O País – A verdade como notícia

A “The boss lady” ou simplesmente Liloca está de volta à ribalta e com vários projectos em manga, depois de um período de convalescença. Dentre os vários planos da cantora destaca-se a produção de um álbum, revelou a cantora, na manhã de hoje.

Segundo a artista, o desejo de lançar um CD vem há algum tempo. “Eu queria tanto ter lançado, ano passado, e não foi o caso”, explicou. Interrogada sobre a data do possível lançamento, a artista esclareceu que está a trabalhar e, se tudo der certo, até ao final do ano o álbum sai.

E, mesmo sem querer dar muitos detalhes sobre o centeúdo do futuro disco, “The boss lady” deixou escapar que os seus leais seguidores serão agraciados com a Liloca de sempre, “cheia de alegria, atitude e boa música”. “Os estilos continuam os mesmos. Tenho temas mais agitados e mais calmos”, acrescentou.

Neste momento, a cantora tem se divido entre a maternidade, estúdio, gravação de vídeo-clipes, espectáculos e viagens. Falando em viagens, na última semana, Liloca esteve a participar do reality show Coke Studio, no Quénia.

A quando da sua partida, a artista havia dito que um dos seus maiores anseios, ao participar do reality show, era cantar em outros ritmos africanos. E ao fazer o balanço da sua participação no Coke Studio, Liloca afirmou que este objectivo foi alçando. “Eu fiz dupla com uma cantora do Uganda e o ritmo das nossas músicas é uma mistura de estilos moçambicanos, sul-africanos e ugandeses”, detalhou.

Ao longo da sua trajectória musical, Liloca somou duas premiações no Mozambique Music Awards (MMA) e, em 2007, venceu o prémio de artista revelação no Ngoma Moçambique. O seu primeiro CD, “Tic tac é meu style”, foi lançando em 2007 e o segundo, “Magnifica”, em 2009.

 

 

A Willow Internacional School, um estabelecimento de ensino sediado na Cidade da Matola, organizou, no sábado (15), mais uma edição do Festival da Diversidade Cultural, que envolveu alunos, professores e encarregados de educação. O evento contou ainda com a presença de alguns membros do Governo da Cidade da Matola e Maputo e encarregados de educação.

A Willow realizou este festival com o objectivo de aumentar os níveis de consciência na compreensão e tolerância pelas diferenças entre as culturas, bem como de conhecimento em relação aos hábitos e costumes de outros povos.

O concorrido evento foi abrilhantado pelos alunos daquela instituição de ensino que exibiram a diversidade cultural através de números de danças de vários países. Aliás, os petizes mostraram que além da marrabenta conhecem os passos de dança de países como Argentina, Botswana, China, Alemanha,França e Cuba.

Despedida Rita Bento, vereadora do Distrito Municipal Ka Mavota, foi uma das personalidades que acolheu o evento anterior, mas não deixou de se juntar a festa que teve lugar na Matola. “É uma grande iniciativa. Além de preservar o nosso património cultural, faz com que as crianças investiguem sobre outras culturas. Está de parabéns a direcção da Willow pela grande iniciativa. Foi um maravilhoso festival. Estão de parabéns os alunos que nos fizeram viajar, mesmo estando em Moçambique, para várias culturas”.

Além da exibição de dança de vários países, o Festival da Diversidade Cultural teve a parte gastronómica, onde os presentes puderam degustar pratos típicos dos países representados no evento.

Tudo começou ao som de uma música acústica que maravilhou os ouvidos da platéia. Audiência agraciada com um som provido das cordas da guitarra de forma descontraída para um diálogo sobre o espólio das obras de José Craveirinha e Malangatana.

Craveirinha fez poesia lírica e incisiva na altura do colonialismo. Buscava inspiração nas madrugadas, pois considerava o silêncio do dia um momento para colocar os versos no papel. Malangatana tentou escrever os poemas, mas preferiu buscar a exaltação da poesia de Craveirinha para representar nas telas através do pincel.

O evento decorreu no Centro Cultural Moçambicano-Alemão, na Cidade de Maputo, com a presença de artistas como Lucrécia Paco que não resistiu ao debate e encontrou uma forma de colocar a opinião declamando alguns versos do livro, “As negras das Lagoas” de Malangatana…fazem a exposição dos seus quadros nus, e triste hei hei hei, oh oh oh com o próprio corpo as negras pintam o fundo da parede de caniço…

O debate fluiu com o grito de socorro de um dos herdeiros de José Craveirinha, em relação às obras do pai. Segundo Zeca Craveirinha, existem vários escritos que estão a ser publicados sem respeitar os direitos do autor.

