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O País – A verdade como notícia

Foto: Daniel Toro

 

Entre os dias 18 e 21 realiza-se mais uma edição do Poetas d’Alma – Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas. O evento artístico e cultural terá lugar no Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA), seu principal palco, e Museu da Mafalala, na cidade de Maputo.

Entretanto, devido contexto de pandemia, os eventos serão realizados em formato presencial e virtual, onde toda a sua programação será transmitida através de plataformas digitais, nomeadamente o Facebook e o YouTube do Colectivo Poetas D´Alma e CCMA.

Assim, o primeiro dia do festival,18, além dos discursos de ocasião com os representantes do evento, do Governo, do Conselho Municipal de Maputo, Diplomatas e artistas e parceiros, está dedicado a performances presenciais com Tchaka e Nhochanefaizal (Moçambique), Alena Bravo (Cuba) e Yuru Yayungai (Brasil), bem como actuações virtuais com Beezae (Eswatini), Elisangela Rita (Angola) e Melvin Santhana (Brasil).

No dia, 19, que se dedica a apresentações virtuais, terá actuações de Tassiana, A Palhota, Deusa D’África e Jared Nota (Moçambique), Uwe Banton (Alemanha), Akua Naru (Estados Unidos da América), Raya Wumbui (Quénia); Nuno Piteira (Portugal), Thando Fuse (África do Sul), FAMMKÉR (Ilha da Reunião), Thata Alvés, Emerson Alcalde, SorryDrummer, Luan Charles e Bia Ferreira (Brasil), Paula Tanstud (Noruega), Hanwah (Inglaterra), Langa (eSwatini).

No dia seguinte, 20, as atenções estão viradas para o Museu Mafalala, onde irá decorrer “um encontro com as lendas” Cremilde Massingue, Ana Magaia e Paulina Chiziane e ainda a jornalista e apresentadora, Hermínia Machel, a pretexto da celebração da Consciência Negra no Brasil e, por isso, será igualmente exibido o documentário que dá título a efeméride, produzido pela TV Justiça do Brasil.

Esta edição do festival encerra dia 21, de volta ao CCMA, com video-perfomance de La Luna Compañía de Cuentos (Argentina); apresentação performativa da obra “A macaquinha de dois pés esquerdos”, de Flávia Changule; apresentação de dança contemporânea com a companhia InterDance; actuações de Mabjeca Tingana, Negro, Yuru Yayungai, Tchaka, Alena Bravo, Ivandro Sigaval, Guto d’Harculete, Azagaia, Orquestra Mukhambira, Jesse Jane, MozVinyl e o sul-africano Dattie Chapelli.

De acordo com a nota do CCMA, os eventos iniciam geralmente às 17h00 e arrastam-se pela noite, com excepção da festa de encerramento que irá juntar actividades infanto-juvenis e feiras durante a tarde no jardim do CCMA, a partir das 14h00, com todas as medidas de prevenção e combate à COVID-19 devidamente acauteladas de acordo com as recomendações das instituições competentes.

Ao todo, serão 40 artistas e colectivos de artistas provenientes de cerca de 14 países, nesta edição do festival.

 

O rapper Kloro vai apresentar ao público o seu mais recente trabalho discográfico, intitulado Revolução cultural. A sessão de apresentação e venda do CD está marcada para Museu Mafalala, na capital do país.

 

Em Novembro (12) comemora-se o Dia Mundial do Hip-Hop. Por isso, para Kloro, é uma boa coincidência lançar o seu álbum no próximo sábado, a partir das 10 horas, no Museu Mafalala, na cidade de Maputo. Até porque o Hip-Hop mudou a sua vida, a sua maneira de pensar, de agir perante a sociedade e de ver as coisas. “É uma honra, para mim, ser um fazedor de Hip-Hop”.

Na verdade, durante todo dia de sábado, Kloro estará num dos bairros históricos de Maputo a promover o seu segundo disco, Revolução cultural, totalmente produzido por Ellputo. Segundo adiantou o rapper, o seu novo trabalho é uma proposta de como podemos pensar a forma de estar na sociedade, para que possamos desenvolver a cultura. “E quando falo de cultura, não me refiro apenas à música, incluo comportamentos, economia… porque a cultura são os hábitos e é o que nós somos”. Assim sendo, “qual é a nossa proposta de pensamento para que possamos contribuir para o desenvolvimento humano? É essa questão base do álbum”.

