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O País – A verdade como notícia

A Associação Desportiva de Vilankulo sucumbiu em casa diante da Black Bulls, esta quarta-feira, ao apagar das luzes, por duas bolas a uma, em partida da 15ª jornada do Moçambola 2021. Uma derrota que custa acreditar, por ter sido sofrida aos 95 minutos e que pode trazer muitas repercussões nos “hidrocarbonetos”. O Ferroviário da Beira venceu o seu homónimo de Lichinga à tangente e mantém perseguição à líder da prova, agora com menos seis pontos

Victor! Um nome para nunca mais esquecer por parte dos jogadores da Associação Desportiva de Vilankulo. Foi dele o golo que ditou a derrota caseira que agudiza a crise de resultados no Alto Macassa, com mais uma derrota caseira, a segunda consecutiva, tanto em jogos em casa, como nas duas jornadas desta segunda volta.

É que os “hidrocarbonetos” ainda tentaram remar contra a maré, numa reacção demorada ao golo madrugador apontado por Melque, ao primeiro minuto, só chegando ao empate aos 86 minutos, pelo mais velho e experiente jogador Jongwè, aos 86 minutos.

Quando o empate parecia que seria o resultado final, a compensação acabou por ser fatal para a turma da casa, que sofreu o golpe final cinco minutos depois do tempo regulamentar, devolvendo à Black Bulls as vitórias e o cimentar, ainda mais, da liderança da prova, agora com 36 pontos, mais seis que o directo perseguidor, o Ferroviário da Beira.

A Associação Desportiva de Vilankulo tem um saldo bastante negativo nas últimas jornadas, ao somar apenas uma vitória nos últimos oito jogos nove jogos, quedando-se para a oitava posição, com 20 pontos.

É um caso para dizer que Victor rebentou o gás e deixou Vilankulo carbonizada e tourada.

 

“Locomotivas” em ebulição nesta jornada

Os “locomotivas” de Chiveve, que viram a União Desportiva de Songo a perder pontos, diante da Liga Desportiva de Maputo, no empate a zero, na terça-feira, ainda sofreu a bem sofrer, para manter a perseguição à líder da prova. Um golo perto do final do jogo (85 minutos), apontado por Mutong, garantiu o regresso à segunda posição, com menos seis pontos da líder, Black Bulls, e mais um que os “hidroeléctricos” de Songo.

Mas há que destacar o facto de o Ferroviário de Lichinga ter vendido cara à derrota diante do seu “mano”, deixando claro que não está para facilitar para ninguém, independentemente de ser “da família” ou não.

Mesmo com a derrota, os “locomotivas” de Lichinga mantêm-se no top-5 da tabela classificativa.

Mais três Ferroviários saíram sorridentes nesta jornada: o de Maputo, Nampula e Nacala.

O Ferroviário de Maputo teve que suar as estopinhas para levar de vencida o Desportivo Maputo, no regresso a Machava, depois de três jogos fora de portas e na estreia de Carlos Baúte no comando técnico. O maquinista Marcel voltou a ser o herói da estação ao apontar o único golo, aos 73 minutos, colocando a sua equipa na quarta posição, agora com menos 10 pontos que a líder da prova e relegando os “alvi-negros” à zona da despromoção, em troca com outros dois Ferroviários.

O de Nampula não teve dificuldades para despachar a fragilizada equipa fabril por 4-1.

Valdo, jovem jogador de apenas 20 anos de idade, que fazia o seu terceiro jogo pelos “axinenes”, foi o herói, ao apontar um hat-trick e entrar na restrita lista dos jogadores que fizeram três golos em uma única partida.

Salas desfez o empate que prevalecia até ao final da primeira parte, com o golo dos “fabris”, apontado por Nuno.

Por seu turno, o Ferroviário de Nacala foi à vizinha província da Zambézia derrotar o lanterna vermelha por 0-3. Nacir Armando ainda não consegue impor-se nos “militares”, que parecem mais estar virados aos ataques em Cabo Delgado do que em atacar a fuga à despromoção.

