O País – A verdade como notícia

A actriz Filomena Remígio faleceu segunda-feira, na cidade de Inhambane, vítima de doença.

Filomena Remígio foi a actriz principal do primeiro filme de ficção A herança da viúva, do realizador Sol de Carvalho, pelo qual ganhou um prémio de melhor actriz no festival da Linha da Frente e o prémio de representação no Festival de Vila Nova de Famalicão.

Ao longo do seu percurso no cinema, a actriz contracenou com Gigliola Zacara em O jardim do outro homem e foi também protagonista do filme Mabata Bata, onde contracenou com Horácio Guiamba, igualmente de Sol de Carvalho.

Recentemente, Sol de Carvalho, que era amigo de Filomena Remígio, trabalhou com a actriz numa filmagem no bairro onde residia, em Inhambane, num documentário sobre o ritual Kutchinga. “Foi incrível como ela conseguiu interpretar tão bem os personagens que representou em três línguas diferentes: xitswa, changana e português. Mantinha sempre grande disponibilidade e nunca deixou de se manter como uma pessoa humilde e trabalhadora. No set estava disponível para as repetições que fossem necessárias até que estivéssemos satisfeitos. Para quem nunca teve qualquer formação, nem académica, nem profissional, Remígio foi um exemplo”, lê-se a afirmação do realizador num comunicado sobre o falecimento da actriz.

Filomena Remígio participava num grupo de canto e dança da cidade de Inhambane.

Digitalizar o acervo da Biblioteca Nacional de Moçambique (BNM), reabilitar o edifício e expandir a rede de bibliotecas no país são os principais desafios arrolados pelo Director daquela instituição, João Fenhane, na visita efectuada pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, àquela instituição, num passado recente.

João Fenhane afirma que para efectivação da biblioteca virtual, a BNM vai recorrer a fundos e recursos externos. A intenção é equipar a biblioteca com tecnologia, e que sejam os recursos humanos internos a fazerem a digitalização e a gestão do acervo existente.

Relativamente ao património, o emblemático edifício da biblioteca, neste momento, carece de intervenções profundas e urgentes para travar a contínua degradação.

Fenhane garante que já se fez o levantamento das necessidades para, em conjunto (BNM e parceiros) buscar-se recursos para salvar e salvaguardar um dos grandes patrimónios existentes a nível nacional.

No que diz respeito à expansão de bibliotecas públicas distritais, o Director da BNM garantiu que o processo está em implementação. “Nós queríamos que em cada distrito existisse uma biblioteca pública distrital e que a posterior pudéssemos ter bibliotecas comunitárias, e atingíssemos os postos administrativos e localidades, porque o nosso país é vasto e este serviço de biblioteca é muito importante”.

Importa referenciar que uma das principais atribuições da Biblioteca Nacional de Moçambique é aquisição, tratamento, investigação, conservação, preservação e divulgação do património documental produzido no país, referente a Moçambique bem como o considerado de interesse para cultura e investigação moçambicana.

 

Fonte: Ministério da Cultura e Turismo.

 

A editora Trinta Zero Nove ofereceu, esta segunda-feira, livros e áudio-livros à Escola Especial Nº 1 (para surdos), na cidade de Maputo, à Associação de Cegos e Amblíobes de Moçambique (ACAMO), com sede na Beira, e à Escola Secundária Gwaza Muthini, no distrito de Marracuene. O acto inseriu-se nas celebrações do Dia da Língua de Sinais Moçambicana

 

“Que língua/ falaríamos/ sem ouvidos?// Será o paraíso/ um mundo onde/ eu oiço tudo?”. Estes versos foram extraídos de A perseverança, editado pela editora Trinta Zero Nove ano passado. O livro é da autoria de Raymond Antrobus, jovem poeta britânico surdo que diz poesia em língua de sinais e falada – aprendeu a falar com recurso a um aparelho auditivo.

A perseverança foi um dos livros oferecidos pela Trinta Zero Nove à Escola Especial Nº 1 (para surdos), à Associação de Cegos e Amblíobes de Moçambique (ACAMO) e à Escola Gwaza Muthini. A acção, na verdade, inseriu-se numa efeméride importante: Dia da Língua de Sinais Moçambicana, que se celebra a 28 de Setembro de cada ano.

