O País – A verdade como notícia

A notícia é avançada pelo Ministério da Cultura e Turismo. O cantor Azarias Anonas Samuel, conhecido por AZ Khinera, irá representar Moçambique na 12ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa 2020, de 23 a 30 de Outubro do ano em curso.

O evento vai acontecer em Macau e será transmitido em plataformas online, devido à pandemia.

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, recebeu o cantor na última sexta-feira, no seu gabinete de trabalho, para congratulá-lo pela oportunidade de levantar a bandeira de Moçambique fora de portas.

Para o artista AZ Khinera, avança a nota de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo, esta é uma oportunidade ímpar e agradece a todos que directa e indirectamente tudo fizeram para que o seu trabalho fosse conhecido e reconhecido dentro e fora do país. “É uma honra poder fazer parte de um evento de tamanha dimensão. É uma oportunidade única para divulgar o meu trabalho musical e tudo farei para corresponder às expectativas de todos e fazer soar alto o nome da minha Cidade, Província e do País em geral”, disse o artista de Cabo Delgado.

Ainda de acordo com a mesma fonte, Eldevina Materula enalteceu o trabalho do artista e este reconhecimento, comprometendo-se a apoiá-lo institucionalmente. “O Ministério tudo fará para que todos os artistas do Rovuma ao Maputo tenham as mesmas oportunidades e, quiçá, oportunidades semelhantes aos mundialmente renomados. O artista moçambicano tem potencial. Estou feliz por ter sido identificado um artista do Norte. Este facto mostra que há talento em todo o país e é missão do Governo, em parceria com outras entidades, explorar essas potencialidades e colocar os artistas além-fronteiras, elevando o nome do país. Todos os artistas gozam dos mesmos direitos e mesmas oportunidades”, afirmou a governante.

O Ministério da Cultura e Turismo realiza, a partir de amanhã até 11 deste mês, na Cidade de Maputo, a primeira fase das sessões de capacitação dos profissionais e fazedores de Arte e Cultura em matérias de gestão e marketing cultural.

Com efeito, serão ministrados temas relativos à gestão de projectos culturais, marketing digital de bens e serviços culturais, bem como a problemática da segurança social para a classe artística.

A segunda fase das capacitações terá lugar nas cidades da Beira e Nampula, devendo abranger um universo de 1011 profissionais, das mais variadas expressões artístico-culturais, em todo país.

A actividade enquadra-se na implementação do Programa Quinquenal do Governo (2020-2024), e responde às acções inscritas no Plano Económico e Social (PES) do presente ano. Para o efeito, estes instrumentos de governação sublinham a necessidade de melhorar e aprimorar, continuamente, as técnicas de produção, administração e gestão dos profissionais e fazedores das artes e cultura com vista a prospecção de novos negócios e mercados culturais e criativos, em contextos cada vez mais competitivos.

Fonte: Ministério da Cultura e Turismo

Mirna Biosse é estilista há quatro anos, no entanto, iniciou-se na costura há 14. Tem sonhos altos – se bem que isso se mede em altura. Um desses sonhos, e, se calhar, o mais ousado, é o de contribuir para o empoderamento da mulher através das suas colecções de roupa. Inspiração, foco, formação, inovação e visão de futuro são algumas palavras que não faltam no seu léxico. Enquanto caminha rumo à concretização dos seus projectos de vida, a estilista resume, nesta entrevista, a sua marca Miss Bi é representante de tudo o que quer alcançar na vida.

 

Mirna Biosse, o que é a moda para si?

Para mim, a moda é arte, que me permite expressar. Cada roupa manda uma mensagem e cria uma percepção na pessoa. Nós trabalhamos muito na concepção da roupa consoante o sentimento de quem a vai vestir, com prazer estético e o conforto que isso cria. Considero a roupa uma peça de arte sobretudo quando tem um conceito à volta.

 

Uma personagem da série televisivaWarrior nundiz qualquer coisa assim: “a roupa não define o que tu és, mas a forma como o mundo olha para ti”.   

Exactamente. E nós, especialistas que trabalhamos na área, é que conseguimos fazer essa tradução para as pessoas. Às vezes, é inconsciente quando alguém veste uma peça que transmite uma mensagem. Agora, no nosso caso, que estamos na área, prestamos mais atenção em pormenores como: tipo de corte, tipo de peça, de cor e no que tudo isso vai transmitir em termos de mensagem. Eu uso as roupas como a minha tinta de pintura. Obviamente, as roupas têm um objectivo.

