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O País – A verdade como notícia

No próximo dia 28, às 20h, no Campo de Maxaquene, na Cidade de Maputo, haverá o espectáculo do nigeriano Tekno. Nesse evento, estarão vários convidados nacionais, sendo um deles Justino Ubakka.

Segundo o autor que muito recentemente compôs uma música para a vencedora da primeira edição do Mozkids Talents, Inalda Sumburane, o convite da BDQ Concertos foi recebido de bom agrado, mesmo sendo ele um cantor que investe nos seus próprios eventos.

“Poucas vezes sou chamado a espectáculos de grande envergadura, por isso quando sou preferido a eventos de grande pompa a ideia é mostrar o que valho a nível de perfomance”, sublinha o artista.

Ubakka diz que não vai fugir à sua essência, tal como sempre que sobe ao palco. Por isso, vai cantar ao vivo, com um ar extrovertido e disposto a fazer o público dançar.

A apresentação de Ubakka vai passar pelos maiores sucessos dos dois álbuns, designadamente “Sunangai I e II”, incluindo as músicas do EP. O artista promete levar a Maxaquene os mais acentuados hits, como “Khoma”, “Xibebetana”, “Chimele”, Khombela ka Yesu”, “Male ya Mutxado” e, entre outras, a mais recente “Dê-me um sinal”, uma narrativa que se debruça sobre os dramas do amor, das crises de valores sociais e uma provocação sobre o nosso imaginário sócio-cultural que Ubakka irá partilhar com o público cada vez mais expectante. “Esta será uma mensagem acompanhada com passos de dança e muita animação dado o toque animado que as suas músicas carregam, numa mistura entre marrabenta, afro, gospel e R&B”, acrescenta a Tindziva, citando o autor: “a nível de montra penso que é uma boa oportunidade de mostrar o nosso trabalho, tendo em conta o tipo de músico que Tekno é, com muitos fãs no país e no mundo”.

Mesmo cantando ritmos diferentes, Ubakka não se distancia da possibilidade de alguma parceria com o nigeriano, caso as condições sejam criadas para tal. Mas o que tem certeza é que já se prepara para tal e que vai fazer um bom concerto.

Para além de Ubakka, juntam-se ao show do nigeriano os moçambicanos Mr. Bow, Hernâni, Humberto Luís, Twenty Fingers, Dj Dilson e Dj Faya. Da África do Sul, para o after party, vêm os djs Maphorisa e Prince Kaybee.

 

A Associação Moçambicana de Teatro (AMOTE), em parceria com o Centro de Teatro do Oprimido do Maputo, Universidade Eduardo Mondlane e Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC) realiza, no próximo dia 20, no Anfiteatro Gota de Lume do CTO-Maputo, a oficina de formação em escrita e produção de projectos teatrais.
 
O evento da AMOTE pretende-se que seja uma oportunidade para treinar e conferir habilidades aos fazedores de teatro em escrita e produção de eventos culturais, bem estruturados e dotados de um alinhamento estratégico às diversas abordagens sócio-culturais, económicas e políticos sobre temas de interesse público.
 
A oficina da iniciativa da Associção de Teatro terá como facilitadores principais Ofélia da Silva Tomás, Oficial de Programas da UNESCO, Dadivo José Combane, docente da Escola de Comunicação e Arte (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), júri da última ediçao do Mozkids Talents, Matilde Muocha, docente do Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), Filipa Côrte-Real, da União Europeia, e Diana Manhiça, da PROCULTURA.
 
Segundo a AMOTE, a missão e actos consubstancia-se na criação de condições para um desempenho cada vez melhor dos fazedores do teatro em Moçambique, abrindo-lhes portas para o acesso a recursos, conhecimentos e habilidades que catapultam o teatro moçambicano para patamares sempre maiores.

A AMOTE foi formalizada como associação em 2019 e a esta altura, mobiliza-se para concretizar a sua publicação em Boletim da República.

 

Arena 3D, Katembe, cidade de Maputo. 12 horas de sábado. Já não resta nem um assento para os espectadores atrasados sentarem-se. A última gala do Mozkids Talents começa, entre expectativas dos que votaram e a certeza dos 23 concorrentes finalistas terem feito um excelente trabalho ao longo de aproximadamente dois meses.

