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O País – A verdade como notícia

O defeso está na recta final e as preocupações para a próxima temporada futebolística já se fazem sentir. Para alguns a época inicia em finais de Fevereiro ou princípios de Março, de 2018, mediante a data que a Liga Moçambicana de Futebol vai marcar para o início do Moçambola.

Mas para os representantes moçambicanos nas competições africanas, nomeadamente a União Desportiva de Songo, campeão nacional e representante nacional na Liga dos Campeões africanos, e o Costa do Sol, vencedor da Taça de Moçambique e representante do país na Taça da Confederação (CAF), a época começa mais cedo, com a disputa da supertaça e das primeiras eliminatórias das Afrotaças.

Campeão já começou a definir futuro

O campeão nacional, a União Desportiva de Songo, já começou a pensar na sua participação na Liga dos Campeões africanos, a começar pelo local onde vai jogar. Assim, para as eliminatórias de acesso à fase de grupos da “Champions” africana, que terá lugar em Fevereiro, o presidente da colectividade, José Costa, garantiu que a equipa vai disputar seus jogos no estádio 27 de Novembro, em Songo. Mas porque não é a primeira experiência africana da União Desportiva de Songo, que este ano fez a única eliminatória que disputou no Estádio Nacional do Zimpeto, O País questionou ao presidente dos “hidroeléctricos” qual é o motivo da convicção em levar os jogos das eliminatórias para Songo, ao que respondeu: “tivemos aqui a visita de Sídio Mugadze (inspector moçambicano da CAF/FMF) que nos deixou algumas recomendações de melhorias que devíamos fazer no nosso campo para acolher esses jogos”, nomeadamente remodelações nas bancadas, melhoria dos balneários, construção de escritório e balneário para os membros da CAF, entre outros.

José Costa assegura que o clube está em condições de satisfazer essas melhorias antes do início das eliminatórias de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões africanos.

Ademais, o presidente da União Desportiva de Songo assegurou que esses trabalhos serão feitos em breve, de modo que o inspector moçambicano da CAF, Sídio Mugadze, possa voltar a verificar a satisfação das condições mínimas exigidas pela CAF para acolher jogos das eliminatórias.

Fase de grupos no “caldeirão” do Chiveve

Em caso de passagem das eliminatórias de acesso a fase de grupos da Liga dos Campeões africanos, que se esperam sejam duas, tal como aconteceu com o Ferroviário da Beira, este ano, os “hidroeléctricos” de Songo jogariam a fase de grupos na cidade da Beira. O “talismã” do Chiveve é o local escolhido pela direcção da União Desportiva de Songo para acolher os jogos da fase de grupos, tanto mais que já está aprovado pela CAF e é mais próximo de Songo, quando comparado com a cidade de Maputo.

José Costa disse que esteve na cidade da Beira para um encontro com a direcção do Ferroviário da Beira, sendo que “verbalmente já temos acordo, só falta apenas uma carta de confirmação da direcção do Ferroviário da Beira para que isso seja efectivo”.

Enquanto não se realiza o sorteio das eliminatórias para a Liga dos Campeões e nem há datas da realização dos referidos jogos, a União Desportiva de Songo vai iniciar os trabalhos de preparação, também, com a Supertaça no horizonte. Os “hidroeléctricos” vão ter pela frente o Costa do Sol, vencedor da Taça de Moçambique, equipa para a qual perdeu na final da taça, em Outubro, por uma bola sem resposta.

Este jogo está agendado, de princípio, para a primeira semana de Fevereiro, sendo que, normalmente, uma semana depois segue-se a primeira eliminatória das Afrotaças.

 

Decorre, desde ontem, nos “courts” do Jardim Tunduru, em Maputo, a edição 2017 do Standard Bank Open de ténis, prova que conta com a participação de cerca de 300 tenistas em representação da República Democrática de Congo, África do Sul, Swazilândia, Zâmbia, Botswana, Zimbabwe e Lesotho. 

Esta competição, dado o seu reconhecimento pela Federação Internacional de Ténis- ITF-, atrai alguns dos melhores tenistas do continente. Tais são os casos do actual número 1 da República Democrática de Congo, Nancy Onya, das sul-africanas Ntokozo Zwane e Anesipho Mgcawu, dos zimbabweanos Liberty Nzula e Tyno Alufeyo. De Moçambique, destaque para os tenistas Bruno Figueiredo, Jossefa Simão, Cláudia Sumaia e Marieta Nhamitambo. 

