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O País – A verdade como notícia

Filme de João Ribeiro venceu três prémios no Festival Brasil de Cinema Internacional: Melhor Longa-metragem, Melhor Figurino e Melhor Actor Co-adjuvante. O anúncio foi feito pela organização do evento terça-feira.

A longa-metragem de João Ribeiro, Avó Dezanove e o segredo do soviético, voltou a trazer prémios a Moçambique. Há dois dias, a obra cinematográfica conquistou três prémios na sétima edição do Festival Brasil de Cinema Internacional. Assim, a realização de João Ribeiro venceu os prémios de Melhor Longa-metragem, Melhor Figurino (Sara Machado) e Melhor Actor Co-adjuvante (Flávio Bouraqui).

Numa publicaçao feita na sua página Facebook, João Ribeiro voltou a lembrar, como sempre que ganha um prémio, que o cinema é uma arte colectiva. Por isso mesmo, afirmou: “fantástico receber estes reconhecimentos pelo trabalho feito por nós”.

A sétima edição do Festival Brasil de Cinema Internacional teve lugar na Cidade do Rio de Janeiro, entre 5 e 13 deste mês. Aquele evento cinematográfico tem como objectivo principal a difusão e a premiação da produção audiovisual mundial e o encontro dos profissionais e amantes do cinema,  possibilitando o intercâmbio entre produtores, distribuidores e exibidores, no intuito de promover a indústria cinematográfica, formar público e aproximar os realizadores do público formado.

Esta não é a primeira vez que o filme de João Ribeiro foi distinguido. Além do Brasil, Avó Dezanove e o segredo do soviético também foi laureado na Alemanha, em Cabo Verde e no Quénia.

Adaptado do romance do escritor angolano Ondjaki, o enredo de Avó Dezanove e o segredo do soviético passa-se numa cidade para além do tempo e da geografia, num bairro não identificado, que ganha assim contornos quase mitológicos. É aí que vive Jaki, o protagonista da história.

Os restos mortais de Hortêncio Langa foram a enterrar esta quarta-feira, no Cemitério de Michafutene, na Província de Maputo.

No princípio da carreira musical, entre os artistas com quem Hortêncio Langa tocou, na banda Gaizer, destaca-se Wazimbo. No entanto, houve outros instrumentistas que ajudaram a dar ritmo às composições daquele grupo. Um deles é Genito, nome artístico de Pedro Ribeiro. Nos anos 70, o guitarrista iniciou a partilha de sonhos, ideias e o que a música oferece com o autor da célebre música “Lirandzo”, do xichangana, amor em português. A amizade antiga nem a morte separou. Por isso, Genito fintou os labirintos da dor e, quando o pessoal do protocolo sanitário e da agência funerária preparava-se para retirar o caixão da Capela do Hospital Militar, Genito segurou na guitarra. Depois, apoiou um dos pés em uma cadeira, e, num improviso, com “lirandzo”, começou a interpretar alguns temas de Hortêncio Langa.

Por um instante, nos semblantes dos familiares, dos amigos e dos admiradores de Hortêncio Langa que estiveram no local do velório a consternação pareceu esfumar-se. À distância, sempre evitando-se aproximações, as pessoas ouviram o derradeiro “concerto” em homenagem a Hortêncio Langa.

Genito tocou e interpretou músicas conhecidas e pelo menos uma que, habitualmente, Hortêncio cantava em convívios com os amigos. Por exemplo, “África wa kuxonga”, antiga como os Gaizer. Poucos minutos depois de se colocar a cantar, a Genito juntaram-se Wazimbo e Elvira Viegas. O trio interpretou, sempre em improviso, mais ou menos três temas e, assim, no velório do artista multifacetado não faltou toque de arte.