Entre as 10 colecções de áudio-livro com capa em braile (a pensar nos cegos), seleccionadas pela editora, o livro mais oferecido a crianças e adultos surdos ou cegos e à Escola Gwaza Muthini foi A perseverança, poemas com elegias ao pai do autor, crítica ao mundo ouvinte e que aborda outras temáticas sobre a cultura e vivência s/Surda. Nada ao acaso. A proposta poética exala a mensagem de que a pessoa surda tem voz na sociedade e pode exprimir-se através da literatura. Além disso, a obra de poesia, na percepção de Sandra Tamele, editora e tradutora da Trinta Zero Nove, é relevante partilhar com os surdos, com os cegos e com os leitores em geral de modo que percebam quais foram as lutas inspiradoras travadas pelo autor.

Na Escola Especial Nº 1, o livro A perseverança será assimilado pelos professores que ouvem e lêem. Depois, caberá a eles traduzir o sentido dos textos poéticos aos alunos na língua de sinais moçambicana. Não podendo ler, os cegos podem ouvir os poemas através do áudio-livro. A convicção da Trita Zero Nove é clara: o teor dos poemas de Raymond Antrobus tanto é pertinente para as crianças surdas quanto para os pais, que poderão compreender melhor os seus próprios filhos. Quer isto dizer que, com a oferta dos livros, a Trinta Zero Nove pretende consciencializar os leitores em relação aos obstáculos de pessoas surdas. Formar crianças a partir da literatura, para que possam ser membros relevantes da sociedade, escrevendo ou não livros, é uma prioridade. “O que nós queremos é granjear novos leitores, com inclusão, de modo que possam ampliar a sua cultura geral”.

Além de A perseverança, de Raymond Antrobus, no Dia da Língua de Sinais Moçambicana a Trinta Zero Nove também ofereceu à Escola Especial Nº 1, à Associação de Cegos e Amblíobes de Moçambique (ACAMO) e à Escola Gwaza Muthini os livros Eu não tenho medo, romance de Niccolò Ammaniti, e No oco do mundo (colectânea de contos).

O pacote filantrópico da editora Trinta Zero Nove foi subscrito pela empresa de marketing digital, Digital Inspiration ( Dig It), representada nas acções de doação de livros pelo Director-Geral, Eric Vidal.

Raymond Antrobus

O poeta traduzido em primeira-mão pela Trinta Zero Nove é filho de mãe inglesa e pai jamaicano. Nasceu em Hackney, Londres, e foi um dos primeiros mestrados em Ensino de Língua Falada da Universidade Londrina Goldsmiths. É membro fundador do Fórum de Poetas da Keats House. Em 2008, recebeu o Prémio Geoffrey Dearmer da Sociedade Poética. Com A perseverança, ano passado, venceu o Prémio de Jovem Poeta do ano do Sunday Times.

A Kuvaninga Cartão d’Arte quer investir na promoção de livros dos seus autores. Por isso, a partir do próximo mês, a editora que produz livros com capas de cartão vai colocar em destaca obras dos seus autores durante um mês.

Para avançar com a iniciativa, a Kuvaninga escolheu As três mulheres de Malunga e A verruga de martelo, ambos livros da autoria de Ganhanguane Masseve.

Segundo uma nota da editora, a campanha que inicia dia 1 de Outubro vai contemplar promoções dos livros, conversas sobre o autor e sobre os livros, feira de livro e uma sessão de autógrafos com o autor, em datas a serem divulgadas oportunamente.

As três mulheres de Malunga é a vigésima segunda obra lançada pela editora, em Outubro de 2015, durante a primeira edição do Festival Literatas, decorrido na Machava-Sede, Município da Matola, na Província de Maputo. A mesma foi reeditada em Março de 2017 e, de acordo com Eduardo Quive, autor do prefácio citado pela editora, “Este livro que não creio que seja uma história de poligamia, encaixa-se numa literatura moçambicana que se pretende mais dinâmica. Aqui, Ganhanguane Masseve mostra-se um leitor de grandes contadores de histórias da sua terra e transformou-se em autor dos seus próprios conflitos”.

A verruga de martelo, lançada em Março de 2018, é uma colectânea de contos que faz a descrição de vários assuntos que apoquentam a nossa sociedade”, descreve Munib Faquir, para quem a proeza de Ganhanguane Masseve reside no facto do escritor ser um exímio contador de histórias.

