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Pelo menos 120 pessoas morreram e cerca de 15 mil foram deslocadas devido às fortes chuvas que atingiram diferentes partes do Quénia, segundo a Organização das Nações Unidas

As fortes chuvas e inundações repentinas que atingiram diferentes partes do Quénia estão a causar perdas humanas e destruição de várias infraestruturas no país. Pelo menos 120  pessoas morreram e cerca de 15 mil pessoas estão deslocadas devido às intempéries

Cinco das principais estradas daquele país foram cortadas pelas inundações, incluindo a Garissa Road, no norte do Quénia, onde um autocarro que transportava 51 passageiros foi arrastado pelas águas.

Os dados indicam ainda que nove dos 47 distritos do país foram afectados pelo deslizamentos de terra nas regiões centrais.

A agência de gestão de catástrofes do Quénia emitiu um alerta de cheias aos residentes próximos do rio Tana, depois de as inundações terem rompido barragens a montante.

Nas épocas chuvosas anteriores do Quênia foram registradas milhares de mortos por inundações. Segundo os meteorologistas, a estação chuvosa em curso deverá atingir o pico no final de abril e diminuir em junho.

Por: Hélder Nhamaze

 

Heródoto, um geógrafo de Halicarnasso, recebeu o título de “Pai da História” pelo Orador Romano Cícero, graças à sua detalhada descrição das Guerras Greco-Persas. Dessa forma dava-se início ao estudo e documentação sistemática do passado humano. O estabelecimento da História como uma disciplina académica e como uma prática científica particular, não foi feito sem os obstáculos epistemológicos que circundam esses processos. Várias foram as correntes que se posicionaram sobre o objecto de estudo da História, linhas de pensamento que questionaram o lugar do sujeito do conhecimento na ciência histórica, ou criticaram a validade das fontes históricas usadas em períodos ou lugares determinados.

Por volta de 1840 o filósofo e ensaísta Escocês Thomas Carlyle lançou aquela que viria a ser conhecida como a Teoria do Grande Homem. Segundo ela a História pode ser amplamente explicada pelo impacto de grandes homens ou heróis, indivíduos altamente influentes e únicos que, devido aos seus atributos naturais, como intelecto superior, coragem heróica ou inspiração divina; têm um efeito histórico decisivo. Nas suas próprias palavras “A história do mundo é apenas a biografia dos grandes homens”1. Essa corrente historiográfica viria ser rebatida pela chamada História Vista de Baixo, também conhecida por História Popular, cunhada por Lucien Febvre em 1932. Na visão desta última a construção da História deveria ter como base as “pessoas comuns”, os oprimidos, os pobres e os excluídos; grupos até então nunca inclusos na narrativa da História.

Porque é que iniciamos com este longo intróito sobre a História? Porque esse é precisamente o cruzamento onde nos coloca Adelino Timóteo com este seu “Jorge Jardim: O Ano do Adeus ao Ultramar”. Timóteo nos resgata uma figura multidimensional, se formos parcimoniosos nas palavras. Ficam dúvidas se se está perante um “grande homem” ou um “homem comum”, se se trata de um nacionalista ou um ambicioso colonialista, um maquiavélico monstro ou um visionário sem igual. Ao nos apresentar “O Ano do Adeus ao Ultramar” com uma riqueza de fontes, relatos e narrativas inéditas, Adelino Timóteo obriga a que à entrada do nosso meio século de vida como Nação formalmente independente componhamos o nosso quadro histórico.

A Historiografia de Moçambique possui algumas características que são bastante peculiares, e nalguns casos únicas. O processo de erecção de uma nova Nação teve os seus alicerces num processo de legitimação do Partido-Estado através de uma epopeia libertadora, que João Paulo Borges Coelho designa de Roteiro da Libertação2. A luta pela independência nacional da qual resultou um regime de partido único, implicou igualmente que a sua história tivesse que se revestir de tons monolíticos que eram operacionalizados como instrumentos políticos e ideológicos de exercício de poder.

