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De Pretória para Ceará. Este é o trajecto de Aldino Muianga nos próximos dias. Da capital sul-africana, o escritor segue viagem para, no Brasil, participar na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, evento a realizar-se de 16 a 25 deste mês, com o lema "As cidades e os livros".

Na bienal que harmoniza educação, cultura, conhecimento, economia e cidadania, segundo a organização, com a pretensão de contribuir para a reinvenção da vida por meio da palavra em suas múltiplas possibilidades, o escritor moçambicano vai lançar a versão brasileira de Asas quebradas, sob a chancela da editora Kapulana. Além de apresentar ao público brasileiro o romance já lançado em Moçambique pela Cavalo do Mar, Aldino Muianga estará no “Encontro de oralidade e escrita”, às 18h do dia 21 e 24, para falar de “A cidade africana e suas estórias”, sessão que, no primeiro dia, terá moderação de Andrea Muraro, e, no segundo, de Sueli Saraiva.

No dia 25, Muianga participará na “Oralidade, ancestralidade e mestres da cultura”, entre 13h30 e 16h, numa sessão subordinada ao tema “O corpo é um texto, a vida alegria (O corpo, arte, alegria e memórias)” e que terá moderação de Dane de Jade.

De acordo com Aldino Muianga, esta sua viagem à XIII Bienal Internacional do Ceará representa uma excelente oportunidade para a divulgação da sua obra e para interacção com outros escritores pertencentes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): “A minha participação naquele evento contribuirá, estou certo, para o alargamento do conhecimento sobre a Literatura que se produz em Moçambique em particular e seus autores”.

Aldino Muianga afirma que é uma grande honra ter sido seleccionado pela editora  Kapulana para a representar na Bienal deste ano no seio de um painel de escritores de prestígio internacional e com vasta experiência em literatura. “Desconheço quais foram os critérios, mas a minha alegria é manifesta”, proferiu o autor que deverá permanecer em Fortaleza, a capital do Estado de Ceará, por sete dias.

Muianga é autor da editora Kapulana do Brasil desde a publicação de O domador de burros e outros contos, em 2015. Um ano depois, publicou pela mesma editora A noiva de Kebera. Agora sai em livro com Asas quebradas, sempre na colecção Vozes da África, na qual integram títulos de tantos outros autores moçambicanos e angolanos, como Luís Bernardo Honwana, Luís Carlos Patraquim, Ungulani Ba Ka Khosa, Suleiman Cassamo, Lucílio Manjate, Lica Sebastião, Clemente Bata, Sónia Sultuane, Adelino Timóteo, João Paulo Borges Coelho, José Luandino Vieira, Ana Paula Tavares e Pepetela.

 

Na gala realizada há uma semana, os membros do júri foram deveras austeros. Por isso, das 36 apresentações apenas cinco conseguiram conquistar a pontuação máxima de 30 pontos. De acordo com Maria Helena Pinto, Dadivo José e Dudas Aled, na quarta gala, os concorrentes do maior concurso infantil de descoberta de talentos do país foram repetitivos. Logo, impunha-se que os pais e encarregados de educação ajudassem as crianças a reinventarem-se.

A recomendação e rigorosidade daqueles cujo poder de decisão influencia na permaneça dos concorrentes no Mozkids Talents em 70% pareceu que surtiu efeito. Na gala deste sábado, sempre realizada no Cine Scala, na baixa da cidade de Maputo, a maioria dos concorrentes apresentaram propostas diferentes das que têm levado ao palco habitualmente. Em geral, as crianças tiveram a preocupação de sair da sua zona de conforto e mostrar que são capazes de se apresentarem com outro tipo de propostas. Daí o júri e o público terem ficado várias vezes de boca aberta.

