Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Mambinhas sub-20 defrontam a RD Congo, em partida da primeira jornada do grupo “A” do torneio regional da COSAFA, prova que decorre na Zâmbia. Para o grupo dos Mambinhas, Zâmbia venceu Malawi por 2-1.

Depois de falhar a sua estreia no passado domingo, diante do Malawi devido a problemas organizacionais, os Mambinhas sub-20 vão, finalmente, disputar a primeira partida, em solo zambiano, a contar para o torneio regional da COSAFA. Contrariamente ao que estava previsto, a estrutura organizativa do Conselho das Associações de Futebol da África Austral (COSAFA), foi obrigada, à última hora, a alterar o calendário dos jogos devido a desistência da Namíbia e chegada tardia da selecção da República Democrática do Congo.

Devido a questões burocráticas a equipa congolesa só chegou a Kitwe na segunda-feira, devendo jogar diante de Moçambique, em desafio pontuável para primeira jornada do grupo “A”. Victor Matine aproveitou os dias que se seguiram à chegada da selecção na Zâmbia, e com adiamento dos jogos, para recuperar fisicamente os jogadores e ainda realizar mais quatro sessões de treinos, com objectivo de criar mais entrosamento entre os jogadores, buscando os melhores resultados possíveis, que garantam a passagem a fase seguinte desta competição regional.

A estreia diante da República Democrática do Congo será um teste a coesão da equipa, pois vão enfrentar uma selecção pouco conhecida e que foi convidada para esta prova regional. Aliás, a RD Congo tem sido convidada, nos últimos anos, em quase todos os escalões deste torneio, tendo inclusive, ao nível das selecções principais, derrotando os Mambas, em 2015, por 3-0, na fase das eliminatórias.

Com o calendário alterado, os Mambinhas não terão o merecido descanso, visto que voltarão a jogar, deste feita diante do Malawi, com quem deviam ter jogado, no domingo. A primeira fase dos Mambinhas termina no sábado, dia em que defrontam a Zâmbia, com a vingança patente no lado dos zambianos, devido as derrotas sofridas na fase de qualificação ao CAN-2019, a nível das selecções principais.

Entretanto, Victor Matine conta com alguns jogadores experientes para esta empreitada regional, casos de Kamo Kamo, que tem sido cliente assíduo tanto nos Mambas como nas selecções de formação (sub-20 e sub-23) e Genny Catamo, que foi autor do livre que deu o empate e passagem a eliminatória seguinte dos Mambinhas sub-23, em Manzini. Estas duas apostas dos Mambinhas deverão ser o amuleto, escudo ou mesmo o principal veneno do conjunto de Victor Matine para esta empreitada, que conta ainda com nomes sonantes que são referências nos seus clubes, casos de Belarmino, no Maxaquene, Martinho e Lampião, no Black Bulls, entre outros.

O ano de 2000, em Sidney, foi o da consagração e glória para Moçambique. Pelas vigorosas pernas de Lurdes Mutola, pela primeira vez, a bandeira da “Pérola do Índico” foi hasteada na maior competição planetária, os Jogos Olímpicos, e o hino nacional tocado, provocando lágrimas em toda a Nação, culminando uma profusão de títulos e medalhas.
 
Lurdes já tinha um vício ganhador de tal ordem que o país ficava  em estado de choque mesmo quando a “Menina de Ouro” subisse ao pódio, sem que isso desse acesso ao metal precioso.

Tudo aconteceu de forma  rápida na vida de Mutola. Após a proibição, aos 15 anos, de jogar futebol masculino, pois “desgraçava os rapazes”, foi lançada pela mão do poeta-mor José Craveirinha no atletismo local.
Em 20 anos de carreira, Lurdes ganhou tudo o que havia para vencer. No meio de um grande querer, venceu a descrença, o miserabilismo, o coitadismo.

No continente, venceu os Jogos Africanos no Egipto (91) e Harare (95). Bateu também o recorde mundial de juniores e conquistou os títulos mundiais em Estugarda, Alemanha, e Edmonton, Canadá.
 