Tal como acontecera com os Estados-Nação Europeus alguns séculos antes, Moçambique ergueu-se por cima de uma narrativa histórica precisa. Uma epopeia fundacional que continha uma identificação clara de quem foram os heróis, quem foram os “traidores”, quais foram os eventos marcantes, que conquistas e vitórias foram alcançadas e em que circunstâncias houve massacres e assassinatos, com os seus respectivos mártires. Apesar de poder haver mérito em discutir-se e submeter-se ao crivo da veracidade cada um desses elementos, o aspecto mais impactante da historiografia Moçambicana aí patente é a sua pobreza. Não é tão relevante onde e quando se deu o primeiro tiro da Luta Armada de Libertação Nacional, como o é o facto de não haver uma pluralidade de fontes e recursos que possam ser usados para aferir tal facto.

Essa é uma grande lacuna que Adelino Timóteo contribui para suplantar com o seu “O Ano do Adeus ao Ultramar”. Probabilisticamente inspirado por Chimamanda Ngozi Adichie e o seu “Perigo de Uma História Única”, Timóteo nos narra sobre o fim do colonialismo a partir de um ângulo diferente daquele único paradigmático e dominante a que a maioria de nós teve acesso. Com testemunhos e documentos inéditos a obra enriquece a nossa memória colectiva desse período, e aguça a nossa compreensão de vários processos subsequentes.

Moçambique está em vias de completar meio século de vida. Essa etapa marcante da nossa vida como “Comunidade de Destino”, nas palavras do nosso filósofo mor, deve coincidir com uma reflexão sobre a nossa História, o nosso Património e a nossa Identidade. Essa reflexão deve ser feita de forma aberta, franca, sincera e inclusiva, mantendo sempre o princípio da comunhão de Destino (o povo sempre diz “Estamos Juntos”). Temos que olhar para a nossa História de frente e coabitar com ela incluindo os momentos menos gloriosos, de derrota ou simplesmente complexos e problemáticos; para deles aprendermos. E talvez depois desse exercício encontraremos a resposta para a pergunta sobre porque é que estamos a ter tantas dificuldades em definir o nosso Futuro.

Geração para a Nação

Kudumba Root

Muito obrigado!

 

Referências

  1. Carlyle, T (1897) Heroes and Hero worship. New York: The Macmillian Company.
  2. Coelho, J (2019) “Política e História Contemporânea em Moçambique: Dez Notas Epistemológicas” in Revista de História, N. 178.

*Notas apresentadas no lançamento de Jorge Jardim: o ano do adeus ao ultramar, de Adelino Timóteo,  no dia 11 de Abril de 2024

 

A Associação Kulemba, em parceria com a Cornelder de Moçambique, lançou, esta semana, a segunda edição do Prémio Literário Mia Couto, cujas inscrições estão abertas até 10 de Maio.

O Prémio Literário Mia Couto pretende estimular a produção literária de qualidade em Moçambique, distinguindo as melhores obras publicadas anualmente. O Prémio tem duas categorias (prosa e poesia), devendo-se distinguir uma obra em cada categoria. Para a categoria da prosa, nos anos pares, o prémio será atribuído ao melhor livro de conto, e, nos anos ímpares, ao melhor romance. Assim, em 2024, o Prémio distinguirá um livro de contos.

O Prémio Literário Mia Couto é outorgado a livros de autores moçambicanos, publicados em língua portuguesa, devendo a primeira edição ter sido publicada entre os dias 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2023. Os livros concorrentes devem ter sido publicados em versão impressa. O livro concorrente deve ser original, não podendo apresentar nenhuma parte já publicada antes em livro. Do mesmo autor, não deverá ser distinguida mais do que uma obra.

