Duas pessoas morreram na manhã desta segunda-feira nos arredores da cidade da Matola, província de Maputo, após a viatura em que seguiam ter sido alvo de uma emboscada armada protagonizada por indivíduos que se faziam transportar em pelo menos duas outras viaturas.
O crime ocorreu poucos minutos antes das 6 horas, surpreendendo moradores da zona, que relatam momentos de pânico causados por intensos disparos. Segundo testemunhas, os tiros prolongaram-se por cerca de 15 minutos.
“Os disparos começaram de repente e foram muitos. Contámos mais de 20 tiros contra aquela viatura”, relatou um residente, acrescentando que o barulho acordou praticamente todo o bairro.
Uma das vítimas seria conhecida na comunidade. De acordo com José Emílio, residente local, o homem já teria trabalhado como vendedor no mercado de Matavele.
“Ele trabalhava, antigamente vendia roupas aqui no mercado. Não sabemos se tinha outra actividade além disso”, afirmou.
Testemunhas dizem que, após a primeira sequência de disparos, houve ainda movimentações suspeitas no local. Alguns moradores acreditam que uma das vítimas possa ter tentado fugir, sem sucesso.
“Parecia que alguém ainda tentou sair, mas não conseguiu. Depois vimos que já estavam caídos e com muito sangue”, descreveu outro residente.
O pânico tomou conta da população, que evitou aproximar-se da viatura durante o tiroteio por receio de ser atingida por balas perdidas.
“Ficámos assustados e tentámos fugir. Ninguém podia aproximar-se por causa dos tiros. Só depois é que nos aproximámos e vimos que já estavam mortos”, contou Orlando Afonso.
Até ao momento, não são conhecidas as motivações do crime, nem a identidade dos autores. Também não há confirmação oficial sobre o perfil das vítimas ou possíveis ligações a actividades ilícitas.
Dados recentes apontam para um aumento de crimes violentos em zonas urbanas da província de Maputo, com registo de assaltos à mão armada e execuções em circunstâncias ainda por esclarecer, o que tem gerado preocupação entre os residentes.
A Polícia da República de Moçambique ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes locais indicam que diligências estão em curso para identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias do ataque.
O incidente reacende o debate sobre segurança pública na Matola, uma das cidades mais populosas do país, onde moradores exigem maior presença policial e medidas eficazes para travar a criminalidade.

