O País – A verdade como notícia

O mais recente livro de Suleiman Cassamo será apresentado ao público nas próximas semanas. Segundo o escritor, A carta da Mbonga é sobretudo uma homenagem à sua terra natal: Marracuene.

Há cinco anos, a União dos Escritores Angolanos lançou a primeira edição de A carta da Mbonga, na sequência do livro ter sido distinguido vencedor do Prémio Sonangol de Literatura. A edição limitada, 200 exemplares, não permitiu o livro chegar às livrarias moçambicanas. Logo, em geral, os leitores nacionais não tiveram acesso à obra que, em Moçambique, conquistou o Prémio BCI de Literatura.

Assim, a edição da obra literária pela Alcance Editores, para Suleiman Cassamo, é oportuna e benéfica, porque lhe tira um grande peso quanto à sua responsabilidade com o público moçambicano.

Relativamente à edição angolana, o título de Suleiman Cassamo apresenta, agora, um subtítulo: A carta da Mbonga – fragmentos de uma vida encalhada na estação. Segundo o escritor, o subtítulo diz muito no que toca ao protagonista, que, de facto, encalha na estacão dos caminhos de ferro de Marracuene.

Em termos de conteúdo, o livro passou por uma revisão e aumentou de páginas, porque, durante o processo de revisão, as histórias ganharam mais fôlego, com planos ampliados e introdução de novos elementos. Suleiman Cassamo quis, assim, melhorar a ligação entre as partes da narrativa.

 Segundo disse Suleiman Cassamo, esta segunda-feira, A carta da Mbonga faz parte de um projecto de recuperação da memória. “Nesse sentido, poderá não ser livro único. Não vou falar de trilogia, mas não será único”. A carta da Mbonga é o primeiro de mais livros de Suleiman Cassamo que terão Marracuene como epicentro. “Esta é uma espécie de homenagem à minha terra natal, na verdade”.

O mais recente livro de Suleiman Cassamo é uma história de amor a envolver Salatiel e Mbonga. Ao longo do enredo, passam-se vários eventos que concorrem para que esse amor seja uma espécie de fardo para o protagonista. Salatiel sofrerá por isso e, quem sabe, o leitor irá se solidarizar com a personagem.

 

Por: Patrício Langa & Jorge Ferrão

 

Um decenário corresponde a um período de dez anos. No prenúncio da celebração do sexagenário do ensino superior, em Moçambique e Angola, decidimos lançarmo-nos e, deste modo, convidar aos demais para uma reflexão sobre a génese, percurso histórico e vicissitudes do ensino superior em Moçambique. Fazemo-lo, de espírito aberto, para estimular o debate crítico-reflexivo, rumo à elucidação. Não o fazemos como um exercício de crítica furtuita, em busca de bodes expiatórios para os aspectos que se podem considerar problemáticos neste percurso, nem com o intuito de avaliar o desempenho de quem quer que seja. Se existe algum escrutínio no nosso raciocínio, este circunscreve-se à busca do sentido do percurso histórico do ensino superior como instituição social.

O decenário nos permite lançar um olhar retrospectivo, crítico e analítico sobre a constituição do ensino superior como uma instituição social no nosso país. Mormente, a dimensão crítico-analítica formula-se em torno da questão de saber a que projecto de sociedade serve a instituição do ensino superior? Por instituição, neste contexto, não nos referimos a cada organização, mas ao ensino superior como uma instituição social, regida por valores, normas e princípios, inerentes aos processos académicos e de governação, assim como ocorre com outras instituições sociais. Por outras palavras, questionamo-nos sobre os processos inerentes à vida das Instituições de Ensino Superior (IES) (ensino, investigação, extensão e governação), os valores e princípios que as governam e que tipo de cidadão visam gerar para que tipo de sociedade? Parafraseando o nosso filosofo-mor, Severino Elias Ngoenha, diríamos que nos questionamos sobre o estatuto axiológico do ensino superior, ao longo do percurso histórico das seis décadas que o ensino superior completa em 2022.

Ao concentrarmo-nos em cada década, pretendemos amplificar alguns dos acontecimentos e factos marcantes que consideramos que concorreram para definição do carácter do ensino superior em Moçambique, até ao momento, quando se celebra o sexagenário desta instituição social.  Estão lançados os dados!

Um início colonial e tardio 

Prefaciamos este exercício com a alusão ao facto de o ensino superior em Moçambique, assim como em quase todos os países africanos, entre o Sahara e o Maputo, ser um fenómeno raro no período colonial. Com efeito, nas colónias britânias da África Ocidental, a Nigéria, com quase um quarto da população do continente, o sétimo país mais populoso do mundo, tinha apenas uma universidade, a Universidade de Ibadan, com alguns milhares de estudantes.  Na década de 90, portanto, três décadas após a sua independência, a Nigéria contava já com cerca de 31 instituições de ensino superior e, actualmente, conta com mais de uma centena de IES.