Os concorrentes deverão preencher uma ficha de inscrição, que deverá ser entregue juntamente com cinco (5) exemplares do livro, num envelope fechado, constando no sobrescrito a categoria a que concorrem. As inscrições relativas a esta segunda edição deverão decorrer de 10 de Abril a 10 de Maio de 2024.

A avaliação das obras será feita em duas fases, sendo a primeira para apurar os cinco finalistas de cada categoria e a segunda para indicar os vencedores do prémio. As obras finalistas serão anunciadas no site e nas redes sociais da Associação Kulemba no dia 05 de Julho. Os vencedores do prémio serão divulgados até 05 de Agosto de 2024. A cerimónia de premiação dos vencedores irá decorrer em Setembro de 2024, durante a Feira do Livro da Beira, FLIB 2024.

O processo de avaliação dos livros inscritos será feito por um Júri constituído por cinco elementos, designados pela organização, devendo decidir com a presença de maioria dos membros. O Júri deverá seleccionar um vencedor por cada categoria. Os vencedores serão agraciados com valores pecuniários, na ordem de 400.000 MZN (quatrocentos mil meticais) para cada categoria.

Na primeira edição do Prémio foram distinguidos Bento Baloi (prosa) e Belmiro Mouzinho (poesia).

 

Por: Natércia Manhenje

 

Nas telas que nos são apresentadas, Mourana nos oferece uma poesia lírica cantada através de traços únicos que fazem uma ode à Mulher e ao que de mais profundo e belo ela pode representar e apresentar. A música está patente de forma explícita em alguns quadros e de forma implícita em quase todos os quadros onde vemos representado o sorriso, a alegria, a escuta, a dança, a melodia, o amor e até um olhar de esguelha.

Pode-se dizer que cada quadro apenas se encontra acabado depois de analisado pelo observador, tendo em conta o momento e o diálogo travado entre ambos. Um diálogo que dispensa a figura do artista, que se isola, totalmente da tela e deixa o seu outro Eu navegar num mundo que nem ele mesmo conhece, mas que é movido por esse Eu que o leva a desencadear uma série de traços, aparentemente sem significado, mas que se vão unindo, trazendo realidades que só quem os vê, aprecia e analisa, os consegue alcançar. Em cada traço e mistura de cores nota-se um discurso misterioso, que melhor se entende com uma observação mais cuidada e profunda.

Trata-se de uma exposição essencialmente figurativa, que contém raízes profundas no mundo real com um toque de grande misticismo, regado com toque de crítica social virada para o mundo globalizado, como o quadro garotas da Town, por um lado e, de forma particularizada, como é o caso dos quadro Filhas da Lua, e ainda de forma especializada, como o caso dos quadro Xiguiane.

Sua técnica, que é bem persuasiva e com uma característica muito pessoal e de estilo que o enquadra no mundo surreal, com a particularidade de nos levar para um caminho sem retorno e sem vontade de voltar ao mundo real. O uso de cores e formas, que nos levam a interpretar de um modo mais amplo tudo o que está em nosso redor, nunca descurando o seu próprio estilo e traço, levam a cada um a transportar-se para um infinito de imagens de um modo aberto, criando emoções que exaltam a alma, em consonância com as suas vivências.

A mulher e a música casam nas telas de Mourana e trazem um elemento arquitectónico que abre outras realidades, que muitas vezes são apresentadas em situações inusitadas, numa combinação de fragmentações e montagem do real, desarticulado, suscitando o estranho, de uma imagem que é ao mesmo tempo nova e familiar.

Cada tela é como um capítulo solto de uma obra completa, mas, ao mesmo tempo em construção, levando-nos a uma viajem que pode surpreender, a cada momento, criando a espectativa de uma obra progressiva.

O convite a genesis com a representação de parte de criação do mundo com Pecado de Adão que nos sugere de onde tudo começou, até a Longa espera de uma realidade escondida no Livro dourado da sereia onde pode se antever uma Peregrinação infinita, em melodias surdas que nos levam a hoyozelar a filha da lua com a magia dança da Bailarina divina sob o Olhar de esguelha das siamesas nos levam das emoções de um Lirismo amoroso ao apocalipse da Metáfora do amor das Melodias Curvilíneas.

