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O País – A verdade como notícia

Não foi hoje que a Liga Moçambicana de Futebol definiu a data do arranque do Moçambola 2019, tal como havia confirmado o respectivo presidente, Ananias Couana, à comunicação social. O adiamento deve-se ao facto do executivo de Couana ter reunido na noite de segunda-feira para traçar a melhor estratégia para a prova, tendo chegado à conclusão de que havia necessidade de envolver os clubes na decisão, que são os maiores intervenientes da competição.

Assim, como forma de dar espaço aos clubes que partem de longe de Maputo, local do referido encontro que devia ter acontecido esta terça-feira, a Liga Moçambicana de Futebol definiu quinta-feira como a data para a definição da data.

Ademais, este tempo ainda pode ser determinante para aquilo que são as pretensões da colectividade que gere o campeonato nacional de futebol, nomeadamente de conseguir fundos para a realização de uma competição de todos contra todos em duas voltas, tal como vem acontecendo. Até ao momento, a Liga Moçambicana de Futebol continua a trabalhar com os seus parceiros para a angariação de valores complementares ao orçamento, estando ainda à espera de uma resposta da Heineken, empresa cervejeira, que ainda não respondeu ao pedido feito publicamente pelo presidente da República, Filipe Nyusi, no acto da inauguração da fábrica, em Bobole.

Para a materialização do Moçambola no modelo tradicional, de todos contra todos em duas voltas, integrando todas as 16 equipas, a Liga Moçambicana de Futebol necessita de 115 milhões de meticais, estando a esta altura com défice de cerca de 62 milhões de meticais, que espera angariar dos parceiros. Ainda assim, mesmo para o modelo alternativo do Moçambola 2019 que, em princípio, será disputado em duas séries de oito clubes divididos em duas regiões, a Liga Moçambicana de Futebol ainda não tem garantido todo valor orçamentado para as despesas de transporte aéreo, apresentando um défice na ordem de aproximadamente de 25 milhões de meticais.

Quinta-feira, na sede da Liga Moçambicana de Futebol, na presença de todos os clubes que vão disputar o Moçambola, será conhecida a data do arranque, bem como a possibilidade de retoma do modelo tradicional, caso haja cabimento orçamental para o efeito.

 

Os técnicos moçambicanos Chiquinho Conde e Rogério Mariani participaram na criação da União dos Treinadores de Futebol dos países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, CPLP. A informação foi avançada pelo jornal electrónico lancemzjornalismo, que refere que esta foi uma iniciativa da Associação Nacional de Treinadores de Futebol de Portugal, ANTF.

O fórum de criação deste órgão que vai juntar os treinadores dos clubes e seleccionadores nacionais dos países de língua portuguesa, teve lugar em Portimão, entre segunda e terças-feiras, e juntou mais de 50 treinadores.

A Associação Nacional de Treinadores de Futebol de Portugal viabilizou o fórum como uma plataforma de troca de experiência entre os treinadores de futebol daquele país europeu, tendo juntado grandes treinadores como são os casos de José Mourinho, antigo treinador do Porto, Inter de Milão, Chelsea, Manchester United e Real Madrid, Fernando Santos, actual seleccionador nacional de Portugal, Rui Águas, actual seleccionador nacional de Cabo Verde, entre outros de renomado conhecimento do futebol mundial.

Chiquinho Conde, por seu turno, entra como treinador do Vitória de Setúbal dos Sub-23, também para ganhar experiência dos mais cotados técnicos lusos que vem se destacando pelo mundo fora. Conde já foi seleccionador nacional por uma partida, para além de que já treinou vários clubes moçambicanos, onde conquistou, inclusive, títulos nacionais.

De acordo com o lancemz, Chiquinho Conde considerou que esta União dos Treinadores de Futebol da CPLP irá preencher a lacuna existente no intercâmbio entre os treinadores da comunidade, visto que passarão a estar ligados através de uma entidade representativa dos técnicos de futebol, a nível dos países membros da CPLP.

