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“Juntos”. Nem mais, este é o título do novo trabalho discográfico da Banda Kakana. Quatro anos depois do grupo lançar o álbum de estreia “Serenata”, Kakana reaparece com um disco que pretende aproximar moçambicanos de várias origens e de todas as cores.

“Juntos” é um álbum dedicado às famílias moçambicanas, com mensagens que contêm diversas abordagens, destacando-se o amor, louvor à paz, perdão, resgate de valores tradicionais. Para o efeito, Kakana investiu numa sonoridade que traduz continuidade em relação ao que caracteriza “Serenata”.

Ora, porque a tradição, os valores culturais de um país são também representados por via da língua, veículo fundamental no processo da expressão individual e colectivo, os artistas da Banda Kakana procuraram, nas composições, explorar e valorizar o repertório linguístico que Moçambique possui. Assim, “Juntos” apresenta nas suas 17 músicas temas cantados em changana, chope, guitonga, nhungwe e macua.

Quanto às participações, não faltam nomes de peso, como o saxofonista Otis, Wazimbo e o baterista Stélio Mondlane.
O espectáculo de lançamento do álbum está previsto para dia 3 de Novembro, às 20h, no Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. O show contará com a participação da Orquestra Xiquitsi, Wazimbo, Otis e Lemon Pinto.

 

Os escritores brasileiros Andréa del Fuego e Paulo Lins virão a Moçambique, pela primeira vez, para participar da Feira Internacional do Livro de Maputo. Os escritores estarão no país entre os dias 5 e 8 deste mês.

Andréa del Fuego é escritora, formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Autora de sete livros de ficção, entre eles o romance “Os Malaquias”, obra vencedora do Prêmio José Saramago cujos direitos foram vendidos para Israel, França, Argentina, Itália, Croácia, Suécia, Romênia, Alemanha e Portugal. Seu último romance, “As Miniaturas”, foi escrito com bolsa de criação literária do Programa Petrobrás Cultural, com direitos vendidos na Argentina, França e Portugal e foi publicado pela editora Companhia das Letras.

Paulo Lins é poeta, romancista, roteirista de cinema e televisão e professor licenciado em Língua Portuguesa e Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor de “Sob o Sol” (poesia), “Cidade de Deus” (romance, adaptado para o cinema com quatro indicações ao Oscar), “Esses Poetas” (poesia, com seleção e organização de Heloisa Buarque de Holanda), “Desde que o Samba é Samba” (romance) e “Era Uma Vez” (poesia). Escreveu o roteiro de diversos longa-metragens para o cinema e de seriados para a televisão, que obtiveram diversos prémios.

Os escritores brasileiros participarão de mesas redondas na Feira Internacional do Livro de Maputo e no Festival Literatas, a realizar-se na Matola.

 

 

Aldino Muianga assinala 30 anos de produção literária com o lançamento de mais uma obra, intitulada “Asas quebradas”. Como é habitual, o escritor continua, neste “voo rasante”, a desfigurar o quotidiano urbano, com uma narrativa inspirada em factos reais que o colocaram face a face com o problema de identidade – individual e social.

Com esta obra, o autor pretende trazer uma reflexão sobre o nosso ser, como cidadão e como membro de uma sociedade.

“‘Asas quebradas’ é um mapa sobre a busca da identidade, disse Muianga, assinalando que uma busca pela identidade é uma grande aventura, é uma grande preocupação para as pessoas que não conseguem inserir-se no seio da família e da sociedade”.

Enquanto escrevia, Muianga pensou em desistir do livro por achar que era muito complexo. “Desde a terceira parte, tive que parrar e pensar qual seria a melhor saída entre uma e outra para o desfecho. Quero, nesta obra, despertar nos leitores a busca de identidade, é uma metáfora sobre uma identidade que queremos redescobrir porque a partir de um certo ponto da nossa história perdemos as coordenadas do nosso destino”.

Para os que se iniciam na carreira literária o autor recomenda o exercício de leitura e escrita e discussão com outros leitores. Além disso, o escritor falou, no Auditório do BCI, em Maputo, onde o livro foi lançado hoje, um pouco mais de si, sobre a experiência de inventar universo fictícios. “É um processo complexo e, ao fim de 30 anos, sinto-me muito feliz porque continuo a produzir obras que muitos críticos consideram de muita qualidade, é um trabalho aturado, intenso, longo e doloroso. Muitas vezes é preciso ter muito sacrifício”.