A BOLSA QUE MUDOU TUDO
A 12 de Março de 1991, partiu para Eugéne, Estados Unidos da América, iniciando assim uma das mais espantosas carreiras desportivas que o continente africano e o Mundo já presenciaram.  Na escola e no Estado de Oregan, treinava que se fartava e  não se fartava de treinar. Rapidamente, qual estudante que passou da instrução primária para os mais altos graus universitários, Lurdes ganhou tudo o que havia para vencer.

Em poucos anos, deixou de ser a “menina do Chamanculo” para se transformar na “Dama de Ouro”. Ou do “turbo”, se preferirmos.

A atleta não descurava os estudos, tendo começado pelo inglês, que passou a dominar em pouco tempo, devido à sua forte determinação.
Quatro anos depois de Seul, em Barcelona, nos seus segundos Jogos Olímpicos, era já uma séria candidata à medalha de ouro.

Facilmente chegou à final, onde se perfilavam veteranos, com nome firmado na especialidade. Pagou cara, porém, a ousadia de tentar comandar a final, contrariando o seu estilo habitual de “ir na boleia” para depois desferir o golpe fatal. Foi uma das mais dramáticas lições da sua vida. Dessa vez, Lurdes deslumbrou-se e tentou correr num ritmo forte, do princípio ao fim. E foi precisamente na “curva da morte”, onde costumava ultrapassar as adversárias,  que viu fugir-lhe o ouro, a prata, o bronze e até o quarto lugar. Cortou a meta, desolada, na quinta posição.

Uma lição que lhe valeu para o resto da carreira
À noite, ao jantar, José Craveirinha fez uma surpreendente declaração: “Ainda bem que perdeste agora. És jovem, tens muitas medalhas para ganhar”. Foi como uma profecia. A partir daí, o anormal passou a ser não ganhar, tendo entrado para a galeria dos atletas mais bem-sucedidos, na sua difícil especialidade.

Como tudo começou
Até aos 14 anos, era humilde, vivendo nos subúrbios da capital do país, outras meninas da sua idade. Usava trancinhas, fazia as lides da casa e frequentava a escola do bairro do Chamanculo, onde residia.

Mas desde cedo começou a manifestar uma tendência que não era comum às raparigas da sua idade: o gosto pelo futebol. Em casa, brincava com o seu irmão, no quintal. Davam toques, chutavam à baliza e ensaiavam fintas com uma bolinha de borracha. Aos fins-de-semana integrava-se em equipas que jogavam nos terrenos baldios, em prolongados jogos de “muda aos cinco e acaba aos dez”. Desde cedo os seus pais achavam estranho o facto de uma menina gostar mais de bolas do que de bonecas.

Foi encorajada a integrar uma equipa federada de futebol juvenil: o Águia D'Ouro. A potência do seu pé esquerdo e a forma como fintava e evoluía no terreno permitiram que passasse despercebido o facto de ser menina disputando um campeonato masculino.

 

A selecção moçambicana de futebol subiu 5 lugares no ranking da FIFA segundo a última actualização. Os Mambas, com 1167 pontos, ocupam agora a 117.ª posição, uma subida que resulta do triunfo sobre a Zâmbia (1-0), no passado dia 18 de Novembro, a contar para a 5ª e penúltima jornada do grupo K de qualificação para o Campeonato Africano das Nações (CAN-2019).

Com o apuramento para o CAN por definir, diante da Guiné  Bissau, a 23 de Março de 2019, a selecção treinada por Abel Xavier pode dar um salto ainda maior no ranking, caso vença e se apure para a mais importante competição do continente africano.

A selecção da Bélgica permaneceu no topo do ranking mundial da Fifa nesta quinta-feira, apesar de a distância para o terceiro colocado Brasil ter diminuído, informou a entidade que controla o futebol mundial.

A Bélgica e a campeã mundial França, que está em segundo lugar, perderam seis pontos cada por suas derrotas em jogos da Liga das Nações, enquanto o Brasil acrescentou sete unidades depois de vencer o Uruguai em um amistoso no início de Novembro. O Uruguai caiu uma posição ao ser substituído por Portugal e agora está na sétima colocação depois de perder oito pontos.