A Arena 3D foi o um espaço escolhido para acolher a final do maior concurso infantil de descobertas de talentos. Na derradeira gala, 23 com concorrentes subiram ao palco para, de uma vez por todas, convencer e levar o grande prémio para casa. Poucos tiveram essa ventura, como é óbvio, e entre os eleitos estiveram seis crianças: Riaz Trindade e Wanda Zango (Teatro), Flórida Guambe (Poesia), Ezaly Assura (Dança), Rindzela Novela (Canto) e Shanikwa Boene (Instrumentos musicais). Estes foram os concorrentes que mais votos somaram, depois de adicionada a percentagem do júri (70) e do público (30).

A oitava e última gala da segunda edição do Mozkids Talents, uma iniciativa da Stv em parceria com a Dstv e Gotv e apoio da Movitel, foi a mais electrizante de todas. Vários factores contribuíram para o efeito.

Por exemplo, o facto de os concorrentes terem apresentado as suas melhores propostas desta edição. No entanto, sem que repetissem de todo, as crianças melhoram a performance, fazendo com que o auditório vibrasse como se fosse a primeira vez que as via em palco.

Assim, a dupla Riaz e Wanda foi recuperar a peça sobre a amizade que muito contribuiu para lhes consagrar no concurso. Tendo-a melhorado, os alunos da Birlik International School, de 10 e oito anos de idade, respectivamente, arrancaram muitos sorrisos das crianças, adolescentes, jovens, senhores e velhos que não quiseram perder a final. Todas as faixas etárias dos espectadores uniram-se num som grito e espírito na Arena 3D. Então, eis que a idade do público desvaneceu. Todos tornaram-se como que unos, numa verdadeira celebração ao talento em formação.

Além da actuação dos pequenos actores, valorizou a gala da final a performance de Romena Zunguza. A menina de 9 anos de idade, a frequentar a 3ª classe na EPC de Moamba, declamou “Se me quiseres conhecer”, de Noémia de Sousa. E quem já não se lembrava dela, de facto, a conheceu e reconheceu o potencial poético. Convicta, firme e desinibida, a menina dos Zunguza tornou o poema de Sangue negro algo imortal e emotivo. Os membros do júri e o público convenceram-se disso, batendo palmas por uma estrela iminente, se o talento não embernar agora que o concurso terminou.

O vigor de Romena não foi uma excepção no sábado. Longe disso, repetiu-se no palco do Mozkids Talents várias vezes, sobretudo quando dois meninos de dança apresentaram-se. Primeiro, Kayane Machavane, o rei das surpresas nesta edição. Com 10 anos de idade, o aluno da escola 8 de Março parece que descobriu como prender o auditório. Durante três minutos, Kayane divertiu-se e fez com que as pessoas sentadas sentissem a necessidade de levantar. E levantaram, afinal quem contagia o público do jeito que o dançarino fez, merece mesmo aplauso de pé. Muitos rendem-se ao talento do menino. Inclusive os chapeiros e passageiros. Sempre que o menino sai com pais, virou moda, nem ele e nem os progenitores pagam. Ou alguém paga por toda família Machavane ou os cobradores concedem-lhes livre trânsito. O que o sucesso não faz? Kayane já uma estrela e tira o proveito disso.

Agora que o concurso terminou, a Dans’Artes oferece-lhe uma bolsa para tirar curso de dança na Matola.

Ainda na categoria de dança, outra concorrente que não quis sair despercebida da final foi Michael Jackson. Quer dizer, Alisha Francisco. A menina cm 12 anos de idade disputou a derradeira gala em casa, afinal frequenta a 6ª classe na EPC da Katembe. Diante da sua gente, a dançarina deu ritmo às músicas do astro no pop norte-americano. Estrondosa. Nos passos de dança e na indumentária.

