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O País – A verdade como notícia

Os Mambas vão mesmo jogar em casa diante dos Camarões, em Novembro. A Confederação Africana de Futebol decidiu prorrogar a aprovação temporária do Estádio Nacional do Zimpeto, ainda que sujeita à continuação da implementação das observações feitas na última inspecção feita.

Se haviam dúvidas em relação ao local que serviria de casa para os Mambas receberem os Camarões, a 16 de Novembro, para a quarta jornada da fase de grupos de qualificação ao CAN de Janeiro de 2022, a Confederação Africana de Futebol, CAF, tratou de dissipar. O organismo que gere o futebol africano estendeu a aprovação temporária do Estádio Nacional do Zimpeto, para jogos internacionais.

Em comunicado, a FMF revela que “esta medida teve como fundamento o relatório apresentado pela Federação Moçambicana de Futebol ao organismo reitor do futebol africano”.

“Em carta dirigida a FMF, a CAF expressa satisfação pelos avanços realizados para adequar o ENZ aos padrões exigidos e ressalta os pontos de atenção para que seja aprovado de forma definitiva para acolher competições da CAF no escalão sénior masculino”, lê-se no comunicado da Federação Moçambicana de Futebol.

Assim sendo, o jogo Moçambique-Camarões será disputado no Estádio Nacional do Zimpeto.

Todos os 11 clubes que receberam o certificado de licenciamento de clubes, na semana passada, já começaram a receber o valor de 1.2 milhão de meticais, cada, dos fundos disponibilizados pela Federação Internacional de Futebol, FIFA, para aliviar os problemas financeiros derivados da pandemia da COVID-19.

De acordo com o Lance, citando fonte ligada ao organismo máximo do futebol moçambicano, os clubes começaram a receber o valor logo após a conclusão da etapa de licenciamento, de acordo com os critérios previamente anunciados pela Federação Moçambicana de Futebol.

Aliás, o organismo que gere o futebol moçambicano não cedeu a pressão dos clubes, que exigiam cinco milhões de meticais para fazer face as despesas do Moçambola, como condição para disputar o campeonato nacional e dá mesmo o valor inicialmente prometido, de 1.2 milhão de meticais por cada clube que vai disputar a prova máxima do futebol nacional, ficando os restantes clubes que militam nos campeonatos provinciais com um equivalente a 55 mil meticais, mas em espécie constituído por diverso material desportivo.

Recorde-se que os clubes exigiam que 90% do valor da FIFA fosse distribuído pelos mesmos, nomeadamente no montante de cinco milhões de meticais para fazer face à falta de receitas por conta da pandemia do novo coronavírus, tendo em conta que os jogos serão, numa primeira fase, a porta-fechada.

O valor que a Federação Moçambicana de Futebol está a distribuir pelos clubes e associações provinciais faz parte do fundo de um milhão de dólares canalizados pela FIFA para fazer face ao impacto da COVID-19 no desporto, em particular no futebol.

Assim, beneficiam desse valor os 11 clubes licenciados, nomeadamente os Ferroviários da Beira, de Maputo, de Nampula, de Nacala e de Lichinga, Liga Desportiva de Maputo, Associação Black Bulls, Costa do Sol, ENH de Vilankulo, Matchedje de Mocuba e União Desportiva do Songo, tendo ficado de fora os três clubes que viram os seus recursos de licenciamento chumbados, nomeadamente Desportivo Maputo, Textáfrica do Chimoio e Incomáti de Xinavane sem o valor, em face da sua participação no Moçambola 2020/2021.

 

O Chelsea cedeu um empate caseiro diante do Southampton a três golos, em partida da quinta jornada da Premier League. O resultado coloca os “blues” com oito pontos, mais um que o seu adversário desta jornada.

 

A paragem dos campeonatos internos para darem lugar aos jogos da selecção parecia ter beneficiado o Chelsea, que logo aos 15 minutos chegou ao primeiro golo, pelo reforço Timo Werner, depois de passar por vários adversários, a rematar para o fundo das malhas de McCarthy.

O Southampton não teve uma reacção organizada, já que descaiu para o ataque e deixou a defesa descontrolada, o que facilitou o bis do alemão do Chelsea. Werner aproveitou um mau atraso de Vestergaard e passou pelo guarda-redes contrário antes de cabecear para o golo.

