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O País – A verdade como notícia

A Comissão de Licenciamento de Clubes da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) colocou um ponto final ao sinal vermelho de alarme, no Estádio da Machava. Tal facto ocorreu dois meses depois da reprovação do recinto para o acolhimento de jogos do Moçambola 2022, quando a Comissão de Verificação de Futebol da Federação Moçambicana de Futebol voltou ao mítico recinto para ver de perto o que foi feito em termos de trabalhos de melhoria.

Chefiada pelo Secretário-Executivo do Departamento de Licenciamento da FMF, Artur Máximo, a delegação não só ficou surpreendida, como, também, se mostrou satisfeita com o trabalho levado a cabo pela direcção do Clube Ferroviário de Maputo.

Há, de resto, sinais evidentes de melhorias nalguns segmentos, tais como balneários e os respectivos cacifos, ventilação e iluminação no túnel de acesso ao campo.

Numa acção dinâmica, com vista a melhorar a infra-estrutura que testemunhou momentos áureos da história do país, e longe dos holofotes, a direcção colocou mãos à obra e fez intervenções de vulto. O trabalho é visível, tal como clarificou Artur Máximo.

“Naturalmente, nós ficámos de efectuar uma segunda visita. Notamos, com satisfação, que muita coisa foi feita, no âmbito das várias situações anómalas que existiam. Portanto, houve um grande avanço. De zero a 20, vou atribuir 19 pontos, porque ainda há acções que devem ser realizadas. Testemunhamos que o plano de reabilitação está a ser bem cumprido. Valeu a pena o esforço que empreenderam, que é uma demonstração de manifestação de interesse de pôr as coisas a funcionarem”, observou Artur Máximo.

O piso, neste caso, a relva sintética, poderá, num futuro breve, ser substituído pela relva natural, num processo mais estruturante, que leva, naturalmente, o seu tempo!

“Em relação ao campo, este precisa, de facto, de uma intervenção, especificamente, a substituição do relvado. O actual relvado já não reúne as condições desejáveis, e ficamos satisfeitos que  direcção do clube esteja em plena concordância com este nosso posicionamento, razão pela qual pedimos que seja renovado” concluiu.

Há uma clara consciência de que as intervenções no Estádio da Machava não só beneficiam o Ferroviário de Maputo, como, também, o futebol moçambicano, no geral. Não fosse esta infraestrutura desportiva de grande dimensão palco de grandes eventos desportivos.

“Tudo o que foi feito é em prol do próprio futebol e não apenas para o Ferroviário. Viemos encontrar uma realidade totalmente diferente nos balneários já reabilitados e, consequentemente, com as condições exigidas, principalmente, os balneários do túnel”, frisou.

 

IVONE BUQUE: “NUNCA ESTIVEMOS ALHEIOS A ESTA SITUAÇÃO”

Momentos após a visita da comitiva do Departamento de Licenciamento da Federação Moçambicana de Futebol, a secretária-geral do Clube Ferroviário de Maputo, Ivone Buque, disse que uma das apostas do actual elenco é reabilitação do rico património desportivo desta colectividade. Reconheceu, no entanto, que o processo é complexo. Ivone Buque acrescentou, ainda, que o Clube Ferroviário de Maputo aposta na qualidade, pelo que é fundamental que os atletas de diversas modalidades tenham condições para a sua prática. “O futebol sai a ganhar quando é praticado em condições boas e apropriadas. Estamos cientes deste aspecto. Quero realçar que, depois da última inspecção que ditou a reprovação do nosso campo, como direcção,  nos empenhamos em fazer o nosso melhor, com vista a ultrapassar este obstáculo. Se hoje a Comissão de Verificação, dos 20 pontos possíveis, nos dá 19, é sinal de que houve trabalho, facto que nos deixa satisfeitos”, disse Ivone Buque.

Todavia, a nota positiva dada pelo Departamento de Licenciamento da Federação Moçambicana de Futebol não constitui, nem tão-pouco, motivo para desacelerar o processo de melhorias. Há que continuar com a obra! “Estaremos confortáveis  quando terminarmos o nosso projecto de reabilitação do Estádio da Machava, ou seja, quando tivermos a relva implantada. É um investimento muito grande, que requer, além da destruição da actual estrutura montada, maiores investimentos. Já dispomos de cotações de empresas vocacionadas para o arrelvamento de campos. Chegamos à conclusão de que os custos de  importação da própria relva [natural] não são tão elevados, comparados aos do trabalho de preparação do terreno para a sua colocação no campo”, explicou Ivone Buque.

Neste momento, a direcção do Ferroviário de Maputo trabalha a todo o gás, para cumprir com as metas estabelecidas. “A intervenção da Comissão de Verificação foi positiva no sentido de que está em perfeita sintonia com aquilo que é também o nosso plano de actuação. Nunca estivemos alheios a esta situação, e o que sempre pedimos foi tempo necessário para buscarmos condições para as respectivas intervenções”, acrescentou a secretária-geral.

A selecção nacional de futebol, Mambas, perdeu, esta terça-feira, diante de eSwatini, a tangente, no ensaio que realizou com vista aos dois jogos de Junho, diante do Ruanda e Benin, para a qualificação ao CAN-2023. Chiquinho Conde contou com 20 jogadores e utilizou 19, todos a actuarem no Moçambola.

Qual um jogo de qualificação ao CHAN, em que apenas jogam jogadores dos campeonatos internos, os Mambas não tiveram o seu veneno acertado para lançarem ao Escudo Real de eSwatini. E acabou por perder por uma bola sem resposta, com golo apontado já na segunda parte, altura em que já haviam sido feitas quase todas as substituições.