Ganhanguane Masseve nasceu a 23 de Fevereiro de 1982, na Cidade de Maputo. É licenciado em Psicologia Educacional pela Universidade Pedagógica, onde foi Assistente nas cadeiras de “Planificação Curricular” e “Educação de Adultos”, e Assistente de Pesquisa em várias escolas da Cidade de Maputo. Foi estagiário no Centro de Reabilitação Psicológica Infanto-juvenil (HCM), e no Centro de Estudos Laborais da Biblioteca do Ministério da Educação, em Maputo, onde obteve maior contacto com a literatura moçambicana. Venceu a edição de 2012 do Prémio Literário do Banco de Moçambique, com o livro As três mulheres de Malunga, e o Prémio Literário as Línguas em Português do Instituto Camões, Pólo da Beira, em 2013, com No reino do asfalto. Foi Menção Honrosa com o livro A verruga de martelo, no Prémio Literário 10 de Novembro, em 2015. Foi Vice-Presidente do Movimento Literário Kuphaluxa. Actualmente, é docente de Psicologia e Pedagogia na Escola da Comunidade Mahometana.

 

O Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa (FBLP) procedeu à oferta de 1144 livros a bibliotecas da zona Sul do país. Entre as bibliotecas seleccionadas estão a Municipal da Vila da Manhiça, a Distrital de Magude, a Escola Secundária de Magude, na província de Maputo; a Distrital da Macia, Municipal de Xai-Xai, Provincial de Gaza, na província de Gaza; e a Distrital de Funhalouro, Municipal da Maxixe e Provincial de Inhambane, na província de Inhambane.

Igualmente, o Fundo Bibliográfico ofereceu livros à Associação Tindzila, de Inharrime, Inhambane, que tem realizado eventos de promoção e reflexão à volta da literatura moçambicana.

De acordo com o Fundo Bibliográfico, as referidas bibliotecas foram apoiadas por kits com uma média de 120 livros de temática diversa (literatura moçambicana e universal, literatura infanto-juvenil, nutrição, saúde, história, religião, dicionários, entre outros) provenientes de aquisições feitas pelo FBLP e de doações de parceiros, especialmente a Texto Editores, a Minerva Central e o Porto de Maputo.

As ofertas correspondem à primeira fase de apoios às bibliotecas. As fases seguintes cobrirão as Bibliotecas Públicas e algumas escolas das zonas Centro e Norte do país. Ao todo, o FBLP irá doar mais de 11 mil livros.

A doação às bibliotecas da zona Sul aconteceu cinco meses depois da interrupção de actividades de género, devido à COVID-19, que forçou a declaração do Estado de Emergência. A oferta do Fundo Bibliográfico insere-se na missão de garantir a disponibilidade do livro e incentivar o gosto pela leitura, através do projecto “Apoio às Bibliotecas”.

Carmen Maria é artista plástica e professora nesse ramo há muitos anos. Segundo entende, o currículo moçambicano deve ser revisto, para favorecer a revelação de potenciais artistas plásticos na sala de aula.

 

No dia 15 deste mês, o Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, inaugurou a exposição DEP – Desenho, Escultura e Pintura. Na colectiva de artes plásticas estão patentes trabalhos de vários autores, entre eles Carmen Maria. Referindo-se à mostra, a pintora, primeiro, confessou que se sente honrada por ter trabalhado com os artistas que integram a exposição, casos de Ídasse, Pekiwa, Bata ou Saranga. “Todos os trabalhos da exposição têm bons acabamentos”, afirmou.

Não obstante, ao falar da exposição com curadoria de Filipe Branquinho, Carmen Maria, que é professora, aproveitou defender o que deve acontecer para o país “descobrir” novos talentos nas artes plásticas. Segundo entende, o currículo secundário, especificamente, está longe disso. Por isso, sugere que o currículo deve passar por algumas revisões. “Por exemplo, o desenho da 10ª classe é muito rigoroso. Devia-se introduzir no currículo noções de pintura e dar-se a possibilidade de os alunos pintarem dentro da sala de aula. O desenho livre orientado é necessário porque os alunos se descontraem e podem experimentar a cor. Se isso acontecer, teremos mais descobertas de pintores. Não digo que o desenho rigoroso ou técnico não é importante, defendo que deve ser complementado”.

Talvez influenciada pela profissão de docente e pela experiência de trabalhar com crianças, enquanto o currículo não muda de modo a favorecer os pequenos artistas, Carmen Maria pinta a pensar nos petizes como público-alvo. “Quem compra as obras, normalmente, são os pais ou pessoas adultas, mas gosto da ideia de fazer com que as crianças se sintam representadas nas minhas telas”. Mas não é apenas isso. Para Carmen Maria, a arte funciona como terapia. É nas suas pinturas onde encontra a solução dos seus problemas ou, a partir das telas, afasta-se do que não a interessa. A arte também é um refúgio dos problemas incapaz de vencer. E… claro: “Para mim, a arte é representação da emoção. É difícil pintar sem ter um motivo ou uma razão”.