ELOGIOS FÚNEBRES

“Pai, por esta não esperávamos”. A mensagem dos filhos de Hortêncio Langa, confiada à Xixel Langa, começou assim… Na Capela do Hospital Militar, a cantora explicou que de tanto que foram surpreendidos pela doença do pai, ficaram sem saber o que fazer para o ajudar. Os filhos lembram Hortêncio Langa como uma pessoa quieta, calma, que, às vezes, sofria calado para não perturbar os outros. “No mesmo dia falamos de ti, os resultados clínicos eram muito optimistas. Até que, de repente, deixaste-te ir. E estamos ainda no de repente. O teu sorriso, o teu olhar, e a tua voz, vão ficar para sempre nos nossos pensamentos e nos corações”, afinal, lembrou Xixel, os artistas nunca morrem. “Estamos aqui e daqui sairão outros Hortêncio Langa. Vamos continuar com teu legado”.

Pela família, Hortêncio Langa é lembrado como uma bênção. A condizer com esta perspectiva, o representante da Associação dos Músicos Moçambicanos afirmou, durante o elogio fúnebre, que Deus recebe no seu reino um bom filho, “um homem que nos alegrou e que continuará a alegrar muitas gerações”.

Já a representar o Governo, esteve Fredson Bacar. Para o Vice-Ministro da Cultura e Turismo, Hortêncio Langa é uma referência incontornável, que soube servir a cultura moçambicana.

Depois do velório no Hospital Militar, o cortejo fúnebre seguiu para o Cemitério de Michafutene, onde Hortêncio Langa terá o eterno descanso.

Os restos mortais de Hortêncio Langa vão a enterrar esta quarta-feira, no Cemitério de Michafutene, em Maputo. O funeral será antecedido de velório na Capela do Hospital Militar.

Às 9 horas desta quarta-feira, na Capela do Hospital Militar, na Cidade de Maputo, familiares e pessoas próximas irão despedir-se de Hortêncio Langa. Devido às restrições impostas pelo Coronavírus, poucos poderão estar no velório do artista multifacetado.

Duas horas depois do velório, às 11 horas, Hortêncio Langa irá descansar no Cemitério de Michafutene, na Província de Maputo.

O músico, compositor, artista plástico e escritor faleceu esta segunda-feira, vítima de doença, e deixa para trás uma vida intensa dedicada à música e às artes em geral. Por isso mesmo, os seus amigos e colegas de sempre, com efeito, defendem a necessidade de se estudar a vastidão da obra do autor do livro Magoda. E não basta estudar. Para Elvira Viegas, por exemplo, é fundamental que se salvaguarde e divulgue o trabalho realizado por Hortêncio Langa a vários níveis, de modo que as actuais e as futuras gerações tenham onde entrar em contacto com o legado do artista. “Espero que o ARPAC faça o levantamento de todo o manancial de Hortêncio Langa e guarde em um lugar onde nós, os mais novos, os nossos filhos e os nossos netos possam ir consultar”.

Dito isso, Elvira Viegas lembrou que trabalhou 17 anos com Hortêncio Langa, no secretariado da Associação dos Músicos Moçambicanos. Quando pensa no amigo que perdeu, a cantora vê um homem ponderado, comunicativo, que sabia partilhar o seu conhecimento com os outros e que soube ser bom pai mesmo quando as adversidades da vida atingiram a sua família.

Elvira Viegas partilhou o palco com Hortêncio Langa várias vezes. Inclusive, lembra-se de uma digressão que juntos fizeram pela Finlândia. “Ele foi um homem espectacular e tudo o que nos deixou vai ficar para sempre”, afirmou artista, lamentando a partida de Hortêncio Langa quando o projecto que dirige, Casa do Artista Kutenga, se preparava para o homenagear.

Um dos velhos amigos de Hortêncio Langa é Wazimbo. Ambos conheceram-se no Chibuto, Província de Gaza, ainda imberbes. Concretamente, conheceram-se na escola primária. O serviço militar obrigatório separou-os por algum tempo, porém a música foi mais forte e voltaram a encontrar-se. Aliás, ainda jovens, Langa e Wazimbo criaram a banda Rebeldes do Ritmo. Quase 60 anos depois, a admiração pelo artista permanece. Daí Wazimbo recomendar que se siga os ensinamentos deixados pelo amigo que acaba de perder. “As gerações vindouras devem continuar com o trabalho iniciado pelo Hortêncio. Devem pegar nos ensinamentos que o Hortêncio nos deixa e aprenderem o melhor que há desses ensinamentos”.