Composto por 12 músicas, o álbum de Kloro foi pensado há um ano. Entretanto, ganhou estrutura e substância há seis meses. “Eu sou daquele tipo de pessoas que prefere fazer as coisas próximas da data do lançamento, porque o RAP é um estilo de música que deve estar sempre actualizado. Temos de falar das coisas que estão a acontecer agora e dar a nossa perspectiva. É verdade que há temas além disso, feitos há mais tempo”.

Para que a imaginação fluísse, Kloro preferiu focar-se nas ideias dos temas e no que chama musicalidade. A parte das instrumentais foi toda confiada ao talento de Ellputo, que o ajudou a garantir uma sonorização única. De acordo com Kloro, todas as músicas de Revolução cultural retratam o mesmo assunto, todavia de forma diversificada. “A mensagem de base é a mesma, sobre revolução, mudança e sobre que tipo de ser humano nós queremos construir em Moçambique nos próximos tempos”, afinal Hip-Hop é atitude, sempre com um toque de reivindicação, que deve chamar atenção e influenciar positivamente a sociedade.

Para Ellputo, igualmente há muitos anos no Hip-Hop e na música em geral, conceituado produtor por isso, trabalhar com o ex-integrante da Trio Fam e da Track Records foi uma experiência muito boa. “Além de Kloro ser um dos meus artistas favoritos, é família. A nossa comunicação é muito fácil. Em termos de visão, partilhamos a mesma. O que ele traz nas letras, eu trago nas instrumentais. E por ter tocado na banda dele, isso faz com eu saiba o que ele pretende transmitir às pessoas”.

Ellputo acredita que, se o público ouvir o álbum Revolução cultural, vai receber uma mensagem para toda a vida. “A mensagem que está neste álbum será relevante nos próximos 15 ou 20 anos e há quem só vai aperceber-se nessa altura. Se as pessoas darem-se tempo de entender o que está aqui ser dito, cada um de nós vai poder melhorar em 1% as nossas vidas. E se cada um de nós melhorar 1%, o país melhora e todos nós ganhamos”.

Em Revolução cultural Kloro conta com várias colaborações. Entre as quais Roberto Chitsondzo, Regina dos Santos, Walter Nascimento, Assa Matusse, Guto, Ubakka. As mil cópias do disco saem sob a chancela da IBS.

Mosquito, de João Nuno Pinto, foi distinguido pela crítica como Melhor Filme Internacional na Mostra de São Paulo, este mês. Para o cineasta português, o acto é importante para a cultura moçambicana, afinal a longa-metragem foi rodada em Nampula e Maputo, com vários actores nacionais.

 

Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no Brasil, Moçambique esteve muito bem representado. Actores como Josefina Massango, Ana Magaia, Mário Mabjaia, Aquirasse Nipita, Gigliola Zacara e Maria Clotilde lá foram, virtualmente, através da grande tela. E, com feito, a sua performance no Mosquito, do português João Nuno Pinto, ajudou a produção cinematográfica a ser reconhecida pela crítica Melhor Filme Internacional naquele evento brasileiro.

Na visão do realizador, a distinção de Mosquito é muito importante para a cultura moçambicana, pois, argumenta João Nuno Pinto: “em primeiro lugar, a identidade de um povo constrói-se através da sua cultura e através dos seus artistas. Se não tivermos arte e cultura, não temos identidade”. Além disso, em entrevista exclusiva a este jornal, o realizador realçou que seu filme é um exemplo do tipo de cinema que também se pode fazer aqui no país. “É importante mostrar um cinema de autor feito em Moçambique, com actores moçambicanos, que foram excepcionais nas rodagens. Até fico arrepiado, quando penso na experiência que tive trabalhando com os actores moçambicanos, que são, de facto, de uma generosidade e de um talento incrível e que merecem ter muito mais oportunidade e trabalho”.

O prémio Melhor Filme Internacional na Mostra de São Paulo é especial porque foi atribuído por uma certa intelectualidade do cinema, que vive do cinema e vive o cinema. Em São Paulo estiveram cerca de 200 filmes, e, para a crítica, Mosquito foi o melhor, o que coloca os holofotes mundiais no filme e, claro, nos actores moçambicano também.