Em termos de estilo ou orientação, primeiro, Carmen Maria interessa-se em trabalhar o abstracto, tendo a natureza como um universo maravilhoso, fértil para a criatividade. A natureza é a sua fonte de inspiração. Por isso, nos seus trabalhos, é comum encontrarem-se elementos vegetais. Segundo, o grande interesse da artista plástica, num projecto, é criar obras com relação. Trabalha três ou mais obras em simultâneo. Não se foca no tema, mas no processo de trabalho. Quando uma obra dá problemas no meio, avança noutra e assim sucessivamente.

As obras de Carmen Maria, na colectiva DEP, no Franco-Moçambicano, podem ser visitadas até 30 de Outubro, entre 10 e 17h, de segunda a sexta-feira.

 

O perfil

Carmen Maria nasceu a 8 de Outubro de 1974, em Maputo. Concluiu o curso básico da Escola de Artes Visuais. Entre 1992 e 1997, concluiu a formação artística (ensino médio e superior) na Escola Nacional de Artes Plásticas, Havana, Cuba. Leccionou Pintura na Escola Lopes Penha, Cuba (1995/6), Gravura, Anatomia Artística e Desenho Analítico, na Escola de Artes Visuais (1997/8), na Escola-Galeria Eugénio Lemos e no Centro de Arte John Muafangaio. Orientou um Workshop de Colagrafia no Centro de Arte John Muafangaio, Namíbia, e participou na IV Trienal de Gravura no Japão (1999).

A sexta edição da Feira do Livro de Maputo, cujo tema é (re)pensar a criação literária em tempos da pandemia, vai decorrer entre os dias 22 e 24 de Outubro, reunindo autores, editores, jornalistas, investigadores e críticos de oito países. Nesta edição, a Feira organizada pelo Conselho Municipal de Maputo homenageia a escritora Paulina Chiziane.

Pelo sexto ano consecutivo, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo volta a acolher a Feira do Livro de Maputo, desta vez no espaço virtual, dada à vigência da pandemia da COVID-19, que grassa o mundo. Mesmo assim, no meio de tantas restrições, a literatura volta a estar no centro das atenções na cidade das acácias e no mundo simultaneamente.

Desde 2015 que a edilidade da capital moçambicana tem vindo a organizar a Feira do Livro de Maputo, com vista a celebrar e promover a literatura moçambicana e internacional nas suas variadas formas de actuação, ligando-a com outras áreas artísticas, que têm na literatura a fonte para sua execução, pretendendo promover mais e melhor acesso ao livro e ao gosto pela leitura no país.

A edição deste ano homenageia a escritora moçambicana Paulina Chiziane, pelos seus 30 anos de criação literária. A sessão de elogio a homenageada ficará a cargo do filósofo Dionísio Bahule, da editora e professora de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal Fluminense (Brasil), Iris Amâncio, Tânia Lima, professora do departamento de letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil), a actriz Ana Magaia, entre outros que já confirmaram presença no evento.

A estes juntam-se, como autores convidados da feira, os cabo-verdianos Danny Spínola e Eurídice Monteiro, os portugueses João Nuno Azambuja e Marília Miranda Lopes, os espanhóis, Esteve Bosch de Jaureguízar e Ana Manso,  os moçambicanos Armando Artur, Teresa Manjate, Eduardo Quive, Nelson Lineu, Jessemuce Cacinda, Ana Mafalda Leite e Sara Jona, os  brasileiros Ana Elisa Ribeiro, Regina Dalcastagnè, o guineense Tony Tcheka, entre outros.

Aliás, a edição deste ano, totalmente virtual, assenta numa frase da Paulina Chiziane, “Digo-vos, porém, que cada mundo tem a sua beleza”. E continua a apostar na forte presença de escritores e outros profissionais das letras nacionais e estrangeiros, num total de 16, como forma de alargar horizontes e apostar na internacionalização.

A coordenação da feira disse que mesmo sendo uma organização diferente, num ano atípico, que condiciona o uso das plataformas virtuais, a feira vai na linha do que tem defendido a política cultural da edilidade. A coordenação realça que se trata de um evento interessante e importante. “Fomos apanhados desprevenidos com a presente crise da pandemia da COVID-19 e estamos preocupados em produzir um certame de grande envergadura, cuja complexidade, chama-nos atenção à solidariedade e descoberta das potencialidades da comunicação online e quando a crise passar, estaremos a trilhar novos caminhos”, disse a nota do Conselho Municipal.

