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O País – A verdade como notícia

O Ministério da Cultura e Turismo, em parceria com a Embaixada da França em Moçambique, lançou, recentemente, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo, o Projecto designado Fundo de Solidariedade para Projectos Inovadores para Indústrias Culturais e Criativas – 2021-2022 (FSPI-ICC).

O lançamento oficial foi orientado pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, com a presença do Embaixador da França em Moçambique, David Izzo.

O projecto tem como objectivo, dentre outros, capacitar profissionais e fazedores das artes e conferir maior participação da sociedade nas actividades culturais de todo país.

A finalidade é criar mecanismos para que o sector cultural se transforme num sector económico autónomo e seja gerador de renda e garantir a protecção dos direitos de autor.

Eldevina Materula referiu durante o evento que “com este projecto pretendemos contribuir para a mudança do paradigma e tornar as artes e cultura num sector que produz empregos de qualidade, rendimentos competitivos, acima de tudo, atractivo e digno. Para complementar o esforço da formação contemplada neste projecto, o Governo está a conceber o Estatuto do Artista, a rever a Lei do Mecenato para a tornar mais eficaz”.

Por seu turno, o embaixador da França, David Izzo, afirmou, na sua intervenção, que “para nós, o objectivo é apoiar o Governo moçambicano e os actores do sector cultural, a fim de lhes dar os meios, através de mais formação, através de mais relações com profissionais em França e no mundo francófono, para que o sector cultural se torne um sector económico de pleno direito e seja gerador de rendimentos”.

O projecto lançado é inspirado no Fundo de Solidariedade para projectos Inovadores, Sociedade Civil, a Francofonia e o desenvolvimento humano (FSPI), financiado pelo Fundo do Ministério Francês para Europa e dos Negócios Estrangeiros.

A peça Medeia foi encenada por estudantes de Teatro da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). O exercício teve orientação da encenadora Maria Atália e faz parte do processo de formação de actores e encenadores.

 

Há mais de dois mil anos, Eurípedes pôs-se a criar uma relíquia intitulada Medeia. A tragédia datada de 431 a. C., é uma história de amor e ódio, horror e vingança.

Tantos anos depois da morte do autor grego, a sua peça continua sendo uma referência para a cultura universal. Por isso, em Moçambique, estudantes do segundo ano do curso de Teatro (primeiro em encenação) na Escola de Comunicação e Artes da UEM escolheram o texto Medeia para um exercício público.

Tem sido assim. No fim de cada semestre, os estudantes de Teatro são desafiados a colocar em prática o que têm aprendido ao longo do curso. “Como primeiro ano de encenação, o desafio era que eles trabalhassem uma peça clássica. Eles escolheram a peça Medeia. A encenação foi toda feita por eles em função do que aprendem nas aulas”, contou a professora Maria Atália, que, este sábado, esteve no Centro Cultural da UEM a acompanhar o exercício dos seus estudantes.

De acordo com Maria Atália, que também é encenadora, está a ser um desafio enorme para os estudantes de Teatro porque, agora, praticamente não estão a ter aulas presenciais. “E não é possível ter aulas de encenação via online. Não está a ser nada fácil porque muitos deles nem vêm do teatro e nunca leu uma peça clássica”. À professora, cabe, também por isso, mediar princípios básicos de encenação durante as aulas e organizar as ideias dos futuros profissionais de teatro.

Na versão dos estudantes de Teatro da ECA, Medeia tem mais ou menos uma hora de duração. Para os estudantes, foi realmente um desafio. “Tivemos desavenças entre os colegas, durante os ensaios, mas, no fim, percebemos que o texto era um corpo e cada um tinha uma parte do corpo. O texto Medeia é importante para nossa formação porque o teatro não é apenas comédia, como muita gente pensa. Os textos clássicos são trágicos e é um desafio porque tem uma linguagem diferente da que estamos habituados. Ao encenar os textos clássicos, ficamos actores completos”, afirmou Amanda. E Messias Grachane, outro estudante, mas com larga experiência na arte de palco, acrescentou: “O texto clássico não é brincadeira. Mas, graças aos professores, teremos artistas capacitados não só para fazer um teatro tradicional, bem como clássico e contemporâneo”.

Próxima quinta-feira, arranca a sétima edição da Feira do Livro de Maputo, que, segundo a organização, será a mais internacional de todas as edições até aqui. O festival literário organizado pelo Conselho Municipal de Maputo contará com a retransmissão em directo da sua programação nas páginas dos festivais literários dos países falantes das línguas portuguesa e espanhola.

