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O País – A verdade como notícia

A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) vai promover, de 3 a 7 de Agosto, um Ciclo de Cinema Moçambicano, uma iniciativa que pretende aproximar a comunidade universitária da produção cinematográfica nacional e fomentar a reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais retratados nas obras.

O evento terá lugar no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo, entre as 9h00 e as 12h00, e contará com a exibição de um filme por dia, seguida de debates com realizadores, actores, produtores, guionistas, editores de vídeo, docentes e estudantes. A organização considera que a iniciativa contribuirá para a valorização da sétima arte moçambicana como instrumento de formação académica e de promoção do pensamento crítico.

A programação inicia-se no dia 3 de Agosto com a exibição da longa-metragem Comboio de Sal e Açúcar, seguindo-se uma conversa que contará com a participação do realizador Licínio Azevedo e do actor Aquirasse Nipita.

 No dia seguinte será apresentado O Ancoradouro do Tempo, com debate orientado por Amílcar Mascarenhas e a presença do realizador Sol de Carvalho e de Horácio Guiamba.

No dia 5 de Agosto será exibido Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, seguido de um encontro com o realizador João Ribeiro e a actriz Anabela Adrianoupolos, moderado por Félix Mambucho. Já no dia 6, o público poderá assistir a O Silêncio da Mulher, com debate conduzido por Daniel Tinga e participação do realizador Gabriel Mondlane e da actriz Júlia Novela. O ciclo encerra no dia 7 de Agosto com a projecção das curtas-metragens A Penumbra, de Jared Nota, e O Sonho, de Ivo Mabjaia, seguida de uma conversa moderada por José dos Remédios, com a participação do produtor Omar Faquirá e do cineasta Jared Nota.

Segundo a ACUP, a realização deste ciclo visa reforçar a formação de públicos mais conscientes e criar um espaço permanente de reflexão sobre os desafios e as potencialidades do cinema moçambicano, consolidando o compromisso da Universidade Pedagógica de Maputo com a cultura, a educação e a produção do conhecimento.

 

Espectáculo que atravessou a noite juntou novos talentos, artistas consagrados e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração que começa a ultrapassar as fronteiras do distrito e a atrair público de diferentes pontos de Inhambane e da vizinha província de Sofala.

A noite caiu, a música subiu e Inhassoro transformou-se num enorme palco a céu aberto, onde mais de 30 mil pessoas, segundo dados avançados no âmbito da organização, acompanharam um espectáculo que começou na noite de sábado e atravessou a madrugada deste domingo, juntando artistas locais, músicos com experiência nos grandes palcos e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração marcada por música, dança e uma intensa interacção entre os artistas e um público proveniente de diferentes distritos da província de Inhambane e até de Machanga, em Sofala.

Para alguns dos jovens que subiram ao palco, estar diante de uma multidão daquela dimensão foi uma experiência completamente nova e, inevitavelmente, acompanhada de nervosismo, sobretudo para artistas que começam agora a procurar espaço no panorama musical e que raramente encontram oportunidades para actuar em eventos desta dimensão.

Puto Ewa foi um desses casos e não escondeu a emoção de finalmente poder mostrar o seu trabalho diante de milhares de pessoas, explicando que na sua zona existem jovens com talento para a música, mas são poucas as oportunidades para chegarem a grandes palcos, razão pela qual actuar nas celebrações de Inhassoro representou muito mais do que uma simples apresentação musical.

Se para uns a noite representou uma estreia, para outros grandes palcos já fazem parte do percurso artístico, mas nem mesmo essa experiência foi suficiente para retirar o elemento surpresa da recepção encontrada em Inhassoro. Camal Giva descreveu a experiência como algo próximo de “voar” e revelou que se preparou para o espectáculo, embora não esperasse encontrar tamanha resposta do público, que permaneceu durante horas diante do palco, cantando, dançando e acompanhando as diferentes actuações pela noite dentro.

A festa reservou igualmente espaço para uma história particularmente simbólica para Inhassoro, o regresso ao palco de artistas da própria terra que passaram pelo Fama Show e voltaram agora com maior experiência e outra preparação artística. Mércia, ex-concorrente do concurso, considera que a passagem pelo Fama Show mudou a sua forma de encarar os grandes espectáculos e explica que a experiência adquirida permitiu-lhe actuar diante da multidão sem o nervosismo que normalmente acompanha quem enfrenta milhares de espectadores, destacando a formação recebida durante o concurso como determinante para aprender a postura necessária dentro e fora do palco.