Dinis, Zinho e Wemba fizeram os golos da turma de Nacala, que, tal como o homónimo de Nampula, passa a somar 17 pontos, relegando o Desportivo Maputo à zona da despromoção, com 14 pontos.

 

Ainda há vida no Canavial

Na última partida desta jornada, Incomáti de Xinavane e Costa do Sol empataram a um golo e dividiram os pontos. Depois das ameaças dos “açucareiros” de abandonar a prova por alegadamente estar a ser injustiçada pela equipa de arbitragem, parece que, tanto os homens do apito, como os adversários temeram por esta auto-exclusão da equipa de Xinavane e vão facilitando.

Depois da vitória na Soalpo, o Incomáti não tremeu na recepção ao Costa do Sol e entrou, praticamente, a vencer, graças ao golo de Mathause, aos 12 minutos. Mas, os “canarinhos” deram luta e, rapidamente, reagiram e chegaram ao empate ainda na primeira parte, por Telinho, que parece ter regressado aos golos, com mais um festejo.

Ainda assim, um resultado longe do esperado pelos “canarinhos”, que, depois da goleada diante do Ferroviário da Beira, se terão ressentido do esforço feito e do pouco tempo de descanso que tiveram. O empate coloca a turma de Artur Semedo na sexta posição, com 21 pontos, mais quatro que o seu adversário desta quarta-feira, que ocupa a nova posição, com 17 pontos.

A próxima jornada disputa-se no domingo, para permitir que as equipa possam ter tempo de viagens, descanso e preparação dos jogos.

Maputo acolhe, de 4 a 14 de Setembro próximo, o Torneio de Apuramento às eliminatórias da Liga Africana de Basquetebol, competição que irá contar com a participação do Ferroviário da Beira, Costa do Sol, Desportivo Maputo e Ferroviário de Maputo. Os “locomotivas” do Chiveve partem para esta competição com fortes ambições, mesmo sem o desejável ritmo competitivo.

Sem competições regulares devido aos condicionalismos impostos pela COVID-19, o Ferroviário da Beira espera superar a falta de ritmo competitivo para assegurar a única vaga que dá acesso às eliminatórias da BAL a realizarem-se em Outubro na vizinha África do Sul. Para já, segundo o vice-presidente do Ferroviário da Beira, Carlos Crispim, o clube vai apostar na “prata da casa” para atacar esta competição.

A COVID-19 condicionou a realização de provas de basquetebol em todo o país. No caso específico da cidade da Beira, a situação é ainda mais complicada dado o número reduzido de equipas e falta de pavilhões em condições para acolher competições. Como é que o Ferroviário da Beira irá se posicionar no Torneio de Apuramento às eliminatórias da BAL, tendo em conta este condicionalismo?

O Ferroviário da Beira já está a preparar-se para esta prova. Infelizmente, não temos competições. E o plano preparatório é, essencialmente, virado para as sessões de treino planeadas pela equipa técnica. Naturalmente, queremos que a equipa esteja ao mais alto nível mesmo sem competições. Queremos ter uma equipa muito competitiva no Torneio de Apuramento. Sabemos que as outras equipas têm os mesmos objectivos e intenções mas é preciso compreender que o Ferroviário da Beira procura atingir resultados favoráveis que nos fogem há algum tempo. Esta prova, de forma específica, para além de trazer um ganho financeiro projecta a imagem dos clubes. É por isso mesmo que vamos disputar esta prova.

Para atacar as várias frentes em que estará envolvido, o Ferroviário da Beira contratou o treinador espanhol Luiz Lopez por um período de dois anos, sendo esta figura que conduziu a equipa à conquista dos campeonatos nacionais em 2012 e 2014…

O Luiz Lopez foi contratado por várias razões. Primeiro, porque terminou um ciclo com o antigo treinador Nasir Salé que fez um bom trabalho em termos organizacionais e competitivos. O Ferroviário da Beira teve ganhos substanciais mas, infelizmente, desportivamente nesta fase só ganhámos um campeonato. O Luis Lopez vem com outras obrigações.