 

O que é a sua marca Miss Bi, em termos de projecto?

É um percurso de ascensão… A Miss Bi é sobre a mulher que aspiro ser. Trata-se de uma mulher que estou a vestir para ter mais confiança, para se sentir mais bela. As minhas roupas vão sempre nessa direcção porque eu estou a empoderar as mulheres através da moda. A marca Miss Bi é representante de tudo o que quero alcançar na minha vida.

 

Como é que a inspiração funciona no seu caso?

O meu percurso começou quando dei por mim sem nenhuma inspiração. Quis-me inspirar em alguém, mas não encontrei ninguém. Não que não haja exemplos – existem muitas pessoas que admiro –, mas, no meu coração, apareceu uma imagem de mulher. Procurei à minha volta e não encontrei. Essa imagem ganhou vida quando um colega meu chamou-me Miss Bi. Aí eu senti essa inspiração. E essa mulher que procurava e não encontrava, percebi, era eu, num outro patamar, que não podia ser aquele dos 22 anos de idade que tinha na altura. Por incrível que pareça, o que estou a viver hoje, é reflexo da imagem que tive de mim já aos 22 anos de idade – agora tenho 28. Eu acredito muito na visualização, na fé e na ideia de que Deus é que nos dá os sonhos. Então, desde que vi aquela mulher, que era bonita, inteligente e capaz, comecei a trilhar um caminho para chegar a ela. Ou seja, comecei por me empoderar a mim mesma. Por isso, agora, o meu trabalho é empoderar as outras mulheres.

 

Este empoderamento da mulher, que se mistura com auto-estima, como pode contribuir para as suas pretensões como artista e como mulher?

Eu penso que é extremamente crucial, sobretudo actualmente, em Moçambique, uma mulher ser empoderada. Não vamos conseguir alcançar muito em termos de desenvolvimento do país sem as mulheres, que tanto fazem… Às vezes, por não se sentirem capazes e não conseguirem ver o seu valor, acabam por perder, ser exploradas ou em circunstâncias que, com amor próprio e com foco, alcançariam bons resultados. As mulheres que chegam a altos patamares são as que se sentem empoderadas, sabem reconhecer o seu valor e têm respeito por si próprias. Isso é crucial para qualquer mulher.

 

As suas peças de roupa têm muita exuberância. Isto coincide com a sua própria caracterização: “mulher de cor, paixão e de fogo”. O que está por detrás da exuberância nas suas peças?

A minha personalidade. As minhas roupas tentam buscar o que a mulher é interiormente, para que fique claro quem é a mulher em função do que ela veste. Eu gosto de misturar tudo: cores, padrões…

 

Essa mistura de tudo e de padrões faz-se com rupturas?

Os melhores trabalhos da minha vida foram com artistas, porque eles querem algo inovador, irreverente e uma das pessoas que adorei trabalhar com ele é o Picardo. Gosto de trabalhar com ele porque mantem a minha criatividade solta. Claro, não deixo de ficar atenta à personalidade e aos gostos dele. Gosto dessas rupturas e, no fim do dia, o que quero é que as pessoas se sentiam empoderadas, com foco nas mulheres.

 

Além da exuberância, as suas peças têm muita capulana, como calha em muitas estilistas moçambicanas…

Quando comecei, eu misturava capulana em tudo. Não gosto de usar apenas a capulana. Gosto de a juntar com outros tecidos, tentando modernizar. Até há quatro anos, altura em que me profissionalizei, eu estava na capulana. Agora, com o desenvolvimento e com o chegar dessa mulher que se chama Miss Bi, vejo que quero vestir mais a ela. Eu própria estou a aperceber-me que me estou a tornar mais executiva e formal na roupa. Em qualquer carreira o artista vai-se desenvolvendo com o percurso. Sinto que tenho menos capulana nas minhas peças, mas não vou deixar de a usar. O que realmente quero é modernizar a capulana para que Moçambique tenha um diferencial em relação a outros países. Tenho uma visão futurista em relação à capulana, uma visão 2050. Estou a trabalhar muito nisso.

 

Há duas semanas fiz esta pergunta à Henriqueta Macuácua, designer e que tem uma tese de mestrado sobre capulana. A ela coloquei a mesma pergunta que agora coloco a si: acha que a capulana é comercialmente viável ao nível internacional, no modelo usado pela moda moçambicana?

