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O País – A verdade como notícia

O seleccionador nacional de basquetebol da Nigéria, Otis Hughley, já anunciou as 12 atletas que irão disputar, de 14 a 18 de Novembro, em Maputo, o torneio pré -olímpico feminino.

As campeãs africanas vem a Maputo com nove das 12 atletas que conquistaram, em Agosto, em Dakar, Senegal, o Afrobasket-2019.
Trata-se de Ezinne Kalu, MVP, Adaora Elonu, capitã, Evelyn Akhator, Promise Amukamara, Aisha Balarabe, Ify Ibekwe, Sarah Imovbioh, Victoria Macaulay e Atonye Nyingifa.

Seriamente apostada em passear a sua classe no pavilhão do Maxaquene, a Nigéria chamou ainda para esta competição Upe Atosu, atleta que jogou pela última vez nas D' Tigress em 2017, em Bamako, Mali.

Hughley convocou ainda Elizabeth Balogun, atleta que evolui na Universidade de Louisville e foi nomeada melhor “rookie” da Conferência da Costa Atlântica do ano quando jogou na Georgia Tech University.

Balogun, de 19 anos, faz a sua estreia internacional, assim como a talentosa poste  Kunnayi-Akpannah, que falhou  o Afrobasket 2019.

As nigerianas irão desembarcar em Maputo no dia 9 de Novembro, sendo que a sua estreia está marcada para 14 de Novembro diante da República Democrática do Congo.

Já no dia 16, as campeãs africanas batem-se com Moçambique. No grupo “B”, estão as selecções nacionais de Angola, Mali e Senegal.
Nesta prova, as duas melhores equipas de cada grupo avançarão para as meias-finais, com o vencedor do grupo “A” a bater-se com o segundo do “B”.

O primeiro classificado do grupo “B” mede forças com o segundo do grupo “A”. Os dois vencedores nas meias-finais passam para o WOQT, prova que movimentará de 16 países.

 

 

O Ferroviário de Maputo tem jogo marcado para esta quarta-feira diante do Têxtil de Pungue, em atraso, referente a 27ª jornada do Moçambola 2019. Outro jogo em atraso será disputado entre o Textáfrica do Chimoio e o Desportivo de Nacala.

As emoções do Moçambola 2019 tem o seu prosseguimento na tarde desta quarta-feira, com a disputa de dois jogos em atraso, referentes a 27ª jornada, que foi disputada no domingo passado. Trata-se dos embates entre o Ferroviário de Maputo e o Têxtil de Púnguè e o Textáfrica de Chimoio vs Desportivo de Nacala, que não se realizaram devido ao compromisso que os “locomotivas” de Maputo e os “fabris” do Planalto tiveram no domingo, referente à Taça de Moçambique.

Textáfrica do Chimoio e Ferroviário de Maputo defrontaram-se no domingo para a segunda mão da primeira meia-final da Taça de Moçambique, eliminatória ganha pela turma da capital do país nas grandes penalidades, por 4-3, depois do empate a dois golos, no conjunto das duas mãos.

Uma partida que obrigou ao adiamento dos dois jogos ora marcados para esta quarta-feira em Maputo e Chimoio, respectivamente, no Estádio da Machava e no campo da Soalpo, referentes a 27ª jornada.

Os “locomotivas” da capital do país procuram somar três pontos para alcançarem o seu homónimo da Beira e chegar ao terceiro lugar da tabela classificativa, estando a esta altura com 39 pontos, menos 3 que o Ferroviário da Beira, enquanto os “fabris” da Manga, já despromovidos do campeonato nacional, uma vez que mesmo vencendo todos os jogos que ainda faltam não somam pontos suficientes para se manterem no Moçambola, e jogam pela honra.

O embate entre Ferroviário de Maputo e Têxtil de Pungue é para ver em directo, na Stv Noticias, a partir das 15H00.

Já o Textáfrica do Chimoio, ferido após eliminação da Taça de Moçambique, vai defrontar um Desportivo de Nacala que procura a todo custo sair da zona perigosa, uma vez que está um lugar acima da zona da despromoção, com mais um ponto que o primeiro dos que estão a abaixo da linha d’água. A turma de Chimoio também procura somar os três para garantir de uma vez por todas um lugar no Moçambola 2020.