A sétima edição da Feira do Livro de Maputo vai decorrer com transmissão nas plataformas virtuais de nove páginas dos festivais literários parceiros, entre os dias 21 e 23 deste mês, envolvendo escritores, professores e intelectuais de 26 países de quatro continentes.

Segundo a Directora dos Serviços Municipais de Bibliotecas e Arquivos, Cristina Manguele, “a retransmissão das sessões da Feira do Livro de Maputo, traz consigo um modelo diferente que comporta um interesse relevante pela literatura, o reconhecimento das narrativas e poéticas de cada nação, cultivando uma intensa comunicação entre as diferentes festas do livro e da leitura, o que aumentará em muito o alcance e as visualizações da nossa feira”.

A sétima edição da Feira do Livro de Maputo conta, este ano, pela primeira vez, com a colaboração da Bienal do Livro de Pernambuco, FLIPOÇOS, Fórum das Letras de Ouro Preto, FLIARAXÁ, FLITABIRA (Brasil), Palavras de Fogo-Festival Internacional do Interior, Tabula Rasa – Festival Literário de Fátima, LEV-Festival Literatura em Viagens (Portugal) e Revista Taller Igitur (México), que levarão o evento que pretende reflectir sobre a literatura de diferentes geografias culturais e as diversas representações sociais no mundo a vários leitores e conquistar novos públicos.

De acordo com o Conselho Municipal de Maputo, o objectivo das parcerias assenta na especial valorização e divulgação da literatura nas duas expressões ibéricas, concorrendo para a sua internacionalização no quadro da literatura mundo. Desta maneira, a Feira do Livro de Maputo oferecerá uma oportunidade de estabelecer um diálogo permanente entre os festivais literários envolvidos nesta missiva cultural.

A Feira do Livro de Maputo viu a sua edição de 2020 emigrar para o formato digital devido à pandemia da COVID-19, dispondo de uma plataforma que reúne toda a sua programação cultural e artística, tornando acessível e global o seu espaço de fala e de escuta. Além do valor económico e cultural da língua portuguesa, a Feira do Livro une as palavras que sempre tem uma dimensão de transformação social e desenvolvimento humano, defende Renato Epifânio, Comissário do TABULA RASA, “Para nós, MIL: Movimento Internacional Lusófono e Revista NOVA ÁGUIA, que, entre outros eventos à escala lusófona, coordenamos o TABULA RASA: Festival Literário de Fátima, esta parceria com a Feira do Livro de Maputo é mais um passo no diálogo entre as culturas de língua portuguesa, Horizonte maior do nosso Caminho”.

É já na noite de hoje que arranca a primeira gala da 7ª edição do Fama Show, o maior concurso de talentos do país. Os concorrentes e o júri prometem noites inesquecíveis aos telespectadores.

As dúvidas do júri já foram dissipadas. E os 32 talentos escolhidos já são conhecidos! As emoções do maior reality show de Moçambique estão de volta. Nos últimos dias, os concorrentes ensaiaram e mostraram-se preparados para dar show aos telespectadores. “Tenho aprendido bastante nos ensaios. Cantar bem requer técnicas e tenho vindo a aprender bastante”, revelou Angelina Chicuamba, um pensamento que foi fortificado por Hélsias Mwiya. “Nos ensaios procurei melhorar a questão da interacção com o público, mas quero acreditar que até o dia da minha actuação na gala, estarei bem preparado para dar o melhor”.

As emoções traduzidas pelos concorrentes também foram confirmadas pelos membros do júri que já vaticinam. “Esta será a melhor edição do Fama Show de todos os tempos. Os ensaios estão muito bons e os concorrentes melhoram a cada momento”, revelou Nelton Miranda.

Para Zé Pires, o concurso tem concorrentes bastante talentosos, o que poderá ser uma verdadeira dor de cabeça para se escolher o melhor. “Temos excelentes vozes, a minha equipa está repleta de talentos e estou bastante satisfeito. Entendo que será uma batalha bastante interessante. É certo que há alguns arranjos que temos vindo a fazer, a nível de performance e atitude, mas no geral há muito talento neste concurso, disso não restam dúvidas”, garantiu.

Porque o Fama é por excelência um laboratório de talentos, o jurado acredita que os escolhidos poderão ser referências da música moçambicana num futuro próximo.

“Sentimos que há muita força de vontade e temos todas as condições para termos um reality show no verdadeiro sentido. Os concorrentes estão num bom caminho. Os apreciadores da boa música, das boas vozes, vão se arrepiar com os talentos perfilados”, revelou Xixel Langa.

