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O País – A verdade como notícia

O conceituado músico moçambicano, Aniano Tamele, vai lançar, sexta-feira, na Associação dos Músicos Moçambicanos, em Maputo, o seu mais recente trabalho, intitulado “Tsunela Papai”, em português, aproxima-te, pai.

O CD é constituído por 11 faixas, com a interpretação somente de Tamele, maior parte conhecidas pelo público.

“No ponto de vista de interpretação, só eu faço, mas há intervenção de muitos artistas como é o caso de Bernardo Domingos, nas guitarras, Nelton Miranda, nos teclados e viola baixo, Eduardo Massango, também na viola baixo, Raimundo Mawele, Jojó Zita e mais”, disse Aniano.

Algumas faixas foram gravadas na vizinha África do Sul e também em Londres. O cantor conta que algumas das músicas que compõem este álbum são do início de sua carreira e foram regravadas, já que algumas perderam a qualidade ao longo dos anos. O músico recorda-se do período em que começou a sua carreira, em 1976, quando “fazíamos filas na Rádio Moçambique para poder gravar músicas, porque era a única gravadora na altura e todos os que tivessem a oportunidade de gravar uma ou duas músicas sentiam-se realizados”, lembra.

Já lá vão 30 anos de existência de “Tsuenela Papai”, que teve o primeiro registo em Julho de 1988, e “é uma homenagem ao meu pai, Zeburani, por me ter ensinado essa arte de tocar e cantar”, contou Tamele.

Tamele conta que escolheu a música “Tsuenela Papai” como tema de capa de seu álbum pois considera que esta é a sua música mais representativa, pode ser cantada por qualquer um que tenha uma referência, que queira homenagear seu pai ou mãe.

A partir das 18 horas, Xidimingwana, Tchakaze e outros artistas convidados, vão actuar no show de lançamento de “Tsunela Papai”.

 

O apresentador do programa Big Box Show da Stv, Emerson Miranda, foi convidado, pela segunda vez, a fazer a entrega de prémios na sexta edição da gala do Angola Music Awards 2018.

Os angolanos reconhecem, mais uma vez, qualidades do apresentador da Stv. Depois de ter sido convidado em 2017, Miranda regressa à terra dos mangolês com a missão de entregar os prémios aos artistas daquele país. Para o apresentador, este é um grande reconhecimento do seu trabalho.

“Para mim é uma grande hora e reconhecimento do que desenvolvo há muito tempo, o que faz com que eu tenha força de trabalhar. Nada é melhor que trabalhar e ver o retorno. Isso dá-me mais motivação para eu continuar a trabalhar, visto que não tenho só os olhos de Moçambique sobre mim, mas também dos PALOP”, referiu Emerson Miranda.

O apresentar do Big Box Show, que este ano completa 10 anos na Stv, diz que a televisão tem um contributo forte para o seu crescimento como profissional.

“A Stv apoiou a minha carreira desde o início, sempre me deu suporte e oportunidade para crescer, e, hoje, estou a colher aquilo que venho desenvolvendo diariamente no meu programa de televisão, aqui na Stv. A televisão tornou possível que o Emerson Miranda fosse conhecido a nível nacional e internacional”, disse o apresentador.

De acordo com Emerson Miranda, eventos como Angola Music Awards devem existir em qualquer país porque incentivam a carreira dos artistas.

“Este tipo de premiações elevam a cultura, especificamente para a música, porque o artista consegue se destacar, sentir-se mais valorizado. Pode se usar esses prémios para a motivação pessoal”, disse Miranda. Acrescentando, o apresentador falou da situação de o país já não ter um concurso semelhante: “são muitos os factores que influenciam para que não tenhamos o Mozambique Music Award, mas eu acho que nós precisamos, a nível cultural. Quem tem a patente, deve sentar, e arranjar formas de trazer o Mozambique Music Awards. Caso não consigam, que procurem por pessoas com conhecimento para poder trazer o programa de volta, é muito importante para a classe artística porque vai impulsionar a carreira de muitos músicos que, se calhar, não sentem o retorno do seu trabalho”, afirmou o apresentador.