 

“Hidroeléctricos” com menos três jogos

Reza o regulamento de competições da Liga Moçambicana de Futebol que as três últimas jornadas devem ser disputadas no mesmo dia e à mesma hora, salvo se forem jogos que não influenciam em nada para a conquista do título ou para a fuga a despromoção, facto que foi transgredido este ano.

É que faltam por disputar apenas três jornadas até ao final do Moçambola 2019, o que devia presumir que os jogos fossem no mesmo dia e à mesma hora. Entretanto, a Liga Moçambicana de Futebol já marcou os jogos da antepenúltima jornada da prova, a 28ª, para este domingo que vem, mesmo estando em uma situação de ter a União Desportiva de Songo com três jogos em atraso, nomeadamente diante do Incomáti de Xinavane, em casa, Ferroviário de Maputo e Costa do Sol, fora.

Ainda assim, os três jogos ainda não tem data para a sua realização, uma vez que esta quarta-feira os “hidroeléctricos” jogam para a segunda mão da segunda meia-final da Taça de Moçambique, no Chiveve, diante da Liga Desportiva de Sofala, equipa que goleou na primeira mão por 9-0.

Facto mesmo é que depois dessa jornada o Moçambola vai parar para dar lugar aos jogos da selecção nacional, os Mambas, que tem dupla jornada com o Ruanda e Cabo Verde, referentes a qualificação ao CAN-2021.

 

 

A União Desportiva de Songo está na cidade da Beira para defrontar na tarde de amanhã a Liga Desportiva de Sofala, em jogo da segunda mão da meia-final de acesso a final da Taça de Moçambique. Os “hidroeléctricos” já estão com um pé e meio da final da segunda maior competição futebolística do país, após infringirem uma estrondosa goleada ao seu adversário, na primeira mão, por 9-0.

A Liga Desportiva de Sofala, equipa do escalão secundário, disputou a divisão de honra zona centro, prova que terminou na terceira posição, com menos um pontos que dupla que disputou a finalíssima, nomeadamente Matchedje de Mocuba e Ferroviário de Quelimane. Na Taça de Moçambique, a turma de Sofala afastou surpreendentemente o Desportivo Maputo nos quartos-de-final, com agregado de 3-2, tendo saído a sorte de defrontar o campeão nacional na penúltima fase antes da final.

Mas não teve pernas, na primeira mão, para segurar a avalanche ofensiva dos “hidroeléctricos”, que apontaram nove golos na sua baliza, deixando a decisão mais clara em relação ao finalista, já que dificilmente iria reverter a pesada goleada sofrida.

Entretanto, ainda sem data, uma vez que espera pelo término do Moçambola 2019, a Taça de Moçambique já tem um finalista, que é o Ferroviário de Maputo, que afastou o Textáfrica de Chimoio nas meias-finais, por 4-3 na marcação das grandes penalidades, depois do empate a duas bolas, no final das duas mãos.

 

 

A última goleada sofrida pela União Desportiva de Songo diante do Bidvest Wits da África do Sul tem sido motivo de discórdias entre os amantes do futebol moçambicano.

Para alguns, seria sinal da qualidade do futebol moçambicano, mas para outros é sinónimo da grandeza do seu adversário, não só ao nível do seu país, a África do Sul, mas também de todo continente.

Os “hidroeléctricos” de songo foram goleados no domingo pela Bidvest Wits por claros 6-0, em jogo da segunda mão do play-off de acesso a fase de grupos da Taça CAF, numa eliminatória que terminou com agregado de 8-1 para a equipa onde milita o moçambicano e capitão dos Mambas, Dominguez.

Entretanto, há factores que podem ter contribuído para este descalabro do campeão nacional, que em 17 dias realizou sete jogos, entre nacionais e internacionais.

A União Desportiva de Songo iniciou a maratona de jogos seguidos na quarta-feira do dia 17 de Outubro, quando deslocou a Nacala para defrontar o Ferroviário local, numa partida que venceu 1-2. Três dias depois, ou seja, a 20 do mesmo mês, recebeu e derrotou o Desportivo Maputo, por 3-0, viajando logo a seguir a Maputo para jogar e vencer o Maxaquene por 0-1, a 23 de Outubro, numa quarta-feira.