Na África Oriental, a Universidade de Makerere era a única instituição que servia às colonias britânicas que hoje representam três países independentes, Uganda, Quénia e Tanzânia.  Actualmente, cada um desses países hospeda dezenas de IES e milhares de estudantes. O mesmo padrão de raridade se verifica nas ex-colónias francesas.

Angola e Moçambique, apenas no início da década de 1960, viram Portugal ceder à pressão interna – particularmente dos expatriados, filhos dos colonos Brancos, e externa, com o crescimento dos movimentos independentistas – e a estabelecer as primeiras IES em 1962.

O Decreto-Lei número 44530 que criou, nas provinciais de Angola e Moçambique, eufemisticamente designadas do ultramar para camuflar o colonial, os estudos gerais e universitários[1] é bastante instrutivo sobre a visão de sociedade na qual e para a qual o ensino superior era criado.

Angola e Moçambique eram provinciais de Portugal e não países independentes e soberanos. Com efeito, o estatuto de colónia destes territórios transparece no decreto não apenas na designação do mesmo, mas noutras passagens elucidativas das expectativas e vicissitudes de um tal estabelecimento.

“[…] O Governo entendia ter chegado o momento de instituir o ensino superior nas províncias de Angola e Moçambique, coroando assim um esforço extremamente honroso, levado a cabo no domínio da instituição. Ao ser tomada esta decisão, não deixou de estar presente a complexa problemática do ensino nos territórios em via de desenvolvimento, onde logo avultam as questões relacionadas com a ocupação escolar de base, pilar fundamental do portuguesismo dos povos”. (Langa et al., 2014, p. 279).

Ressalta no excerto acima que a decisão da criação decorreu de um “esforço honroso” de uma matéria considerada “problemática do ensino nos territórios em vias de desenvolvimento” entendido como “pilar fundamental do portuguesismo dos povos”. A função ideológica e a expectativa da contribuição do ensino superior para o alargamento da “Portuguesismo” é explicita no decreto.

A pressão interna a que nos referimos antes, estava relacionada à preocupação com a “ocupação escolar de base” de um crescente número de jovens Portugueses colonos que haviam concluído o ensino liceal e técnico, e cujo futuro na colónia era incerto. Para evitar que estes jovens se sentissem atraídos e aliciados a integrar os crescentes movimentos de contestação ao Estado colonial e fascista era necessário dar-lhes uma ocupação.

Iremos perceber como este contexto influencia o tipo de áreas de estudo e currículo da nova instituição, que desde já, terá uma tendência mais para as áreas   politécnicas e não para as humanidades e ciências sociais, por se considerarem de risco. Conforme disposto no artigo sétimo do decreto:

“Nos estudos gerais universitários, serão instituídos com prioridade, os cursos correspondentes aos domínios de actividade onde se verifique maior carência de pessoal habilitado com cursos superiores. Desde já, consideram-se prioritários os cursos relacionados com a ciência aplicada” (Langa et al, 2014. p 280).

Paradoxalmente, seis décadas depois, as ciências aplicadas continuam a ser vistas como uma área prioritária, com recurso ao mesmo tipo de argumentos usados no período colonial. As ciências sociais, tanto no regime colonial como nos sucessivos governos pós-independência, tiveram um lugar no mínimo de suspeita, ainda que os números tenham crescido no período pós-colonial, mas também a percepção da sua inutilidade, ou utilidade perversa, e de perigo para os defensores do status-quo.

Enquanto isso, a preocupação com a pressão externa anticolonial é notável no seguinte excerto do decreto que cria o ensino superior:

“(…) Tudo isto que se entende corresponder a uma visão realista da situação, e tendo ainda em conta as pesadas incidências que as circunstâncias da conjuntura internacional têm nos orçamentos das províncias, torna evidente que tem de prever-se, criteriosamente, os recursos necessários para um programa de ensino que se deseja tão completo quanto possível. Mas tendo isto em conta, e na certeza de que se trata de um domínio onde todos estarão dispostos a fazer os sacrifícios necessários, pensou-se que não se devia adiar a execução do projecto relativo à instituição do ensino superior nas referidas províncias” (Langa et al, 2014. p. 279).

Um certo “realismo” e pragmatismo em relação a leitura da conjuntura internacional, cuja pressão se reflectia na viabilidade financeira das províncias (leia-se Colónias) e que, por isso, exigia concessões e sacrifícios. Portanto, parece evidente que a criação do ensino superior em Angola e Moçambique não foi um acto de benevolência civilizadora, antes pelo contrário, foi um acto de sobrevivência de um regime colonial que se percebia, cada vez mais, sem opções de perpetuar o status quo.