A longa de João Nuno Pinto começou o ano abrindo o Festival Internacional de Roterdão, nos Países Baixos, para uma audiência de três mil pessoas. “Foi a primeira vez que um filme português abriu um festival desta importância. Entretanto, logo a seguir à sua estreia em sala, uma semana depois, em Portugal, os cinemas fecharam, não dando hipóteses para a careira do filme. Na verdade, esta situação universal forçou, inclusive, o cancelamento da estreia do filme em Moçambique, antes prevista para Abril deste ano. Portanto, num ano tão adverso para as artes, foi com enorme satisfação receber prémios em festivais internacionais para o realizador português, que sustenta: “quando o filme começa a ganhar prémios, isso é muito positivo porque foi feito para ser voz activa neste debate que se quer universal sobre o questionamento do que foi a colonização, a presença europeia em África e do que é a aceitação do próximo”, sem excluir uma reflexão sobre o racismo institucional. Para João Nuno Pinto, todas essas questões são universais e o filme quer fazer parte dessa discussão. E o facto de ganhar prémios chama mais atenção para que isso possa acontecer.

Partindo do questionamento de uma certa narrativa institucionalizada sobre a herança colonial, sobre questões relacionadas com o racismo, Mosquito vai lá atrás para romper hábitos. O filme é, segundo o realizador, o primeiro a falar do período 1917, em Moçambique, de uma forma que as pessoas não estão acostumadas.

Além de Moçambique e Portugal, Mosquito teve envolvimento da França e dos Estados Unidos.

 

SINOPSE

Zacarias, um jovem português de 17 anos, sonha em viver grandes aventuras. Por isso, ele se alista no Exército durante a Primeira Guerra Mundial. É enviado a Moçambique, com a missão de defender a colónia portuguesa da invasão alemã. Zacarias, porém, contrai malária e é deixado para trás quando seu pelotão segue para batalha. O rapaz não se dá por vencido e parte, sozinho, para alcançar o esquadrão. Ainda sofrendo os efeitos da enfermidade, ele passa a ter dificuldade em distinguir a realidade das alucinações que vem tendo. Em sua jornada, o garoto encontra — ou acredita encontrar — animais selvagens, desertores alemães e colonos perdidos. O roteiro de Mosquito é baseado na história real do avô de João Nuno Pinto, que foi um dos soldados mandados a Moçambique durante a guerra.

Adelino Timóteo proferiu a frase do título numa conversa (com este jornal) sobre o seu novo romance, O feiticeiro branco, hoje apresentado ao público sob a chancela da Alcance Editores.

 

Aos 14/ 15 anos de idade, Adelino Timóteo decide ser escritor. Entretanto, nessa altura, não julgava que teria tantos livros publicados. Hoje, o autor soma 19 títulos, entre romances, poesia e um conto infanto-juvenil, Na aldeia dos crocodilos, altamente recomendável no Brasil. Considerando o longo percurso trilhado até chegar aqui, 2020 é especial, afinal o escritor comemora 20 anos de carreira literária. Mas não há bolos nem coisas assim. Há livro, apresentado ao público hoje, num evento online.

Intitulado O feiticeiro branco, o novo romance de Adelino Timóteo retrata uma história sobre a memória de Gonçalo Mendes Ramirez, um fidalgo português que esteve na Zambézia, mais ou menos entre 1886 e 1890, especificamente num prazo que desenvolve actividade agrícola a grande escala. Timóteo considera essa vinda a África uma descida ao coração das selvas (num continente puro, virgem) e, simultaneamente, uma descida ao inferno, devido a tantas matanças no romance.

O feiticeiro branco é um romance histórico, e a personagem Gonçalo Mendes Ramirez é apropriada à leitura de Adelino Timóteo à obra de Eça de Queirós. Tendo percebido que o escritor português não investe em profundidade no desenrolar da história, no espaço africano, quando cá traz a personagem, Adelino Timóteo quis desenvolver o que Gonçalo Mendes Ramirez pode ter feito em África. Ao fazê-lo, escreveu um romance que coincide, em termos cronológicos, com o período de vida da protagonista Luiza da Cruz, no romance Os oitos maridos de dona Luiza Michaela da Cruz. “Achei interessante pôr estas duas personagens a encontrarem-se”.