Quer do ponto de vista temático, quer do ponto de vista de performance, os concorrentes escolheram ser diferentes e impactantes. Assim sendo, ao contrário da quarta gala, na quinta mais crianças tiveram 30 pontos e uma vibrante salva de palmas. No primeiro caso, os concorrentes de poesia valorizaram o recém-acordo assinado entre o Governo e a Renamo, declamando paz, em nome da unidade e do bem-estar dos moçambicanos. E porque esse bem-estar depende muito da felicidade das crianças desamparadas, os pequenos actores dramatizaram a situação dos meninos de rua, retratando as causas deles abdicarem de um lar e escolherem as incertezas quotidianas, como que sugerindo mais atenção àquela realidade.

Se é verdade que o concurso iniciou com alguns concorrentes meio perdidos em termos do que lhes competia levar ao palco, na gala de sábado o cenário foi completamente diferente. Por exemplo, as crianças da categoria de dança valorizam mais o repertório cultural moçambicano. Uma das concorrentes que surpreendeu, nesse sentido, foi Erpídia Chiconela. A pequena bailarina quebrou qualquer preconceito que permite fazer do xigubo uma dança exclusivamente masculina. Ao seu ritmo, acompanhada por batuqueiros em palco, Erpídia surpreendeu a todos numa entrada triunfal que deixou toda gente petrificada. Resultado disso foram os 30 pontos arrancados entre sorrisos do júri.

Além do xigubo, a marrabenta teve razão de existir no palco nos passos da dupla Letícia e Tónia e também no dos Kayane Machavane. A reacção dos expectadores não poderia ser indiferente. Os pais e encarregados de educação apoiaram as crianças sem sequer preocuparem-se com o facto de o Mozkids Talents ser um concurso em que uns são apurados e outros eliminados. Na verdade, neste concurso da Stv, em parceria com a Dstv e Gotv, o público e os próprios concorrentes apenas lembram-se disso quando chega o momento da apresentadora Yara da Silva anunciar quem segue para a gala seguinte.

A propósito de gala seguinte, incapaz de eliminar qualquer concorrente na categoria instrumentos musicais, os membros do júri apuraram todos os quatro para sexta. Assim, os dois grandes favoritos a vencer esta categoria, Jorge Mbie e Stefanny António, têm a companhia de duas meninas, Kiyone Sigaúque e Shanikwa Boene. Para as suas actuações, os primeiros dois concorrentes foram ao continente americano buscar inspiração. Mbie tocou Michael Jackson no seu violino, enquanto António preferiu imortalizar Bob Marley.

Na categoria de canto as coisas não mudaram muito. Para gala seguinte seguem Rindzela Novela (igualmente a mais votada, e que na gala passada cantou Zaida Lhongo), Bruna Morais, Steffany Mulumbula, Maida Horácio, Sílvia Abdula, Cybell Duarte e Maria Tereza. Destas, tiveram pontuação máxima do júri Bruna Morais e Maida Horácio.

Na poesia, desta vez, o eliminado foi Tiago Luís, menino que já compõe seus próprios textos. Os apurados são Flórida Guambe (novamente a concorrente mais votada), Luísa Sambo, Carla Timbane, Shantel Macuvele, Michelle Taimo, Romena Zunguza (a que fez uma ode à mulher que lhe valeu 30 pontos) e Elisa Senguele.

Na dança, Ezaly Assura continua a liderar. A menina que teve 30 pontos do júri, este sábado, segue para sexta gala em primeiro lugar. Atrás dela estão a dupla Kayla Cristina e Kyara Manjate, as irmãs Naila e Nazira Tuahir, Erpídia Chiconela, Kayane Machavane, Alisha Francisco, Letícia e Tónia.