Em “Asas quebradas”, Muianga conta a história de duas mulheres, uma mãe que é abusada sexualmente pelo seu tio, e de uma filha que, quando adulta, começa uma busca incessante pelas suas origens, depois de nascer numa “casa errada”.

 

 

O escritor português João Tordo, vencedor do Prémio José Saramago em 2009, com a obra “As três vidas”, estará na capital do país, a convite do Camões – Centro Cultural Português, para participar na Feira do Livro de Maputo, iniciativa do Conselho Municipal que inicia próxima quinta-feira, no Jardim Tunduru.  

João Tordo vai participar na abertura da maior Feira do Livro do país no dia 5 de Outubro, às 10h. Nesse mesmo dia, às 15h, João Tordo (Portugal), Lucílio Manjate (Moçambique) e Paulo Lins (Brasil) são os protagonistas da mesa-redonda “A arte de contar histórias”, que será moderada pelo jornalista David Bamo.

Ainda no dia 5 de Outubro, às 18h, no novo espaço criativo DEAL, o autor é convidado a participar numa “Conversa a partir das obras de João Tordo e Aldino Muianga”, que contará com a moderação de Mbate Pedro.

No âmbito do programa paralelo da Feira do Livro de Maputo, no dia 6 de Outubro, às 12h, Tordo tem encontro marcado com estudantes de Português da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane para falar sobre “Caminhos da Escrita e da Leitura Literária”.

Além da presença na Feira do Livro de Maputo, onde João Tordo participará na sessão de autógrafos que deverá marcar o final da iniciativa, no dia 7 de Outubro, às 16h, o escritor português irá participar ainda na 3ª Edição do Festival Literatas que este ano é subordinado ao tema “Pensar Identidades”.

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Formado em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, trabalhou como jornalista freelancer em vários jornais. Viveu em Londres e nos Estados Unidos. Em 2001, venceu o Prémio Jovens Criadores na categoria de Literatura, antes do Prémio Literário José Saramago. Os seus livros estão editados em vários países, como França, Itália, Alemanha, Hungria e Brasil.
 

 

 

A Fundação Fernando Leite Couto, instituição cultural dedicada à promoção da literatura e das artes como valores para a promoção do conhecimento e da cidadania em Moçambique, reservou a programação deste mês para assinalar a passagem do centenário da Revolução Russa, acontecimento histórico com impacto em todo o mundo.

A Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, teve repercussões a vários níveis na vida do povo russo e dos estados que formaram até finais do século passado a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), bem como pelo mundo, inspirando, inclusivamente, a luta pela afirmação de muitas nações.

Assim, a Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, irá evocar este acontecimento numa perspectiva cultural, através de eventos literários, teatrais, musicais, dança, conferências e debates. O primeiro destes eventos é uma exposição de cartazes históricos sobre a revolução russa, a inaugurar no próximo dia 5, pelas 18 horas.

 

 

A escritora Sónia Sultuane lançou, hoje, na Fundação Fernando Leite Couto, o livro Infantil, intitulado “Celeste, a boneca com olhos cor de esperança”.

É a segunda aventura pelo universo infantil de Sónia Sultuane, escritora que pretende mostrar a importância da solidariedade para com as crianças na obra “Celeste, a boneca com olhos cor de esperança”.

Sultuane diz, aliás, que a solidariedade é um valor importante e que sempre a tocou. “É uma coisa que me acompanha e que me faz reflectir sobre sermos solidários nas mais pequenas coisas, como neste caso foi a boneca”

Segundo a poetisa, é mais difícil escrever para as crianças do que para os adultos, mas decidiu escrever para esta camada porque são um universo mais puro. “As crianças são genuínas no seu sentimento. Quando estou com elas, fazem-me sentir realmente um ser humano”, referiu, acrescentando que não sabe se vai continuar a escrever para as crianças, mas que os dois livros que publicou fez com muito gosto.

 “Celeste, a boneca com olhos cor de esperança” foi lançada em Portugal, em Junho, e uma das maiores preocupações da poetisa naquele momento era trazer o livro ao seu país. “Coincidiu, a minha editora vinha a Moçambique e eu pedi o favor especial de trazer os livros, porque era algo que eu não poderia fazer tão já”, e acrescentou “foi o universo que conspirou”.

“Celeste, a boneca com olhos cor de esperança” foi contada em forma de peça teatral para as crianças que marcaram presença na cerimónia de lançamento do livro.

