto para beneficiar de financiamento e Moçambique quer apostar no sector da agricultura.

A vice-ministra da Economia e Finanças, Carla Fernandes Louveira, informou na sexta-feira, que a Autoridade Tributária (AT) vai começar a tributar as operações das Carteira Móveis em Moçambique e fazer rastreio das transacções internas e externas a partir do próximo ano. A medida visa garantir a operacionalidade e incremento da captação de receitas para o Estado.

Segundo escreve a Agência de Informação de Moçambique (AIM), para o efeito, está prevista a realização de ensaios sobre o Controlo e Tributação das Transacções on-line no sector de Turismo, ou seja, tributação do comércio electrónico a partir de Novembro próximo, numa fase piloto.

“Assim, esperamos que a partir de 2024 a AT dê início efectivo a Tributação da Economia Digital, estando previsto já para o próximo mês de Novembro a realização de um piloto da prova de conceito sobre o Controlo e Tributação das Transacções on-line no sector de Turismo”, disse, destacando que a economia moçambicana cresceu cerca de 5% no primeiro semestre deste ano contra 4,2% do mesmo período no ano passado, um incremento de 0,8%.

Carla Fernandes Louveira falava durante a abertura das IV Jornadas Científicas da Autoridade Tributária (AT) que decorreram sob o tema “Sistema Tributário Moçambicano na Era da Economia Digital”.

Exportações de produtos reduziram 8,2% no segundo trimestre para 2012 milhões de dólares, de acordo com dados do Banco de Moçambique. A queda na venda para o exterior de alumínio e energia eléctrica explica a redução das exportações totais.

Os dados constam do relatório trimestral da balança de pagamentos do Banco de Moçambique e revelam que a balança comercial foi deficitária em 236 milhões de dólares, com as exportações a atingirem 2012 milhões de dólares, contra 2248 milhões de dólares de importações.

Em particular, as exportações registaram uma queda de 8,2% no segundo trimestre de 2023, em relação a igual período de 2022, quando se situaram em 2091 milhões de dólares.

A queda das exportações de alumínio e energia eléctrica explica, segundo o Banco de Moçambique, a redução das exportações totais, que foi amortecida pelo aumento da exportação de produtos agrícolas como algodão, tabaco e amêndoa de caju, e da indústria extractiva, com realce para o gás natural e areias pesadas.

As importações registaram também uma queda de 2,6% no segundo trimestre de 2023, depois de se terem situado nos 2309 milhões de dólares em igual período de 2022. Segundo o Banco de Moçambique, as reduções das importações de adubos e fertilizantes, combustíveis, alumínio bruto e energia eléctrica justificam a queda das importações totais.

Os dados mostram ainda que o Investimento Directo Estrangeiro mais do que duplicou no segundo trimestre de 2023, ao fixar-se em 360 milhões de dólares, contra 146 milhões de dólares registados no segundo trimestre de 2022.

“O  financiamento das operações do gás natural influencia o aumento da entrada líquida de recursos de investimento directo estrangeiro”, lê-se no documento do Banco de Moçambique.

O Banco de Moçambique avança inclusive que a queda das exportações dos grandes projectos e o incremento na contratação de serviços no exterior, relacionados com as actividades destes empreendimentos, resultam no aumento das necessidades de financiamento da economia de Moçambique em 294 milhões de dólares, para 521 milhões de dólares. Mas excluindo os grandes projectos, as necessidades de financiamento reduzem em USD 270 milhões, para  1172 milhões de dólares.

Os participantes da quinta edição da feira Mozgrow fazem balanço positivo dos três dias de exposição e debates. Segundo disseram ao jornal O País, a feira foi frutífera, pois, além de aprender, firmaram parcerias.

Foram mais de 30 empresas que, durante três dias, expuseram os seus produtos e serviços que foram acolhidos por inúmeras pessoas que procuravam entender ao detalhe como cada máquina, cada serviço e cada produto funciona.

Para uns, era a primeira vez a participar, mas, para outros, não. E para quem nunca tinha estado lá, a experiência foi a melhor, como o caso da Omnia.

“Ganhámos muito nesta feira, temos o registo de 50 visitantes de diferentes níveis com os quais conseguimos trocar contactos, onde vamos interagir, fechar parcerias e vender os nossos produtos, todos nós sairemos a ganhar daqui”, celebrou Patrício Zucula.

A Merec também esteve lá e, conforme contou Agostinho João, muitos agricultores procuravam pelos produtos da Merec, mas não sabiam onde e como os encontrar, e a partir da feira, a informação chegou a estes; seus produtos foram comprados e, no próximo ano, promete voltar a participar e com o stand mais apetrechado.