Com esta iniciativa pretende-se que a União dos Treinadores de Futebol da CPLP seja uma entidade responsável pela coordenação, cooperação e intercâmbio dos treinadores de futebol a nível da Comunidade CPLP, segundo o lancemz.

Moçambique, entanto que integrante da CPLP, é membro natural desta união, e a Associação Moçambicana de Treinadores de Futebol, liderada por Arnaldo José Salvado, credenciou o treinador Rogério Mariani para representar os técnicos nacionais neste fórum.

Mariani já trabalhou com vários clubes moçambicanos, com destaque para o Chingale de Tete, Ferroviário de Nacala, Estrela Vermelha de Maputo, Vilankulo FC, entre outros, tendo-se notabilizado nos escalões de formação de alguns clubes.

Para além de Chiquinho Conde e Rogério Mariani, técnicos nacionais, este fórum regista a presença de outros treinadores com alguma ligação a Moçambique, como é o caso de Nelson Santos (que já trabalhou no Costa do Sol e Ferroviário de Maputo) e Daúto Faquirá (nascido em Inhambane e há muitos anos radicado em Portugal).

 

O Raja Club Athletic do Marrocos conquistou, na noite da última sexta-feira, na capital do Catar, Doha, a Total Supertaça da Confederação Africana de Futebol (CAF), ao suplantar de forma convincente o “poderoso” Esperance de Tunis, por 2-1, levando consigo o segundo troféu na história do clube.

Aos 31 minutos da contenda, coube a equipa da Tunísia inaugurar o marcador por intermédio Abdelilah Hafidi, enquanto que o Raja chegou ao golo da igualdade, a passagem do minuto 53 por Youcef Belaili. Retomado o equilíbrio do jogo, o treinador do Esperance, Moine Chaabani fez algumas mexidas no seu xadrez, na esperança de dar a volta ao texto. Debalde. Bedr Benoun, aos 65 minutos, decidiu o jogo colocando um ponto final num desafio cheio de cumplicidades.

A vitória do Raja serviu de bóia de salvação depois de uma época que não foi coroada por êxitos por parte da equipa treinada por Patrice Carteron, ex-colega de Moine Chaabani, antigo jogador  do Esperance de Tunis e timoneiro da equipa.

Quis o destino cruzar o caminho destes técnicos depois de tê-lo feito em Novembro do ano passado, quando o técnico francês Patrice Carteron conquistou a Liga do Campeões a custa de Chaabani. Carteron, o até então treinador do Ahly, assumiu o comando do Raja no mês passado.

Esta foi a 27ª edição da Total Supertaça da Confederação Africana de Futebol, desde a sua criação em 1992. Em 19 das últimas 20 edições deste evento, os vencedores da Liga dos Campeões da CAF saíram-se vitoriosos, com a única excepção sendo o Maghreb, do Marrocos, vencendo a Supertaça da CAF de 2012 nos penáltis a expensas do Esperance. Esta foi a terceira derrota sofrida pelo actual campeão africano, a outra foi 1999 para os gigantes da Costa do Marfim ASEC Mimosas. O único triunfo desta formação foi em 1995.

O Esperance, detentor de seis títulos nas provas da CAF, fez sua quarta aparição. Eles ganharam o troféu em 1995, mas não conseguiram repetir a façanha em 1999 e 2012. Por outro lado, o Raja, que também tem o mesmo número (seis) de títulos nas competições da CAF apareceu na pela terceira vez, com registo de uma conquista conseguida em 2000.

Esta foi a primeira vez que a Supertaça é disputada fora do continente africano. O Estádio Al Gharafa contou com uma adesão massiva de adeptos que acorreram ao campo para assistir ao jogo.

 

 

O Campeonato nacional da segunda divisão nas três regiões do país já foi sorteado e as equipas já conhecem seus adversários até ao final da prova. O destaque, ao nível da zona sul, vai, sem dúvidas, para os estreantes na prova, nomeadamente Associação Black Bulls, pela cidade de Maputo, e Temusa Costa do Sol, da Massinga, a defrontarem-se na jornada inaugural.

