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O País – A verdade como notícia

Mulalene foi o artista plástico convidado a inaugurar a temporada de oficinas de pintura e produção de livros alternativos da Kuvaninga, editora moçambicana que se dedica à edição de livros com capas de cartão reaproveitado.

De acordo com Kuvaninga, a oficina que decorreu na Estação 8, espaço que se projecta a tertúlias culturais no Bairro Chiango, em Maputo, tinha como propósito a produção de capas para o mais recente livro de Dionísio Bahule, intitulado Tabuleiro Semiótico [ou] O cálculo da raiz quadrada. A obra irá dar o pontapé de saída às festividades dos 10 anos da Kuvaninga, que se resumem em lançamentos de livros, oficinas, feiras, concursos e mesas redondas durante 10 meses, entre Março e Dezembro, em vários pontos do país.

Numa primeira fase, Mulalene vai produzir 150 obras em duas semanas, ou seja, até 27 de Março. Mais do que pintar, Mulalane imprime uma nova técnica na produção dos livros, rompendo com a tradicional técnica usada pela Kuvaninga. No primeiro dia de trabalho, Mulalene foi coadjuvado por Joss, pintor e fundador da editora, por e Nhochi, menor que se interessa pela arte da pintura.

Quanto ao Tabuleiro Semiótico [ou] O cálculo da raiz quadrada”, é uma obra em que Bahule cruza várias disciplinas do saber – Filosofia, Literatura, Arte, Semiótica e Estética – à procura de construir um pensamento crítico contextualizado à nossa realidade, sem os cânones ocidentais, como também abrir novos atalhos para edificá-los.

A escritora Paulina Chiziane foi uma das convidadas a falar para raparigas no Lar Mamana Wa Kurula, Boane, este domingo.

As raparigas que vivem no Lar Mamana Wa Kurula, no Distrito de Boane, Província de Maputo, tiveram a oportunidade de estar e ouvir a Paulina Chiziane, a juíza Elisa Samuel, e a apresentadora Eva Trindade. No encontro deste domingo, o Prémio Camões 2021 explicou às meninas como foi insistente e constante até conseguir ser escritora, apesar de que no seu ambiente as pessoas não viam a sua opção com bons olhos.

Segundo uma nota de imprensa sobre o evento, Paulina Chiziane estimulou as meninas a serem águias e não galinhas, o que pressupõe uma busca persistente pela liberdade com os pés firmes no chão.

Já Elisa Samuel, segundo a mesma nota de imprensa, contou às meninas que Lurdes Mutola foi a primeira mulher que a inspirou a sonhar tão alto, sem ignorar a importância da educação no futuro das pessoas.

Por seu turno, Eva Trindade, que esteve no encontro na qualidade de moderadora do encontro, narrou a sua trajectória, explicando como as meninas devem sonhar sem permitir que alguém lhes corte as asas. “Que sejam porta-voz dos seus problemas de maneira construtiva”, afirmou.

O encontro com as raparigas do Lar Mamana Wa Kurula foi a segunda actividade realizada pela Embaixada de Espanha em Moçambique, no âmbito do projecto “Modelos de mulher”. O objectivo é pôr em contacto as mulheres moçambicanas que realizam uma actividade profissional ou artística com raparigas em idade escolar.

O novo álbum discográfico de Simba Sitoi será lançado no próximo dia 25 do mês em curso. Intitulado Cloud walker, o disco é um dos mais marcantes para o rapper.

 

O local chama-se Galeria e localiza-se no Porto de Maputo, ali perto da afamada Rua Araújo. A hora, 17, do dia 25 deste mês de Março. O assunto, Cloud walker. Pois é, o rapper Simba Sitoi vai finalmente apresentar o seu mais recente álbum discográfico em concerto.

Próxima sexta-feira, Simba Sitoi vai actuar com banda, num espectáculo que se vai prolongar por 90 minutos. Na sessão de lançamento do seu próximo evento muiscal, o rapper não se referiu aos convidados que irão partilhar o palco consigo – surpresa – , mas assegurou que o público irá viver uma experiência de música feita para todos os que têm bom ouvido. Ou seja, o espectáculo não foi pensado apenas para agradar os apreciadores do RAP/ Hip-Hop. Será um concerto de música, em primeiro lugar, e, em última instância, um bom concerto de música, no qual o rapper não se vai esquecer das suas origens.