Aquilo que nós discutimos com o Luiz, essencialmente, é gerir o plano de formação. É importante que a gente faça isso. A título de exemplo, nós temos quatro jogadores da nossa formação no plantel sénior.

O Luiz tem que atingir os principais objectivos que passam pela conquista das principais provas. Há uma primeira prova que é o Torneio de Apuramento às eliminatórias da Liga Africana de Basquetebol. Queremos ser a equipa que representa Moçambique. Temos também as intenções de atacar o título na Liga Moçambicana de Basquetebol, prova que em princípio se vai realizar em Novembro e é para isso que nós estamos a trabalhar. O Luiz conhece, de facto, os cantos da casa. É um treinador que trabalhou no clube cerca de três anos com resultados notáveis com duas conquistas de campeonatos nacionais para além de ter desenvolvido um bom trabalho no quadro da formação.

O sucesso do Ferroviário da Beira no basquetebol está associado, de certa forma, à contratação de atletas estrangeiros como Kejuan Johnson e Jeffrey Fanhbulleh. Para o Torneio de Apuramento, o Ferroviário da Beira vai ao estrangeiro buscar reforços ou irá privilegiar a prata da casa?

Neste momento, estamos a trabalhar com dezasseis atletas nacionais. Como deve compreender, o Ferroviário da Beira fez algum investimento no plantel com a contratação de alguns jogadores de referência no basquetebol moçambicano.
Na última conversa que tive com o Luíz Lopez, ele mostrou-se bastante satisfeito com o trabalho que está a ser desenvolvido pela equipa. Para já, vamos atacar esta prova com jogadores nacionais pois ainda não me foi feita nenhuma proposta pelo treinador para a contratação de jogadores estrangeiros.

Se se justificar, naturalmente que iremos fazer mas para já achamos que podemos atacar esta prova com os dezasseis jogadores que temos neste momento a treinar. É assim que nós vamos fazer para que, mais para frente, vejamos se se justifica a contratação de jogadores estrangeiros ou não, mas este será um plano “B”.

Em 2017, o Ferroviário da Beira terminou a sua participação na Taça dos Clubes Campeões num honroso sexto lugar, numa prova que contou com a participação de 12 equipas. Esta prestação, ainda que num contexto diferente, acresce as responsabilidades da equipa e direcção no Torneio de Apuramento à BAL?

Sim. O Ferroviário da Beira tem feito um investimento grande ao nível do basquetebol. Nós temos um espaço enorme no basquetebol moçambicano. Naturalmente, temos a obrigação de fazer mais e melhor em qualquer competição em que participamos. Mas, acima de tudo, pretendemos ser uma equipa competitiva e sempre orientada para atingir os principais objectivos.

Neste caso específico, queremos ser a equipa que representa Moçambique nas competições africanas. É preciso, acima de tudo, que mostremos isso jogo a jogo e sejamos a equipa mais regular.

Esta competição irá contar, para além do Ferroviário da Beira, com a participação do Ferroviário de Maputo, campeão nacional, Costa do Sol, vice-campeão, e ainda o Desportivo Maputo. Em ternos competitivos, o que espera da prova?

Eu espero que, acima de tudo, haja alguma publicidade do nosso basquetebol que não está a ser praticado. Vi, ao nível de Maputo, uma prova que traz alguma divulgação e publicidade do nosso basquetebol. Refiro-me ao Torneio Nutrição que recentemente terminou. Mas como deve compreender não tem havido provas de forma regular por conta da COVID-19. Espero que as equipas sejam competitivas mesmo sem rodagem e jogos de preparação. Acredito que as quatro equipas que irão participar nesta prova irão trazer muito basquetebol e que ganhe a melhor.

