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O País – A verdade como notícia

A galeria do CCMA-Centro Cultural Moçambicano-Alemão, expõe, a partir das 17h30, de sexta-feira, a exposição de arte contemporânea intitulada “Doing The Dirty Work”, da artista alemã Karen Packebusch, que já se encontra no país.

Karen Packebusch nasceu em 1981, na antiga RDA, hoje Alemanha. Estudou artes performativas, vídeo, fotografia e arte interdisciplinar em Dresden, na Alemanha; Leeds, na Inglaterra e também na Academia de Belas Artes, em Zurique, na Suíça. Karen Packebusch é uma artista profissional cosmopolita, produz e expõe suas obras há mais de 10 anos em diversos quadrantes do mundo, destacando-se em países como Inglaterra, Espanha, República Checa, Polónia, Macedónia, Brasil, Argentina, Suíça e agora em Moçambique.

Nos últimos três anos, a artista tem criado a sua arte a partir do foco que o trabalho social das mulheres a possibilita, no que se refere à emigração global das mesmas, e em particular na vida das empregadas domésticas.

A exposição que inaugurará esta sexta-feira vai contar com a participação especial da bailarina e actriz Edna Jaime, e estará patente na Galeria do CCMA até ao dia 28 de Julho.

 

A música “Marrabenta” do Dino Miranda foi a grande vencedora da categoria de World Music no International Songwriting Competition  2016 (ISC), realizado nos Estados Unidos da América. Nesta edição, participaram 16000 artistas oriundos de todas as partes do mundo. “O prémio tem muito valor para mim, para o país e para África, pois fui único artista africano a vencer este ano”, revelou Dino Miranda.

O ISC é um concurso de música, anual, cuja missão é proporcionar a oportunidade – tanto aspirantes e compositores estabelecidos – de ter suas canções ouvidas em uma arena profissional e internacional. O concurso é projetado para dar visibilidade ao talento musical de compositores em todos os níveis e promover a excelência na arte de escrever letras.

Porque o trabalho continua, Dino Miranda está, neste momento, a finalizar o seu segundo CD. “O meu novo álbum está quase pronto, agora estou a fazer os últimos arranjos e logo será masterizado. Então, dentro de poucas semanas estará disponível”, detalhou.

O artista divide-se entre Moçambique e África do Sul para garantir uma boa divulgação nos dois mercados. Durante estes dias, esteve a gravar o vídeo da música “Nossa amizade” para a divulgação do álbum na terra do rand. Em Moçambique, a promoção já teve inicio e a grande aposta é a música “Marrabenta”, que conta com vídeo.

 O Jazz é o estilo característico do músico, contudo, neste álbum, os fãs de Dino Miranda poderão ouvir várias fusões de jazz, pop, funk e alguns ritmos africanos. A proposta é garantir um CD rico em termos estilos.

Stwart Sukuma e Jimmy Dludlu são alguns dos convidados para este trabalho. A parceria com Jimmy Dludlu resultou na música “Deusa” e é uma marrabenta com mistura de funk e pop. Júlio Sigaúque da banda sul-africana Freshlyground e Papi Miranda colaboraram como co-produtores. A produção ficou a cargo do próprio Dino Miranda.

 

Com lágrimas e sorrisos chegou ao fim a 8.ª edição do concurso de canto coral FestCoros. Como tem sido habitual neste evento, os grupos finalista deram melhor de si para levarem à casa ou à igreja o grande prémio em disputa. No entanto, a ventura coube a um grupo, o qual conseguiu a proeza de alcançar a maior pontuação: Robert Gray que, com 28 elementos no palco da final fizeram na derradeira actuação, uma fusão de canto coral com jazz. Para o efeito, o grupo vencedor levou ao palco do Auditório Municipal Carlos Tembe instrumentos musicais (viola baixo, teclados e bateria) que ajudaram a colorir a sua performance. No final, o grupo deu-se por satisfeito por ter alcançado a primeira classificação do concurso e, por isso, ter conquistado 200 mil meticais.

Ao longo da actuação, mesmo antes de serem anunciados vencedores, Robert Gray fez do seu espectáculo um momento que pudesse marcar a 8.ª edição, subvertendo a forma tradicional de fazer o canto coral, dando liberdade ao maestro de exibir passos de danças improvisados à medida que as emoções dominam a matéria.
 