Quando partiu para estudar em Lourenço Marques, Hortêncio Langa continuou a fazer muitos amigos. Um deles é Joel Libombo, igualmente colega nos TP50. Ambos conheceram-se no bairro Chamanculo, na Cidade de Maputo, lá vão 50 anos. Libombo lembra-se do seu amigo como uma pessoa especial – “O Hortêncio tinha características próprias. Era uma pessoa sincera, afável, capaz de dar tudo do seu para ver o problema do amigo resolvido. Acima de tudo, o Hortêncio era sábio e é raro encontrar pessoas assim. Se há alguém que, entre a nossa geração criou uma viragem no nosso universo musical, terá sido Hortêncio, terá sido o Jaimito. O Hortêncio ouvia aspectos sociais e transferia-os ou para tela ou para música. E mais, marcou uma era”.

Hortêncio Langa partiu numa altura em que, com os seus amigos e colegas, trabalhava na criação do portal da música moçambicana, que deverá funcionar como museu da música nacional. Não terminou esse projecto. Entretanto, Roberto Chitsondzo reconhece-lhe o mérito na evolução da banda Ghorwane. “Nós reuníamo-nos em casa de Hortêncio Langa, antes de passarmos para o Sindicato dos Jornalistas. Nessa altura, ele corrigia-nos constantemente, pois, quando uma banda estivesse a tocar, ele tinha a capacidade de perceber a corda desafinada de um determinando instrumento”. Essa é uma das razões que faz com que Chitsondzo reconheça que Hortêncio Langa foi uma inspiração para muitos artistas jovens do seu tempo”.

Em 51 anos de carreira, Hortêncio Langa tocou com muitos músicos. Envolveu-se na banda Monomotapa, Grupo RM, TP50 e um dos seus grandes projectos é o Alambique, fundado com Arão Litsure. “Lembro-me que estivemos juntos, como trio com João Cabaço, num festival na antiga RDA. Lá cantámos durante hora e meia sem nos apercebermos que estavam a gravar o espectáculo. Foi daí que saiu o nosso primeiro disco de vinil que contém cerca de 12 músicas. Saltando para uma etapa mais recente, eu e o Hortêncio estávamos na Jamaica a assistir a um festival. Ficamos tão empolgados e sentimos que podíamos desenvolver mais a nossa música formando uma banda maior. Foi assim que criamos a banda Alambique. Portanto, estamos de luto porque perdemos o Hortêncio e, recentemente, o Gomate”.

A terminar o seu exercício de memória, Litsure disse que é preciso que pesquisa para se descobrir mais trabalhos de Hortêncio Langa, que vão servir de inspiração para mais moçambicanos.

 

O Presidente da República endereçou uma mensagem de condolências, pela morte do músico Hortênscio Langa, ocorrida ontem, em Maputo.
Na mensagem, Filipe Nyusi diz que o país foi colhido com surpresa pela desoladora notícia da morte do conceituado músico Hortêncio Langa, vítima de doença.
“Exímio e talentoso compositor e intérprete de música de vários géneros, ao longo da sua vida brindou os moçambicanos com um riquíssimo reportório musical versando sobre vários temas sociais, políticos, eminentemente educativos, em palcos nacionais e internacionais. Brilhou e encantou milhões de almas, nos agrupamentos de que fez parte, sobretudo o Alambique, entretendo, educando e incutindo o patriotismo – por isso Hortêncio foi um verdadeiro patriota, tendo sido agraciado com a Medalha de Artes e Letras. Neste momento de dor, em nome do povo, do Governo e no meu próprio, endereço o nosso sentimento de pesar e solidariedade à família enlutada e à classe das artes musicais, literárias e plástica, a que pertenceu com distinto mérito.
Paz à sua alma”,lê-se na nota.

Morreu, esta segunda-feira, aos 70 anos de idade o artista Hortêncio Langa, vítima de doença.

De nome completo Hortêncio Ernesto Langa, o artista moçambicano nasceu a 23 de Março de 1951, em Manjacaze, província de Gaza.

