O País – A verdade como notícia

Depois de A voz do cárcere, livro editado em co-autoria com Paulina Chiziane, Dionísio Bahule regressa às publicações. Desta vez, com  Tabuleiro semiótico [ou] O cálculo da raiz quadrada, obra que será apresentada 6 de Abril, às 17h30, no Moya, edifício do Millenium Park, na Cidade de Maputo.

Segundo um comunicado de imprensa, Tabuleiro semiótico [ou] O cálculo da raiz quadrada é um livro que reúne ensaios, cruzando a narrativa e a crítica, como forma de, como justifica o autor, romper com o sentido estabelecido de fazer a academia.

No seu terceiro livro, que inaugura o ciclo de lançamentos da Kuvaninga Cartão d’Arte, Dionísio Bahule discute vários conceitos e teorias no universo literário, filosófico, artístico, estético e, sobretudo, semiótico. “É um conjunto de várias teorias que vou tentando pensa-las para reconstruir o exercício ou o processo sobre a crítica da arte no nosso contexto”, lê-se na nota de imprensa.

No seu livro, Bahule discute também um conceito não muito falado entre nós – a ideia de cronotopos, que deriva de uma relação entre o tempo e o espaço. E, de acordo com Bahule, pensar o tempo e espaço na criação da arte é, ao mesmo tempo, pensar no processo de doação de sentido – daí o tabuleiro semiótico. “Eu chamo de parasita semiótica, porque a semiótica não se revê num único exercício de crítica; para ela se realizar precisa de outras ciências ou de outros tipos de conhecimento, e eu chamo isto de incesto epistemológico.”

Tabuleiro semiótico [ou] O cálculo da raiz quadrada sai pela chancela da Kuvaninga Cartão d’Arte – editora moçambicana que se dedica à produção de livros com cartão reaproveitado – e conta com as capas produzidas pelo artista plástico Mulalene e trabalho gráfico de Gabriel Chone.  O livro, que inaugura as celebrações dos 10 anos da editora, será apresentado por Evaristo Abreu e Élia Gemuce e com comentários de Leonel Matusse Jr.

 

A organização do Festival do Livro Infantil da Kulemba (FLIK 2022) irá lançar, este sábado, Dia Internacional do Livro infantil, tres concursos inseridos na 5ª edição do evento a realizar-se entre 13 e 18 de Junho, na Cidade da Beira, com vários convidados da CPLP.

 

O Dia Internacional do Livro Infantil não passará em branco. Como que a incentivar os mais novos, este sábado, 2 de Abril, o Festival do Livro Infantil da Kulemba (FLIK 2022) irá lançar, de uma só vez, três concursos: Literário (contos), de Declamação de Poesia e de Ilustração.

De acordo com a organização, os três prémios marcam o lançamento oficial da 5ª edição do FLIK 2022, evento que estimula o gosto pela leitura e escrita literária no país e ainda desperta a criatividade artística nas crianças e adolescentes.

Assim, o Concurso Literário FLIK 2022 será aberto para os alunos que frequentam o ensino secundário no país (8ª a 12ª classe), sendo que as inscrições deverão ser feitas pelo WhatsApp da Kulemba. Os 15 melhores contos serão publicados em livro, à imagem do que aconteceu ano passado.

Além disso, porque esta edição do FLIK coincide com o centenário natalício de José Craveirinha, avança a nota de imprensa sobre os prémios, o Concurso de Declamação de Poesia será dedicado ao autor. Os alunos, da 8ª a 12ª classe, poderão recitar um texto do poeta que versa sobre a inclusão. Os interessados deverão gravar e enviar um vídeo para o contacto de WhatsApp da Kulemba. As melhores declamações serão gravadas em CD, igualmente, tal como aconteceu ano passado.

Por fim, o Concurso de Ilustração estará aberta aos alunos da 1ª a 12ª classe. Os candidatos serão convidados a ilustrar um excerto do livro A revolta dos bichos, da autoria do escritor Miguel Ouana, o patrono da 5ª edição do FLIK 2022.