Com o novo livro, escrito em Portugal entre 2014 e 2016, Adelino Timóteo pretendeu encerrar a trilogia sobre o Zambeze, que inclui ainda Os oitos maridos de dona Luiza Michaela da Cruz e O cemitério dos pássaros. Com efeito, O feiticeiro branco é um diálogo com Eça de Queirós, que, segundo Timóteo: “acho que Eça deve ser bem lido aqui, para se perceber como é que um intelectual português daquele tempo pensava”.

Adelino Timóteo decidiu escrever sobre a Zambézia por ser a parte mais antiga de Moçambique. “À medida que vamos para esse Moçambique, ficamos fascinados pelo universo fantástico e surrealista. Ficamos impressionados e é uma bênção entrar naquela atmosfera, com grandes donas e senhores. Escrevi a ver essas pessoas e tive desejos de ter vivido naquele tempo. A forma que encontrei de viver o tempo foi escrevendo os livros”. Ainda assim, o escritor encerrou a trilogia sobe aquele lugar mítico, pois “acho que agora tenho de encarar outros desafios. Sinto que, depois de três livros, já não tenho mais nada a dizer”.

Volvendo aos 20 anos de carreira, Adelino Timóteo lembra que foi um percurso nada pacífico. No princípio, muitas pessoas próximas disseram-lhe que escrever é um voto de pobreza, porque escrever não dá dinheiro. Não cedeu. E hoje, “não sou rico, mas vivo do que a escrita me dá. Não passo fome. Pelo contrário, sou uma pessoa feliz porque faço o que gosto”.

Adelino Timóteo contou que a disciplina foi determinante na sua carreira. “O jornalismo deu-me essa disciplina. O jornalista não tem medo de escrever e não tem rodeios sobre o que constitui a escrita, e o jornalista escreve todos os dias. Então, eu escrevi sempre sem preocupação com o que os outros escreveram ou deixaram de escrever. Sempre segui a minha disciplina”.

Agora, duas décadas depois, o que falta a Adelino Timóteo escrever? Como se tivesse resposta para tudo, o escritor rematou sem hesitar: “falta-me escrever mais uns cinco ou seis livros. Depois disso, acho que não terei mais nada. Cada vez que escrevo um livro, sinto que estou a fechar uma etapa”.

Nestes 20 anos de actividade literária, Timóteo vê um franco crescimento da literatura em Moçambique, em termos de quantidade, qualidade editorial e em termos de autores que estão aparecendo. “Acho que há algum tempo houve um pessimismo em relação à nossa literatura, que agora se confirma ser infeliz. É possível, mesmo fora de movimentos literários, termos escritores interessantes. Penso que, nos próximos 20 anos, a nossa literatura sairá do beco em que se encontra. Está ainda abafada, mas teremos uma literatura a circular mais pelo mundo, com autores moçambicanos a serem mais divulgados. Pouco a pouco, os elementos do romance em voga ao nível internacional vão esgotando, e penso que há uma grande fonte em Moçambique, que ainda não foi explorada. Temos muito material desconhecido. O Brasil já percebeu isso e está a fazer um grande trabalho de divulgação da nossa literatura. Prevejo um boom da nossa literatura em Portugal e no Brasil”.

Por fim, Adelino Timóteo disse que os autores nacionais não devem se limitar nas marcas simbólicas moçambicanas, mas pensar na literatura como um património do mundo. “A nossa literatura tem de dizer alguma coisa aos outros povos”.

 

 

 

 

 

Mr. Bow lançou, esta quinta-feira, na cidade de Maputo, o seu mais recente trabalho discográfico. Intitulado Story of my life, o disco é constituído por 18 músicas e conta com colaborações de artistas nacionais e estrangeiros. Durante o evento, o autor homenageou a mãe e o melhor mestre de sempre.

O relógio marcava 17h17 minutos quando Mr. Bow, de mãos dadas com a esposa e a filha, e na companhia da mãe, chegou ao Glória Hotel, local escolhido para o lançamento do álbum mais recente: Story of my life.

Meio encabulado, como se fosse o disco de estreia, Mr. Bow caminhou lentamente até chegar à sala onde por ele esperavam outros membros da família, amigos, colegas de trabalho e vários patrocinadores. Momentos depois, tomou a palavra e lembrou que o seu maior sonho sempre foi cantar. Desde tenra idade, ainda em Gaza, que Salvador Pedro sempre quis se comunicar com o mundo através da magia da música. Por isso perseguiu essa pretensão, procurando em todo lado uma oportunidade. Assim veio a Maputo e o resto é história, ao fim de tantos anos de dedicação.