A turma de Songo não saiu mais de Maputo, uma vez que quatro dias depois defrontou e perdeu diante do Bidvest Wits, para a Taça CAF, por 1-2, a 27 de Outubro, domingo. Mas depois teve que viajar para Songo, onde na quarta-feira do dia 30 recebeu e venceu a ENH de Vilankulo, a tangente, antes de voltar a seguir viagem para Joanesburgo, onde no domingo foi goleado pelo Bidvest, desta feita por 6-0.

Ou seja, em 17 dias os “hidroeléctricos” fizeram sete jogos, dos quais somaram cinco vitórias e duas derrotas que significaram o adeus das afrotaças 2019/2020.

Entretanto, a saga dos jogos seguidos ainda não terminou para a turma de songo, que depois de Joanesburgo desloca-se a Beira, onde na quarta-feira, amanhã, vai defrontar a Liga Desportiva de Sofala, em partida da segunda mão das meias-finais da Taça de Moçambique, uma eliminatória que tem vantagem de 9 golos, trazidos da primeira mão.

Logo a seguir, já no domingo, dia 10 de Novembro, terá mais um jogo, em casa, diante do Desportivo de Nacala, para a 28ª jornada. Faltarão, ainda assim, três jogos em atraso por disputar, nomeadamente frente ao Incomáti de Xinavane, Ferroviário de Maputo e Costa do Sol, referentes ao Moçambola 2019.

 

 

Mais da metade dos jogadores moçambicanos que actuam fora de portas foram titulares nas suas equipas nos jogos da última jornada dos respectivos campeonatos. O destaque vai para Reinildo e Reginaldo, que fizeram todo jogo pelo Lille e no Shakhter.

A última convocatória de Luís Gonçalves, seleccionador nacional de futebol, tinha 12 jogadores moçambicanos a actuarem fora de portas, nomeadamente Zainadine Jr., Malembane, Edmilson, Reinildo, Kambala, Kamo Kamo, Dominguez, Geny Catamo, Neymar, Witi, Ratifo e Reginaldo. Mas há mais moçambicanos fora de portas, casos de Bruno, Geraldo, Mexer e outros, que mesmo sem ter estado na última convocatória, fazem parte do espaço da selecção nacional.

Para hoje, trazemos alguns dos jogadores que estiveram em evidência este final de semana, sem descurar o facto de Reinildo ter recuperado a titularidade e poder a ser utilizado já esta semana, para a Liga dos Campeões europeus.

 

Reinildo Mandava

Esteve de fora da equipa durante dois jogos, por lesão, sofrida em Nairobi, no jogo amigável diante do Quénia, em que os Mambas venceram por uma bola sem resposta. Recuperou da lesão e consequentemente a titularidade, tendo feito os últimos dois jogos, nomeadamente diante do Bordéus, do colega Mexer, e no sábado, frente ao Marselha, onde actuou como médio esquerdo. Nessa última jornada o Lille perdeu em Marselha, por 2-1.

Hoje, quando forem 22H00, o Lille vai disputar a 4ª jornada da Liga dos Campeões europeus, diante do Sevilha da Espanha, num jogo que o moçambicano poderá ser chamado para dar seu contributo, tal como o fez em sete, dos 12 jogos, da sua equipa, esta temporada.

 

Reginaldo Faite

É titular há 13 jogos no Shakhter do Cazaquistão. Nesta jornada, Reginaldo, que já soma 3 golos no campeonato cazaque, foi titular e fez os 90 minutos do jogo, apesar da sua equipa ter perdido diante do Aqtobe, por 3-2. Aliás, Reginaldo ainda apontou, aos 58 minutos, o golo que dava empate à sua equipa, mas os donos da casa acabaram por fixar a derrota do Shakther aos 64 minutos. A turma de Reginaldo ocupa a esta altura a oitava posição, com 35 pontos, menos 34 que o líder da prova, o Astana, que soma 69.