O seleccionador nacional de futebol de praia, Abinério Ussaca, divulgou a lista dos 14 atletas que vão representar Moçambique no Mundial da modalidade, a ter lugar na Rússia de 19 a 29 do mês em curso.

Os eleitos saíram de um total de 18 atletas que, há duas semanas, estão em Portugal, a cumprir o estágio pré-competitivo antes de seguir para Rússia.

Desde que estão em Portugal, Abinério Ussaca e os seus pupilos já realizaram vários jogos particulares que permitiram que o técnico reduzisse o grupo a 14 jogadores, sendo que regressaram ontem ao país.

Eis a lista dos convocados:

Guarda-redes: Anivaldo Mavie, Pedro Barca e Manuel Tivane;

Defesas: Hermínio Marcelino, Bachir Mussa, Gerson Chivale,  ngelo Tomás, Gabriel Mucavele;

Médios: Nelson Manuel, António Namapi, Yuran Malate, Ramussete Cumbe;

Pivôs: Hélder Moreira Mahumane, Rachide Smithe.

Do estágio até aqui feito em Portugal, Moçambique perdeu com os lusitanos (8-3), empatou com nazarenos a 4 bolas e registou duas vitórias, 4-2 e 10-5, frente ao Sporting e GRAP vitória.

No capítulo da finalização, o combinado nacional somou 21 golos e sofreu 19.

Com sete (7) golos, Nelson é, até agora, o melhor marcador, neste estágio, seguido por Hermínio Marcelino (3), Ângelo Tomás (3), Hélder Moreira (2), Júlio Manjate “Arroz” (2), Rachide Smithe (1), Yuran Malate (1) e Bachir Mussa (1).

Foram hoje a enterrar, no cemitério de Lhanguene, os restos mortais do antigo seleccionador nacional de futsal, Inácio Sambo, que perdeu a vida no domingo, vítima de doença.

Amigos, familiares e desportistas prestaram, hoje, o último adeus ao “senhor futsal”, que perdeu a vida no último domingo, na província de Manica, vítima de doença. Numa cerimónia que começou às 08 horas, na mesquita localizada na Avenida de Angola e terminou no cemitério de Lhanguene, onde foram a enterrar os seus restos mortais, a família destacou as qualidades de um homem que dedicou parte da sua vida ao serviço do futsal nacional.

Desportista que era, amigo, pai e irmão, Sambo deixa um vazio e morre numa altura em que estava a começar um projecto que tornaria a família mais coesa.

“Inácio significa tudo para a família. Fomos criados por ele, o que somos hoje, ele é que nos despertou. Morre numa altura em que precisávamos muito dos seus ensinamentos, porque tinha começado um grande projecto que visava unir mais a família. Portanto, deixa-nos um vazio enorme”, lamenta António Sambo, que, de seguida, procura conformar-se com o sucedido. “A vida depende de Deus, se dependesse de nós, queríamos ter o nosso irmão connosco.”

Antigo treinador do Desportivo e também concunhado de Aly Hassane, o “senhor futsal” deixa uma perda dupla para o antigo técnico da extinta Liga Muçulmana de Maputo. Hassane lembra-se do homem de “raça”, como se de hoje tratasse. Os duelos, com quem travou, ficarão eternizados, até porque sabia viver os momentos com vivacidade, ganhando assim como não.

“É triste! Mas temos de aceitar, afinal de contas é a lei de Deus. Perdemos um grande homem, uma referência do nosso futsal. Quando ele ainda treinava o Desportivo de Maputo, tive a oportunidade de ser adversário dele durante alguns jogos quando fazia parte da equipa técnica da Liga. Eram duelos sempre interessantes e Sambo sempre demonstrou carisma espectacular. Nos momentos da vitória, conseguia saborear e nos da derrota conseguia conter-se”, recua-se ao tempo Hassane.