Na tarde da última gala do FestCoros, o destaque foi partilhado. Além de Robert Gray, que, por ter vencido, tomou todo o protagonismo da final, o Auditório Municipal Carlos Tembe também rendeu-se ao desempenho do grupo Paz de Jesus, que teve a sensibilidade de bem explorar tons melancólicos, libertando, ao mesmo tempo, as potencialidades individuais de alguns elementos. E não se ficou por aí. O coral Atalaia também não quis ficar à margem da festa. No palco, com 24 membros, exibiu o seu potencial, explorando tonalidades altas e prolongadas bem ensaiadas. O grupo que considera o FestCoros uma escola de canto coral.  

Depois, chegou a vez dos Young Celebration. Embora em menor número, 11 elementos, com muita disciplina conseguiram merecer respeito e muita atenção de espectadores. O grupo investiu numa sonoridade taciturna, com potencial para conduzir quem a ouve a uma purificação interior típica das catarses aristotélicas.

Nessa disputa, Os Conservadores também participaram com distinção. Cantando pela felicidade resultante do amor, o grupo explorou o lado sombrio desse sentimento, mostrando que entre o bem e o mal há uma linha ténue. Com a colaboração de Elvira Viegas, os Conservadores contaram a estória de uma Maria que falhou ao trocar a escola pelo casamento “prematuro”. Quiçá, pela gravidade do tema da composição, “Carlos Tembe” levantou-se com aplausos, que se prolongaram quando um outro grupo, por muitos dado como potencial vencedor, Santa Maria, subiu ao palco. Como se de uma orquestra se tratasse, com 41 elementos, três violinos e dois violoncelos, diferente de todos, o coral mostrou-se mais preocupado com questões estéticas do que com a mensagem.

Com efeito, mesmo para tornar a última gala algo inesquecível, Alfa Thulana e Lázaro Sampaio lá estiveram para emprestar a sua voz a um bem maior, a propagação da boa nova por via da música. Se o primeiro músico foi mais meigo, pausado, o segundo quase deixou o auditório em ebulição. A certa altura, ninguém mais conseguiu conter-se, de pé, todos estiveram por causa, das letras de Sampaio.

Assim foi a oitava edição do FestCoros, que teve como segundo classificado Juventude da Igreja de Deus Missões Mundiais em Moçambique (com 100 mil meticais) e o terceiro classificado Voz de Jerusalém (50 mil meticais).

O grupo teatral Katchoro-Kuphaluxa viaja, quarta-feira, para São Paulo. Nesta aventura pela América, os rapazes levam consigo a peça “Qual é a sentença: a mulher que matou a diferença”, que estreou há dois anos e foi apresentada em diversos locais da cidade de Maputo. Ano passado, por exemplo, a peça foi exibida no Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI). E foi de lá, num zás, que surgiu a oportunidade do grupo internacionalizar o seu trabalho. Diaz Santana, actor de Lareira Artes, tem todo o mérito, pois, de acordo com Guilherme Roda, o encenador da peça, foi quem, depois de ver a exibição, sugeriu à organização do Festival Yesu Luso a convidar o grupo moçambicano, convicto que lá acrescentaria algum valor com a obra.

“Diaz Santana e Lareira Artes têm-se se portado como uma ponte que liga grupos do país com os de Angola, Portugal e Brasil”, reconheceu Guilherme Roda, explicando, de seguida, o que o grupo Katchoro pretende na viagem. “A primeira coisa que nos interessa no Brasil é manter um intercâmbio com outros grupos, entrar em contacto com novas realidades e conhecer outras formas de fazer teatro. Queremos expor o nosso trabalho”.

O Festival Yesu Luso realiza-se de 2 a 11 de Junho. No entanto, as actuações do grupo moçambicano estão marcadas para os dias 2 e 4, no espaço SESC Ipiranga, em São Paulo.

A peça “Qual é a sentença: a mulher que matou a diferença” foi escrita por Guilherme Roda e conta com dois actores: Assucena Daniel e Castigo dos Santos. A obra teatral tem 50min., e narra a estória de uma personagem julgada no tribunal, acusada de ter matado a diferença, na convicção do encenador, uma metáfora da luta pela emancipação feminina, como se fosse porta-voz das mulheres que durante séculos foram subalternizadas pelos machistas. Portanto, a personagem em causa é julgada como se fosse a mulher culpada pelo surgimento da luta pela emancipação das mulheres em vários cantos do mundo, a qual desencadeou outros combates, contra a violência doméstica e sexual.

Ora, é também do interesse do Katchoro, nesta odisseia, expor a forma de pensar o seu trabalho e que, com isso, “os brasileiros consigam sentir a nossa inspiração moçambicana”.