O reencontro entre os talentos locais e o público de Inhassoro acrescentou uma componente emocional ao espectáculo, porque parte dos artistas que agora regressam mais experientes começou precisamente nestas comunidades, antes de conquistar exposição para além das fronteiras do distrito. A presença de antigos concorrentes do Fama Show ganha ainda maior significado num ano em que Inhassoro viu Hilário Mussagy conquistar a edição 2026 do concurso, resultado que aumentou a projecção dos artistas locais e reforçou, entre autoridades e residentes, a percepção de que o distrito pode produzir talentos capazes de competir nos grandes palcos nacionais.

Mais do que uma sucessão de actuações, o espectáculo acabou transformado numa permanente troca de energia entre artistas e espectadores. Enia, uma das cantoras que passou pelo palco, descreveu o público como carinhoso e conhecedor do seu trabalho, admitindo que a resposta encontrada obrigou também os músicos a entregarem ainda mais durante as actuações. “É um público maravilhoso, carinhoso e, acima de tudo, acarinha bastante o meu trabalho. 

Eles gostam muito daquilo que eu faço e não tinha como ser diferente, eu também retribuí da mesma maneira”, afirmou. Entre os artistas convidados estava Nelson Tivane, que visitou Inhassoro pela primeira vez e acabou por transformar a sua passagem pelo distrito numa declaração de admiração pela terra e pelo público que o recebeu. 

O músico reconheceu que a presença no espectáculo resulta também da procura que a sua música conquistou entre os residentes e agradeceu o apoio dos seguidores, antes de se render a outros atractivos que encontrou durante a estadia. “Sem vocês eu não sou ninguém”, disse ao público, numa intervenção em que agradeceu a recepção e classificou Inhassoro como “um pedaço do paraíso”, destacando as praias, o marisco e a hospitalidade encontrada no distrito.

Para o Governo distrital, a dimensão da celebração ganha significado adicional num momento em que Inhassoro beneficia de maior exposição através dos seus talentos. O Administrador do distrito, Fernando Doda, entende que a festa deste ano acabou por juntar dois motivos de celebração, o aniversário de Inhassoro e os resultados alcançados por representantes locais no Fama Show, onde o distrito conseguiu colocar um dos seus talentos no primeiro lugar, numa conquista que ajudou a projectar o nome de Inhassoro para o resto do país.

A leitura das autoridades é de que a cultura começa a assumir uma função que ultrapassa o simples entretenimento e pode transformar-se num instrumento de promoção territorial, sobretudo quando artistas originários do distrito conquistam reconhecimento nacional e regressam posteriormente para actuar perante as suas próprias comunidades. 

O desafio passa agora por aproveitar essa exposição para revelar novos talentos e criar oportunidades para jovens que, tal como alguns dos músicos que subiram pela primeira vez ao palco neste fim-de-semana, ainda enfrentam dificuldades para encontrar espaços onde possam mostrar aquilo que sabem fazer.

A SASOL, que apoia as celebrações, entende igualmente que o crescimento do evento demonstra uma capacidade cada vez maior de mobilização e considera particularmente importante a presença de antigos participantes do Fama Show entre os artistas que animaram a noite. 

Mateus Mosse, representante da multinacional, destacou o movimento registado na vila durante as festividades e a diversidade de proveniências do público, entendendo que a quantidade de pessoas que chega a Inhassoro para participar nas celebrações mostra uma dimensão que começa a ultrapassar os limites do próprio distrito.

“É impressionante ver como Inhassoro está hoje”, afirmou Mateus Mosse, chamando atenção para o intenso movimento nas ruas e para o número de visitantes que, terminado o programa, regressará aos diferentes pontos de onde partiu para acompanhar a festa. 

Para a SASOL, esta capacidade de atracção reforça a dimensão social e cultural das celebrações e demonstra que iniciativas desta natureza podem funcionar também como espaços de encontro entre comunidades, artistas e visitantes.

O impacto de uma concentração desta dimensão não se limita, contudo, ao recinto do espectáculo. A chegada de milhares de pessoas representa igualmente movimento para transportadores, pequenos comerciantes, vendedores de alimentos, estabelecimentos de restauração e outros serviços existentes na vila, embora não tenham sido apresentados dados que permitam quantificar o impacto económico gerado durante as festividades. 