Vende muito bem. Vende mais do que o mercado moçambicano. Eu tenho uma colega estilista que, neste tempo de Estado de Emergência, teve uma redução enorme em termos de venda, porque vendia mais para estrangeiros [ela trabalha com capulana]. Eu acredito que fora valoriza-se mais a capulana do que cá.

 

Quais são os grandes mercados que a interessam?

O mercado que mais me interesse é o moçambicano. Eu quero fazer o meu trabalho todo cá. Eu acredito que, daqui para frente, irão surgir imensas oportunidades para sair. Mas, para mim, aqui em Moçambique há bom mercado, somos muitos e todos compramos roupas. Dois, temos muitas ideias de inspiração. O meu grande objectivo é Moçambique todo, e não apenas Maputo.

 

A sua colega estilista teve grande redução de venda neste(s) Estado(s) de Emergência(s). E no seu caso?

No meu caso, a minha carreira teve uma grande ascensão. Quando começou o Estado de Emergência, eu tive um imenso pânico. Fechei o meu atelier por um mês. Tive medo e fechei o meu negócio. Nesse período, estudei e li imenso, aprendi como se expande o negócio através das redes sociais e, principalmente, estudei o mercado. Por causa disso, quando voltei a reabrir, consegui aplicar tudo o que aprendi no confinamento, e estou a tirar proveito disso. Surgiram-me oportunidades de expandir o meu negócio.

 

E uma dessas oportunidades foi o Arte no Quintal. Como foi para si ter a oportunidade de expor o seu trabalho numa iniciativa do Ministério da Cultura e Turismo e da Galeria?

Neste tempo de Coronavírus, é importante estarmos muito relevantes. Expor trabalhos é o que toda gente quer para mantermos a nossa comunicação com o mercado. O Arte no Quintal dá-nos abrangência, que nos permite chegar ao maior número de pessoas possível. Com isso, temos mais probabilidades de trabalho. A minha experiência foi muito conjunta e permitiu-nos dar um show de moda que me permitiu demonstrar ao telespectador o que faço, como e porquê.

 

A moda não se faz sozinho. Como é trabalhar com modelos, fotógrafos e toda gente relevante na área em termos de pagamentos, subsídios e coisas de género?

É um desafio enorme no contexto em que vivemos em Moçambique. Eu recebo mensagens diárias de pessoas que querem ser modelos, mas, ao mesmo tempo, estou a gerir negócio. No país temos um longo caminho por percorrer. Precisamos de formação e as pessoas parece que não reconhecem que, até para ser modelo, é preciso ter formação. Não basta ser bonita, é muito mais do que isso. O nosso mercado não tem muito espaço para poder dar a remuneração devido às modelos. Não estou a dizer que ser modelo não serve no país. Temos potencial, mas falta conhecimento e visão às marcas e empresas, que não sabem usar as modelos. Agora, estou para abrir uma loja com uma amiga para usarmos modelos de uma forma diferente, que o nosso mercado não está usar. Assim, poderemos remunerar melhor a elas. E também iremos forma-las, para que saibam o que significa ser modelo.

 

Sei que na sua família há um alfaiate. Existe uma relação entre ele e as suas motivações como estilista?

Sim. O meu avô Biosse foi um grande alfaiate em Vilanculos, embora a minha família seja de Maxixe. E, por incrível que pareça, a minha avó materna era modista, em Morrumbene.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro Pai rico, pai pobre, de Robert Kiyosaki, e a música “Tsuketane”, de Kapa Dech.

 

Perfil

Mirna Biosse nasceu na cidade da Beira. Teve o seu primeiro desfile no Centro Cultural Moçambicano-Alemão, em 2018, com a colecção “Espontaneidade”. O segundo foi Maputo Fashion Show, edição Plus Size, no Núcleo de Arte, em Maputo. Expôs no Banco Absa, em parceria com o Moçambique Fashion Week 2020.

O escritor angolano, José Eduardo Agualusa, vai falar do seu livro mais recente, Os vivos e os outros, às 18 horas de hoje. A sessão literária marcada para Galeria do Porto de Maputo vai iniciar às 18 horas e terá o escritor Nelson Saúte na apresentação.