Na categoria de teatro, Riaz e Vanda, mesmo sem uma boa apresentação, novamente, passam para a fase seguinte em primeiro lugar. Com a dupla segue outra, a que maior produção já levou ao palco do Scala nesta edição: Charlise Khan e Yunat Dengo. Depois de muitas críticas recebidas há uma semana, as meninas mudaram tudo e levaram uma peça ousada ao Mozkids Talents, inclusive com um interessante jogo de luz. As meninas interpretaram a situação das crianças de rua e facilmente arrancaram 30 pontos do júri. A dupla Nicole Thayla e Gina Michavão também continua neste concurso. A lista dos apurados no teatro completa-se com os irmãos Tamyris e Toyvo Chiluvane, Dionísio Custódio e Jéssica Albino e Joaquina.

 

O artista brasileiro, Melvin Santhana, irá participar da primeira edição do Festival de Poesia e Artes Performativas (poetas d'alma), no Gil Vicente. O artista vai se apresentar ao palco do Gil Vicente neste sábado, num espectáculo que ele chama de “revolt'Africa”, que será marcado por música e poesia.

Este concerto acontece a pretexto da celebração do seu aniversário, mas a principal festa da noite é “o regresso do artista à África”. Aliás, é exactamente por isso que o concerto leva esse título.

Santhana, tal como outros artistas negros do Brasil, consideram-se africanos. E quando vem, como foi desta vez do festival, o sentimento não é de uma simples viagem mas do retorno às raízes e reencontro ao seu passado.

E não é um retorno físico, espiritual e psicologicamente Santhana revive África e a sua música é denunciadora desse imaginário do “berço da humanidade”. O artista celebra a africanidade em todas as suas criações, mesmo oscilando no funk, rap e samba.

“Manifesto neste concerto um amor que há pouco está desconhecido, interno e sucumbido. Hoje, revelou-se. Possui nome e um vasto apelido: Moçambique de moçambicanas e Moçambicanos das marrabentas, netas e netos de macuas, machopes, machanganas, ndaus e muitos ancestrais…”, disse Santhana numa saudação a Moçambique publicada no facebook do evento. Ainda no texto, Santhana saúda filhas e filhos de Samora e Josina, primas e primos que se apelidam Ivethianas e Azagaianos”. O artista termina a sua mensagem dizendo que “aqui descobri um verdadeiro Poeta d'alma” e compreendi o meu destino”.

O concerto está marcado para às 22h, neste sábado. A passagem de Santhana por Moçambique tem actuações no Museu Mafalala, Galeria Piriquito Arte (Polana Caniço), Associação dos Músicos Moçambicanos, Centro Cultural Franco-Moçambicano e Centro Cultural Moçambicano-Alemão.

Logo à noite, inicia a segunda série da sexta Temporada de Música Clássica de Maputo – Xiquitsi. No espectáculo de ópera que vai começar às 19h30, no Teatro Avenida, estarão 50 artistas, todos unidos numa causa: fazer desta série inesquecível.

Entre os 50 artistas que subirão ao palco do Avenida, na cidade de Maputo, encontra-se um dos melhores alunos do Xiquitsi, Estevão Chissano, que na ópera Orfeu nos infernos interpreta o papel de John Stys, personagem da nobreza e que vive das aparências. Letrado, Stys sabe usar as palavras para enganar a opinião, portanto, um ordinário.

John Stys, na verdade, é um empregado de Plutão, personagem que conduz Eurídice, mulher de Orfeu, para o inferno. Uma das tarefas de Stys é guardar a Eurídice, de modo que nenhum intruso a encontre.

Referindo-se ao texto de Jaques Offenbach, Estevão Chissano adianta que a peça é uma extensão daquilo que muitas vezes está contido nas pessoas. “No texto de Offenbach, o que na terra se proíbe, no inferno é permitido. Penso que esta peça é o quadro dos nossos desejos mais profundos”.