Emerson vai a Luanda próxima sexta-feira, e, tem entrevistas em Angola, marcadas para os dias que antecedem a gala.

Além da gala do Angola Music Awards, a realizar-se a 5 de Maio, em Luanda, Miranda será o único mestre-de-cerimónias no concerto alusivo à celebração dos 30 anos de carreira de Grace Évora, em Portugal.

“Quando eu recebi este convite, fiquei bastante emocionado, porque eu cresci a ouvir Grace Évora, é um músico cabo-verdiano, mas vai realizar a gala dos seus 30 anos em Portugal, num espaço que passaram grandes músicos, que é o Coliseu de Recreios”, acrescentou Emerson.
 

 

O actor brasileiro Expedito Araujo, mais uma vez, irá apresentar-se nos palcos do Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), desta vez, no dia 26, às 18:30h.

A proposta que o artista leva ao CCBM é feita a todos os moçambicanos que se interessam ou não pela cultura brasileira, especificamente pelo povo mineiro.

A peça teatral intitulada “Ser minas tão gerais” é uma homenagem ao Estado de Minas Gerais, um dos mais ricos e relevantes culturalmente no Brasil. O público será recebido por uma degustação do típico pão de queijo mineiro por meio de músicas mineiras.

O actor brasileiro garante que esta peça, escrita por ele, vai ser diferente, num contexto em que a mesma, será um espectáculo que contará com a participação do músico moçambicano Jesse Malunguissa. Araujo diz que será a primeira vez que actua com um moçambicano, facto que o alegra bastante, já que “eu amo o povo moçambicano, sou apaixonado por essa aura, por essa energia que eles têm.”, disse.

A peça foi concebida no âmbito da comemoração da inconfidência mineira, comemorada a 21 de deste mês, que é considerado feriado nacional no Brasil.

Expedito Araujo já havia exibido uma peça no CCBM, mês passado, intitulada “Valsa Número Seis”, de Nelson Rodrigues, dramaturgo brasileiro.

 

 
 
 

 

Mais uma vez, o grupo de teatro Girassol leva arte moçambicana para o estrangeiro. No Estado de Minas Gerais, no Brasil, os artistas nacionais vão participar na 8ª edição do Festival de Teatro de Ubá (FETUBA), a realizar-se de 27 deste mês a 01 de Maio. Para o efeito, a peça escolhida é Nkatikuloni.

O festival teatral é organizado pela Associação MUTUM, entidade de gestão de cultura e artes da cidade de Ubá, no Estado brasileiro de Minas Gerais. O Festival de Teatro de Ubá, ao longo dos anos, tem promovido a cultura, particularmente o Teatro para os ubanenses, sendo considerado pela classe artística como um dos melhores festivais de teatro daquela região do Brasil.

Com efeito, o grupo Girassol vai assim juntar-se a mais 24 grupos e companhias oriundas de estados e cidades brasileiras, sendo o segundo grupo de teatro africano a participar naquele festival.

Recentemente, o grupo de teatro Girassol recebeu do Município de Maputo a distinção de Melhor Grupo Cultural da Cidade durante o Ano 2017, devido às suas acções de promoção do teatro.

A tão afamada peça Nkatikuloni (termo em xichangana, que significa, literalmente, mulheres casadas com o mesmo homem) foi escrita e encenada por Joaquim Matavel. No brasil, a representação será feita pelas actrizes Sheila Nhachengo e Ana Mucavel. Esta obra teatral já recebeu o prémio Melhor Espectáculo Estrangeiro no Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), em Angola, e foi eleita no ano passado para representar Moçambique no Festival da Lusofonia em Macau.