Intervindo na cerimónia de lançamento de Story of my life, Bow explicou que, no novo álbum, tentou trazer uma nova versão dele próprio, sem abandonar o que construiu até aqui. Ou seja, o artista quis acrescentar mais alguma coisa à sua criação. E porque criar é mesmo o seu trabalho diário, Mr. Romantic anunciou no Glória Hotel ter criado um novo estilo musical, que, acredita, vai influenciar artistas de referência e o público moçambicano em geral, impondo-se nas pistas de dança. O nome do ritmo criado por fundador da Bowito Music, empreendedor, empresário e activista social, com efeito, é Django music.

Ora, logo no dia em que o álbum saiu, foram requisitadas 250 cópias do Story of my life, pela Global Health Moçambique. A representar a instituição esteve Humberto Costa, muito aplaudido depois de anunciar a boa nova. “As cópias vamos oferecer a familiares e aos clientes especiais.

Enquanto lançava o seu disco, Mr. Bow não se esqueceu daqueles que contribuíram e contribuem para o seu sucesso. Primeiro, a mãe, Roda Langa. O artista disse em público que a mãe foi determinante para que triunfasse na vida. Segundo afirmou, em casa pode ter faltado comida, mas não boa educação. Reagindo às palavras do filho, momentos depois, Roda Langa afirmou: “hoje eu sinto-me feliz, pelas realizações do meu filho. Na música que ele canta sobre a sua história, de facto, a história está feita. Outras pessoas olhavam-me como uma louca, devido à pobreza, enquanto eu criava os meus filhos. Hoje Deus respondeu às minhas preces. Os meus filhos trabalham e ajudam-me”.

Quem também manifestou a sua satisfação foi a esposa de Mr. Bow, que acompanhou todo o processo criativo do Story of my life. De acordo com Liloca, o álbum custou noites sem dormir. Tiveram um período de muito trabalho e de alguma tensão, porque questionavam-se se as pessoas iriam ou não gostar do produto final.

Além da mãe e da esposa, no lançamento do disco estiveram os irmãos e a filha, Valquíria Onésia, que disse: “eu estou feliz porque ele está feliz. O sonho dele concretizou-se, ele trabalhou duro para isso. Sinto-me feliz porque Jesus o abençoou”.

Assim como aconteceu com realizadores de vídeo-clips e cantores, Mr. Bow homenageou aquele que é, para si, o melhor mestre do mundo: Ta Basily. Assim, o mestre levou para casa um cheque no valor de 100 mil meticais: “fiz a minha parte e é bonito hoje ser reconhecido em público. Obrigado a todos por terem ajudado Mr. Bom a chegar aqui. Eu fico feliz todos os dias por ele ter alcançado o sucesso, porque o sucesso dele também me engrandece”.

Sytory of my life já está disponível para o público e saiu com cinco vídeo-clips promocionais.

 

Em 2005, Mauro Pinto expôs a individual Portos de convergência, na cidade de Maputo. Quem diria que passariam 15 anos até um dos mais consagrados fotógrafos moçambicanos voltar a expor uma individual no país? Nem o próprio fotógrafo acreditou que tivesse passado tanto tempo, afinal, regularmente, tem levado as suas obras a galerias estrangeiras.

Uma década e meia depois, Mauro Pinto inaugurou, esta quarta-feira, a série fotográfica Dá licença, na Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo. Bem dito, Moçambique é o quarto país que recebe a mostra aberta ao público pela primeira vez em 2012, em Portugal. No mesmo ano, Dá licença viajou ao Brasil. E porque Macau não quis ficar atrás, promoveu a mesma colecção de Mauro Pinto em 2018.

Finalmente, chegou a vez dos moçambicanos residentes no país poderem visitar uma individual muito diferente das várias exposições realizadas no país, em termos de cenário, de luz e ambiente em geral. Mas por que o fotógrafo precisou de oito anos para expor o Dá licença à sua gente? “Queria que fosse apresentada com dignidade e que fosse bem produzida, como foi o caso. Apresentei o projecto à Fundação Fernando Leite Couto, e aceitou apostar neste projecto”. Logo a seguir, o fotógrafo esclareceu, como que a justificar a sua exigência de qualidade, que o fez esperar tanto: “A fotografia não é um mero instrumento, como muitos pensam. A fotografia é das áreas mais completas de todas as áreas que eu conheço”.