O que ficou visível ao longo do fim-de-semana foi uma vila com circulação intensa e um evento capaz de atrair visitantes para além das fronteiras de Inhassoro.

Os números avançados no final ajudam a dimensionar aquilo que aconteceu durante a noite. Mais de 30 mil espectadores terão passado pelas celebrações, provenientes de diferentes distritos da província de Inhambane e com registo igualmente de participantes oriundos de Machanga, na província de Sofala, num espectáculo que atravessou a madrugada e terminou apenas ao amanhecer deste domingo.

Mais do que a dimensão da multidão, porém, a noite deixou outro sinal para Inhassoro: artistas locais que antes procuravam uma oportunidade começam a dividir o palco com músicos de projecção nacional, antigos concorrentes regressam mais preparados depois de passarem pelo Fama Show e milhares de pessoas deslocam-se de diferentes pontos para acompanhar as celebrações, uma combinação que começa a transformar uma festa essencialmente local num evento com capacidade de atracção regional.

Para Inhassoro, o desafio que se segue será transformar esse crescimento em continuidade, criando condições para que o espectáculo não seja apenas uma grande noite de música uma vez por ano, mas também uma plataforma capaz de revelar artistas, promover a cultura local e gerar oportunidades à volta da economia criativa. 

Porque se mais de 30 mil pessoas conseguem deslocar-se para assistir a uma festa que só termina ao nascer do sol, o que aconteceu neste fim-de-semana já começa a ser maior do que um simples espectáculo musical.

Vencedor do Fama Show 2026 foi recebido por uma caravana de residentes, entre buzinas, cânticos e aplausos, numa celebração que transformou a conquista individual num motivo de orgulho para Inhassoro. Governo promete apoiar os próximos passos do músico e a SASOL considera que a vitória confirma o potencial dos talentos locais

Uma longa caravana, buzinas, cânticos, aplausos e sucessivas paragens para cumprimentar quem aguardava nas ruas marcaram o regresso de Hilário Moussagy a Inhassoro, desta vez não apenas como mais um jovem músico da terra, mas como vencedor do Fama Show 2026, uma conquista que levou o nome do distrito ao palco nacional e que, no regresso a casa, mobilizou residentes para uma recepção que surpreendeu até o próprio artista. Visivelmente emocionado diante da dimensão da festa preparada para recebê-lo, Hilário teve dificuldades para encontrar palavras e repetiu várias vezes que não esperava tamanho carinho, limitando-se, nos primeiros momentos, a contemplar a multidão e a agradecer uma manifestação que transformou a sua chegada numa celebração colectiva.

“Não sei explicar. Não esperava o calor que estou a ter agora”, confessou o jovem, ainda surpreendido com aquilo que encontrava ao longo do percurso, enquanto a caravana avançava lentamente pelas ruas de Inhassoro e era obrigada a parar em diferentes pontos para permitir que o vencedor cumprimentasse residentes que aguardavam a sua passagem. Para muitos, mais do que receber um músico, tratava-se de celebrar alguém que saiu do distrito, enfrentou concorrentes de outras regiões do país e regressou com o principal título da edição 2026 do concurso, uma vitória que passou rapidamente a ser assumida pela população como uma conquista da própria terra.

A emoção, porém, não retirou de Hilário Moussagy a percepção de que vencer um concurso nacional representa apenas uma etapa de um percurso que agora se torna mais exigente. Passado o impacto inicial da recepção, o músico reconheceu que o título aumentou as expectativas do público e que a responsabilidade passa por corresponder à confiança de quem o apoiou durante a competição, prometendo trabalhar para oferecer boa música e consolidar uma carreira que não termine com a conquista do Fama Show. “Alimentar esse povo com boa música, dar o melhor de mim para não decepcioná-los”, resumiu, numa declaração que revela a dimensão do desafio que começa precisamente depois da vitória.

Ao longo do trajecto, o entusiasmo obrigou a caravana a reduzir a marcha e a interromper várias vezes o percurso, numa sequência de abraços, cumprimentos e manifestações de orgulho. João e Ernesto, residentes de Inhassoro, estavam entre aqueles que celebravam o regresso do jovem e defendem que a conquista ficará marcada na memória do distrito, não apenas pelo título alcançado, mas pela forma como Hilário conseguiu representar uma comunidade que, até há pouco tempo, dificilmente seria colocada entre as favoritas de uma competição musical de dimensão nacional.