Individualmente, o herdeiro disse estar a envidar esforços para recuperar o material produzido pelo pai, mas sem sucesso. “Há pessoas que não querem devolver o espólio do meu pai… não vou revelar nomes”, disse Zeca, num tom melancólico.

Mutxine Malangatana, com um olhar sorridente, mas preocupado, contou que existem obras do seu pai em colecções privadas e públicas que estão a ser usadas para fazer exposições em Portugal e Moçambique. “Estou à espera, há mais de um ano, da resposta sobre o paradeiro das obras de Malangatana, que foram identificadas e detidas pelas autoridades legais em Lisboa, que eram expostas sem o conhecimento da família”, desabafou Mutxine.

O herdeiro tem limitações para seguir o assunto do espólio das obras além-fronteiras, porque mesmo depois de uma investigação que identificou as pessoas que estão com as telas, é difícil recuperá-las. Num outro momento, Zeca Craveirinha acrescentou que há cartas escritas pelo seu pai, durante a prisão em 1969, em Moçambique, num período solitário de três meses e meio na cela um. “Em Moçambique e Portugal existem fotografias e poemas enviados para os destinatários na altura da prisão do meu pai, mas nunca foram entregues”.

Herdeiros…mas limitados

Malangatana e José Craveirinha alcançaram a imortalidade na divulgação das obras, que continuam a ser apreciadas actualmente. Por insistência do destino, os herdeiros comungam dos mesmos problemas para recuperar e conservar as obras dos seus pais. Malangatana produziu várias telas e algumas não são conhecidas pelo público. “Estou com dificuldades sérias para a conservação das obras produzidas por Malangatana e da última vez que fiz o inventário, em 2007, já tinha algumas que corriam risco de degradação”, explicou Mutxine. Avança ainda que teve a parceria da Fundação Mário Soares, mas até hoje não conhece o total do inventário das obras.

“É um desafio que o Mutumbela sempre teve”. Falava Jorge Vaz, hoje, no programa Vidas em Directo da Stv, sobre a adaptação de textos clássicos para o teatro moçambicano. Além de produzir os seus próprios trabalhos, sempre fizeram uma excursão às obras com mais de 100 anos, entretanto com uma história actual.

Não é a primeira vez que Mutumbela Gogo cutuca o saudoso Henrik Ibsen. Já adaptou duas peças do dramaturgo norueguês. A primeira foi “A casa da Boneca” e a segunda “O Inimigo do povo”. Mas o seu repertório já revisitou grandes obras internacionais.

“Se formos a reparar os temas são quase que semelhantes ao que temos passado. Nós vamos ver qual é que se assemelha à realidade actual do nosso país”, explicou Vaz aos apresentadores Liudimila Jeque e Dudas Aled.

Segundo o encenador da peça “Os pilares da sociedade”, o grande constrangimento de adaptar clássicos é trabalhar os textos à moda moçambicana e o factor tempo sempre está em questão. Segundo esclarece o profissional, a nossa realidade precisa de muita acção, intriga e humor, porque o texto apenas afugenta o público. O entrevistado disse que os textos adaptados precisam de, no mínimo, espectáculo de quatro horas. Portanto, o Mutumbela reduz até ao máximo de uma hora e pouco.

A peça estreia esta sexta-feira, mas é um trabalho que iniciou ano passado. Jorge Vaz e a falecida Graça Silva tiveram o primeiro contacto com a obra, houve também a intervenção do professor António Cabrita e, depois, regressou às mãos dos actores. Finalmente está pronto para ser apresentado aos moçambicanos.

 

Já passou por vários países. Finalmente, o filme “Portugueses do Soho” será exibido no Cinema Scala, em Maputp, a partir das 18h.

O documentário “Portugueses do Soho – Uma história que mudou a geografia” é um filme de Ana Miranda com a produção do Arte Institute que conta a história dos emigrantes portugueses que chegaram ao Soho após a segunda Guerra Mundial. Através de sua história, descobrimos a história deste bairro, bem no coração de Manhattan e da cidade de Nova York. Este documentário visa ser a voz e o registo inédito da vida destes portugueses, dando a conhecer a portugueses e americanos uma presença desconhecida por muitos.