Nesta 5ª edição do FLIK, o lema é Incluir é dar asas à imaginação. Por isso, avança a organização, abordar a leitura e o livro enquanto elementos indispensáveis na ampliação de horizontes e consciencialização das crianças e adolescentes sobre a importância de respeitar e valorizar as diferenças entre os indivíduos ou comunidades.

Na nota de imprensa, a organização do FLIK 2022 informa que os regulamentos dos três concursos, incluindo os contactos Whatsapp para submissão dos conteúdos, estarão disponíveis a partir deste sábado, Dia Internacional do Livro Infantil, no site e nas redes sociais da Associação Kulemba.

 

O grupo TP50 volta ao palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano, sexta-feira e sábado, para compor uma carta a Hortêncio Langa. Na verdade, “TP50 15 anos: carta a Hortêncio Langa” é o título dos concertos que visam celebrar a existência do grupo, evocando a vida e obra de Hortêncio Langa, fundador do TP50 e músico de referência nacional, cuja carreira teve alcance internacional e que não se limitou a cantar, tocar e compor canções, mas notabilizou-se como escritor e artista plástico e ainda como docente na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane.

A nota do Franco lembra que Hortêncio Langa foi o impulsionador da fundação do TP50 em 2007, volvidos cerca de 40 anos de existência e actuação informal do grupo. “”Na verdade, a génese do colectivo vem dos anos 70 e 80 onde profundos ideais embutidos de valores humanistas juntavam gente de todos os credos, cores e origens em noites de sonho onde o importante éramos todos, e a meta era um país de bem-estar, equidade, justiça e tranquilidade”, lê-se na nota.

Em 15 anos de actividade formal, o TP50 gravou um DVD, 4 CDs e criou 20 músicas próprias além de vários clips sempre de conteúdo social.

 

 

 

 

O grupo TP50 volta ao palco do Centro Cultural Franco-Moçambicano, sexta-feira e sábado, para compor uma carta a Hortêncio Langa. Na verdade, “TP50 15 anos: carta a Hortêncio Langa” é o título dos concertos que visam celebrar a existência do grupo, evocando a vida e obra de Hortêncio Langa, fundador do TP50 e músico de referência nacional, cuja carreira teve alcance internacional e que não se limitou a cantar, tocar e compor canções, mas notabilizou-se como escritor e artista plástico e ainda como docente na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane.

A nota do Franco lembra que Hortêncio Langa foi o impulsionador da fundação do TP50 em 2007, volvidos cerca de 40 anos de existência e actuação informal do grupo. “”Na verdade, a génese do colectivo vem dos anos 70 e 80 onde profundos ideais embutidos de valores humanistas juntavam gente de todos os credos, cores e origens em noites de sonho onde o importante éramos todos, e a meta era um país de bem-estar, equidade, justiça e tranquilidade”, lê-se na nota.

Em 15 anos de actividade formal, o TP50 gravou um DVD, 4 CDs e criou 20 músicas próprias além de vários clips sempre de conteúdo social.

A Comissão Ad Hoc da AEMO repudia e distancia-se do comunicado de imprensa divulgado pelo secretariado da AEMO, referente à transparência do processo eleitoral e à admissão dos novos membros da agremiação.

Há uma semana, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) enviou à imprensa um comunicado assinado pelo Secretário-Geral da agremiação a 22 deste mês de Março. O documento dizia que houve uma reunião a 9 de Março, envolvendo a Comissão de Verificação (Ad Hoc) constituída em Assembleia-Geral e a Comissão Eleitoral, tendo, por um lado, estas concluído não haver quaisquer indícios tendentes à viciação do processo eleitoral na AEMO.

Por outro lado, o comunicado de 22 de Março dizia ainda que se constatou, por lapso de digitalização, uma repetição de certos nomes, em número de cinco, juntando-se a este erro simples de preenchimento das fichas de candidatura, por parte de alguns dos 35 escritores candidatos à categoria de membro efectivo da AEMO. Quer isto dizer que a lista de 40 novos membros apresentada no dia da eleição, 5 de Março, tinha cinco nomes a mais.