A sessão de logo à noite servirá para promover o livro de Agualusa, com direitos a assinatura de autógrafos. Para quem não conseguir deslocar-se à baixa da cidade de Maputo, até porque as entradas são limitadas, devido à prevenção da COVID-19, pode, igualmente, acompanhar a conversa sobre Os vivos e os outros através das páginas Facebook do Porto de Maputo, Galeria e do Ministério da Cultura e Turismo.

Segundo avança a sinopse do livro, o cenário de Os vivos e os outros “é o da beleza única e mágica da Ilha de Moçambique – onde decorre um festival literário que reúne três dezenas de escritores africanos que, na sequência de uma violentíssima tempestade no continente (e de um evento muito mais trágico, que só depois se revelará), permanecerão totalmente isolados durante sete dias. Mas a história leva-nos mais longe: a uma série de estranhos e misteriosos acontecimentos, que colocam em causa a fronteira entre realidade e ficção, passado e futuro, a vida e a morte, e inquietam os escritores e a população local”.

Além da conversa com José Eduardo Agualusa e Nelson Saúte, na Galeria poderá ser visita uma exposição de fotografias de Bruno Pedro, sobre a Ilha de Moçambique, cuja curadoria foi confiada ao autor de, claro, Os vivos e os outros.

Os artistas plásticos Amilton Macicame, Chaná de Sá e Sebastião Matsinhe inauguram, esta quarta-feira, a colectiva “Ventre Triangular”, na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), cidade de Maputo.

 

De acordo com a nota de imprensa sobre a mostra de artes plásticas, os motivos das telas que a compõem representam um mundo de histórias circundantes, reunindo formas, objectos e sujeitos insólitos. Assim, através de narrativas pictóricas, os três artistas conjugando acertadamente os elementos das suas obras, levam o público a visitar lugares que reflectem a sua aproximação ao meio ambiente, à busca de contacto com a terra onde nasceram e à expressão do seu povo.

A curadora da mostra, Yolanda Couto, explicou, segundo a nota de imprensa, que o título “Ventre Triangular” deve-se ao facto de se reunirem na colectiva três artistas que conviveram e trabalharam criativamente as suas obras, analisando os problemas da pintura. A colectiva reflecte três percursos cujo denominador comum dos artistas é terem nascido em Inhambane e apostarem na pintura como veículo da expressão do Ser.

“Inicialmente autodidata, Amilton Macicame, de espírito irreverente, manifestando liberdade, inventividade e ousadia, foi acarinhado e apoiado pelos dois artistas. Desenvolveu a técnica mista sob a tela, como atestam as obras ‘Operárias’, ‘Melodia Africana’ ou ‘Luar’. Macicame cria um simultâneo de imagens sobrepostas, onde se destaca a figura que emana no centro e que invade, de modo expansivo, a superfície pintada, desvendando situações imprevistas do quotidiano. Matsinhe, através das técnicas de acrílico sob a madeira e sob a tela, liberta-se do estabelecido através das formas abstractas que ganham relevo com cores vibrantes. A curadora observa que as imagens nas telas partem da realidade visível no quotidiano da existência, da vida. Chaná de Sá, recorrendo ao acrílico sob a tela e a técnica mista sob o papel, suaviza as suas imagens, retirando-lhes agressividade através do traço curvilíneo que utiliza com mestria, dando às suas obras um sentimento amoroso, que é, por vezes, sulcado de gestos provocatórios”, lê-se na nota de imprensa da FFLC.

“Ventre Triangular” estará aberta até dia 30, na galeria da Fundação Fernando Leite Couto.

Chegam boas notícias das terras frias europeias. Ivan Mazuze é Conselheiro Nacional do Fórum de Jazz Norueguês, uma organização de cariz artístico-cultural, que reúne a comunidade de jazz da Noruega e que trabalha na promoção do género musical e nas acções inerentes, segundo avança uma nota de imprensa.

O fórum em causa tem uma comissão artística, que é um órgão consultivo permanente da administração, em matéria de natureza artística, e é composto por cinco membros, dentre eles, claro… o conselheiro Ivan Mazuze.

Na nova missão, adianta a nota de imprensa, o saxofonista moçambicano tem em manga todos assuntos de natureza artística, designadamente produções, prémios e bolsas. A escolha do saxofonista surge com a necessidade de expor a diversidade e inclusão intelectual nas instituições culturais norueguesas, com base em competência literária, técnica e sua rica experiência enquanto músico, professor e investigador.

O novo Conselheiro Nacional de Jazz Norueguês quer, de forma concreta, contribuir para o estabelecimento de formas e condições para a inclusão de diversas expressões artísticas no género musical jazz, para o tornar rico.