Falando durante a cerimónia de abertura, Cláudia Simbine, representante do Ministério da Juventude e Desporto, felicitou o Standard Bank pelo seu apoio ao desporto, em geral, e ao ténis, em particular.  “Temos a salientar que, desde 2011, o Standard Bank Open tem servido como um meio de massificação do ténis, bem como da promoção da marca Standard Bank. Ao longo destes anos, tem formado tenistas que têm sabido dignificar o País dentro e além-fronteiras”, frisou Simbine. E acrescentou: “Este evento serve de oportunidade para estar com aqueles que valorizam a nossa marca e com aqueles que sempre apoiaram o nosso banco, que são as comunidades”, disse Simbine.

Por seu turno, Alfredo Mucavela, representante do Standard Bank, disse que este evento tem lançado muitos valores do ténis, daí o envolvimento desta instituição bancária na promoção do mesmo: “É por isso que o banco está aqui, neste evento, que continuará Standard Bank Open por muito mais tempo, pois valorizamos a comunidade na qual operamos”, garantiu. 

A fonte abordou ainda o facto do evento ter a componente de massificação da modalidade: “O objectivo do Standard Bank, nesta frente, é de ver esta criançada a semear algo novo. Queremos que, daqui, saiam talentos que irão representar o nosso País além-fronteiras”, precisou Mucavela. 

Já Valige Tauabo, presidente da Federação Moçambicana de Ténis, falou da importância do apoio do Standard Bank para o desenvolvimento desta modalidade em Moçambique: “é o Standard Bank que, anualmente, através deste grandioso evento, tem unido a família do ténis, pelo que estamos muitos gratos a esta instituição bancária centenária do País".

De acordo com a organização, o objectivo passa por massificar o ténis e conferir maior rodagem e intercâmbio aos tenistas nacionais.

Este certame "Prize Money" de 500 mil meticais, sendo que movimenta os escalões de mini-ténis para crianças, juniores, profissionais e veteranos. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Radés, na Tunísia, há um sonho que o Ferroviário da Beira persegue a partir de amanhã: qualificar-se para a segunda fase da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores masculinos. Há, no entanto, que ultrapassar não só os adversários mas também uma contrariedade: falta de ritmo competitivo. Ciente deste aspecto, Nasir “Nelito” Salé, treinador do Ferroviário da Beira, da o antídoto para tal: potenciar os nossos valores e jogar para dignificar o país e a província de Sofala.

Para o efeito, o técnico conta com Armando Baptista, Maksym Ivshyn, André “Papaíto” Velasco, David “Mano” Canivete, Ivan Machava, Helton Ubisse, Carlos Marinze, Policarpo Zambeze, Angelo Warner, Elves “Stam” Honwana, Ismael “Timo” Normamad e Ivan Cossa.

É, de resto, mesma estrutura da equipa que de 20 a 26 de Outubro ocupou o terceiro lugar na fase preliminar da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores masculinos, prova que teve lugar em Gaborone, no Botswana.

Neste certame, os campeões nacionais perderam apenas com duas equipas angolanas: Interclube e Sport Libolo e Benfica. Mas deixaram ficar boas indicações, tendo, nestes embates, vindo ao de cima a diferença em termos competitivos entre as equipas moçambicanas e angolanas. Frente ao Ferroviário de Maputo, vice-campeão nacional, o conjunto orientado por Nelito esteve melhor. E não deu qualquer hipótese ao Harare City, do Zimbabwe, e os representantes do Botswana a quem venceu por margens grandes.

Com base americano Angelo Warner a reforçar a equipa, os campeões nacionais ganham consistência na posição um.

E, a avaliar pelas referências, o base poderá ser uma grande valia para o Ferroviário da Beira ofensiva e defensivamente, sendo que o mesmo constitui uma alternativa a André “Papaíto” Velasco e Ivan Cossa. Ao nível das tabelas, a integração do internacional ucraniano Maksym Ivshyn dá maior consistência a posição cinco onde Helton Ubisse tem sido irrepreensível. Outras opções são Armando “Nino” Baptista, sem a mesma frescura do passado, e Carlos Marinze. Entretanto, na sua primeira aparição na Taça dos Clubes Campeões Africanos, desde 2005, o Interclube espera contar com várias estrelas emergentes de Angola.

