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O País – A verdade como notícia

Desde que o ano começou, em Moçambique, nota-se um movimento que pretende celebrar o centenário natalício de José Craveirinha. Nelson Saúte e Mia Couto, esta terça-feira, na Fundação Fernando Leite, em Maputo, de algum modo, também fizeram parte dessa pretensão. Partindo dessa necessidade de pensar a obra do poeta da Mafalala, os dois escritores concordaram na seguinte ideia: “De nada vale celebrar o centenário de Craveirinha se a obra continuar pouco conhecida”.

Num encontro com estudantes de Literatura Moçambicana, da Universidade Eduardo Mondlane, Nelson Saúte procurou homenagear José Craveirinha, lendo-lhe a obra canónica toda, desde Chigubo a Babalaze das hienas. Nesse exercício que aconteceu na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, o escritor e editor tentou sublinhar os poemas menos conhecidos do poeta da Mafalala, no entanto, que mostram a sua grandeza e a sua capacidade de construir metáforas e de estabelecer imagens.

Para Nelson Saúte, Craveirinha é daqueles poetas cuja língua e cujas capacidades são resplandecentes. “De facto, ele é um dos grandes poetas da língua portuguesa”. Por isso, “Eu tentei mostrar o melhor Craveirinha, que é o Craveirinha desconhecido. O mais conhecido é aquele que é, eu diria, a voz dos povos oprimidos, dos poemas alegóricos. Mas há um Craveirinha lírico e intimo que é extremamente interessante e instigante. E é esse poeta que eu tentei hoje recuperar e ler para este público jovem, para que o conhecesse”.

Saúte concorda que a importância de Craveirinha também advém de ser um poeta da nação, que lida com questões identitárias. Mas, mesmo esse, é pouco conhecido. O apelo que fez, no final da conversa com os estudantes de Literatura Moçambicana foi que todos voltassem a ler e a estudar Craveirinha. Dito isso, Saúte referiu-se então a melhor homenagem que se pode fazer a um poeta: “A melhor homenagem que se pode fazer a um poeta, não são as proclamações e as celebrações, mas é lê-lo”, afinal, tal como sustentou Mia Couto, “De nada vale celebrar o centenário de Craveirinha se a obra continuar pouco conhecida”.

 

Publicações póstumas

Existem livros publicados a título póstumo de José Craveirinha. Isso, no entanto, não é necessariamente uma boa notícia. Aliás, Nelson Saúte tem uma opinião clara sobre o assunto. “A publicação de obra póstuma é sempre problemática, se não for acompanhada de estudos que possam intermediar essa obra com o público. No caso, aquilo que eu discuti foi a publicação de textos que já tinham sido canonizados. E dei alguns exemplos. Três poemas que estão no livro Karingana ua karingana, que são versões que o poeta estabeleceu como acabadas, aparecerem num outro livro, Moçambique e outros poemas dispersos ou no livro O Plebiscito”. Segundo Saúte, trata-se de versões anteriores àquelas dadas como terminadas. E, como se na bastasse, são versões menores. “Isso, aparecer sem nenhum enquadramento, é problemático”.

Já a terminar, Saúte referiu que, quando se trata de publicação de livros a título póstumo, um prefácio que explica os critérios e as razões da publicação é importante. “Publicar, simplesmente, poemas dispersos do poeta, sem enquadramento, eu acho problemático, sob perspectiva crítica”.

No encontro com os estudantes de Literatura Moçambicana da UEM também esteve presente Mia Couto. O escritor lembrou que Craveirinha foi tão complexo e tão diverso que é preciso conhecê-lo nessa grande diversidade. “Ele foi poeta do amor, da luta, da descoberta da nação moçambicana, africana e humana. Mais do que esses poemas emblemáticos que muitas vezes não dão conta desta grande diversidade que ele foi, destes vários Craveirinhas, melhor contar com quatro ou cinco poemas que os estudantes e os jovens possam pegar nisso como qualquer coisa que os ajude a descobrir a si próprios”. E criticou: “Nós somos muito produtivos no esquecimento. Ele é o nosso grande poeta, a nossa maior referência. Qualquer nação constrói esses grandes pilares, esses grandes nomes”.