Quem também não quis deixar de interpretar Michael Jackson foi Jorge Mbie. Ao som do seu violino, o instrumentista tocou e dançou. Talento absoluto. Por isso Maria Helena Pinto confessou em público amar o aluno que frequenta a 6ª classe na Willow International School, no sentido de o admirar. E admiração foi extensiva a Movitel. Ao aperceber-se que os votos não bastaram para o violinista ganhar, Ramos Sengo, daquela operadora, ofereceu o mesmo kit dos vitoriosos a Jorge. Mais três concorrentes à escolha da produção mereceram a mesma recompensa de acordo com Sengo.

Outra actuação bonita foi a de Shanikwa Boene. A vencedora da categoria instrumentos musicais inovou um tema religioso que tocou numa das galas. Entretanto, desta vez, acompanhada por quatro meninas coristas. O desempenho da pianista teve outro impacto e o público pôs-se a cantar de cor o tema popular. Deve ser também por isso que a aluna da escola Christian Academy, 9 anos de idade, venceu os favoritos da categoria: Jorge Mbie e Stefanny António.

Quanto à categoria de canto, não houve surpresas. Novamente, Bruna Morais foi incrível ao tocar um tema de Alícia Keys. Bruna não conseguiu ser primeira classificada nesta edição, mas deixou os créditos em mãos alheias como se tem dito. Sempre em inglês, em todas as galas desta edição, a aluna da Birlik International School, 7ª classe, 12 anos de idade, praticou a língua como quis e convenceu sempre.

 

Os segundos classificados

Além dos primeiros classificados, os segundos mais votados de cada categoria mereceram um reconhecimento nesta edição do concurso infantil. Eis a lista dos segundos classificados consoante as categorias. Teatro: Charlize Khan e Yunat Dengo; Poesia, Elisa Senguele; Dança, Naima e Nazira Tuahir; Canto, Bruna Morais; e Instrumentos musicais, Kiyone Sigaúque.

Os primeiros classificados desta edição do Mozkids Talents levam para casa um kit da Dstv com subscrição de um mês, um tablet da Movitel com internet válida por um ano. Os segundos classificados ficam com um kit da Gotv com subscrição de um mês, um tablet da movitel com internet válida por um ano.

 

Os convidados

Para que a última gala do Mozkids Talents fosse um bom momento descontraído, a realização do evento levou à Arena 3D alguns convidados. Entre eles, participantes da primeira edição do concurso infantil. São os casos de Tamyris Moiane. Acompanha nos coros por outras duas concorrentes de canto da edição inaugural, Melanie Macaringue e Juelma Moiana, Tamyries cantou um tema da sua autoria, “Casamentos prematuros”. A concorrente finalista do Mozkids do ano passado tem mais músicas, além da que cantou na Katembe, com os seguintes títulos: “Amizades verdadeiras” e “Voltei com ela” (uma versão da original de Matias Damásio). Como dançarinas da cantora formada neste concurso, estiveram as ex-concorrentes Isabel e Ayusca.

A vencedora da categoria de canto da primeira edição do Mozkids, Inalda Sumburane, também cantou na Arena 3D o seu tema sobre casamentos prematuros, produzido por Justino Ubakka. E a vencedora da categoria de Poesia de 2018, Natolys Manjate, declamou o poema “Xenofobia”, escrito por ela.

As Flindy Girls, dupla composta por duas filhas de Dama do Bling, Floizi e India, também foram convidadas à final. As irmãs interpretaram o tema infantil “Toca toca”. Antes actuou a mãe delas, Dama do Bling, que considera este concurso é o espaço certo para as crianças começarem a mostrar o seu talento ao mundo, num contexto em que faltam muito iniciativas como o Mozkids Talents. Já para Humberto Luís, que também actuou na final, Moçambique precisa do Mozkids porque expõe o talento das crianças, dando-as oportunidades de interacção.

 

A voz dos vencedores

Momentos depois de ter sido proclamada vencedora da categoria de dança, Ezaly Assura foi sincera ao dizer que acreditava na sua vitória. Ezaly tem 8 anos de idade, estuda na Birlik Internacional School, 3ª classe, e já aprendeu a fazer certas leituras: “ao longo das galas muitas vezes ocupei a primeira posição. Então percebi que as pessoas votavam muito em mim. Por isso já esperava  ganhar”, afirmou, confessando que, mesmo assim, sentiu muita pressão antes de a apresentadora Yara da Silva dizer o seu nome naquele derradeiro momento. Para Rindzela Novela, a vencedora de Canto, inicia agora um percurso que a deve levar a compor músicas para crianças: “Gostaria de trabalhar com outros cantores para conseguir realizar esse sonho, porque nós as crianças não temos músicas para nós no país”.