O “coach” Alberto Babo leva para esta competição os talentosos Gerson Domingos (21 anos), Alexandre Jungo (20 anos) e Jonatao Ndjungu (19 anos, trio considerado o futuro esteio da selecção nacional de basquetebol angolana.

A estes, junta-se Fidel Cabita, de 24 anos, talentoso jogador que fez parte da selecção angolana que disputou, em Novembro, em Luanda, a primeira fase das eliminatórias para o Mundial de basquetebol, na China.

 

 

Ferroviário da Beira deixa, hoje, Maputo com destino a Radès, Tunísia, onde espera fazer uma boa campanha no Campeonato Africano de Clubes. Mesmo sem ritmo competitivo, campeões nacionais querem dignificar o país no certame.

Angelo Warner, base armador norte-americano, e Maksn Ivsn, poste ucraniano, reforçam o Ferroviário da Beira na fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores masculinos, prova a ter lugar de 11 a 20 de Dezembro corrente, em Radès, na Tunísia.

Nascido a 12 de Fevereiro de 1992, o “point guard” americano contabilizou 32 jogos na temporada 2014-2015 ao serviço do Morehead State, conjunto que ocupou a 12ª posição na Ohio Valley Conference.
Warner, segundo dados estatísticos, liderou o Morehead State com média de 13.3 pontos, 1.59 roubos de bola, 4.0 ressaltos e 2.4 assistências/jogo.

Obteve, igualmente, uma percentagem de 49 porcento nos lançamentos de campo, sendo ainda de realçar os 40 porcento nos lançamentos exteriores e 78 porcento na linha de lançamentos livres.
Estes números colocaram-no como sétimo melhor, na Ohio Valley Conference, em termos de aproveitamento na linha de lançamentos livres, e 10º na zona dos 6.75 metros, assim como 13º nos lançamentos de campo.

Ferroviário da Beira segue hoje
O Ferroviário da Beira deixa, hoje, Maputo com destino a Radès, na Tunísia, onde espera fazer uma boa campanha no campeonato africano de clubes.

A delegação dos campeões nacionais é composta por 22 elementos.  
Os “locomotivas” do Chiveve, certo, partem para o palco da prova sem o ritmo competitivo que seria de desejar, mas crentes numa boa prestação.

Aliás, o terceiro lugar alcançado na fase preliminar da zona VI, onde bateram-se muito bem diante do Interclube e Libolo, tendo depois vindo ao de cima a diferença em termos competitivos com as equipas angolanas, abre boas perspectivas para os campeões nacionais.

Em princípio, Nasir “Nelito” Salé, treinador do Ferroviário da Beira, deverá levar para Radés a mesma estrutura que de 20 a 26 de Outubro disputou as eliminatórias da zona VI, em Gaborone, no Botswana.

Estamos a falar de Elton Ubisse, David “Mano” Canivete Jr., Ismael “Timo” Nurmamad, André “Papaíto” Velasco, Armando “Nino” Baptista, Ivan Machava, Ivan Cossa, Elves “Stam” Honwana, e Octávio “Maguila” Magoliço, este último que falhou a prova devido a lesão.

Até o fecho desta edição do “O Pais”, estava confirmada a presença na competição de nove equipas, nomeadamente Etoile Sportive de Radès (equipa organizadora), Kano Pillars e Gome Bulls (Nigéria), AS Mazembe (RD Congo),Malabo Kings (Guiné Equatorial) City Oilers (Uganda), Interclube de Luanda e Sport Libolo e Benfica (Angola) e Ferroviário da Beira.

A selecção nacional de futebol sub-20, Mambinhas, entrou a perder no torneio regional da Cosafa diante do convidado Egipto, por 1-0. O único golo do jogo foi apontado por Feasal, aos 86 minutos, numa altura em que o empate era o resultado que se esperava. O destaque, nesta partida, vai para o guarda-redes moçambicano Victor Guambe, filho de Antoninho Guambe, antigo guarda-redes do Costa do Sol e dos Mambas, que defendeu tudo o que podia, excepto o lance do golo. Pela sua prestação, Victor acabou sendo nomeado o homem do jogo. Para o mesmo grupo dos Mambinhas, África do Sul e Maurícias defrontam-se esta quinta-feira. Os Mambinhas voltam a entrar em cena próximo sábado, dia 09, diante da África do Sul.