Desta vez, a exposição de Mauro Pinto é constituída por oito fotografias, das quais duas inéditas. “Acho que os trabalhos nunca terminam. A serie é a mesma, e não está desligada do que sempre fiz e continuarei a fazer. Estou muito satisfeito”.

Além de Mauro Pinto, a curadoria de Dá licença inclui Yolanda Couto, quem entende que a exposição foi uma grande experiência, em termos de montagem, principalmente. “Foi uma aposta numa iluminação completamente diferente e uma transformação da galeria para receber esta exposição. Foi um trabalho intenso durante duas semanas. Houve dias em que as pessoas tiveram de trabalhar toda a noite”.

Segundo disse Yolanda Couto, o mais complexo foi conseguir o relacionamento da luz interior das imagens com a luz exterior, por causa da maneira como a individual foi colocada na parede. “O casamento tinha de ser perfeito. Quer dizer, não devia haver sombras e a luz da exposição não devia ser excessiva”.

Dá licença é, para Yolanda Couto, uma colecção que transpira o que se sente quando se entra no bairro Mafalala e nas suas casas. Ali está patente o sentimento das pessoas que vivem nas casas. “Mesmo sem gente nas imagens, sentimos as pessoas através dos objectos expostos. Cada casa transpira a personalidade do seu dono”.

A exposição de Mauro Pinto tem um texto de apresentação de Mia Couto, no qual o escritor realça: “Não existe gente mas há uma multidão que vive nestas imagens. Há vultos e vozes dentro e fora da casa de madeira e zinco. E sem que nada nem ninguém se mova, abre-se uma janela quando a luz murmura: dá licença”.

“Maputo cidade, como tu não há, com toda a vaidade … cidade surpresa, quem não te quer cantar? Se a tua beleza tem tudo para encantar… Maputo u xonguile demais, xilunguine quem te abraça não te larga mais…”. É apenas uma letra escrita pelo músico Hortêncio Langa, que, na noite de terça-feira, combinada à sua melodia, homenageou Maputo, pelo que é e pelos 133 anos.

Não foi só Langa que cantou para a cidade das acácias, mas vários músicos moçambicanos juntaram-se para, através de melodias, prestar homenagem à cidade que quem abraça não a larga mais….

A banda Alambique, Sheila Jesuíta, o agrupamento Gran’Mah e os músicos António Marcos e Mr. Bow, fizeram o show “diferente” sem público, mas cheio de vida, luz, cor e emoção.

Os artistas não só cantaram, mas aproveitaram o momento para chamar atenção sobre a situação da COVID-19, que assola a cidade dos maputenses, a mais afectada no país.

“Nós, cidadãos desta grande cidade, devemos ter muita cautela, temos que nos cuidar para evitar a propagação da COVID-19. Agora temos que festejar a cidade sem os seus cidadãos e isso me entristece”, apelou e lamentou Hortêncio Langa, músico acostumado a actuar para um público presente.

“Se cumprirmos com as medidas, daqui a pouco estaremos a fazer show’s grandes aqui à frente da praça. Sentiremos a vibração e o calor do público”.

O público não esteve lá para vibrar, mas os artistas tocaram e dançaram, transmitindo o calor através das telas da STV.

A vocalista da banda Gran’Mah, Regina dos Santos, não podia antes imaginar um espectáculo sem a presença do público. Na noite de terça-feira passou pelo que não queria, mas sublinhou que pior seria se não “celebrasse o dia da cidade sem música”.

A vocalista defende que o amor entre os moçambicanos e o povo de Maputo deve prevalecer, e que “unidos à distancia” possam acabar com a pandemia.

E como a cidade não escolhe quem acolhe, não só estiveram músicos nascidos, mas aqueles que vieram e nunca mais saíram, como o caso de Mr. Bow, nascido em Gaza, e que veio à cidade das acácias à procura de melhores condições de vida. Conseguiu e tem hoje em Maputo a sua casa.

E Por ter nela o seu aconchego, Bowito diz que a celebração da data não é apenas pelos 133 anos, mas também pelo que representa na vida dos maputenses e não só.