Os vencedores da categoria de teatro foram igualmente sinceros ao pronunciarem depois da premiação. Riaz e Wanda afirmaram que não esperavam ganhar. Na previsão da dupla, Nicole e Gina é que seriam as mais votadas. Foram eles, e, quando isso acontece, Riaz encheu-se de lágrimas no palco. Afinal homem chora em público? O pequeno actor não se importou com isso. Assumiu as emoções e lá libertou as lágrimas.

 

O orgulho da organização e dos parceiros

Balanço positivo. Estas palavras definem a satisfação quer da organização quer dos parceiros. “Estamos felizes por esta edição. Não é fácil produzir uma iniciativa destas com crianças. Conseguimos alcançar o objectivo de juntar famílias e entretê-las”, afirmou Jeremias Langa, COO da SOICO, realçando que a segunda edição do Mozkids Talents foi ainda melhor do que a inaugural. Agora, para haver a terceira edição, a organização necessita de parceiros e entidades que possam associarem-se a este evento que estimula as crianças.

Evitando fazer promessas, Juvenal Armazia, da Dstv e Gotv, expressou a sua satisfação pelo facto de o concurso ter-se afirmado com uma forte componente educacional. “O Mozkids conseguiu expor e desenvolver os talentos das crianças. Apreciamos muito a participação do público e a qualidade dos concorrentes”.

Para Movitel, associar-se ao Mozkids Talents foi uma necessidade que consistiu em acompanhar a cultura e o talento.
A segunda edição do Mozkids Talents chegou ao fim, os talentos já percorrem, reconhecidos, as ruas de Maputo.  
 
 

No próximo dia 5 do mês em curso, a Banda Hodi vai apresentar-se na Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, quando forem 19 horas.

Para o espectáculo, aquele grupo moçambicano preparou “Sizodivana MASX 20”, um concerto musical que vai levar ao Franco-Moçambicano uma diversidade rítmica em representação de quase todo país. Ritmos como Mandoa, Kete Kete, Nhambaro, Xigubo, Nsiripwite, Ngalanga, Mapiko e outros farão parte do repertório apresentado pela Banda Hodi.

De igual modo, “Sizodivana MASX 20” é uma mistura de várias expressões artístico-culturais desde a música à dança, passando pela poesia. O concerto contará com a participação do trio Irmãos Beirenses que vão trazer o ritmo e a dança Utse para abertura do evento.

A artista alemã, Doris Graf, vai inaugurar, amanhã, às 18h30, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo, a exposição «CityX» e «CityX – Eu, Maputo».  A obra estará patente naquele centro até  28 deste mês.  

A mesma artista, irá apresentar no Centro Cultural Moçambicano-Alemão o projecto artístico global «City X», o qual, desde 2011, já foi realizado em nove cidades da Europa e da Ásia Menor, bem como na América do Sul e América Central. O projecto visa, segundo a nota do CCMA, criar uma nova imagem de cada cidade em diálogo com a população urbana. A artista convida os cidadãos a fazerem desenhos, por meio dos quais a cidade será mostrada na perspectiva deles. Depois disso, as imagens coleccionadas, organizadas e analisadas por Doris Graf, são transformadas em imagens pictográficas, criadas a partir desses desenhos.

Ainda de acordo com a nota do CCMA, o incrível no decurso do projecto «CityX – Eu, Maputo» foi a disposição contagiante das pessoas em participar do trabalho. Em menos de duas semanas, Doris Graf pôde recolher acima de 800 desenhos. Este resultado deve-se parcialmete à vontade da população em expressar a sua visão da cidade, e sem dúvida, ao grande apoio organizacional dos parceiros do projecto em Moçambique: o Teatro Avenida e a sua Directora Manuela Soeiro, assim como Átila César, responsável pelas relações públicas no renomado teatro.