Uma estratégia de sobrevivência era o reforço do discurso ideológico da Unidade Nacional.

“Um ponto que se afigura fundamental, e nunca poderá ser esquecido, é que a Universidade de facto é uma instituição intimamente e perpetuamente ligada à definição e ideia da unidade nacional, que os Portugueses vivem hoje com intensidade, mas poucas vezes atingida no passado” (Langa et al, 2014. p. 279).

Ė interessante notar que as palavras de ordem do vocabulário do status quo colonial, nomeadamente, “contribuir para o desenvolvimento”, “responder a conjuntura internacional” e “reforçar a unidade nacional”, continuam hoje, ainda que em contextos distintos, praticamente as mesmas.

Mudaram-se os tempos, os regimes e o estatuto de colónia para país independente, mas persiste o parolar ideológico da vontade do poder. Nesse vocabulário, se mistifica a função ideológica e o papel da universidade de perpetuar o status quo, como se nota no seguinte excerto do decreto:

“Basta meditar no que representou, para a preservação dessa unidade, a velha e gloriosa Universidade de Coimbra, ao lado da qual enfileiraram dignamente as demais, para todos compreenderem a importância decisiva que a Universidade tem na vida da Nação” (Langa, et al, 2014 p. 279).

A criação da universidade na colónia era percebida como um acto necessário ainda que de grande risco, para o qual se deveria tomar todo o cuidado para não colocar em causa a estabilidade e a dignidade do País, neste caso, Portugal. Como refere o decreto “Trata-se, pois, de um domínio onde não deve improvisar-se sem perigos graves para a dignidade do País, para os seus interesses vitais e até para a estabilidade social dos povos” (Op. cit).

 

E remata o decreto:

“Daí o inconveniente de o ensino superior ser instituído em qualquer parte do território nacional, em termos de os seus diplomados virem a sentir-se socialmente diminuídos pela circunstância de aos títulos obtidos não poder ser reconhecida igual à dos concedidos por outras instituições de ensino superior”. (…). Por isso, se entende que o ensino superior nas províncias ultramarinas deve ser feito em estreita associação com as Universidades existentes, as quais, dando mais uma vez a prova do seu acrisolado devotamento ao interesse nacional, não se pouparão a sacrifícios para assegurar a tal ensino uma total dignidade (Langa et al, 2014 p. 279).

Concluímos esta breve introdução, sobre a génese ideológica do Status quo do ensino superior, mas não a análise do período. No período entre 1962 e 1972, cronológico decenário, ocorreram actos significativos que alteraram o carácter inicial da necessidade e do projecto e cujas datas não cabem, necessariamente, dentro do decenário, mas cujos actos podem à aquele estar estritamente associados. Por isso, no título, acrescemos os anos 1975/6, respectivamente o ano da independência de Moçambique da colónia Portuguesa e o 1976 o ano no qual a única IES e rebaptizada em homenagem a Eduardo Mondlane, primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique. Entretanto, o ano de 1968, que cabe dentro da década da génese, também constitui um marco importante dada a elevação dos Estudos Gerais e Universitários (EGUM) ao estatuto de Universidade que se passou a designar de Universidade de Lourenço Marques, então capital da colónia. (Parte 1: Continua).

 

 

[1] Langa, Patrício, Cumaio, Garciano e Rafael, Duarte. P (2014) (Eds). Cinquenta anos de legislação e políticas públicas do ensino superior em Moçambique 1962-2012. Disponível Online: (13) (PDF) Cinquenta anos de legislação e políticas públicas do ensino superior em Moçambique 1962-2012 (researchgate.net)

 

Por: José Paulo Pinto Lobo

 

Ao Jorge Ferrão, inspirado em palavras suas

 

Esperanças grisalhas

Timbilando sonhos

Nas asas de um milhafre

 

Brancas nuvens

Dedilhando sonhos

No mshiro das deusas da Ilha

 

Juno nas plumas de um pavão

 

Mar esmeralda

Harpeando sonhos

Nos raios de um Índico sol

 

Vénus num manto de madrepérola

 

Esperanças grisalhas

Ainda são sinfonia

De sonhos de ventura vindoura

 

Lírios da grinalda de Spes[1]

 

 

Cascais, 9 de Dezembro 2021

[1] Na mitologia romana, Spes era a deusa da Esperança. A sua correspondente grega é Élpis, a única que permaneceu na caixa que Pandora recebeu dos deuses.

Por: Glayds Gande

 

Quando o COVID-19 chegou ao mundo e as inúmeras restrições e lockdowns emergiram, escrevi sobre ser uma óptima oportunidade para África se reorganizar e se reestruturar para que quando as coisas “voltassem ao normal”, África pudesse estar mais preparada e independente.