Ainda sem data para o início da prova, estas duas equipas poderão se defrontar no campo do Afrin, na Matola, pese embora esforços estejam a ser feitos para que o Estádio do Black Bulls esteja pronto até ao arranque da prova. Assim, estas duas equipas marcam estreia se defrontando, naquele que será o jogo de abertura da divisão de honra, zona sul.

Já a campeã, em campo, da divisão de honra do ano passado, a Associação Desportiva de Macuácua (ADM), inicia a luta pela subida ao Moçambola 2020 recebendo no seu campo, renovado, o Ferroviário de Inhambane, na expectativa de somar os primeiros pontos que vão ajudar no objectivo principal. A ADM viu o título conquistado ano passado ser-lhe retirado na secretária, por alegado mau uso de um jogador, facto que fez com que perdesse pontos e em seu lugar ascendesse o Desportivo de Maputo, para a presente edição do Moçambola.

Dos outros candidatos a subida ao Moçambola 2020 e que já experimentaram os ares da maior prova futebolística do país, o Estrela Vermelha recebe o Ferroviário de Gaza, num jogo que se adivinha de difícil prognóstico. O Matchedje de Maputo, que beneficiou da desistência do Vilankulo FC para ascender à divisão de honra, zona sul, vai reestrear nesta prova em Boane, quando medir forças com o ESFA. A Académica, equipa que chegou às meias-finais do torneio Mavila Boy, entra para esta prova como outra candidata a ascensão ao Moçambola 2020 e inicia a prova defrontando as Águias Especiais.

Finalmente, ao nível da zona sul, o Desportivo da Matola, que subiu do provincial de Maputo, tem pela frente o Instituto Politécnico de Gaza. Este jogo é, também, de estreia das duas equipas, que ano passado estiveram nos respectivos campeonatos provinciais.

 

UP de Chimoio desiste e deixa caminho para 1º de Maio e Chingale

No que diz respeito a zona centro, das equipas que desceram do Moçambola 2018, UP de Manica e 1º de Maio de Quelimane, uma delas não vai disputar o regresso ao Moçambola, em 2020. Trata-se da UP de Manica, que desistiu de participar nesta prova, deixando caminho aberto para os “trabalhadores” de Quelimane poderem lutar pela subida. Mas terá a forte concorrência do Chingale de Tete, que devido ao número ímpar das equipas, ficará de fora na primeira jornada. Assim, o 1º de Maio de Quelimane desloca-se a Tete para medir forças com o Lion de Missawa, enquanto o Ferroviário, também de Quelimane, vai a Mocuba, defrontar o Matchedje. O Pipeline da Maforga vai ter pela frente o 3 de Fevereiro de Quelimane e as duas equipas da Beira defrontam-se entre si, nomeadamente Água Vumba e Liga de Sofala.

Entretanto, nesta zona nada está claro em relação a participação de todas equipas, uma vez que grande parte dos clubes foi afectada pelo ciclone IDAI, o que poderá fazer com que desistam por dificuldades financeiras para custear as despesas da prova. Mas os próximos dias serão determinantes para se saber se todas participam ou não.

 

Em prol das vítimas do ciclone Idai e das cheias na zona Centro do país, a União Desportiva do Songo organizou neste sábado um torneio de angariação de donativos, denominado futebol solidário.

Aprova envolveu quatro equipas, nomeadamente Lion de Missawa e Chingale de Tete (representantes da província na divisão de honra zona Centro), Ferroviário de Magamoyo de Moatize e União Desportiva do Songo – bicampeão nacional.

No jogo mais importante da tarde, o Chingale de Tete venceu a União Desportiva do Songo por uma bola. O tento dos canarinhos de Tete foi conseguido ao minuto 85, na conversão de uma grande penalidade a castigar hidroeléctricos. No final do jogo, os organizadores da prova mostraram-se felizes pela adesão do público e pelo movimento de solidariedade.

Os bens recolhidos foram entregues ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), o qual fará chegar aos necessitados. O representante do INGC em Tete, Júlio Maduela, disse que no final do torneio venceu a solidariedade.