Chiquinho Conde, que já contou com grande parte dos 23 jogadores que actuam no Moçambola disponíveis, mesmo com algumas alterações feitas à última hora, nomeadamente com a entrada de Danito e a saída de Dayo, lesionado.

Até esta terça-feira, Chiquinho Conde não contou com a integração dos jogadores do Ferroviário de Maputo, únicos ausentes, nomeadamente Shaquile, Kito e Tununo, que só esta terça-feira à noite regressaram a Maputo depois de terem jogado em Lichinga.

Assim, Chiquinho Conde montou uma primeira equipa no sistema tradicional de 4x4x2, que, muitas vezes, se desdobrava em 4x2x3x1. Ernani foi o homem confiado para a baliza, enquanto o sector defensivo foi composto por Fidel, Chico, Martinho e Edmilson, um sector intermediário com Quaresma, Amadu, Melque, e João, e um ataque composto por Telinho e Salas.

Basta frisar que foi um jogo com pouca intensidade por parte dos moçambicanos, talvez devido ao facto de terem estado em acção no fim-de-semana, muitos fora da capital do país, o que fazia transparecer o cansaço.

Ainda assim, foi uma primeira parte equilibrada, sem oportunidades de golos e, por isso, com o nulo a prevalecer.

Na segunda parte, o seleccionador nacional fez várias mexidas com entradas de quase todos os jogadores que estavam no banco de suplentes, nomeadamente Victor, Infren, Melven Ling, Foia, Danito, Nené, Isac e Maré, sem, no entanto, mudar a forma de jogar dos Mambas.

O golo de eSwatini foi apontado aos 61 minutos, na única grande oportunidade de golo, por Khetho Kuhle Mkhonto, a ditar o resultado final e a derrota dos Mambas neste ensaio antes dos jogos mais a sério, em Junho próximo.

Ivan, guarda-redes da Black Bulls, foi o único jogador não utilizado por Chiquinho Conde.

Para já, os Mambas continuam a preparar os dois jogos diante do Ruanda e Benin, esta quarta-feira, com a realização de duas sessões de treino, nomeadamente a matinal, no campo da Black Bulls, e de tarde no campo da Liga Desportiva de Maputo, em Hanhane.

Os Mambas defrontam o Ruanda a 2 de Junho, em Joanesburgo, e, seis dias depois, o Benin, em Cotonou, em partidas de qualificação ao CAN-2023, que terá lugar na Costa do Marfim.

 

Os Mambas alinharam com os seguintes jogadores:

MOÇAMBIQUE

1 – Ernani (12 – Victor)

7 – Fidel (2 – Ifren)

14 – Chico (4 – Foia)

13 – Martinho

8 – Edmilson (C) (3 – Daniel)

18 – Quaresma  (11 – Melven Ling)

6 – Amadu (5 – Nené)

9 – Melque

16 – Telinho (10 – Isac)

15 – João

20 – Salas (17 – Maré)

 

Suplente não utilizado:

22 – Ivan

 

Arbitragem:

Simões Guambe, Venestâncio Cossa e Chadreque Cumbe.

4º árbitro: Jonas Chochota

O Bordéus da França e o Baroka da África do Sul, equipas em que militam os moçambicanos Mexer e Manuel Kambala, foram despromovidos dos respectivos campeonatos, o mesmo acontecendo com o Dinamo Tirana da Albânia, no qual actua o moçambicano Reginaldo Faite.

O seleccionador nacional, Chiquinho Conde, chamou 12 jogadores moçambicanos que actuam fora de portas, nomeadamente na África do Sul, Portugal, Espanha, França, Albânia e Alemanha. E vai encontrar uma miscelânea de sentimentos nos jogadores que vão representar a nação nos jogos dos Mambas em Junho, especificamente os que estão mais felizes pelas posições das suas equipas, e os tristes, pela situação que deixam nos respectivos clubes.

Vale começar pelos que nada puderam fazer para evitar o descalabro das suas equipas, não evitando a despromoção para a segunda divisão dos respectivos campeonatos. Desde logo, salta à vista o nome de Manuel Kambala, jogador que saiu da União Desportiva de Songo para o Baroka da África do Sul.

Na época passada, o médio foi o herói do Baroka, ao apontar, na última jornada, o golo que garantiu a manutenção da sua equipa na primeira divisão, além de ter tirado o título ao Kaiser Chiefs, que, na altura, disputava o troféu com Mamelodi Sundowns.

Titular em 25 dos 30 jogos do Baroka na Premier Soccer League, da África do Sul, onde marcou um golo, Manuel Kambala não evitou a descida da divisão, tendo a sua equipa terminado em último lugar, com 25 pontos, menos um que Swallows, equipa que terminou na penúltima posição e vai, agora, disputar o Grupo da Despromoção, com o Pretória United e o Cape Town All Stars, equipas que ficaram em segundo e terceiro na segunda liga, pela única vaga na primeira liga.

Mesmo destino teve Mexer Sitoe, defesa central do Bordéus, que teve uma época para esquecer na França. Depois de ter trocado o Rennes pelo Bordéus, Mexer não foi mais o mesmo! Está a ter uma passagem pouco conseguida, disputando poucos jogos, tal como aconteceu esta temporada, em que fez 17 jogos, dos quais 16 para a Ligue 1, em 38 jogos do campeonato.

Mexer foi convocado e jogou pela última vez a 23 de Janeiro deste ano, para a 22ª jornada, na vitória diante do Strasbourg por 4-3 e, de lá para cá, nunca mais foi convocado pelo seu treinador.