Aly Hassane não deixou de falar de Sambo aquando instrutor da Confederação Africana de Futebol, tendo destacado a qualidade de rigor no trabalho e recordado que estava comprometido com a massificação do futsal. “Transmitia a sua personalidade ao longo da vida dele. Não há dúvidas de que perdemos um senhor de futsal que era espelho da modalidade ao nível nacional e não só.”

Inácio Sambo foi um dos treinadores de futsal mais bem-sucedidos do país, tendo ganhado vários títulos ao serviço da Padaria Aziz e Desportivo Maputo e foi um dos responsáveis, na qualidade de assessor técnico, pela qualificação de Moçambique para o Mundial de Futsal da Colômbia, em 2018. Os feitos ficarão marcados para sempre e deixarão saudades de um homem presente, abnegado e com convicções próprias.

“Mais do que significar muito para a família, Inácio é uma figura incontornável para o futsal do país, por isso temos de capitalizar o seu legado. Destacou-se logo cedo como jogador na Texlom e, como treinador, trouxe várias glórias para a Nação. Se estivermos recordados, Moçambique alcançou lugar de pódio no Egipto com contribuição do Inácio”, enaltece António Sambo.

O senhor futsal deixa viúva e cinco filhos.

Os jogadores Dje, do Ferroviário de Lichinga, e Henriques, da União Desportiva de Songo, estiveram de pé quente e marcaram pelas respectivas equipas, aproximando-se do grupo da frente dos melhores marcadores. Ao todo, foram marcados 13 golos, com o Costa do Sol a contribuir com quatro golos, apontados ao Ferroviário da Beira.

Foram, ao todo, 13 golos apontados numa jornada que iniciou na quinta-feira e fechou no domingo, com cinco jogos a terminarem com vantagem mínima, um com números gordos e outro de forma confortável. A jornada 14, a primeira da segunda volta, não teve nenhum empate e duas equipas venceram fora de portas, com destaque para o Ferroviário de Nampula que veio a Maputo infligir a primeira derrota à líder Black Bulls, e para o Incomáti de Xinavane, que foi a Soalpo vencer o Textáfrica de Chimoio.

Destes resultados todos, Dje, avançado dos “locomotivas” da capital de Niassa, foi o jogador que mais saiu sorridente. Apontou o seu oitavo golo, igualou Dayo, do Ferroviário da Beira, no segundo lugar dos melhores artilheiros, e aproxima-se de Ejaita, da Black Bulls, líder com 11 golos, estes dois que ficaram em branco nesta jornada.

O jogador do Ferroviário de Lichinga continua de pé quente e já tem uma média de quase 0.8 golo por jogo. Dje começou a saga de golos com um hat-trick na goleada da sua equipa diante do Matchedje de Mocuba, por 4-0, voltando a marcar nas vitórias diante da UD Songo, Desportivo Maputo, Ferroviário de Nacala e Liga Desportiva de Maputo, e na derrota sofrida frente a Black Bulls.

Já Henriques, que tinha apontado seis golos ao serviço do Desportivo Maputo, voltou a facturar já com as cores da União Desportiva de Songo, na vitória tangencial dos “hidroeléctricos” diante do Ferroviário de Maputo, na sexta-feira.

Outros jogadores, que deram gosto ao pé nesta jornada, são os do Costa do Sol, todos eles a fazerem o seu segundo golo na competição, nomeadamente, Nilton, o liberiano Stephen, o queniano Raymond e Mário, o mesmo que aconteceu com Mathause e Dinheiro, do Incomáti de Xinavane e Soares, que marcou um golo ao serviço da Black Bulls e agora com as cores do Ferroviário de Nacala.

Loló, do Ferroviário de Nampula, Danito e Litos, ambos do Desportivo Maputo, e Neto, do Textáfrica do Chimoio, estrearam-se a marcar na presente edição do Moçambola.

Ejaita, da Black Bulls, e Dayo, do Ferroviário da Beira, continuam na frente da lista dos melhores marcadores, com 11 e oito golos, respectivamente.

Recorde-se que a Liga Moçambicana de Futebol só vai premiar o melhor marcador ao jogador que apontar mais de 20 golos.