Segundo Chissano, nunca o coro do Xiquitsi sentiu-se tão pressionado durante a preparação de um espectáculo. Para o compositor, Orfeu nos infernos é uma obra tão exigente que os ensaios para peça começaram nos finais de Abril. O encenador da ópera, Paulo Lapa, reuniu-se com os alunos do Xiquitsi logo que terminou a primeira série da temporada deste ano. “Entretanto, há um mês começamos os ensaios intensivos para colocarmos as coisas com mais substância. E estamos a prender muitas coisas sobre encenação ou coreografia. E para nós é fundamental porque o artista deve estar pronto para estes desafios”, afirmou Chissano, quem entende que o compositor de Orfeu nos infernos tira o pano sobre o sagrado no texto, pois critica muito a divinização da própria divindade.

Ainda na percepção de Estevão Chissano, Orfeu nos infernos é uma mostra de que nunca se ama alguém acorrentado. “Isso não é amor, é dependência ou outra coisa. A Eurídice está à busca do amor, o que envolve liberdade. Nunca se ama sem liberdade. O amor é sinónimo de harmonia em quem ama e no seu meio circundante”.

Por fim, Chissano realçou que como aluno tem a sorte de estar a trabalhar com pessoas de alta qualidade no Xiquitsi. “Não estaríamos a levar a ópera ao palco se não tivéssemos qualidade. Os professores que trabalham connosco são uma espécie de inspiração porque trazem o melhor do mundo para o país. Espero que Moçambique também possa ter a capacidade de perceber que os artistas nacionais já se apresentam com protagonismo no estrangeiro”.

 

Nos dias 09 e 10 de Agosto, sexta-feira e sábado desta semana, às 19 horas o caro leitor é convidado a assistir às apresentações da versão moçambicana de “Incêndios”, texto de Wajdi Mouawad e encenação de Victor de Oliveira. Trata-se de um espectáculo de teatro inédito no país, uma proposta protagonizada por três gerações de actores moçambicanos, um elenco de “luxo” que dará vida as personagens dum dos mais conceituados e respeitados dramaturgos do nosso tempo.

Nascido em Moçambique e radicado em Paris, na França há mais de vinte anos Victor de Oliveira resolveu brindar a terra e o povo que o viu nascer com um espectáculo cujo enredo em muito dialoga com a nossa realidade, com a nossa história. Para além de ser actor e já ter trabalhado com alguns dos encenadores mais conceituados tal como Wajdi Mouawad ou Stanislas Nordey, Victor de Oliveira é também professor de teatro no Institut d’Etudes Théatrales da Universidade Sorbone-Nouvelle, Paris 3. Um artista de grande gabarito e com muito a partilhar. Tenho a sorte de ser o seu assistente de encenação.

Segue-se um pequeno apontamento sobre o texto de Wajdi Mouawad. Uma espécie de argumento do convite que dirigimos ao caro leitor.

 

Apontamentos sobre “Incêndios” de Wajdi Mouawad

A beleza do teatro reside na sua capacidade de falar da vida com o mesmo encanto e a mesma fatalidade tal como a sentimos. De repente a história que vemos desenrolar-se a nossa frente não diz respeito a personagens fictícias, inventadas pelo dramaturgo, mas na verdade é a nossa própria história diante dos nossos olhos, somos nós, nus, despidos de todo tipo de pudor, é a humanidade inteira exposta no palco da existência. E como se de morte se tratasse não há como escapar. Ninguém escapa a chama da verdade. Ninguém escapa a “Incêndios”, esta narrativa dramática em que Wajdi Mouawad fala-nos sobre as marcas indeléveis da guerra, mas também sobre a necessidade de conservarmos a esperança e o amor para podermos combater o ódio que cega os Homens.

Escrevo com a alma carbonizada, pois não pude escapar à flecha em chamas que nasce de cada palavra, de cada cena, de cada imagem, e de cada personagem deste perturbante texto de teatro, considerado uma das maiores e belas tragédias modernas/contemporânea. Não pude escapar. Impossível alhear-me de uma história que fala de mim, das vitórias e das derrotas do meu povo. Dos seus “carrascos e das suas vítimas”.

