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Daniel Chapo celebra 49.º aniversário com crianças do Infantário de Inhambane

O Presidente da República, Daniel Chapo, escolheu um cenário discreto e profundamente simbólico para assinalar o seu 49.º aniversário: o Infantário Provincial de Inhambane. Longe do protocolo, das formalidades de Estado e dos holofotes que habitualmente acompanham um Chefe de Estado, Chapo optou por um ambiente simples, marcado por afeto e humanidade. Foi ali, entre crianças que vivem longe das suas famílias, que passou o dia, transformando uma data pessoal numa mensagem pública de solidariedade e proximidade.

O Presidente percorreu calmamente as instalações do infantário, conversou com as cuidadoras, ouviu relatos do dia a dia da instituição e, sobretudo, esteve com as crianças. Sentou-se ao lado delas, sorriu, abraçou, brincou e falou com simplicidade, sem barreiras. Ao lado da esposa, reforçou a mensagem central que quis deixar: o mundo, e Moçambique em particular, precisa de mais amor, mais solidariedade e mais cuidado humano entre as pessoas. Não era um discurso formal, mas um apelo simples, feito num lugar onde a ausência familiar ganha rosto e nome.

Durante a visita, Daniel Chapo recordou a história de uma criança que vive no infantário desde bebé. A mãe tinha tentado interromper a gravidez, mas a criança sobreviveu e foi resgatada ainda em estado frágil. Hoje cresce ali, saudável, protegida e acompanhada. O Presidente falou também de outro caso: um menino cuja mãe sofre de doença mental e que, por isso, encontrou no infantário um refúgio seguro. São histórias duras, mas que mostram, como referiu, a importância de garantir proteção às crianças em situação de abandono ou risco.

E, neste dia, as tradições inverteram-se. Normalmente são os aniversariantes que recebem presentes; desta vez foi o Presidente quem decidiu oferecer. Levou donativos para apoiar as necessidades do infantário e fez questão de partilhar a refeição com as crianças. “As bênçãos vêm mais de dar do que de receber”, sublinhou, explicando simbolicamente o gesto. Mais do que um ato pontual, foi uma forma de lembrar que a solidariedade começa no gesto simples: partilhar.

Mas a escolha do local teve também um significado pessoal. Durante oito anos, enquanto governador de Inhambane, Daniel Chapo habituou-se a celebrar ali o seu aniversário. O infantário tornou-se, ao longo desse período, um espaço de ligação emocional. Agora, já como Presidente da República, voltou. Reencontrou crianças que já conhecia, reviu rostos familiares entre as cuidadoras e recuperou um ritual que atravessa o tempo e as funções que ocupa. Não foi, portanto, um gesto novo — foi a continuidade de uma relação construída ao longo dos anos.

As crianças responderam com aquilo que lhes é natural: curiosidade, timidez e alguns sorrisos espontâneos. Para muitas delas, que vivem ali porque a vida lhes retirou cedo a proteção familiar, a presença do Chefe de Estado é um sinal de que não estão esquecidas. Há um valor simbólico em ver o mais alto representante do país sentar-se ao seu lado, escutá-las e partilhar momentos de leveza.

A visita de Daniel Chapo acontece num contexto em que a proteção da infância continua a ser um dos grandes desafios do país. Muitos menores vivem em situação de vulnerabilidade social, abandono ou precariedade. As instituições que os acolhem fazem parte da rede de proteção, mas nem sempre dispõem de todos os recursos de que precisam. Ao escolher passar ali o seu aniversário, o Presidente reforçou a visibilidade dessa realidade, lembrando que a resposta passa também por reforço de solidariedade social.

Não houve discursos longos, nem cerimónias formais. O encontro fez-se de gestos, de proximidade e de partilha. Ao despedir-se, o Presidente voltou a insistir na mesma mensagem: Moçambique precisa de mais amor entre as pessoas, de mais união e de mais compaixão. Só assim — afirmou — será possível construir uma sociedade mais justa e solidária.

Aos 49 anos, Daniel Chapo marcou o dia não com uma celebração privada, mas com um gesto público de afecto social. Um aniversário transformado em sinal político — não pela grandiosidade, mas pela simplicidade. E talvez tenha sido essa simplicidade que deu força ao gesto.

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