O Fórum de Jazz Norueguês foi a primeira organização que Mazuze abraçou na sua chegada à Noruega. O organismo foi para Mazuze, uma fonte de apoio em termos de concessões para realização de vários projectos, incluindo turnês, discografia e estudos aprofundados nos últimos 10 anos. O saxofonista também recebeu dois méritos artísticos da mesma instituição em forma de concessão, 2015 e 2020, finaliza a nota de imprensa sobre a nomeação do artista.

A primeira edição do Templo D’Escritas – Festa Literária Internacional da Língua Portuguesa, com Amosse Mucavele como um dos curadores, irá decorrer de 8 de Setembro a 3 de Novembro, na plataforma virtual StreamYard e com transmissão no Facebook, YouTube e Instagram. O evento contará com a presença de mais de 20 escritores de 12 nacionalidades, entre eles Ungulani Ba Ka Khosa, Vera Duarte, Marco Lucchesi, José Luís Mendonça, Roberto Vecchi, Maria João Cantinho e  Murade Isaac Murargy.

 

O poeta Amosse Mucavele (juntamente com o brasileiro Nuno Rau) é curador da primeira edição do Templo D’Escritas. Este ano, o evento conta com a coordenação-geral do poeta e crítico literário angolano, Abreu Paxe, coadjuvado pela brasileira Amanda Vital, poeta e editora-adjunta da Revista Mallarmargens.

A primeira edição do Templo D’Escritas – Festa Literária Internacional da Língua Portuguesa arranca no dia 8 de Setembro, plataforma virtual StreamYard, espaço onde, durante dois meses, autores e público participarão em mais de 25 mesas em torno de diferentes temas, desde a língua portuguesa, cooperação, edição, mobilidade, tradução e divulgação literária.

Diálogos sobre o espaço da CPLP: circulação, silenciamentos e institucionalização de uma literatura de língua(s) Portuguesa(s) marca o primeiro debate, a 8 de Setembro, que reunirá no mesmo espaço de debate escritores como Lucílio Manjate (Moçambique), a crítica literária e professora da (UFPB) Vanessa Riambau Pinheiro, (Brasil), o poeta e crítico literário António Carlos Cortez, (Portugal), o poeta Lau Siqueira (Brasil) e o guineense Francisco Conduto Pina.

De acordo com a nota de imprensa sobre o evento, entre os moçambicanos marcarão presença, entre outros, o Prêmio BCI de Literatura 2020, Celso C. Cossa, o secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, Carlos Paradona, Eduardo Quive, Aurélio Furdela, Armando Artur, Sara Laisse, Marisa Mendon?a e Ana Mafalda Leite.

Ao todo, os dois meses de programação envolverão mais de 200 participantes directos, avança a nota, cinco mil visualizações, entre escritores, políticos, empresários, gestores culturais, críticos literários e pensadores. Segundo o curador brasileiro, o poeta Nuno Rau, “o Templo D’Escritas é um encontro grandioso que nos faça alcançar com vigor as margens que hoje vemos de alguma distância”, lê-se na nota de imprensa.

Por seu turno, o curador moçambicano, o poeta Amosse Mucavele, apontou a necessidade de se ampliar o olhar plural, de vários ângulos com diferentes perspectivas, perpassando uma multiplicidade de temas, lugares, estilos, abordagens culturais: “é um festival que tem por base o desdobramento das múltiplas fronteiras e geografias literárias, com a pretensão de tornar-se num encontro multidisciplinar dedicado à partilha de sonhos, questionamentos, que permitem cruzar idiossincrasias, identidades, ligando trajectos culturais e históricos, trazendo também novas dinâmicas à comunidade das inúmeras expressões portuguesas em geral”.

Este festival, diz a organização, é também a celebração da língua portuguesa e tem por objectivo o aperfeiçoamento do intercâmbio dos povos ligados à CPLP quer como parte integrante da formação humana e da vida social, quer como uma componente essencial no fomento do diálogo intercultural: “um projecto tão ambicioso e promissor no que a promoção da Língua Portuguesa diz respeito “, explicou o coordenador do Templo D’Escritas, Abreu Paxe em comunicado de imprensa.