A obra teatral é, segundo avança o grupo Girassol num comunicado, “uma reflexão em torno da condição de se ser esposa e se ser a outra esposa do mesmo marido, numa sociedade globalizada em que os valores, hábitos e costumes associados à cultura dos povos africanos vêem se na encruzilhada de um reconhecimento ou legitimidade sob ponto de vista dos conceitos ocidentais”.

Depois de participar na quinta edição do Festival Tropical Zouk, em 2015, o cantor angolano Kyaku Kadaff volta mais uma vez ao país para abrilhantar o maior festival de música tropical de Moçambique.

O autor do sucesso “Mónica”, muito tocada nas rádios nacionais, diz sentir-se preparado para o espectáculo. Por isso mesmo, espera que o público adira o festival e deixe-se vibrar ao som tropical. “Estou preparado e acredito que o povo vai vibrar comigo, a expectativa é quemuitos espectadores apareçam para podermos fazer uma grande festa”, disse o mangolê.

Kyaku Kadaff aproveitou ainda para felicitar e agradecer aos organizadores do Festival Tropical Zouk por valorizarem o seu trabalho, convidando-o uma vez mais para o evento.

Kadaff disse ainda que para este show preparou sucessos passados e actuais, mas que, para além disso, o público pode esperar surpresas.

Sobre a relação do angolano com Moçambique, este admite: “O calor do povo moçambicano é igual ao que sinto em Angola, não sinto diferença alguma, é um povo amigo, é um povo irmão e não tenho razão de queixa porque estar aqui é uma alegria positiva”, disse Kadaff.
O cantor angolano falou do Festival Tropical Zouk, depois de ter participado no programa Big Box Show, da Stv, na tarde desta terça-feira.

Além de Kyaku Kadaff, vão participar também deste evento Euridse Jeque, Gasso, Twenty Fingers, Mimae, Celso Notiço, Ronald Robinel et Jeux de Dames, Thierry Cham, Jocelyn Deloumeaux, Djodje, Livity, Filho de Zua, Edmázia, C4 Pedro, João Paulo & Sáldicos, Gabriela, Cef, Phil Control, Dj Dario Valy, Dj Gerson, Dj Sérgio Butler, Tabou Combo e Zouk Machine.

O Festival Tropical Zouk acontece uma vez por ano e tem o propósito de unir no mesmo palco os melhores fazedores de Zouk, de diversas partes do mundo.
Este ano, o espectáculo vai acontecer em Maputo, nos dias 28 e 29 do mês em curso.

 

 

O Camões – Centro Cultural Português em Maputo acolhe, esta segunda-feira, a iniciativa “Karingana wa karingana: à volta da fogueira ou do telemóvel? Ler e contar estórias na era do smartphone”, por ocasião do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor que hoje se assinala.

Segundo a organizadora da sessão, Sandra Tamele, citada pela Agenda Cultural Online, EMO, “os novos modelos de leitura digital, originados pela proliferação da tecnologia móvel, tiveram um enorme sucesso na Ásia, que agora repercute nos países anglo-saxónicos com o aparecimento de aplicativos que oferecem aos leitores a conveniência das estórias na ponta dos dedos, acessíveis de qualquer lugar, a qualquer momento, em formato de mensagens ‘SMS’. Como pode Moçambique, país onde a tradição oral ainda prevalece, acompanhar estes desenvolvimentos?” Celso Muianga, Paulo Guerreiro e Tavares Cebola irão debater este tema numa mesa redonda moderada por Sandra Tamele.

No âmbito desta celebração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, serão partilhadas de sugestões literárias oriundas de Angola, Brasil, Espanha, França, Itália, Moçambique, Portugal, Reino Unido, Rússia e Suíça.

A celebração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor será acompanhada por intérpretes de língua de sinais.

Esta iniciativa conta com a colaboração das Embaixadas de Angola, Brasil, Espanha, França, Itália, Portugal, Reino Unido, Rússia e Suíça.