 

Dominguez

Depois da performance do jogador no jogo diante da União Desportiva de Songo, em Maputo, para a primeira mão do play-off de acesso a fase de grupos da Taça CAF, em que fez duas assistências, o capitão dos Mambas voltou a estar em evidência este domingo, novamente a titular, e a ajudar a sua equipa a massacrar o campeão nacional, desta vez por 6-0. O “puto maravilha” voltou a fazer duas assistências que garantiram a goleada da sua equipa e a passagem a fase de grupos, cujo sorteio será feito ainda esta semana.

Dominguez recuperou a titularidade no Bidvest, depois de um início de temporada algo conturbado, em que não era convocado a equipa, o que acabou fazendo com que não fosse chamado para a eliminatória diante das Maurícias, de apuramento a fase de grupos de qualificação ao mundial 2022.

 

Geny Catamo marca nos juniores

Esteve em evidência nos juniores do Sporting, este sábado, na goleada imposta a União de Leiria, por 9-0. O moçambicano esteve em campo uma hora de jogo, já que aos 60 minutos foi substituído, quando a equipa já vencia por 6-0, com contribuição de Catamo, que marcou o quarto golo aos 26 minutos. O jogador, que tem oscilado entre os juniores e a equipa sub-23 do Sporting, é a grande revelação dos “leões”, contando esta temporada com quatro golos marcados, em 12 jogos disputados.

 

Amâncio “Neymar” Canhembe

Neymar esteve a titular na derrota dos sub-23 do Vitória de Setúbal, por 3-0, tendo feito todo o jogo. Desta vez o avançado não conseguiu evitar a derrota da sua equipa, pese embora esteja a fazer uma boa campanha na sua equipa.

Tal como Amâncio “Neymar” Canhembe, Bruno Langa também foi titular e totalista este sábado, enquanto Kamo Kamo, outro moçambicano que faz parte da equipa orientada por Chiquinho Conde, entrou só na segunda parte, tendo feito os últimos 32 minutos. Em 14 jogos, a equipa sadina está na 11ª posição, com metade dos pontos do líder e luta pelos lugares da fuga a despromoção.

 

Stanley Ratifo

O germano-moçambicano esteve em campo os 90 minutos do jogo de sábado, na sua equipa, o Pforzhein, da 5ª liga do futebol alemão, e não evitou a derrota diante do Estugarda II, por 2-0. Apesar da titularidade e dos quatro golos já apontados esta temporada, Ratifo não evita que a sua equipa esteja numa posição pouco confortável, precisando de pontos para ter uma manutenção mais esclarecida na prova. É mais um moçambicano que tem estado bem na sua equipa.

 

Edmilson Dove e Manuel Kambala

Na África do Sul estão Edmilson Dove e Manuel Kambala, que no final de semana não estiveram em acção, porque as respectivas equipas, Cape Town e Baroka, não jogaram. Mas na última aparição das suas equipas, estiveram em evidência, nomeadamente a titular. Aliás, tal como Dominguez, estes jogadores tem sido titulares nas suas equipas.
Para já, a espera é de saber quais serão os jogadores convocados por Luís Gonçalves, esta quinta-feira, para os embates da próxima semana, diante do Ruanda, em Maputo, e Cabo Verde, na Praia, referentes a dupla jornada de qualificação ao CAN-2021.

 

– Reacção à carta de Carlos Antunes

Por Renato Caldeira

Um artigo da minha autoria – do qual não retiro uma vírgula – publicado neste jornal, sob o título “Futebol e racismo na década 60”, provocou do sr. Carlos Antunes, a seguinte reacção:

Vi o artigo publicado pelo Sr. Renato Caldeira sobre Futebol e Racismo em Moçambique na década de 60.

Independentemente de pensar que se trata de um texto profundamente demagógico e racista (sim o racismo não tem uma só cor), não posso deixar passar em claro a infeliz afirmação do “Sporting (refere-se ao SCLM) clube dos polícias”, retomando uma afirmação do Eusébio de que o Sporting era um clube racista que não aceitava senão jogadores de raça branca, o que desde logo é desmentido no seu próprio texto, uma vez que a maioria dos jogadores de raça não branca que menciona (Hilário, Eusébio, Madala, Maurício, Satar) todos eles foram jogadores do Sporting Clube de Lourenço Marques.

Aliás, a afirmação então feita pelo Eusébio ao “Expresso” foi excelentemente rebatida por um seu colega de equipa, Braga Borges, ele próprio de raça mista, num texto que me permito juntar em anexo. As fotografias são da década de 60 e não mentem!