Mas o intervalo não chegou sem que o Southampton reduzisse, também através de uma desconcentração defensiva. Zouma faz um atraso curto e Ings aproveita para marcar, aos 43 minutos.

Cresceu a turma visitante que na segunda parte obrigou o Chelsea a cometer erros defensivos. Adams, aos 55 minutos, não desperdiçou o golo de bandeja dado pela defesa dos “blues” e restabeleceu o empate.

A reacção do Chelsea ao empate foi bem conseguida e Havertz voltou a colocar a sua equipa em vantagem, quatro minutos depois.

Mas quem continuava a pressionar era o Southampton, e logrou os seus objectivos já em tempos de compensação, num desvio de Vestergaard ao remate de Walcott, para desalento da turma do Chelsea, que tem uma partida da Liga dos Campeões, esta terça-feira, diante do Sevilha.

Depois de um interregno de uma semana, para dar lugar à disputa da Liga das Nações, as emoções da Premier League estão de volta.

Em Stamford Bridge, o Chelsea procura alcançar a terceira vitória esta temporada, na Premier League, e dar um salto na tabela classificativa.

Os blues vêem de um resultado motivador, até porque na última jornada golearam o Crystal Palace por quatro a zero.

Em casa, a equipa de Frank Lampard quer igualmente manter favorável as estatísticas que lhe dão vantagem no confronto com o Southampton com 46 vitórias e 29 empates em 106 jogos realizados entre as duas equipas.

Décimo primeiro classificado com seis pontos, o Southampton desloca-se à Stamford Bridge com claro objectivo de contrariar o favoritismo dos “blues”.

O Southampton venceu dois de seus últimos 11 jogos em Londres, sendo um deles diante do Chelsea, e regista ainda sete derrotas.

No embate deste sábado, os visitantes esperam alcançar  a terceira vitória consecutiva na Premier League pela primeira vez desde Maio de 2016, quando venceram quatro embates na era de Ronald Koeman.

O jogo Chelsea vs Southampton, inserido na quinta jornada da Premier League, será transmitido na Stv às 16h0ras.

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) diz ter recebido com profunda tristeza a notícia do desaparecimento físico de Augusto Matine, ex-selecccionador nacional de futebol e responsável pelo Gabinete Técnico da FMF. Num comunicado assinado pelo respectivo presidente da agremiação, Gianni Infantino, a FIFA refere: “Gostaria de expressar as minhas sinceras condolências pela perda de Augusto Matine. Não há palavras para descrever a nossa dor”, refere infantino.

A FIFA diz ainda, na mensagem de condolências, esperar que “estas palavras confortem a família neste momento de imensa dor”.

O organismo que rege o futebol mundial recorda o percurso de Agusto Matine com destaque para as passagens pelo Benfica e Estrela da Amadora, como jogador, e ainda o facto de ter abraçado a carreira de treinador com passagem pelos Mambas.

 

Definitivamente, o Desportivo Maputo está fora do Moçambola 2020 por não ter preenchido os requisitos para o seu licenciamento. O Órgão de Apelo da Comissão de Licenciamento de Clubes da Federação Moçambicana de Futebol chumbou o recurso apresentado pelos “alvi-negros”.

A falta de treinador da equipa principal de futebol, em consequência da demissão de Dário Monteiro, pesou para a recusa de atribuição de licença nacional ao Desportivo Maputo.

No seu fundamento, o Órgão de Apelo da Comissão de Licenciamento de Clubes da Federação Moçambicana de Futebol fundamenta que, como foi publicado na imprensa desportiva nacional, o treinador Dário Monteiro rescindiu contrato com o Desportivo Maputo.

Aliás, a Comissão de Licenciamento de Clubes diz que, no artigo 8 do seu recurso, o Desportivo Maputo confirma que o pedido de rescisão se encontra em negociação.

Ora, argumenta o órgão, a rescisão é um acto unilateral que produz efeitos quando chega ao conhecimento do destinatário, pelo que tendo rescindido o contrato, Dário Monteiro não é treinador do Desportivo Maputo e podendo vir a sê-lo novamente, caso as negociações surtam efeito.

Dívidas com atletas, treinadores e outros trabalhadores do clube e incumprimento para com o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) são outros requisitos em falta.

O histórico clube não juntou ainda a sua foto oficial do clube, cuja obtenção não poderia depender do fim da actual situação da pandemia, como alega no art. 14ºdo seu recurso”.