Para além do que escrevi na altura, imaginava que com as restrições ao acesso aos serviços de qualidade do primeiro mundo, principalmente a saúde, ficaria claro para os dirigentes africanos que estamos todos no mesmo barco, pelo menos enquanto os lockdowns existissem, e que dever-se-ia trabalhar na providência de serviços e infra-estruturas de qualidade para todos, forçando a melhoria da capacidade produtiva africana. Mas porque sabemos sempre arranjar formas para benefícios de uma minoria, ainda em lockdowns, jatos privados serviam de meio de ligação com esses lugares mais organizados para os nossos líderes serem bem tratados, e doutro lado aqui em nossa terra, empresas faliam, o povo no desemprego, estávamos incapazes de controlar o vírus porque não tínhamos testes suficientes, nem condições de serviços de saúde para atender a demanda causada pelo vírus.

Enquanto isso, o primeiro mundo repensou (não sei se bem, mas repensou), novas formas de tratamento do ecossistema natural surgiram, COP 26 é um grande exemplo desse repensar (não irei fazer nenhuma análise critica sobre o mesmo neste artigo), novas formas de produção, de trabalho e tratamento dos trabalhadores também surgiram, cada vez mais o famoso “work-life balance” torna-se uma realidade e África a reboque tenta implementar tais soluções impostas pelos outros mas que podem não funcionar devidamente por aqui porque a estrutura não está preparada para receber essas soluções.

Sempre esteve claro que o mundo não parou porque os Africanos foram afectados pelo Covid-19 mas porque o ocidente tinha sido afectado. As economias por lá já estão em recuperação, África não foi vacinada o suficiente por incapacidade técnica e financeira para produzir ou comprar vacinas, por isso, e principalmente pelos motivos não declarados, o mundo vai isolar África (ou se preferirem região Austral). E dependendo das acções que forem tomadas pelos africanos, continuar com o modis operandi que já nos habituamos pode ser caótico para uma economia que passou por tanto nestes últimos tempos e que quase não tem reservas para se aguentar sem o resto dos continentes.

Em ciência, em economia, evita-se falar de Deus (o arquitecto do universo, a força por trás de tudo ou outro conforme quiserem chamar) sob o risco de sermos descredibilizados. Entretanto, trago aqui a sua presença por ser através dela que a maioria das pessoas se sente na “obrigação” de serem justas, de serem éticas e de fazerem o certo e principalmente por se acreditar que não se vai contra a vontade de Deus.

Ora, andamos em corridas desmedidas atrás de riqueza e poder, e, por conseguinte, a natureza sofre por ser demasiadas intervenções sobre ela e os efeitos são os que se vêm com as mudanças climáticas; sofrem também os humanos que já não têm direito a descanso porque o trabalho já não tem hora nem lugar; a preocupação pelo outro e pelo bem comum torna-se raridade… Se olharmos pela lógica divina, com o Covid-19, Deus deu ao mundo uma oportunidade de se repensar e reorganizar para cuidar melhor deste mundo e dos seus, e enquanto estávamos em lockdowns, os ecossistemas naturais restauraram-se e provaram que a actual presença humana é nociva a sua sobrevivência.

O primeiro mundo já pensou e adoptou novas estratégias de funcionamento com base na experiência do covid-19 e provou mais uma vez que o que eles pensam não é com objectivo de termos um mundo justo e igual para todos, e por isso África vai ser isolada. Se voltarmos para lógica divina, vamos ser também isolados porque não estamos a fazer o que devemos.

Será que já paramos para analisar que neste período (Covid-19, Instabilidade em Cabo Delgado, insegurança alimentar e conflito armado na Nigéria, a instabilidade na Etiópia, etc.) mais a nossa falta de organização, quantos cidadãos ficaram sem emprego, quantas famílias ficaram sem sustento, o nível de inflação, aumento do custo de vida, empresas falidas, desinvestimentos, desunião, egocentrismo, etc? O que isto significa para nós a médio e longo prazo?

Deixa-me dizer que, neste período nem tudo foi desgraça, o país (Moçambique) introduziu a prestação de serviços públicos por via de canais digitais; com a utilização do digital e da internet ficamos mais próximos de todo o mundo; a utilização de forças tarefas e providência de informação continua sobre o estado da nação foi experimentado. O potencial económico resultante da riqueza turística, mineral, de produção agrícola, demográfica, entre outros permanece aqui (Moçambique e África). E com mais esta chance que o primeiro mundo nos dá (que eu prefiro pensar que é Deus, e não eles) de enquanto estivermos isolados, repensarmos e organizar todo esse potencial que temos, gerar empregos, melhorar a qualidade dos serviços, a produtividade, nos tornarmos autossustentáveis, independentes, unidos e justos, devemos fazer agora e não noutro tempo, porque depois pode ser tarde, fazer um lockdown para pensarmos e cuidarmos da nossa tão querida África – e porquê não de todo o universo.