A sua equipa acabou por terminar na última posição com 31 pontos em 38 jogos, os mesmos pontos do Metz, com que vai a Ligue 2, um ponto a menos em relação ao St Etienne, equipa que vai disputar o Grupo da Despromoção com o terceiro e quarto da segunda liga.

Já Reginaldo Faite chega aos Mambas entristecido pela despromoção no campeonato da Albânia, uma vez que, apesar de ainda faltar uma jornada para o final da prova, já não consegue a manutenção nem o acesso ao play-off.

O Dinamo Tirana é penúltimo com 28 pontos em 35 jogos e está a seis pontos do Egnatia, equipa que está na 8ª posição, num campeonato com 10 equipas, e que vai para o play-off. Reginaldo Faite, que chegou a meio da temporada e logo foi chamado várias vezes à equipa, não marcou nenhum golo em 16 jogos para o campeonato e dois para a Taça.

Este sábado foi substituído aos 59 minutos e ainda tem um jogo por disputar, esta quinta-feira, para o fecho do campeonato.

 

BRUNO LANGA PERTO DA LIGA PORTUGAL

Dos moçambicanos em evidência, destaque para Bruno Langa, que este fim-de-semana ajudou a sua equipa, o Desportivo de Chaves a conseguir um resultado animador e que possa garantir a subida de divisão, no play-off que disputa com o Moreirense. O Chaves venceu por duas bolas sem resposta.

A turma de Chaves, terceiro classificado da segunda liga portuguesa, a Liga Portugal 2, defronta o antepenúltimo da Liga Portugal, por uma vaga no principal campeonato daquele país. Bruno Langa foi titular em todos os jogos deste ano pelo Chaves, tendo ajudado a equipa a alcançar a posição que agora permite disputar o play-off.

Assim, a segunda mão do play-off de acesso à Liga Portugal disputa-se domingo em Moreira de Cónegos, antes da integração do lateral esquerdo nos Mambas.

 

GENY CATAMO MAIS MOTIVADO PELO FEITO

Quem chega aos Mambas motivado é Geny Catamo, por dois motivos. Primeiro, pelo feito alcançado na última jornada em que fez duas assistências na goleada do Vitória de Guimarães que garantiu vaga na Liga Conferência, logo no primeiro e único jogo a titular.

De resto Geny Catamo era chamado em todos os jogos dos vimaranenses, desde que chegou por empréstimo do Sporting, sendo sempre suplente utilizado.

Mas também, o jogador sabe que vai integrar a equipa principal do Sporting na pré-época leonina que inicia a 27 de Junho próximo, e Geny Catamo terá a oportunidade de convencer Rúben Amorim a manter o jogador na equipa principal.

Os restantes jogadores que vão representar os Mambas ajudaram as suas equipas a manterem-se nos respectivos campeonatos, com destaque para Reinildo Mandava, que voltará a disputar a Liga dos Campeões com o Atlético Madrid, e para Zainadine Jr. e Clésio Baúque, que garantiram a manutenção do Marítimo na Liga Portugal.

Gildo Vilankulo, do Amora, Witi Quembo, do Nacional da Madeira, ambos titulares nas suas equipas na última jornada, Domingues, no Royal AM da África do Sul, que entrou aos 77 minutos na última jornada, e Stanley Ratifo, que actua no Pforzheim da quarta divisão da Alemanha, que foi substituído aos 66 minutos, conseguiram a manutenção das suas equipas nos respectivos campeonatos.

Estes jogadores só se juntam aos Mambas na próxima semana, na África do Sul, à excepção de Stanley Ratifo, que já se encontra em Maputo.

 

Jogadores estrangeiros convocados aos Mambas

Clésio Baúque – CS Marítimo

Reinildo Mandava – Atlético de Madrid

Bruno Langa – GD Chaves

Zainadine Júnior – CS Marítimo

Edson Sitoe – FC Bordeaux

Manuel Kambala – Baroka FC

Elias Pelembe – Royal AM

Geny Catamo – Vitória SC

Gildo Vilanculos – Amora FC

Witness Quembo – Nacional da Madeira

Reginaldo Fait – Dínamo Tirana

Stanley Ratifo – CfR Pforzheim

As selecções nacionais do Quénia e do Zimbabwe foram excluídas da fase de grupos de qualificação para o Campeonato Africano das Nações, CAN-2023, depois de não terem sido levantadas as suspensões por parte da FIFA, segundo informou a Confederação Africana de Futebol (CAF), esta segunda-feira.

“A Federação de Futebol do Quénia e a do Zimbabwe serão consideradas excluídas e eliminadas da competição africana. Os grupos C e K serão constituídos por apenas três selecções e a ordem dos jogos será mantida de acordo com o calendário”, lê-se num comunicado da CAF.

Assim, no grupo C, em que estava o Quénia, ficam apenas a disputar as vagas as selecções dos Camarões, Namíbia e Burundi, enquanto, no grupo K, passam a disputar o acesso ao CAN-2023 as selecções do Marrocos, África do Sul e Libéria, depois da exclusão do Zimbabwe.

Para esta decisão da FIFA, no início deste ano, pesou a ingerência dos respectivos Governos na gestão do desporto, em particular no futebol. Ou seja, os Governos dos dois países dissolveram as federações de futebol, o que não é permitido pela FIFA.