Trata-se, além do mais, de uma ofensa gratuita não só à história do SCLM, como a de todos os emblemas espalhados pelo Moçambique colonial que sob o nome “SPORTING” (Sporting da Beira, Sporting de Nampula, Sporting de Quelimane, Sporting de Tete, Sporting de Inhambane, Sporting de Gaza, Sporting Clube de Moçambique), aglutinavam nas suas equipas moçambicanos de todas as raças. Eu próprio de pele branca, mas africano como todos os nascidos em Moçambique, joguei na Beira, nessa década de 60, ao lado dos irmãos Manaca, do Palma Pinto, Jerónimo, Sheu, mulatos, negros, chinas.

E como o Sr. Renato Caldeira acompanha o fenómeno desportivo moçambicano na STV Notícias, desafio-o a explicar como é que essa herança “dita racista” continua a perdurar em Moçambique, mais de 40 anos após a independência, e mesmo após a decisão governamental de retirar o nome Sporting dos clubes (Maxaquene – ex-Sporting Clube de Lourenço Marques, Palmeiras – ex-Sporting Clube da Beira, Namutequeliua – ex-Sporting Clube de Nampula, Chingale – ex-Sporting Clube de Tete), em que logo que aquela decisão foi revertida, a maioria deles (Sporting da Beira, Sporting de Nampula, Sporting de Quelimane) retomaram os antigos nomes, e a herança sportinguista até cresceu, com o surgimento de norte a sul de Moçambique, de diversos Sporting’s em lugares onde no período colonial nunca tinham existido clubes representativos do emblema leonino (Sporting Clube de Massinga, Sporting de Namacura, Sporting de Muecate, Sporting de Monapo, Sporting de Angoche, Sporting de Murrupula, Sporting de Vanduzi, Sporting de Tembwe, Sporting de Mocímboa da Praia, Sporting de Chiure), e como é que a “herança sportinguista dita racista” continua afazer parte de uma memória social viva entre as actuais populações africanas de Moçambique

Com os melhores cumprimentos
Carlos Antunes

DESAFIO ACEITE: A MINHA REACÇÃO

A triste e longa noite colonial existiu e o desporto não poderia ser “um menino bonito”, perante as discriminações generalizadas que até originaram a guerra de libertação, não só em Moçambique como noutros países dominados por Portugal. Portanto, a realidade não deve ser branqueada, pois a história (não a estória), apoia-se em factos reais e que devem ser difundidos, com rigor e honestidade. É o que tentei fazer. Infelizmente, o Sr. Carlos Antunes preocupou-se pouco com as questões centrais, detendo-se nos “acessórios”.

Talvez porque durante a colonização, vivíamos em “barricadas” diferentes e sentíamos a discriminação de forma oposta, a carta/resposta que atrás se reproduz, para além de “branquear” algumas verdades, pretende dar a ideia de que tentar retratar o que milhões de moçambicanos viveram muitos anos na pele – também no desporto – é uma manifestação demagógica e até de racismo…ao contrário (?).

Alguns dos factos:
Centrei a minha explanação no que vivenciei em Quelimane, em que no Sporting, antes de 1960, nunca havia actuado qualquer jogador negro. Na então Lourenço Marques e Beira, acredito, a aceitação de não brancos nos Sportings poderá ter acontecido mais cedo. Mas, por favor, não fale do tempo dos irmãos Borja, Palma Pinto ou Shéu, porque isso foi já na segunda metade da década 60, em que eu já era repórter desportivo do Diário de LM!
Porém, devo referir que…  

Se quisermos aprofundar essa questão do racismo – que terá tido horizontes temporais diferentes nos vários distritos – posso garantir que nos “leões” da capital da Zambézia, mesmo depois da admissão dos não brancos nas equipas de futebol, manteve-se o impedimento quanto a frequentarem o restaurante, campo de ténis, sala de espectáculos, etc. Quero com isto dizer que um clube, para ser não-racista, não basta exibir uma equipa de futebol, com jogadores de várias cores! Foi no início uma questão cosmética, precipitada também pela necessidade de aumentar o cada vez mais restrito campo de recrutamento.