A última partida dos Mambinhas será no dia 11 de Dezembro próximo diante das Maurícias. Recorde-se que passam para as meias-finais deste torneio os primeiros classificados dos 3 grupos, mais o segundo melhor de todos os grupos.

Não foi pela honra, nem sequer pelos milhões. O Benfica despediu-se da Liga dos Campeões da mesma forma que começou – sem qualquer ponto somado – e só se pode culpar a si mesmo. Seis derrotas em outros tantos jogos, apenas um golo marcado e 14 sofridos, num grupo composto por Manchester United, CSKA e Basileia, fazem da campanha dos ‘encarnados’ a pior de sempre por parte de uma equipa portuguesa na prova. Para trás fica a marca do Sporting de 2000/01, que tinha saído da prova com apenas dois pontos.

E nem a motivação de querer mostrar serviço por parte dos jogadores menos utilizados contribuiu para travar um Basileia muito menos letal que no 5-0 na Suíça, ainda assim, eficaz o suficiente para ter feito dois golos das poucas oportunidades que dispôs. A equipa de Raphael Wicky chegou à Luz com a lição bem estudada, fez o que lhe competia, e assim garantiu a presença nos oitavos de final.

Mudam-se as peças, mantêm-se as (poucas) ideias
Um dia antes do encontro com o Basileia, Rui Vitória dizia o seguinte, a propósito da intenção de dar minutos a jogadores que têm estado na sombra: “O que pode acrescentar este jogo é a continuidade do que temos vindo a fazer e, ao mesmo tempo, mudar algumas peças, mas as ideias irão lá estar. Dá também sinal de que não temos só onze jogadores, temos um plantel de qualidade para dar resposta para o que quisermos.” Rui Vitória cumpriu e mudou as peças do jogo em todos os sectores: na baliza, Svilar entrou para o lugar de Varela; Douglas e Eliseu renderam, respectivamente, André Almeida e Grimaldo; Lisandro substituiu Luisão (manteve-se Jardel); Samaris e João Carvalho entraram para os lugares de Fejsa e Krovinovic (manteve-se Pizzi); e Zivkovic, Diogo Gonçalves e Seferovic ocuparam as posições de Salvio, Cervi e Jonas.

De tanta rotação, apenas dois nomes sobreviveram, face ao último encontro com o FC Porto. E, de facto, as ideias estiveram lá, ou a falta delas. Tal como nos outros cinco jogos, o conjunto ‘encarnado’ foi parco em soluções ofensivas, jogando quase sempre a um ritmo médio baixo.

Para agravar ainda mais este cenário, o Basileia apresentava-se com três centrais (cinco defesas no total) e só teve de esperar pelo primeiro golo, que surgiu logo aos seis minutos, para recuar as suas linhas, apostando no contra-ataque.

Rui Vitória reconhece descalabro
O treinador encarnado, Rui Vitória, reconhece que a equipa nunca esteve bem na Liga dos Campeões europeus e assume que agora é tempo de virar a página e concentra-se no campeonato. “A tristeza é sempre muito grande quando não se ganha. Queríamos que corresse bem, mas entrámos numa espiral negativa, com uma série de situações anormais na Liga dos Campeões e isso manteve-se nos jogos todos.

Não se viu muita diferença em relação às outras equipas, mas nós não materializámos, não ganhámos. Agora é virar a página e pensar no próximo jogo, já no sábado, frente ao Estoril”.

 

O internacional português, ao serviço do Real Madrid de Espanha, Cristiano Ronaldo, conquistou, hoje, a quinta Bola de Ouro da carreira. Com a distinção desta noite, CR7 iguala Lionel Messi do Barcelona na lista dos jogadores mais vezes considerados melhores do mundo

Cristiano Ronaldo foi distinguido com a quinta Bola de Ouro no país onde foi campeão europeu, ano passado: França.