Sérgio Faife Matsolo é, desde último domingo, o treinador principal do histórico Grupo Desportivo e Recreativo Textáfrica (GDRT) de Chimoio, mais conhecido apenas como Textáfrica.

Matsolo, que substitui Artur Semedo, apresentado quarta-feira como treinador dos “fabris”, para, no dia seguinte, ser apresentado como o do Costa do Sol, propõe-se a tirar o clube da actual zona de despromoção em que se encontra, para posições cimeiras na maior prova futebolística do país, Moçambola.

“O meu principal objectivo aqui, no Textáfrica, é trazer resultados que possam tirar o clube da situação em que se encontra”, disse Matsolo, para quem a efectivação desse projecto, “são necessários 32 pontos e eu acredito que, trabalhando arduamente, havemos de conseguir”.

Instado a fazer antevisão do jogo desta quarta-feira, diante do Ferroviário de Nampula, Matsolo diz que é possível vencer, mas não será fácil, uma vez que apenas treinou a equipa por dois dias.

O internacional moçambicano, Clésio Baúque, foi anunciado como reforço do Marítimo de Portugal, de forma definitiva, na manhã desta segunda-feira, segundo escreve a imprensa portuguesa.

Clésio Baúque regressa, assim, ao futebol português, agora pela porta do Marítimo, depois de ter entrado naquele país europeu chamado pelo Benfica, onde disputou uma partida pela equipa principal, para além de ter representado a equipa B encarnada. Baúque volta a Portugal depois de passagens por Turquia e Azerbaijão, tendo, na última época, representado o Zira FK, clube com o qual não renovou o contrato.

O internacional moçambicano, de 26 anos de idade, será colega de Zainadine Júnior pelas próximas três temporadas futebolísticas.

Após a sua oficialização, Clésio Baúque mostrou-se satisfeito por poder representar o clube insular e ajudar a garantir a sua manutenção o mais rápido possível, ou até alcançar, quiçá, os lugares cimeiros.

“Sinto-me feliz pela forma como o presidente (Carlos Pereira) me recebeu. O Marítimo é um clube histórico e com ambição. Sou um jogador rápido e trabalhador. Prometo que vou utilizar as minhas caraterísticas para ajudar o clube e dar alegria aos adeptos”, disse o jogador aos canais oficiais do clube.

Clésio Baúque tem, outrossim, passagens pelo Panetolikos da Grécia, Istambulspor da Turquia e Qabala do Azerbaijão.

Os restos mortais de Inácio Sambo, antigo seleccionador nacional de futsal, vão a enterrar esta terça-feira, às 9h00, no cemitério de Lhanguene, na cidade de Maputo.

O corpo foi transladado esta segunda-feira para a capital do país, sendo que a cerimónia fúnebre será restrita, devido às medidas de prevenção do Coronavírus.

Sambo perdeu a vida domingo, numa das unidades sanitárias de Chimoio, em Manica, onde se encontrava internado havia já alguns dias.

Inácio Sambo foi um dos treinadores de futsal mais bem-sucedidos do país, tendo ganhado vários títulos ao serviço da Padaria Aziz e Desportivo Maputo

O instrutor da Confederação Africana de Futebol (CAF) foi um dos responsáveis, na qualidade de assessor técnico, pela qualificação de Moçambique para o Mundial de Futsal da Colômbia, em 2018.

Sambo destacou-se, ainda, no resgate da modalidade depois de três anos sem a disputa do campeonato nacional.

Refira-se Sambo nasceu a 18 de Dezembro de 1961 e deixa viúva e cinco filhos dos quais dois rapazes e três meninas.

Vivia o futsal. Respirava, como poucos, a modalidade. Era um sonhador, não é por acaso que defendeu acerrimamente a inclusão do futsal no Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares.