A propósito de origens, no dia 25 de Março Simba Sitoi irá interpretar músicas que integram o seu mais recente álbum, como é óbvio, no entanto, sem deixar de lado tantos outros singles ou hits que definem o seu percurso artístico ao longo dos anos.

Seja como for, o concerto de apresentação do novo disco será para os que já ouviram e os que pretendem ouvir o trabalho que ganhou consistência durante a pandemia da COVID-19. Quer isto dizer que, na verdade, a produção musical do Cloud walker iniciou há mais de 10 anos. Quando o confinamento chegou, o artista revisitou vários trabalhos guardados e percebeu que as músicas já não deviam permanecer encerradas numa gaveta qualquer. Então decidiu trabalhar num disco que é, simultaneamente, um conceito virado para o cidadão do mundo, para aquilo que Simba Sitoi se tornou nos últimos anos.

Na conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, no espaço Galeria do Porto de Maputo, como que num exercício retrospectivo, Simba Sitoi confessou: “Este álbum é muito particular porque constitui um dos mais importantes da minha carreira. Muitas pessoas que fazem parte do álbum já não estão entre nós, ou, agora, estão mais evoluídas e conhecidas do que quando gravamos as músicas. Outras pessoas que integram o álbum já nem música fazem”.

Referindo-se ao espectáculo musical da próxima sexta-feira, o produtor Yasser Pecado garantiu que: “Estamos a ter a oportunidade de oferecer aos fãs do Simba Sitoi um concerto ao mais alto nível, com todo requinte que isso exige”.

A longa-metragem O poeta da ilha, de Júlio Silva, tem 85 minutos de duração e foi rodada em Cabo Verde. O filme retrata uma história sobre a luta que os cabo-verdianos fizeram na clandestinidade durante a época colonial.

 

O novo filme de Júlio Silva foi rodado nas ilhas de São Vicente e Santo Antão, em Cabo Verde. Essencialmente, O poeta da ilha é uma longa-metragem sobre a luta que os cabo-verdianos travaram na clandestinidade durante a luta contra o colonialismo português. No enredo, um poeta é preso por agentes da PIDE três dias antes da almejada liberdade.

A decisão do cineasta realizar o seu mais recente filme em Cabo Verde foi consequência de um convite que feito pela Associação Rotchimar. Assim, Júlio Silva aproveitou a oportunidade para concretizar um projecto de filme que deverá ser continuado em Moçambique e em Portugal, porque, segundo entende, o tema é tão importante quanto actual.

Em 85 minutos, a longa-metragem O poeta da ilha junta à ficção uma história baseada em factos verídicos e, avançou Júlio Silva, contou com a participação dos melhores actores de Cabo Verde. Foi com 40 actores cabo-verdianos que o realizador construiu uma história sobre as prisões arbitrárias e injustiças protagonizadas pelo regime colonial português durante a grande noite opressora. Entre os actores estão Mirita Veríssimo, Rank Gonçalves e João Graça.

“Portanto, neste filme retrato a força de todos aqueles que estiveram a lutar na clandestinidade para que o seu país fosse livre e independente, porque não foram só combatentes que lutaram pela independência. Houve muita gente que lutou nas suas cidades e vilas”, afirmou Júlio Silva a partir de Portugal, onde vive e trabalha.

O filme O poeta da ilha foi rodado em 45 dias consecutivos. A ante-estreia da longa-metragem está marcada para Lisboa, ainda neste mês de Março, e a estreia irá acontecer no dia 7 de Maio, no Festival Internacional da Emigração, em Luxemburgo. Já em Moçambique, a longa-metragem será exibida em Agosto.

 

 

 

“Mulheres daqui e de outros lados” é o título da exposição inaugurada na última quinta-feira, no Centro Cultural Franco Moçambicanos, na Cidade de Maputo. Com autoria do fotógrafo francês Denis Rion, as obras representam o modo de vida de algumas mulheres africanas.

Um itinerário feminino no sector de actividade em torno de água. Imagens registadas durante vários anos pelo fotógrafo francês Dinis Rion.

São mulheres daqui e de outros lados, mas com algo em comum – a luta pela sobrevivência.