A delegação moçambicana que vai participar dos jogos desportivos da zona 5 de África (Jogos do AUSC R5) despediu-se nesta segunda-feira da Vice-Ministra da Juventude e Desportos, Ana Flávia Azinheira, com promessas de honrar o país. Os jogos terão lugar em Gaberone, no Botswana, de 6 a 16 do mês em curso.

Moçambique leva ao evento, nove modalidades, nomeadamente: o Ténis; Voleibol de praia (femininos); Atletismo Adaptado e Judo.

O vento em sub-20 e vai juntar todos os países da região austral de África.

Para este ano houve redução de número de atletas. O governo entendeu que tinha que levar os melhores e que estejam próximos de conseguir resultados positivos. A Vice-Ministra da Juventude e Desporto responsável pela última mensagem endereçada aos atletas antes da viagem desta terça-feira, disse esperar que os jovens representantes do país consigam exibir-se em bom plano.

"Os que aqui estão são os que tem melhores marcas e por isso em condições de representar o país. Estamos confiantes que vão fazê-lo condignamente. Os desafios são enormes mas estamos confiantes de que as coisas vão correr bem" disse a Vice-Ministra.

Em mensagem de despedida, os atletas prometeram fazer o seu melhor mas com máximo respeito pelos seus adversários, ao mesmo tempo que pretendem reforçar os laços de amizade com outros países.

A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou que os Camarões tiveram retirado o direito de sediar a próxima edição da Copa Africana de Nações, marcada para 2019, por causa de graves atrasos na preparação do país para receber o torneio e de uma violenta rebelião separatista nas proximidades de duas cidades que iriam receber o torneio. 

A CAF publicou a decisão após a reunião dos membros do seu comitê executivo. E o presidente da CAF, Ahmad, explicou que um novo processo de definição da sede da Copa Africana de 2019, está aberto, com os países podendo até Dezembro apresentar suas candidaturas.

Marrocos, que foi derrotado pela candidatura conjunta de Estados Unidos, Canadá e México para organizar a Copa do Mundo de 2026, já é encarado na África como um substituto natural de Camarões. Outra possibilidade seria a África do Sul, que recebeu a Copa do Mundo de 2010. 

Em Setembro, a CAF explicitou a sua preocupação com a capacidade de Camarões em organizar a Copa Africana ao apontar um "atraso significativo" na construção de estádios e nas obras de infraestrutura. Mas deu a Camarões uma chance de receber o torneio se acelerasse as construções, tendo marcado mais duas visitas de inspeção para Outubro.

A:Amor esteve no ar na final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos.  A expressão deste sentimento nobre veio, precisamente, no final do jogo Ferroviário de Maputo vs Inter Clube, quando ao anúncio do mestre-de-cerimónias o noivo de Odélia Mafanela” irrompeu pelo pavilhão e pediu a “power forward” em casamento. Caros patrícios, foi lindo e expressa o que Carlos Drumond de Andrade escreveu:  “O amor que move o sol, como as estrelas.” “O verso de Dante é uma verdade resplandecente, e curvo-me ante a sua magnitude. Ouso insinuar, sem pretensão a contribuir para se que desvende o mistério amoroso: Amar se aprende amando. Sem omitir o real quotidiano, também matéria de poesia.”

B:Bandeira, único árbitro internacional de basquetebol da actualidade, foi o juiz acompanhante do Ferroviário de Maputo. Não comprometeu na sua actuação, tendo feito o seu trabalho com  rigor e profissionalismo. Preocupa, nesta altura, o facto de ser o único árbitro internacional e nos próximos tempos ter deixar de apitar provas internacionais dada a idade. Um TPC para um país que já teve um arbitro a apitar os Jogos Olímpicos de 2008, em Beijing, China, e Mundial de basquetebol de 2006, no Japão: Abreu Muhimua.

C:Carlos Ibrahimo Aik. Primeiro treinador campeão africano de clubes, em 1991 pelo Maxaquene, teve a sua “mão” na conquista do título pelo Ferroviário de Maputo. Pois é: Aik desempenhou a função de assessor técnico, tendo marcado presença sempre atrás do banco do Ferroviário de Maputo dando o seu contributo quando justificasse.  Já agora, saibam, Carlos Aik foi a figura que lançou Leonel Manhique, actual treinador do Ferroviário de Maputo, para este clube em 2011 tendo ambos conquistado a Liga Nacional de Basquetebol.