“Desejo igualmente que esta cidade continue a crescer, a trazer melhorias e mais coisas boas aos maputenses e não só, e que haja mais oportunidades para os cidadãos”.

A noite não foi só recheada de música, houve igualmente homenagem para quem muito fez pela cidade, o músico e guitarrista Moisés Mandlate, um dos compositores da música “Elisa gomara saia”, o único vivo hoje e com 100 anos de idade.

Segundo Isabel Macia, vereadora na autarquia de Maputo, Moisés Mandlate foi homenageado por ter projectado a cidade através da música na Orquestra Djambo, criada nos anos 50, com o objectivo de abrilhantar os eventos culturais do antigo Centro Associativo dos Negros, hoje Ntsindya, no Xipamanine.

“A acção de Mandlane no grupo Django, como um dos percursores, foi notável, pois foi com este grupo que a música tradicional moçambicana se urbanizou e passou a invadir os salões de festa das agremiações”, referiu a vereadora.

O músico foi laureado com a distinção mais importante: a medalha de excelência “Acácia Rubra”.

 

Último berro (30 minutos) e Começa a ficar tarde (13 minutos) são os títulos dos dois filmes de Ídio Chichava e Ivan Barros que serão exibidos no Festival de Dança Cena Contemporânea, em Brasília, capital brasileira. Já nas Ilhas Reunião, Chichava leva um solo e lá vai organizar workshops.

 

O coreógrafo e bailarino foi convidado a participar no Festival de Dança Cena Contemporânea. À capital brasileira, Brasília, no dia 9 de Dezembro, Ídio Chichava leva consigo o filme/ vídeo performance Último berro, realizado por Ivan Barros.

A ideia do filme surgiu no momento em que o artista estava em confinamento, em Maputo, numa fase que aproveitou para reflectir sobre a sua própria arte, questionando-se sobre o que é a dança para si e do que a sua dança pode ser em termos de intervenção no esquema social. Na verdade, no princípio, o que Chichava quis fazer foi uma sessão de fotografias, alicerçado ao tema Cabo Delgado, por causa do terrorismo que lá se enfrenta. Claro, não pelo lado político da coisa, e sim interessado-se na questão humana, colocando-se na pele dos que sofrem todos os dias. Raciocinando assim, surgiu então Último berro: corpo em Estado de Emergência, um título que traduz dois cenários: o Estado de Emergência decretado pelo Presidente da República, que aconselhava as pessoas a não irem à rua sem necessidade, e o Estado de Emergência em que os moçambicanos de Cabo Delgado são obrigados a abandonar as suas residências.

Convicto no que queria fazer, Ídio Chichava juntou-se ao realizador Ivan Barros para consolidarem o projecto fotográfico. Ao invés disso, ambos chegaram à conclusão de que um filme seria melhor. E assim foi. As gravações aconteceram e Último berro estreou recentemente no Festival Gala-Gala, na cidade de Maputo.

No Brasil, o filme de Ídio Chichava será apresentado durante a Semana da Consciência Negra. E, no mesmo programa, o artista vai apresentar outro filme seu: Começa a ficar tarde, gravado na Lixeira de Malhampsene, em Maputo, com pretensões de chamar atenção aos impactos do aquecimento global. “Para mim, esta é uma forma de mostrar que Moçambique não está quieto em relação à dinâmica criativa contemporânea no mundo. Passar estes filmes é uma forma de afirmar Moçambique como um país preocupado em contribuir na interacção e partilha cultural”.

 

Ilhas Reunião

Entre 17 de Novembro e 10 de Dezembro, Ídio Chichava vai participar no Ocean Indien Danse, nas Ilhas Reunião, cujo convite surgiu através do Festival KINANI. Um membro da organização esteve em Maputo e viu a sua peça Sentido único. Daí surgiu o convite, e, naquele país, o coreógrafo e bailarino vai apresentar um solo que faz alusão ao terror em Cabo Delgado. “A peça é uma mensagem aos corpos sofridos. Lá também vou apresentar Último berro, para mandar uma mensagem de socorro ao mundo. É a minha forma de contribuir, de fazer com que o mundo saiba o que está a acontecer em Cabo Delgado”.

Por fim, durante mais ou menos três semanas, “Ídio Chichava vai orientar workshops. “Estarei com escolas, desde primárias, secundárias e profissionais, durante o trabalho de consciencialização”.

 

 

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