 

Moçambola 2019 inicia na primeira quinzena de Abril. A prova vai ser disputada no molde de todos contra todos em duas voltas, tal como vinha acontecendo. 

De resto, a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) tem vindo a encetar contactos junto aos parceiros para que o campeonato nacional de futebol mantenha o tradicional figurino. 

O facto foi dado a conhecer quinta-feira passada por Ananias Couana, presidente da Liga Moçambicana de Futebol, durante a visita que efectuou ao campo da Soalpo, uma das infra-estruturas que sofreu com a passagem do ciclone IDAI.

Couana pretendia se inteirar sobre os estragos e perceber sobre o processo de reabilitação da mesma para que possa acolher jogos da maior prova futebolística do país. 

E, quando questionado por jornalistas a propósito do arranque da prova, disse que a mesma irá arrancar na primeira quinzena de Abril.

Coana disse ainda que a prova será disputada, em princípio no modelo de todos contra todos em duas voltas.

Sobre o campo da Soalpo, a Liga diz que o recinto está em condições de acolher jogos. Recorde-se que com a passagem do ciclone IDAI parte do muro de vedação do campo da Soalpo desabou e a sua reabilitação já está na fase conclusiva

 

O presidente da Liga Moçambicana de Futebol, Ananias Couana, garante já estarem criadas condições para a marcação da data do início do Moçambola 2019, depois do adiamento que aconteceu derivado da destruição que o ciclone Idai provocou nos campos de jogos, principalmente nas províncias de Sofala e Manica, onde existem equipas que vão disputar o campeonato nacional. Em Sofala, por exemplo, o “caldeirão” do Chiveve sofreu com as inundações e já está na fase de reabilitação, tendo a Liga Moçambicana de Futebol recebido garantias de que estará normalizada dentro de alguns dias para acolher jogos da Moçambola.

Ananias Couana esteve na Beira esta quinta-feira para se reunir com as direcções do Ferroviário da Beira e do Têxtil de Púnguè, duas equipas que vão corporizar o Moçambola, tendo recebido garantias de recuperação das instalações desportivas dentro dos próximos dias.

Hoje, a direcção da Liga Moçambicana de Futebol estará em Chimoio, onde vai se reunir com a direcção do Textáfrica do Chimoio, também para verificar as obras de reabilitação do campo da Soalpo, que viu parte do muro de vedação destruído, bem como parte das suas instalações da sede do clube.
 
Couana ainda com esperança do Moçambola tradicional
Entretanto, em entrevista a Rádio Moçambique, canal desportivo, Ananias Couana mostrou-se confiante ainda em realizar o campeonato nacional nos moldes habituais de todos contra todos, com todas as 16 equipas a se defrontarem em duas voltas.

Na referida entrevista, o presidente da LMF disse que a sua direcção continua a realizar contactos junto do empresariado para poder viabilizar a cobertura do défice de pouco mais de 62 milhões de Meticais no orçamento de 115 milhões de Meticais para realizar a prova nos moldes habituais.

Para já, o Moçambola 2019 está projectado para se disputar no modelo de duas séries de oito clubes divididos em duas regiões, sendo que a LMF ainda não tem garantido todo valor orçamentado para as despesas de transporte aéreo, apresentando um défice na ordem de aproximadamente de 25 milhões de Meticais.

Na próxima terça-feira a direcção da Liga Moçambicana de Futebol vai se reunir para decidir pela data do arranque do Moçambola 2019, que se espera inicie ainda em Abril próximo.

O internacional moçambicano, Reinildo Mandava, diz ter sido bem recebido pelos colegas no Lile, conjunto para o qual se transferira na última janela por empréstimo do Belenenses. O esquerdino promete continuar a trabalhar para se (a)firmar no actual segundo classificado da Ligue 1, campeonato francês de futebol. Reinildo considera que, “se eles me chamaram é porque viram qualidade em mim”. E conclui: “agora é só acreditar que tudo é possível”.