Nesta primeira edição participam em grande escala escritores e instituições dos países da CPLP, como Angola, Portugal, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Brasil, Timor-Leste, Guiné-Bissau e Cabo Verde, “mas a organização pretende envolver a contribuição de autores, leitores, editores, dirigentes políticos e estudiosos das literaturas de língua portuguesa independentemente de serem parte do espaço geopolítico do espaço comunitário, cujos aportes têm se mostrado decisivos para melhor compreensão do contexto da comunidade e de suas produções culturais”, frisa Amanda Vital, confiante de que esta acção tão importante para o fomento dos cruzamentos literários internacionais de língua portuguesa, que, segundo a coordenadora-adjunta, permitirá ” oçar o idioma de muitas pátrias.

Nesta edição, também participam os escritores e intelectuais angolanos Ana Paula Tavares, Filipe Zau, Boaventura Cardoso, Lopito Feijoo, Ana Paula Tavares, David Capelenguela Secretário-geral da União dos Escritores Angolanos e Adriano Mixinge; de Cabo Verde, o antropólogo Manuel Brito Semedo, o pesquisador Hilárino da Luz e a escritora Natacha Magalhães; do Brasil, Selma Caetano, curadora do Prémio Oceanos, a agente literária Valéria Martins, a curadora do Flipoços, Gisele Correia Ferreira, o acadêmico Marco Lucchesi, presidente da Academia de Letras do Brasil, os críticos literários e estudiosos de literaturas africanas de língua portuguesa Ana Rita Santiago, Eliane Debus, Elisabeth Olegário e Ricardo Riso, os escritores Rogério Andrade Barbosa, Ricardo Ramos Filho,  o crítico literário argentino, Miguel Kolef, Noemi Alfieri, poeta, tradutora italiana, de Portugal, despontam os nomes da professora e estudiosa de literaturas africanas de língua portuguesa, Ana Maria Martinho, o poeta Luís Castro Mendes, consultor editorial, Jorge Reis Sá, o curador do Festival Livros a Oeste, João Morales, coordenador da conferência anual da Asia Pacific Writers and Translators Hélder Beja, editora do Buala Marta Lança, Tony Tcheka, Presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau, Wildiley Barroca de São Tomé e Príncipe, e o editor da Funda?ão Leite Couto, Celso Muianga.

A iniciativa é do Fórum + Cultura (Moçambique) e Revista Mallarmagens (Brasil), em parceria com a Vírgula Edições, Lavatsongo, com apoio do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e com mais de uma dezena de parceiros estratégicos, que farão a retransmissão dos debates nas suas páginas virtuais, a destacar:  Ministério da Cultura e Turismo, Revista Literatas, Jornal Gnose, Universidade Zambeze, UNESCO Moçambique, Ethale Publishing, Associação dos Escritores Moçambicanos, AEMO, Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa (Moçambique), Oasys Cultural, Revista Pessoa, Grupo Literalise – Universidade Federal de Santa Catarina, Prêmio Oceanos, Festival Literário Internacional de Poços de Caldas, Flipoços (Brasil), Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (Cabo Verde), Centro Nacional da Cultura, CNC, União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa, UCCLA,  Óbidos Vila Literária, PEN Clube Português, Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.. (Portugal), WORLD POETRY MOVEMENT, Festival Internacional de Poesía de Medellín e Revista Prometeo (Colômbia).

Em dois anos, Mudungaze vendeu 30 obras. Até aí, tudo bem. Ora, o que preocupa o artista é ter apenas um moçambicano na lista de compradores. 

 

Durante 15 anos, Hélder Silvano Manhique actuou como produtor artístico. Quando percebeu que poderia dar voos mais altos, saiu dos bastidores e assumiu-se como Mudungaze, lá vão três anos. Mais ou menos a essa altura, em Março de 2018, o artista expos a sua primeira mostra, intitulada Máscaras africanas no contexto urbano, na cidade de Maputo. Considera-se, por isso, um artista emergente, com longo percurso pela frente. Sem vaidades, vai aprendendo e assume-se feliz por ter muita gente que o ajuda nas suas actividades.

Ainda assim, há uma coisa que chama atenção ao artista da Polana Caniço, cidade de Maputo, o facto de apenas um moçambicano ter comprado uma obra sua: “Feliz ou infelizmente, Mia Couto, é o único moçambicano que já comprou uma obra minha. Eu já vendi mais de 30 obras em dois anos. Eu acho que isso é triste, mas também sei da situação que a gente vive em termos de prioridades. A arte não é pão, é um privilégio”.