 

 

Diamantes pretos em meio a cristais é o título do romance que permitiu a Maya Ângela Macuácua partilhar o Prémio Literário Fernando Leite Couto (ex aequo) com Geremias José Mendoso. A história que será editada pela Fundação Fernando Leite Couto apresenta uma série de eventos sobre a segregação racial em Moçambique, na África do Sul e nos Estados Unidos. Na verdade, está aí um pretexto para a autora (e o leitor) pensar o presente a partir do passado, a partir do outro e a partir da dor. De algum modo, eventualmente, nas próximas linhas segue uma conversa com, se calhar, uma revelação da literatura moçambicana, tão cheia de bigodes.

 

Este ano o Prémio Literário Fernando Leite Couto fez uma inovação. Houve cinco finalistas e essa informação foi partilhada nas redes sociais. Como reagiu a isso?

Eu não consultei a informação no site e nem fui ao Facebook. Na véspera da Páscoa, ligaram-me e disseram-me que era uma das finalistas. Longe de mim pensar que seria uma das vencedoras. Portanto, foi normal e inédito porque eu não esperava que isso pudesse acontecer.

 

E não esperava porquê, se concorreu ao Prémio?

Eu submeti a obra à última hora. Tinha muita informação que descobri e que era necessário implementar no meu romance. Foi tudo tão rápido e tão exaustivo, porque tive apenas dois meses para corrigir a obra. Só que vi que a história era muito complexa e, depois de ter submetido o texto, notei que havia algumas coisas que poderiam manchar a história. Eu não esperava, mas procurei dar o meu melhor para os possíveis leitores.

 

Escreveu a história para concorrer ao Prémio Literário Fernando Leite Couto?

Na verdade, eu escrevi o livro em 2016, para um outro concurso, que, infelizmente, não consegui participar. Então, ao longo desses dois meses, antes de submeter ao Prémio Literário Fernando Leite Couto, um amigo ajudou-me a rever a história. Aí notei que a história tinha alguns poréns. Era necessário muito estudo para aprofundar a matéria, porque se tratava de épocas diferentes, com personagens diferentes e características diferentes. Foi aí que eu notei que tinha de vasculhar mais a História e perceber como é que poderia incluir aquilo que realmente aconteceu na ficção. Isso aconteceu em dois meses.

 

Temos no livro Moçambique, África do Sul e Estados Unidos. Porquê?

Inicialmente, a história tinha dois espaços. Estados Unidos e Moçambique. Depois, vi a necessidade de explorar mais os principais pontos onde a segregação racial era intensa. Então pensei, por que não colocar também a África do Sul.

 

Aproveitando o Apartheid

Sim. Em particular, na Cidade do Cabo.

 

Temos na sua história a imagem da mulher com muito protagonismo. O que quis fazer das personagens femininas?

No tempo da escravatura ou da segregação racial, era muito notória a presença das mulheres nas casas dos senhores brancos. Mas, mais recentemente, notamos o sofrimento de muitas mulheres infectadas pelo HIV. Então, eu quis fazer da mulher um certo estudo de caso, para perceber como é que a mulher do séc. XIX e XX pensavam e como é que a mulher do séc. XXI pensa. Isso é importante para perceber a própria mentalidade da mulher.

 

Aprendeu das suas personagens?

Sim, aprendi muito. Sobretudo daquela que me deu mais dores de cabeça, que é a Elvira. Ela passou por momentos turbulentos. Por isso, afundou-se numa depressão. No caso dela, tive de trabalhar mais a personalidade da mulher, face às circunstâncias, às frustrações e às perdas humanas.