A escritora conta nesta obra a história da Joana, uma que guarda sua boneca, que lhe foi oferecida pela avó e já crescida decide dar a boneca a um Padre para que a levasse às crianças necessitadas de África. Já mulher e médica oftalmologista, Joana vai trabalhar para Moçambique e sem imaginar, encontra a boneca nas mãos de outra criança.

A artista plástica e poetisa, Sónia Sultuane, foi recentemente agraciada com o Prémio Femina 2017, Notáveis Mulheres portuguesas e da lusofonia, por mérito nas letras.

Realizou várias exposições individuais e coletivas, quer a nível nacional, como a nível internacional.

Roberto Chitsondzo, Ana Magaia e Grupo da Polícia Municipal. Estes são os nomes que, próxima quinta-feira, terão a missão de inaugurar mais uma edição da Feira do Livro de Maputo. O início do festival literário organizado pelo Município da capital está previsto para 9h, conforme o hábito, no Jardim Tunduru. No entanto, a abertura oficial da Feira irá acontecer uma hora depois, com discursos do Presidente do Município; Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Ministro da Cultura e Turismo, Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, Embaixadores do Brasil, Espanha, França, Itália, Portugal, Alemanha, Venezuela e Angola, Cônsul de Cabo Verde e representantes do BCI e UCCLA.

Depois das intervenções, o grupo Infantil de Dança Tradicional da Associação Iverca vai assaltar o palco para exibir passos ensaiados para esta ocasião que junta autores de vários países.

Por falar em autores, o programa da Feira prevê mesas redondas, as quais pretendem ser um espaço de debate sobre literatura. São os casos dos painéis: “Plano nacional de leitura e sistemas de redes de
bibliotecas”; “A relevância do livro e da leitura na primeira infância”, “A arte de contar histórias”, com participação dos escritores Lucílio Manjate, João Tordo (Portugal) e Paulo Lins (Brasil). Ainda no primeiro dia, o Tunduru vai deliciar-se de lançamentos de livros, como “Na margem da dúvida”, de Miguel César. E porque a literatura não se dissocia da música, lá no finalzinho do dia, a banda de jazz alemã, Aren Djanssen, vai fazer ecoar seus sons.

No segundo dia, Sexta-feira, a abertura da Feira será feita pela banda Magocha, das 9h às 10h. Às 11h, a Alcance Editores promove mais um lançamento, “Infeliz por um triz”, de Mekane Nhamylaio. A cerimónia não vai durar muito tempo, afinal logo a seguir o poeta Nelson Lineu conversa com o escritor mangolê António Gonçalves, mesmo antes da primeira mesa redonda do dia: “As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo”, com Marcelo Panguana, Álvaro Taruma  e Andes Chivangue. E não se fica por aí. Sérgio Pereira, Teresa Veloso, Paulo Guerreiro e Celso Muianga vão tratar de um tema também importante: “A problemática geral do livro – edição, divulgação, distribuição, comercialização e importação de livros infantis em Moçambique”. A cavaqueira está marcada para 14h e vai prolongar-se até às 15h, altura em que dois autores brasileiros, Paulo Lins e Andréa del Fuego, vão partilhar experiências sobre "Ler e escrever (n)o mundo actual".

Por fim, o segundo dia da Feira termina com um dos momentos mais aguardados da Feira, a homenagem ao escritor Aldino Muianga, num sarau cultural com Feling Capela.

Com efeito, o reconhecimento literário a Muianga não será o último momento do festival, o dia 7 promete mais conversas, com Sara Jona, Ana Rita Santiago (Brasil) e Ana Magaia; Ungulani Ba Ka Khosa, Sangare Okapi, Juvenal Bucuane, Mbate Pedro e o poeta mangolê Lopito Feijóo, quem vai lançar “Imprescindível Doutrina Contra”.

Não obstante, as crianças também serão tema de conversa nas vozes de Alex Dau, Mauro Brito e da Irmã Maria Alexandra (escritora brasileira). O trio vai-se referir ao “Papel da literatura infantil e infanto-juvenil na formação do leitor”.

Para os que forem a comprar ou possuem livros que querem ver autografados, se se tratarem de Carlos Santos, Aldino Muianga, Almiro Lobo, Ungulani Ba Ka Khosa, Lopito Feijóo, António Gonçalves ou João Tordo será possível, porque a organização do evento reservou um momento para o efeito. Só depois disso a Feira do Livro de Maputo será encerada, por volta das 17:40 do dia 7 de Outubro.