Finalmente, escrevi este texto porque gostaria de ver os jovens africanos, principalmente os moçambicanos, a entenderem que somos cada vez mais chamados a contribuir para a nossa liberdade. Parem por um momento esses posts de #ricariatodahora #avidaéumalife #estamosemfestas #riquezade1000pessoasestouacarregarsozinh@ e x, y e z e vamos buscar estratégias de transformação do nosso continente, do nosso país, e quiçá do mundo, e do nosso ser enquanto humanos.

Se não quiserem fazer por nós, e pelos vossos filhos, pelo menos façam pelo amor que têm por Deus para que a sua vontade de ver a sua bela criação próspera seja feita. #africapleasestandup

 

 

 

O livro de Álvaro Taruma integra lista do Plano Nacional de Leitura em Portugal (Ler +). Animais do ocaso foi lançado há três meses na Cidade do Porto e, depois, foi apresentado na Feira do Livro de Lisboa.

 

Às 10 horas desta terça-feira, Álvaro Taruma recebeu uma mensagem de um contacto cujo prefixo é +351. O poeta logo soube que se tratava de alguém que o escrevia a partir de Portugal. Na verdade, o prefixo pouco contribuiu para essa conclusão. Afinal, o contacto está gravado no seu telemóvel em nome do seu editor português.

Em geral, a mensagem que Álvaro Taruma recebeu dizia que o seu terceiro livro integra a lista do Plano Nacional de Leitura em Portugal. Ou seja, Animais do ocaso é um dos livros aconselhados para a leitura (a maiores de 18 anos) naquele país europeu.

A novidade chegou em jeito de um presente de Natal antecipado. Por isso, Álvaro Taruma, emborra surpreendido, ficou satisfeito com o reconhecimento da sua obra a 11 mil quilómetros de casa. “Esta é uma notícia inesperada. Na verdade, dá-nos orgulho e força, a mim, como autor, e a todos aqueles que aspiram escrever e àqueles que vivem de literatura em Moçambique. Mostra que é possível chegar longe com aquilo que produzimos cá”.

Além disso, Álvaro Taruma espera que a inclusão do seu livro no Plano Nacional de Leitura, em Portugal, sirva para demonstrar que a literatura moçambicana tem valor além-fronteiras.

A selecção dos livros que integram a lista do Plano Nacional de Leitura é feita por membros de júri representantes de vários sectores, de modo a que os leitores portugueses (alunos, professores e pais/ encarregados de educação) tenham a melhor oferta em termos de literatura. Assim, Álvaro Taruma deseja que o livro alcance mais pessoas e, assim, possa ter mais edições. Na verdade, pasa por aí uma das grandes vantagens da inclusão de um livro no Plano Nacional de Leitura em Portugal: divulgação de autores, permitindo que os seus livros fiquem inseridos nos programas das escolas”.

Animais do ocaso foi lançado há três meses, na Cidade do Porto, sob a chancela da Exclamação. Na mesma altura, foi apresentado na Feira do Livro de Lisboa. Ainda não está disponível para venda em Moçambique. Contudo, Taruma garante que, em breve, o livro será lançado por uma editora moçambicana.

Foi inaugurada, no Hospital Central de Maputo (HCM), uma escultura que explora a temática da COVID-19. A obra é uma homenagem a todos os profissionais de saúde e a todas as forças vivas da sociedade no combate ao Coronavírus.

Colocada junto a uma das entradas do Banco de Socorro, chama atenção a qualquer um que por ali passa. Uma imagem robusta à semelhança de um vírus, feito a material de ferro, destaca o reconhecimento a todos os profissionais de saúde e a toda a sociedade no combate à COVID-19.

Bena Filipe, autora da escultura, diz ter visto a necessidade de a fazer e achou ideal implantar no Hospital Central de Maputo como homenagem a todos os profissionais de saúde. “ O que me incentivou a fazer este trabalho foi no âmbito da eclosão da pandemia da COVID-19 e o envolvimento de todos os sectores económicos, culturais e mais. Houve necessidade de os artistas em várias áreas artísticas fazerem alguma mensagem, então eu decidi que devia fazer esta escultura com material de ferro”, disse.

Segundo a artista, o trabalho foi realizado para marcar, de forma definitiva, as memórias deste período de pandemia que assola o mundo todo.

A inauguração contou com a presença do presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche.