“Não vamos esquecer esta data”, dizia um dos residentes, enquanto outro deixava já um pedido ao vencedor: continuar a trabalhar e não permitir que a conquista represente o ponto mais alto da carreira. É justamente neste ponto que a recepção deixa de ser feita apenas de aplausos e passa também a carregar expectativas, porque, no meio da celebração, há quem considere que o Fama Show deve funcionar como porta de entrada para uma caminhada artística muito maior.

Joaquim, também residente em Inhassoro, é uma das vozes que coloca a fasquia mais alta e espera ver no futuro um Hilário muito maior do que aquele que venceu o concurso. Para ele, o título pertence também à comunidade que acompanhou e apoiou o concorrente, mas essa relação traz consigo uma cobrança clara: depois de provar que consegue competir e vencer, o jovem precisa agora de transformar a oportunidade numa carreira consistente.

A pressão pode parecer grande para um artista ainda no início do percurso, mas traduz um fenómeno frequente depois de competições desta natureza: ganhar proporciona visibilidade, mas é aquilo que acontece depois que determina se o vencedor consegue permanecer no mercado musical. Hilário regressa, por isso, com duas conquistas nas mãos, o título e uma base popular que demonstrou estar disposta a acompanhá-lo, mas terá pela frente o desafio de produzir música, encontrar oportunidades, construir uma identidade artística e transformar a notoriedade conquistada durante o programa numa carreira que sobreviva para além da exposição televisiva.

Para o Governo do distrito, a vitória deve também ser aproveitada como uma oportunidade para dar maior visibilidade aos talentos de Inhassoro e estimular outros jovens que procuram espaço na música. O Administrador de Inhassoro, Fernando Doda, considera que a conquista não surgiu isoladamente e entende que houve um percurso de acompanhamento que contribuiu para que Hilário chegasse ao resultado alcançado, razão pela qual garante que o Executivo distrital pretende continuar próximo do artista nesta nova etapa.

“Nós vamos continuar a fazer alguma assistência a ele dentro das nossas condições, dando algumas instruções, dando algum apoio material dentro daquilo que pudermos e conquistando mais parcerias para poder financiá-lo”, afirmou Fernando Doda, apontando para uma estratégia que pretende fazer da vitória um ponto de partida para novas oportunidades. A intenção manifestada pelo Governo é evitar que o reconhecimento conquistado desapareça depois da competição e procurar parceiros capazes de ajudar o músico a desenvolver o seu potencial.

A conquista ganha também uma dimensão que ultrapassa o percurso individual de Hilário, porque coloca no debate a capacidade de distritos afastados dos grandes centros urbanos de revelar talentos quando existem plataformas capazes de lhes proporcionar exposição. Para Inhassoro, a vitória tornou-se precisamente uma demonstração de que a distância em relação às principais cidades do país não significa necessariamente ausência de capacidade artística.

Essa é também a leitura feita pela SASOL, que patrocinou a edição do concurso e considera que o resultado dissipou dúvidas sobre a capacidade de Inhassoro competir musicalmente com centros urbanos de maior dimensão. Mateus Mosse, representante da empresa, admite que inicialmente existiam interrogações sobre até onde poderia chegar um concorrente proveniente de uma vila relativamente pequena quando colocado numa competição com representantes de grandes cidades como Maputo, Beira e Nampula, mas entende que o desfecho do concurso acabou por oferecer uma resposta inequívoca.

“Tínhamos muita dúvida sobre a capacidade de Inhassoro competir no Fama Show com as grandes cidades regionais de Maputo, Beira e Nampula e hoje, ao vermos o Hilário como vencedor, sentimo-nos muito satisfeitos, porque não é só o Hilário que venceu, é Inhassoro, uma vila pequena, que competiu com grandes cidades e venceu esta edição do Fama Show”, afirmou Mateus Mosse.

Para a SASOL, o resultado reforça a necessidade de continuar a criar espaços onde jovens das comunidades possam revelar capacidades que, muitas vezes, permanecem desconhecidas simplesmente porque não encontram oportunidades para chegar a palcos de maior dimensão. A vitória de Hilário passa, assim, a funcionar também como argumento para uma aposta mais ampla na descoberta de talentos fora dos grandes centros urbanos.