 

*Texto lido na sessão de abertura da exposição “Melodias curvilíneas”, de PMourana, na FFLC, no dia 5 de Março de 2024.

 

Quando mergulhamos na contemplação do sofrimento das almas eclipsadas pela sinfonia soturna da pólvora, nas teias da sociedade envolvida num eterno lamento de miséria, onde a alma humilde muitas vezes suplica pelo término da produção bélica, consciências despertas tecem pensamentos vigilantes, testemunhando o sofrimento das massas e a devastação do planeta pelas cinzas das forjas bélicas. As ondas fumegantes do conflito escravizam e envelhecem o manto do ozono, embora sejam tecidas para ornamentar o diagrama financeiro e enriquecer os cofres dos fabricantes.

As armas, que forjam rios de chumbo a banhar o peito humano, diluindo as células da alma em cálices de morte, deixam as aldeias desfavorecidas desprovidas de alegria e da vontade de existir. Urge transcender o medo e buscar a coragem que extingue a fábrica de armamentos, conduzindo o mundo à celebração do baptismo no Rio do Amor, da Paz, da Paixão e dos Prazeres Benevolentes. Talvez seja necessário despertar a consciência para a compreensão de que a arma é o reflexo natural do espectro da morte e do sofrimento.

Sim, o olhar perspicaz detecta nas tintas da guerra cores análogas às das indústrias bélicas que movem oceanos em troca de semblantes de dólares. A padronização da produção de instrumentos letais encobre o destino de vidas inocentes, com a dança macabra de projécteis bélicos que acariciam com a morte o peito desprotegido dos menos afortunados.

Os versos da poesia da guerra mesclam-se às nuances do neocolonialismo engendrado pelas nações opulentas, disfarçadas de auxílio sob pretexto, perpetuando a eterna dependência dos países menos favorecidos, minando a inteligência dos seus líderes e, muitas vezes, usurpando o desenvolvimento das sociedades ao pilhar os seus recursos naturais sem retribuir benefícios directos ao povo, ou impondo políticas que limitam a sua exploração e comercialização, obstaculizando, assim, o avanço desses países.

Os versos da poesia da guerra confundem-se com a claridade do segredo que embriaga as consciências, levando-as a proferir “sim” ao que é “não”, em todas as teorias que não se traduzem em benefícios para as nações menos favorecidas. Às vezes, os versos dessa poesia tomam a cor dos que buscam riqueza, sacrificando a alma dos desprotegidos, esquecendo-se de que todas as almas, sejam elas envoltas na penumbra da opulência ou no fulgor da penúria, enfrentarão a mesma experiência derradeira, o mistério oculto além da morte. Sim, a guerra veste-se com as cores da morte, enriquecendo as nações que olvidam que nenhum povo, de qualquer nação, escapará à experiência do transe final.

Os versos da poesia da guerra ecoam nos gritos das crianças que se escondem nas matas [do Leste da RDC, do Norte de Cabo Delgado, na Faixa de Gaza, na Ucrânia, Burkina Faso, Sudão, Iémen, Síria…] sempre que os seus ouvidos se deparam com o estrondo do cano das armas, cuja produção gera mortes e a miséria de almas desprotegidas, enriquecendo, por outro lado, as nações produtoras de armamentos. O processo de fabricação de armas talvez participe, de maneira dissimulada, na degradação e destruição da mãe natureza.

A imagem da guerra está imbuída do egoísmo e da máscara da benevolência, que buscam restringir o progresso dos países menos favorecidos, impondo-lhes o jugo do sofrimento, da pobreza e das limitações. A guerra assume as cores das nações abastadas, que continuam a exportar políticas que impedem o avanço das sociedades carentes, aproveitando-se da falta de discernimento dos líderes destituídos de luz para direccionar os valiosos recursos existentes, incapazes de vislumbrar caminhos que libertem as suas nações do jugo do subdesenvolvimento humano.