O órgão diz ainda que, “mesmo que o recurso tivesse sido interposto dentro do prazo, a falta de apresentação dos documentos e informações acima referidos impede que o presente recurso seja diferido. Deste modo, nos termos do disposto no artigo 8 do RLC, o AO delibera manter a decisão de rejeitar o licenciamento do GDM”. Já não há volta, pelo que definivamente o GDM está fora do Moçambola.

Os “alvi-negros” não poderão, por via disso, ter acesso aos fundos da FIFA uma vez que um dos requisitos para o efeito é o licenciamento.

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, recordou o antigo seleccionador nacional de futebol dos Mambas e internacional luso Augusto Matine, que faleceu, aos 73 anos, como «um jogador importante do futebol português», expressando as «mais sinceras condolências à família».

O dirigente, citado pelo sítio “Futebol 35”, destacou ainda, através da página oficial do organismo na Internet, “o contributo que Matine deu à selecção nacional” e manifestou igual “reconhecimento e gratidão por tudo o que deu ao futebol português”.

Também o seleccionador nacional de futebol de Portugal Fernando Santos lamentou “a triste notícia” do falecimento do “seu grande amigo de há muitos anos”.

“Já tive a oportunidade de transmitir o meu profundo pesar a toda a sua família, mas não queria deixar de homenagear publicamente o grande homem, o excelente jogador e o amigo de eleição que foi. Que a sua alma descanse em paz”, disse Fernando Santos, citado pela FPF.

A FPF junta-se ao Benfica, que “expressou as mais sentidas condolências à sua família e amigos”, assim como o Estrela da Amadora, enaltecendo que “jamais será esquecido” pelo clube da Reboleira.

Matine representou o Benfica entre 1967 e 1973, com uma passagem pelo Vitória de Setúbal pelo meio. Entre 1973 e 1976, voltou a jogar pela equipa sadina, antes de envergar igualmente as camisolas de Portimonense, Lusitano de Évora, Desportivo das Aves, Estrela da Amadora e Torralta.

Mais tarde, enveredaria pela carreira de treinador, orientando o Estrela da Amadora, a seleção de Moçambique, o Ferroviário de Maputo e Desportivo de Maputo.

Augusto Matine nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo), em Moçambique, tendo representando a seleção portuguesa de futebol em nove ocasiões.

Nasir “Nelito” Salé foi apresentado, esta terça-feira, como treinador da equipa sénior feminina de basquetebol do Ferroviário de Maputo. Nelito regressa, desta forma, aos femininos depois de nos últimos quatro anos ter estado no comando dos “masculinos” do Ferroviário da Beira.

33 anos depois (ndr: orientou, em 1987, a equipa de iniciados femininos durante seis meses) o “senhor dos anéis” regressa ao Ferroviário de Maputo.

Cinco anos depois de ter treinado pela última vez uma equipa feminina (Interclube de Luanda, em 2015), Nasir “Nelito” Salé volta à carga na categoria que lhe conduziu ao olimpo de África com três títulos conquistados na Taça dos Clubes Campeões Africanos: 2007, 2008 e 2012.

Pelo meio, um vice-campeonato africano de clubes (2010, ano em que o Desportivo Maputo perdeu na final com o Interclube, por 67-63) e um terceiro lugar (2009, em Cotonou, Benin, quando o Desportivo venceu o Interclube por 57-50 na atribuição do terceiro lugar).

Nelito, bastante seduzido pelo CSA Basket da Costa do Marfim, país onde ficou retido cerca de quatro meses devido à Covid-19, decidiu abraçar o ambicioso projecto do Ferroviário de Maputo, bicampeão africano e hexacampeão nacional.

Nelito será coadjuvado, nas suas funções, por Carlos Dezanove e
Este é o regresso aos masculinos, após ter treinado nas últimas quatro temporadas a equipa sénior masculina do Ferroviário da Beira.
No primeiro ano, em 2016, fracassou, pois, perdeu o jogo 5 da final da Liga Moçambicana de Basquetebol com o Ferroviário de Maputo, por 69-56.

Em 2017, tudo correu de feição! Não havia outro caminho, numa final disputada no reabilitadíssimo pavilhão do Ferroviário da Beira.

Numa decisão “à negra”, o Ferroviário da Beira venceu o seu homónimo de Maputo (69-58) no quinto jogo da final da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal.