Reinildo uma fase nova para a sua carreira no Lille da França. O que significa para esta nova experiência?
Para mim, representa um novo desafio. Sou jovem e gosto de encarrar os desafios. É uma terra nova, uma equipa nova, mas sempre com os mesmos objectivos, que passam por ajudar o grupo naquilo que são os objectivos da equipa. Está a ser muito bom pra mim, desde a adaptação até ao trabalho que tenho feito lá. Já tive a oportunidade de me estrear. Agora é só continuar a trabalhar para ter a oportunidade de me firmar na posição.

Está no Lille a título de empréstimo. Está é uma oportunidade para agarrar a oportunidade que lhe é dada?
Com certeza, estou emprestado por opção do clube. No fim do campeonato, o Lille vai decidir. Mas para mim, é como tenho dito, vou continuar a trabalhar e o resto vem depois porque se eles me chamaram é porque viram qualidade em mim. Agora é só acreditar que tudo é possível.

Como é que vê o seu progresso no futebol europeu? Entrou pela mão do Benfica, mas teve que passar por clubes de escalões um pouco mais secundários e agora aparece no Lille. Se calhar foram os momentos que fizeram com que eu crescesse, mais pelas dificuldades causadas pela lesão que tive. Depois sai emprestado para o Fafe e segui para o Covilhã. Isso serve de exemplo para os outros companheiros e colegas. Para nós que estamos a sair de Moçambique para a europa, serve como um trampolim, mas tens que trabalhar para fazer o seu nome, que é para as pessoas te conhecerem realmente. Se eu fosse uma pessoa que não gostasse de trabalhar hoje não estaria aqui onde estou agora. Porquê? Porque eu fui para o Benfica, depois fui para o Fafe que era uma equipa que estava a lutar para se manter na primeira divisão. Mas graças a Deus, como eu trabalho arduamente ao mesmo nível e quero sempre superar dia pós dia, então foi isso que aconteceu. Continuei a trabalhar, fui para o Covilhã onde surgiu a oportunidade de seguir para a primeira liga, neste caso o Belenenses. Joguei e, em seis meses, estou aqui. Isto serve de exemplo para muitos colegas e outros que ainda vão sair do nosso país. Em Moçambique, temos muitos talentos, então que sirva de exemplo e seja uma referência. Aquilo que eu passei fez com que eu trabalhasse ainda mais. Portanto, quando este tipo de coisa acontece só se pode esperar algo bom. Foi isso que aconteceu e, agora, estou aqui.

O Lile é o actual segundo classificado da Ligue 1, campeonato francês de futebol, com 57 pontos, menos vinte que o líder PSG. Que tipo de ambiente encontrou e como foi o seu enquadramento?
Desde o primeiro momento receberam-me muito bem. Foi muito bom com os colegas. Como eu sou uma pessoa que se integra muito bem não foi difícil. Eu gosto de trabalhar e sou uma pessoa muito alegre. Isso faz com que as pessoas gostem de mim. Foi fácil porque eles me receberam muito bem.

Qual é a meta? Portugal ou França, neste continuar no Lile onde poderá jogar a Liga dos Campeões? Onde pretende chegar?
Eu vou usar um ditado que a minha avó sempre me disse que quando eu estava no Ferroviário da Beira: meu neto, trabalha sempre que a meta é céu. Claro que eu tenho ambições de chegar a outras equipas e outros campeonatos que eu sempre almejei jogar. Eu continuo a trabalhar e as coisas vão aparecer. Se for para acontecer, as coisas irão acontecer.

“Queria estar na Beira para sentir de perto aquilo que eles estão a sentir”

Porque a opção de Reinildo pelo campeonato francês?
Porque a França? Por causa da oportunidade. Eu sou um jogador, como referia, que gosta muito de desafios. Percebe? Então, como eu já estava há muito tempo em Portugal e, sendo uma equipa que está a lutar pelos seus objectivos, eu disse porque não aceitar estes desafio e tentar ajudar? Foi isso que eu fiz. Para mim, é indiferente pois podia ser Inglaterra ou Espanha. Foi a França e pode servir de trampolim.