 

O Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) e o Instituto Superior de Educação e Tecnologia (ISET-OWU) organizam de 2 a 4 de Junho o 4? Acampamento de Dinâmica do Grupo, com o lema “Humanismo e Cidadania – várias culturas, uma identidade, o extraordinário pertence aos que fazem as coisas acontecerem”. Esta actividade está inserida na Disciplina de Dinâmica do Grupo leccionada no curso de Licenciatura em Gestão e Estudos Culturais ministrado no ISArC.

Este acampamento terá lugar no distrito de Namaacha, no posto Administrativo de Changalane, nas Instalações do ISET-OWU e, inspirado no lema acima, serão realizadas conversas abertas de forma a inspirar os futuros profissionais. Estas serão feitas com Gilberto Mendes (actor e Director da Companhia de Teatro Gungu); Minó dos Santos (Locutor e Produtor do Festival Zouk); Afonso Rafael (Empreendedor e Empresário); Jorge Rafael Tinga ( Presidente do Município de Namaacha) e Miguel Marrengula (Animador Sociocultural e Docente Universitário).
 
De entre vários aspectos pretende-se que o encontro propicie uma experiência vivencial aos estudantes e outros interessados; promova o intercâmbio cultural e académico entre estudantes e docentes do ISArC e do ISET-OWU; propicie a operacionalização dos conhecimentos teóricos da disciplina e contribua para a desenvoltura dos estudantes; realize actividades de Extensão Universitária com a comunidade de Changalane visitando a gruta e envolvendo a comunidade em acções conjuntas com instituições do ensino superior. No local serão realizadas várias actividades tais como: dinâmicas de grupo, sarau cultural, visitas a gruta, projecção de filmes e actividades desportivas.

 

 

O livro de estreia de Álvaro Taruma, "Para Uma Cartografia da Noite", vai ser apresentado, hoje, às 18h30, no espaço "Atelier Aberto", em Lisboa, capital portuguesa. A apresentação estará a cargo de Fernanda Angius, professora reformada de Literatura e História da Arte.

O evento que confirma a internacionalização literária do autor contará com a participação de associações culturais locais, e destina-se a um público variado.

O convite para o lançamento em Lisboa já havia sido efectuado um pouco após a apresentação do livro em Maputo,  ano passado, pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora  (CEMD) e também já era um desejo particular do autor com vista a divulgação internacional do nome e da obra, sobretudo no espaço de língua portuguesa.

O Atelier Aberto é um espaço frequentado pela boémia lisboeta, e é gerido pelo artista moçambicano Malenga,  radicado há vários anos em Portugal, e integra uma galeria e restaurante com gastronomia africana, para além de receber músicos e tertúlias literárias.

O desejo inicial com a experiência é encontrar e entrecruzar culturas, para que os portugueses e outros povos falantes da língua portuguesa possam beber da experiência literária moçambicana,  sobretudo a nova poesia feita por autores jovens, servindo,  portanto, de um porta-voz da geração emergente de poetas pós 2010. “E é também disso que irei debruçar-me durante a apresentação”, disse Taruma.

O livro “Para uma cartografia da Noite” tem por um lado um condão autobiográfico mas que caracteriza uma experiência dos nossos tempos, sendo portanto universal, embora marcado por características próprias de uma poesia marcadamente lírica. “É tambem esse lado lírico e irreverente de que quero falar e descortinar elementos que nos unem e ao mesmo tempo nos separam enquanto povos Unidos por uma mesma língua e traços sociais”.

 

Moçambique aprovou a lei do cinema e audiovisual em Novembro no ano passado. O instrumento era bastante esperado pelos profissionais de cinema, que durante muitos anos lutaram pela sua aprovação. Em conversa com “O País”, a grande estrela do cinema nacional, Ana Magaia, mostrou a sua satisfação pela grande vitória.

Ana disse ter esperança de ver a sétima arte regulamentada, em Moçambique, pois afirma que o trabalho – até ao momento – é feita “atoa e sem comando algum”. Mas com a lei as pessoas passarão a ter uma direcção para fazer o cinema. Com a sua firmeza e generosidade, revelou que vê a vitória como uma luz no fundo túnel para os artistas mais novos. “Apesar de termos muitos jovens com muita vontade e talento, não há meios e as coisas não estão encaminhadas. Então, neste momento tudo indica que as coisas vão andar principalmente para os jovens”, frisou.

Porque trabalho não é feito apenas pelos jovens, a actriz que carrega décadas de experiência, repartiu a responsabilidade por outros agentes. “A pôr-se em prática a lei do cinema, o Governo terá as suas responsabilidades e nós, os profissionais com mais experiência, deveremos continuar a dar a nossa força e préstimos”, detalhou.