 

Parece que esta é a sua personagem preferida. Coloco a questão nesses termos porque, quando concorreu ao Prémio, adoptou o pseudónimo Elvira Guambe.

Por mim, seria a Juno Beomunt mas, pronto, foi a Elvira. A Juno Beomunt é uma das minhas personagens favoritas porque tem uma mente crítica. Não deixa de lado as suas origens africanas. Ela foi deportada para América e foi adoptada. Desde muito cedo, foi educada a pensar como alguém diferente, sem ser. Sempre avaliou as coisas de forma crítica. Tem algo especial.

 

Que diamantes e que cristais são esses?

Os diamantes pretos são pedras que foram inseridas em um local não muito comum. Quando se faz o trabalho de recoleção de pedras preciosas, é preciso seleccionar quais tipos de pedras devem pertencer a um campo, entre as preciosas, as semi-preciosas e as não preciosas. Diamantes pretos, diria anormais, porque é difícil de encontrar mesmo em terras com abundancia de pedras preciosas.

 

Quis tecer uma associação entre essas pedras e as suas personagens?

Sim. Pedras preciosas, mas anormais, em circunstancias diferentes e divergentes e em meio a cristais, que são as circunstancias e porque os cristais transmitem aquilo que são as variedades das cores. Por exemplo, um mar de diamantes com pedras negras porquê? Eu quis fazer essa provocação.

 

Numa conversa, o poeta M. P. Bonde disse-me que, quando lança um livro, sente uma espécie de purificação e libertação, porque se desfaz do texto e pode trabalhar mais à vontade em outros projectos.  Isso aconteceu consigo, quando submeteu o texto ao Prémio ou agora que o venceu?

Senti uma espécie de purificação e percebi que, quando pretendemos escrever um livro, devemos estudar antes, para conseguir escrever melhor e com qualidade. E foi, realmente, trabalho cumprido. Ao longo da escrita, consultei documentos em inglês e verifiquei como é que isso poderia se adequar ao universo da história. Honestamente, penso que valeu a pena.

 

Os temas que aborda são muito actuais. Inclusive, proporciona ao leitor uma viagem ao passado que o faz pensar no presente da humanidade.

Verdade. Por exemplo, há quem pensa que a escravatura acabou, mas não. Temos uma nova forma de escravatura. Quando estudamos sobre o passado da escravatura, percebemos que não era só feita por brancos contra negros, mas entre os negros também, até de forma intensa, sobretudo na região oriental de África. Isso permite-nos comparar com a actualidade.

 

O que pretendeu com esse tópico da segregação racial?

Quis levantar a superfície pontos onde a comunidade negra sofreu de forma muito intensa. Quanto ao HIV, quis reflectir sobre como a sociedade moçambicana pensou nisso, numa época com pouco conhecimento sobre o assunto.

 

Pensar os outros e pensar o passado é uma forma de pensar em nós e de pensar no presente?

Sim, é certamente isso.

 

Indo ao pormenor, o que sentiu quando o professor Francisco Noa, presidente do júri, anunciou os vencedores. O coração palpitou muito?

O meu coração palpitou muito, mas procurei ficar calma. Independentemente da decisão, eu tinha de a abraçar. Como dizia a Juno, abrace os problemas a ponto de os sufocar. Eu estava decidido a abraçar quer fosse um problema, quer fosse uma conquista.

 

O problema não é o nervosismo, é o que nós fazemos com isso…

É verdade. Então, quando ouvi o meu nome entre os vencedores, tive a sensação de missão cumprida, que vale apena escrever.

 

Agora, segue-se um livro e uma residência artística em Portugal.

Será uma oportunidade única de estar com escritores portugueses, novos e mais velhos, e para mostrar que a literatura moçambicana pode ir além…

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro All God’s Children Need Traveling Shoes, de Maya Angelou; Mandela: the authorized portrait, de Mac Maharaj e Ahmed Kathrada; A varanda de Frangipani, de Mia Couto, que foi o meu primeiro contacto com a literatura moçambicana; o filme 12 years a slave, e a obra de Mike Nicol.