D:Delma Zita. Aos 20 anos, a base estreou-se numa fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos, depois de ano passado somente ter sido ambientada a equipa na fase preliminar da zona VI, em Gaborone, Botswana. Fez cinco dos sete jogos da equipa, terminando a prova com média de 4.8 pontos/jogo, 2.2 assistências e 1.6 turnovers. Aqui cheira futuro.

E:Experiência Emulou, claramente, na Astrida Vicente, jogadora do Inter Clube que completou 40 anos no passado dia 6 de Outubro. Vicente já foi campeã africana de clubes pelo D’ Agosto e Inter Clube. Aisha Mohamed, jogadora do First Bank que tem 33 anos, voltou a pisar a quadra do pavilhão do Maxaquene, recinto no qual conquistara a Taça dos Clubes Campeões Africanos em 2003 e o Campeonato Africano de basquetebol em seniores femininos ao serviço da Nigéria. O tempo passa, nê?

F:“Farra”. Celebrou-se, até o sol raiar, a conquista da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol pelo Ferroviário de Maputo. Patuscada das grandes quer nos bares próximos ao pavilhão do Maxaquene quer nas tascas dos bairros. Afinal, o patriotismo falou mais alto e mola não faltava uma vez que o problema do apagão da SIMO estava resolvido.   

G:Groupement Sportif des Pétroliers (GSP) da Argélia. Adversário do Ferroviário de Maputo nos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de 2017, em Luanda, Angola, o Groupement Sportif des Pétroliers (GSP) da Argélia foi um dos grandes ausentes da presente edição. O GSP, uma equipa com boa estrutura, foi igualmente adversário do Ferroviário de Maputo nos “quartos” em 2016, tendo as campeãs nacionais vencido por 69-57.

H:Hegemonia: foi quebrada, domingo, a hegemonia das equipas angolanas nos últimos cinco anos que dividiram os títulos na Taça dos Clubes Campeões Africanos: 1º de Agosto, campeão em 2015 e 2017 e Inter Clube, vencedor em 2013, 2014 e 2016.

I:Isidro Abibo Amade, homem do desporto. Homem forte do departamento de basquetebol do Ferroviário de Maputo. Fora da quadra, fez um grande trabalho para que o Ferroviário de Maputo chegasse ao olimpo de África. Sempre presente com a equipa, Isidro Amade foi persistente e com foco construiu uma equipa que, hoje por hoje, tem o continente a seus pés. Phambeni, Isidro.

J:Jasmin Nwajei, base nigeriana de 23 anos, agradou os olhos de quem acompanhou esta competição. Com enorme potencial, foi a primeira escolha para a posição um no First Bank da Nigéria, liderando a equipa em pontuação (109 pontos em sete jogos) para além do registo de 23 assistências e 35 turnovers. Salvo as diferenças, fez-nos lembrar Dominique Wilson, base americana que em 2017 em Angola reforçou o First Bank e fez parte do cinco ideal.

K:Kardápio Kaseiro, bem na baixa da capital, foi um dos locais must para desanuviar os desaires e celebrar as vitórias por parte de alguns dirigentes, amantes de basquetebol e até…treinadores não envolvidos na competição. Ao ritmo de som trazido pelo DJ e ao sorver de um gole, lá se fizeram os prognósticos, lamentou-se e renovaram-se as esperanças.

L:Lucas. É o apelido da fabulosa, fantástica e, porque os adjectivos são tantos, terminanos no exemplar, base americana naturalizada angolana: Italee. Capacidade de fazer o passe no timing certo, drible em progressão, bom tiro curto e exterior, fazem dela uma jogadora que da gosto ver jogar. Espalhou, para não variar, o seu perfume no pavilhão do Maxaquene e no final foi indicada MVP. Thats why we love this game.