O entusiasmo demonstrado durante a recepção ajuda a explicar por que razão a conquista ganhou uma dimensão colectiva. Hilário Moussagy não regressou apenas com um prémio, regressou com uma visibilidade que Inhassoro pretende aproveitar para projectar a sua cultura e mostrar que os seus jovens podem competir em igualdade de circunstâncias quando lhes são criadas oportunidades, enquanto para os residentes que acompanharam a caravana, a expectativa é que o título seja apenas o primeiro grande capítulo de uma carreira ainda por construir.

Depois de atravessar Inhassoro entre aplausos, cânticos e manifestações de carinho, Hilário Moussagy voltou a encontrar o público no palco, onde participou no concerto integrado nas celebrações do aniversário da vila, fechando um dia que começou com a recepção ao vencedor e terminou precisamente no lugar onde nasceu toda esta história: a música.

A festa confirmou o tamanho da conquista, mas também deixou evidente o desafio que vem a seguir. Hilário já provou que consegue vencer o Fama Show, agora terá de provar que consegue transformar a vitória numa carreira e Inhassoro, que saiu às ruas para celebrar o seu campeão, espera que o título conquistado em 2026 seja apenas o começo.

O país registou um crescimento significativo da população de elefantes, que passou de pouco mais de nove mil animais, em 2018, para cerca de 22.700, em 2025. Apesar dos resultados positivos, as autoridades alertam que a expansão da agricultura, dos assentamentos humanos, da exploração florestal e da mineração continua a ameaçar a fauna bravia e os seus habitats.

Moçambique conta actualmente com uma população estimada em cerca de 22.700 elefantes, segundo os resultados do Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, divulgados esta sexta-feira pela Administração Nacional das Áreas de Conservação.

O número representa um aumento expressivo em relação aos 9.114 elefantes contabilizados no último censo, realizado em 2018. O levantamento aponta igualmente para uma redução significativa do número de carcaças de elefantes, com o rácio a baixar de 48,35%, em 2018, para 4,6%, em 2025, não obstante a continuidade de invasões de reservas.

O censo foi financiado pelo Governo da Suécia, através do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela BIOFUND, com o envolvimento da Universidade Eduardo Mondlane.

Mais do que preocupação, os dados devem ser aproveitados para tirar proveito económico e financeiro.

O relatório refere ainda que os dados do norte do país poderão estar subestimados, uma vez que algumas zonas de Cabo Delgado e da Reserva Especial do Niassa não foram abrangidas pelo levantamento, devido às limitações de segurança.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, visitou nesta terça-feira a residência da escritora moçambicana Paulina Chiziane, num encontro marcado por momentos de convivência, reconhecimento mútuo e reafirmação do compromisso de valorização da cultura nacional. 

Durante a visita, Gueta Chapo destacou o significado do encontro e assegurou à escritora o apoio às suas iniciativas culturais, gesto que foi acolhido com emoção por Paulina Chiziane.

A Primeira-Dama manifestou ainda a satisfação pelo tempo partilhado com a primeira mulher moçambicana distinguida com o Prémio Camões, sublinhando o significado pessoal e nacional da visita.

“Estou muito feliz por ter estado hoje em casa da nossa mãe, minha avó, a avó de todos. É uma mulher que todo mundo conhece, uma mulher extremamente importante para o mundo todo, de forma especial para o nosso belo Moçambique, a mamã Paulina Chiziane”, afirmou.

Gueta Chapo explicou que o encontro decorreu num ambiente familiar, distante de formalismos institucionais, privilegiando o diálogo e a convivência. 

“Hoje ela abriu as suas portas para poder receber-nos, não receber como Primeira-Dama, mas receber como sua filha, sua neta. E estou aqui em casa da minha avó, em casa da minha mãe. Viemos conversar. Passámos toda a manhã juntas, tomámos chá e também tive a oportunidade de conhecer a machambinha [pequeno espaço de produção agrícola] dela”, declarou.

Durante a passagem pela machamba da escritora, ambas participaram na colheita de produtos agrícolas e na preparação de uma refeição. “Fomos lá, tiramos a mandioca, também tiramos a couve e aproveitamos para cozinhar para ela e ela comeu”, disse.

No fim da visita, Gueta Chapo agradeceu o acolhimento recebido da comunidade e reiterou a sua gratidão pela oportunidade de partilhar aquele momento com a escritora.

