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A cerimónia de homenagem a Ungulani ba ka Khosa realizou-se esta sexta-feira, no Átrio do Paços do Município, Cidade de Maputo. O evento teve presença de público e foi transmitido para o mundo inteiro através das redes sociais.

Conforme a previsão, a sétima edição da Feira do Livro de Maputo arrancou quinta-feira. Já no segundo dia da iniciativa literária, o Conselho Municipal de Maputo homenageou Ungulani ba ka Khosa. A sessão, no Átrio do Paços do Município, começou com música. O público presente e o que acompanhou a sessão virtualmente, com efeito, ouviu Roberto Chitsondzo cantar “Waxukuvala”, um tema do álbum a solo Kwiri, inspirado no conto “A solidão do senhor Matias”, um dos que integra a obra Orgia dos loucos, de Ungulani ba ka Khosa.

O vocalista da banda Ghorwane cantou a obra de Ungulani ba ka Khosa, mas não foi o único. De igual modo, no seu discurso, o Presidente do Conselho Municipal de Maputo enalteceu a escrita do ficcionista, referindo-se à homenagem como um acto de justiça. Eneas Comiche disse também que a obra de Ungulani ba ka Khosa contribui para configurar a cultura moçambicana. “É com sentido de responsabilidade perante a História e a cultura moçambicanas que, hoje, o Conselho Municipal de Maputo reconhece e homenageia publicamente o autor de Ualalapi, de Orgia dos loucos e de Gungunhana”. Eneas Comiche prosseguiu: “Não é difícil justificar a homenagem a Ungulani ba ka Khosa, porque o seu percurso é revelador de uma carreira literária robusta, reconhecida em Moçambique e internacionalmente”.

No entendimento do Presidente do Conselho Municipal, Ungulni é, sem dúvidas, um dos maiores escritores moçambicanos. O seu trajecto de vida é um misto da sua obra e da própria história literária de Moçambique pós-independência. Também por isso, afirmou: “O conselho Municipal tem a honra de prestar homenagem a este escritor por todo o seu contributo na promoção, divulgação e consolidação da literatura e da cultura moçambicanas. Em ambos os cenários, a contribuição do escritor foi imensa, quer como munícipe de Maputo, quer como profissional e escritor”.

O gesto da Feira do Livro de Maputo e, consequentemente, do Conselho Municipal que a organiza, pretende dignificar a escrita e a sua importância na vida dos leitores. Para Comiche, homenagear Ungulani não é e nem pode ser um fim. É um acto de justiça incapaz de corresponder a tudo o que o escritor tem feito pelo povo moçambicano, pois o que o autor escreve dá forma, conteúdo e razão às coisas.

Depois de receber um cheque gigante na ordem de 120 mil meticais, o escritor homenageado, por seu turno, referiu-se à importância da sua Cidade de Maputo no processo criativo. No entanto, Ungulani ba ka Khosa explicou que nem sempre foi fácil escrever sobre a cidade capital. “Nesta cidade aprendi a gostar de ler, através da banda desenhada. A minha vida literária começou aqui, com os primeiros contos. Confesso que, no princípio, tinha receio de ter a cidade como pano de fundo nas minhas histórias, porque sentia que a cidade não se entranhava em mim. Foram precisos anos de vivência e de conhecimento para reconhecer a cidade como minha”. Assim foi porque, durante os primeiros 20 anos de vida, Ungulani viveu em várias províncias e realidades. Por exemplo, Sofala, Maputo, Zambézia e Niassa, sempre em permanente partida.

Ao reconhecer o amor que nutre pela Cidade de Maputo, o autor de Entre memórias silenciadas, Gungunhana ou Rei mocho dirigiu-se directamente ao Conselho Municipal. “Alegra-me imenso este gesto da minha cidade dizer que tu és nosso. É uma alegria profunda a que tive a honra, por vezes, imerecida. Obrigado, Município, obrigado, Presidente Comiche, e obrigado, igualmente, à grande equipa capitaneada pela Dr. Cristina Manguele, por sinal personagem num livro, que tem a responsabilidade de fazer acontecer a feira. Sei do vosso trabalho porque estive convosco nos primeiros momentos”.