Para o caso do Quénia, o Governo local dissolveu a direcção da federação depois de o respectivo presidente, Nick Mwendwa, ter sido acusado de fraude. Por seu turno, o Comité Executivo da federação do Zimbabwe foi dissolvido por suspeita de peculato.

A fase de qualificação ao Campeonato Africano das Nações arranca na próxima data-FIFA, em Junho, com a disputa das primeiras duas jornadas.

Há uma nova aposta, para este ano, dos alemães da Mücke Motorsport Mercedes AMG, que acreditam que o piloto que corre pela bandeira de Moçambique tem uma grande  margem de progressão e poderá chegar a uma carreira profissional. Rodrigo Almeida confirmou, no fim-de-semana, que podem contar consigo no troféu DTM, em GT4.

Em duas  assinaláveis corridas (sábado e domingo), em Lausitzring, na Alemanha, que também marcaram a abertura oficial desta renomada competição mundial de captação de jovens pilotos para as principais equipas de automobilismo, o moçambicano logrou posicionar-se em quinta posição, na classificação geral, partindo como o melhor piloto da sua equipa, ou seja, à frente do seu colega, o francês Edouard Cauhaupe.

Curiosamente, Cauhaupe tinha sido a grande evidência da equipa nos treinos de qualificação. Entretanto, Rodrigo Almeida reservou as forças para as grandes decisões, conseguindo melhores tempos no sábado e domingo, o que influenciou positivamente para a quinta posição geral conseguida pela sua equipa.

Com a Toyota Gazoo Racing a levar a melhor, numa competição de 20 pilotos, o moçambicano fez o seu melhor tempo de corrida: 1.42.372, registado no último dia da competição, valendo-lhe, assim, o quinto lugar.

A próxima prova do moçambicano será em Imola, na Itália, entre 17 e 19 de Junho próximo.

 

RODRIGO ALMEIDA: “A PROVA CORREU COMO DESEJAVA”

Almeida, estreia absoluta no Troféu DTM, prestigiante quinto lugar, tem motivos de orgulho, pelo que diz: “a primeira prova foi importante para mim; é um campeonato competitivo. Posso dizer que correu como desejava. Consegui alcançar os meus objectivos, que passavam por estar no top 5.”

O piloto brilhou, entre outras provas, no BMW M2 CUP. Agora integra uma equipa mundialmente reconhecida no Troféu DTM, mas, para ele, “as diferenças entre este campeonato e os outros são conhecidas. Os pilotos também são muito bons, e é uma corrida que está inserida, como o nome já diz, no DTM, que é um dos melhores campeonatos do mundo”, realçou.

O piloto promete, ainda, dar o seu melhor nas próximas provas: “podem esperar de mim maior entrega. Vou dar o meu melhor como sempre faço.”

Sobre a sua integração na nova equipa, disse: “a equipa recebeu-me da melhor forma possível e tentou passar-me os melhores conhecimentos que tinha acerca do desporto motorizado para eu evoluir na minha carreira!”

Rodrigo Almeida tem estado a representar o país em várias competições internacionais.

Entraram no boxe ao acaso, mas hoje são uma referência da modalidade. Alcinda Panguane e Rady Gramane tiveram um arranque de carreira com alguns percalços, mas nem por isso desistiram dos seus sonhos.

Há dez anos, precisamente em 2012, quando, por ironia do destino, tiveram o primeiro contacto com as luvas, era inimaginável que um dia os seus nomes pudessem constar do livro sagrado do desporto moçambicano, particularmente do boxe. Alcinda Panguane e Rady Gramane conservam, na sua galeria, várias medalhas, quer de ouro, quer de prata e bronze, conquistadas, muitas vezes, a escopo e martelo. Falemos disso mais adiante. Tenham paciência, por favor!

Na alegria e na tristeza, nas derrotas e nas vitórias e mais ainda nos fracassos e nas conquistas, as duas pugilistas sempre se mantiveram firmes, até porque era preciso criar alicerces da sua carreira. E hoje já estão a colher os louros.

“Entrei no boxe ao acaso. Lembro-me que decidi acompanhar a Rady para ela correr, porque era obesa. Quando lá chegamos, ela disse para treinarmos boxe”, revela Alcinda Panguane. Era, afinal, o começo de uma carreira brilhante, que, mesmo assim, conheceu momentos de atribulação, desde logo o facto de a sua família não apoiar a ideia.

Mas porque estava firme no que queria, em nenhum momento Alcinda Panguana vergou, ainda que isso custasse, não raras vezes, uma lágrima no canto do olho. Rompeu, com a força de vontade, as barreiras que, à partida, pareciam intransponíveis.

“Hoje em dia, vejo que Deus tinha um propósito comigo. Estou, por isso, orgulhosa do caminho que segui”, diz Panguane, ainda eufórica com a conquista da inédita medalha de prata no Mundial, cujo epílogo foi na última quinta-feira, em Istambul, Turquia, de onde, por esses dias, sopram os ventos do sucesso do nosso boxe. Imaginem só!

De uma simples vontade de reduzir o peso, Rady Gramane encantou-se, começou a galantear e, por fim, casou-se com o boxe. Os frutos do enlace com a modalidade já são visíveis.

“Nunca imaginei que, um dia, fosse chegar à posição em que me encontro”, afiança Gramane. Até que pode nunca ter imaginado que pudesse atingir os píncaros da sua carreira e, por isso mesmo, integrar a restrita lista dos melhores pugilistas que o país ostenta.

Pois bem, à semelhança de Alcinda Panguane, Gramane teve de travar uma guerra sem quartel com a sua família, que fincava pé na ideia de que ela não deveria abraçar a modalidade.