Em 2018, caiu de forma estrondosa diante do Ferroviário de Maputo com quem perdeu por 3-0 no “play-off” da final da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal.

Ano seguinte, ou seja, em 2019, hecatombe na capital!  O Ferroviário da Beira nem sequer chegou a final, caindo aos pés do Costa do Sol no “play-off” das “meias-finais” da “Liga”.

Em Dezembro de 2020, viu o seu contrato com o Ferroviário da Beira expirar. A má prestação da equipa, que era tida como séria candidata à conquista do título, esteve por detrás da não renovação do contrato.

PERCURSO BRILHANTE NAS SELECÇÕES

Nelito tem o mérito de ter conduzido a selecção nacional ao Mundial de Basquetebol, na Turquia, em 2014. Tal se deveu ao segundo lugar alcançado no “Afrobasket” de 2013, em Maputo, competição na qual Moçambique ficou em segundo lugar após perder na final com Angola, por 64-61.

Em 2003, mas na qualidade de ajunto do americano Nelson Guiliam Isley, Nasir “Nelito” Salé conduzira Moçambique ao segundo no “Afrobasket” também disputado em Maputo. A Nigéria, superiormente comandada por Mfon Udoka, frustrou o sonho de Moçambique de conquistar a prova e qualificar-se para o torneio feminino de basquetebol dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.  Em 2005, o metódico “coach” foi também adjunto de Nelson Guiliam Isley na selecção nacional que viria a ocupar o terceiro lugar no “Afrobasket” feminino da Nigéria. Nessa competição, a selecção nacional venceu a RD Congo (59-51) no jogo de atribuição do terceiro lugar, com a polivalente Rute Elias Muianga a estar em destaque ao contabilizar 19 pontos e três ressaltos.

Em 2017, após regressar à selecção nacional, Nasir Salé levou as “Samurais” ao quarto lugar no “Afrobasket” de Bamako, Mali. Mas há a destacar a medalha de ouro conquistada pela selecção nacional nos Jogos da Lusofonia, em 2014, na Índia. Sob o comando de Nasir “Nelito” Salé, a selecção nacional derrotou na final Angola (73-49).

Em 2006, com a selecção sub-20, Nelito conquistou a medalha de prata no Campeonato Africano da categoria que teve lugar em Maputo.

Faziam parte desse conjunto jogadoras como Janete Monteiro, Anabela Cossa, Vaneza Júnior, Nádia Zucule, Cláudia Chembene, Odélia “Mafa” Mafanela, Deolinda Gimo, entre outras. Estas foram as melhores prestações da selecção nacional sob o comando técnico de Salé e seus pares.

Foi o único jogador de futebol que saíu de um clube da II divisão de Moçambique – o Central – directamente para um dos grandes do futebol português, o Benfica. Decorria o ano de 1967. Objectivo: substituir Mário Coluna, já no ocaso da carreira. O desafio não foi totalmente vencido, mas Augusto Matine acabou brilhando no Vitória do Setúbal, sendo simultaneamente um dos maiores médios ofensivos da era pós-Monstro Sagrado, com 9 internacionalizações pela equipa das quinas.

Muitos anos em Portugal, sempre com o pensamento na terra que o fez nascer. “Emigrou” com 19 anos, regressou cerca de 33 anos depois, já como treinador, para um projecto de formação que fazia parte da sua vocação e paixão, interrompido por uma chamada não muito bem sucedida à Selecção principal em 2001.

UM CRAQUE QUE POUCOS CONHECEM

Nos anos 60, o futebol da capital do país era sub-dividido em três divisões: I, II e III. Mais os respectivos juniores. Haviam muitos clubes. Não se falava em profissionalismo, pelo que a prioridade dos jovens era a de garantir um emprego seguro, mesmo actuando por equipas de menor dimensão. Eram os casos da Caju, Metal Box, IMA, Central e outros.

Daí que muitas das estrelas com potencial já revelado, não aderissem aos clubes do “chilunguine”, por recearem perder o “tacho” após o abandono competitivo.

Foi o caso de Augusto da Conceição Matine. Brilhou no FC Central da II Divisão, recusando pressões e convites dos grandes clubes da então LM, pelas razões atrás descritas. Na sua equipa, era o municiador de Agostinho e Quarentinha, estrelas que também resistiram à tentação dos clubes dominantes de então, que eram Sporting, Desportivo, Ferroviário e 1.o de Maio.