Por seu turno, Júlia Duarte disse que já sente o nervosismo, pois reconhece a responsabilidade de avaliar tanto talento. “Apesar da ansiedade, temos certeza que a primeira gala será fenomenal, os concorrentes estão optimistas, estão entrosados e cientes da responsabilidade. Serão galas inesquecíveis”.

Estão preparados? A primeira gala será hoje e amanhã, depois do Jornal da Noite, na STV.

O caçador de elefantes invisíveis é o título do mais recente livro de Mia Couto. A obra literária reúne contos escritos ao longo de dois anos e foi apresentada ao público na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo.

 

No princípio da COVID-19, Mia Couto escreveu um texto que foi publicado no The New York Times, dos Estados Unidos. O título desse texto é “Um gentil ladrão” e, na cerimónia de lançamento do livro, realizada esta quarta-feira, na Fundação Fernando Couto, Cidade de Maputo, foi lido pela actriz Sufaida Moiane. Nessa história, uma personagem é confrontada com estas novas exigências de usar a máscara e que tem perante isso uma resposta muito ingénua. Esse foi praticamente um princípio de um exercício que agora termina em livro de contos, intitulado O caçador de elefantes invisíveis.

Comentando sobre o seu mais recente título, Mia Couto explicou que O caçador de elefantes invisíveis é dedicado a todas as pessoas que encontra na rua e que lhe alimentam a esperança, “às pessoas que me fazem pensar que Moçambique é feito de pequenas histórias, de gente que não quer ficar na invisibilidade, que, todos os dias, quando têm de ir para casa, entram num my love, num chapa e correm o risco de não ter outro destino se não for essa invisibilidade. Portanto, as histórias são feitas para render esse espaço de visibilidade a essas pessoas”.

Antes, os 26 contos que constituem o livro de 172 páginas não estavam escritos no formato actual. Primeiro, eram crónicas, que, ao longo de dois anos, foram publicadas na revista portuguesa Visão. “Quase todos os contos são ou sobre a guerra em Cabo Delgado ou sobre a maneira como nós vivemos a pandemia”, preveniu o escritor, lembrando que o enredo das histórias partem de realidades difíceis. Também por isso, Mia escreveu-os como quem se liberta da dor, afinal, segundo disse, a literatura é uma maneira de nos encontrarmos para além dessa realidade, buscando-se a luz ou uma esperança. “Foi por isso que escrevi, não foi para sofrer mais, foi para me libertar desse sofrimento, para transformar esse sofrimento, para que tenha uma resposta positiva”.

Na cerimónia que marcou o regresso aos lançamentos com presença do público na Fundação Fernando Leite Couto, um dos apresentadores do livro O caçador de elefantes invisíveis, o jornalista Elton Pila, sublinhou o seguinte: “As realidades a que o livro se refere são de um presente que até podemos tocar. Estamos a falar da pandemia, da situação de Cabo Delgado, destas marchas de destruição de estatuas que se acredita que serviram a um determinado momento e que já não é o momento que nós estamos a viver, nesta ideia de reposição de heróis e de condenação do passado vivido. É o Mia a apontar a ideia de que sim, talvez seja possível pegar a realidade em flagrante. O livro vale a pena sobretudo por esta ideia de que dentro de um quarto escuro pode entrar um feixe de luz e, a partir disso, pensarmos que há um mundo lá fora e por isso continua a valer a pena viver”.

O caçador de elefantes invisíveis foi lançado sob a chancela da Fundação Fernando Leite Couto.

 

A Associação para o Desenvolvimento Cultural Kulungwana abre espaço para a exposição da banda desenhada “Kurika”, com curadoria de Jorge Caetano Fernandes e Sara Machado. A inauguração do evento está prevista para 14 de Outubro, pelas 14h30, na Galeria Kulungwana.

Em comunicado de imprensa, a agremiação explica que no dia 14 do mês em curso, a inauguração será restrita devido ao protocolo sanitário estabelecido para combater a COVID-19. Entretanto, de 15 de Outubro a 5 de Novembro a exposição será aberta ao público.

“A exposição retoma o Projecto Kurika “Passado e Futuro”, criado em homenagem a Manuel e João Machado da Graça, editores das primeiras duas séries da conhecida revista de banda desenhada KURIKA, pretendendo resgatar do esquecimento a Banda Desenhada, uma modalidade artística que outrora já teve um grande sucesso em Moçambique e aventurar a ideia de uma 3ª edição contemporânea”, refere o comunicado.