“Como eu queria, a família teve de entender”, revela. E porque a família entendeu, não mediu esforços para vincar na modalidade.

 

ORGULHOSO, FELIZ E REALIZADO

Em três adjectivos, Lucas Sinóia, um dos obreiros desta façanha, faz uma súmula daquilo que ele sente neste momento. Conduziu as duas joias de África a uma inédita conquista da medalha de prata e bronze no Mundial do Boxe.

Pela sua brilhante carreira, entanto que pugilista, Sinóia até poderia estar aconchegado na sombra do conformismo, por sinal uma quatro armadilhas da mente, explicadas de forma vernácula por Augusto Cury. Mas não! Luca Sinóia tem sido um herói anónimo, na medida em que, mais do que procurar o alcance dos holofotes, se entrega ao trabalho. As suas obras não mentem. Não só é responsável por esta conquista, como de tantas outras que engrossam o ego dos moçambicanos no concerto das nações. Obrigado, mister!

 

INTERCONECTADOS

Helena Panguane, mãe da Alcinda, é, por esses dias, uma mulher feliz. Do bairro Zimpeto, viu a sua filha lançar-se para o mundo. Viveu cada momento com um misto de sentimentos. Chorou quando necessário, mas também exultou cada vez que a filha levantasse o punho para celebrar a vitória.

“Só posso agradecer a Deus pela força que deu à minha filha”, diz a mãe da Nininha, como, aliás, carinhosamente a trata, sublinhando que, desde que Alcinda Panguane conquistou a medalha de prata, “não consigo apanhar sono”.

Para a sua tia, Sofia Panguane, Alcinda constitui um orgulho da família, não só pelas conquistas, bem assim como filha. “Minha sobrinha é muito meiga, mas também chorona”, graceja. Não cabe em si de tanta felicidade, até porque motivos são bastantes.

Do seu bairro, muitas energias positivas eram enviadas para Istambul, pois os vizinhos de Alcinda Panguana se uniram numa só causa.

“Unimo-nos aqui, no bairro, para apoiar a nossa irmã. Devo destacar o envolvimento de todos, inclusive de crianças”, afirma Custodio Come, vestindo a pele de porta-voz dos vizinhos.

Rady Gramane trouxe, na bagagem, uma medalha de bronze para o país, feito que deixa a sua família orgulhosa. Coube à irmã de Rady, Teresa Gramane, deixar o sentimento da família.

“Nós sabíamos que ela voltaria, pelo menos, com uma medalha”, diz. A família manteve a sagrada esperança e, no fim, soltou sorrisos largos.

 

PARTICIPAÇÕES E CONQUISTAS

Alcinda Panguane já marcou presença, diversas vezes, nos jogos da Zona 4, conquistando seis medalhas. Conquistou a medalha de prata nos Jogos Africanos de Rabat, Marrocos e uma medalha de prata nas qualificações para as olimpíadas. Por seu turno, Rady Gramane conquistou, também, uma medalha de prata, desta feita na 66ª edição do Bocskai Memorial em Debrecen, na Hungria, e uma medalha de bronze nos Jogos da Zona 4.

Representou Moçambique nos Jogos da Commonwealth de 2018, realizados em Gold Coast, Austrália. No mesmo ano, ela também competiu no evento de peso médio feminino no Campeonato Mundial de Boxe Feminino da AIBA, em Nova Deli, Índia.

Melque foi, desta vez, o grande mestre de golos, ao apontar dois na goleada da sua equipa, Black Bulls, diante do Incomáti de Xinavane. O avançado dos “touros” cola-se ao seu colega Hammed, aos adversários Dinis, Isac, Danilo e Ibraimo na liderança dos melhores artilheiros do Moçambola 2022, com dois golos cada.

Na jornada 3 do Moçambola 2022, foram apontados, ao todo, 15 golos, com destaque para dois jogos, um golo na positiva e outro na negativa. Por um lado, está a Black Bulls, que ressuscitou e já vence na presente edição do Moçambola, depois de um arranque menos conseguido, em que perdeu em casa e empatou fora. Por outro, estão os “touros”, que acordaram com goleada das antigas, diante do Incomáti de Xinavane, que não teve argumentos para contrariar o pendor ofensivo da Black Bulls.

Melque foi a figura do jogo, ao apontar dois golos e fazer o que apenas Dinis, do Ferroviário de Nacala, tinha feito na jornada anterior. O avançado da Black Bulls entrou directamente na liderança dos artilheiros, com os mesmos dois golos do seu colega Hammed, que, depois de ter marcado diante do Ferroviário de Lichinga, voltou a facturar.

Também com dois golos, estão mais três jogadores, nomeadamente, Danilo, do Costa do Sol, que voltou a marcar depois do golo apontado à Liga Desportiva de Maputo; Ibraimo, do Ferroviário da Beira, que marcou o tento de honra diante da Associação Desportiva de Vilankulo; e Isac, do Ferroviário de Nampula, que marcou na primeira e na terceira jornadas.

Ao todo, são já 38 golos apontados nas primeiras três jornadas, o que dá uma média de 2,11 golos por jogo. Para estes golos todos, também valeu a colaboração de outros tantos jogadores, com destaque para os estreantes a marcar, nomeadamente, Henriques e Dário, ambos da União Desportiva de Songo; Sataca Jr., do Costa do Sol; Turras, do Ferroviário de Nacala; Mbiza e Victos, ambos dos “hidrocarbonetos”; Victor, Anacleto e Djibril, todos “touros”.

Em fase contrária, está Balloteli, do Matchedje de Mocuba, único, até ao momento, que marcou na própria baliza.