Sendo que a arte é algo “não essencial”, entende Mudungaze, deve estar a haver no país um gap, ou seja, fosso, vazio, falha, sobre a relevância da indústria cultural e criativa. “Se nós não crescemos com o hábito artístico, em casa, não será aos 26 anos, mesmo com poder de compra, que iremos adquirir objectos de arte. As pessoas não compreendem, por exemplo, por que tirariam 50 mil meticais para comprar uma obra de Mudungaze e colocar na sala de casa”.

Para Mudungaze, o facto de apenas um moçambicano ter comprado uma obra sua, no universo de 30 obras vendidas, preocupa. Por isso, seguindo os ensinamentos transmitidos por David Abílio, na altura que ambos trabalharam juntos na Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), Mudungaze lançou-se num projecto de criar público para o futuro. “Na CNCD, a maior escola de artes que se pode ter em Moçambique, nós íamos às escolas primárias e levávamos crianças a iniciarem-se, por exemplo, num cinema ou num teatro. As crianças são aquelas pessoas que nós temos de educar agora. Eu tenho um projecto pessoal de criar uma vila artística em Marracuene. O projecto vai consistir em inserir crianças daquela zona num espaço artístico em geral, pois se não usarmos a arte como uma componente lúdica, continuaremos assim como estamos nos próximos 50 anos, apontando erros ao passado. Não vamos estar à espera que os milagres aconteçam, de tal forma que do nada o público compre as nossas obras. Por que compraria? Por amiguismo?”.

Através de exposições como O amor de Vuyazy ou Remédios de lua, Mudungaze, procura contar histórias, como forma de salvaguardar o que considera legado africano. “Não temos um grande legado em termos de escrita, mas nós passamos histórias de umas pessoas as outras.

Mudungaze, que foi convidado do programa Artes e Letras da Stv Notícias, sábado, nasceu a 24 Novembro 1980. Como artista, expôs a sua individual em 2017. Este ano, foi seleccionado e convidado para representar Moçambique na Expo Dubai 2020, pelo Ministério da Cultura e Turismo. Nestes três anos, tem participado em várias experiências artísticas no estrangeiro. Por exemplo, o Festival Internacional de Artes – Guimarães (Portugal), onde expôs em 2019 e Residência Artística no Centro de Investigação Artística – HANGAR, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. De 2011 a 2013, no African History Week – Noruega (Oslo), foi responsável técnico pela área de produção, vídeo e gestão de delegações e de artistas internacionais. No mesmo período, foi convidado a fazer parte do Nordic Black Theatre, que trabalha com o Teatro Nacional da Noruega, e fez parte da representação dramática “Destination África”. A sua especialidade é o ferro e o reaproveitamento de materiais, com atenção a questões relacionadas à mulher, à tradição e à preservação ecológica.

Mudungaze esteve na CNCD entre 2002 e 2011, onde trabalhou no Departamento de Documentação e Pesquisa, e foi responsável pelo Arquivo Audiovisual e Documentação das actuações dentro e fora de Moçambique. Ainda na CNCD, coordenou a logística inerente aos espectáculos.

Na arte, Mudungaze, que não se considera um artista plástico, mas elástico, encontrou uma forma de se expressar e de ser.

O actor Chadwick Boseman morreu ontem, vítima de cancro. Boseman tornou-se popular ao interpretar o papel de príncipe herdeiro no filma “Pantera negra”, no universo cinematográfico da Marvel.

Com apenas 43 anos de idade, Chadwick Boseman, que iniciou a carreira em 2003, foi diagnosticado com cancro de cólon há quatro anos, 2016, mas não falou da doença publicamente.

O actor nasceu na Carolina do Sul, formou-se na Howard University e teve pequenos papéis na televisão antes de sua primeira grande aparição em 2013.

Seu retrato impressionante do astro do beisebol, Jackie Robinson, ao lado de Harrison Ford, em 2013, no filme 42 chamou a atenção de Hollywood.

Curiosamente, Chadwick Boseman morreu no dia em que a liga principal de beisebol comemorava o dia de Jackie Robinson.

O actor, director e roteirista, tem no seu palmarés mais de 15 filmes fazendo papel de coadjuvante ou actor principal e o prémio de melhor elenco em cinema da Screen Actor Guild, arrebatado em 2019, interpretando aquele que é certamente o papel que muitos dos seus admiradores vão sentir saudades, o de King T’Chala.

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