Segundo os curadores desta exposição, pretende-se com estas acções contribuir para o registo da história do país através do KURIKA e relembrar a história da B.D. moçambicana, convocando os artistas moçambicanos dedicados à Banda Desenhada a pensar a possibilidade de uma nova edição da revista.

A linha curatorial propõe focar-se nos mesmos valores essenciais e objectivos que estavam presentes anteriormente, “mas abre-se para todas as possibilidades e meios dos dias de hoje, e com cara fresca, juba lavada e espírito de leão jovem e irreverente, prepara-se a seduzir novas presas”.

Ungulani Ba Ka Khosa, Juvenal Bucuane, Teresa Noronha, Álvaro Fausto Taruma, e Lénio Ussivane participam no evento organizado pelo Conselho Municipal de Maputo.

 

A Feira do Livro de Maputo vai deslocar-se pela primeira vez a Inhaca, para a realização de mais uma actividade denominada Festa do Livro de KaNyaka. A primeira edição deste encontro literário, promovido pela Vereação da Cultura e Turismo do Conselho Municipal de Maputo, acontece nos dias 6, 7 e 8 de Novembro de 2021 e leva a Inhaca vários nomes de relevo da literatura moçambicana.

O evento vai decorrer sob o lema A história do futuro se escreve na Ilha e a Festa do Livro de KaNyaka é um polo da Feira do Livro de Maputo, com o propósito de inserir o distrito municipal na rota do livro e da leitura de Moçambique e do mundo.

De acordo com o Município de Maputo, a festa literária traduz-se na deslocação e participação de editores, escritores, professores, dinamizadores de leitura e artistas moçambicanos à ilha de Inhaca, onde participarão na Feira do Livro e de Biodiversidade, nos diferentes painéis de apresentação, visita às escolas, palestras, residência literária e oficinas de escrita e ilustração, para além de diálogos entre os participantes, ofertas e lançamento do livro de contos e lendas de Inhaca. Pela primeira vez, os munícipes de Inhaca terão a oportunidade de trocar ideias com os escritores, aprofundar o intercâmbio literário e promover os hábitos de leitura e escrita “através da cultura”.

A nota de imprensa do Conselho Municipal de Maputo destaca que a abertura oficial do evento será presidida pelo Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Dr. Eneas Comiche. Por seu turno, o escritor Juvenal Bucuane irá proferir a palestra inaugural subordinada ao tema “Literatura e Biodiversdade: a ilha de Inhaca como centro do mundo”.

Para a organização, o encontro que vai priorizar o diálogo entre a literatura e a biodiversidade tem como objectivos: formar leitores e incentivar a leitura, aproximando o público do conhecimento amplo que os livros proporcionam; garantir o acesso aos livros, oferecendo assim, a oportunidade de ampliar a cultura, o conhecimento por meio de lazer e entretenimento; despertar no público infanto-juvenil o interesse pela leitura, pela ciência e pelas artes através de práticas lúdico-pedagógicas e oferta de actividades culturais; e apresentar as actividades desenvolvidas em prol do livro e da leitura para a comunidade, os alunos e outras instituições do distrito municipal. “Esta actividade surge na sequência de um encontro havido com os professores de Inhaca em 2020, quando fazíamos uma análise conjunta sobre os resultados do Concurso Literário da Feira do Livro de Maputo, que temos enviado, anualmente, para a participação dos alunos daquele distrito municipal, onde estes justificavam a falta comparência nestas actividades devido as condições logísticas para se fazer ao continente”, anunciou Isabel Macie, Vereadora do Pelouro da Cultura e Turismo.

A Festa do Livro de KaNyaka tem como parceiros já assegurados, instituições tais como: Escola Portuguesa de Maputo, AMOCINE, BIOFUND, AMOLP, ANAC, IMPACTO e Estação de Biologia Marítima de Inhaca. A lista das personalidades do mundo das letras moçambicanas que deverão estar presentes em Inhaca para reflexões e debates literários é composta por cinco participantes, nomeadamente, Ungulani Ba Ka Khosa, Teresa Noronha, Álvaro Fausto Taruma, Juvenal Bucuane e Lénio Ussivane. A curadoria é assegurada pelo poeta Amosse Mucavele.

 

Vai ter lugar entre os dias 21 e 23 de Outubro a 7ª edição da Feira do Livro de Maputo, em homenagem ao escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, sob a égide do tema “Questionar mais: A literatura à escuta do mundo”.