A banda sonora do filme é da autoria da cantora Rita RedShoes e o escritor José Luís Peixoto foi o autor dos textos do filme e o narrador dos mesmos.

A realizadora do filme Ana Ventura Miranda estará presente na exibição. Em seis anos de existência, o Arte Institute já promoveu mais de 700 artistas e apresentou eventos em 57 cidades de 24 países, nos cinco continentes. “Organizamos até agora 307 eventos em todo o mundo”, refere o comunicado enviado à nossa Redacção.

Portugueses do Soho é exibido pelo NYPSFF

O NY Portuguese Short Film Festival (NYPSFF), organizado pela primeira vez em Junho de 2011, foi o primeiro festival de curtas-metragens portuguesas nos Estados Unidos. O Festival mostra o trabalho da nova geração de jovens realizadores portugueses. Ao organizar o Festival anualmente, em vários países, o Arte Institute pretende ampliar e conquistar novos públicos para o cinema português, em todo o mundo.

A Directora do Arte Institute, organização responsável pelo Festival, afirma que “O NY Portuguese Short Film Festival tem sido uma grande montra para o cinema contemporâneo português e tem aberto portas aos novos realizadores nacionais em termos de promoção e divulgação das suas curtas-metragens até mesmo para participarem noutros festivais internacionais“.

O NY Portuguese Short Film Festival já passou por todos os continentes, 21 países e 44 cidades: Nova Iorque, New Bedford, São Francisco, Sausalito, Berkeley, Providence e Rhode Island nos Estados Unidos; Lisboa, Porto e Cascais em Portugal; Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília no Brasil; Sidney na Austrália; Joanesburgo na África do Sul; Luanda em Angola; Berlim na Alemanha; Vancouver, Toronto, Ottawa, Montreal e Kingston no Canadá; Macau na República Popular da China; Paris em França, Malabo na Guiné Equatorial; Nova Deli, Chennai, Ahmedabad, Goa, Calcutá e Chandigarh na Índia; Nairobi no Quénia; Maputo em Moçambique; Varsóvia, Cracóvia, Poznan, Wroclaw e Lublin na Polónia; Brno na República Checa; Londres no Reino Unido; Szeged na Hungria, Bucareste na Roménia, Dacar no Senegal e Banguecoque na Tailândia.

As curtas-metragens foram seleccionadas e submetidas à apreciação de um Júri composto por figuras do meio cinematográfico Português, Brasileiro e Americano; como Rúben Alves (Realizador), Márcio Miranda Perez (Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo) e Don Cato (Realizador).

 

O crítico literário Francisco Noa, Reitor da Universidade Lúrio (UniLúrio), foi recebido na Câmara Brasileira do Livro (CBL) para o lançamento do seu novo livro, Uns e outros na literatura moçambicana, publicado pela Editora Kapulana, e para compartilhar com personalidades dos meios livreiro e acadêmico, suas experiências como gestor de educação e como escritor.

Francisco Noa foi recebido pelo presidente da CBL, Luís Antonio Torelli e por membros  da CPCPLP (Comissão para a Promoção de Conteúdo em Língua Portuguesa). Estiveram também presentes intelectuais, profissionais do livro, educadores, gestores de instituição de ensino e pesquisa e entusiastas da literatura, do Brasil, de Moçambique e de Portugal.

O ensaísta autografou seu novo livro, Uns e outros na literatura moçambicana, e falou, brevemente, sobre a literatura moçambicana e a literatura brasileira, e sobre o sistema de educação em Moçambique. Colocou questões relacionadas a temas como alteridade, identidade e as novas tendências literárias em Moçambique, mais especificamente, a conexão de autores contemporâneos com o Oceano Índico e o que ele representa para a cultura moçambicana.

Uns e outros na literatura moçambicana é o terceiro livro de Francisco Noa publicado no Brasil pela Editora Kapulana e está disponível na loja on-line da Editora Kapulana e em diversas livrarias.

