O País – A verdade como notícia

Maya Ângela Macuácua e Geremias Mendoso são os grandes vencedores da quarta edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto. Os dois vencedores foram anunciados hoje, na Cidade de Maputo. Maya Macuacua concorreu a este prémio com o livro de romance “Diamantes pretos em meio a cristais”. De acordo com a artista, trouxe, na sua obra, três épocas diferentes com personagem da mulher.

Por sua vez, Geremias Mendoso, com o livro de contos intitulado “Quando os mochos piam”, leva, segundo o autor, o papel de mensageiro que, através do seu choro, anuncia a morte de um parente ou de alguém que conhecemos.

Para a edição 2022, dedicada à prosa, o prémio ex-aequo foi para dois artistas que, pela primeira vez, partilham um dos prémios de literatura nacional.

O júri desta edição do prémio, constituído por Francisco Noa, Conceição Siueia, Conceição Siopa, José dos Remédios e Albino Macuacua, deliberou que, pela qualidade inovadora dos dois participantes, deviam partilhar a vitória.

Os dois vencedores irão partilhar 150 mil Meticais, editar o texto submetido a concurso e participar numa residência artística e no Festival do Fólio, em Portugal.

O primeiro vencedor deste prémio foi Macvildo Pedro Bonde com o livro de poemas “A descrição das sombras”, em 2017, e o seguinte, depois de em 2018 se ter anunciado que o júri não encontrou uma prosa que justificasse a premiação, em 2019, Otildo Justino Guido, venceu com o livro de poesia, com a obra “O silêncio da pele”.

O escritor Juvenal Bucuane irá relançar o livro BAIRRO INDÍGENA – Memórias do esplendor e da degeneração 1938/40-1966, às 16h30 do dia 25 de Maio, no Centro Cultural Arco-Íris (Galeria Artística), na Munhuana, Cidade de Maputo.

Em 1952, o Bairro Indígena, hoje Munhuana, recebeu um menino com 1 ano de idade, proveniente da actual Cidade de Xai-Xai, onde nasceu. O nome do menino? Juvenal Bucuane. E, no Bairro Indígena, viveu até aos 14 anos de idade, afinal, em 1966, teve de sair daquele bairro com os pais e irmãos por causa das cheias.

70 anos depois de ter chegado àquele bairro da Cidade de Maputo, Juvenal Bucuane regressa para apresentar o seu mais recente livro: BAIRRO INDÍGENA – Memórias do esplendor e da degeneração  1938/40-1966. Editado pela Alcance Editores, o livro foi inteiramente inspirado naquela zona localizada entre a Mafalala e Xipamanine.

Na verdade, a ideia de apresentar o livro que retrata o espaço e uma época relacionada aos eventos do Bairro Indígena foi de Noel Langa, que ali tem o Centro Cultural Arco-Íris (Galeria Artística). A sessão de relançamento está marcada para o dia 25 de Maio de 2022, pelas 16h30. Assim, entende Juvenal Bucuane, os moradores da Munhuana irão aproveitar ver uma espécie de exposição das obras de Noel Langa, numa sintonia entre literatura e artes plásticas. Será, igualmente, uma oprtunidade para as pessoas do bairro que não puderam estar no lançamento terem o contacto com o livro e em conversas relacionadas com o espaço onde vivem.

Enquanto morou na Munhuana, onde deu aulas, Juvenal Bucuane fez muitos amigos. Entre eles Aldino Muianga, Noel Langa, David Abílio, Victor Sousa e Francisco Manjate. Também por isso, a Munhuana é importante para o autor de BAIRRO INDÍGENA – Memórias do esplendor e da degeneração 1938/40-1966.

Com efeito, o relançamento do livro de Bucuane será, igualmente, uma forma de revisitar as suas memórias, porque todo o texto pertence ao bairro. Fala daquele bairro. “Quero relança-lo no próprio sítio que inspirou o livro”, sublinhou o escritor.

A pesar de ter começado a escrever depois de ter saído do Bairro Indígena, Juvenal Bucuane reconhece que aquele espaço é decisivo para o seu processo criativo. “É exactamente um espaço de inspiração literária, através do qual observo e comparo o passado e o presente”.

Segundo disse Juvenal Bucuane, esta terça-feira, o evento de 25 de Maio será mais intimista, e restrito, devido ao tamanho do Centro.

Portanto, BAIRRO INDÍGENA – Memórias do esplendor e da degeneração 1938/40-1966 narra parte da história daquele bairro suburbano da Cidade de Maputo.

A curta-metragem de Gigliola Zacara e Osvaldo Mauze foi laureada este domingo, na primeira edição do Festival Internacional RENUAC, na Cidade de Santiago, no Chile.

Pela primeira vez, a curta-metragem Silêncio, realizada por Gigliola Zacara e Osvaldo Mauze, conquista um troféu internacional. A proeza concretizou-se no Festival Internacional RENUAC, na capital chilena Santiago.

A boa notícia para a dupla de cinestas moçambicanos chegou este domingo, através de uma transmissão online pela internet. Na Cidade de Santiago, a informação da premiação da curta-metragem de Gigliola Zacara e Osvaldo Mauze foi anunciada por Sandra Camillo.

Assim, Silêncio, que no elenco conta com as participações de Adélia Maposse, Mabjeca Tingana, Gigliola Zacara, Khaleesi Mauze, Kawany Sango e Tio Luís, conquistou a categoria Melhor Guião, dos Prémios Especiais atribuídos pelos membros do júri do concurso cinematográfico.