Vem de uma família humilde da cidade da Beira, província de Sofala. Desde criança, sempre esteve apaixonada pela dança, mas, ao longo do tempo, desenvolveu um amor pela música e acredita que, através dela, pode louvar a Jesus e tocar milhares de corações. Conheça a história de Marta Vilanculos, a grande vencedora da sétima edição do Fama Show.

A voz de Nelson Nhachungue, vencedor do Fama Show edição 2005, anunciava Marta Vilanculos, como a grande vencedora da 7ª edição do reality show, realizado em directo na STV.

A primeira classificada não escondia a felicidade no rosto, exibiu o prémio e, de seguida, cantou, em forma de agradecimento a Deus e dedicou à sua filha.

Na verdade, aquele era o culminar de uma jornada que não foi nada fácil, desde a própria história de vida de Marta Vilanculos até à sua participação no Fama Show.

Natural da Beira, província de Sofala, Marta Vilanculos tem a sua história dividida entre a sua terra natal e a província de Inhambane, casa do seu irmão. A grande vencedora do Fama Show tem 23 anos de idade e vem de uma família humilde, por isso, os poucos anos de vida nunca lhe foram fáceis.

“Quando fui viver com o meu irmão em Inhambane, a ideia era que eu tivesse melhores oportunidades de estudos, mas um tempo depois apareceu um amigo do meu irmão para se hospedar na mesma casa e este aproveitou-se da ausência dos outros para me assediar”, contou Marta Vilanculos, a grande vencedora do Fama Show.

Depois deste episódio, Marta Vilanculos foi forçada a regressar à Beira em 2012 e a ter um outro conceito sobre os homens. “Eu já não queria saber de homens. Metiam-me medo. Achava que todos os homens se aproximavam de mim para me magoar, mas tudo mudou quando conheci Jesus. Ele amoleceu o meu coração e tudo voltou a ficar normal”, narrou Marta Vilanculos.

E foi o mesmo Jesus que a tirou da sua paixão de criança, que era a dança, para a música. “Sempre gostei de dançar. Eu dançava num centro cultural algures na Beira”, revelou o seu apreço pela dança, acrescentando que “Jesus foi quem me revelou o dom pela música e que, através dela (a música), podia louvar a Deus. No início, eu cantava as músicas de Bruna Carla e, pouco a pouco, vou apreciando a música e nunca mais parei de cantar”.

Apreciou, encarnou e, a partir daí, a sua vida resumia-se à música. “Música é vida para mim. Eu não levo a música como hobby. Para mim, é viver de música que eu quero. Estou na faculdade e a fazer ciências da comunicação, mas a música é que é a minha vida”, assumiu Marta Vilanculos.

Mas, para viver da música, tinha de começar de algum lugar… e o Fama Show era a oportunidade ideal para si.

Marta Vilanculos teve de abdicar de muita coisa para estar no Reality Show. Deixou a sua filha de oito meses que nasceu prematura.

“Foi muito difícil tomar a decisão de deixar aquela semente que ainda está a brotar para trás. Então, eu tive que tomar esta decisão. Não foi tão fácil, mas eu tinha que fazer isso, porque eu queria. Eu fiquei a pensar: muitos dos artistas partiram de algum concurso. Se não for Fama Show, Desafio Total, Turma Tudo Bom, de um sítio qualquer. Que história iria contar? Então, apareceu esta oportunidade e eu não hesitei”, relatou a vencedora do Fama Show.

Estava no Fama Show, mas o seu coração estava na recém-nascida que deixara em casa. “Houve galas em que eu chorava por pensar na minha filha. Houve uma altura em que ela teve um acidente. Queimou uma parte da perna com água quente e eu pensei em desistir do Fama Show, mas os meus colegas me motivaram a não desistir. Até chegaram a chamar-me de maluca. Ouvi seus conselhos e continuei”, recordou Marta Vilanculos.

E esta não foi a única coisa difícil. Participar do concurso num contexto de pandemia constituiu, também, um grande entrave para Marta. “Quando saí da Beira, não levei nada. Só tinha levado roupa para casting, mas para o show, não levei porque pensei que nos sobraria tempo para voltar para casa. Chegados aqui, a produção do Fama Show disse que não iria custear as despesas e estava lá escrito. Nós é que não prestamos atenção, mas, depois, falei com um amiga para me ajudar com roupas”, revelou a estrela do Fama Show.

A estrela do Fama Show até teve ajuda com roupa para a primeira gala, mas aconteceu um episódio engraçado e interessante. “Eu fui buscar roupas no estilista e perdi o carro que ia à KaTembe. Isso porque, eu pedi a alguém para indicar como podia chegar no Anjo Voador, mas fui aparecer no Xipamanine. Por lá, de tanto desespero, rasguei o meu vestido e acabei o dinheiro de transporte que usaria para chegar à KaTembe. Chorei de tanto desespero”, contou Marta Vilanculos, hoje, às gargalhadas.