 

Perfil

Maya Ângela Whate Macuácua nasceu em Harare, no Zimbabwe, e tem 27 anos de idade. Parte do ensino primário fez em Portugal, tendo, de seguida, concluído o nível básico em Moçambique, onde também frequentou o ensino geral. Cursou Ciências Jurídicas na Universidade A Politécnica.

 

Ungulani ba ka Khosa participa, na capital angolana, numa série de reflexões sobre indústrias culturais e criativas no contexto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O evento iniciou no dia 29 de Abril e termina quarta-feira.

 

Luanda é, nestes dias, uma espécie de palco central da CPLP na área da cultura. A capital angolana foi a cidade escolhida para se debater temas como indústrias culturais, economias criativas, políticas públicas no contexto da CPLP, direitos de autor e direitos conexos, realidades e desafios para o futuro no contexto da CPLP, estatuto do artista, políticas e estratégias de promoção do livro na era digital, património cultural da CPLP, ciência da informação no contexto actual e promoção da língua portuguesa

Um dos escritores convidados a participar no evento é precisamente Ungulani ba ka Khosa, para quem esta é uma oportunidade que os autores que representam várias literaturas africanas de língua portuguesa têm para reflectir sobre as novas produções nos seus países. “A minha presença, para além  de me alegrar, visa, do meu ponto de vista de responsabilidade moral, chamar a atenção  a existência de autores mais jovens e com estrada de sucesso bem palmilhada na nossa terra. É  preciso acenar, ao nível  dos PALOP e não  só,  a existência  desses escritores já maiúsculos”, disse, Ungulani, esta segunda-feira, a partir de Luanda.

Além do autor de Os sobreviventes da noite, reeditado recentemente pela Cavalo do Mar, na Cidade de Luanda encontram-se tantos outros escritores. Por exemplo, José Luiz Tavares, de Cabo Verde; Amadu Dafé, de Guiné-Bissau; Olinda Beja, de São Tomé e Príncipe; e Luís Costa, de Timor Leste, bem como o Secretário-Geral da UCCLA, Rui Lourido.

Igualmente, encontram-se em Luanda os ministros que superentendem as áreas da Cultura, Turismo e Meio Ambiente. A representar o governo moçambicano, disse Ungulani ba Khosa, está o Vice-Ministro da Cultura e Turismo, Fredson Bacar.

A série de reflexões sobre indústrias culturais e criativas no universo da CPLP é patrocinada pela UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa.

A 19ª edição do Ciclo de Cinema Europeu arranca esta terça-feira e irá decorrer em três espaços: Centro Cultural Franco-Moçambicano, nos bairros suburbanos de Maputo e no Centro Cultural Português na Beira, até 27 de Agosto.

 

Benni é o nome de uma menina de 9 anos de idade e que não está interessada em mudar os seus caminhos. No entanto, os serviços de protecção à criança tentam o seu melhor para encontrar uma colocação permanente à miúda. Esta tentativa de sinopse, na verdade, resume o que o filme Falha de sistema, realizado por Nora Fingscheidt, é. Para maiores de 11 anos de idade e com 125 minutos de duração, a longa-metragem de 2019 é uma das produções que será exibida na 19ª edição do Ciclo de Cinema Europeu que inicia esta terça-feira, na Cidade de Maputo.

Além do drama alemão, o cartaz inclui o filme austríaco Oskar & Lilli – onde ninguém nos conhece, realizado por Arash T. Riahi. Esta é uma produção de 2020, com 102 minutos de duração, igualmente, para maiores de 11 anos. No enredo, estão dois irmãos refugiados, nomeadamente, Oskar e Lilli, que vivem na Áustria há seis anos. Entretanto, as duas personagens estão prestes a ser deportadas na companhia da mãe. Mas há algo inesperado que acontece, ou seja, uma tentativa de suicídio da mãe, o que faz com essa família tenha uma suspensão de curto prazo da deportação e uma separação forçada.