Em virtude do que ficou acordado nos encontros mantidos para se encontrar soluções que viabilizem o processo eleitoral, Carlos Paradona, candidato à sua própria sucessão, disse, semana passada, que estavam ultrapassadas as questões que dividiam as duas listas candidatas ao cargo de Secretário-Geral.

Acontece que, nesse mesmo dia, Lucílio Manjate, outro candidato a Secretário-Geral da AEMO, contradisse a nota assinada pelo actual secretariado. O escritor Lucílio Manjate apenas reconheceu que no encontro do dia 9 de Março definiu-se uma nova data para as eleições, 2 de Abril. Quanto ao resto, distanciou-se, dizendo o seguinte: “Em primeiro lugar, penso que, a fazer-se um comunicado de imprensa, este deve ser emitido pela Comissão Ad Hoc criada para a verificação do processo de adesão dos 40 novos supostos membros. Tanto é que a mesma Comissão ainda está a trabalhar. Fico espantado com um Comunicado emitido pelo actual Secretariado pois, ao ignorarem a Comissão Ad Hoc, emitindo um comunicado unilateralmente e faltando grosseiramente à verdade, mancham todo o trabalho já realizado pela mesma Comissão e coloca em causa a continuidade dos trabalhos, cuja retomada foi marcada para o dia 2 de Abril”.

Ora, esta quarta-feira, foi a vez da Comissão Ad Hoc intervir. Igualmente através de uma nota de imprensa, a Comissão Ad Hoc, no documento assinado pelo poeta Armando Artur e pelo professor universitário Gilberto Matusse, reagiu ao comunicado de imprensa de 22 de Março nos seguintes termos: “Repudiamos e distanciamo-nos do posicionamento apresentado no comunicado, porquanto não ​reflecte os pontos de consenso alcançados ao longo das reuniões, incluindo a que foi realizada com os dois candidatos a Secretário-Geral, conforme atestam as actas dos trabalhos”.

Esta quarta-feira, reagindo à nota de imprensa da Comissão Ad Hoc, o Secretário-Geral da AEMO em exercício, Carlos Paradona, respondeu que o secretariado da AEMO está livre de emitir qualquer comunicado que entender e que o comunicado emitido a 22 de Março vai de acordo com o que está registado em acta que a própria Comissão Ad Hoc assinou. “Outra coisa, eles deviam repudiar aspectos concretos do comunicado. Isso eles não dizem, o que revela enfermidade mental. O comunicado está em conformidade com a acta da reunião da Comissão de Verificação. Mas é estranho que a nota de imprensa deles esteja assinada apenas por duas pessoas, e os outros três membros?”.

Os outros membros da Comissão Ad Hoc, além de Armando Artur e Gilberto Matusse, são Manuela Xavier, Isabel Manjate e Custódio Duma.

O QUE DIZ A SEGUNDA ACTA SOBRE A REUNIÃO DA COMISSÃO AD HOC? 

No dia dezassete de Março de dois mil e vinte e dois, pelas dezasseis horas, teve início na Sala de Reuniões da AEMO a segunda reunião da Comissão Ad Hoc composta por Filimone Meigos (Presidente da Mesa da Assembleia da AEMO), Armando Artur, Manuela Xavier, Gilberto Matusse e Custódio Duma, tendo como pontos de agenda:

  1. Apresentação e aprovação do Relatório da Comissão Eleitoral sobre a situação dos

Candidatos a Membros da AEMO;

  1. Coordenação com as duas Cabeças-de-listas para a marcação da nova data da continuidade da Assembleia Eleitoral.

Quanto ao primeiro ponto da agenda, a Comissão Eleitoral apresentou o seu relatório por escrito, tendo concluído que da lista dos trinta e cinco candidatos, somente três reuniam condições para a sua admissão e posterior capacidade eleitoral. O restante dos candidatos devem regularizar a sua situação antes da Assembleia Eleitoral. Ficou ciente e aprovado.