A sua história desportiva começa como guarda-redes do Indo-Português, por alturas de 1968, e o apogeu é alcançado em 1986, já como basquetebolista ao serviço do Maxaquene, quando, na qualidade de campeão de África, tomou parte no Mundial de clubes, em Barcelona. Em 1975, após uma verdadeira “debandada” dos principais jogadores que davam corpo à modalidade e já com estatuto de estrela, ajudou a “reconstruir” o basquetebol nacional, praticamente a partir do zero.

“Polícia” do mais alto do mundo
A jogar a poste ou a extremo, a sua enorme mão ditava as leis. Por isso, chamavam-lhe o Sr Manápula, o que podia ser lido em dois sentidos: por ter uma mão enorme, mas também devido ao facto de ser um “muana-wa-npula”, isto é, natural de Nampula.

Foram muitas as noites em que Belmiro Simango deu alegria aos maxaquenenses e aos moçambicanos em geral, devido às vezes em que envergou a camisola da selecção nacional. Porém, marcar Cizonenko terá sido um dos momentos marcantes. Nunca antes se sentiu tão “txote”, pois o ucraniano, o mais alto basquetebolista do Mundo de todos os tempos, acima de Ming ou Shaq O’Neal, media 2,34 metros.

A caminhar e a jogar, “ti-Simas” era invulgar: tinha uma curvatura da coluna para frente que, de alguma forma, escondia a sua real altura. Porém, detinha uma enorme capacidade para esconder a bola numa só mão, para depois a direccionar para onde entendesse. As armas principais: grande impulsão e bom tempo de salto. Debaixo das tabelas, esperava o momento certo para “voar” e apoderar-se da bola. Depois, vinha a opção: umas vezes iniciava de imediato o contra-golpe – acompanhado pelo seu vozeirão de incitamento – e noutras guardava, bem segura, a “redondinha” para iniciar jogadas pausadas.

Percursor de uma nova era
Até 1975, não havia grande tradição de se jogar basquetebol entre os jovens suburbanos que passaram a descer à cidade de cimento. Simango, Vítor Morgado, Cobra e poucos mais foram os percursores. Chegaram, inclusivamente, a criar um departamento de basquetebol num clube suburbano, o Beira-Mar, para lançar novos hábitos na periferia da cidade. A semente frutificou e, com o sentimento de missão cumprida, Belmiro Simango regressou ao clube do seu coração: o então Sporting, hoje Maxaquene.

E foi assim que, depois da “tempestade” provocada pela saída dos jogadores e técnicos mais influentes, veio a bonança. E de que maneira. É que, em 1979, jovens talentosos como os irmãos Moiane, Ernesto Júnior, João Chirindza, Ernesto Gomes, Claudino Dias e outros fizeram do Maxaquene um campeão quase crónico. Foi sempre a subir. Primeiro grande feito foi a vitória sobre o Zamalek do Egipto, na Liga dos Campeões Africanos, digamos, a “gazua” que abriu as portas do Continente. A partir de então, Maxaquene, Desportivo e a própria Selecção Nacional passaram a marcar presença regular nas grandes provas africanas.

O pavilhão “tricolor” registava as noites mais vivas e entusiásticas da sua existência, com longas filas para comprar bilhete, dois ou três dias antes dos grandes jogos…

Campeões africanos e presença no Mundial
Foi em Abril de 1985 que a equipa principal do Maxaquene conquistou o título de campeão africano de basquetebol, em masculinos. O feito, que fica gravado na história do clube e do país em letras de ouro, foi conseguido no majestoso pavilhão do clube, que registou enchentes nos dias em que a prova decorreu.

A turma moçambicana, orientada pelo norte-americano Chuck Skarshug, estreou-se diante do AS Police do Senegal, até então campeão africano, vencendo por uma margem tangencial. Seguiu-se o Kano Pillars da Nigéria e o nosso representante baqueou, sendo derrotado por 75-62.

Devido ao resultado entre os contendores, a final dirimiu-se entre o Maxaquene e o ASFA, do Senegal, em noite de todas as emoções.