A nota do CMCM, porém, adverte: “A primeira edição online sempre traz muitas dúvidas e receios, mas também muita vontade de expandir o espaço da criação, com recurso ao digital no lugar do presencial e vai ser uma grande festa. O evento quer também identificar leituras e escritas em tempos de emergência, potencializar sonhos e utopias críticas ao novo normal, como forma de abrir portas para outros mundos, nomeadamente entre os escritores e leitores, privilegiando nesta sexta edição a produção de consciências literárias da crise, suas metamorfoses, incertezas e ambiguidades discursivas ao novo normal”.

O Conselho Municipal da Cidade de Maputo reconhece mesmo que, “como se trata de um problema global, toda a cadeia cultural encontra-se afectada, a literatura representa actos e formas de resistência nos momentos mais duros e dramáticos para a humanidade”. O presente tempo, aliás, sublinha, “tenta extrair conclusões desta última crise mundial, para depois projectar no futuro a dupla tarefa de descrever os efeitos da incerteza provocados pela pandemia e também de narrar as mudanças ocorridas na sociedade e olhar a literatura como uma modalidade de consciência social em tempos de crise”.

A feira será aberta oficialmente pelo Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche, e a professora de literatura brasileira da Universidade de Brasília, Regina Dalcastagnè, fará uma conferência de abertura sobre a temática: Literatura em Tempos de Crise.

Inscrever Maputo na agenda mundial como uma “cidade literária”, reconhecida internacionalmente, continua a ser um dos propósitos da organização. A par disso, a iniciativa pretende promover a reflexão e o debate sobre o tema: (re)pensar a criação literária em tempos da pandemia.

A coordenação da Feira apontou a mobilização de parceiros para a retransmissão das sessões o que aumentará em muito o alcance desta edição, com isso, o certame vai chegar a novos e outros públicos, mas mostrou-se convicta de que esta é uma iniciativa para continuar.

“A Feira do Livro de Maputo, nas edições futuras abraçará o formato virtual, mesmo com as sessões presenciais, não abandonará a transmissão online, é nosso desejo, atingir uma cifra de 7 mil visualizações por debate”, disse.

O evento, classificado pela organização como uma “descoberta cultural” trará novas linguagens, desafios, soluções e formas de fazer a feira e sobretudo como nos adaptar às novas circunstâncias, que englobam riscos e uma especificidade de promoção marcada pela universalidade, vitalidade, atemporalidade e reinvenção.

Nesse sentido, há uma expectativa muito forte na Feira virtual, desde a eliminação das distâncias, a procura permanente de contactos nas redes sociais e o diálogo intercultural assente nas fronteiras invisíveis.

Com a realização da primeira edição virtual da Feira do Livro de Maputo a organização espera conseguir, com a sexta edição, atingir 50 mil visualizações, com o objectivo principal de aumentar a procura da cidade de Maputo como destino turístico, a procura da literatura e autores moçambicanos em particular e estrangeiros no geral, pelos leitores de todo mundo .

Das mesas temáticas, com a participação de escritores, professores, investigadores e editores, perfilam temas como “Cartografias literárias, mobilidades virtuais e alteridades; “Dialécticas literárias em tempos de crise: que ideias para o futuro?”; e “Literatura e Resistência: Para uma história do possível”.

Fonte: Conselho Municipal de Maputo.

A Casa de Ferro passa, desde ontem, a acolher, com regularidade, manifestações artísticas. A novidade foi dada pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, aquando da inauguração da exposição de pintura e escultura dos estudantes do Instituto Superior de Artes e Cultura – ISArC, alusiva à semana do Turismo.

Esta exposição marca o início de uma nova utilidade da Casa de Ferro, que conjuga a Cultura e o Turismo no mesmo espaço.

Intervindo na cerimónia de inauguração, Eldevina Materula referiu que, doravante, o espaço passa a ser palco de divulgação de trabalhos dos fazedores das artes e da cultura.

“O apoio que damos aos artistas consiste em disponibilizar gratuitamente o espaço interior e exterior da Casa de Ferro, a fim de exporem os seus trabalhos. Pretendemos que a Casa de Ferro seja uma referência internacional e que chame atenção não somente pelo seu valor arquitectónico e patrimonial, mas sobretudo pelo conteúdo do que será exposto. Queremos que seja a casa de promoção das artes e da cultura, mas também a casa do turista, ou seja, o cartão-de-visita da capital e do País”.