Na cerimónia de homenagem na Feira do Livro de Maputo, além de actuação musical, houve ainda uma encenação conjunta de uma peça teatral adaptada do livro Histórias de amor e espanto, de Ungulani ba ka Khosa. O elenco contou com Joana Mbalango, Nélia Gilberto, Eunice Mandlate e Mateus Nhamuche, com a direcção de Lucrécia Paco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulina Chiziane é convidada a participar da Expo-Dubai 2020, como uma das principais montras da literatura moçambicana. O convite foi feito hoje, pela ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, durante a homenagem prestada à escritora pela conquista do maior e mais importante galardão literário na lusofonia, o Prémio Camões.

O Ministério da Cultura e Turismo interrompeu, na última sexta-feira, o seu sexto Conselho Coordenador para prestar homenagem à escritora Paulina Chiziane, pela conquista do Prémio Camões. Na ocasião, Eldevina Materula, além do convite à escritora, teceu profundos elogios à primeira mulher africana a ser galardoada com o mais prestigiado prémio de Literatura Portuguesa.

“De 14 a 20 de Novembro, Moçambique far-se-á presente na EXPO-DUBAI 2020, na sua semana do turismo e eu gostaria que a Paulina Chiziane nos desse a honra de contarmos com a sua presença. Queremos que seja uma das principais montras da nossa literatura”, disse Eldevina Materula, ministra da Cultura e Turismo, durante o seu discurso.

A ministra disse ainda que “celebrar Paulina, celebrar este prémio é celebrarmos a Língua Portuguesa, a nossa moçambicanidade, é celebrarmos por todos, não só escritores, mas por todos os jovens que possam acreditar que vale a pena lutar pela nossa cultura”, pois, segundo ela, este prémio é e deve ser um reconhecimento à Literatura Moçambicana no geral.

Jovenal Bucuane, também escritor, felicita Paulina Chiziane e diz que o reconhecimento é para todos os escritores moçambicanos. Mas, aos jovens deixa um recado.

“A mensagem que eu quero deixar para todos os jovens é que não devem escrever apenas de olho nos prémios. Como Paulina disse, apenas escreva para ajudar o povo a entender o que está à sua volta”, disse.

Quem também deixa um recado é o escritor e docente universitário Nataniel Ngomane.
“Das 33 edições, apenas seis mulheres é que ganharam o Prémio Camões. Paulina é a sétima, por isso é um prémio também de grande significado para a mulher, não só em África, mas em todo o mundo. É um grande prémio, que nos prestigia e que nós temos que acarinhar, através da divulgação das obras de Paulina Chiziane”, disse, Ngomane.

Apesar de estar emocionada, Paulina Chiziane não se fez de rogada. Agradeceu pela homenagem, mas também aproveitou a ocasião para deixar recados.

“Os artistas em Moçambique, na maior parte das vezes, são reconhecidos depois de mortos. Eu sou um caso raro e se calhar comece a ser valorizada, porque fui reconhecida fora. Ninguém presta atenção à cultura, não só o Ministério da Cultura, mas a sociedade no geral”, desabafou.

Paulina Chiziane tornou-se a primeira escritora africana a vencer o mais importante prémio da Língua Portuguesa em Literatura.

De certeza, é uma obra discográfica que vai marcar o regresso da cantora ao panorama musical. Lançado no passado dia 15 de Outubro corrente, o “Bla Bla Bla” será apresentado ao público no dia 12 de Novembro próximo.

Com vista a abrilhantar os fãs neste dia, será realizado um espectáculo ao vivo e a cores, no emblemático palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Será mesmo para marcar! Lura está a preparar um espectáculo com muita energia, ritmo e novidades, que contará também com a presença de convidados especiais. “Bla Bla Bla” chega agora a todas as plataformas musicais, acompanhado de um vídeo-clip.