Hortêncio Langa foi um artista multifacetado que escreveu o seu nome na arena cultural moçambicana como músico, pintor e escritor, mas é como compositor e intérprete musical que se fez mais famoso, através da criação de temas que o colocaram como um dos mais talentosos da música moçambicana.

Além de ser músico formado pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane é também era Docente de História da Música na mesma Instituição, tendo já sido professor de trabalhos manuais e de desenho em Escolas Secundárias.

A carreira musical de Hortêncio Langa teve início em 1963, quando, em Manjacaze, começou a tocar gaita, guitarra de lata e a cantar. Iniciou-se na guitarra com José Mucavel, seu amigo de infância e com 12 anos, em Chibuto, criou o seu primeiro trio com Wazimbo e Miguel Matsinhe, também seus amigos de infância, os Rebeldes do Ritmo.

Depois de participar em duas bandas, enquanto cumpria o serviço militar em Nampula, e na banda afro-rock Monomotapa, com Arão Litsuri, conheceu o seu baptismo internacional, em 1979, quando se deslocou a Cuba, Jamaica e Guiana, pouco depois da visita de Samora Machel àqueles países.

Com a integração de João Cabaço, o duo passou a trio. Nesse ano, o trio participou do Festival de Neubrandenburg, na então República Democrática Alemã. Da participação resultou um álbum de grande valor histórico e cultural para o país.

Actualmente mantém o artista mantinha uma carreira a solo, com participação em concertos do TP50 do qual é fundador.

No passado dia 1 do mês em curso, o Kugoma – Fórum de Cinema de Moçambique abriu as candidaturas para a 12ª edição do evento que reúne em concurso curtas-metragens produzidas a nível nacional e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor Leste.

À semelhanca do ano passado, neste contexto em que as salas de cinema continuam encerradas, o Fórum de Cinema de Moçambique vai continuar com a mesma modalidade de divulgação de filmes e sessões afins, recorrendo a plataformas online e a parcerias com televisoes nacionais.

Para a 12ª edição, são elegíveis todos os filmes curtas-metragens com duração máxima até 15 minutos. “Aceitamos documentários, ficção e desemhos animados, em 2D ou em 3D, desde que tenham uma história por contar. Depois, o júri fará a selecção para que os cineastas façam parte desta grande festa”, explicou o produtor do Kugoma, António Maxlhaieie.

A 12ª ediçao do Kugoma vai premiar as melhores curtas-metragens submetidas ao concurso. No entanto, adverte o produtor: “Não queremos que as pesosas concorram pelo dinheiro ou pelo prémio, queremos que as pessoas concorram pelo gosto de fazer a sétima arte”.

Além de premiações simbólicas, esta edição inclui organização de seminários e promoção de intercâmbio entre os cineastas. Com a interacção, o objectivo também é apoiar os cineastas na produção de projectos consistentes, visando a busca de financimaneto.

As cadidaturas para 12ª edição do Kugoma estarão abertas até 30 de Junho.

 

 

A escritora Suzy Bila publicou o seu primeiro infanto-juvenil em Portugal. O livro Lamura será lançado numa cerimónia logo que as condições de segurança sanitária estiverem garantidas.

 

Lamura é o título do livro de estreia de Suzy Bila. O infanto-juvenil, constituído por 57 páginas, já se encontra nas livrarias de Lisboa há aproximadamente um mês, aguardando, agora, pelo dia de lançamento.

Em termos de enredo, o livro de Suzy Bila traz a história de um menino, Lamura, que cresce à volta da fogueira, ouvindo histórias contadas pelo pai. Na ficção, é através dessas histórias que o mundo da personagem ganha novos horizontes, pois cada palavra nova leva o menino a pensar no desconhecido. Assim, segundo adianta a autora, a metamorfose é uma palavra mágica que abre, no imaginário da personagem, gavetas nas quais respostas para as suas inquietações estão ainda escondidas.