M:Mabê, como é tratado pelos próximos o Leonel Manhique, deu da melhor forma continuidade a um ciclo vitorioso iniciado em 2014, quando destronou a galáctica equipa da Liga Desportiva e conquistou o seu primeiro título de campeã nacional. África, o grande objectivo, está no papo. Foi, no entanto, preciso lutar: um terceiro lugar em 2015, e duas finais perdidas: 2016 e 2017.

N:Ngulela, a Deolinda outrora fabulosa base da Académica e selecção nacional, deixou para trás o clubismo (é a actual coach do Costa do Sol) e juntou-se a causa Ferroviário de Maputo para transmitir algumas das antigas colegas a sua experiência e encorajamento. Primeiro, aceitou o convite da Associação de Veteranos de Basquetebol (Moz Basket) para interagir com as atletas. Depois, marcou presença no pavilhão do Maxaquene para apoiar a equipa.

O:Odélia Mafanela. Estoica e combativa, emprestou garra e determinação na quadra.  Os seus números são elucidativos da influência na equipa: média de 10.6 pontos/jogo (terceira melhor marcadora da equipa) e 7.6 ressaltos (melhor ressaltadora das campeãs nacionais). De resto, Mafanela foi a jogadora com maior eficiência por jogo: 13.6.

P:Público. Esteve, assim-assim, no pavilhão do Maxaquene nos primeiros dias da competição. Qual ovo de Colombo, no dia da final a catedral rebentou pelas costuras com o público a exultar com o sucesso da equipa da casa. Pudera, estava em causa um país.

Q:Quatro títulos continentais de clubes. É o registo de Anabela Cossa e Odélia Mafanela, as únicas basquetebolistas moçambicanas que já conquistaram a Taça dos Clubes Campeões em quatro ocasiões: Desportivo de Maputo (2007, em Maputo, e 2008, no Quénia), extinta Liga Desportiva (2012, na Costa do Marfim) e Ferroviário de Maputo (2018, em Maputo).

R:Reforços. EUA, a pátria do basquetebol, tem sido o ponto preferencial para “apetrechar” as  equipas participantes na Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol. Este ano, não houve se fugiu a regra. O Ferroviário de Maputo “recrutou” Carmen Thomas e Cierra-Warren Robertson, atletas que se esperava muito mais daquilo que deram. O mesmo se pode dizer de Amanda Thompson, “power forward”, e Surriya MC Guire, “shoting guard” que reforçaram o Inter Clube e estiveram muitos furos abaixo do que se esperava. E não se viu melhor na Malaika Green, base americana que reforçou o First Bank.

S:Sally Custódio Maciera. Uma aficcionada pelo basquetebol. Faça chuva, sol ou vento lá está ela a dar o seu calor as equipas moçambicanas. Foi, é e continuará a ser bonito ver a imagem de Sally Custódio Maciera não só no pavilhão do Maxaquene mas também a correr o mundo com as suas vibrações através do sitio da FIBA e das redes sociais.
 
T:Triplista da prova. Dois anos depois, Anabela Cossa voltou a ser considerada melhor triplista da Taça dos Clubes Campões Africanos de basquetebol em seniores femininos. Continua a ser competente na zona dos 6.75 metros. É a nossa menina bomba que figurou ainda no cinco ideal da competição continental de clubes.

U:União. Foi uma das palavras-chave para o sucesso do Ferroviário de Maputo nesta competição. As atletas, que haviam perdido nas meias-finais de 2015, em Angola, e finais de 2016, em Maputo, e 2017, em Angola, uniram esforços para conquistarem o tao almejado título. E soube a bem, ate porque foi a “vingança” da derrota sofrida há dois anos no pavilhão do Maxaquene.

V:Vombe: apelido do Mauro que levou ao mundo a viagem através do registo fotográfico a 24ª edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos. Baixinho de estatura, mas grande no profissionalismo, fez um trabalho que dignifica os moçambicanos.

W:Workaolic. Sim, traduzido, alguém viciado no trabalho. Ingvild Mucauro, a capitã do Ferroviário de Maputo, é viciada no basquetebol. Da intensidade ao jogo, defende com tudo e não desiste facilmente. Mostrou atitude. E, com 12.6 pontos, foi a terceira jogadora da equipa com maior eficiência por jogo. No ano em que conquistou o seu segundo título continental de clubes, foi a terceira melhor ressaltadora da equipa.