Está em França, mas como sabemos é natural da Beira. Qual o seu sentimento após a devastação da cidade da Beira pelo ciclone IDAI? Como é que o Reinildo recebeu esta triste notícia?
Esta é a parte menos boa para mim porque, como vocês sabem, eu sou da Beira. Por aquilo que eu vi, quando cheguei pedi ao seleccionador nacional para me dispensar durante um dia porque eu não tinha nenhuma informação da minha família. Não sabia o que estava a acontecer, estava apenas informado através das redes sociais que o ciclone devastou Beira. Quando cheguei, estava muito preocupado e perturbado. Não sabia qual era a situação da minha família. Eu já perdi pai e mãe e a única família que eu tinha lá era são os meus irmãos, mesmo assim eu não sabia deles. Não sabia o que aconteceu. Foi uma situação muito difícil para mim porque sou muito sentimental.

E como é que conseguiu contactar os seus irmãos, numa situação em que havia problemas de comunicação após a passagem do ciclone IDAI?
Graças a Deus consegui falar com a minha família dois dias depois. Graças a Deus está tudo bem.

Que mensagem deixa ficar a todas as vítimas do ciclone IDAI que provocou mais de duzentos óbitos e um grande rasto de destruição?
Nós beirenses somos nunca desistimos. Portanto, independentemente do que se passou com eles, afectou a mim e a outros beirenses e todo povo moçambicano. Quero dizer a todos que devem continuar com este espírito e nunca desistam. Eu sei que é muito difícil neste momento. Queria estar lá para sentir de perto aquilo que eles estão a sentir. É a província que me fez crescer. Muita força para eles. É com muita que agora irei voltar para a França para continuar com o meu trabalho. Quando voltar de férias, a primeira coisa que irei fazer é viajar para a Beira para tentar ajudar com aquilo que conseguir às famílias que perderam os seus entequeridos e os seus bens e que não tem a possibilidade de ter sequer um prato de comida. Isso choca-me porque eu já passei por isso na vida. Vou ajudar naquilo que for possível. Eu quero ajudar. Sinto-me bem em fazer. Tudo irá correr bem. Tudo irá voltar à normalidade.

 

Dos vários artigos que se tem destacado sobre o descalabro dos Mambas, em vários órgãos de comunicação social e até nas redes sociais, há que destacar as declarações do seleccionador nacional da Guiné-Bissau, Baciro Candé, no final do encontro que ditou o afastamento dos Mambas da fase final do Campeonato Africano das Nações, CAN-2019. O seleccionador dos Djurtus diz que a sua equipa de tudo fez para que os Mambas se qualificassem, sem no entanto deixar claro que houve facilidades para que Moçambique vencesse o jogo. Aliás, nem foi preciso parecer que os guineenses facilitaram a vitória dos Mambas. Isso porque a avalanche ofensiva dos Mambas podia ter permitido que mais golos tivessem entrado, para além dos dois que foram marcados por Ratifo e Nelson. Os Mambas falharam que se fartaram nesse jogo e comparado com as oportunidades da Guiné-Bissau, que teve apenas três, sendo duas que deram em golo e aquela em que Leonel foi superior ao seu adversário ao desviar a bola, quando já se gritava golo, devia ter saído a golear.

Facto mesmo é que no jogo da Guiné-Bissau Deus não quis, realmente, que as duas selecções se qualificassem ao CAN-2019. Há que concordar com as declarações de Baciro Candé, na medida em que muito de estranho e extraordinário aconteceu no Estádio 24 de Setembro, em Bissau.

 

Recordando os últimos 20 minutos do jogo

Quando se jogava o minuto 75 do jogo, houve um grito de alegria no estádio, porque a Zâmbia já vencia por 3-0 a Namíbia, e acontecesse o que acontecesse no Guiné-Bissau vs Moçambique, os guineenses já estavam (completamente) no CAN-2019. Nessa altura um guineense foi ao banco técnico informar a Baciro Candé do resultado de Lusaka. Nessa altura, com o resultado ainda em 1-1, Candé deu ordens para abrandar o jogo dos anfitriões, facto que foi consentido pelos seus. Os Mambas tinham que puxar dos galões para reverter o cenário a seu favor. Bom grado que Nelson tenha entrado e depois de ameaçar tenha marcado mesmo (quanta facilidade na área da Guiné), colocando a selecção de Moçambique no CAN.