“Faço este trabalho há dezenas de anos, em Suriname, no continente sul-americano. Estive lá numa pequena vila perdida, na floresta da amazónia, onde me apercebi da importância dos rios e lagos usados como meio de comunicação”.

A foto reportagem é o aspecto actual das suas obras que, segundo o autor, nasceu da vontade de ilustrar a riqueza de culturas e modos de vida de várias mulheres africanas. “Por este motivo, nasceu a vontade de fazer este trabalho. Já apresentei em Mali e, há dois anos, fi-lo em Madagáscar, e apresentei outro trabalho no Dia Internacional da Mulher”, disse Denis Rion.

O artista passará três semanas em Maputo, para continuar a sua pesquisa sobre as mulheres, e o seu campo será a zona costeira de Marracuene.

A exposição está aberta ao público no Centro Cultural Franco moçambicano e no Centro Cultural Moçambique-Alemão até ao dia 4 de Abril próximo.

Manuela Soeiro e Lucrécia Paco participaram, esta quarta-feira, na Cidade de Maputo, na sessão de debate “Boal e Freire: convergência na construção de um mundo melhor”, promovida pelo Centro de Teatro do Oprimido (CTO), a propósito do Dia de Teatro do Oprimido.

A 16 de Março celebra-se o Dia Mundial do Teatro do Oprimido. Por isso mesmo, o Centro de Teatro do Oprimido, no Bairro Hulene, na Cidade de Maputo, reuniu actores, encenadores, artistas em geral e entusiastas da arte do palco. A grande tarefa de orientar a sessão foi confiada ao docente universitário e ensaísta, Dionísio Bahule, que realçou a importância de um grupo que tem investido em peças com uma componente cívica muito forte, que realça uma ligação umbilical entre quem diz e quem ouve.

Na famosa Feira de Hulene, o Centro do Teatro do Oprimido gerou um debate subordinado ao tema “Boal e Freire: convergência na construção de um mundo melhor”. Apoiando-se ao tema, Lucrécia Paco defendeu que o teatro do oprimido é fundamental porque é aquela arte que coloca o Homem a reflectir sobre si e, em função disso, sobre o seu próprio papel na sociedade moçambicana. “Este movimento é muito bom porque leva o teatro às pessoas, num país em que se regista muitos problemas de salas de teatro e em que o público debate-se com problemas de transporte que não estimulam a visita às salas teatrais tradicionais”.

Segundo Lucrécia Paco, o teatro do oprimido merece investimento por parte da sociedade moçambicana porque, de facto, contribui no combate a qualquer tipo de opressão. Quem concordou com esta abordagem foi Manuela Soeiro. “Graças ao teatro do oprimido, temos a possibilidade de reflectir sobre nós próprios, num país com tantos problemas, como agora. É bom pensar o que o teatro pode proporcionar em termos de forma de estar e de criticar com originalidade”.

Por sua vez, o Coordenador-Geral do Centro de Teatro do Oprimido, Alvim Cossa, acrescentou que o combate à opressão, através do teatro do oprimido, faz-se através de exposição de ideias e de constrangimentos no palco. Este cenário, acrescentou Cossa, permite ao auditório “olhar para uma determinada situação e viajar para dentro de si, buscando respostas para partilhar com os outros as suas sensibilidades”.

O encontro desta quarta-feira, inclusive, serviu para o Centro de Teatro do Oprimido reflectir sobre o trabalho feito nos 21 anos de existência, rumo à liderança da transformação.

A conceituada cantora moçambicana, Mingas, fez, ontem, a entrega de um acervo bibliográfico à Universidade Eduardo Mondlane, composto por livros de engenharia.

São livros diversos, que versam sobre engenharia, que a Universidade Eduardo Mondlane recebeu esta quarta-feira. As obras, segundo a cantora moçambicana, pertenciam ao seu marido, e espera-se que reforcem o material bibliográfico da mais antiga instituição de ensino superior do país.

“Esses livros serão usados por vários alunos que tiverem necessidade ou que não tiverem acesso. Além de que o dono do livro é uma pessoa também formada na área, já profissional, mas que sempre consultava livros, procurava mais livros. Sempre achava que os livros faziam falta para os estudantes moçambicanos. Ele percebeu que havia muita falta do poder de compra”.