Francisco Noa é doutor em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Ensaísta e professor de Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique, é também investigador associado na Universidade de Coimbra, em Portugal. Foi director e investigador do Centro de Estudos Sociais Aquino de Bragança (CESAB), em no país. Professor convidado, orientador e examinador de teses em universidades nacionais e no estrangeiro, assumiu ainda vários cargos de gestão em instituições de ensino superior. Sua pesquisa actual debruça-se sobre os temas de colonialidade, nacionalidade e transnacionalidade literária, a literatura como conhecimento e o diálogo intercultural no Oceano Índico, a partir da literatura.

É autor de vários livros, dentre os quais três da Editora Kapulana: Perto do fragmento, a totalidade, olhares sobre a literatura e o mundo; Império, mito e miopia: Moçambique como invenção literária, e o novo, Uns e outros na literatura moçambicana, ensiaos.

Uns e outros na literatura moçambicana, da série “Ciências e Artes, são ensaios, prefácios, posfácios, apresentações, entrevistas e artigos de opinião sobre temas relacionados à Literatura Moçambicana, além do prólogo intitulado: "Meu encontro com Jorge Amado".

 

 

A Companhia de Teatro Mutumbela Gogo, estreia, dia 21 deste mês, às 18h, uma nova peça intitulada “Os Pilares da Sociedade”, no Teatro Avenida, em Maputo.

Escrita por Henrik Ibsen, a peça faz uma abordagem profunda sobre corrupção, numa altura em que Moçambique atravessa uma crise gerada pelos efeitos deste fenómeno.

Mutumbela Gogo junta-se a várias instituições a nível do mundo que estão engajadas na luta contra a corrupção. A peça foi escrita a 150 anos mas o seu conteúdo é sempre actual, tendo em conta que Moçambique está mergulhado num cenário bem explícito de corrupção, o que mostra que o mundo vive os mesmos problemas.

Apesar de várias situações de corrupção reportados constantemente, a peça não traz casos concretos e não abre espaço para ofensas directas, mas procura generalizar para elucidar sobre a forma como este problema já está enraizado.

O Mutumbela Gogo quer com este trabalho incitar de forma pacífica para uma revolta mas sobretudo para que cada cidadão, no seu posto, lute contra este mal.

“Os pilares da sociedade” tem a Direcção de Manuela Soeiro e encenação de Jorge Vaz.

O Teatro Avenida e a Companhia de Teatro Mutumbela Gogo pretendem com a peça “Os pilares da sociedade” valorizar os 40 anos da cooperação entre Moçambique e Noruega mas também despertar a sociedade sobre os males associados à corrupção.

No elenco, há dois nomes que vão seguramente reforçar o excelente trabalho que Mutumbela Gogo procura prestar ao seu público. O actor Hélder Timane do Mbeu que há muito tempo não entrava em cena e Wate Penalva, filho da actriz Graça Silva e o mais novo actor que integra o grupo.

Com cerca de uma hora e meia, “Os pilares da sociedade” será exibida em três sessões únicas nesta estreia, sendo os dias, 21, 22 e 23 de Julho corrente, às 18:00h, no Teatro Avenida. Após esta estreia, a peça será novamente exibida na temporada de Setembro deste ano.

Elenco:
Adelino Branquinho, Vítor Raposo, Jorge Vaz, Isabel Jorge, Yolanda Fumo, Félix Tinga, Hélder Timane, Angelina Chavango, Atila César, Yuck Miranda, Júlia Novela, Flávio Mabota, Carlos Zicu.

 

O protocolo assinado pelo Ministério da Cultura e Turismo e Instituto Nacional de Estatística (INE) visa essencialmente trazer ao público dados mais próximos da realidade do turismo praticado em Moçambique, um dos quatro sectores mais importantes para economia moçambicana.

Para Silva Dunduro, Ministro da Cultura e Turismo, os dados estatísticos relativos ao turismo vão ajudar a perceber que acções devem ser executadas para o desenvolvimento económico do país.

Já Rosário Fernandes, Director do INE, diz que o trabalho do Instituto Nacional de Estatística vai garantir a certeza e a fiabilidade das contas apuradas.

As contas satélites do turismo terão uma periodicidade bienal e fazem parte do sistema das contas nacionais, e resultam de uma recomendação expressa da Organização Mundial do Turismo do Sistema das Nações Unidas.
    

 

Um autor: Luís Carlos Patraquim. Dois livros: “O Senhor Freud nunca veio a África” (crónica) e “Música extensa” (poesia). Havia melhor presente para os seus 40 anos de produção literária? O jornalista, cronista, guionista, poeta e dramaturgo moçambicano regressa para brindar com os seus confrades as quatro décadas que carimbam uma estrada que, enfim, marcou gerações e forjou histórias.