Não é apenas produzir, saber como fazer, as melhores técnicas e usar a ciência também é importante, por isso a Universidade Aberta UNISCED participou na feira com dois stands: um para falar do ensino e outro para vender os produtos agrícolas.

“Estamos aqui para mostrar que o agro-negócio está em todos os lugares e há uma necessidade de termos profissionais qualificados no mercado e a UNISCED está aqui para mostrar que é possível ter agricultores formados”, partilhou Leopoldina Pimentel, representante da instituição.

No segundo stand da UNISCED, estavam expostos produtos como cebola, piri-piri, batata-doce e feijão verde. Segundo Leopoldina, todos os produtos tiveram grande saída, desde o primeiro dia.

Para os participantes, a experiência foi única, de tal forma que houve quem saiu de outras províncias do país para Arena 3D da KaTembe, na Cidade de Maputo só para participar na Mozgrow. É o caso dos membros do programa Delpaz, que vieram de Sofala.

“Estamos aqui e foi muito bom, viemos porque queríamos ter soluções para resiliência climática, mas virado para o sector agrário, queríamos também pesquisar empresas de consultoria para que possamos ter um leque de intervenientes que contribuam para que tenhamos bons resultados e até aqui já conseguimos muita coisa boa”, disse Gerson Tembissa.

Por sua vez, o PCA da DHD Holding, Daniel David, afirma que a edição deste ano é motivo de orgulho e promete mais em 2024, apesar de a temperatura no primeiro dia e a situação política que o país vive terem impactado negativamente na adesão ao evento.

“Às empresas que participaram, endereçamos o nosso muito obrigado por acreditarem e garantirem que este evento possa crescer sustentável e que possa ser um gerador de negócios para as empresas. Daquilo que ouvimos dos participantes e expositores, o balanço é positivo”, frizou Daniel David.

Para David, mais do que as visitas e exposição de tecnologia, o negócio, na feira, é importante e foi o que se conseguiu nesta V edição da Mozgrow.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse, ontem, que a dívida de Moçambique está em elevado risco de sobre-endividamento, mas será considerada sustentável devido às significativas receitas que virão do gás, mais para o final da década.

“A Análise da Sustentabilidade da Dívida (DSA) mantém-se inalterada face à análise realizada aquando da aprovação do programa [de ajustamento financeiro], em Maio de 2022; a dívida pública externa é avaliada como estando em elevado risco de sobre-endividamento”, disse o economista Thibault Lamaire em entrevista à Lusa, citado pelo Jornal de Negócios, à margem dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, que decorreram esta semana em Marraquexe.

Para este economista do departamento africano e um dos autores do relatório sobre as Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsaariana, a situação pode mudar quando os projectos de exploração de gás entrarem em funcionamento, garantindo a Moçambique um elevado volume de receitas fiscais que podem ser usadas para melhorar os parâmetros que são analisados na DSA.

“Em termos prospectivos, a dívida pública é considerada sustentável, uma vez que uma elevada percentagem do endividamento futuro projectado reflecte a participação do Estado nos grandes projectos de gás natural liquefeito, o qual será reforçado directamente a partir das receitas futuras de gás natural liquefeito, que se prevê serem significativas”, acrescentou o economista.

Na semana passada, o director do departamento africano do FMI tinha dito que oito países precisavam de reestruturar a dívida, tendo o FMI depois apontado São Tomé e Príncipe e Moçambique como estando nessa lista, tendo em conta a DSA.

Para este ano, Thibault Lamaire apresentou uma previsão de crescimento na ordem dos 6%, “impulsionado pelas indústrias extractivas, incluindo o Coral-Sul, o primeiro projecto de gás natural liquefeito, cuja produção se iniciou em Outubro de 2022, e apoiado pelas actividades de mineração”.

O FMI prevê ainda “o arranque da produção de dois projectos de gás natural liquefeito onshore, em 2027 e 2029, que terá um impacto positivo no crescimento devido ao impacto da produção nas receitas fiscais e na conta corrente”.

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural retomou a emissão de certificados e licenças fitossanitárias para todos os produtos de origem vegetal.

Em comunicado, a instituição esclarece que suspendeu, temporariamente, a emissão destes documentos para proteger e salvaguardar o interesse nacional e o bom nome de Moçambique no mercado internacional,  na sequência de recorrentes notificações por países importadores devido a inobservância dos requisitos nas licenças, existência de certificados  falsos e/ou com irregularidades.

A nota do MADER refere ainda que inspecções regulares de sanidade vegetal detectaram 400 certificados fitossanitários falsos e/ou duvidosos para a exportação de gergelim e feijão boer, cujas quantidades estão avaliadas em 27 milhões de dólares norte-americanos.