Quanto ao segundo ponto da agenda, tendo sidos chamados a sala os Candidato Carlos Paradona e Lucílio Manjate, foi-lhes apresentado o relatório da Comissão Eleitoral, com que concordaram e decidiu se o seguinte:

  1. a) Fica marcada a continuidade da Assembleia Eleitoral para o dia dois de Abril, podendo desde já o Presidente da Mesa da Assembleia convocá-la para esse dia pelas 9 horas com único ponto de Agenda: a eleição dos órgãos sociais da AEMO;
  2. b) Cada lista concorrente pode indicar um membro observador junto a Comissão Eleitoral, e apresentá-lo ao Secretariado da AEMO até ao dia 25 de Março;
  3. c) O Secretariado da AEMO deve convidar os candidatos a membros da Associação com irregularidades para saná-las até ao dia 25 de Março;
  4. d) A partir do dia 28 de Março a Comissão Eleitoral deve trabalhar a lista final de eleitores;
  5. e) A Comissão Eleitoral deve mandar publicar a lista final dos eleitores até ao dia 30 de  Março”.

O documento foi assinado pelo Presidente da Mesa da Assembleia da AEMO, Filimone Meigos, e por Custódio Duma, da Comissão Ad Hoc, no dia 17 de Março.

Os actores Ana Magaia, Vasco Condo, Dadivo José, Luísa José Sainone e Manuel Ribeiro (os dois últimos a título póstumo) e os escritores Juvenal Bucuane e Álvaro Taruma foram homenageados, esta segunda-feira, pela Casa da Cultura do Alto-Maé, na Cidade de Maputo.

O gesto da instituição cultural pretendeu enaltecer o trabalho dos artistas que usam a poesia e o teatro para consciencializar a sociedade moçambicana. “Homenageamos os fazedores da cultura no sentido de chamar atenção para a passagem do testemunho dos artistas mais novos, inspirando valores da sociedade”, afirmou Megue Constance, a Directora da Casa da Cultura do Alto-Maé, na Cidade de Maputo.

Reagindo ao gesto, a actriz Ana Magaia assumiu estar satisfeita por ter sido reconhecida pela sua cidade. “É uma honra muito grande, um privilégio sem medida, porque é o prémio da minha cidade, de uma Casa onde trabalhei, ensaiei e aprendi muitas coisas, na passagem da adolescência para a fase adulta”.

Quem esteve igualmente satisfeito foi Vasco Condo. O actor também reconheceu que o gesto é louvável, e que, para si, fica na história. E argumentou porquê: “Esta foi a primeira vez que recebo um prémio em quase 30 anos de carreira. Tenho de agradecer à Casa da Cultura por este gesto. Estou muito grato”.

Além de agradecer pela iniciativa, o actor Dadivo José disse que a melhor homenagem da Casa da Cultura seria criar condições, espaços públicos, com políticas claras, para que a actividade teatral fosse cada vez mais massificada e com melhor qualidade. “Eu estou disposto a trabalhar com a Casa da Cultura para que os vários sonhos de jovens artistas se materializem”.

Por fim, Álvaro Taruma destacou a sensibilidade da Casa da Cultura ao reconhecer os fazedores da escrita e do teatro. “Nós temos honrado a Cidade de Maputo e Moçambique, com o trabalho que nós fazemos. Então, este gesto foi uma espécie de cheque que é dado de volta para quem engrandece a Cidade de Maputo.

A sessão de homenagem aos artistas contou com a presença do Director dos Serviços de Assuntos Sociais da Cidade de Maputo, Armando Dombo, e ainda houve teatro, dança e poesia.

Os actores Ana Magaia, Vasco Condo, Dadivo José, Luísa José Sainone e Manuel Ribeiro (os dois últimos a título póstumo) e os escritores Juvenal Bucuane e Álvaro Taruma foram homenageados, esta segunda-feira, pela Casa da Cultura do Alto-Maé, na Cidade de Maputo.

 

O gesto da instituição cultural pretendeu enaltecer o trabalho dos artistas que usam a poesia e o teatro para consciencializar a sociedade moçambicana. “Homenageamos os fazedores da cultura no sentido de chamar atenção para a passagem do testemunho dos artistas mais novos, inspirando valores da sociedade”, afirmou Megue Constance, a Directora da Casa da Cultura do Alto-Maé, na Cidade de Maputo.