Nawal Marwan, a personagem central da peça, a rapariga que segue o conselho da sua avó Nazira e a aprende a ler, a escrever, a contar e a pensar para sair da miséria é o retrato mais profundo da importância da alfabetização, no sentido mais profundo do termo, do acesso à edução para que se derrube as muralhas da pobreza, em que vivem aprisionados milhares de moçambicanos. Quantos não têm acesso à uma escola? Quantas vidas condenados a miséria e ao ódio?

Nawal Marwal a mulher que vivencia as barbaridades da guerra, que é vitima dessa barbárie e que mesmo assim não se verga, ao meio a desgraça e desolação permanece fiel ao amor, ao perdão, o olhar “lúcido e decido” dessa personagem lembra a determinação da mulher moçambicana, tantas vezes mãe e chefe de família, tantas vezes batalhadora incansável, tantas vezes sustentáculo da nossa sociedade.

O poder do teatro traduz-se pela sua capacidade de nos fazer pensar profundamente na condição humana e plantar em nós a vontade e a crença de que é possível transformar a realidade. Não há como ficarmos indiferentes perante às chocantes revelações sobre a vida de Nawal que aos poucos, ao longo da peça, durante à busca dos seus filhos, Simão e Joana, o regresso às suas origens, às origens de tudo, do amor e do ódio que marcaram a vida dessa mulher, nos vai sendo revelando.

Tudo se passa como se alguém desfolhasse uma flor, pétala a pétala, um gesto belo e ao mesmo tempo doloroso. Talvez seja daí que resulta a poesia desta peça. A poesia de Wajdi Mouawad, a sua capacidade de falar de coisas tão perturbadoras de forma simples e bela, falar da morte como quem descreve a doçura de um beijo. Como tudo isso foi traduzido em espectáculo? Felizmente essa pertinente questão só terá resposta nos dias apresentações do espectáculo. O convite está feito. Até já!

 

Ficha técnica de “Incêndios”

Encenação: Victor de Oliveira. Texto: Wajdi Mouwad. Tradução: Mnuela Torres. Interpretação: Alberto Magassela, Ana Magaia, Bruno Huca, Eunice Mandlate, Eliot Alex, Horácio Guiamba, Josefina Massango, Rita Couto, Rogério Manjate, Suafaida Moyane. Assistência de encenação: Venâncio Calisto. Luz: Caldino Perema. Vídeo: David Aguacheiro. Música: Nandele Maguni. Figurinos: Isis Mbanga.

 

É já amanhã que Nelson Lineu apresenta aos leitores o seu segundo livro. A cerimónia de lançamento vai realizar-se no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na cidade de Maputo, a partir das 17h45.

Intitulado Asas de água, a nova proposta poética de Nelson Lineu é uma espécie de continuidade do que o autor escreveu no seu livro de estreia, Cada um em mim. No seu exercício, o poeta mostra-se sempre atento às particularidades do que lhe comove, primeiro, como leitor.

O novo livro de Nelson Lineu está dividido em três partes. A primeira é “os sinais do rio”, a qual sintetiza uma vontade antiga de o autor escrever um livro sobre o rio dos Bons Sinais e a Ilha de Moçambique. Esta é a parte do livro mais ligada à memória, à infância e à cidade. A segunda parte é “poema folha”. Nessas páginas, Lineu explora a dor, o sofrimento como algo indissociável da vida. E, por fim, a terceira é “a ave no canto”, parte movida pela paixão que o poeta tem pelo voo dos pássaros. Na última parte de Asas da água, os textos de Lineu dedicam-se mais a retratar a ternura, o amor e a beleza, dando um refinamento ao que se iniciou lá atrás com Cada um em mim. Para Gilberto Matusse, autor do prefácio de Asas da água, as três secções com 15 poemas cada em que se divide o livro estão ligadas pela sua fluidez e leveza.