Ora, da Bélgica a proposta cinematográfica é Bistrô romântico, do realizador Joël Vanhoebrouck, uma comédia romântica de 2012. Em 102 minutos, a longa-metragem retrata a história de Pascaline, uma personagem de 40 anos de idade que transporta o telespectador a uma narrativa de amor, traição e suicídio iminente.

Como é habitual, a Península Ibérica também estará representada no Ciclo. Por exemplo, de Espanha vem o filme Viver é fácil de olhos fechados, realizado por David Trueba. Esta também é uma comédia, porém, dramática, cujo enredo inclui personagens que, estando à procura de John Lennon, músico britânico dos eternos Beatles, encontraram-se a si próprios.

Já de Portugal, a proposta é A herdade, de Tiago Guedes. Em 164 minutos, a longa de 2019 retrata a história de uma família proprietária de um dos maiores latifúndios da Europa, na margem sul do Rio Tejo. Assim, a trama convida o telespectador a mergulhar profundamente nos segredos da sua herdade, fazendo o retrato da vida histórica, política, social e financeira de Portugal dos anos 40.

Não obstante, a Suécia participa no Ciclo com o filme O paciente perfeito, de Mikael Håfström. Para maiores de 15 anos de idade, a longa de 110 minutos apresenta uma história cativante do maior escândalo judicial de todos os tempos daquele país, sobre o repórter que questionou todo o sistema jurídico sueco.

Por sua, a Suíça traz o documentário Africa das mulheres, realizado por Mohammed Soudani. O filme é de 2020, tem 89 minutos de duração e é uma viagem que passa por sete países africanos: Moçambique, Gana, Senegal, Ruanda, Quénia, Costa do Marfim e Burundi) para conhecer mulheres poderosas que estão determinadas a fazer tudo para oferecer um futuro melhor aos povos africanos.

Além dos países acima referenciados, também fazem parte desta 19ª edição do Ciclo do Cinema Europeu: Roménia, Finlândia, Noruega, Itália, França e Países Baixos.

Nesta edição, o Ciclo de Cinema Europeu irá decorrer em três fases. Primeiro, de 3 a 10 de Maio, no Centro Cultural Franco-Moçambicano. Depois, de 16 a 20 de Maio, nos bairros suburbanos de Maputo (Mafalala, Chamanculo, Xipamanine, Polana Caniço, Maxaquene e Choupal). E, por fim, de 22 a 27 de Agosto, no Centro Cultural Português na Beira.

A organização compromete-se em passar na grande tela 16 filmes produzidos recentemente, o que considera “uma excelente oportunidade para nos actualizarmos e também nos distrairmos com a cultura europeia que o cinema nos trará”, acrescenta a organização em comunicado de imprensa: “A presente edição do Ciclo de Cinema Europeu é resultado de uma imensa coordenação entre a Delegação da União Europeia, os Estados membros e não-membros participantes e os Centros Culturais Franco-Moçambicano (CCFM) e Moçambicano-Alemão (CCMA), em Maputo”.

As sessões cinematográficas da 19ª edição do Ciclo de Cinema Europeu serão gratuitas.

Escritores emergentes de Moçambique é o título da antologia de contos que reúne textos de 10 autores. Organizada pelo escritor Benjamim Pedro João, a obra literária pretende promover os textos dos que não têm possibilidade de publicar um livro.

Ao fim de quatro anos, finalmente, Benjamim Pedro João irá lançar a antologia de contos Escritores emergentes de Moçambique. A obra literária é constituída por 118 páginas e reúne textos de 10 autores. Entre eles, Miguel Ouana, Domingos do Rosário Artur, David Bene, Justino Monjane, Egas Viegas e Rachid Sulemane.