Em tempos de crise, com a interrupção da disputa do Campeonato Nacional em 2009, 2010 e 2011, bateu na mesa e tudo fez para que a prova voltasse a ser uma realidade já em 2012. Mapeou a modalidade, ajudou-a a ter expressão dentro e fora de Moçambique.

Campeou em vários clubes pelos quais passou e, mesmo depois de se retirar do activo, não deixou de opinar, de forma construtiva, com os seus subsídios. Virtudes que enchem de orgulho quem com ele trabalhou durante vários anos. É o caso de Sydney Aboubacar, ex-atleta do finado Padaria Aziz e Somotor.

“Eu acho que, em vida, Inácio Sambo não se confundia com o futsal. Inácio Sambo veste, efectivamente, o futsal. É a capa do futsal em Moçambique e além-fronteiras. Esta é a maior memória que podemos ter de Inácio Sambo. Era uma pessoa dedicada a causa do futsal”, começou por recordar Aboubacar, visivelmente chocado com o desaparecimento físico de Inácio Sambo

Um professor. Uma figura aglutinadora. Defensor de valores como união do grupo e disciplina. Mas, acima de tudo, um treinador cuja intervenção ultrapassava a barreira meramente desportiva. Exemplar dentro e fora dos campos.

“Uma das maiores virtudes de Inácio Sambo, para mim, era defender a coesão do grupo. Sambo queria que a equipa estivesse sempre unida. Portanto, ele olhava para a equipa como uma família. Não havia grupinhos nas suas equipas”, notou.

A melhor forma de homenagear um homem que deu a sua vida pelo desporto, no geral, e futsal, em particular, é valorizar o seu legado.

“É preciso aproveitar as ideias e conhecimento transmitido pelo professor Inácio Sambo. As pessoas que estão ligadas ao futsal devem ter “consumido” o legado de Inácio Sambo. Temos, agora, o Faruk Ismael como seleccionador nacional. Foi atleta de Inácio Sambo.  É uma pessoa com certa experiência na área. Inácio era um ícone do futsal. E olha que Inácio Sambo não vem do futsal, mas sim do futebol de salão onde tínhamos uma bola pequena”, recordou.

Inácio Sambo impulsionou o desenvolvimento do futsal com passagens pelas equipas da  Manica, Padaria Aziz, Expresso Câmbios, Somotor e selecção nacional. Por onde passou, nunca deixou de ser um treinador com capacidade de motivar os atletas e transmiti-los valores como espírito de grupo e sacrifício.

“Ele tinha esta capacidade de reter os atletas, fazê-los perceber que somos uma família. Ele, de resto, sempre olhou para uma perspectiva de nos focarmos num objectivo quer nos clubes que treinou  quer na selecção nacional. Sambo trabalhava com objectivos”,

Foi-se o arquitecto do futsal. Fica o legado. Ficam os ensinamentos de uma figura que tudo deu para que o futebol de salão, na época, e o futsal atingissem elevados níveis competitivos em Moçambique:

“Perder Inácio Sambo é perder muita coisa. Não é só a pessoa que desaparece. Aqui, há um legado. Há, aqui, uma história e trabalho que foi feito pelo Inácio Sambo com alguma sustentabilidade. E eu, sinceramente, não sei se estaríamos em condições de dar prosseguimento ao seu trabalho da melhor forma possível. Há um legado que deve ser sustentado. Sambo era um ícone do futsal”, finalizou.

 

OUTRAS REACÇÕES DE DESPORTISTAS SOBRE MORTE DE INÁCIO SAMBO

 Adão Matimbe – Presidente da AMID

A morte de Inácio Sambo é um rude golpe ao desporto moçambicano. Homem devotado à causa do futsal, em particular, e muito interventivo nos últimos anos da sua vida, através de um comentário mordaz, Inácio Sambo pretendia que as autoridades desportivas nacionais dessem um lugar de destaque ao futsal.

Sempre se bateu para que o futsal constasse do quadro competitivo nos Jogos Escolares, pois Sambo entendia que o desenvolvimento do futsal passava pela formação e a escola era o melhor lugar para a descoberta do talento.