Nesta jornada, o destaque pela negativa foi o embate entre os Ferroviários de Lichinga e de Maputo, que terminou com nulo a prevalecer e, por isso, sem nenhum golo.

A União Desportiva de Songo e Black Bulls, com sete golos cada, são as que mais golos apontaram aos seus adversários, contrariamente ao Incomáti de Xinavane, que, além de ser a pior defesa, já que sofreu oito golos, é o pior ataque, sem nenhum remate certeiro.

Os “Hidroeléctricos” e “locomotivas” de Nampula ainda não sofreram golos e, por isso mesmo, têm as melhores defesas, até ao momento.

O Moçambola vai, agora, parar para dar lugar aos trabalhos dos Mambas, que têm duplo compromisso na fase de qualificação ao Campeonato Africano das Nações do próximo ano, na Costa do Marfim. Ruanda e Benin são os primeiros adversários dos Mambas, em Junho, num grupo em que está, também, a campeã africana, Senegal.

 

LISTA DOS MELHORES MARCADORES

DOIS GOLOS

Dinis (Ferroviário de Nacala), Isac (Ferroviário de Nampula), Danilo (Costa do Sol), Ibraimo (Ferroviário da Beira), Hammed e Melque (Black Bulls).

UM GOLO

Balloteli (Matchedje de Mocuba), Jimmy, Lau King, Muzaza, Adams, Dayo, Henriques, Mário (UD Songo), Salas (Ferroviário de Nampula), Muholove, Sataca Jr. (Costa do Sol), Mário, Kito (Ferroviário de Maputo), Mafaite, Jafete (Ferroviário da Beira), Momede, Ivan, Hermínio (Liga Desportiva de Maputo), Vivaldo (Ferroviário de Lichinga), Turras (Ferroviário de Nacala), Mbiza e Victor (AD Vilankulo), Victor, Anacleto, Djibril (Black Bulls).

AUTO-GOLO

Balloteli (Matchedje de Mocuba)

Combinado nacional defronta esta terça-feira a sua congénere de eSwatini, em jogo amigável, de preparação do duplo embate diante do Ruanda e Benin, em Junho próximo. Para além de Luís Miquissone, Chiquinho Conde não vai contar com Dayo, lesionado no último domingo, mas chamou o defesa Danilo para se juntar aos restantes

A selecção nacional de futebol, os Mambas, iniciou, esta segunda-feira, os trabalhos de preparação para a dupla jornada inaugural de qualificação ao Campeonato Africano das Nações, CAN-2023, na Costa do Marfim. As primeiras duas sessões foram desfalcadas de vários jogadores, uma vez que houve disputa de mais uma jornada no Moçambola 2022, bem como ao facto de muitos dos “estrangeiros” só se juntarem aos Mambas já na África do Sul.

Assim, na sessão matinal estiveram apenas dez jogadores, sendo cinco da Black Bulls e igual número da União Desportiva de Songo. Ou seja, estiveram presentes apenas os guarda-redes Ernan Siluane e Ivan Urrubal, os defesas Danilo Mutambe, Ifren Matola, Fidel de Sousa, Edmilson Dove e Martinho Thauzene, os médios Amade Momade e Feliciano Jone e o avançado Melque Alexandre.

Dayo António, da União Desportiva do Songo, foi dispensado por ter contraído uma lesão na partida da terceira jornada do Moçambola, diante da Liga Desportiva de Maputo.

Os restantes jogadores que actuam no Moçambola só se apresentaram na sessão na tarde, uma vez que os do Ferroviário de Maputo estiveram em Lichinga, os da Beira, em Vilankulo, os do Costa do Sol regressaram de Nacala e os de Nampula e Nacala jogaram na sua província.

Destes jogadores, apenas os do Ferroviário de Maputo juntam-se aos Mambas esta terça-feira.

Os jogadores que actuam fora de portas só se juntam aos Mambas na vizinha África do Sul, local onde os Mambas vão prosseguir com o estágio a partir do dia 29 de Maio, para o embate do dia 2 de junho com Ruanda.

Apenas Stanley Ratifo é esperado esta terça-feira para se juntar aos trabalhos dos Mambas.

 

Eswatini para testar veneno dos Mambas

Entretanto, para esta terça-feira, quando forem 15h00, os Mambas realizam a terceira sessão de treinos, num amigável com eSwatini, no campo da Black Bulls. Chiquinho Conde quer conhecer melhor os jogadores que chamou para esta empreitada, nomeadamente os que actuam intramuros.

Vale isto dizer que apenas os jogadores que actuam no Moçambola 2022 estarão sob olhar atento de Chiquinho Conde esta terça-feira diante do vizinho eSwatini, aos quais poderão ser dispensados alguns, que não irão aos jogos com Ruanda e Benin.

Depois do jogo com eSwatini, os Mambas continuam no país a trabalhar com os jogadores locais até ao dia 29 de Maio, sexta-feira, dia que partem para estágio na África do Sul.