Para o organizador da antologia, Benjamim Pedro João, esta é uma forma de contribuir para criar possibilidades de os autores emergentes exporem a sua criatividade. “Eu achei melhor juntar os autores porque, muitos deles, encontram-se a viver fora de Maputo, sem oportunidades de publicar os seus próprios textos”, afirmou o escritor organizador da antologia.

Ao inspirar-se na difícil condição dos autores ainda emergentes, Benjamim Pedro João assume um objectivo claro: “Promover a literatura moçambicana. Hoje temos falado de descentralização e, pessoalmente, acho muito bom diversificarmos a edição literária e explorar a criatividade de todos aqueles autores talentosos, mas nunca foram editados em livro”, reforçou.

A obra literária Escritores emergentes de Moçambique, essencialmente, reúne contos fantásticos e de origem tradicional, explorando a riqueza da oralidade de vários grupos etnolinguísticos moçambicanos.

Ainda sem data definida, a cerimónia de lançamento da antologia edita pela Tarymba irá acontecer na Cidade de Chimoio.

Moreira Chonguiça diz que os artistas moçambicanos devem parar de reclamar e trazer soluções para o desenvolvimento da cultura. Para o saxofonista, as soluções é que irão tornar a música moçambicana mais sustentável.

No Dia Mundial do Jazz, Moreira Chonguiça abriu espaço para falar dos desafios que vários artistas enfrentam no país. Segundo entende Moreira, a exaltação do Jazz no país e no mundo só poderá acontecer se a cultura de pensar em soluções for transmitida aos criadores. “Nós já não vitimizamos, pertencemos a uma geração de jovens que deve trazer soluções, podem ser pequenas, mas são elas que irão tornar a arte no geral apetecível e atrair mais investidores”, disse.

E, é falando de soluções que sai o reconhecimento a alguns artistas como Jimmy Dludlu, Ivan Mazuze, professor Orlando da Conceição e outros que para Morreira Chonguiça servem de referência em Moçambique.

Ivan Manyike, professor de Saxofone na Universidade Eduardo Mondlhane, entende que, apesar deste reconhecimento, ainda se enfrentam barreiras. “Ainda há uma carência de professores nesta área e ainda precisamos formar muito mais professores”, referiu.

Mas esta falta, segundo o professor, não condicionou o avanço do estilo musical que de acordo com a sua avaliação cresceu o número de fazedores do Jazz e igualmente a sua qualidade.

Walter Mabas lançou no ano passado o seu álbum de estreia, intitulado “Blue Window”, entretanto, “o movimento que acompanha o Jazz em Moçambique ainda não tem aquela dimensão que nós gostaríamos que tivesse”. E indica como principal razão a pouca divulgação do género artístico nos meios de Comunicação.

E é no âmbito do Dia Internacional do Jazz, celebrado este sábado, que Moreira Chonguica, Ivan Manyike, e Walter Mabas cruzam reflexões sobre o Jazz moçambicano.

“Magias do Pano” é o título da exposição inaugurada na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo. O trabalho é composto por linhas de recorte de panos coloridos e bolas também de pano usados nos jogos tradicionais.

A ideia de celebrar as novas dinâmicas contemporâneas levou o artista Amarildo Rungo a encontrar uma nova forma de encarar a arte reaproveitando materiais de pano que, segundo o artista, para muitos são olhados como inúteis. Para o autor, a exposição está intimamente ligado à sua própria personalidade e à sua vivência no mundo artístico contemporâneo.

Xingufo, ou seja, Bola de pano, tomou um novo sentido, fora do campo. “Depois da produção do “Xingufo”, veio a ideia da instalação, composta apenas por tecidos, que vão equilibrando as bolas no espaço e suportados pela parede”.