São mais de 50 livros com diversas temáticas sobre engenharia, que segundo Mingas, pertenciam ao seu falecido marido, formado nos Estados Unidos da América.

Para Orlando Quilambo, reitor da Universidade Eduardo Mondlane, os livros, por sinal, únicos, serão uma mais-valia na formação de futuros engenheiros. “Esses livros constituirão uma base para que os nossos estudantes possam aprofundar os seus conhecimentos, mas, acima de tudo, é uma oportunidade de partilhar as ideias com os outros estudantes”, disse Orlando Quilambo.

Mingas é compositora, cantora vencedora de vários prémios e também activista na defesa de direitos humanos. A sua integração no Grupo RM e na Orquestra Marrabenta Star de Moçambique ajudou-a a estabelecer o seu nome na arena musical do país.

Com a Orquestra Marrabenta fez as suas primeiras digressões europeias, entre 1987 e 1988. Nesse período, recriou e gravou a solo os clássicos moçambicanos, ‘Ava sati va lomu’ e ‘Elisa gomara saia’.

A sua consagração internacional foi em 1990, ao conquistar, em parceria com Chico António, o ‘Grand Prix Découvertes’, da Radio France Internacional, com a canção “Baila Maria”. Na sequência, grava em Paris o disco “Cineta” com o projecto “Amoya”, um esforço de internacionalização do Grupo RM.

A editora Cavalo do Mar lançou a título póstumo, quinta-feira, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, o livro de poemas Com a saliva muito ao Sul, da autoria de José Pastor.

 

“Quando no chão da nossa/ intimidade sulcamos a terra,/ para nos semearmos,/ é então que ela grita,/ e sangra, e canta com/ voz de barro”. Assim começa o primeiro poema de Com a saliva muito ao Sul, da autoria de José Pastor. O livro foi lançado quinta-feira, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, sob a chancela da Cavalo do Mar.

Na cerimónia em que estiveram pessoas próximas ao falecido poeta, dois amigos partilharam memórias e uma certa imagem do que, de certo modo, representa José Pastor. Entre esses amigos destacaram-se Luís Lage e João Carlos Trindade. Não lhes cabendo apresentar a obra literária, ambos investiram num exercício de memória, celebrando Pastor com histórias comoventes e hilariantes.

O livro Com a saliva muito ao Sul é o primeiro de José Pastor. Quer isso dizer que em vida o poeta deixou poemas em algum lugar. Assim, coube a Afonso dos Santos, a quem o poeta confiou a tarefa por escrito, seleccionar os textos que agora compoem o livro. No Camões, durante a sua intervenção, Afonso dos Santos preveniu: “Não pus o José Pastor a escrever o que ele não escreveu. Também aqui se trata de uma questão de respeito. Tudo o que está neste livro, do primeiro ao último verso, é a escrita do José Pastor”.

Segundo acrescentou o coordandor editorial, “o objectivo não era simplesmente publicar um qualquer livro de poesia do José Pastor, era, sim, construir um livro que fosse uma obra coerente e com vida própria”, pois o que o poeta pretendia não era ter o seu nome na capa dum livro.

Afonso do Santos explicou, com efeito, como procedeu na selecção dos poemas e na organização do livro, o que inclui a ordenação dos poemas, de modo que a unidade de sentido não ficasse comprometida. “Quanto à selecção dos poemas, quero salientar que eu não me limitei a incluir no livro apenas os poemas da minha preferência, até porque outros leitores terão preferências diferentes das minhas, e, além disso, eu não estava a preparar um livro meu, estava a preparar o livro do José Pastor. Isto quer dizer que este livro não é aquilo que poderia ser considerado o meu livro de poemas do José Pastor”, acrescentou.

Com a saliva muito ao Sul é constituído por 151 páginas. No Camões, o livro foi apresentado por Nelson Saúte. Durante o discurso, o escritor afirmou: “Num país que pratica o esquecimento como uma das suas artes sublimes; num país que cultiva a amnésia com espantoso método; num país alheado, ancorado na desmemória e no opróbrio do descaso a que vota a muitos dos seus melhores; num país que trata com meticulosa displicência os seus poetas, este acto tem um significado e uma simbologia muito relevantes”.