 

EIS A LISTA DOS 35 JOGADORES CONVOCADOS: 

GUARDA-REDES

Ernan Siluane – União Desportiva do Songo

Ivan Urrubal – Associação Black Bulls

Victor Guambe – Costa do Sol

 

DEFESAS

Ifren Matola – União Desportiva do Songo

Clésio Baúque – CS Marítimo

Fidel de Sousa – Associação Black Bulls

Reinildo Mandava – Atlético de Madrid

Francisco Muchanga – Costa do Sol

Bruno Langa – GD Chaves

Edmilson Dove – União Desportiva do Songo

José Mauai – Ferroviário de Maputo

Zainadine Júnior – CS Marítimo

Edson Sitoe – FC Bordeaux

Martinho Thauzene – Associação Black Bulls

Alberto Alface – Ferroviário da Beira

 

MÉDIOS

Manuel Kambala – Baroka FC

Shaquille Nangy – Ferroviário de Maputo

Amade Momade – União Desportiva do Songo

Feliciano Jone – Associação Black Bulls

Saddan Guambe – Ferroviário de Maputo

João Bonde – Ferroviário da Beira

Manuel Tanala – Costa do Sol

Adamo Alifa – Ferroviário da Beira

Elias Pelembe – Royal AM

 

AVANÇADOS

Geny Catamo – Vitória SC

Gildo Vilanculos – Amora FC

Witness Quembo – Nacional da Madeira

Reginaldo Fait – Dínamo Tirana

Salas Malico – Ferroviário de Nampula

Isac Carvalho – Ferroviário de Nampula

Melven Choi – Ferroviário da Beira

Melque Alexandre – Associação Black Bulls

Dayo António – União Desportiva do Songo

Stélio Ernesto – Costa do Sol

Stanley Ratifo – CfR Pforzheim

As pugilistas moçambicanas que conquistaram as medalhas de prata e bronze nos Campeonatos Mundiais de Boxe, nomeadamente Alcinda Panguana e Rady Gramane, já se encontram em Maputo e foram recebidas por centenas de moçambicanos que foram ao aeroporto para a recepção. As mesmas foram recebidas ainda pelo Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, pelo presidente do Conselho Municipal de Maputo, que homenageou as campeãs

Já há muito se sabia que Alcinda Panguana e Rady Gramane chegavam à capital do país esta segunda-feira. E a expectativa tinha tomado conta dos moçambicanos que queriam felicitar as pugilistas pela conquista no olimpo do mundo, com a conquista do prata e bronze nos Mundiais de Boxe, na Turquia.

Nem mesmo a chuva torrencial que caiu na cidade de Maputo impediu que cerca de três centenas de pessoas se fizessem ao aeroporto internacional de Maputo para a merecida festa de repecção, que teve muitos momentos emocionantes, desde cantos, danças, abraços, beijos e o ponto alto, que foi a entoação do hino nacional. Emocionante!

Alcinda Panguana não escondeu a emoção e deitou lágrimas sobre o rosto. “Não esperava esta recepção. Estrou emocionada!”, dizia Panguana ainda no Aeroporto. Rady Gramane, mais calma e a segurar as emoções, apenas sorria.

A delegação, que era composta ainda pelo seleccionador nacional, Lucas Sinoia, e o presidente da Federação Moçambicana de Boxe, Gabriel Júnior, foi recebida pelo Secretario de Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, que estava visivelmente feliz com o feito.

“É um marco histórico para a nossa pátria e estamos todos felizes. Estas meninas elevaram bem alto a bandeira do nosso país além fronteiras e merecem todo o nosso carinho e apoio”, disse Gilberto Mendes, para quem este feito engrandece a modalidade, mas o país no seu todo.

Aliás, Gilberto Mendes diz mesmo que este feito deve inspirar mais moçambicanos e mais modalidades a trabalharem com o objectivo de alcançarem posições similares e até melhores, realçando que agora as meninas devem continuar a trabalhar para mais e altos voos.

 

EMBAIXADORA DO DESPORTO E DIRIGENTES FEDERATIVOS NO AEROPORTO

O feito é da Alcinda Panguana e Rady Gramane, mas o orgulho é de todos nós. Por isso mesmo, muitas personalidades juntaram-se para receber as campeãs de boxe e felicitar as meninas.

Dentre os presentes estavam o presidente do Comité Olímpico de Moçambique, Aníbal Manave, dos presidentes das diversas federações nacionais ou seus representantes, desde o futebol, passando pelo basquetebol, atletismo, voleibol, entre outras modalidades.

A estes juntou-se a embaixadora do desporto moçambicano, Maria de Lurdes Mutola, campeã mundial e olímpica dos 800 metros femininos, que não quis perder a oportunidade de retribuir o calor que sempre sentiu a cada meldalha que conquistou enquanto atleta em acção.

Lurdes Mutola disse que este feito é resultado do trabalho que está a ser feito pela Federação Moçambicana de Boxe e pelas atletas, bem como pelo seu treinador e suportado pelo respectivo presidente da Federação Moçambicana de Boxe.

RECEBIDAS POR ADRIANO MALEIANE E ENEAS COMICHE

Depois do aeroporto de Maputo, as pugilistas fizeram uma passeata pelas ruas da capital do país, exibindo as medalhas que empunhavam no pescoço, acompanhadas por uma enorme fila de motoqueiros e carros que quiseram prestar a sua homenagem.

O primeiro ponto de escala foi o Gabinete do Primeiro-ministro, onde foram recebidas por Adriano Maleiane, que na ocasião enalteceu a conquista, mesmo sem muitos apoios do governo. Para Maleiane, “esta é das poucas federações que consegue trabalhar sem esperar pelo apoio do governo”, até porque provaram isso aquando da organização do regional de Boxe, agora a serem um espelho para outras organizações internacionais.

Adriano Maleiane quis interagir com as pugilistas, tendo questionado a elas sobre as emoções que foram tendo ao longo da competição. Rady Gramane falou da experiência que teve e destacou o facto de ter trabalhado com afinco para garantir o bronze, enquanto Alcinda Panguana destacou a felicidade sentida quando garantiu presença na final da sua categoria.