X:Xivite, uma expressão usada pela geração de ouro que teve em Aurélia Manave Esperança Sambo  a expressão maior, serviu de inspiração para que o Ferroviário de Maputo colocasse em sentido o Inter Clube. Raiva, na tradução livre e no bom sentido, foi nota dominante na abordagem dos jogos por parte das atletas.

Y:Youth: traduzido para português: juventude. Há, sim, muita juventude no Ferroviário de Maputo para se sonhar com mais títulos continentais de clubes e fazer-se uma transição de gerações com tranquilidade. A equipa do Ferroviário das Mahotas, que foi vice-campeã, é constituída maioritariamente por jovens com enorme potencial que no futuro podem ser enquadradas na equipa principal: Madina Camara, Paula Orlando, Dilma Roldão, Miza Zita, entre outras. O futuro está garantido.

Z:Zinóbia Dulce Machanguana, em tempos defensora por excelência, fez parte da equipa do Ferroviário de Maputo que disputou a primeira final na história do clube, em 2006, no Gabão. Hoje, tem um papel ao nível do departamento de basquetebol e acompanhou a par e passo esta luta pelo título desde 2015, em Angola, quando a equipa terminou em terceiro lugar.

 

O mês de Novembro foi assumido como de glória para o país, particularmente na área desportiva. Os Mambas venceram a Zâmbia e mantém vivas aspirações de chegar ao CAN dos Camarões, os Mambinhas sub-23 eliminaram o Eswatini da qualificação ao CAN da categoria, no Egipto e o Ferroviário de Maputo conquistou a Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol seniores femininos.

Agora a hora e a vez é da selecção nacional sub-20, os Mambinhas, que vão disputar o torneio regional da Cosafa, prova que terá lugar na Zâmbia, de 02 a 14 de Dezembro próximo. Não será em Novembro, mas espera-se que a glória do mês se araste para Dezembro e que os Mambinhas se inspirem nessas conquistas de Novembro para alcançar a glória.

Até porque contam com alguns jogadores que estiveram nessas frentes dos Mambas e Mambinhas sub-23, casos de Kamo Kamo (que esteve nos dois jogos) e Genny Catamo, que foi autor do livre que deu o empate e passagem a eliminatória seguinte dos Mambinhas, em Manzini. E essas duas apostas deverão ser o amuleto ou escudo ou mesmo o principal veneno do conjunto de Victor Matine para esta empreitada, que conta ainda com nomes sonantes que são referências nos seus clubes, casos de Belarmino, no Maxaquene, Martinho e Lampião, no Black Bulls, Adamo, na UP de Manica, entre outros.

Estreia diante do Malawi

Moçambique faz a sua estreia no primeiro dia de competições defrontando o Malawi. Aliás, este será o jogo de abertura, domingo, quando forem 11H00, a contar para o grupo A, onde estão ainda as selecções da Zâmbia e da República Democrática do Congo, convidada a esta prova. Zâmbia e RD Congo jogam no mesmo domingo, mas às 15H00.

Três dias depois, os Mambinhas vão ter pela frente a turma de Congo, terminando a primeira fase no dia 08 de Dezembro, defrontando a selecção anfitriã, Zâmbia.

O torneio da Cosafa é composto por mais dois grupos, com o B a ser composto pelas selecções de Namíbia, Eswatini, África do Sul e Maurícias, com as duas primeiras selecções a defrontarem-se e as duas últimas a disputarem a primeira jornada. O grupo C integra as selecções de Lesotho, Angola, Zimbabwe e Botswana. Suthos e angolanos jogam entre si na primeira jornada, o mesmo que vai acontecer com zimbabweanos e tswanas.

Para a segunda fase desta prova, qualificam-se os primeiros classificados de cada grupo, mais o segundo melhor dos três grupos, que vão de digladiar nas meias-finais, com o cruzamento a ditar que o vencedor do grupo dos Mambinhas a defrontar o vencedor do grupo C, enquanto o líder do grupo B bater-se-á com o melhor segundo de todos os grupos.