Resultado: Maxaquene, 79-ASFA, 74

O jornal notícias, na edição do dia seguinte, titulava: “Acorda, irmão! Somos campeões africanos”. Alguns dos heróis deste feito: Carlos Aik (treinador adjunto), Belmiro Simango (capitão e número 4 na foto acima), Aníbal Manave, Claudino Dias, Horácio Martins, Ernesto Gomes, Firmino Moiane, João Chirindza e José Moiane.

Em Junho do ano seguinte, os novos campeões nacionais participaram, em Barcelona, no Mundial de clubes, prova ganha pelos anfitriões.

 

Chanaya Pinto é um dos valores do basquetebol moçambicano. Brilha no Quinta dos Lombos de Portugal, equipa que ajudou a conquistar a supertaça, em Setembro.

No fremente bairro da Malhangalene, ainda imberbe, há um valor que fintou o corpo franzino numa modalidade em que o físico, aliado ao talento, vencem, e impôs-se na quadra.

Aos 17 anos, foi uma das “rookies” – estreantes – da selecção nacional de basquetebol sénior feminina no “afrobasket” de Bamako, Mali.
Aposta acertadíssima do metódico e exigente Nazir “Nelito” Salé, resposta com exibições que deixaram boas indicações para o futuro.
Apenas, e apenas mesmo, o prémio de um notável percurso com paragens em Angola, em Fevereiro de 2016, onde foi indicada Melhor Jogadora – MVP – do campo de treinos da NBA.

Mais: estávamos em Fevereiro de 2017, quando arrancou 18 pontos na vitória do Quinta dos Lombos sobre o Algés, por 59-42, resultado que permitiu à sua equipa conquistar o campeonato distrital de Lisboa.

Presença merecida no cinco ideal da competição, juntamente com as compatriotas Carla Covane, hoje no Seward County Community College dos EUA, e Carla Budane, a representar o Algés, e as portuguesas Marta Vargas (Benfica) e Madalena Rodrigues (Carnide).

Com médias de 8.1 pontos e 4.9 ressaltos/jogo, Chanaya Pinto é uma das atletas de destaque no Quinta dos Lombos no arranque da Liga Portuguesa de basquetebol feminino. No arranque da temporada, a 30 de Setembro, exibição bem conseguida diante do GDESS, na vitória do Lombos por 70-63, a valer a conquista da supertaça feminina de basquetebol de Portugal. Chanaya, irmã de outra basquetebolista, a Carla, ora na A Politécnica, tem pinta de craque. E faz, agora, estragos na tuga! Em exclusivo ao “O País, fala do passado, presente e do futuro.

Esteve em destaque, em Setembro, no jogo em que Quinta dos Lombos venceu o GDESSA por 70-63 e conquistou a supertaça portuguesa de basquetebol feminino. O que foi determinante para esse feito?
O factor determinante para esse feito foi por ser a minha primeira vez a participar numa supertaça e o factor mais relevante foi poder dar a primeira vitória de uma supertaça aos Lombos e assim o fizemos.

A Liga Portuguesa de basquetebol feminino está em andamento. Nesta altura, apresenta médias de 8.1 pontos e 4.9 ressaltos/jogo, sendo ainda uma das jogadoras mais utilizadas, com 19.6 minutos na quadra em oito jogos. Que avaliação faz da sua prestação?
Faço uma avaliação positiva da minha prestação. Tal como havia referido nas entrevistas anteriores, o facto de ter ido à selecção fez-me crescer imenso como atleta, facilitando assim a minha integração e a minha prestação na equipa sénior, visto que estou no mesmo grupo de trabalho há dois anos.

Que análise faz do nível competitivo da Liga Portuguesa de basquetebol feminino?
É um campeonato muito competitivo, com equipas um pouco homogéneas e cheio de surpresas, visto que estamos numa liga repleta de estrangeiras, dentre as quais africanas, europeias e norte-americanas, fazendo desta a nossa liga mais competitiva.

Em 2016, destacou-se no campo de férias da NBA, em Angola, tendo sido considerada MVP. Esteve, igualmente, em destaque em Fevereiro último, ao contribuir com 18 pontos no jogo em que o Quinta dos Lombos venceu Algés, por 59-42, e conquistou o campeonato distrital de Lisboa. Olhando para este percurso, quais as suas metas para a presente época?

Manter o nível e ganhar o campeonato nacional em seniores femininos, para que possamos nos qualificar para as competições europeias do ano que vem.

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