Gabriel Júnior e Lucas Sinoia destacaram o trabalho conjunto que foram tendo enquanto na Turquia, para garantir a conquista destas duas medalhas. Entretanto, todos prometeram continuar a trabalhar para elevar ainda mais a bandeira do país em provas internacionais.

Do Gabinete do Primeiro-ministro a caravana foi ao Paços do Conselho Municipal, onde esperava o presidente do município e outras personalidades. Eneas Comiche aproveitou para homenagear as atletas, primeiro pela qualificação aos Jogos Olímpicos e sua prestação naquele evento planetário, algo que não aconteceu na altura devido a restrições da Covid-19, e também pela conquista do pódio nos Mundiais da Turquia este ano.

 

ALCINDA PANGUANA – PUGILISTA

Estou muito feliz. É um momento muito gratificante para nós porque não esperávamos que fossemos atingir grandes patamares, mas conseguimos e estamos muito felizes e agradecemos a Deus e ao treinador por ter feito muito esforço e por ter trabalhado arduamente connosco. Daqui pra frente não prometemos nada porque o futuro pertence a Deus e só Ele sabe aonde é que vamos parar.

 

RADY GRAMANE – PUGILISTA

É muita felicidade para mim, tendo em conta que não esperava chegar tão longe no Mundial isso é gratificante. O momento chave para o meu sucesso foi quando cheguei no local da competição e vi cada uma das atletas e logo disse que tudo podia acontecer e era possível. Daqui para frente é lutar para conseguir alcançar melhores resultados e tentar chegar os Jogos Olímpicos, e chegar a melhor posição nos Jogos Olímpicos é conseguir uma medalha

 

GABRIEL JR. – PRESIDENTE DA FMA

Como sabe somos bi-campeões da África Austral em masculinos e femininos e somos vice-campeões de África. Estivemos nos quartos-de-final dos Jogos Olímpicos e hoje subimos ao pódio do mundo. Inclusive eles ficaram admirados porque diziam que não temos histórico em mundiais, mas quando Deus quer que as coisas aconteçam, com trabalho e união é possível e é o que se viu. As nossas campeãs merecem o nosso carinho. Agora é continuar a trabalhar para continuar a levantar a bandeira de Moçambique. Sabemos que quando a expectativa é grande a cobrança também é maior e nós temos que estar melhor preparados agora porque as pessoas já não vão nos cobrar o título da África Austral, mas querem mais e temos que continuar a trabalhar para continuar a levantar a bandeira em grandes patamares.

 

LUCAS SINOIA – SELECCIONADOR DE BOXE

Nós sairmos daqui preparados para o efeito pois contava com a performance das meninas, embora não estava a pensar que fossemos passar das primeiras eliminatórias. Com o passar do tempo e em cada eliminatória conseguia ver que era possível chegar a mais longe possível. Digo que se não fosse um juiz africano (da Argélia) que nos tirou o Campeonato do Mundo, nós teríamos ganho esta competição. Mas ainda assim sinto que é possível trabalharmos e voltaremos a encontrar a mesma adversária nos Jogos da Commonwealth para fazermos uma revanche. Agora temos que trabalhar para alcançar o pódio já que este não foi o primeiro mundial mas o segundo e já sabia o que tinha que fazer para chegar ao pódio.

 

LURDES MUTOLA – EMBAIXADORA DO DESPORTO

Pela primeira vez Moçambique conseguiu duas medalhas num Mundial e isso é um sinal de que estamos a trabalhar no boxe. Espero que continuem a trabalhar porque as meninas tem muito ainda por dar. Desejo boa sorte para elas e uma boa carreira para o treinador do boxe, o Lucas Sinoia. O facto de estar aqui muita gente para dar as boas vindas as meninas é bom para elas e para a sua motivação e para o próprio treinador e também para o presidente da Federação Moçambicana de Boxe, porque assim vão continuar motivados a trabalhar mais ainda.

 

ADRIANO MALEIANE – PRIMEIRO MINISTRO

É uma tradição daqui ao nível do governo repetirmos sempre que tudo se ganha com trabalho, trabalho, trabalho e o resultado sempre vem e vocês mostraram isso. Por isso, em nome do governo quero felicitar a vocês porque isso é importante pra nós. Esta é das poucas federações que consegue trabalhar sem esperar pelo apoio do governo. Mostraram isso com a organização do campeonato regional que acolhemos no país e que acabamos por ganhar. Foi uma organização que foi festejada por muitos e até agora estão a solicitar a nossa assessoria na organização de outros eventos. Vocês estão a representar outras federações com modalidade e é assim que nós queremos. Naturalmente que o estado não promete muito daquilo que não pode fazer, mas o que estamos a fazer é dinamizar o desporto através da prática da educação física que deve ser o viveiro para o desporto. Vamos apoiar sempre que pudermos e isso vamos continuar a fazer a medida das nossas responsabilidades, mas vocês mostraram que não precisam esperar o apoio do governo e que com trabalho, trabalho, os resultados sempre vêm e vieram. Então queremos usar esta oportunidade para desejar os parabéns porque esta é uma grande responsabilidade esta conquista e vocês já sabem disso. A partir do momento em que estamos no pódio do mundo há uma necessidade de nos profissionalizar no desporto e tudo isso vai ser importante para o país. É pena porque ainda não temos competições regulares e a Federação Moçambicana de Boxe está a fazer esforço para garantir competições internas que sejam cada vez mais fortes para garantir mais competitividade das nossas atletas.

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