Adeptos das duas selecções, lado a lado, festejavam a qualificação dos dois. Na tribuna, o Primeiro-ministro da Guiné-Bissau e a Vice-Ministra da Juventude e Desportos de Moçambique, também festejavam a qualificação dos dois.

Chegou o minuto 90 e o quarto árbitro levantou quatro minutos de compensação. Ai sim, era o martírio dos moçambicanos!

Ao minuto 92 Witi comete falta (desnecessária) contra um adversário. Com a interrupção do jogo, Leonel cai e pede assistência. A razão do pedido de assistência naquele momento não foi clara, uma vez que não houve nenhum toque nos lances imediatamente anteriores a essa hora para que parasse o jogo.

E veja o aconteceu: a selecção da Guiné-Bissau se reorganizou na área moçambicana enquanto esperava a recuperação de Leonel e a autorização para a reposição da bola. Nessa altura, os moçambicanos estavam mais concentrados no apito final do árbitro e esqueceram-se dos posicionamentos na defesa. A bola é bombeada para a área, Jeitoso ajeita a bola para o poste, Leonel se estica e não chega a bola, esta sobra para um guineense, que sozinho nada podia fazer senão desviar para o golo. Aliás, se falhasse aquele lance, levantaria, de certeza, suspeitas de combinação de resultados. Era a “morte do artista” em campo. Deus permitiu o golo dos Djurtus. Se não fosse Mendy a marcar o golo do empate, certamente um moçambicano teria feito auto-golo, para desagrado de todos nós.

Logo a seguir, os Mambas beneficiam de um livre, à entrada do meio campo contrário. Todos jogadores vão a área de Jonas. Mas, como Deus não queria que as duas selecções fossem juntas ao Egipto, o livre foi muito mal cobrado. Ao invés de levantar a bola para a área e esperar por uma confusão qualquer e, quem sabe, um golo surpresa ou uma grande penalidade, a livre foi rasteiro e direitinho para um adversário que inicia um contra-ataque que dá no terceiro golo dos guineenses. Mas o assistente levantou a bandeirola e foi marcado o fora-de-jogo (ainda tenho dúvidas se houve ou não), que evita a derrota, ficando-se pelo empate.

 

O que devia ter acontecido?

Quando Witi comete falta contra seu adversário, era necessário deixar que a marcação fosse rápida. Isso faria com que o livre fosse cobrado de forma curta e aí não haveria possibilidade da bola ser bombeada para a área. Não permitiria que os jogadores se reposicionassem dentro da área. E num toque curto permitiria que a defesa subisse e deixasse os jogadores Djurtus em posição irregular. Para dizer: basta de queimar tempo quando se está em vantagem e já nos minutos finais. Não ajuda em nada à nossa selecção.

Aliás, este jogo foi cópia da primeira volta entre estas duas selecções, em Maputo. Quando há lançamento na direita do ataque dos Djurtus, Witi cai e pede assistência. Permitiu que os guineenses se reorganizassem na área dos Mambas e aquele lançamento foi fatal. Se não tivesse havido paragem, o lançamento seria, certamente, mais curto e com possibilidade de uma defesa a tempo. São erros de concentração que se pagam caro em momentos decisivos.

 

QUALIFICAÇÃO NÃO FOI PERDIDA EM BISSAU

Fazendo as contas da (des)qualificação dos Mambas ao CAN-2019, há que realçar que a mesma não foi perdida em Bissau, como muitos pensam que aconteceu.

Afinal, depois da vitória em Ndola, diante da Zâmbia, estava tudo encaminhado para uma qualificação (quase que) folgada, mesmo na fase de 16 selecções, uma vez que se contavam mais duas vitórias caseiras, diante da Guiné-Bissau (algo que até aconteceu), e contra a Namíbia, para depois esperar por um empate diante da Zâmbia, em casa, o que faria com que, pelo menos, tivéssemos 10 pontos. Suficientes para a qualificação.