Com “Bla Bla Bla”, Lura apresenta uma nova sonoridade, procurando a evolução natural da música, sem esquecer as suas raízes.

Para esta produção musical, a cantora contou com a produção musical do conceituado Agir, que assinará também a produção musical do seu novo álbum.

O sol já vai deitar-se. Aparentemente, foi um dia como tantos outros. No Bairro Albasine, Cidade de Maputo, a agitação dos carros e dos transeuntes é rotineira. Naquele quintal enorme, à beira da estrada, encontra-se uma mulher com 66 anos de idade. É uma mulher invulgar. Aliás, todas as mulheres são. Ela tem nome. Chama-se Paulina Chiziane e, para o jantar, cozinha mboa, ou seja, folhas de abóbora. A mulher, que também escreve histórias desde os anos 80 do século passado, garante: “Eu faço uma mboa como ninguém”. Ninguém dúvida da mulher com um olhar muito assertivo, de demover qualquer homem com fracas convicções.

São mais ou menos 17h30. No fogão, a panela cumpre o dever de ferver. De outro modo, não haveria jantar para aquela família. De repente, o telemóvel iPhone da escritora toca. “– Alô, boa tarde. Aqui é fulano. Ligo para informar à senhora que é a nova Prémio Camões”. Paulina quase entra em êxtase. Não acredita, duvida, questiona, olha ao redor, eventualmente para localizar uma outra Paulina. Nada. Naquele quintal enorme do Bairro Albasine, há apenas uma Paulina, e é ela. “– O senhor tem a certeza de que sou eu?”. Esta foi mais ou menos a pergunta. E o senhor, com sotaque português, confirmou que sim. E o dia não foi mais como os outros. Na verdade, nem o dia e nem tudo o resto.

No fogão, enquanto a escritora alegra-se pela notícia, a mboa deixa de ser o prenúncio de uma boa refeição. Queima, isso é que é. A escritora e a neta Rita ficam sem jantar. O caril já não era caril e ninguém naquela casa quis pensar em comer. “– Eu perdi o apetite”, disse Rita, sem culpar a avó que, entretanto, mantinha-se a conversar com os jornalistas, já farta de atender à chamada do celular que tocava a cada cinco minutos.

A conversa acontece numa noite de luar. Ainda bem, pois, na véspera ou há dias, um relâmpago afectou o fornecimento de luz em algumas áreas da casa, incluindo o quintal. Mesmo assim, a escritora quase que desvaloriza a ausência de lâmpadas acesas. Afinal, de Portugal, e não de Cahora Bassa, veio uma luz mais incandescente. O Camões, meus senhores, o Prémios Camões.

Paulina não escondeu que gostou do prémio e que está muito feliz. Mas esclareceu: “Quando a gente trabalha, nunca deve pensar em prémios. Eu nunca dei importância nenhuma a isso. Eu faço o que quero, o que penso no momento, aquilo que me emociona, que me decepciona ou que me alegra. Produzo algo, coloco no mercado, e nem sempre a reacção é boa. Mas penso que um dia vão me perceber. Eu faço literatura porque quero, gosto, me apetece e sinto que tenho capacidade para fazer”.

A essa altura, passam das 20 horas. Cabe à neta Rita atender às chamadas de tanta gente que quer ouvir Paulina Chiziane. Talvez, por ver a neta sentada no chão, visivelmente satisfeita pela avó, a escritora lembra-se dos tempos de infância. “Quando tinha 13 ou 14 anos, o que eu mais gostava de fazer era ler biografias de autores. Eu cresci conhecendo a história das outras pessoas. Por isso, este prémio é para aquilo que já fiz, não para aquilo que está por fazer. Mais a minha história e o meu percurso pode inspirar uma outra pessoa, no sentido de que um dia alguém vai dizer que existiu uma senhora chamada Paulina, que veio de longe, que passou dificuldades, mas que conseguiu chegar onde chegou. Essa é a única história que para mim é importante”.