Ainda neste episódio, ela acrescenta que teve de pedir dinheiro de transporte a outro concorrente (Afonso Júnior), que lhe mandou por plataformas electrónicas e “quando cheguei à KaTembe, a Shelcia Machaieie foi quem me deu um vestido para eu poder usar e actuar na primeira. Por isso, digo que eles são minha família. Subi ao palco pensando na minha princesa e, por isso, actuei e brilhei muito”.

E brilhou mesmo! Marta Vilanculos foi uma das concorrentes que se manteve constante pela positiva desde a primeira gala e depois das suas actuações, os outros concorrentes aplaudiam-na.

As pessoas viram maravilhas no canto da Marta Vilanculos, votaram e tornaram-na na grande vencedora do Fama Show. Até hoje, custa acreditar. “Ainda não é fácil digerir. Todos os dias são mensagens de pessoas e eu não acredito que sou a vencedora da sétima edição do Fama Show e primeira classificada. Eu dedico esse prémio à minha filha e ao meu esposo”, disse Marta Vilanculos, num tom de entusiasmo.

E o esposo já espera, ansiosamente, pela chegada da sua amada e vencedora do maior reality show do país. “Estamos à espera de ti. Tu és uma mulher guerreira, madura, respeitosa, com carácter inquestionável. Eu amo-te muito. Tua filha ama-te muito também. Estamos à tua espera”, teceu elogios Adamo Costa, esposo da Marta Vilanculos.

Estão à espera, não só o esposo da grande vencedora da sétima edição do Fama Show, como também os munícipes da Beira, tal como o fizeram em 2006, quando o prémio do concurso foi à mesma cidade, pelas mãos de Calisto Ferreira.

Naquele ano, os beirenses lotaram as ruas para receber o seu filho e, este ano, certamente, não haverá muito público por conta da pandemia da COVID-19, mas o amor, o carinho e admiração dos munícipes da Beira, certamente serão os mesmos.

Obra literária de Ungulani ba ka Khosa vai chegar aos leitores chineses depois de um acordo assinado com o autor.

Em 2015, Ungulani ba ka Khosa lançou o romance Choriro pela Sextante de Portugal (do Grupo Porto Editora). Seis anos depois de ter sido lançado no país (Alcance Editores, 2009), o livro do escritor ultrapassou fronteiras nacionais, exportando, desse modo, todo um imaginário para outras geografias.

Agora, a boa notícia chega do Oriente. A editora chinesa Jiangsu Phoenix Literature and Art Publishing acaba de assinar um acordo de tradução e edição, para o mandarim, com Ungulani ba ka Khosa e com a portuguesa Porto Editora.

Referindo-se à novidade, esta segunda-feira, Ungulani ba ka Khosa admitiu estar satisfeito por saber que as suas personagens do Vale do Zambeze vão falar mandarim. “Mas o que mais me  alegra é o facto de a nossa Cultura maiúscula entrar por esse Oriente que acolhemos neste espaço Índico durante séculos. A nossa vocação para o Oriente é não só geográfica, mas, acima de tudo, cultural. E quando o intercâmbio  se  estabelece, de facto, alegra a qualquer um de nós; e a literatura sai a ganhar com isso”.

Com a tradução para o mandarim, acredita o autor, Luís António Gregódio, também tratado por Nhambezi, personagem central da história, sai das fortificações do seu estado militar e passa a apreciar a grande muralha da China, falando com as populações locais em mandarim. Logo, “com esta tradução, o Vale do Zambeze ganha a merecida internacionalização”.

O romance Choriro é uma história de Gregódio, um português que, devido às suas virtudes, destaca-se no seio das altas sociedades do Vale do Zambeze, no Centro de Moçambique.

A ficção de Ungulani ba ka Khosa mergulha no passado de Moçambique e de lá extrai histórias incríveis, introduzindo sempre o leitor no contexto da civilização do Vale do Zambeze de há alguns séculos. Dessa maneira, captam-se o modus vivendi, entre o místico, o insólito e a tradição. De igual modo, Choriro é um cruzamento entre povos africanos e europeus, demonstrando que as influências culturais não foram unilaterais.

Com o acordo de tradução para uma das línguas com mais falantes em todo o mundo, com efeito, a arte e a cultura moçambicanas poderão ser lidas por milhões de chineses.

Realizou-se, no último sábado, a gala final do Fama Show. Marta Vilanculos é a grande vencedora da sétima edição do concurso. Subiram, também, ao pódio, Zezé Chris e Afonso Júnior que ficaram em segunda e terceira posições, respectivamente. De resto, só se fez espectáculo na 10ª gala do Fama que teve transmissão em directo na STV.