Amarildo Rungo nasceu em Maputo, tendo iniciado a sua actividade artística em 2013 com a música, posteriormente as artes plásticas com a pintura e o desenho em 2015.

A instalação está aberta ao público na galeria da Fundação Fernando Leite Couto até  dia 18 de Maio.

Moçambique conta com um novo programa para a divulgação e produção da banda desenhada. Lançado em Maputo, o programa BD PALOP vai permitir que os autores tenham mais acesso a oportunidades e incentivos à produtividade artística.

A iniciativa do desenvolvimento da banda desenhada será distribuída entre Moçambique, Angola, Cabo Verde e incluindo o mercado livreiro de Brasil e de Portugal e tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento do sector cultural e servir como uma alavanca para a valorização da banda desenhada.

Uma das acções em destaque neste movimento é a atribuição de uma bolsa anual de criação de banda desenhada para ilustradores e guionistas maiores de 18 anos. Através desta bolsa, nove duplas receberão apoio e monitoria para a produção de obras com igual número de bandas desenhadas anualmente. A primeira edição da bolsa será anunciada nas nossas redes sociais a 27 de Abril e as candidaturas poderão ser feitas através do site www.bdpalop.com desde essa data e até dia 29 de Maio de 2022.

De acordo com o comunicado enviado à nossa Redacção, “a iniciativa vai de igual modo produzir um evento anual de promoção de banda desenhada nos países de intervenção, com mostras de desenhos e actividades com autores convidados”.

A BDPALOP decorrerá entre 2022 e 2024, com o potencial de se tornar sustentável, e surge da necessidade de diversificar a actuação dos sectores das indústrias culturais e criativas nos países de intervenção e criar mais empregos formais na área das publicações de banda desenhada. Pretende igualmente incentivar mais crianças e jovens dos PALOP a iniciar a sua jornada na leitura, promovendo desse modo a literacia.

A iniciativa BDPALOP lançada publicamente a 27 de Abril corrente, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, contou com a presença do vice-ministro da Cultura e do Turismo de Moçambique, Fredson Bacar, da gestora de projectos da delegação da UE em Moçambique, Filipa Corte Real, do encarregado de negócios da Embaixada de Portugal em Maputo, Rui Miranda, do director do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, João Pignatelli, e do representante da iniciativa e da ANIMA Estúdio Criativo, Fábio Ribeiro

Às 17h de hoje, terá lugar, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, a apresentação do livro Carla – uma história de paixão e dor, da autoria de Negro. A sessão de apresentação do livro, que sai sob a chancela da Editora Kulera, contará com a apresentação de Sérgio Raimundo, contextualização de Benilde Matsinhe e performances musicais de Rage e Onésia Muholove.

Conforme adianta uma nota de imprensa sobre o evento, Carla é uma novela baseada em factos reais, cuja trama gira a volta da personagem que da o título ao livro. Assim, Carla é uma personagem que se apaixona cegamente por um homem que acreditava ser perfeito, mas que, entretanto, acaba demostrando ser o contrário do que ela esperava, levando-a, ao longo da relação, para uma situação de humilhação, destruição e violência psicológica.

Numa analise literária sobre o livro, o jornalista e ensaísta José dos Remédios considerou que “Quem souber ler o livro, vai encontrar em Carla uma personagem sem rosto ou com um rosto imperceptível, mesmo a condizer com a capa. Pouco importa… Pois, seja qual for o cenário, a protagonista da história é apresentada à laia de uma personificação exacta e exaustiva. Portanto, no plano real, Carla não é ninguém, todavia, paradoxalmente, é toda mulher vítima de escolhas incoerentes.

Negro é o pseudônimo de Raimundo J. R. Manuel. Nasceu em Nampula, a 28 de Agosto de 1988. É poeta, declamador e contador de histórias. Já fez teatro e hoje se vê envolvido na literatura. Actualmente exerce as funções de Assistente de Comunicação e Copywriter.

 

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