A responsabilidade e um abraço aos adversários literários

No dia em que recebeu a notícia do Prémio Camões, Paulina Chiziane partilhou que tem vários projectos literários, como literatura em forma musical. “Pode ser que este prémio dê um impulso a isso. Não tenho ideias claras. Isto apanhou-me de surpresa. Mas, da mesma forma que cresci com histórias de outras pessoas, pode ser que os moçambicanos crescem com a minha. Essa é a minha maior esperança”, reforçou esta ideia muito bem enraizada na sua mente.

Paulina, entretanto, leva um copo à boca. O líquido? Não é, seguramente, o mais importante. A mulher bebé devagar, como que a abrir a garganta. Depois, mesmo a responder a uma pergunta do jornalista que naquela casa goza de alguns privilégios, remata: “Agradeço profundamente aos meus adversários. Não diria inimigos, mas adversários. Aqueles que diziam: ‘Paulina, tu não és nada’. E eu dizia assim: ‘sim, não sou, mas um dia serei’. Eu tinha um obstáculo que me sufocava e eu lutei para saltar a barreira de modo a atingir outro patamar. Se eu não tivesse tido obstáculos, talvez não tivesse caminhado. Às vezes, ser bem tratado é bom demais. Quando a pessoa está na sua zona de conforto, não descobre as suas qualidades, o seu interior. Eu fui testada até a última instância. Foi um processo terrível chegar até aqui. O meu trabalho nunca foi fácil, foi sempre uma luta”.

E quanto à pergunta: este prémio dá-lhe mais responsabilidade, respondeu sem hesitar: “Responsabilidade? Já tive. Agora, quero estar descansada, quero fazer o que me apetece”. E uma dessas coisas que a apetece é ir contar histórias às crianças à creche. Pena que esta coisa da COVID-19, ultimamente, a obriga tanto a ficar em casa.

Na noite que foi anunciada vencedora do Camões, tornando-se a primeira mulher africana a conquistar o prémio, portanto, Paulina Chiziane livrou-se de qualquer responsabilidade, optando pelo prazer de existir. “Este reconhecimento é uma forma de dizerem ‘Paulina, já trabalhaste. Também precisas de repousar”. Quando vai repousar, o Prémio Camões 2021 não disse e essa pergunta não foi colocada.

 

 

A escritora moçambicana Paulina Chiziane acaba de ser laureada com o Prémio Camões. A distinção reconhece o conjunto da obra ficcionista da “contadora de histórias”.

Segundo anunciou a ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca, a escolha de Chiziane como vencedora do Prémio Camões 2021, foi feita por unanimidade pelo grupo de jurado.

“No seguimento da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de outubro, a ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane”, lê-se na nota informativa divulgada esta quarta-feira.

Por seu turno, o júri decidiu, por unanimidade, atribuir o prémio à escritora moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra. O júri lembrou, igualmente, a importância que a autora dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana.

O painel de jurados era composto pelos professores universitários Ana Martinho e Carlos Mendes de Sousa (Portugal), pelo escritor e investigador Jorge Alves de Lima e pelo professor universitário Raul César Fernandes (Brasil) e pelos escritores Tony Tcheka (Guiné-Bissau) e Teresa Manjate (Moçambique).

Paulina Chiziane é a primeira mulher e escritora moçambicana a publicar um romance (em 1990) e autora que narrou, criticamente e pela ficção, a história e traumas do país.

Já o Prémio Camões foi, na sua génese, instituído em 1988 por Portugal e pelo Brasil com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Mais uma vez, a arte entra em acção para destacar o seu papel no desenvolvimento do cidadão. Desta vez, é através da vida e obra do músico moçambicano Chico António, por quem o agrupamento TP50 vai realizar, nos dias 29 e 30 do mês em curso, um espectáculo para ilustrar o papel social, educativo e interventivo das artes.