Quanto a ligações, é verdade que o SP de LM as mantinha muito próximas da(s) polícia(s). Tinha essa fama e, possivelmente, o proveito.

 

O GRANDE SALTO

A popularização e aceitação das várias raças, a partir do início da década 60 nos Sportings, foi uma vitória dos adeptos e dirigentes não racistas, que ganhou a simpatia dos moçambicanos.

Assim sendo, se tal como referenciei no meu artigo como questão central, o desporto foi uma poderosa arma no combate à discriminação e consequente integração dos cidadãos na sociedade, a viragem nos leões terá tido a sua quota-parte no que acabou acontecendo. Daí a explicação de que tenham surgido os novos Sportings que, orgulhosamente, abundam no país.

Resumindo: a mim – que fiz atletismo no SCLM de 1966 a 1970 – não me movem quaisquer interesses em ressuscitar fantasmas do passado. Pretendo, bem pelo contrário, exaltar a contribuição do desporto, numa luta que nos permite conviver hoje, no desporto e em tudo o mais, sem o espectro da limitação por alguém… “Não ter a cor adequada”!
E como uma imagem fala mais do que mil palavras, aí vai a foto do Sporting de Quelimane, em 1958.

 

 

Nampula e Gaza, a julgar pelo facto das escolas secundárias de Napipine de Nampula, em masculinos, e de Xai-Xai da província de Gaza, em femininos, terem vencido a Copa Coca-Cola em futebol infanto-juvenil, cuja fase final decorreu este fim-de-semana na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado.

Os números são o sinal claro da adesão dos “putos” à Copa Coca-Cola, foram mais de 2500 crianças de dezenas de escolas secundárias do pais que em meio a gritos de alegria, raiva em campo e lagrimas agridoces, disputaram os canecões para feminino e masculino.

Aliás, no jogo da final deste último género (masculino), nem Sansão, nem Muthemba, ambos descritos pela história nacional e mundial como heróis, puderam evitar o desalento por um lado e euforia por outro.  
É que a escola Sansão Muthemba de Sofala marcou primeiro e na primeira parte, mas, no campo Municipal de Pemba, sofreu uma cambalhota contra os nampulenses da escola de Napipine, que venceram o jogo por 3-1.  

Com tamanha façanha, levam para Napipine o canecão da 16ª edição da Copa Coca-Cola em masculinos, e por isso, e pelo esforço todo, os meninos festejaram efusivamente no final do jogo.  

De acordo com o site de desporto Lance, os diamantes por lapidar na arte da bola, carimbaram também o passaporte para “representar o país na prova que vai envolver outros países africanos que terá ligar em princípio de Dezembro, no Quénia”.   

Sem desacelerar, as meninas da Escola Secundaria de Xai-Xai deram um “baile” as suas adversárias, com exibições de encher olhos, “arrancando aplausos por parte dos presentes, ao vencer por 3-0 o jogo da final diante da Escola Secundária de Macharote de Sofala” conta o Lance.

O talento e a qualidade das raparigas de Xai-Xai tornou fácil a tarefa de chegar a uma vitória nesta final, dando mostras do bom trabalho que está a ser feito nesta escola.

Na luta pela medalha de prata, terceiro lugar, disputada entre as escolas anfitriãs, saiu-se melhor a Escola Arcos Iris, que bateu a formação da Secundária de Pemba por uma vantagem mínima de 1-0.
No fim, Mendy Matseko Ntsie, representante da Coca-Cola e o Governador de Cabo Delgado, elogiaram o desempenho dos 2500 atletas presentes no evento iniciado em Março em Xai-Xai.

E porque Nampula e Gaza levaram os trofeus da prova em masculino e feminino respectivamente, nos prémios individuais, o destaque foi para as escolas de Xai-Xai e Napipine.