O lançamento dos dois livros foi testemunhado, maioritariamente, por amigos e familiares, mesmo a denunciar os longos anos que o artista vive em Portugal, desde 1986 para ser preciso, ainda que sempre colaborasse com a imprensa e arte moçambicanas. O seu último (belo) exercício foi o guião do filme “Comboio de Sal e Açúcar”. O realizador Licínio Azevedo ali estava, e outros bons amigos desde a Gazeta de Artes e Letras da revista Tempo. Caso é de Calane da Silva, quem assumiu a posição de apresentador das obras. Melhor pessoa existiria?

O Instituto Camões devia apresentar-se como quem espera um galáctico, mas a obra de Patraquim já o-é. Logo se dispensa tal figuração, os amigos são de pompa considerável. Eles entendem a narrativa que pulula nas duas obras. Aos outros, o tempo se encarrega de ensinar, ou Lucílio Manjate, Mbate Pedro e mais algum punhado de (bons) jovens a eles vão os informar. Os outros (outros mesmo), lá pelas traseiras vazias da sala do Camões, não lhes parecia interessar qualquer coisa como literatura.

Só para se ter a ideia da magnitude do autor, Ungulani Ba Ka Khossa – um dos melhores 100 escritores africanos do séc. XX – ainda estava na iniciação poética quando conheceu Patraquim e fê-lo através de “Monção”, seu livro de estréia. Talvez devia, o secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), tomar outro discurso, mas preferiu lembrar que aquela obra teve na altura cerca de cinco mil exemplares, num universo de leitores quase inexistentes. Hoje, que o nível de analfabetismo reduziu, os livros de poesia não passam 500 exemplares. Triste não é?

O humor do grupo Nomo chegou na hora certa, fazendo a ponte entre o curto discurso de Ba Ka Khossa e Calane da Silva. O eterno amigo de Patraquim, para ele apenas Patraca, apresentou as duas obras, mas, ao mesmo tempo, apresentou a vida e o seu repertório. No seu discurso, foi comum ouvir nomes como “A Inadiável Viagem” (1985); “Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora” (1992); “Mariscando Luas” (1992); “Lidemburgo Blues” (1997) e “O Osso Côncavo” (2005).

Mesmo reconhecendo a poesia como a primeira arma que Patraquim usou para se afirmar, Calane preferiu começar pela prosa, neste caso, o livro de crónicas.

São crónicas em que Patraquim sempre faz incursão a Moçambique, como que a recordar a pátria que lhe viu nascer. Nestes textos, segundo Calane, o autor traz grandes nomes da cultura moçambicana e da diáspora, personalidades que conheceu fisicamente, por isso a sua escrita foi mais precisa. O olhar de Calane da Silva conclui que se trata de uma crónica literária num estilo latino que oscila entre a poesia e o conto. “Enquanto poesia, a crónica explora a temática do ‘eu’, sendo o assunto e o narrador ao mesmo tempo, tal como todo o acto poético”, explica o apresentador. “O estilo discursivo das crónicas de Patraquim nesta obra oscila entre uma linguagem lírica, de prosa poética e algumas crónicas quase que nos transportam para um universo de conto realista”, secundou.

Para Calane da Silva, o título deste livro encontra-se no sentido irónico e humorístico, mas cheio de ilações do ponto de vista cultural e até psicanalítico. O título do livro é emprestado de um texto que o autor dedica ao Freud pelos seus 150 anos de nascimento.

“Ao dar este título, Luís Carlos Patraquim quer, igualmente, chamar-lhes atenção para o lado psíquico das suas crónicas das memórias guardadas, algumas no nosso subconsciente”, sentenciou.

De seguida, sem qualquer pausa, Calane visitou Patraquim poeta em “Música extensa”. Chama a sua obra de oficina extensa, de labor e música extensa, em que também exalta memórias, marcando amizades e exibindo a sua retórica fascinante.

Ao escritor, que se assumiu como Luís Carlos “Gago”, fez o que os outros escritores naquela cadeira fazem: agradecer. E logo (não logo exactamente) foram os autógrafos, mas não antes de ler um texto seu e de receber os merecidos aplausos.

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