A artista explicou que o cinema moçambicano sempre teve bons profissionais, mas as condições do país não ajudaram para que a indústria se desenvolvesse. “O cinema teve uma grande explosão no período pós-independência. Tivemos uma fase de co-produções com outros países. Infelizmente, vários factores condicionaram a queda, mas algumas pessoas continuaram a fazer cinema por teimosia”, desabafou.

Para além de ser atriz, Ana Magaia tem outras responsabilidades no cinema. Foi directora de casting nos filmes "Africa dreaming”, em 1997, e "Terra sonâmbula", em 2007. Em "A voz dos dugongos", em 2001, "O Gotejar da Luz", em 2002, e "Blood Diamond", em 2006, ocupou o cargo assistente de realização. Como produtora, deu luz a vários trabalhos dentre os quais "Recursos e vida", série sobre o Meio Ambiente, e "Língua viva", de Gonçalo Mourão, os dois em 2000.

Actualmente, dá formações regulares de eloquência e performance no Instituto Camões. Tem alguns projectos de produção, mas preferiu não revelar detalhes.

 

Indumentária impecável, coreografias bem ensaiadas e instrumentos musicais, foram algumas das tácticas utilizadas pelos grupos que lutavam para chegar à final do FestCoros. Porém, isto por si só não bastava. O júri, profissional como sempre, avaliou detalhadamente o uso das técnicas de música coral, tendo sentenciado cada coro com muito rigor.

A maior parte dos corais, que desfilou no palco do Auditório Municipal da Matola, fez um espectáculo memorável interpretando temas originais e clássicos da música barroca como “Aleluia,”de Handel, que arrancou aplausos e largos elogios do jurado.

A 7ª gala e semi-final do maior festival de música coral do país contou com a participação de 16 grupos, sendo que dois foram eliminados. Os corais Levitas e Belém perderam a oportunidade de lutar pelo grande prémio. Os que passaram para a fase seguinte festejaram com muita euforia. Porém, cientes do grande desafio que se aproxima, prometeram dar o seu máximo nos ensaios. Todos querem contribuir para que a próxima gala, tal como a de ontem, seja um sucesso.

No próximo domingo, serão conhecidos os três grandes vencedores da 8.ª edição do FestCoros. O primeiro classificado terá o prémio de 200 mil meticais, o segundo 100 mil meticais e o terceiro 50 mil. A eleição será feita pelo voto do público e pelas notas dos júris.

De noite, os animais do Museu da Historia Natural, em Maputo, ressuscitam e conversam entre si. Esta ficção é narrada no livro, infanto-juvenil, “Perdido no museu” de Nuno Negrão, lançado em 2015. No princípio da noite de sexta-feira, “Perdido no museu” foi interpretado pelos colaboradores do museu e literalmente os animais ressuscitaram.
 
Quando passavam poucos minutos das 18h, as luzes do museu apagaram-se e os animais embalsamados ganharam vida. O serpentário, que recepciona os visitantes, ao aperceber-se que estava acordado, entrou no palácio e iniciou uma busca de sala em sala à procura dos seus parentes.

Após ser atacado por grandes antílopes e fugir dos dentes afiados da boca do tubarão, a grande ave encontrou uma estrela-do-mar. Durante um interrogatório minucioso, feito pelo animal marinho, descobriu que afinal era uma ave. Nesse instante, o serpentário voou em direcção a sala da avestruz e outros parentes. Matou as saudades, mas porque o dia já se aproximava, a grande ave voltou à porta do museu e ocupou a sua nobre posição. Neste momento, as luzes do Museu da História Natural acenderam-se e o público que viajava na estória, tomou consciência de que tudo passava apenas de uma ficção.

A interpretação do livro de Nuno Negrão era o culminar das actividades agendadas durante a Semana Internacional dos Museus. Durante sete dias, alunos de diversas escolas da capital do país visitaram-no e com o apoio de guias descobriram detalhes da fauna e da história de Moçambique.

O Dia Internacional dos Museus é celebrado anualmente a 18 de Maio. A comemoração da data acontece desde 1977, por proposta do ICOM – Conselho Internacional de Museus (organismo da UNESCO). Neste dia, vários museus, em todo mundo, têm entrada gratuita, sendo possível visitar as suas exposições e obras, assim como participar nas iniciativas preparadas para recordar a efeméride. Em Maputo, o Museu da História Natural fez uma celebração alargada.

O Museu da História Natural, localizado no bairro da Polana, existe há 103 anos e o edifício foi construído no estilo manuelino. As suas colecções e arquitectura atraem estudantes e turistas.

 

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