“Queremos agradecer imenso, agradecemos também toda a comunidade que esteve aqui, as mamãs da OMM, o nosso líder do bairro. Agradecer a todos, os nossos colegas jornalistas e dizer que estou muito grata. Foi um dia extremamente importante, um dia memorável que nunca irei esquecer, está marcado na minha vida, na minha mente. Agradeço bastante. Mãe, conte com o nosso apoio. E sempre serei sua filha, sua neta, conte connosco”, afirmou.

Paulina Chiziane considerou que o encontro simbolizou a importância da união entre os moçambicanos, independentemente da sua condição social. “Muito obrigado à mamã Geta. Obrigada a todas as pessoas presentes. E eu disse no início: Viemos de longe, de muito longe para chegar aqui onde nós estamos. Diferentes pessoas, diferentes classes sociais, para dizer que a união e a unidade é a coisa mais importante”, declarou.

A escritora destacou ainda a humildade demonstrada pela Primeira- Dama ao participar nas actividades da machamba e ao conviver de forma simples com a comunidade. “Vimos hoje alguém de um estatuto tão alto como a mamã Geta a ir à machamba, buscar mandioca, buscar couve, cozinhar, conversar. Ela não se vê, somos nós que vemos a grandeza da mamã Geta. A humildade dela, a simplicidade dela e a humanidade acima de todas as coisas, porque é assim mesmo, nunca ninguém pode se engrandecer sozinho”, afirmou.

Paulina Chiziane enalteceu, igualmente, o ambiente de fraternidade vivido durante a visita, considerando que a convivência entre diferentes gerações demonstrou a força da união e da celebração da vida. A escritora agradeceu ainda a presença da comunidade e das autoridades locais, apelando para que momentos semelhantes continuem a fortalecer os laços entre os moçambicanos.

Chiziane agradeceu o compromisso manifestado pela Primeira-Dama em apoiar o trabalho desenvolvido na área da cultura. “Obrigado por nos garantir que vai apoiar o nosso trabalho da cultura. Não é um trabalho acabado, nem é perfeito, mas é bom saber que contamos com alguém para esta caminhada tão longa.

Estou muito emocionada, muito emocionada”, afirmou, convidando Gueta Chapo a regressar à sua casa e reiterando o reconhecimento pelo gesto de proximidade demonstrado durante a visita.

 

Despiste seguido de embate contra um coqueiro e uma banca deixa ainda três feridos graves; autoridades apontam velocidade excessiva, fadiga e álcool como prováveis causas do sinistro.

O silêncio da madrugada deste domingo foi interrompido por um violento estrondo que acordou moradores da vila de Morrumbene, na província de Inhambane. O relógio marcava cerca das quatro horas quando um veículo ligeiro perdeu o controlo numa curva da Estrada Nacional Número Um (EN1), saiu da faixa de rodagem e protagonizou um dos mais graves acidentes registados recentemente naquele troço, provocando a morte de três pessoas e deixando outras três gravemente feridas.

Segundo relatos recolhidos no local, a viatura seguia em alta velocidade quando o condutor tentou evitar um veículo que circulava em sentido contrário. A manobra revelou-se insuficiente. Sem conseguir controlar a direcção, o automóvel despistou-se, derrubou um coqueiro e embateu com violência contra uma banca localizada à berma da estrada.

A força do impacto destruiu parcialmente a estrutura da banca e transformou a viatura numa massa de chapas retorcidas, cenário que mobilizou moradores e equipas de socorro nas primeiras horas da manhã.

O Director Clínico do Centro de Saúde de Morrumbene, Amilton Azevedo, confirmou que três ocupantes perderam a vida ainda no local do acidente, antes mesmo de qualquer assistência médica ser possível.

Os outros três sobreviventes sofreram ferimentos considerados graves e, após receberem os primeiros socorros, foram transferidos de urgência para o Hospital Rural de Chicuque, na cidade da Maxixe, onde continuam a receber cuidados médicos especializados.

Embora as circunstâncias exactas do acidente continuem por esclarecer, as primeiras indicações recolhidas pelas autoridades apontam para uma conjugação de factores frequentemente associados aos acidentes rodoviários mais graves no país. Entre eles estão o excesso de velocidade, a fadiga do condutor e a condução sob o efeito de bebidas alcoólicas.