A poesia da guerra reflecte-se nas cores das armas que ceifam prematuramente as almas do povo pobre. Reflecte-se nas tintas que não pincelam o mundo com traços de amor e cenários de benevolência, mas glorificam a riqueza das nações desenvolvidas com o clamor da guerra e o gemido das almas pobres, sem que as organizações humanitárias do mundo se interessem em discutir temas que desestimulem a produção bélica. Hoje, discutem-se exaustivamente as energias fósseis, talvez porque o progresso dos países menos favorecidos esteja ligado à exploração e comercialização desses recursos, algo que poderia abalar a arrogância e prepotência das nações que ditam as regras do jogo global.

Os resultados financeiros da indústria bélica tornam-se mais positivos quanto maior for o consumo de vidas ou o número de vidas ceifadas. O marketing da morte embriaga as consciências compradoras de armamentos, semeando o desespero numa existência que deveria ser pautada pela esperança de viver num mundo justo.

Precisamos de uma mobilização social para resgatar o mundo das garras das armas e secar o rio de lágrimas vermelhas que fertiliza a indústria bélica e os seus acessórios. Precisamos de um esforço colectivo para tecer a paz com as letras da poesia, num mundo bom para todos. Os países pobres não devem mais ser forjados como campos de batalha geneticamente ocidentais; eles precisam de desvendar o véu que esconde as armas e o fardo económico das mãos que oferecem ajuda sob uma falsa aparência de generosidade. 

 

Deus livre o pobre do consumo de armas!!!

O saxofonista Moreira Chonguiça é um dos campeões do projecto JAZZ FROM AFRICA no Jazzahead!2024, a feira e festival internacional de jazz agendada para ter lugar em Bremen, Alemanha, de 11 a 14 de deste mês.

Tendo sido recentemente reconhecido pelo Governo Francês como Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, Moreira Chonguiça tem consistentemente ultrapassado os limites do jazz, infundindo sua música com a rica tapeçaria cultural de Moçambique e, mais amplamente, do continente africano.

Como luminar no cenário do jazz africano, com oito álbuns premiados, seu estilo distinto e virtuosismo no saxophone renderam-no aclamação em todo o mundo, tornando-o um embaixador adequado do jazz africano. Moreira Chonguiça é o primeiro moçambicano a ser convidado para o Concerto Global do Dia Internacional do Jazz, que terá lugar em Tangier, Marrocos, a 30 de Abril de 2024.

O projecto JAZZ FROM AFRICA, segundo uma nota de imprensa, foi iniciado por um grupo de figuras proeminentes do jazz no continente africano, e tem como objectivo mostrar a diversidade e a vitalidade do jazz africano, destacando as vozes e perspectivas únicas que emergem do continente.

Como parte desta iniciativa, Moreira Chonguiça busca amplificar as vozes dos músicos africanos de jazz, promovendo a colaboração internacional e a apreciação pela riqueza de talentos dentro da comunidade africana de jazz.

A iniciativa visa promover uma compreensão e apreciação mais profundas do jazz africano dentro da comunidade global de jazz.

Jazzahead! 2024 fornece uma Plataforma ideal para esse empreendimento, reunindo músicos, profissionais da indústria e entusiastas do jazz de todo o mundo. É uma convergência única de uma feira comercial, conferência e festival de exposições.

“Em 2023, o Jazzahead juntou 2,800 profissionais de 51 nações de vários sectores, incluindo artistas, livreiros, marcas, agências e muito mais. Pela primeira vez, o continente Africano foi agraciado com três das oito vagas na exposição ‘Overseas’ ‘além fronteiras’ dedicada a bandas/artistas de jazz emergentes”, lê-se na nota.