Presente na cerimónia de inauguração, o Director do Instituto Superior das Artes e Cultura-ISArC, Filimone Meigos, afirmou que é uma boa oportunidade para se optimizar a centralidade das infra-estruturas e espaços turísticos na zona da baixa da cidade.

“Temos esta centralidade conjugada à intenção do Ministério da Cultura e Turismo, de juntar actos de cultura e turismo na Casa de Ferro. Eu acho isso bom e muito importante instituciolnamente, pelo facto de se ter começado pelo ISArC. Esta exposição estará patente por um mês e, depois, teremos outra exposição mais substancial. Nesse sentido é bom”.

A Casa de Ferro passa a estar aberta a todas manifestações artístico-culturais e a todos artistas moçambicanos e estrangeiros residentes em Moçambique, que queiram promover seus trabalhos e fazer intercâmbio.

O Ministério da Cultura e Turismo vai, brevemente, anunciar as plataformas e regras básicas para que os artistas possam ter acesso ao espaço.

 

Fonte: Ministério da Cultura Turismo

A editora Kuvaninga Cartão d’Arte tem motivos para sorrir. Com oito anos no exercício de edição de livros, a instituição começa a internacionalizar-se. Depois de publicar alguns livros de autores estrangeiros (portugueses e brasileiros), este mês, chegou a vez de levar livros de autores moçambicanos a feiras de livros no Brasil.

Assim, três exemplares de quatro obras literárias da Kuvaninga, designadamente, A verruga de martelo e As três mulheres de Malunga, contos de Ganhanguane Masseve; A vingança de Jesus Cristo, contos de Osvaldo das Neves; e Meu Reflexo, poesia de Mijoma, seguiram para o Brasil, inaugurando a internacionalização da editora que produz livros com capa de papelão reciclado. Na terra de Machado de Assis, os livros estarão expostos em feiras de livros que se realizam diferentes cidades brasileiras, graças a uma parceria com a Livraria Conhecimento de Moçambique e a Lusophone Books.

De acordo com a editora Kuvaninga, esta é uma oportunidade para se dar a conhecer no mercado livreiro brasileiro e, por essa via, dos PALOP. Deste modo, a editora moçambicana dirigida por Elcídio Bila espera conseguir expor os seus autores, que têm na Kuvaninga uma montra para chegar ao público de forma fácil e acessível.

“Segundo Elcídio Bila, Director-Geral da Tindziva e coordenador da Kuvaninga, a entrega de dois livros é aparentemente simbólica, mas de grande-valia para aquilo que são os anseios desta que é a única plataforma de edição e produção de livros artesanais no país, que consiste na internacionalização do projecto e dos seus autores. Aliás, de acordo com Bila, uma das acções que a pandemia da COVID-19 fez recuar para uma data incerta, foi a participação em feiras e festivais internacionais de livros de cartão, como é o caso de Lima, no Peru, que tinha sido marcado para Maio”, lê-se no comunicado da editora, que sublinha: “Já estávamos praticamente de malas prontas e à espera dos últimos detalhes para seguir viagem com uma bagagem que contempla o melhor dos mais de 25 títulos que a editora já publicou desde 2012, entre contos, drama, ensaios, poesia e livros infantis”.

A Kuvaninga cartão d’arte é uma plataforma que se dedica à edição e produção de livros com capas de cartão reaproveitado, conjugado com demais iniciativas artístico-sociais. Faz parte de um projecto de desenvolvimento de artes e preservação do meio ambiente desenvolvido pela Tindziva – Comunicação & Ideias. A editora foi criada a 10 de Maio de 2012, e dedica-se, entre outros, à edição e produção de livros, usando capas de cartão reaproveitado e demais utensílios para cobrir o miolo através de uma linha.

Durante esse período, na colecção Projecto-Escola, a editora já publicou seis títulos, entre poesia, contos, teatro de autores moçambicanos e fruto de oficinas de escritas em diferentes escolas primárias da Cidade de Maputo.

Trata-se de um processo que pretende, acima de tudo, estimular o hábito à leitura ao disponibilizar o livro a preço acessível e, quiçá, forjar futuros escritores, mas também transportar o livro a um novo público, que muitas vezes não tem condições de publicar, reduzir o lixo na via pública, através do reaproveitamento do papelão e retalhos de tecidos, cruzar a literatura com a pintura e com o artesanato, reduzir as diferenças sociais, pelo menos na aquisição do livro, e fazer com que se respeite cada vez mais o meio que nos rodeia.

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