Inácio Sambo ajudou Manica a assumir em definitivo o estatuto de uma das potências do futsal do país, competindo com frontalidade diante de equipas da capital do país e da cidade da Beira. Não nos esqueçamos que o campeão nacional em título na Escola de Condução Planalto de Chimoio.

À semelhança de Asslam Khan, Moçambique perde uma referência, pois Sambo foi treinador, seleccionador nacional e nessa condição deu muitas alegrias ao país. Como instrutor da CAF, formou muitos técnicos da modalidade.

A FMF encontrou uma forma de homenageá-lo, instituindo uma competição em seu nome. E que Manica, também, saiba honrá-lo, baptizando um dos complexos desportivos com o seu nome.

 

Victor Miguel – Comentador Ao Ataque

É  difícil  descrever a minha relação  com Inácio Sambo, dura há muito anos, quer como adversário no futebol de onze, quer como colaborador da Associação de Futebol da Cidade de Maputo, quando era treinador da equipa de Futsal da Padaria Azize, depois do Desportivo Maputo.

Mister Inácio Sambo como foi sempre tratado era um grande crítico desportivo, mas sempre procurando dar a sua contribuição para o crescimento de futebol moçambicano. O seu patriotismo revelava-se também no grupo que tinha formado para apoiar a selecção nacional os Mambas, sobretudo nos jogos que realizava fora do país.

Sambo e seus colegas de Futsal iam a ” todas” onde os Mambas iam jogar.

Recordo-me do da inauguração do Estádio Benjamim Nkapa na Tanzânia,  tendo sido convidada a selecção de Moçambique, o grupo de Inácio Sambo estava lá. Eu fazia parte como convidado da FMF e tinha gesso no ombro direito, facto que me dificultava alguns  movimentos. Foi nessa altura que Inácio Sambo entoou a canção ” amigo ajuda amigo…” e ele ajudou-me a tomar a refeição.  São actos que não se apagam. Quis ainda o destino que a nível profissional estivéssemos no mesmo ramo de actividade de Panificação. Ele era o nosso delegado a nível da Província de Manica. Um verdadeiro líder que defendia o associativismo com todas as suas energias.

Caiu um grande homem, mas será sempre recordado pelas suas obras, pelas suas raras qualidades. Até sempre, amigo e irmão Inácio Sambo.

 

Tomás Inguane – Comentador Ao Ataque

Com muita tristeza recebi a informação do desaparecimento físico do Inácio Sambo.

O desporto/ futsal moçambicano fica mais pobre com o desaparecimento físico do Inácio Sambo, Moçambique perde um comentador desportivo.

Impulsionou o futsal no Desportivo de Maputo.

Também trabalhou com Akil Marcelino na equipa técnica do futebol de 11 no Desportivo de Maputo.

Paz a sua alma.

 

Egídio Plácido – Jornalista Desportivo

Inácio Sambo foi um homem do desporto, com particular destaque para o Futsal. A paixão que ele tinha pelo Futsal era enorme. Com ele pude aprender sobre o estágio actual da modalidade, suas perspectivas e acima de tudo os seus anseios. Uma das formas de homenagear o “senhor Futsal ” é continuar com a sua obra. É tomar as suas lutas para a melhoria da prática da modalidade, em todo território nacional, como uma bandeira. Foi-se o homem, mas a sua obra certamente vai permanecer.

 

Henrique Aly – Jornalista da SuperSport

Foi com grande choque e descrença que recebi a triste notícia do desaparecimento físico do Mister Inácio Sambo com quem troquei ideias válidas sobre o futebol nacional há algumas semanas.

Era uma figura incontornável do Futsal moçambicano, com uma trajectória muito respeitada por todos quantos puderam trabalhar e testemunhar o seu trabalho.

Inegavelmente uma perda enorme e irreparável para o desporto moçambicano e para o futebol em particular.

À família enlutada as minhas sentidas condolências neste momento de dor.

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