Considerando as três partes, essencialmente, a pretensão de Nelson Lineu foi a de fazer combinações de coisas que aparentemente não têm relação, mas que combinadas fazem todo o sentido. Para o efeito, primeiro, o grande desafio foi o de ter de ler várias escolas poéticas, inclusive o tipo de poesia que não aprecia. Segundo, na composição dos textos deste livro com 75 páginas, Lineu quis conciliar os conhecimentos resultantes da sua formação filosófica com o que cabe na sua oficina de poeta.

Quanto à relação que se estabelece entre o livro de estreia e este segundo, Lineu adianta que na escrita de Cada um em mim deixou-se dominar pela necessidade de se voltar para o seu íntimo. Em Asas da água, o poeta espreitou pela janela de si mesmo. Logo, “este é o meu primeiro livro são o chão para os próximos dois títulos que virão”.

Asas da água levou dois anos e meio a ser produzido e, agora, sai sob a chancela da editora TPC. No Centro Cultural Brasil-Moçambique, o segundo livro de Nelson Lineu será apresentado pelo professor universitário Albino Macuácua.

Com elenco de actores bem conhecidos pelo público moçambicano, em 135 episódios, Segundo sol narra uma história de superação, entre a decência e a hipocrisia. Uma das protagonistas da história é Luzia (Giovanna Antonelli, para muitos que viram O clone, Jade), uma bela e batalhadora marisqueira que cuida sozinha dos filhos pequenos Ícaro (Thales Miranda/Chay Suede) e Manuela (Rafaela Brasil/Luisa Arraes). Corajosa e com um visível talento para a música, Luzia leva uma vida simples e feliz. Mas tudo muda quando ela apaixona-se por Beto Falcão (Emílio Dantas), um cantor de sucesso no passado, mas que ultimamente vê sua carreira entrar em decadência. Entre uma apresentação e outra para pagar as dívidas, Beto perde um vôo, mas ganha uma inusitada oportunidade quando um avião cai e ele é dado como morto.
Com a comoção nacional em torno de sua falsa morte, o cantor volta a ser ovacionado pelos fãs e vira uma lenda da música. Diante da possibilidade de se recuperar financeiramente, Beto é convencido por Karola (Deborah Secco), sua ex-namorada promoter, e por Remy (Vladimir Brichta), seu irmão mal caráter que mantém um caso secreto com a moça, a trocar de identidade para que todos continuem acreditando que Beto Falcão está morto. Decidido a isolar-se para proteger seu segredo, o cantor, agora se passando por Miguel, esconde-se na ilha de Boiporã.
 
É aí que Beto e Luzia começam a viver uma história de amor. Apaixonados, Luzia engravida e Beto resolve que está na hora de a contar sua verdadeira identidade, o que coloca em risco os planos de Karola e Remy. Com a ajuda da inescrupulosa cafetina Laureta (Adriana Esteves), que mantém uma complicada e ambivalente relação com Karola, a promoter chega à ilha para acabar com o romance dos dois. Ela engana Luzia ao afirmar que está esperando um filho de Beto e deixa a marisqueira sem rumo.
 
Vítima das armadilhas de Karola e Laureta, Luzia é obrigada a fugir do país com o amigo Groa (André Dias). Como se não bastasse o sofrimento de ter que abandonar Ícaro e Manuela, ela é levada a acreditar que seu filho com Beto nasceu morto. Desolado com o sumiço de Luzia, o cantor oficializa sua união com Karola para ficar perto do filho Valentim (Danilo Mesquita), sem saber que Luzia é a verdadeira mãe do menino.

Entretanto, a vida ainda haveria de reserva uma nova oportunidade para Luzia. Quase 20 anos depois, ela volta ao Brasil como a DJ Ariella, determinada a reunir sua família e reconstruir sua identidade. Aproximando-se primeiro de sua filha Manuela, que foi criada pela rica família Athayde, descobre que a moça desenvolveu problemas com vícios. Já Ícaro, sob a criação da tia Cacau (Fabíula Nascimento), se tornou um rapaz instável e rebelde. Trabalha para Laureta e vai dividir com Valentim o coração da garota de programa Rosa (Letícia Colin).