Esta é uma história sobre a criança e sobre o seu universo. Um dia, algo vindo de fora emudece a aldeia e Lamura e o seu companheiro farão uma caminhada até aos lugares nos quais a sobrevivência é uma miragem e o sonho perdeu a luz. Ao protagonista, só resta o espaço do passado, as imagens da aldeia perdida e uma palavra em que se esconde uma mudança que será tão breve, como o tempo de uma borboleta. Lamura verá, finalmente, o que procurava por detrás dessa palavra. E a questão que se coloca é: que descoberta terá feito?

A história foi escrita e ilustrada por Suzy Bila, que, além de escritora, é artista plástica, com várias exposições individuais realizadas em Moçambique e em Portugal, onde vive e trabalha. De acordo com a autora, a história é inspirada em acontecimentos verdadeiros e mostra como o poder da palavra no imaginário fértil de uma criança desvaloriza o tamanho dos obstáculos. Igualmente, a narrativa faz do nada surgir o significado da liberdade. Por fim, Lamura mostra ainda alguns dos problemas políticos e sociais contemporâneos que merecem um olhar amplo e uma resposta urgente, para a construção de uma sociedade mais humana, onde todas as crianças possam usufruir plenamente dos seus direitos.

Em Moçambique, o livro de Suzy Bila sai sob a chancela da Escola Portuguesa.

Inadelso Cossa acredita que Moçambique, neste contexto, é um país decisivo para o futuro do cinema produzido no continente. A partir de Lisboa, onde vive, o cineasta defendeu, esta sexta-feira, que o Estado deve envolver-se mais para que a sétima arte desenvolva a nível nacional.

Ano passado, Inadelso Cossa foi nomeado membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, instituição norte-americana responsável pela atribuição dos Óscares. A viver em Lisboa, onde trabalha, o realizador olha para as potencialidades artísticas do seu país com mais experiência internacional. Por isso defende que Moçambique é um centro de decisão importante para o futuro do cinema regional e africano em geral.

Em parte, Inadelso Cossa acredita nas potencialidades cinematográficas do país devido à sua nomeação a membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Para o artista, esse reconhecimento significa e deve significar muito para Moçambique. Por exemplo? “Significa que Moçambique passa a decidir na nomeação e entrega dos Óscares. Estar na Academia de Hollywood significa que fazemos parte de um grupo de influência que, a nível mundial, regula e aconselha sobre diversas tendências cinematográficas”.

Na percepção do cineasta, enquanto Moçambique contribuir para a descoberta de novas vozes da região, será decisivo. Igualmente, a confiança a si depositada representa, assume, a responsabilidade de seleccionar, aconselhar, criar grupos de discussão e servir como mentor para futuros realizadores que querem afirmar-se no mercado cinematográfico. “Tudo isto prova que o cinema está a tomar outras direcções, independentes de questões económicas e culturais”.

Ao mesmo que admite a importância de integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para a sua carreira, Cossa sugere que o Estado moçambicano se envolva mais nas produções de filmes de modo que tenha obras elegíveis aos Óscares de melhor filme estrangeiro, por exemplo. “O poder tem de começar a acreditar que o cinema não é apenas diversão, mas olhar para a sétima arte como ferramenta para divulgar o país além-fronteiras, para promover cultura de intercâmbio e gerar rendimento. Só a partir desse passo vamos continuar a ter cinema com responsabilidade”.

Segundo entende Inadelso Cossa, estar na academia é um bom começo e, como jovem, é uma grande responsabilidade porque faz com que seja embaixador do meu país. “Espero que esta minha experiência dê frutos no futuro e espero um dia ver um filme moçambicano e propor para ser nomeado à academia”, sublinhou.

INADELSO COSSA EM PERFIL

Inadelso Cossa é realizador de cinema, produtor e director de fotografia, fundador da produtora 16mmFILMES, Membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, nos EUA, desde 2020. Faz cinema desde 2006. Os seus filmes abordam temas como a memória pós- colonial, trauma, oralidade perdida e amnésia colectiva em Moçambique. A história “não oficial” do píis é quase sempre o veículo do seu cinema, onde o realizador se posiciona de forma pessoal, pois acredita ser seu dever participar no enredo de um país em busca da própria memória. É vencedor do prémio Estação Imagem – Mora de melhor documentário no festival internacional de curtas-metragens FIKE – Évora em 201.