No Centro Cultural Moçambicano-Alemão serão apresentadas imagens pictográficas de desenhos escolhidos para diversas cidades «CityX» da respectiva população urbana. A esse conjunto pertencem projectos de cidades brasileiras como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador da Bahia.
 

No próximo dia 5 do mês em curso, a Banda Hodi vai apresentar-se na Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, quando forem 19 horas.

Para o espectáculo, aquele grupo moçambicano preparou “Sizodivana MASX 20”, um concerto musical que vai levar ao Franco-Moçambicano uma diversidade rítmica em representação de quase todo país. Ritmos como Mandoa, Kete Kete, Nhambaro, Xigubo, Nsiripwite, Ngalanga, Mapiko e outros farão parte do repertório apresentado pela Banda Hodi. 

De igual modo, “Sizodivana MASX 20” é uma mistura de várias expressões artístico-culturais desde a música à dança, passando pela poesia. O concerto contará com a participação do trio Irmãos Beirenses que vão trazer o ritmo e a dança Utse para abertura do evento.
 

Juvenal Bucuane viaja esta sexta-feira para Lilongwe. Na capital malawiana, o poeta e escritor co-fundador da Charrua vai receber, amanhã, o grau de Doutor Honoris Causa em Literatura e Filosofia, pela Cypress International Institute University daquele país da África Austral.

De acordo com Bucuane, a proposta para esta graduação foi suportada pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), com sede na capital portuguesa Lisboa, por indicação do respectivo Presidente, Delmar Maia Gonçalves.

Juvenal Bucuane vê na atribuição do título Doutor Honoris Causa um reconhecimento ao seu trabalho, pois a literatura é algo universal e não se pode confinar às fronteiras nacionais. “Lá fora os meus trabalhos são conhecidos. As pessoas da cultura, mesmo no estrangeiro, vêm o que estamos a fazer internamente em termos literários e culturais”.

Na óptica do poeta, a distinção de Cypress International Institute University é uma porta que se abre para poder contactar-se com o resto do mundo. “Na cerimónia estarão cidadãos de todos os continentes. Penso que assim passarei a contactar-me com mais fazedores de literatura e cultura. O gesto vai ajudar-me a mim e, consequentemente, ao país em geral, pois assim deixamos de ficar fechados dentro das nossas fronteiras”.   

Esta não será a primeira vez que Juvenal Bucuane será laureado este ano. Em Maio, o poeta recebeu, em Lisboa, o Galardão de Escritor do Ano 2019, pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora. Um mês depois, concretamente a 25 de Junho, o Estado moçambicano distinguiu o autor de Xefina com Medalha de Mérito Artes e Letras.

Ainda em Lilongwe, a Cypress International Institute University vai atribuir o grau de Professor Honorário em Estudos Militares e Estratégicos ao Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), Carlos Paradona Rufino Roque, que também é docente e General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique na Reserva. No seu caso, o reconhecimento deve-se, segundo entende, “a aquilo que dei e ainda vou dar ao país como General na Reserva, como pesquisador e como escritor. Este reconhecimento vai permitir-me encarar a vida com mais seriedade, dedicar-me mais à pesquisa e continuar com o meu compromisso de cultura”.

Por fim, outro artista moçambicano que será reconhecido com o título Doutor Honoris Causa, no Malawi, é Júlio Silva, como Juvenal Bucuane, por indicação do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.

 

 

Armando Artur será concedido o título Doutor honoris causa em filosofia da arte e literatura pela Cypress International Institute University. A cerimónia da distinção está marcada para dia 31, no Malawi, onde a Cypress University, com sede no Texas, Estados Unidos, tem a sua sucursal para África, Médio Oriente e Ásia. 

Para o professor José Carlos Tiago, da Universidade de Évora, segundo comunicado da Associação dos Escritores Moçambicanos, padrinho do poeta para esta atribuição, o senado da universidade Cypress baseou-se na dimensão estética e filosófica da obra poética de Armando Artur, para além da sua contribuição pessoal no campo das artes e cultura do continente africano.

Citado ainda pela nota da AEMO, Armando Artur afirma que é “uma grande honra e satisfação receber o grau de Doutor honoris causa por uma universidade cuja visão está intrinsecamente concatenada com os ideais da renascença africana e reconhece o papel da literatura nos processos de desenvolvimento do continente”.