 

100 páginas fazem a quarta obra literária de Dany Wambire: A mulher sobressalente. A coleccção de 10 contos será lançada em Minas Gerais, no Brasil, a 1 de Maio, no âmbito da 13ª edição do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços). Na verdade, Wambire volta a participar no festival depois de, ano passado, lá ter estado acompanhado por outros autores moçambicanos: Paulina Chiziane, Ungulani Ba Ka Khosa, Mbate Pedro, Sangare Okapi e Lucílio Manjate.

Ainda que já tenha lançado o seu primeiro livro no Brasil, A adubada fecundidade e outros contos, desta vez, o escritor leva um título inédito, com uma mão cheia de contos que retratam a mulher, enlevando a condição do eu feminino enquanto poder de resistência, de força e de busca pela liberdade. Com a temática que envolve alguns textos e mesmo com o título da obra, Dany Wambire problematiza a ideia de a mulher ser, muitas vezes, tratada como um sujeito secundário, ou seja, sobressalente, numa clara analogia com o pneu que é guardado apenas para determinadas circunstâncias.

Ao questionar uma realidade, nas narrativas da obra, a personagem feminina consegue superar-se, em alguns casos. Mas noutros, nem por isso. Algo propositado. Com certos desfechos, o que mais excita Dany Wambire é a possibilidade de deixar ficar um espaço de reflexão à volta do qual os leitores podem pensar sobre um conjunto de situações que muitos julgam ser normais. Para contrariar essa normalidade quase institucionalizada, o escritor investe na inserção de passagens que revelam como se perpetuam a subjugação da mulher.

A mulher sobressalente (cujos títulos de alguns contos são “O linchamento dos dólares”, “O bêbado corrigível”, “Melissa”, “O analista drogado”, “Casal de brincadeira”) foi escrita em três meses, logo depois da participação no Flipoços do ano passado. A obra foi escrita na Beira, onde o autor vive, mas há uma influência de perspectivas adquiridas no Brasil.

Além de lançar sua obra mais recente no Flipoços, e, claro, na sede da editora Malê, a que chancela o livro, Dany Wambire vai envolver-se em mais actividades literárias no Brasil, como palestras e conversas (sobre o seu percurso literário, seu envolvimento na Associação Kulemba e na revista Soletras) com estudantes de algumas universidades: de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo isto faz parte de uma eterna luta, a de levar o livro a mais leitores. “Estas oportunidades dão-nos força para continuarmos a produzir, porque, às vezes, ficamos divididos, interrogados sobre se vale ou não a pena escrever. Este tipo de eventos dá-nos a sensação de que o que produzimos tem algum valor. Por essa razão, sinto-me sortudo por, sendo tão jovem, estar a gozar este tipo de oportunidade, afinal, eventos como Flipoços ajudam-me na construção do meu processo de escrita. Nestes eventos recebo mais do que partilho”, confessa Dany Wambire, que vai ficar duas semanas na América.

Depois de gozar o Flipoços, Wambire regressa à pátria amada, onde vai lançar o mesmo livro no Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, no dia 15 de Maio, no entanto, sob a chancela da editora Fundza, sedeada na Beira.

 

A mulher sobressalente nas vozes de Mia Couto e Paulina Chiziane

Mesmo antes de ser publicado, já há leituras feitas à nova obra de Dany Wambire. Sobre os contos de A mulher sobressalente, Mia Couto escreve: “A pretexto de um retrato do quotidiano da chamada “periferia”, Dany Wambire constrói uma narrativa leve mas atenta, irónica mas profundamente crítica, universal mas profundamente enraizada. Nestes contos está uma nação inteira”.

Paulina Chiziane também não resistiu a comentar A mulher sobressalente. Na óptica da escritora, Dany Wambire é um imbondeiro que brotou nas margens do Rio Chiveve, cujas raízes crescem gradualmente e já começam a atravessar as fronteiras do mundo. “Dany Wambire constrói os seus contos com suavidade, como quem tece as frágeis pétalas das flores. Muito cedo descobriu-se intérprete dos sonhos mais profundos da sua gente. O grande alcance de Dany é tanger, com olhar crítico, os eternos dilemas do ser humano, sempre gravitando entre a ordem e o caos, sonhos e ilusões, conflitos e preconceitos com que a sociedade foi construída. (…) Em cada página do seu livro, vai narrando os enganos e desenganos da sociedade, mas sempre na perspectiva de construir um mundo mais humano”.

Martins Mapera, poeta e ensaísta, a exercer, actualmente, a função de Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da UniZambeze, no prefácio do livro é categórico: “A mulher sobressalente é, no mais sensato pensamento crítico, uma grande sala de aula onde se aprendem as principais lições de cosmogonia social”.

 

Outras participações no Flipoços

A 13ª edição do Flipoços, com o lema “A literatura & outros saberes” pretende homenagear a língua portuguesa, e vai ainda contar com a presença de mais um autor moçambicano, Manuel Mutimucuio, quem irá lançar seu livro de estreia: Visão, publicado em Moçambique ano passado, pela Fundza.

Além de Moçambique, estarão ainda os autores João Pinto Coelho e Patrícia Portela (Portugal), a documentarista Ana Ventura Miranda, que vai apresentar o documentário “Portugueses no SoHo”, sobre os portugueses que vivem em Nova Iorque.

A 5 de Maio, Dia da Língua Portuguesa, Dany Wambire e Manuel Mutimucuio participam de uma roda de conversa especial, com os autores João Pinto Coelho e a brasileira Andréa Del Fuego, vencedora do Prêmio José Saramago com o romance “Os Malaquias” e que ano passado participou na Feira do Livro de Maputo, organizado pelo Conselho Municipal local. A mediação será feita pela escritora e pesquisadora Susana Ventura.

O Flipoços é realizado pela GSC Eventos Especiais e acontece de 28 deste mês a 6 de Maio.

 

Perfil

Dany Wambire nasceu em 1989. É mestrado em Comunicação e licenciado em Ensino de História. É autor de A adubada fecundidade e outros contos, distinguido com menção honrosa no Prémio Internacional José Luís Peixoto (2013); O curandeiro contratado pelo meu edil, colectânea de crónicas; Quem manda na selva, infanto-juvenil e A mulher sobressalente.

 

 

 

  

 

         

A festa de celebração do Jazz, em Maputo, começou no átrio do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) com o sul-africano Sibu Mashiloane. O pianista foi convidado para o “Jazz no Franco”, na noite de sábado e arrepiou o público com a sua prestação, dando início a uma noite que fez suar os espectadores amantes do género musical. Mas foram só “preliminares” de uma noite de jazz aguardada por muitos.

O grande momento veio depois. Por volta das 20h, Ivan Mazuze subiu ao palco da Sala Grande do CCFM, acompanhado por instrumentistas de luxo. Antes mesmo de qualquer sopro, o saxofonista foi ovacionado, numa clara demonstração de que o público estava carente de um Jazz “tricotado” com sons africanos e com algum toque europeu.

Mazuze agarrou no seu saxofone e mostrou a sua intimidade com o instrumento.
A actuação não poderia ter começado da melhor forma, o músico mostrou como se toca e o que é um jazz contemporâneo.

Sem diminuir o poder do seu primeiro álbum, Maganda, e sem precisar de se esconder no Ndzuti(seu segundo álbum) Mazuze fez um rico passeio pelo Ubuntu, seu último álbum, um trabalho que espelha sua maturidade enquanto músico que se tem notabilizado fora de portas. Aliás, Mazuze fez questão de afirmar que “Queria ligar Ubuntu, que significa Humanismo, ao Dia Internacional do Jazz, porque o jazz leva-nos a comunicação, ao respeito um com o outro”.

E porque o evento esteve inserido nas celebrações do Dia Internacional do Jazz, o músico fez questão de repisar que “a UNESCO tem as suas linhas bem explícitas sobre o jazz e, realmente, todas essas linhas são realísticas. Este é um estilo musical que une pessoas”, carimbou.