Eis a premiação da Copa Coca-Cola:

MASCULINOS
Melhor Marcador: Mussá Júnior (2 golos ES de Napipine de Nampula)
Melhor Guarda-redes: Faizal Faza (ES Napipine de Nampula)
Equipa Fair-play: ES Sansão Muthemba de Sofala)
1º Lugar: ES de Napipine de Nampula – 85.000,00 Meticais
2º Lugar: ES Sansão Muthemba de Soafala – 45.000,00 Meticais
3º Lugar: ES 16 de Junho de Cabo Delgado – 20.000,00 Meticais

FEMININOS
Melhor Marcadora: Dádiva Massitela (4 golos ES de Xai-Xai de Gaza)
Melhor Guarda-redes: Laquita Mazuze (ES de Xai-Xai de Gaza)
Equipa Fair-play: ES de Pemba de Cabo Delgado
1º Lugar: ES de Xai-Xai de Gaza – 85.000,00 Meticais
2º Lugar: ES de Macharote de Sofala – 45.000,00 Meticais
3º Lugar: ES Arco Iris de Cabo Delgado – 20.000,00 Meticais

 

 

O Ferroviário de Maputo garantiu a presença na final da Taça de Moçambique em futebol após eliminar o Textáfrica do Chimoio, na marcação das grandes penalidades, por 3-4.

No final dos 120 minutos (90 do tempo regulamentar e 30 de prolongamento) as duas equipas estiveram empatadas a um golo, mesmo resultado trazido da primeira mão, disputado em Maputo, mês passado.

O jogo realizado no campo da Soalpo, em Chimoio, teve muitas emoções do princípio ao fim, tendo os "locomotivas" da capital do país marcado logo aos 11 minutos por intermédio de Uche, golo que dava vantagem a equipa, depois do empate a um golo na primeira mão, em Maputo.

Ainda na primeira parte o Textáfrica ainda introduziu a bola nas malhas de Franque, por Djongwe, mas por o árbitro do encontro assinalou falta contra os donos aa casa, anulando o golo.

Os "fabris" do planalto correram atrás do prejuízo e aos 53 minutos foi Osvaldo a restabelecer o empate no jogo, colocando tudo igual na eliminatória.
Nessa altura as duas equipas corriam a procura de desfazer o empate, e mesmo com muitas situações de golo, os guarda-redes evitavam sofrer.

O tempo regulamentar chegou com o empate a um golo a prevalecer e foi-se ao prolongamento de 30 minutos, como mandam as regras. Nesse período esteve mais perigosa a formação do Ferroviário de Maputo, que dispôs de diversas oportunidades para desfazer o empate, mas sem sucesso. O 1-1 no jogo e o 2-2 na eliminatória temia em não se desfazer e houve necessidade se ir às grandes penalidades.

Esteve mais forte o Ferroviário de Maputo que marcou quatro golos, contra três do Textáfrica do Chimoio, que falhou dois, ambos defendidos por Franque.

Com esta vitória, o Ferroviário de Maputo garante presença na final da Taça de Moçambique, onde poderá encontrar a União Desportiva de Songo, que joga quarta-feira para a segunda mão da outra meia-final, diante da Liga Desportiva de Sofala, no campo do Ferroviário da Beira. Na primeira mão, os "hidroeléctricos" cilindraram os beirenses por claros 9-0.

Ferroviário de Maputo e Textáfrica do Chimoio voltam a acção quarta-feira para os jogos em atraso da 28@ jornada do Moçambola 2019, respectivamente diante do Têxtil de Púnguè e Desportivo de Nacala.

O desporto em Moçambique no tempo colonial, início da década 60, era um poderoso veículo de afirmação social e rácica. Nas zonas com fronteira ou proximidade com a África do Sul ou a Rodésia, como Lourenço Marques, Sofala e Manica, o racismo era mais visível.

A estractificação sentia-se nos clubes e nas modalidades, com ligeiras variantes em cada um dos distritos, hoje províncias. Basquetebol, ténis, golfe, automobilismo e outros desportos, considerados de elite, eram para “preto ver e branco praticar”. As cores misturavam-se no futebol e atletismo, mas mesmo aí, em certos clubes, era necessário “ter a cor adequada”.

Tudo se tornava mais visível no boxe, onde até ao início da década 70, não eram permitidos combates de negros contra brancos. A gestão, relativamente aos mestiços, era feita consoante a tez, mais clara ou mais escura.
 
CAMISOLA DO SPORTING
NUM PRETO…

Vou caracterizar o futebol na Zambézia, a partir da minha vivência, com memórias que guardo desde a meninice.
Recuemos a Quelimane, cerca de 60 anos.