A final terá lugar no dia 14 de Dezembro, no campo do Nkana, em Kitwe, o mesmo palco que vai acolher o jogo da segunda mão entre as formações do Nkana e da União Desportiva de Songo, da pré-eliminatória de acesso a fase de grupos da Liga dos Campeões da época transitória 2018/2019.

A melhor prestação dos sub-20 foi em 2008, quando perdeu na final diante da África do Sul. Ano passado terminou na primeira fase, num grupo onde estava a África do Sul, actual detentora do troféu.

 

O futebol nos anos 60, era uma loucura. Nos bairros, o destaque ia para Mafalala e Xipamanine, com tudo a culminar no “chilunguine”. Ter acesso a um campo e poder ver estrelas como Abel Miglietti, Carlitos ou Mombaça, que tinham nível para entrar “de caras” nos chamados três grandes de Portugal era quase um sonho.

Tinha eu 16 anos, provinciano recém-chegado de Quelimane, olhos e olhares esbugalhados perante o “néon” da então Lourenço Marques. Comecei a jogar nos juniores do Belenenses, II divisão, que treinava no campo do Ferroviário da baixa, às terças e quintas, das 21 às 23 horas. Jogávamos ao domingo de manhã.

Mas a paixão principal era pelo atletismo, em que treinava todos os fins de tarde, excepto aos sábados e domingos em que aconteciam as provas no Parque dos Continuadores. E ainda estudava à noite, na Escola Industrial. Uma vida bem preenchida!

Jornalismo: “paredes-meias” com as corridas e pontapés

Ano de 1966. Vivia eu o desporto, no nervo e no sangue. Naquele tempo, dificilmente um jovem praticava uma só modalidade. Eu não era excepção.

Porém, havia que dar prioridade à profissão de tipógrafo. Mesmo assim, como produto de alguma irreverência, surgiu um outro “bichinho”: escrever para o desaparecido “Diário de LM”, jornal que ficava ao lado da Catedral. Fazia pequenas crónicas dos jogos das II e III divisões, mais as partidas de juniores. O “salário”? Um cartão de livre-trânsito que permitia assistir a todas as competições desportivas. Assim, esmerava-me, era assíduo porque ao possuir um “livre-trânsito” até me considerava bem remunerado. Saía do Bairro de Chamanculo, com amigos e era o único que não tinha que aguentar filas e empurrões nos portões.

Crescer e aparecer

Entrar na Redacção do Diário de LM e beneficiar de uma secretária para rabiscar as minhas croniquetas sem eu ter “a cor adequada de então”, era na altura uma aventura. Uma raridade.

Recordo-me que no dia 29 de Junho de 1968, fui indigitado a cobrir um combate de boxe para o título mundial, realizado na Praça de Touros, engalanada, entre um norte-americano negro chamado Curtis Cokes e o sul-africano Willie Ludick, de raça branca, combate que veio para Maputo por causa do racismo na vizinha RSA. Com o meu melhor fatinho, lá me sentei numa das cadeiras da 1.ª fila para reportar o autêntico massacre que o americano infligiu ao nosso vizinho, num combate que acabou no 3.º assalto. No dia seguinte, já como espectador, vivi as emoções do Portugal-Brasil na inauguração do actual Estádio da Machava. Foi assim que o bichinho entrou, para ficar, já lá vão 50 anos.

Um atleta mediano

O ambiente no atletismo do Sporting era excepcional. A rivalidade era face ao Desportivo e Ferroviário. Nos “leões”, a fraternidade entre atletas masculinos e femininos era a razão principal da minha assiduidade. Lucrécia Cumba, Abdul Ismail, António Fernandes, Magid Osman e outros, eram as estrelas treinadas por Luís Revez, técnico recentemente falecido.

Da minha parte, com marcas modestas, a paixão pela corrida proporcionava-me grande vantagem no futebol.

No desporto-rei, sem ter tido uma carreira brilhante, joguei no Belenenses dos juniores aos seniores, actuando a defesa central, de 1965 a 1969. Era considerado pendular, ao ponto de ter sido “namorado” pela Académica de Coimbra, na sua digressão por Moçambique no final da década 60.