Trata-se de um conjunto de comportamentos que continua a preocupar as autoridades de trânsito e os profissionais de saúde, sobretudo nas viagens nocturnas, período em que a redução da capacidade de reacção do condutor aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.

O acidente volta também a chamar a atenção para a vulnerabilidade das infra-estruturas instaladas junto à Estrada Nacional Número Um. Neste caso, a violência do despiste levou o veículo a destruir uma banca construída à beira da via, evidenciando os riscos a que comerciantes e utentes estão diariamente expostos ao longo daquela que é a principal estrada do país.

A equipa de reportagem procurou obter um pronunciamento oficial da Polícia da República de Moçambique (PRM) no distrito de Morrumbene para esclarecer outros detalhes do sinistro e confirmar a identidade das vítimas. No entanto, o agente regulador de trânsito que se encontrava em serviço informou que o oficial autorizado a prestar declarações não estava disponível no momento da nossa deslocação.

Enquanto decorrem os procedimentos para o apuramento das circunstâncias do acidente, mais três famílias enfrentam o luto provocado por um sinistro que volta a colocar em evidência o elevado custo humano da sinistralidade rodoviária em Moçambique. Em poucos segundos, uma viagem terminou em tragédia, deixando vidas interrompidas, feridos em estado grave e um novo alerta sobre a necessidade de maior prudência nas estradas nacionais.

O guitarrista e compositor moçambicano Jimmy Dludlu vai assinalar os seus 40 anos de carreira com um concerto em formato inédito, distribuído por duas noites, nos dias 24 e 25 de Julho, no Onix Events, na Katembe, cidade de Maputo.

Promovido pela Top Produções, o espectáculo pretende celebrar quatro décadas de dedicação à música e homenagear um dos maiores embaixadores do afro-jazz africano. Natural do bairro de Chamanculo, em Maputo, Jimmy Dludlu construiu uma carreira de dimensão internacional, tornando-se uma das mais respeitadas referências da música contemporânea do continente.

Sob o conceito “Concerto 2 em 1”, cada noite terá identidade própria, reunindo diferentes formações musicais e convidados especiais de Moçambique e da África do Sul, numa celebração da diversidade cultural da região.

Na primeira noite, a 24 de Julho, Jimmy Dludlu sobe ao palco acompanhado pela banda moçambicana In The Groove, num espectáculo que destaca as suas raízes musicais e a ligação ao País. A apresentação será conduzida por Seth Swaze e contará ainda com as participações de Stewart Sukuma, Mingas, Banda Kakana, Pika Tembe, Onésia Muholove, Elcides Carlos, Prince Chone e do DJ Sérgio Butler.

Já no dia 25 de Julho, o músico será acompanhado pela banda sul-africana C Base Collective, reforçando a dimensão regional da celebração. A segunda noite será apresentada por Izidine Faquirá e terá como convidados a cantora sul-africana Judith Sephuma, Frank Paco, John Hassan, Válter Mabas, Xixel Langa, Gabriela, além dos DJs No Name e Serito.

Segundo a organização, o evento pretende afirmar-se como uma plataforma de valorização da música africana, promovendo o diálogo entre diferentes gerações, estilos e culturas, tendo o jazz como elemento de ligação entre tradição e inovação.

A expectativa é reunir centenas de amantes da música, profissionais das indústrias culturais e criativas, empresários, estudantes e público em geral, numa celebração que reconhece o contributo de Jimmy Dludlu para o desenvolvimento da música africana.

Com uma carreira iniciada ainda na adolescência, Jimmy Dludlu destacou-se como guitarrista, compositor e professor de música, colaborando com alguns dos mais prestigiados artistas africanos e da diáspora. Ao longo de quatro décadas lançou vários álbuns de sucesso, distinguidos em diferentes edições dos South African Music Awards (SAMA), consolidando uma discografia marcada pela fusão entre o jazz e as sonoridades africanas.

A Fundação Fernando Leite Couto inaugura, na próxima quarta-feira,, a exposição individual “Magnificência, Luz e Fusão”, do artista plástico moçambicano Ilídio Candja Candja. Com curadoria de Titos Pelembe e Yolanda Couto, a mostra reúne um conjunto de obras que exploram temas como memória, espiritualidade, identidade e reinvenção.