Dentro de 11 dias, vai arrancar a sétima edição da Feira do Livro de Maputo. Este ano, o evento organizado pelo Conselho Municipal de Maputo, cinco escritores espanhóis, dois uruguaios, duas argentinas, um da Guiné Equatorial e um de cada país latino-americano (Paraguai, Guatemala, Equador, Cuba, Colômbia, México, Venezuela, Perú, Chile, Porto Rico e El Salvador) irão partilhar experiências e percepções.

De acordo com a organização do evento literário, será a primeira participação dos fazedores da literatura escrita em castelhano. “Isto é possível em parte graças a uma parceria com a Revista Taller Igitur, de México, que levará ao evento cinco escritores de expressão espanhola, com o benefício de aproximar as duas escritas literárias que em muito partilham histórias e utopias, promovendo assim o diálogo entre as geografias da escrita e os traços identitários da literatura de cada país representado”.

Segundo a directora dos Serviços de Bibliotecas e Arquivos do Conselho Municipal de Maputo, Cristina Manguele, entidade responsável pela organização e dinamização do evento, a aproximação a Espanha e a América Latina pela voz dos escribas é “mais um importante passo na vitalidade, no cruzamento das narrativas de amizades e cumplicidades, factores necessários para geração de afectos intermináveis e a consequente internacionalização da Feira do Livro de Maputo, desta feita, a literatura mostra mais uma vez, o seu papel essencial de promover a língua e as culturas dos povos das duas expressões ibéricas”.

Entre os escritores convidados para esta edição, encontram-se Maria Angel Peréz Lopéz; Yolanda Castaño, Miguel Ángel Feria, Antonio Jiménez Morató, Roger González Margalef (Espanha), Adriana Almada e Inés Cortón (Argentina), Susana Reyes (El Salvador), Donato Ndongo (Guiné Equatorial), Waldo Leyva (Cuba), Montserrat Álvarez (Paraguai), Rosa Chávez (Guatemala), Luz María López (Porto Rico), Renato Sandoval Bacigalupo (Perú) Fernando Salazar Torres (México), Jonathan Alexander España Eraso (Colômbia), René Silva Catalán (Chile) e Jan Queretz (Venezuela).

“Nas proximas edições almejámos ter um maior envolvimento das representações diplomáticas acreditadas no nosso país, como forma de estimular, desenvolver e dar execução a diplomacia cultural. Este ano temos pela primeira vez um número consideravél de autores de expressão espanhola, que se juntarão ao núcleo duro de autores dos países lusófonos. Também temos a presença de autores europeus (tradutores, pesquisadores e professores das literaturas africanas de língua portuguesa), nomeadamente França, Itália, Alemanha e Inglaterra (num total de 4 convidados), a inserção do país convidado de honra é também uma novidade desta edição. Além disso, ao convidar escritores de outros continentes, tradutores europeus e latino americanos em particular, carrega um grande significado, na medida em que a cada edição da Feira do Livro, pretendemos abrir a porta da literatura moçambicana para o mundo”, disse Amosse Mucavele, o curador da Feira do Livro de Maputo.

Mia Couto regressa à publicação de livro de contos com o título O caçador de elefantes invisíveis. A obra literária será lançada quarta-feira, às 18.00 horas, na Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo.

Segundo avança a nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, o novo livro do escritor foi escrito durante aproximadamente dois anos, na colaboração com a revista portuguesa Visão. Das crónicas publicadas naquela revista, Mia fez uma selecção e reescreveu-as na forma de contos.

Assim, acrescenta a nota, “do processo de retrabalhar as pequenas prosas resultaram marcantes narrativas que cobrem a actualidade do nosso mundo e vão desde a pandemia ao drama da guerra em Cabo Delgado, a descrever peripécias que poderiam ter acontecido numa vila, no interior de uma reserva florestal ou num bairro qualquer de Moçambique. Todos os contos se inscrevem no modo poético com que Mia Couto nos habituou a olhar o mundo e a humanidade. São estas histórias que aqui se reúnem neste livro cuja ilustração da capa é da autoria de Susa Monteiro, a mesma autora que ilustrou os contos originais da Visão”.

No seu novo livro, O caçador de elefantes invisíveis, Mia Couto mantém a perspectiva mítica e poética da existência humana, iluminada de esperança, construída por um olhar crítico acerca da história de Moçambique e as vivências do espontâneo e (ou) orquestrado do quotidiano sempre com ironia e humor, lê-se na mesma nota de imprensa.

O novo livro de Mia Couto será lançado numa data que coincide com o Dia Internacional do Escritor.

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