Até que…

Aos 18 anos, decorria o ano de 1967, foi eleito pelo saudoso jornalista desportivo Ângelo de Oliveira, o melhor médio da capital. Algo inédito para um atleta da II Divisão. Isso alertou os “olheiros” da metrópole, que se puseram em campo.

O SL e Benfica fez-lhe uma boa proposta, pois pretendia encontrar em Moçambique, um substituto para Mário Coluna. Das intenções, passou-se à prática. Augusto Matine chegou a Lisboa, ainda jovem, impressionou no grande clube lisboeta, foi seleccionado para os Sub 19 de Portugal, mas…

Terá pesado em demasia a pressão para ser o substituto do Monstro Sagrado, depois de os encarnados da Luz, com o título de bi-campeões da Europa, terem começado a dar uma dimensão diferente, para melhor, ao futebol luso!

Matine pouco brilhou nos encarnados, mas passou para municiador-mor, no Vitória de Setúbal, uma equipa com estrelas de grande nível, como Vítor Baptista, Benje, Jacinto João e outros, que numa deslocação a Moçambique, terão proporcionado aos assistentes, dos melhores jogos de futebol até hoje realizados no Estádio da Machava.
Graças a quem? O “GPS” de onde partiam as mais reluzentes jogadas era, nem mais e nem menos, que o nosso compatriota, Augusto Matine!

UM RELACIONAMENTO IRREPETÍVEL!

Cá e lá, em Portugal, tive pessoalmente um relacionamento com Augusto Matine que me apraz partilhar.
Jogava ele, como médio ofensivo no Central e eu era quarto-defesa nos Belenenses de LM. Defrontei-o num dos seus últimos jogos ante da sua partida para Lisboa. As nossas equipas tinham uma rivalidade antiga.
O que aconteceu?

O Augusto Matine pôs-nos fora de uma possível qualificação à I divisão, com o seu futebol filigramado e a maneira como “municiava” os seus colegas da frente.

O resultado? Não vou revelar! Poupem-me essa vergonha, pois eu era na altura um adversário da estrela que, poucos dias depois, iria brilhar em Portugal.

Muitos anos depois, encontramo-nos em terras lusas. O mesmo Augusto Matine. Corpo lá, pensamento – de regressar – cá. O sentir, o viver, era de quem nunca tinha saído de Moçambique.
Um episódio:

Encontrei-me com o Augusto na Amadora, e ele disse-me:
–  Caldeira, ainda bem que vieste. Estás convidado a uma almoçarada amanhã, na minha casa. Vamos comer matapa moçambicana, feita por uma senhora especialista que veio de Maputo.
Sorri, e respondi-lhe:

–  Ó Matine. Mas eu, matapa por lá como muitas vezes. O que me tens que preparar, é aquilo que já te farta, e que é um bom bacalhau assado, ou então, um cozido à portuguesa…

Riu-se, e deu-me razão. Afinal, nem nos paladares, o Matine tinha mudado de terra!

HOMENAGEM JUSTA E OPORTUNA

Aconteceu no dia 25 de Agosto de 2016. A FMF organizou uma justa e oportuna homenagem ao “mister”. Dia grande e feliz para ele. O mesmo para todos nós, pois as homenagens devem ser feitas às pessoas ainda vivas.

Ideia-foco em relacão ao homenageado. “Futebol, minha vida”.
A reacção do mister:

– Nunca pensei que receberia tamanha honra, até porque o projecto que trazia para o país não chegou a ser implementado. Mas não interessa aqui revelar as razões que levaram a que o meu projecto não tivesse sido aplicado como devia ser. O dia é de homenagem e quero agradecer à federação, congratular o Presidente Alberto Simango Jr. por ter tomado esta iniciativa, que espero ser a primeira de muitas”.

Augusto Matine fez parte da carreira no futebol português e foi internacional “A” por Portugal, em nove ocasiões. Entre 1967 e 1983, representou sucessivamente Benfica, Vitória de Setúbal, Portimonense, Lusitano de Évora, Aves, Estrela da Amadora e Torralta.

Após pendurar as chuteiras, abraçou a carreira de dirigente e foi Selecionador moçambicano entre 2001 e 2002. Nascido a 13 de Fevereiro de 1947, faleceu aos 73 anos.

Os nossos votos é que descanse em paz.

 

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