O evento, a ter lugar às 18h30, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, será cognominado “A Alma da Música: Um tributo a Chico António”.

“O espectáculo procura mostrar a alma da obra de Chico António. A partir do relato do próprio autor, procuraremos mostrar a origem e o significado de cada música, enquadrando-a no contexto sociocultural de Moçambique. Recorrendo a outras expressões artísticas, ampliaremos o significado de cada uma das músicas que seleccionámos da sua obra”, diz António Prista, membro fundador do TP50.

É um evento a não perder, pois “com um roteiro musical totalmente preenchido com composições do artista, o espectáculo contém intervenções poéticas, teatrais, vídeo e fotografia, numa viagem inspirada nas motivações de Chico António para compor as suas músicas intimamente ligadas à sua vida e meio que o rodeia”, refere o TP50.

Para o agrupamento TP50, Chico António não é apenas um bom compositor e intérprete. A sua obra musical está impregnada de significado humano e de um profundo enraizamento na realidade social e cultural moçambicana.

O 18º livro de Carlos dos Santos é uma história sobre o ambiente. O Infanto-juvenil foi ilustrado por Rajau de Carvalho, sob a chancela da Alcance Editores.

 

O respeito pelo meio ambiente é uma questão pertinente. Por isso, Carlos dos Santos aceitou o repto lançado por um amigo de escrever algo para crianças sobre a matéria. “Porque, pelo exemplo que os adultos de hoje dão às crianças, não vamos longe. E eu gostei da ideia: escrever algo educativo sobre o meio ambiente, de forma lúdica”, explicou Carlos dos Santos. Assim, na verdade, o escritor começou a escrever Os pintores de sonhos, livro infanto-juvenil constituído por 72 páginas.

Como é habitual, a nova obra literária de Carlos dos Santos foi escrita em todo o lado onde o autor esteve. “Quando começo a pensar uma história, desencadeia-se um processo contínuo. Quando me ocupo conscientemente de outra coisa, o meu subconsciente continua a laborar no assunto da história. E pode ocorrer que eu esteja a conversar contigo e, de súbito, ele lança-me para o consciente uma ideia, uma frase, uma palavra, uma imagem. Isso pode acontecer em qualquer lado, em qualquer altura”, revelou. E, quando isso acontece, o escritor toma nota, para não se esquecer, e, quando tem oportunidade, vai incorporar e adaptar essas ideias no texto já escrito.

Embora chegue agora às livrarias, Os pintores de sonhos é um livro escrito ano passado, numa experiência sempre prazerosa. “Escrever tornou-se para mim um modus vivendi. Já não é uma escolha. É uma condição, uma necessidade. E quando conseguimos satisfazer uma necessidade, isso dá-nos prazer”.

A 18ª obra de Carlos dos Santos apresenta um enredo cheio de surpresas e mistérios sobre os efeitos nefastos para a vida dos desmandos humanos em relação ao ambiente. Ao mesmo tempo que a história lembra que a responsabilidade pelas calamidades naturais, por exemplo, é de todos, conta também que é possível reverter os danos já causados e que a cura desses males também reside em cada pessoa, incluindo os mais novos.

Os pintores de sonhos é uma história extensa. Sobre essa particularidade, o escritor esclareceu, esta terça-feira: “A extensão da história tem a ver com o estilo da escrita que sigo, em que construo um enredo, em que procuro criar situações de suspense, em deixar espaço à imaginação e à interpretação do leitor, para que a história não resulte num manifesto político a favor ou contra qualquer coisa, mas sim num enredo em que se aprendem coisas de forma lúdica, se possível, com a beleza da arte (e, assim, se pode aprender a estética, por exemplo)”.

O novo livro de Calos dos Santos foi ilustrado por Rajau de Carvalho e chega às bancas sob a chancela da Alcance Editores.

O Ministério da Cultura e Turismo, em parceria com a Embaixada da França em Moçambique, lançou, recentemente, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo, o Projecto designado Fundo de Solidariedade para Projectos Inovadores para Indústrias Culturais e Criativas – 2021-2022 (FSPI-ICC).