A noite era calma e escura, como uma das suas características, mas, a deste sábado, seria diferente. Teria brilho e isso foi notório logo à entrada da Arena 3D na KaTembe. Eram as luzes e bandeirolas dos parceiros do Fama Show que iluminavam o recinto, dando um indicativo de que a grande final do reality show seria fantástico. Do lado de fora, já se ouviam algumas actuações. O relógio apontava para 20h e alguns minutos e a décima gala já estava no ar!

E de grande, não era só a gala, mas também a organização! Afinal, nada podia falhar num evento que teve uma transmissão em directo.

Cumpriu-se à risca com as medidas de prevenção da COVID-19, o palco estava impecável, luz no ponto, cenário sem igual, o som da banda bem afinado e os concorrentes. Os concorrentes, estes, não defraudaram as expectativas.

Porque foram chamados pela e para a música, ouviram a voz que soou e os 11 finalistas apresentaram-se ao palco do Fama Show.

À pantera negra, foi-lhe dada a oportunidade e a responsabilidade de abrir a gala final, tendo feito valer a confiança.

Conhecido como o big boxer desde o início da sétima edição do Fama Show, Afonso Júnior não fugiu ao estilo próprio na gala final do concurso.

Fez uma introdução de verdadeiro big boxer, encarnou Costa Neto e proporcionou um show. Aquilo era apenas o começo do que estava reservado para a grande final do reality show.

A música moçambicana é que esteve em alta no derradeiro dia da sétima edição do Fama Show. A dupla Matias e Timóteo voltou a homenagear um dos ícones da nossa música, Hortênsio Langa. O júri ficou impressionado.

Da cidade da Beira, província de Sofala, Marta Vilanculos destacou-se na sétima edição do reality show, por interpretar música Gospel e na grande final fez uma actuação de cortar a respiração.

Como se não bastasse, Marta Vilanculos exibiu, na grande gala, a capacidade de poder cantar com cada um dos integrantes da banda.

Pois é! No palco, viu-se um espectáculo sem igual, mas e nos bastidores? O que estava a acontecer?

Numa sala dos bastidores, os concorrentes acompanhavam a actuação dos que estavam em palco com sentimentos de tensão e expectativas em relação ao vencedor à mistura.

Angelina Chicuamba podia até tentar esconder o nervosismo, mas o pé não a deixava fazê-lo e ela sabe que tudo desaparece quando estiver em palco.

“Estou nervosa, sim! Mas sempre foi assim nas outras galas, mas assim que subir ao palco, isso tudo passa”, disse Angelina Chicuamba, num tom descontraído.

Já Dário Marrime prefere descontrair-se no celular enquanto aguarda pela sua vez para subir ao palco e com uma missão clara. “Subirei ao palco para agradecer a todos os que me apoiaram durante o concurso”, apontou Dário Marrime, um dos concorrentes finalistas.

E os que já estiveram no palco, voltam aos bastidores com o sentimento de missão cumprida e só resta aguardar pelo anúncio do grande vencedor!

Desde a fase de casting, os correntes tiveram de companhia de alguém que sempre os entretinha e com eles conversava. “Foi muito bom e um privilégio fazer parte desta família. Está de parabéns a Stv por esse concurso de qualidade que o país todo saiu a ganhar”, afirmou Yumaina Mussane, repórter do Fama Show.

Voltemos então ao palco para ver e viver a qualidade do Fama Show. Viajou-se um pouco por todos os estilos musicais e diversas línguas, mas a qualidade em todas as vozes era o denominador comum.

E claro, não faltou dança no palco do reality show.

Porque reza o ditado que “o bom filho sempre volta à casa”, Nelson Nhachungue regressou ao palco que o viu nascer como artista no Fama Show de 2005. Ace Nells era o principal convidado.

Além de Nhachungue, houve actuação de uma das melhores vozes da música jovem moçambicana, Raimundo Sive.

Gilson Marqueza e Helsias Mwiya, eliminados na semi-final, foram também convidados a juntar-se à grande festa da final do Fama Show.

Depois de excelentes actuações, a música, mais uma vez, voltou juntar as futuras estrelas no palco para o anúncio do grande vencedor.

E foi Nelson Nhachungue quem anunciou os vencedores da sétima edição do Fama Show!

Marta Vilanculos, a menina do gospel, foi a grande vencedora, tendo ocupado o primeiro lugar, seguido de Zezé Chris e Afonso Júnior que ficaram na segunda e terceira posições, respectivamente.

Assim, foi a sétima edição do Fama Show e a grande novidade é que já estão abertas as inscrições para a próxima edição.

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