Quarta gala, mesmo compromisso: manter-se no maior concurso infantil do país de descobertas de talentos. Este foi o grande desafio dos 41 concorrentes que se apresentaram no palco do Cine Scala, na baixa da cidade de Maputo, na manhã de sábado. Daquele universo, apenas cinco, um de cada categoria, é que foram excluídos. Logo, 36 passaram para a fase seguinte.

Numa gala em que o júri mostrou-se austero do que qualquer outra, as grandes apresentações pertenceram a cinco crianças, nomeadamente, Maria Teresa Manjate, Maida Horácio, Stefanny António, Jorge Mbie e Romena Zunguza.

No primeiro caso, Maria Teresa Manjate, interpretou “Na bonga papa”, da autoria de Lourena Nhate. Com essa música, a menina que comoveu o auditório cumpriu dois propósitos, o de homenagear o pai por tudo o que tem feito por ela e, como consequência, adquirir a pontuação máxima. Também na categoria de canto, destacou-se Maida Horácio. Esta concorrente interpretou o tema “Meu advogado”, de Bruna Carla, e o Scala quase entrou em euforia. Afinada e livre de qualquer pressão, a terceira das oito concorrentes mais votada na categoria de canto arrancou aplausos desde o princípio ao fim da actuação. Por isso, consegui conquistar naturalmente os 30 pontos possíveis do júri.

À imagem dos concorrentes de canto, os da categoria de instrumentos musicais superaram-se e surpreenderam as expectativas dos três membros do júri, Maria Helena Pinto, Dadivo José e Dudas Aled, e do auditório em geral. Nesta categoria, o primeiro a destacar-se foi Stefanny António. O menino tocou uma música de Ray Charles no seu teclado como se fosse algo fácil. Resultado? 30 pontos e uma salva de palmas bem forte. A proeza repetiu-se quando Jorge Mbie, tocando Wazimbo no seu violino, apresentou-se no Scala mais uma vez destemido. “Eu preferi tocar ‘Nwahulwana’, de Wazimbo, porque é uma boa música e antiga. Quis dá-la uma nova vida”, disse o concorrente. Stefanny António e Jorge Mbie seguem para quinta gala com duas concorrentes: Kiyone Sigaúque e Shanikwa Boene.

A completar a lista das grandes actuações de sábado esteve a pequena Romena Zunguza. Desta vez, a concorrente de poesia declamou “Se me quiseres conhecer”, de Noémia de Sousa. E foi arrepiante. O poema longo, extraído do único livro da poetisa moçambicana, Sangue negro, pareceu curto. Com boa dicção, paixão e representação, Romena arrancou os 30 pontos do júri, e já é uma das candidatas a vencer o grande prémio na categoria de poesia. As outras candidatas são Flórida Guambe (a mais votada), Shantel Macuvele (segunda mais votada) na gala passada. Com as três poetisas, seguem em frente Elisa Senguele, Carla Timbane, Tiago Luís, Luísa Sambo e Michelle Taimo.

Além das cinco crianças, mereceram muitos aplausos na quarta gala do concurso infantil concorrentes como Bruna Sofia de Morais. Como é habitual até aqui, a menina interpretou o seu terceiro tema em língua inglesa. No caso, a escolha da concorrente de canto voltou a ser Adele. Atrás da Rindzela Novela, que continua a mais votada da categoria de canto, Bruna Morais é a que reuniu mais votos. Com as duas meninas, além de Maida Horácio, seguem para a quinta gala do Mozkids Talents Stefanny Mulumbula, Maria Teresa, Cybell Duarte, Sílvia Abdula e Ana Maura Matacane.