Seguiu-se uma temporada no Ferroviário de Inhambane em 1970 e no ano seguinte no Sporting de Tete, sempre como titular e campeão nos dois distritos de então.

Curta, mas apaixonada, foi a carreira deste escriba, que subalternizou o desporto, primeiro pela gráfica, abraçando, com paixão, poucos anos mais tarde o jornalismo como profissão, até aos dias de hoje.

 

Mambas sem Tico-Tico eram bem diferentes de Mambas com Tico-Tico. Por detrás do seu físico franzino, ar cansado e falas mansas, está um autêntico guerreiro, um “rato da área”. A ele se ficaram a dever muitos dos momentos mais brilhantes da carreira da nossa Selecção Nacional.

Com a sua sagacidade, bastas vezes ergueu multidões, tanto no Estádio da Machava como na África do Sul. Os registos dizem tudo: trata-se do jogador moçambicano mais internacional de sempre, com 80 jogos efectuados contra 50 do segundo classificado, Pinto Barros. Mantém o recorde de maior marcador pós-independência com 27 tentos.

Além disso, as incontáveis assistências aos colegas, que tanto ajudaram a dar carisma aos Mambas. Estamos portanto diante de uma verdadeira “joia da coroa”, que inspira jovens e crianças por ter sido um dos mais exímios praticantes do desporto-rei.

Um falso lento

Aparecia e desaparecia do jogo, como se dispusesse de “alçapão” para se esconder e reaparecer depois. E quando a bola lhe era endossada, jogava simples, evitando o contacto físico. Porém, isso não representou nunca um virar das costas à briga. As suas armas principais? Simulação e o sentido de oportunidade, jogando muito no erro do adversário.

Calculista, quando os defesas se “esqueciam” da sua presença, aparecia nos espaços vazios. O que poderia então acontecer, ninguém sabia!… Por ventura nem ele próprio, pois com grande frieza, alterava as decisões em fracções de segundo. Mesmo depois de ensaiado o remate, já com o pé em suspensão, a decisão poderia ser “revogada”, para que o adversário “seguisse viagem” para ele passar das intenções à sua prática habitual de marcar golos.

Herói numa “tarde louca”

O dia 27 de Julho de 1997 está registado nos anais do futebol moçambicano como um dos mais marcantes. Pela qualificação do país para o seu segundo CAN, mas sobretudo pela situação irrepetível de uma viagem no marcador nunca antes vivido no Estádio da Machava.

O Malawi vinha super-confiante, pois um empate bastar-lhe-ia. E quando, ainda na primeira parte, a turma dos países vizinho marcou um tento, o favoritismo foi reforçado. Foi delírio naquele país.

Para nós, moçambicanos, só a vitória nos qualificaria. Adelino, ponta de lança do Matchedje, marcou o tento de igualdade. A esperança renasceu, mas com o passar do tempo o desespero tomava conta dos moçambicanos…

De repente, o milagre aconteceu. Entrou-se no minuto 86 e Tico-Tico, de posse do esférico, tabelou com um colega, desmarcou e como que num golpe de magia, surgiu do nada entre os latagões malawianos para desferir o golpe de misericórdia. O país inteiro pôs-se a dançar. Os locutores gritavam até a rouquidão. Nos camarotes, abraços misturavam-se com choros.

A loucura foi total e prolongou-se pela escuridão da noite. A emoção atingiu o rubro numa memorável tarde futebolística no país, cujo herói tem um nome: Tico-Tico.

Escolinha de um Mamba que não se marimba

Arrumou as botas mas vive obcecado com a função de formador. Tico-Tico, campeão e ganhador, é patrono de uma escola em que a prioridade é formar estrelas mas também homens úteis à sociedade. Um Mamba que nunca se vai “marimbar” para o desporto que o tornou célebre.

A escolinha do Tico está virada para um extracto social pobre de Massaca, arredores de Boane. Há um acordo assinado com o Real Madrid e o ex-internacional, divide o seu tempo e disponibilidade entre esta paixão e a de fazer parte da equipa técnica de um grande clube do Moçambola.

 

 

 

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE