O País – A verdade como notícia

Na Beira, cidade cortada pelo rio Chiveve e marcada pela vida frenética das suas rotundas, nasceu há 71 anos Alberto da Barca. Geógrafo de formação (pela Universidade Eduardo Mondlane), trilhou os caminhos do ensino e da gestão pública, mas foi entre as páginas que encontrou a sua verdadeira morada. De 1988 a 2003, período em que o Estado detinha o monopólio da produção do livro escolar, Barca esteve totalmente ligado à Editora Escolar e à Distribuidora Nacional de Material Escolar (DINAME), com uma missão singular: levar o saber a cada canto do país. Ainda, por um ano, foi director interino do Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação (INDE).

Entre 1989 e 2003, Alberto da Barca escreveu cerca de 30 livros, ilustrando a maioria com a mesma paixão com que escrevia, o que o coloca no panteão dos autores mais prolíficos de Moçambique, ombreando com a Angelina Neves e o mágico Mia Couto. A partir da década de 90, Barca tornou-se uma figura central no vibrante “renascimento” (no boom) da literatura infanto-juvenil moçambicana. Considerado, com justiça, um dos seus pioneiros, ao lado de luminares como Orlando Mendes, Angelina Neves e Machado da Graça, abriu picadas narrativas que encantaram gerações de crianças.

Os seus títulos ressoam na memória afectiva de muitos: o olhar curioso de “Um Cão em Maputo”, a simplicidade lúdica de “Bola Azul”, as lições de crescimento em “Crescer Mais”, as aventuras de “O Capitão Zhua”, a eloquência inusitada de “O discurso do Sr. Lápis”, o despertar para o mundo em “As Nossas Profissões” e a descoberta da riqueza natural em “Flora e Fauna de Moçambique”. Sob o pseudónimo Mambo Djóngwé, assinou a divertida sátira “Um Mosquito no Tribunal”, enquanto João Kuimba nos convidava a ler “Chico Ndaenda e Outros Contos”. A maioria dos livros ganhou vida nas colecções emblemáticas “Ler Mais” e “Conhecer Moçambique”.

Com o seu traço seguro e sensível, Alberto da Barca também ilustrou inúmeros manuais escolares, fixando na nossa memória colectiva imagens icónicas como a do poema “Fábula”, do mestre José Craveirinha, um casamento perfeito entre a força da palavra e a expressividade do desenho.

Surpreendentemente, Alberto da Barca silenciou a sua pena há mais de duas décadas, tornando-se um nome talvez distante para o cenário literário moçambicano contemporâneo. No entanto, a sua contribuição permanece indelével, um legado de livros que iniciaram crianças no fascinante mundo da escrita, que lhes ofereceram a liberdade de pintar e desenhar os seus próprios universos, que lhes contaram histórias que embalaram sonhos e despertaram a imaginação.

Esta conversa — há muito adiada pelos tempos incertos que a pandemia da Covid-19 teimou em nos impor —, desabrocha a propósito do Dia Mundial do Livro; e sendo o Alberto da Barca um fervoroso defensor do livro, um guardião da importância da leitura como janela para o mundo e alimento para a alma, eis que ela finalmente aconteceu.

 

Pedro Pereira Lopes [PPL]: O seu livro inaugural, “Um Cão em Maputo”, se distancia da literatura infanto-juvenil que subsequentemente marcou a sua produção. Quando e quais foram os factores determinantes nesta transição?

Alberto da Barca [AB]: Não considero que tenha havido alguma transição porque não deixei de escrever para a faixa etária que imaginei para “Um cão em Maputo”. Houve um processo de coabitação saudável, mas com prioridades claras.

PPL: No decurso das décadas de 1980 e 1990, num contexto de acesso ainda limitado ao universo do livro em Moçambique, quais foram as obras literárias infanto-juvenis que particularmente influenciaram a sua formação como leitor e, possivelmente, como futuro autor?

AB: Bom, começando pelas obras infanto-juvenis que influenciaram a minha formação como leitor, vale dizer que remontam do período colonial quando por influência de professores e amigos frequentávamos as bibliotecas escolares e a municipal e lia uma grande diversidade de títulos. Também trocávamos livros diversos entre amigos, colegas e vizinhos.

No contexto das décadas de 80 e 90, como bem disse, o acesso ao livro em geral era tão limitado que para além dos livros amarelados do tempo colonial, por vezes apareciam, nas livrarias do Instituto Nacional do Livro e do Disco (INLD), alguns poucos títulos de infanto- juvenis oriundos da União Soviética (sobretudo). Não vou aqui particularizar esta ou aquela obra (cujos títulos e autores já não me lembro), pois não faço hoje a mínima ideia. Na verdade, eu não diria que me influenciaram, mas sim que me inspiraram para escrever textos ajustados ao nosso contexto, textos moçambicanos.

PPL: A tessitura narrativa de “Um Cão em Maputo” (1990) evoca ressonâncias estilísticas com obras como “Os Molwenes”, de Isaac Zita, ou “O Regresso do Morto”, de Suleiman Cassamo. Pode comentar sobre possíveis diálogos estéticos conscientes ou inconscientes entre estas obras, ou se tais similitudes seriam meramente um reflexo do contexto social e cultural da época?

AB: “Um Cão em Maputo” foi sim publicado em 1990, mas foi escrito em 1986, se a memória não me trai. Quanto a possíveis diálogos estéticos, não é de espantar, num contexto em que nessa época, o mercado livreiro era extremamente escasso, e por via disso, as possibilidades de se ler e de se deixar influenciar pelo pouco que havia sido publicado era significativa. No caso do “Cão em Maputo”, apesar do livro ter sido publicado em 1990, o cenário fictício do enredo é o da segunda metade da década de 70 e início da década de 80.

PPL: Afinal, depois, não mais escreveu para os adultos. O que foi que aconteceu?

AB: Em termos literários escrevi o “Chico Ndaenda”, o qual é um livro de contos que vai ser reeditado este ano. O que aconteceu foi o seguinte: fora do contexto literário, escrevi dois livros de autoajuda na área de criação de pequenos negócios e vários títulos de livros de bolso na área da saúde, nutrição, dentre outras. Nos últimos 5 anos tenho escrito letras para músicas infanto-juvenis e para adultos. Algumas músicas para adultos já foram lançadas e as infanto-juvenis estão em processo de preparação.

PPL: A sua produção literária para crianças e jovens manifesta-se tanto na prosa quanto na poesia. Esta fluidez entre géneros representou uma progressão natural e intuitiva no seu processo criativo, ou integrou um projecto pessoal deliberado de explorar as diversas potencialidades da linguagem literária?

AB: Creio que foi uma progressão natural e intuitiva, mas enquadrada na percepção que eu tinha na época como profissional do livro escolar. As primeiras publicações ocorrem quando estávamos no sétimo ano (creio) da publicação do livro escolar do Sistema Nacional de Educação, caracterizado por ser de um único título de cada disciplina. Estava na hora de oferecer ao mercado, às escolas em particular, livros lúdicos de leitura complementar ao livro escolar. Portanto, para ser sincero, mais do que explorar as diversas potencialidades da linguagem literária no sentido lato da expressão, foi para atender a uma necessidade objectiva das bibliotecas escolares, a maioria delas até se resumiam em caixas simples que ficavam depositadas nas salas dos professores ou nos gabinetes também precários dos directores das escolas primárias sobretudo as do meio rural.

PPL: Os seus livros de poesia, como “As Profissões” e “Flora e Fauna de Moçambique”, ostentam uma clara vocação didáctica, em contraste com a natureza mais lúdica de “Crescer Mais”. Esta distinção reflectiu uma avaliação das necessidades pedagógicas e emocionais do público infantil moçambicano da época?

AB: Sim reflectiu, porque a ideia subjacente foi, em primeiro lugar, contribuir para a formação literária dos estudantes recorrendo a estratégias diferentes, mas, no fundo, complementares. Considerando que os livros de texto eram e são escritos sobretudo em prosa, achei que o recurso à poesia, para passar informação que normalmente é passada em prosa/texto corrido, poderia estimular um interesse extra pela leitura de textos concisos e quiçá mais divertidos.

PPL: E sobre o poema “Boneca de Pano”, cuja familiaridade poderia induzir à sua classificação como pertencente ao cancioneiro popular, revela-se, contudo, uma criação da sua autoria. Pode falar um pouco sobre este texto?

AB: O poema “Boneca de Pano” é contemporâneo do livro “Um Cão em Maputo”. Vivíamos na década de 80 um período de escassez de quase tudo, desde alimentos, roupas, livros e por aí vai. Tanto os meninos como as meninas inventavam os seus brinquedos, como ainda hoje o fazem; no caso das meninas, dentre os poucos materiais disponíveis, os que estavam mais à mão eram os panos velhos ou novos que se encontravam perdidos em casa ou no chão de uma costureira ou de um alfaiate, bons para se fabricar uma boneca de pano. Mas a ideia subjacente não foi somente a de se estimular a confecção de bonecas de pano. Foi, sobretudo, usar a boneca para passar uma mensagem sobre a importância do asseio e da diversão por via da dança. Procurei escrever um texto simples para ser facilmente memorizado, com suporte de uma música. Foi assim que depois musiquei essa letra. Notei recentemente que alguns versos foram alterados por iniciativa dos professores ou das próprias crianças, deturpando o sentido. Para a letra continuar a ser fiel ao original, decidi gravar a música para maior e melhor divulgação da mesma.

PPL: Para além da sua actividade como escritor, também ilustrou muitas das suas obras. A sua experiência sugere que existe uma facilidade inerente em transpor visualmente as narrativas concebidas pela própria pena? Quais as vantagens e desafios deste processo autoral integral? 

AB: Na verdade, a ilustração de textos começou com os livros escolares. Apesar de não ter sido ilustrador profissional, na falta deles, para além de escrever textos didácticos, tive que os ilustrar. Foi nesse contexto que a ilustração das minhas obras acabou entrando nessa mesma linha de produção. Portanto, sem dúvida que como autor do texto, a grande vantagem é que fica bem mais fácil ilustrar de forma fiel ao sentido prático e objectivo dos mesmos.

PPL: A Editora Escolar alcançava tiragens expressivas, chegando a atingir dez mil exemplares por título. Contrariamente, a realidade contemporânea frequentemente regista tiragens modestas. Na sua perspectiva, a ausência de uma editora com a abrangência e o alcance da “Escolar” representa uma lacuna significativa no panorama editorial moçambicano actual?

AB: Sem dúvida! Na época as nossas tiragens eram significativas como resultado da convergência de dois factores fundamentais: o primeiro tinha a ver com o facto de contarmos com uma parceria muito bem-sucedida com a ASDI (organização sueca), que desde o primeiro momento esteve ao lado da componente editorial do livro escolar e do livro

complementar para-didáctico, que subsidiava a sua produção por via do fornecimento de papel, insumos e equipamento gráfico. Por outro lado, algumas ONGs se destacaram na compra e distribuição do livro infanto-juvenil pelas escolas primárias nalgumas províncias.

Hoje, não faço ideia se essa experiência muito positiva que tivemos ainda perdura ou não, pois estou desligado do livro escolar há mais de 20 anos.

PPL: Há anos que o AB não publica. A literatura deixou de ser interessante?

AB: É verdade, passei muitos anos sem escrever, ou melhor, sem publicar. Mas saiu, na semana passada, o meu livro mais recente, “Vamos Mudar de Conversa”, um livro de contos e crónicas que já se encontra nas principais livrarias de Maputo e certamente que também estará disponível em breve nas províncias. Outro livro de contos já está escrito e poderá ser publicado ainda este ano. Também existem novos textos infanto-juvenis em prosa e poesia para serem publicados logo que surjam editoras interessadas.

PPL: Quanto aos pseudónimos… Esses alter egos representavam uma faceta distinta da sua identidade autoral, explorando territórios temáticos ou estilísticos diversos da sua voz principal?

AB: Sim, usei pseudónimos nos textos infanto-juvenis por duas, a saber: a primeira porque procurei associar os nomes às temáticas dos textos, a segunda porque pretendia incentivar outros autores a escrever para esse público, livros que a editora iria publicar. Infelizmente não tivemos muito sucesso.

PPL: E o que pensa da actual Política do Livro do país? Quais os seus pontos fortes e as suas áreas de potencial melhoria?

AB: A única política do livro que sei que existe é a do livro escolar. Em relação ao livro literário não creio que exista. Se existe, não faço ideia da sua pertinência enquanto não tiver acesso à mesma.

 

PPL: Finalmente, considerando a presença simbólica do livro na bandeira e no brasão de armas de Moçambique, e na sua dupla condição de professor e escritor, acredita que o livro tem recebido a valorização condizente com a sua representação simbólica no contexto social e político actual do país?

AB: O livro, tanto o escolar como o de literatura em geral, constituem um grande desafio para o país, considerando os vários factores que interferem para cada um dos casos. O livro

escolar não cobre as necessidades actuais do país na sua plenitude em termos de quantidade e distribuição geográfica atempada. Em termos de qualidade, os erros detectados acabaram por pôr em causa a credibilidade dos livros escolares na totalidade. Vai ser necessário um profundo trabalho para se recuperar a confiança que foi, em grande medida, beliscada pelo que aconteceu.

No caso dos livros literários, vivemos momentos contraditórios. Se por um lado há um boom de publicações, por outro lado, não se assiste a um processo proporcional de compra e leitura.

Há necessidade urgente de se reverter este cenário, que deverá contar com o envolvimento conjunto directo das entidades que, de uma forma directa ou indirecta, trabalham (ou deviam) com o livro quer como instrumento de aprendizagem, quer como de cultura geral. Um papel crucial têm os professores, que deverão exigir e controlar as leituras recomendadas, e os pais ou encarregados de educação, que deverão acompanhar de perto os livros recomendados pela escola, por um lado, e outros recomendados no contexto familiar. Todos os lares deviam ter uma minibiblioteca. Faltam iniciativas de estímulo à leitura (por via de concursos vários começando por redacções, escrita e declamação de poemas com prémios a ser atribuídos aos melhores). Conheço duas organizações, uma na Beira e outra em Quelimane, com iniciativas muito positivas de promoção e divulgação do livro e da leitura. O ideal seria que tais iniciativas fossem replicadas à escala nacional. Não sei se haverá outras organizações similares, que eu não tenha conhecimento. Neste contexto, fica a pergunta: por que os municípios não têm um sector vocacionado para a temática do livro como um todo? Não seria nada de inédito, pois se há mais de 50 anos havia tal boa prática, por que será que não somos capazes de a manter e perpetuar? Quanto ao livro na nossa bandeira, creio que a intenção prioritária foi na perspectiva de se priorizar a educação e combater o analfabetismo. Para que esse desiderato seja alcançado, precisamos de redobrar esforços para dignificar esse símbolo, responsabilizando a todos os moçambicanos, mas deixando bem claro de quem é a responsabilidade primeira.

 

Os ensaios para o concerto MOSA International CORAL   decorrem a bom ritmo, quando faltam poucas semanas. A fusão da cultura moçambicana e sul africana vai marcar o grande espetáculo da música coral.     

No mesmo local, concentram-se coristas moçambicanos para afinar as vozes que vão animar o concerto internacional de música coral, rostos que vão subir ao palco da arena 3D, na Katembe, num  evento que vai juntar a cultura moçambicana e sul africana.    

Enquanto se aguarda pelo derradeiro momento, o grupo coral moçambicano vai mexendo em alguns aspectos importantes, a preparação dos coristas.  

O exercício de aquecimento é fundamental e é o primeiro passo dado durante os ensaios.

É pelas mãos da maestrina Helena Rosa que a música e a dança juntam-se num único palco, para marcar o lançamento do concerto Mosa Internacional Coral. 

“Estamos, neste momento, a fazer a finalização das obras e fazer a harmonização das vozes. A ideia é trazer para o público um concerto memorável. Temos, no concerto, duas partes, que é a parte do coral, que vai trazer música tradicional africana, vai trazer música religiosa, mas também música clássica que vai ser feita por solistas moçambicanos e solistas sul africanos. Estamos, neste momento, a trabalhar para que o concerto seja um grande evento”, disse Helena Rosa, maestrina.  

A fusão dos géneros culturais irá marcar o evento e os coristas entregam-se ao desafio. 

“O maior desafio, para além da língua, é o preparo vocal, porque as canções que nós cantamos aqui, nos desafiam, não só fisicamente, mas também intelectualmente. São muito desafiadoras, desde a língua, os seus tons, as intensidades das canções. Isto tudo constitui um desafio diário, e cada ensaio é um ensaio”, disse Áquia Simango, corista.    

O tempo não é mero detalhe, é uma ferramenta indispensável. E, diga-se,muito necessária. São várias horas de preparação para garantir um bom espectáculo.

“É muita coisa por ser apreendida. São canções que, diria eu, não são do nosso quotidiano. Então, há canções que nós precisamos, efectivamente, estar em condições para apresentar correctamente. Por exemplo, eu falava da diversificação das músicas que vamos apresentar, são canções que, em algum momento, precisam de um ensaio   e preparo, para podermos apresentar”, afirmou Zacarias Fernando, também corista. 

Beldumar Paia é um dos personagens com o papel de solista que vai apresentar a música clássica. 

Quanto mais próximo o concerto, mais aumenta a ansiedade dos participantes moçambicanos e sul africanos que prometem uma grande festa.

Carlos Paradona vai celebrar o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor em Malabo. Na capital da Guiné Equatorial, próxima quarta-feira, o escritor vai lançar o seu último romance, intitulado “Pita kufa, o leito da morte”.

De acordo com uma nota de imprensa da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), o romance “Pita kufa, o leito da morte”, apesar de circulação restrita, tem despertado um interesse inusitado entre a comunidade literária e acadêmica daquele país da CPLP, daí o convite formado para o autor lançar o livro em Malabo.

Na ida a Guiné Equatorial, o escritor e Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos vai procurar aprofundar relações com a associação dos escritores daquele país.

Para Carlos Paradona, o lançamento de “Pita Kufa”, em Malabo, “vai ter um grande impacto visto tratar-se do primeiro autor moçambicano a fazer esse tipo de evento. Ademais, tratando-se de um país que recentemente adoptou o Português como língua oficial, esta obra vai contribuir para o aumento de materiais escritos em Português para o público leitor neste país da CPLP”, afirmou.

Não obstante, com a sessão de lançamento do livro, em Malabo, pretende-se abrir espaço para autores nacionais apresentarem as suas obras naquele país, com o fim último de internacionalizar a literatura moçambicana. Também, portanto, pretende-se criar bases para intercâmbio de autores dos dois países e as suas obras, com laços de cooperação constantes

 

Na próxima quarta-feira, às 17 horas, na Biblioteca da UniSave-Maxixe, Campus-2, na Província de Inhambane, Jeremias F. Jeremias vai lançar a sua mais recente proposta poética, intitulada “Locus Corpus”.

De acordo com a nota de imprensa da Editorial Fundza, que chancela o livro, “Locus Corpus” é resultado do apuramento feito na terceira Chamada Literária 2023/24, promovida pela própria editora, uma iniciativa anual que visa dar oportunidade de publicação aos jovens autores talentosos, moçambicanos, sem nenhum custo para a publicação do livro.

A obra literária de Jeremias F. Jeremias possui 119 páginas, numa prosa-poética que cataloga, canta, de maneira denunciante, o flagelo, o horror e o esgotamento humano em vários extremos, perfilando em suas linhas estreitas textos que gravitam em torno do absurdo, da angústia ou aborrecimento que confirmam o horizonte do declínio da existência, as crises ideológicas que se verificam em vários quadrantes do mundo, como a fome que devasta a maior parte das populações do continente africano.

Jeremias F. Jeremias, natural de Manjacaze (Gaza), é licenciado em Organização e Gestão da Educação pela Universidade Eduardo Mondlane e formado em Ensino de Português pela Universidade Pedagógica. Foi vencedor do Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira 2022, com a obra “Rostos desabitados [e] Fragmentos do escuro”, e da primeira  edição do Prémio de Poesia Gala-Gala 2020.

 

A Kuvaninga Cartão d’arte,  plataforma de produção de livros com capas de cartão reaproveitado, lança, esta quinta-feira, às 14h, o livro da escritora e mediadora portuguesa Inês Blanc, intitulado “O Cantar da Chuva”.

A sessão de lançamento será em forma de oficina de pintura e produção de livros artesanais no Centro de Teatro do Oprimido (CTO), na Feira de Hulene, em Maputo.

De acordo com a nota de imprensa da Kuvaninga, trata-se de um conto infanto-juvenil inédito que conta a história de um pássaro solitário e tímido que vivia num embondeiro muito alto e não se misturava com os outros animais mais abaixo, mas tudo muda quando chega a seca e o pássaro teve que voar mais alto para as nuvens suplicando pela chuva.

O texto, acompanhado por desenhos da autoria também de Blanc, carrega um ensinamento profundo sobre a coragem, superação do medo e empatia colectiva.

“O livro o “Cantar da Chuva” tem apenas quatro páginas, mas transmite ensinamentos cruciais sobre a importância de sair da zona de conforto, a força que nasce das dificuldades e a conexão com os outros. A oficina de pintura e de produção de livros com capas de cartão reaproveitado será dirigida a um universo de 30 crianças. Trata-se de membros do Centro de Teatro do Oprimido, crianças da comunidade e filhos de catadores de lixo da Lixeira de Hulene”, adianta a nota de imprensa. 

Durante a oficina, com a duração de 45 minutos, cada participante, juntamente com a autora, irá produzir cerca de quatro livros, onde cada livro ficará com o oficinando e outros serão distribuídos pelos parceiros do projecto.

O lançamento e a oficina de livros com capas de cartão reaproveitado é uma actividade que conta com o apoio do Camões – Centro Cultural Português e o Centro do Teatro do Oprimido.

Nesta quinta-feira, pelas 11h, a cerimónia de apresentação do livro “Metamiserismo – uma nova escola literária”, da autoria da Deusa d’África e Dom Midó das Dores, na Universidade Save de Chongoene, vai marcar a abertura da Festa do Livro em Gaza (FELGA).

Nesta edição da Festa do Livro em Gaza (FELGA), que inclui uma feira do livro na Biblioteca Provincial, o autor homenageado será Sebastiao Alba, com uma produção poética consolidada e pelo poder que confere e a autoridade que exerce sobre a palavra.

Com efeito, também são também actividades da FELGA, as oficinas de escrita criativa a realizar-se nos dias 21 e 22 de Abril, na Escola Secundária Joaquim Chissano e a Secundária de Xai-Xai; a apresentação de “Distante Proximidade”, livro de Almeida Cumbane, com moderação de Elísio Miambo, na Escola Secundária Joaquim Chissano, no dia 29 de Abril; o lançamento de “Todo o Alba”, livro de Sebastião Alba (a título póstumo), com comentários de Cheina (irmão do autor homenageado) e moderação de Deusa d’África; um workshop intitulado: Afectos e Desafectos na poética de Elísio Miambo – diálogo sobre o livro “Brumas Desfeitas, Clausuras Desnudadas”, com a moderação do escritor Otildo Justino, no dia 03 de Maio, na Biblioteca Provincial de Gaza, pelas 16h00.

A FELGA inclui a realização da feira do livro de 17 de Abril a 03 de Maio no espaço da Biblioteca Provincial de Gaza.

Na Universidade Save, “Metamiserismo – uma nova escola literária”, de Deusa d’África e Dom Midó das Dores, será apresentado pelo ensaísta e jornalista José dos Remédios.

A FELGA realizar-se-á em todos os meses de Abril, alusiva ao mês em que se celebra o Dia Mundial do Livro e Direitos Autorais.

No contexto das celebrações do Dia Internacional do Jazz, esta quinta-feira, às 20h, o Auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano será palco de uma noite do concerto “MarraJazz – Quando a Marrabenta Encontra o Jazz”, do saxofonista moçambicano Timóteo Cuche.

De acordo com a nota de imprensa do Centro Cultural Franco-Moçambicano, o concerto explora a fusão entre a Marrabenta e o Jazz, com arranjos de temas icónicos e composições originais que prestam homenagem aos pioneiros da música moçambicana. Uma oportunidade para descobrir as conexões entre dois géneros que continuam a marcar a identidade musical do país.

Partindo do projecto MarraJazz, Timóteo Cuche vai partilhar os frutos de sua pesquisa académica e artística, actualmente desenvolvida no âmbito do doutoramento em Práticas Musicais, Sociedade e Interacções Criativas em Maputo. A investigação examina as intersecções entre a Marrabenta e outros géneros como o Jazz, o Pandza e o Hip-Hop, realçando o papel dos músicos moçambicanos na construção de novas linguagens musicais híbridas.

No palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano, Timóteo Cuche far-se-á acompanhar por um grupo de instrumentistas moçambicanos, nomeadamente: Cremildo Chitará (bateria), Dudú Stalin (guitarra), Nicolau Cauaneque (piano) e Realdo Salato (baixo).

“O concerto é, portanto, mais do que uma apresentação musical é um tributo vivo à criatividade, à memória e ao legado cultural moçambicano”, sublinha o Centro Cultural Franco-Moçambicano.

SOBRE OS ARTISTAS

Timóteo Cuche é saxofonista, compositor e investigador moçambicano, actualmente doutorando em Música (Etnomusicologia) na Universidade de Aveiro, em Portugal. É Mestre em Música pela mesma instituição (2021) e licenciado em Música pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (2011), onde actua como docente de saxofone.

Ao longo da sua trajectória académica e artística, Cuche participou em programas de mobilidade na prestigiada Universidade de Artes de Helsínquia – Sibelius Academy, nos departamentos de Jazz, Música Global e Gestão das Artes, Sociedade e Empreendedorismo Criativo.

Estudou saxofone com reconhecidos professores nacionais e internacionais, entre os quais destacam-se Orlando da Conceição (Moçambique), Will Ramsay (Alemanha), Kaisa Siirala, Petri Puolitaival e Jussi Kannasti (Finlândia), bem como João Martins (Portugal).

Os seus interesses de investigação incluem a música popular moçambicana, os processos colaborativos e as interacções criativas, além de temas como migração, indústria da música, marketing cultural, estudos pós-coloniais, educação musical e o reconhecimento da música enquanto património cultural imaterial.

A STV vai transmitir, a partir do dia 3 de Maio, um concerto de canto coral que junta vozes de Moçambique e da África do Sul. A iniciativa denominada MOSA Internacional Coral vai levar ao palco cerca de 80 pessoas

Trata-se de uma iniciativa que vai unir a cultura de Moçambique e da África do Sul, num só palco. O projecto cultural MOSA pretende ser um evento que vai juntar os dois povos num único objectivo: promover a cultura. Tudo isso vai acontecer na Arena 3D, na Katembe, e daqui para o mundo, através da Stv.

Do lado moçambicano, as vozes  já estão a ser afinadas e o eco não deixa dúvidas. Nos ensaios, os participantes primam pela qualidade para proporcionar ao público um espectáculo esplêndido. O MOSA Internacional Coral vai levar a palco vários ritmos, desde o gospel até à música contemporânea.

O cruzamento cultural entre Moçambique e África do Sul, através do canto coral, tem, do lado de Moçambique, nomes como Feliciano de Castro e Helena Rosa na qualidade de maestros. 

E o trabalho preparatório acontece dos dois lados. Há ensaios em Moçambique, local que vai acolher esta primeira edição do concerto MOSA, mas também na África do Sul, onde já está em curso a longa marcha dos participantes rumo ao concerto internacional do canto coral.  

Tudo está a ser feito ao mínimo detalhe para que o evento seja memorável. A céu aberto vê-se mais do que uma vegetação, há aqui pessoas posicionadas para cantar e fazem-no com minúcia.

“Durante meus treinamentos, às vezes eu coloco o coral dentro do salão, mas, por causa do eco, não é possível ouvir a música com clareza. Mas quando você está do lado de fora e consegue colocar os coristas em áreas diferentes, quando eles cantam, eles conseguem ouvir as suas vozes. Eles conseguem controlar as suas vozes. Na maioria das vezes, quando você leva o coral para fora, eu costumo espalhar o coral de forma que eles fiquem a pelo menos dois a três metros de distância”, explicou Peter Mageza, maestro sul-africano. 

Afinam-se as vozes para a primeira vez que a associação dos grupos corais vai promover os talentos dos dois países africanos. 

Henrique Cossa é fundador e presidente do projecto e garante que o objectivo é atravessar fronteiras.

Os preparativos para o arranque do concerto já são visíveis, tanto que começaram a chegar, no país, alguns participantes sul-africanos, para verem de perto o local onde vão desfilar a classe.  “Tive a oportunidade de vir e conhecer o estúdio e o local. Da minha parte, estou muito feliz e animado por poder contemplar este espaço maravilhoso e lindo. O salão, os estúdios, não tenho palavras para dizer, excepto que quem receber este convite deve vir e conhecer”, elogiou Peter Mageza.

Recebidos pelo Presidente do Conselho de Administração do Grupo Soico, Daniel David, na mesma mesa foram acertados alguns aspectos técnicos da imagem que se pretende. Tanto Moçambique como África do Sul empenham-se para materializar, a partir do dia 03 de Maio, o MOSA  International Coral.

O Centro Cultural Franco-Moçambicano apresenta, este sábado, a partir das 17h, a sétima edição do Festival Jazz no Franco.

O Dia Internacional do Jazz, celebrado a 30 de Abril, é uma ocasião especial para reconhecer a importância do género musical. Instituído pela Organização das Nações Unidas, em 2011, a data destaca o papel diplomático do jazz, ao unir pessoas de todas as partes do mundo através da sua paixão pela música.

A primeira edição do Jazz no Franco realizou-se em 2018 e, desde então, tem sido um ponto de encontro anual para os amantes do jazz em Moçambique. Inspirado pelos valores do Dia Internacional do Jazz, o festival procura sempre apresentar uma programação diversificada, reunindo artistas nacionais e internacionais.

Para esta sétima edição, o evento conta com a participação de:  Bokani Dyer Trio (África do Sul), 18h0, na Sala Grande; João Cabral (Moçambique), 19h30, Jardim; Hugo Corbin Quartet (França), 20h30, Sala Grande; Stélio Mondlane’s Project Evolution (Moçambique), 22h, Jardim.

O festival contará com The Vinyl Experience, um DJ set com Dub Rui, que fará uma selecção especial antes e depois dos concertos, às 17h e às 23h, no palco do Restaurante Palato.

SOBRE OS ARTISTAS

Bokani Dyer Trio é liderado pelo pianista e compositor Bokani Dyer, um dos principais nomes do jazz contemporâneo sul-africano. Natural de Botswana e criado em Joanesburgo, Dyer formou-se com distinção na University of Cape Town. O trio mistura influências do jazz tradicional com uma abordagem moderna, reflectindo a visão inovadora de Dyer. Com actuações em festivais internacionais, o trio lançou o aclamado álbum Neo Native (2019), que conquistou o prémio de Melhor Álbum de Jazz nos South African Music Awards (SAMA).

João Cabral é um músico moçambicano que combina a guitarra e a voz para criar uma sonoridade envolvente, misturando ritmos africanos e influências do jazz. Compositor, arranjista e produtor, já se apresentou em vários concertos e festivais nacionais e internacionais. Licenciado e Mestre em Jazz Performance pela University of Cape Town, celebra o Dia Internacional do Jazz interpretando tanto standards do género como temas dos seus álbuns River of Dreams (2009) e Walks of Life (2023), destacando o poder do jazz em unir culturas.

Hugo Corbin é um guitarrista e compositor Francês. Desde o seu primeiro álbum, Inner Roads (2019), a sua música é uma viagem sonora, inspirada no cinema e na literatura. No seu mais recente trabalho, Room To Dream, lançado em Março de 2025 pelo selo Quai Son Record, a sua guitarra ganha ainda mais vida ao lado do baixo de Marc Buronfosse e da bateria de Guillaume Dommartin. Desta vez, a voz também tem um papel de destaque, com Monika Kabasele a trazer a sua interpretação única, depois da parceria com Corbin no álbum Grécofuturisme. Com influências de cineastas como David Lynch e Kim Jee-Woon, Corbin cria músicas que nos fazem sonhar e aproveitar o momento.

Stélio Mondlane é um baterista, produtor e compositor moçambicano, com uma carreira sólida e diversas participações em festivais renomados, como o Festival Azgo, More Jazz Series, Bushfire, MASA Festival, entre outros, tanto em Moçambique como no exterior. Ao longo de sua trajectória, Stélio tem colaborado com artistas nacionais e internacionais, além de estar envolvido em projectos sociais relacionados ao autismo. Actualmente, lidera o Stélio Mondlane’s Project e participa de outros projectos musicais. Vencedor de dois prémios Ngoma Moçambique, já lançou um CD e um DVD e está a preparar o lançamento do seu segundo álbum, com o objectivo de continuar a enriquecer a cena musical moçambicana e além-fronteiras.

 

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