Reagindo ao gesto, a actriz Ana Magaia assumiu estar satisfeita por ter sido reconhecida pela sua cidade. “É uma honra muito grande, um privilégio sem medida, porque é o prémio da minha cidade, de uma Casa onde trabelhai, ensaiei e aprendi muitas coisas, na passagem da adolescência para a fase adulta”.

Quem esteve igualmente satisfeito foi Vasco Condo. O actor também reconheceu que o gesto é louvável, e que, para si, fica na história. E argumentou porquê: “Esta foi a primeira vez que recebo um prémio em quase 30 anos de carreira. Tenho de agradecer à Casa da Cultura por este gesto. Estou muito grato”.

Além de agradecer pela iniciativa, o actor Dadivo José disse a melhor homenagem da Casa da Cultura seria criar condições, espaços públicos, com políticas claras, para que a actividade teatral fosse cada vez mais massificada e com melhor qualidade. “Eu estou disposto a trabalhar com a Casa da Cultura para que os vários sonhos de jovens artistas se materializem”.

Por fim, Álvaro Taruma destacou a sensibilidade da Casa da Cultura ao reconhecer os fazedores da escrita e do teatro. “Nós temos honrado a Cidade de Maputo e Moçambique, com o trabalho que nós fazemos. Então, este gesto foi uma espécie de cheque que é dado de volta para quem engrandece a Cidade de Maputo.

A sessão de homenagem aos artistas contou com a presença do Director dos Serviços de Assuntos Sociais da Cidade de Maputo, Armando Dombo, e ainda houve teatro, dança e poesia.

A plataforma Makobo, em parceria com a Associação dos Pequenos Empresários Turísticos da Ilha de Moçambique, lançou a campanha Coração Solidário Ilha de Moçambique para ajudar a reconstruir aquela parcela de Nampula, afectada pelo Ciclone Gombe.

Há duas semanas, o Ciclone Tropical Gombe deixou marcas de destruição no Norte do país. Esse não foi o primeiro e, provavelmente, não é o último evento natural a criar sequelas ao longo do território nacional. Se em 2019 o Idai destrui sobretudo a Cidade da Beira, desta vez, Gombe dizimou a Ilha de Moçambique.

Segundo disse Soraia Abdula, em representação da plataforma Makobo, durante o ciclone, 2223 casas ficaram completamente destruídas, 1438 casas parcialmente destruídas e mais de 7 mil pessoas foram afectadas. “O que ciclones como Gombe, Ana, Idai fazem é destapar a situação precária em que vive a maioria dos moçambicanos neste país e expor a fragilidade de Moçambique, enquanto nação e enquanto sociedade. Devemos e podemos fazer mais”.

E a propósito de fazer mais, na voz de Soraia Abdula, aquele verbo tem muita acção. Tanto que, um dia depois do ciclone Gombe, foi lançada pela plataforma Makobo, em parceria com a Associação dos Pequenos Empresários Turísticos da Ilha de Moçambique, Apetur, a campanha Coração Solidário Ilha de Moçambique. A intenção de reconstruir os estragos causados pelo Gombe não ficaram por aí. Quatro dias depois, começaram a ser servidas refeições aos pacientes internados no Hospital da Ilha de Moçambique.

Às pessoas mais carenciadas, a plataforma Makobo distribuiu lonas, mas, segundo disse Soraia Abdula, ainda falta tudo. “As necessidades são muitas e as prioridades são urgentes e é preciso pensar agora e a longo prazo. Por isso queríamos aproveitar para reforçar a campanha Coração Solidário Ilha de Moçambique para as necessidade básicas e imediatas, de produtos alimentícios, medicamentos, materiais de construção e lançar o movimento Turismo de Reconstrução idealizado pelos operadores turísticos da Ilha de Moçambique que querem mostrar ao resto do país e ao mundo que a Ilha é de todos nós”.