Veio a segunda jornada e empatamos de forma escandalosa com a Guiné-Bissau num jogo em que ficou a ideia de “pacto de não agressão entre irmãos”. Até ai ainda estávamos a liderar e com possibilidade de continuarmos firmes no comando, desde que vencêssemos a Namíbia, o out side do grupo (tal como a Guiné-Bissau que vinha com alguma inexperiência de jogos do CAN, apesar de estar a vir do último). A derrota no Zimpeto foi a gota que transbordou o mar moçambicano. Difícil de engolir! Afinal o golo da vitória dos namibianos foi cópia do segundo dos Djurtus, em tempo de compensação. Mas havia ainda a possibilidade de nos redimirmos em Windhoek. Falso! Voltamos a perder. Não só o jogo, como a liderança, mandada para a Namíbia, às nossas custas. Foi, claramente, nesse jogo que perdemos a qualificação. Perdemos a nossa qualificação e oferecemos a Namíbia.

A vitória diante da Zâmbia, em Maputo, foi apenas um bónus para dar esperança a um povo que sempre acredita, mesmo sabendo que a estátua de Eduardo Mondlane não se vai deslocar de onde está.

Ana Flávia Azinheira, vice-ministra da Juventude e Desportos, disse, quando consolava os jogadores, que a qualificação não foi perdida em Bissau, mas nos jogos realizados em casa, onde se esperava que tivéssemos sete pontos, no mínimo, e só conseguimos quatro. No fim, fica a sensação de fracos que eliminaram a forte Zâmbia e foram eliminados pela frágil Namíbia.

Agora é só esperar pela próxima fase de qualificação ao CAN, a começar no segundo semestre deste ano para o CHAN-2020 e depois na segunda metade de 2020, para o CAN dos Camarões, em 2021.

 

Chiquinho Conde perdoou Mendy por ter marcado aos Mambas

 

 

O antigo capitão da selecção nacional de futebol, os Mambas, Chiquinho Conde, agora treinador da equipa sub-23 do Vitória de Setúbal, viveu uma desilusão enorme ao ver o “seu” Moçambique ser afastado do Campeonato Africano das Nações (CAN-2019) com um golo da Guiné-Bissau, ao minuto 90+4, marcado por Mendy, avançado guineense que actua na equipa principal da formação sadina. Uma pequena traição que Chiquinho Conde não valoriza tanto quanto isso.

Segundo escreve o jornal Notícias ao Minuto, Chiquinho Conde disse ter perdoado o jogador guineense e assume que este nada mais tinha a fazer senão marcar o golo, que lhe foi dado de bandeja.

O antigo internacional moçambicano disse ainda que “são coisas do futebol e o Mendy só fez o que tinha de fazer, ajudar o seu país a ter um melhor resultado. É normal…”, numa clara alusão ao facto do jogador não ter tido outra solução naquele lance, senão fazer o que mais sabe fazer, marcar. Aliás, Mendy foi o mesmo jogador que apontou o golo de empate no jogo do Estádio Nacional do Zimpeto, no jogo da primeira volta, ou seja, na segunda jornada, num jogo que terminou, também, com 2-2.

Entretanto, o agora treinador dos sub-23 do Vitória de Setúbal, equipa que enquanto futebolística representou durante muitas épocas, diz que estar no CAN do Egipto pode ser momento importantíssimo para Mendy, uma vez que “numa grande competição, um jogador pode valorizar-se muito e certamente que esse é um dos objectivos dele. A cotação dele pode subir”.

Chiquinho Conde fala com conhecimento de causa, uma vez que disputou três edições do Campeonato Africano das Nações.

Em toda carreira de futebolística, Chiquinho Conde realizou 575 jogos, tendo marcado 125 golos. Pela selecção nacional, fez 98 jogos e marcou por 4 ocasiões. Fez grande da sua carreira em Portugal, depois de ter saído do Maxaquene em 1987.

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