Moreira Chonguiça expressa o seu entusiasmo pelo projecto, afirmando, “Tenho a honra de fazer parte deste projecto inaugural JAZZ FROM AFRICA no Jazzahead! 2024. África tem uma herança musical rica e diversificada, e o jazz é um veículo poderoso para expressar as nossas histórias, tradições, e experiências contemporâneas. Este projecto é uma celebração do incrível talento dentro da comunidade africana de jazz, e estou ansioso por partilhar a nossa música com o mundo.”

A Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) entregou, na manhã de quarta-feira, dezenas de livros infanto-juvenis e materiais de apoio didáctico à Associação para o Desenvolvimento da Leitura e Escrita (ADELE).

Segundo uma publicação da Escola Portuguesa de Moçambique, o apoio, enquadrado na sua missão de cooperação no domínio da Língua Portuguesa, visa, igualmente, contribuir para desenvolver habilidades de leitura e escrita nos alunos e professores de escolas moçambicanas, no âmbito da promoção da literacia, e incentivar o hábito da leitura.

“Os exemplares doados, maioritariamente vocacionados para crianças e jovens, e editados pela nossa Escola, incluem temáticas diversas, desde o imaginário popular das histórias tradicionais de Moçambique, até aventuras e sonhos. A doação dos livros enquadra-se na iniciativa da ADELE de reforçar a literacia nas escolas moçambicanas, promovendo actividades com alunos e professores”, lê-se na mesma publicação da Escola Portuguesa de Moçambique.

Os livros foram entregues à representante da Associação para o Desenvolvimento da Leitura e Escrita (ADELE), Maria José Pereira, por Luísa Antunes, presidente da Comissão Administrativa Provisória da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP).

 

No próximo dia 18 deste mês de Abril, às 16 horas, no auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo, será lançado o projecto Cultiv’arte.

A iniciativa Cultiv’arte é da União Europeia, devendo ser implementada pela Expertise France, em parceria com o Ministério da Cultura e Turismo. Essencialmente, Cultiv’arte visa promover o sector cultural em Moçambique.

A cerimónia de lançamento de Cultiv’arte irá contar com intervenções dos embaixadores de França, da União Europeia e da Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula.

A iniciativa que terá duração de quatro anos, conta com o fundo de 5.000.000 euros, e tem como objectivo aumentar a contribuição do sector cultural para o desenvolvimento social e económico, especialmente para os jovens e as mulheres como motores de mudança.

O projecto CULTIV’ARTE pretende reforçar a governação e profissionalização do sector, incluindo a utilização de tecnologias digitais, através do reforço das competências dos recursos humanos (1); apoiar a cooperação e a criação de redes de operadores culturais a nível nacional e internacional (especialmente na região da África Austral e na Europa) (2); e reforçar as capacidades do Ministério da Cultura e do Turismo e de outros organismos públicos descentralizados, a fim de assegurar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento do sector cultural (3).

Os beneficiários directos da acção são intervenientes do sector das indústrias culturais e criativas, incluindo as autoridades públicas, empresários criativos, artistas e profissionais da cultura, bem como organizações da sociedade civil.

 

A propósito do Dia Internacional do Jazz, que se comemora anualmente a 30 Abril, o Centro Cultural Franco-Moçambicano realiza, no dia 20 deste mês, a partir das 17h, a sexta edição do Festival Jazz no Franco, a decorrer nos palcos do Jardim e Sala Grande.

Inaugurado em 2018, o Festival Jazz no Franco tem sido um marco na cena musical local, com uma rica programação de artistas nacionais e estrangeiros. Para a sexta edição, o evento conta com a participação de Frank Paco, Deodato Siquir, Fearless Souls e The Brother Moves On (África do Sul). “Adicionalmente, teremos um DJ Set com DJ Bob, da África do Sul, tanto às 17h como às 22h”, lê-se na nota do Franco.