O poeta Armando Artur, é membro fundador da associação pan-africana de escritores, foi Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, Vice-Presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa e Ministro da Cultura.

A cerimónia a realizar-se sábado servirá para a graduação de mais de quarenta personalidades de países como Moçambique, Malawi, Costa do Marfim, Egipto, Burquina Faso, Cabo Verde, Angola, Botswana, Togo, Camarões, França, Portugal, Brasil, Índia, Tailândia, Coreia do Sul, Chile e Rússia, no Bingu International Conference Centre, situado na capital malawiana Lilongwe.

 

 

Anualmente, realiza-se no país a Temporada de Música Clássica de Maputo – Xiquitsi. O evento da Associação Kulungwana já tem raízes bem firmes no chão, afinal segue na sexta edição. Este ano, pela primeira vez, a Temporada realizou um concerto em Nampula e em Cabo Delgado, numa tentativa de levar o ritmo clássico ou erudito a outras regiões moçambicanas.

Uma das artistas convidadas a participar na segunda série do Xiquitsi, que se realizou neste mês de Agosto, é Mariana Carrilho. Para a mezzo-soprano moçambicana, a Temporada de Música Clássica de Maputo é muito importante porque coloca Moçambique no mapa artístico africano e do mundo, uma vez que traz autores de vários países para, com os moçambicanos, apresentarem ao público propostas musicais de nível internacional.

Uma dessas propostas, destaca Mariana Carrilho, é a ópera Orfeu nos infernos. E, mais do que a peça em si, a mezzo-soprano realça a opção de se traduzir o original de Jaques Offembach para o português, pois, assim, muitos espectadores puderam entender a essência do espectáculo. “Em muitos casos, as óperas são apresentadas na língua original, que não é o português. Neste caso, o público não teria entendido Orfeu nos infernos como se pretendia sem tradução. Então, quando existem espectáculos como estes, que se preocupam em trazer a referência dos bairros e expressões locais, e com artistas nacionais, sim, contribuímos para que a Temporada de Música Clássica de Maputo coloque o país no mapa artístico do mundo por mostrar que somos capazes de realizar concertos de grande nível”.

Além disso, para Mariana Carrilho, o Xiquitsi está a mostrar que na arte não há fronteiras. Por isso mesmo, ao mesmo tempo que a Temporada está a situar-se ao nível de grandes concertos mundiais, afirma Carrilho, começa a ser relevante também pelo facto de agora estar a optar pela descentralização, levando concertos ao Norte.

Ao referir-se à qualidade dos alunos do Xiquitsi, Mariana Carrilho destaca a capacidade dramática dos moçambicanos, que assimilam as coisas com muita facilidade. “Temos muita qualidade vocal e de instrumentos, inclusive com consciência rítmica incrível. O que nos falta mesmo é apoio porque estudar arte é muito caro. A profissionalização da música no país depende de quanto maior número de projectos destes como o Xiquitsi tivermos”. Só depois disso, entende a artista cujo objectivo é passar a dedicar-se à música a tempo inteiro, é que os moçambicanos deixarão de ver a música como uma coisa à parte.

Mariana Carrilho é mezzo-soprano e artista visual. Iniciou os seus estudos musicais em 2014, depois de concluir a licenciatura em Belas Artes. Ano depois, participou na 2ª Temporada de Música Clássica de Maputo. Em 2017, participou do concerto “Classic Feminíssimo”, também em Maputo, celebrando a mulher na música clássica e na música moçambicana. Em 2018, concluiu com mérito o grau superior de Canto – Interpretação de Música Clássica sob a orientação de Carmen Bustamante, no Conservatório Superior do Liceu, em Barcelona. Actualmente, frequenta o Mestrado de Canto na mesma instituição. Como artista visual, participou em vários festivais de cinema, exposições colectivas e a solo, dos quais se destacam o Festival Dockanema (Moçambique), onde foi selecção oficial do prémio PLMJ de Vídeo Arte, e o Avanca Film Festival (Portugal), onde trabalhou com Mehdi Rahmani e Vasco Pimentel.

 

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