O seu primeiro documentário de longa-metragem: Uma memória em três actos fez estreia mundial no festival IDFA – Festival Internacional de Documentários de Amsterdão, Países Baixos, 2016, e, desde então, tem participado em festivais de cinema como o Indie Lisboa – Festival Internacional do Cinema Independente de Lisboa, Portugal 2017, o festival internacional de cinema de Durban, África do Sul, 2017, e Festival Internacional de Cinema de Zanzibar, 2018.

O filme ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Zanzibar em 2018 e o Prémio da comissão flamenga UNESCO para melhor documentário africano no Afrika Film Festival Leuven, Bélgica 2020. Inadelso Cossa foi convidado a integrar o júri nos festivais IDFA em Amsterdão 2018, Doc Fest Sheffield 2018, na Inglaterra, e World Press Photo 2020, nos Países Baixos. Cossa também é autor dos seguintes filmes: Xilunguine, a terra prometida, Uma memória quieta, Karingana: os mortos não contam histórias (em produção) e As noites ainda cheiram a pólvora (produção).

Januário, o engenheiro à distância, de Milton Tinga e Rupia Júnior, e Kalunga, de Lara Sousa, são os títulos dos filmes moçambicanos premiados na quarta edição da Mostra Itinerante de Cinemas Negros Mahomed Bamba (MIMB), no Brasil. A ficção e o documentário trouxeram ao país os prémios Melhor Roteiro e Melhor Direcção de Arte.

Na quarta edição da Mostra Itinerante de Cinemas Negros Mahomed Bamba (MIMB) estiveram abertas cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Direcção, Melhor Roteiro, Melhor Actuação e Melhor Direcção de Arte. Moçambique conseguiu distinguir-se em duas dessas categorias, graças aos filmes Januário, o engenheiro à distância, de Milton Tinga e Rupia Júnior (Melhor Roteiro), e Kalunga, de Lara Sousa (Melhor Direcção).

Januário, o engenheiro à distância e Kalunga distinguiram-se num universo de 30 filmes. A primeira produção cinematográfica é uma curta-metragem de ficção que retrata a ineficácia do sistema nacional de educação moçambicano. Com cinco minutos de duração, o filme segue a história de um jovem universitário que se vê obrigado a interromper os estudos em regime presencial face à COVID-19. O guião foi escrito por Rupia Júnior. Já o segundo filme moçambicano premiado na MIMB é um documentário de 22 minutos que retrata a história de uma menina que, estando longe de casa, é movida por sonhos enigmáticos para cumprir um ritual de nascimento espiritual que a leva junto com sua tia já falecida de volta à África.

Entrando mais no espírito de Kalunga, a produção conduz o telespectador a uma história da família da realizadora. E Lara Sousa explica: “O filme é sobre mim e sobre a minha tia-avó, Noémia de Sousa. É uma história sobre retorno a Moçambique e sobre a necessidade de votar a casa”. O filme Kalunga foi rodado em Cuba com material de arquivo de Moçambique, tendo a poesia da “Mãe dos poetas moçambicanos” como elemento essencial. Para Lara Sousa, foi uma boa experiência, mas difícil, mesmo sendo uma narrativa familiar. Ainda assim, o resultado satisfez a realizadora, o que foi possível devido a uma equipa de qualidade que teve em Cuba.

Ora, esta não foi a primeira premiação de Kalunga. Por ter sido financiado por Cuba, o documentário concorreu e também conquistou o Prémio de Melhor Curta-metragem Latino-americana. No Brasil, também conquistou o Prémio Melhor Filme Estrangeiro, no Festival de Cinema de Três Passos. Ainda no MIMB do Brasil, com o filme Fim, Lara Sousa foi premiada Melhor Filme, ano passado. “Receber prémios assim é sempre um orgulho. Ajuda para que novos projectos sejam financiados e expõem o nosso talento como realizadora. Espero que Kalunga seja mais visto”.

Em cada categoria, o melhor filme da quarta Mostra Itinerante de Cinemas Negros – Mahomed Bamba (MIMB) é premiado com mil reais, aproximadamente 12 mil meticais.

 

 

 

 

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