O lançamento oficial foi orientado pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, com a presença do Embaixador da França em Moçambique, David Izzo.

O projecto tem como objectivo, dentre outros, capacitar profissionais e fazedores das artes e conferir maior participação da sociedade nas actividades culturais de todo país.

A finalidade é criar mecanismos para que o sector cultural se transforme num sector económico autónomo e seja gerador de renda e garantir a protecção dos direitos de autor.

Eldevina Materula referiu durante o evento que “com este projecto pretendemos contribuir para a mudança do paradigma e tornar as artes e cultura num sector que produz empregos de qualidade, rendimentos competitivos, acima de tudo, atractivo e digno. Para complementar o esforço da formação contemplada neste projecto, o Governo está a conceber o Estatuto do Artista, a rever a Lei do Mecenato para a tornar mais eficaz”.

Por seu turno, o embaixador da França, David Izzo, afirmou, na sua intervenção, que “para nós, o objectivo é apoiar o Governo moçambicano e os actores do sector cultural, a fim de lhes dar os meios, através de mais formação, através de mais relações com profissionais em França e no mundo francófono, para que o sector cultural se torne um sector económico de pleno direito e seja gerador de rendimentos”.

O projecto lançado é inspirado no Fundo de Solidariedade para projectos Inovadores, Sociedade Civil, a Francofonia e o desenvolvimento humano (FSPI), financiado pelo Fundo do Ministério Francês para Europa e dos Negócios Estrangeiros.

A peça Medeia foi encenada por estudantes de Teatro da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). O exercício teve orientação da encenadora Maria Atália e faz parte do processo de formação de actores e encenadores.

 

Há mais de dois mil anos, Eurípedes pôs-se a criar uma relíquia intitulada Medeia. A tragédia datada de 431 a. C., é uma história de amor e ódio, horror e vingança.

Tantos anos depois da morte do autor grego, a sua peça continua sendo uma referência para a cultura universal. Por isso, em Moçambique, estudantes do segundo ano do curso de Teatro (primeiro em encenação) na Escola de Comunicação e Artes da UEM escolheram o texto Medeia para um exercício público.

Tem sido assim. No fim de cada semestre, os estudantes de Teatro são desafiados a colocar em prática o que têm aprendido ao longo do curso. “Como primeiro ano de encenação, o desafio era que eles trabalhassem uma peça clássica. Eles escolheram a peça Medeia. A encenação foi toda feita por eles em função do que aprendem nas aulas”, contou a professora Maria Atália, que, este sábado, esteve no Centro Cultural da UEM a acompanhar o exercício dos seus estudantes.

De acordo com Maria Atália, que também é encenadora, está a ser um desafio enorme para os estudantes de Teatro porque, agora, praticamente não estão a ter aulas presenciais. “E não é possível ter aulas de encenação via online. Não está a ser nada fácil porque muitos deles nem vêm do teatro e nunca leu uma peça clássica”. À professora, cabe, também por isso, mediar princípios básicos de encenação durante as aulas e organizar as ideias dos futuros profissionais de teatro.

Na versão dos estudantes de Teatro da ECA, Medeia tem mais ou menos uma hora de duração. Para os estudantes, foi realmente um desafio. “Tivemos desavenças entre os colegas, durante os ensaios, mas, no fim, percebemos que o texto era um corpo e cada um tinha uma parte do corpo. O texto Medeia é importante para nossa formação porque o teatro não é apenas comédia, como muita gente pensa. Os textos clássicos são trágicos e é um desafio porque tem uma linguagem diferente da que estamos habituados. Ao encenar os textos clássicos, ficamos actores completos”, afirmou Amanda. E Messias Grachane, outro estudante, mas com larga experiência na arte de palco, acrescentou: “O texto clássico não é brincadeira. Mas, graças aos professores, teremos artistas capacitados não só para fazer um teatro tradicional, bem como clássico e contemporâneo”.

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