Reconhecido pela intensidade cromática e pela liberdade da sua linguagem plástica, Ilídio Candja Candja apresenta uma produção artística profundamente inspirada nas tradições africanas. As suas pinturas convocam mitologias, divindades ancestrais, símbolos e narrativas que atravessam gerações, estabelecendo um diálogo entre o património cultural moçambicano e as influências adquiridas ao longo da sua experiência na diáspora.

Segundo a organização, as obras expostas reflectem um percurso marcado pela expressividade das formas e por uma constante investigação sobre a relação entre o mundo visível e o invisível. A exposição propõe uma reflexão sobre pertença, deslocação e criação artística, cruzando memória e imaginação, tradição e contemporaneidade.

O título “Magnificência, Luz e Fusão” traduz o conceito central da mostra. A magnificência representa a força criadora da obra, a luz simboliza o conhecimento e a revelação, enquanto a fusão remete para o encontro entre diferentes culturas, geografias e identidades, preservando a singularidade de cada uma.

Com esta iniciativa, a Fundação Fernando Leite Couto reafirma o seu compromisso com a divulgação da arte contemporânea e com a valorização de artistas que contribuem para o enriquecimento do panorama cultural moçambicano.

Mais de duas décadas após a atribuição de licenças para exploração mineira em Massangena, no Sul de Moçambique, o Governo distrital ameaça avançar com a retirada de concessões que permanecem sem actividade produtiva. A medida visa travar a ocupação prolongada de áreas com potencial económico sem retorno visível para o Estado e para as comunidades locais.

 

Texto: Ângelo Tsane

Foto: O País 

 

O alerta foi lançado pelo administrador distrital, Sancho Humbana, que confirma a existência de 11 empresas registadas no cadastro mineiro para a exploração de diamantes e minerais associados. Destas, três detêm concessões activas e quatro encontram-se ainda na fase de pesquisa, sem passagem à exploração efectiva.

 

Apesar do interesse geológico identificado na região, o Governo esclarece que não há, até ao momento, exploração de diamantes em curso. Segundo o administrador, várias das actividades observadas no terreno se limitam a fases de prospecção e recolha de dados, frequentemente confundidas pelas comunidades com extracção mineira.

 

Entre os projectos em avaliação destaca-se o trabalho da empresa Torell, cujos resultados laboratoriais deverão ser determinantes para a eventual viabilidade de exploração futura na área. Até lá, o distrito continua sem benefícios económicos concretos provenientes do sector.

 

A demora na materialização dos investimentos é apontada como um dos principais bloqueios ao desenvolvimento local. Para as autoridades, a manutenção prolongada de concessões sem produção efectiva representa, não apenas perda de oportunidades económicas, mas também um travão à criação de emprego, sobretudo para jovens.

 

“As empresas não podem estar licenciadas durante tantos anos e continuarmos à espera que as máquinas comecem a trabalhar”, afirmou Sancho Humbana.

 

Com base nesta posição, o Governo distrital já admite avançar com processos de revogação de áreas consideradas improdutivas, abrindo espaço para novos operadores com capacidade comprovada de investimento e execução de projectos.

 

“A legislação é muito clara. Há áreas que já estão a ser encaminhadas para revogação e vamos continuar esse trabalho”, acrescentou o administrador.

 

As zonas com maior incidência de actividades de pesquisa concentram-se nos postos administrativos de Mavue, Muzamane, Xipilimo e Xigamane, regiões consideradas de elevado potencial mineiro, mas ainda sem exploração estruturada.

 

Sobre alegações de exploração ilegal de recursos, o administrador afastou a existência de mineração ilegal no distrito, defendendo que as comunidades locais têm desempenhado um papel activo na vigilância e denúncia de movimentos suspeitos.

 

“A nossa comunidade é a primeira linha de defesa. As pessoas estranhas que entram no distrito são rapidamente identificadas e denunciadas”, referiu.

 

Apesar das reservas geológicas, Massangena continua a enfrentar fragilidades estruturais, com destaque para as dificuldades de circulação na estrada que liga Mapai ao distrito, particularmente agravadas durante a época chuvosa — um factor que limita a atracção de investimento.

 

Com cerca de 22 mil habitantes, o distrito mantém a expectativa de que a exploração dos seus recursos naturais possa impulsionar a economia local. Porém, a mensagem das autoridades é cada vez mais firme: concessões sem actividade efectiva poderão deixar de permanecer nas mãos de quem apenas detém licenças sem produzir resultados.

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