Ainda durante a apresentação da obra, Saúte referiu que o livro Com a saliva muito ao Sul está dividido em dois momentos. Primeiro, “Respirar o Fogo”, que ocupa quase dois terços da obra, com poemas de amor, de um amor arrebatado, incessantemente carnal. Já na segunda parte, “Com a saliva muito ao Sul”, o escritor encontra um longo e fragmentado poema que não se exonera do seu registo lírico, onde se observa um poeta mais onírico, que muito cultiva a morte. “Este é um livro tremendo de um Poeta espantoso, de uma alma formidável, de um homem surpreendentemente excepcional, de uma ânsia de viver esplêndida, o que poderá parecer paradoxal, de uma vida breve e portentosa”.

Conforme se lê na sua nota biográfica, José António Pastor Duarte Silva nasceu a 29 de Julho de 1954, em Nampula, e faleceu a 26 de Agosto de 1993, na Cidade de Maputo. Passou grande parte da sua infância e uma pequena parte da adolescência em Lisboa. Regressou a Moçambique em 1969, tendo vivido sucessivamente nas cidades de Nampula, Lichinga e Maputo. Em 1977, foi para Cuba, como professor nas escolas moçambicanas na Isla de la Juventud. Regressou a Moçambique em 1985 e continuou a trabalhar como professor, primeiro na Escola Secundária de Nwachicoluane, no Distrito de Chókwè, na Província de Gaza, e, depois, na cidade de Maputo. Posteriormente, saiu da Educação e trabalhou como funcionário administrativo numa empresa.

Vários poemas e contos de Pastor estão publicados na imprensa moçambicana. Por exemplo, na Gazeta de Artes e Letras da célebre revista Tempo. Por vezes, assinou textos com o pseudónimo Broeiro Duarte São Pedro. Está representado nas seguintes antologias: Antologia da nova poesia moçambicana, de Fátima Mendonça e Nelson Saúte; Rostos da língua – breve antologia de autores da língua portuguesa, de Eduardo White; Die liebe aller tage – erzählungen aus Moçambique, de Elisa Fuchs e Elsa Fuchs-De Melo; Colectânea breve de literatura moçambicana, de Rogério Manjate.

Com a saliva muito ao Sul, com efeito, assim termina: “Quero atravessar o deserto,/ o desastre// Negrejo, e esta é a remendagem da alma./ Vejo-me espelhado num múrmuro/ abismo ignorado.”

 

Chica Sales inaugurou, quarta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, a sua mais recente exposição de pintura.

Viagem no plural é o título da nova exposição de Chica Sales. Patente na galeria da Fundação Fernando Leite Couto, a individual de pintura é uma aventura pelo universo feminino e pelos lugares que a mulher ocupa em vários contextos da sociedade moçambicana, sobretudo no campo.

Na mostra aberta quarta-feira, igualmente, Chica Sales explora os dramas do ser mulher, em ambientes onde sobreviver é quase um milagre: longe da água potável e perto da seca. Esse é um cenário que reflecte a situação da rapariga e da mulher, a quem cabe, geralmente, a tarefa de suprir todas e quaisquer dificuldades relacionadas com a água e tantas outras coisas.

A mulher, na verdade, é o tema de eleição de Chica Sales. E onde há mulher, igualmente, há crianças. Essa é a sua maneira de exprimir o que vê, ouve e sente na ligação com a terra e com as velhas histórias contadas pela sua mãe, que teimam em emitir um eco aos seus ouvidos. “O que pretendo mostrar nesta exposição é a vida ou o quotidiano das populações nas áreas rurais, mostrar a mulher no seu dia-a-dia e os desafios enfrentados diariamente para chegar onde chega”, afirmou, Chica Sales, momentos depois da abertura da sua individual na Fundação Fernando Leite Couto.

O que anima Chica Sales é, nas obras pintadas com recurso a óleo sobre tela ou aguarela sobre papel, é a possibilidade de as pessoas encontrarem nas telas questões que as identificam.

Durante a abertura de Viagem no plural, a exposição foi apresentada por António Barros Júnior, para quem Chica Sales está a transportar o seu traço sensual para transmitir a vida da mulher moçambicana. Aliás, a mostra é uma forma de celebrar o universo feminino, no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.

Com curadoria de Yolanda Couto, Viagem no plural pode ser visitada na Fundação Fernando Leite Couto até 2 de Abril.

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