No teatro, Riaz e Vanda continuaram em alta na quarta gala. A dramatização da importância da escola valeu à dupla muitos elogios do júri. Riaz e Vanda seguem em frente como os mais votados da categoria de teatro. Também seguem para a quinta gala Nicole e Gina, Charlise Khan e Yunat Dengo, Jéssica Albino e Joaquina, Dionísio Custódio, Tamyris e Toyvo Chiluvane e Nadeen Domingos e Custódia.

Na categoria de dança, a manhã de sábado foi de Ezaly Assura. A pequena dançarina conseguiu ser a mais votada da quarta gala e promete preparar-se mais de modo a deixar o público estupefacto “e com cócegas na barriga”. Acompanham Ezaly a dupla Kayla Cristina e Kyara Manjate, Alisha Francisco, Erpídia Chiconela, Naima e Nazira Tuahir, Kayane Machavane, Letícia Alzira e Tónia e Alfredo Nhancupe.

 

 

Entre 9 e 16 deste mês, o Xiquitsi realiza a segunda série da sexta Temporada de Música Clássica de Maputo. Por isso, os artistas nacionais e estrangeiros já se encontram a ensaiar na capital do país, o palco que vai receber o espectáculo de abertura, ou seja, Orfeu nos infernos, de Jaques Offembach.

Na versão apresentada na Temporada de Música Clássica de Maputo, a ópera que será levada ao palco do Teatro Avenida às 19h30 de sexta-feira, vai durar hora e meia, devendo contar com actuação de 16 artistas (além do coro Xiquitsi).

Essencialmente, Orfeu nos infernos é uma história sobre Orfeu e Eurídice, casal que, estando farto um do outro, torna-se adúltero. No primeiro caso, Orfeu entrega-se às suas alunas, e, no segundo, Eurídice encanta-se com Aristeu. A partir daí, a história de amor promete ser trágica. Ao descobrir que a mulher lhe trai, Orfeu resolve matar o amante dela. E esta não fica inerte. Vai logo informar ao seu novo amor sobre os planos maquiavélicos do marido. A verdade é que Eurídice acaba morrendo depois de tomar um veneno, oferecido pelo amante.

Morta, vai cair no inferno. Aí Orfeu alegra-se com a morte da mulher. No entanto, a opinião pública exige que vá salvá-la. Orfeu vai ou não?

A partir das 19h30 da próxima sexta-feira, a pergunta acima será respondida numa apresentação que terá em palco Cecília Rodrigues (Eurídice). Com a premiada soprano portuguesa, vão actuar Paulo Lapa, tenor lírico e encenador que dividiu a sua formação entre Portugal e Estados Unidos de América; Tiago Matos, licenciado em Canto pela Universidade de Aveiro, que trabalhou com o pai de Cecília Rodrigues. Além dos três artistas com larga experiência, Orfeu nos infernos também contará com a participação dos alunos do Xiquitsi. Casos de Timóteo Bene Júnior (Orfeu), Márcia Massicame (Opinião pública), Cecília Mapanga (Diana), Herminda Sucena (Cupido), Mariana Carrilho (Vénus), Yara da Conceição Carvalho (Juno), Estevão Chissano (John Styx), Hilário Vasco Manhiça (Mercúrio), Anna Maria Marin (violino) e Kleyd Alfainho (viola d’arco).

Aberta sexta-feira, a programação desta série continua sábado, dia 10, com a Noite Clássica que irá iniciar às 19h30, na Casa Mafurra, na cidade da Matola.

No domingo, dia 11, às 16h, no Teatro Avenida, na cidade de Maputo, os artistas vão levar ao palco A ópera e os seus bastidores, na “Tarde para pais e filhos”.

Por fim, na sexta-feira, dia 16 deste mês, às 16h, a Sala Magna do Campus da UniLúrio, na cidade de Pemba, pela primeira vez, vai receber o Xiquitsi com o Concerto de descentralização.
O Xiquitsi é um projecto da Associação Kulungwana que iniciou em Março de 2013. O projecto tem Direcção-Geral de Henny Matos e Direcção-Artística de Kika Materula.

 

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