Frank Paco começou a tocar bateria com a tenra idade de 11 anos, em Moçambique, e, em 1994, decidiu continuar os seus estudos em jazz matriculando-se na Universidade de Cape Town, onde obteve um diploma com distinção em “Performance de Jazz”. Em 2000, Frank foi convidado a gravar com os melhores músicos da África do Sul pela Sheer Sound Jazz Label, da qual sua composição “Milagre” foi escolhida para o vídeo-clip. O grupo também ganhou o South African Music Awards (SAMA), na categoria de “Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo”, e recebeu um convite para o Den Hague e se apresentar no Festival de Jazz do Mar do Norte, em 2001. Na sua carreira como músico de estúdio, Frank gravou em mais de 40 álbuns, 10 dos quais receberam prémios e 4 foram nomeados. Percorreu muitos palcos do mundo e a sua carreira impressionante inclui destaques como o concerto 46664 Mandela AIDS ao lado de muitos grandes músicos do mundo, como a lendária banda Queen, Bono, Jimmy Cliff, Angelique Kidjo, Johnny Clegg, Brian May e Peter Gabriel. Depois de décadas a viver na África do Sul, reside actualmente na Ilha da Reunião

Deodato Siquir, nasceu em 1975, em Maputo. Cresceu em uma família musical e começou a tocar bateria improvisada na infância. Juntou-se à sua primeira banda em 1988 e aos 15 anos já se apresentava com orquestras profissionais e músicos internacionais.

Entre 1990 e 2000, trabalhou como acompanhante de diversos artistas em Moçambique. Em 1997, fundou sua primeira banda, Mozafro, e contribuiu para a compilação “Music from Mozambique”. Em 2000, participou do álbum “Mozambique Relief” para arrecadar fundos para vítimas de uma enchente. Em 2001, emigrou para a Escandinávia, onde se tornou um músico requisitado no cenário do jazz e world music. Lançou seus álbuns solo “Balanço” (2007) e “Mutema” (2011), que alcançaram sucesso internacional, entrando no Top 10 da World Music Charts Europe. Seu terceiro álbum original, “TOGETHER”, concorre actualmente ao World Music Charts Europe. Sua carreira na Escandinávia incluiu colaborações com uma ampla gama de artistas, consolidando sua reputação como um talentoso percussionista e compositor.

Fearless Souls é uma banda moçambicana de Jazz/Fusion cuja sonoridade é influenciada pela música tradicional e folclórica de Moçambique, bem como pelos mais diversos géneros musicais. A banda é formada por Vando Infante, Albano Gove, Lívio Monjane, Mahú Mucamisa e Roberto Chitsonzo Jr., tendo alguns já colaborado com grandes figuras da música a nível internacional como Jimmy Dludlu, Moreira Chonguiça, More Jazz Big Band, Stewart Sukuma, Sandra Saint Victor, Ghorwane, Judith Sephuma, Sipho “Hotstix” Mabuse, Pathorn Srikaranonda, entre outros.

The Brother Moves On é um grupo de arte performática sul-africano sediado em Joanesburgo, Gauteng. Fundado entre 2008 e 2010 por Nkululeko Mthembu, um artista versátil, e seu irmão Siyabonga Mthembu, o grupo começou como um colectivo de arte aberto, abrangendo artistas gráficos e performáticos. Hoje em dia, é mais conhecido como uma banda liderada por Siyabonga Mthembu nos vocais, acompanhado por Zelizwe Mthembu na guitarra, Ayanda Zalekile no baixo e Simphiwe Tshabalala na bateria. Este núcleo é frequentemente complementado por colaboradores de diversas disciplinas. Este grupo é reconhecido por seus shows ao vivo multidisciplinares, descritos como uma “fusão futurista de tradições ancestrais afrocentricas com influências transatlânticas”. Durante estes espectáculos, os membros principais e artistas convidados assumem papéis variados, combinando narrativa, teatro, desenho, instalação de vídeo e outras formas de mídia experimental.

 

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