Uma das atracções da quinta edição da Mozgrow é a exposição, que está a criar espaço para parcerias. Há de tudo na quinta edição da feira, a maior montra do agro-negócio em Moçambique.

Várias empresas expõem produtos, serviços e soluções tecnológicas na área do agro-negócio. Pela primeira vez, a Caetano Equipamentos, uma empresa de venda de equipamentos agrícolas, participa na feira e traz novidades ao público. E os benefícios não tardaram a chegar para a firma.

Da exposição de KaTembe, a empresa Aeromap faz a demonstração de drones, usados para a irrigação e pulverização de culturas agrícolas.

Trata-se de uma inovação capaz de ajudar os agricultores a melhorarem os níveis de produção e produtividade.

Todos os anos, a Afritool junta-se à Mozgrow. Desta vez, não foi diferente. Na feira de agro-negócios, a Honda está a expor soluções para a agricultura mecanizada.

Presente em Moçambique há 26 anos, a Barloworld traz inovações na área de construção civil, sobretudo para limpeza de valas e valetas.

Na exposição, há uma alternativa tida como fiável para a instalação de sistemas de abastecimento de água que é trazida pela SVD.

Tudo isto e muito mais está exposto nesta feira de agro-negócio que continua até esta sexta-feira.

 

 

A Electricidade de Moçambique (EDM) retoma a venda de energia eléctrica à Zâmbia.

Para o efeito, o presidente de Conselho de Administração da EDM, Marcelino Gildo e o director-geral da Empresa de fornecimento de energia eléctrica da Zâmbia (ZESCO), Victor Benjamin Mapani, assinaram, em Luanda, capital angolana, um contrato de fornecimento de energia, que viabiliza a venda de 250 Megawatts àquele país, escreve a Rádio Moçambique.

Na mesma ocasião, as partes renovaram o acordo para a extensão do período de fornecimento transfronteiriço de energia à Vila de Zumbo, província de Tete, a partir da Zâmbia.

Actores do agro-negócio defendem a introdução de crédito de insumos agrícolas e uniformização de preços de em todas regiões no país como solução para os actuais desafios da cadeia de valor agrícola no país. Entretanto, os produtores queixam-se da prevalência de entraves do escoamento do produto final das zonas de produção aos mercados.

O segundo painel do primeiro dia da quinta edição da Mozgrow, voltado para o tema “desenvolvimento de cadeias de valor estratégicas”, juntou produtores, revendedores e a fornecedora de insumos AQI. O mote era apontar desafios e soluções sustentáveis para aumentar a produção e o mercado de comercialização de produtos.

Para o dilema do acesso, a AQI revelou a introdução de crédito de insumos agrícolas e uniformização de preços em todas as regiões do país, como solução para os níveis de produção.

“Com a AQI, temos insumos de qualidade e preços competitivos com a iniciativa One Stop Shop. Nós fornecemos produtos totalmente certificados, e aqui há uma novidade: os nossos preços, além de serem competitivos, são uniformizados, o preço praticado no Sul é o mesmo praticado no Centro e no Norte. Adaptamos essa estratégia porque acreditamos que vamos impactar melhor se dermos as mesmas oportunidades a todos os produtores em todo o país”, disse Lírio Nhamuche, representante da AQI.

A estratégia está a impactar os produtores, com o aumento de quantidades e qualidade de produtos. Um caso concreto é da Pecuárias Sumburane, que produz cereais, hortícolas, aves e gado em Vilankulo.

“A terra é apta e os resultados só podem ser melhores com esses incentivos. Este ano, por exemplo, ensaiamos ervilhas, há potencial para serem produzidas. Recentemente, adquirimos gergelim porque, em Vilankulo, há só um fornecedor que não consegue satisfazer o mercado. Acreditamos que estas culturas podem substituir importações”, explicou Mário Mavie, produtor.

Entretanto, produtores e revendedores apontam como um grande desafio da cadeia de valor a prevalência de barreiras para o escoamento do produto final.

Com estas inovações, conseguimos disponibilidade de insumos, sementes, pesticidas, mas não há tractores para lavoura e não há transporte para o escoamento da produção para os centros agrários.

Com estratégias como “mix” de produtos e rotas certas, a AQI apresentou soluções para o problema.

Segundo Lírio Nhamuchue, a AQI implementou, há três meses, o retorno das rotas, isto é, além de entregarem os insumos aos agrodealer, os serviços de distribuições retornam com os produtos dos produzidos para os mercados.

Os actores apontam a necessidade de melhoria das vias de acesso, como um passo crucial para a dinamização da cadeia produtiva.

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