Ferroviário e Sporting eram grandes rivais. “Batiam-se” forte e feio. E porque ambos tinham equipas fortes, criou-se uma enorme rivalidade, ao estilo “ora-agora-ganhas-tu-ora agora-ganho-eu”.

Mas havia uma particularidade: é que os leões, até então, como clube ligado à polícia, não admitiam jogadores negros. Já nos locomotivas, o anormal era o enquadramento de um branco.
Até que um dia…

O campo do Sporting registou uma anormal enchente. Motivo? Para lá da rivalidade, pela primeira vez um negro iria vestir a camisola “leonina”: chamava-se Rolando e vinha da então Rodésia. O motivo da curiosidade centrava-se na forma como o verde-listrado dos leões, “assentaria” no corpo de um negro. Imagine-se! Parece ficção, mas não é!
Foi uma data na história, pois assim quebrou-se uma tradição, que contrariava os mais radicais dirigentes leoninos que, com alguma dificuldade, acabaram por “engolir” essa exigência dos técnicos e dos sócios não racistas e liberais.

E foi a partir daí que a integração de desequilibradores negros como Fakir Amichande, Vasco Patrício e outros, passou a ser algo normal.
Quase sem se aperceberem, os zambezianos acabavam de dar um importante pontapé na discriminação, a partir do desporto. Não só se quebrou uma regra “contra-natura”, como o leque de escolhas para o plantel leonino, passou a ser muito mais vasto.
 
TALENTO VENCEU SEGREGAÇÃO
Para além do Sporting, o futebol na urbe quelimanense era dominado pelo Ferroviário, que escolhia os melhores jovens da cidade e lhes proporcionava emprego. Seguia-se o Benfica, enquadrando um extracto social intermédio e a Associação Africana, dominada pelos mestiços e que priorizava os “mulatos de segunda e os cafre-metade”. Negro puro, teria que ser muito talentoso…

Desta forma, as disputas transportavam toda a carga de diferenças, com as vitórias ou derrotas a representarem oportunidades para afirmação ou humilhação de uns para com os outros.
 
UM CONTÁGIO POSITIVO
Ano após ano, a referida integração no futebol, foi “contaminando” outros sectores. A natação, na piscina municipal, os cafés e restaurantes de referência, aos poucos, passaram a ver como normal o enquadramento de não brancos.

Mas voltando ao futebol, há que referir que no principal campeonato suburbano – no campo da Sagrada Família – os clubes passaram também a integrar futebolistas brancos e os chamados “mulatos de primeira”.

É que, naquele tempo, nas peladas suburbanas, a ideia prevalecente era a de que “o futebol não é para os brancos”. Fazia-se uma cedência ao filho do cantineiro, pois era o único que possuía uma bola de borracha, que lhe garantia lugar cativo em qualquer das equipas.

Na verdade, pela realização permanente das peladas de “muda aos cinco e acaba aos dez” nas zonas suburbanas, a ascensão dos mais talentosos da “temba” aos clubes da cidade, rapidamente passou a algo natural.
 
NA CAPITAL, O XILUNGUINE…
E em Lourenço Marques? No Sporting, clube dos polícias, as integrações nos princípios da década 70, tinham o seu quê de cosméticas. Porém, dois clubes desde a sua raiz se posicionaram como anti-racistas: Desportivo de LM e 1.º de Maio, conhecidos como Nações Unidas, por integrarem desde logo jogadores negros, mestiços, brancos, asiáticos, chineses e de outras raças, sem quaisquer reservas. O que “mandava” era o talento. Exemplos? Coluna, Eusébio, Hilário, Po Wing, Madala Gaíza, Maurício, Satar e Armando Manhiça, alguns, que deles depois de “exportados”, passaram a ser dos melhores do espaço português de então.

Está claro que à medida que a contestação à opressão colonial crescia, o exemplo de uma prática desportiva cada vez mais multi-racial ia sendo assumido e enquadrado no processo mais vasto de libertação das pessoas e da sua dignidade, como seres que aspiravam a igualdade de pensamento e oportunidades.

É verdade! Sem ter recorrido a armas, o desporto foi um importante factor de combate ao racismo e de aproximação entre os cidadãos.

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