Actividades paralelas

À margem das principais actividades da Feira do Livro de Maputo, a terem lugar no Tunduru, como ano passado, realizar-se-ão algumas paralelas. Entre várias, está agendada a conversa sobre “O papel da literatura no desenvolvimento humano e social”, com Aldino Muianga e Filipe Matusse, na UEM. Na mesma onda, Ana Rita Santiago e Japone Arijuane vão tratar das “Possibilidades de (Re)existências na literatura de escritoras moçambicanas e negras brasileiras”. E o programa inclui ainda visita aos lugares históricos do bairro da Mafalala e espaço interactivo de artes visuais para actividades infantis.

 

 

 

 

 

É um dos grandes escritores da literatura moçambicana. Em conjunto, os seus 15 livros contribuem para preservar as peripécias e os contextos da recente História do país. Se em O domador de burros e outros contos a sua criatividade capta a imagem suburbana de Maputo, em Nghamula, o homem do tchova ou o eclipse de um cidadão regista os tramas de uma guerra que custou muitas lágrimas aos moçambicanos. É este o tipo de escrita que caracteriza a obra de Aldino Muianga, um autor voltado à sua terra e aos seus. É este o autor que vai proporcionar mais uma viagem literária aos seus leitores. Tudo com encontro marcado, hora e local.

O pretexto para o embarque na viagem que vai iniciar no próximo dia 3 de Outubro, com o novo lançamento?, nem mais, Asas – mas – quebradas, livro que, na percepção do apresentador, Aurélio Cuna, professor universitário que bem conhece a obra de Muianga, “retrata vivências da parte Sul de Moçambique, mais viradas para os espaços rurais e urbanos, como caracteriza a escrita do autor”. Neste caso, com esse movimento campo-cidade que opera transformações nas personagens, porque quem sai de um espaço para outro ganha nova forma de ser e estar. Mas, na narrativa, a certa altura, mesmo depois do movimento consumado, é invertido com pretensão de se recuperar tudo e um pouco relacionado com as origens deixadas no espaço rural.

Asas quebradas será lançada a partir das 17:30h, no Auditório do BCI, na cidade de Maputo. De acordo com a Cavalo do Mar, editora pela qual é publicada a obra, a cerimónia de lançamento vai incluir uma sessão de leitura encenada, de Rogério Manjate, autor de Cicatriz encarnada, lançada recentemente. Ainda de acordo com a editora que tem publicado vários novos autores da literatura moçambicana, o encontro do dia 3 de Outubro é um pretexto para “celebrar os 30 anos de produção literária do autor [Aldino Muianga estreou-se em livro em 1987, um ano depois de publicar seu primeiro conto na revista Tempo: “A vingança de Macandza”], que este ano é o escritor homenageado na Feira do Livro de Maputo”.

Asas quebradas é o segundo texto narrativo publicado pela editora Cavalo do Mar, depois de O mundo que queremos gaguejar de cor, de Pedro Pereira Lopes. Ambos os livros fazem parte da colecção “Pelagem negra”.

 

Adelino Timóteo participou, há dias, no Festival Poeiras, programa sobre literatura e outros horizontes. O encontro realizou-se sexta passada e esteve subordinado ao tema "Círculo da Palavra: Diálogos Cruzados sobre Literatura, Poder e Liberdade", no Parque dos Poetas, em Oeiras, Portugal.

Na terra de Pessoa, Timóteo referiu-se ao tema da conversa focando-se na sua própria escrita. Aliás, o tema sugerido coincidiu com as sugestões do último romance do autor: “Os oito maridos de Dona Luíza Michaela da Cruz”. Em Oeiras, o poeta e escritor defendeu que a mulher é uma metáfora que encontrou num momento marcante da literatura moçambicana, dominada pela poesia de circunstância. Por isso, “havia que a utilizar como simulacro, para iludir o poder”, revelou.

Partindo de “Os Oito maridos”, o escritor fixou o lado varonil de Luíza Michaela, centro da denúncia da escravatura no vale do Zambeze, sem se esquecer dos excessos da justiça sumária dela, afinal a personagem não se coibia de lançar os maridos desafectos numa laguna de crocodilos que tinha em casa.

A participação do escritor moçambicano durou duas horas e meia, e, segundo Timóteo, foi positiva porque teve oportunidade de falar da sua escrita a um público interessado.

As Poeiras Poéticas, na 2ª edição, contaram com a participação de José Eduardo Agualusa.

Ainda nas terras lusas, Adelino prevê lançar “Os oito maridos de Dona Luíza Michaela da Cruz”, no 18 de Outubro, na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.

 

 

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