O público não se conteve à execução de cada instrumentista que acompanhou Mazuze e rendeu-se com palmas. O calor do público fez o saxofonista acreditar que tem o carinho dos moçambicanos e que é sempre bom voltar a casa. O saxofonista afirma que “senti-me acolhido a 100%. O público foi fantástico. É algo que não consigo explicar”.

Mazuze provou aos espectadores, que lotaram a sala do CCFM, que o saxofone é a sua vida. A forma como cada instrumentista respondeu aos sinais de Mazuze aclarou a mestria dos integrantes da banda constituida por Stélio Mondlane (bateria), Hélder Gonzaga (baixo) e Walter Mabas (guitarra).

Nos instantes finais do concerto, o público levantou para aplaudir dando assim crédito ao saxofonista moçambicano, que se tem notabilizado na Europa e em vários cantos de África pela sua prestação.

Depois da actuação de Mazuze, cabeça de cartaz do evento, o “Jazz no Fraco” terminou com Jam Sassion com todos os músicos convidados, no jardim do CCFM, uma forma de fechar em grande a primeira edição do evento que tencionou celebrar o Dia Internacional do Jazz, que se assinala a 30 de Abril, em vários países do mundo.

A IX edição do FestCoros, o maior concurso de canto coral que o país tem, iniciou hoje e termina em 10 de Junho próximo, e conta com a participação de 30 grupos, uns novos e outros que já tinham participado nas anteriores edições.

O grupo coral do Município de Maputo, vencedor da VII edição, na condição de convidado, subiu primeiro ao palco do Cinema Scala e, de seguida, os 30 grupos que concorrem ao prémio máximo de 250 mil meticais, apoio de gravação de um CD e um show gravado e exibido pela STV.

O segundo classificado irá ganhar 150 mil e o terceiro posicionado terá o prémio de 50 mil meticais. A grande novidade nesta edição, segundo a organização, é a introdução da rubrica prémio indumentária, para além da melhoria da premiação dos grupos vencedores.

“Estamos a introduzir outras variáveis do ponto de vista de premiação, estamos disponíveis a apoiar o grupo vencedor a gravar um CD. Introduzimos igualmente uma rubrica ao nível da indumentária, queremos estimular os grupos para que venham devidamente trajados. A tradição do coral ao nível mundial é de grupos bem trajados, por isso introduzimos esta variável que será premiada. Queremos melhorar cada vez mais este evento”, disse Jeremias Langa, COO do Grupo Soico.  

O ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, foi uma das figuras presentes na tarde deste domingo a testemunhar o lançamento da IX edição do FestCoros, que, falando ao O País, primeiro elogiou a iniciativa e, depois, desafiou os organizadores do mesmo a levar as próximas edições para fora de Maputo.

“Como Governo gostaria que esta iniciativa do Grupo Soico fosse para mais cantos do nosso país, assim teríamos uma maior diversidade que faz de nós um mosaico cultural”, considerou o ministro da Cultura e Turismo.

O corpo de júris é composto por Arão Litsure, Hortêncio Langa, Isabel Mabote e Teresa Chiziane, esta última, júri da rubrica indumentária.

Tal como aconteceu nas anteriores edições, os telespectadores e o júri irão decidir a permanência de cada grupo coral participante no FestCoros, aqueles que tiverem menos pontuação serão eliminados. O sistema de votação consistirá em votação do público via SMS. Esta terá um peso de 30% nas primeiras seis galas e 50% nas restantes. Apreciação do júri, que atribuirá individualmente aos grupos uma nota que varia de 01 (um) a 10 (dez), terá também um peso de 70% nas primeiras seis galas e 50% nas restantes.

A primeira e segunda galas serão realizadas no Cinema Scala e as restantes no Auditório Municipal Carlos Tembe, no município da Matola.

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