Conforme defendeu Soraia Abdula, uma das formas de ajudar na reconstrução da Ilha de Moçambique é visitá-la, pois o turismo não só dinamiza a economia local, mas parte do valor da estadia será destinada à reconstrução das casas tradicionais de Macuti.

Soraia Abdula referiu-se ao projecto de apoio à Ilha de Moçambique durante o lançamento das comemorações dos 40 anos de carreira de Stewart Sukuma, esta quarta-feira, na sede do Moza Banco, em Maputo.

Ungulani ba ka Khosa referiu-se ao grande problema imposto pela negação da diferença no encontro moderado pelo poeta Mbate Pedro, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo.

 

A guerra é sempre um flagelo sobre um povo. A frase até pode parecer exacta, em termos sintáticos, porém, ao nível semântico, encerra uma carga incompreensível para quem nunca sofreu a pressão de obuses. Ungulani ba ka Khosa (1955), que nasceu em Sofala, viveu na Zambézia, no Niassa, enfim, em todas as regiões do país, sabe e compreende perfeitamente o que significa a frase “A guerra é sempre um flagelo sobre um povo”. Por isso mesmo, na sessão literária desta quinta-feira, realizada no Business Lounge by Nedbank, na Cidade de Maputo, ainda acrescentou, quando questionado como interpreta o terrorismo em Cabo Delgado. Para o escritor, o conflito armado, os ataques terroristas ou seja lá qual for o substantivo usado para dizer ‘guerra’, é o chamado grande feitiço que está entranhado entre os moçambicanos. “O grande mal que temos enfrentado desde a independência é a dificuldade de aceitar o outro. Esta negação da diferença faz com que os conflitos não cessem de crescer. E este conflito que vivemos hoje é um conflito extremamente grave”.

Reconhecendo a gravidade da violência imposta pelas armas, Ungulani permitiu a reedição de Os sobreviventes da noite, pela Cavalo do Mar, pois, actualmente, ainda se assiste à utilização de crianças numa guerra que o escritor considera fratricida, que se torna caótica e empobrece Moçambique.

Na sessão designada “Mbate à conversa com Ungulani ba ka Khosa”, enquanto assinava autógrafos, o escritor confessou estar entusiasmado pelo gesto do Nedbank. Afinal, o banco sempre adquiriu 50 exemplares do seu Os sobreviventes da noite para oferecer ao público presente na sessão. “Acho que esta iniciativa do Nedbank, de acolher escritores, é uma actividade complementar, uma iniciativa louvável, que se deve estender a outras instituições. Este gesto de disponibilizar o livro a outros leitores, por parte de outras instituições, devia ter essa obrigação moral”.

Essa introdução, na verdade, serviu de mote para o que o escritor diria de seguida. Melhor dizendo, Ungulani aproveitou a sessão para pensar o ensino nacional. Primeiro, disse que a Educação enfrenta grandes carências e dificuldades em Moçambique. “Das mais de 10 mil escolas, contam-se as que têm uma biblioteca em condições. Agora, nós queremos quadros e, ao querermos quadros de qualidade, e que possam enfrentar a realidade que se avizinha e esta que vivemos hoje, necessariamente, o livro é importante para que possamos crescer”.

Ungulani acredita que ao nível individual e colectivo os moçambicanos podem contribuir para minimizar as grandes dificuldades existentes no sector da Educação no país. A acção pode iniciar com o apetrechamento de uma e, depois, de algumas bibliotecas escolares. Isso é tão necessário porque pode favorecer o presente e o futuro do país.

Por fim, o escritor criticou o que se pode entender por indiferença na implementação da política do livro. “Temos uma política aprovada em 2011, mas ficou no papel, como várias outras políticas deste país, que ficam no papel. Quer dizer, a operacionalização dessa política ficou por terra. Não temos nada de concreto no sentido de a fazer avançar. Portanto, somos especialistas em aprovar políticas, mas a nossa ignorância é confrangedora no sentido da aplicação dessas políticas”.

Falando no final da sessão, o poeta e editor Mbate Pedro explicou que a ideia das sessões é aproximar os escritores aos leitores, rompendo com qualquer distância que possa ser, já agora, confrangedora.

 

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