A distinção ao filme Silêncio, com efeito, premeia uma co-produção do Centro de Recriação Artística e a 7 Ofícios – Rede de Mulheres, rodada com fundos limitados. Não obstante, fizeram parte da equipa técnica, além dos realizadores, Augusto Nhambi e Milagre Langa, sendo que a produção contou com apoio dos músicos Roberto Chitsondzo e Dama do Bling para a trilha sonora.

A curta-metragem de Gigliola Zacara e Osvaldo Mauze é a história de Elisinha, uma menina que, na impossibilidade de denunciar as sucessivas violações causadas pelo próprio pai, por medo das consequências, recorre ao silêncio, enfrentando problemas de ordem psicológica. O cenário doméstico coloca em xeque as relações entre a menina adolescente e a mãe, de certo modo, cúmplice das atrocidades causadas pelo marido.

O cenário retratado no filme, na verdade, ficciona a realidade por que passam várias raparigas em Moçambique. As quais, quer por medo, quer por falta de apoio familiar vêem a sua adolescência destruída.

Nesta primeira edição do Festival Internacional RENUAC foram inscritas 8.371 produções de 104 países. Portanto, Silêncio, de Gigliola Zacara e Osvaldo Mauze, conquistou a categoria de Melhor Guião, dos Prémios Especiais do Júri do concurso.

A REACÇÃO DE GIGLIIOLA

“É um privilégio, para mim e para toda a equipa que esteve envolvida na produção do filme,  receber este prémio internacional, porque ficamos com uma maior certeza de que, afinal de contas, o nosso trabalho está a chegar além-fronteiras e que, para além dos reconhecimentos a nível nacional, estamos a ter também o reconhecimento internacional, o que é muito gratificante. Significa também que o nosso trabalho tem uma qualidade equiparável a de outros cineastas do mundo, apesar de todas as dificuldades e desafios que nós enfrentamos todos os dias para fazer o nosso trabalho acontecer.

A melhor coisa que aconteceu foi, de facto, a possibilidade de podermos contar as nossas histórias, levar as nossas vivências para outros espectadores distantes, fazer chegar o que é produzido em Moçambique e por moçambicanos para plataformas internacionais. Conseguir trazer o prémio para casa é que nos deixa orgulhosos. Falo em nome da equipa e em meu nome pessoal.

Acredito que este prémio vai abrir muitas portas, para a preparação das próximas produções que se avizinham, como também nos incumbe uma maior responsabilidade e exigência no que concerne à qualidade cinematográfica que iremos apresentar. E, com certeza, queremos manter esta porta que se abriu para trazer mais e mais reconhecimentos para Moçambique’.

Por: Anselmo Dinis

 

É muito lindo ter alguém especial! É lindo, ainda mais, ter alguém para amar e nos amar, aliás, com quem dividir o mar.

Mas, afinal, o que é amar para os dias que passam?

Nem mesmo eu sei, mas posso tentar explicar: amar é não falhar, não cometer erros, é caminhar num caminho que, para além de turbulento, é limpo e cheio de rosas saborosas. É fazer, sempre, o melhor com o melhor que se pode ter. É saber perdoar sem nunca ter ouvido “perdão”. Amar é como o vidro que deve, sempre, ser protegido de um vilão qualquer. É ser servido e servir ao garçonete também. É o reflexo da liberdade que se faz entre os Homens. É simples e complexo quando se quer.

Mas e o mundo de hoje, MUNDO DE VIDRO?

Desculpe, não disse NADA. Devo estar, apenas, comovido com esta data. A sério, não é isso que quis dizer. Queria só escrever alguma coisa sobre o dia da mulher. Se foi fácil? – não sei. Afinal, é o 7 de Abril que, num ano, se fecha com altas despesas e, no outro, se abre com mechas e cervejas. Então, vê se ame quem te ama, te amou, te amará, valorize quem te valoriza, te valorizou, te valorizará, perdoe quem te perdoa, te perdoou, te perdoará, pense em quem te pensa, te pensou e te pensará. Não valorize o presente, pois serve só para aquele instante – o hoje, não valorize o futuro, pois é imaturo, ora nem sabemos se chegamos lá, valorize o passado porque é o que calçamos, pedalamos, nele escorregamos e nos levantamos até chegarmos aqui onde estamos.

 

Mais não disse, FELIZ DIA.

 

07.04.2022

Por: Jacinto Pena

 

Não há comentador ou entrevistado, seja analfabeto ou doutorado, desde a parteira até ao coveiro, com todos os outros de permeio, quando entrevistado, seja numa paragem no Xiquelene, seja num painel de debate, quer de num programa de trivialidades ou de Jornadas Científicas nas universidades, que não lamente, consternado, que a juventude de hoje não quer saber de ler para nada, mas que, quando indagado, não saiba logo como resolver esse problema cabeludo: afinal é simples – só é preciso explicar aos jovens a “importância da leitura” e criar nas crianças “o gosto pela leitura” – apregoam todos eles, unânimes, com ares de sabe-tudo.

E, vai daí, anda meio mundo há anos a organizar uma copiosa série de actividades com o fito de dar esta explicação aos jovens: são lançamentos de livros a torto e a direito (meras Feiras das Vaidades, onde pouco se fala de literatura por entre os elogios sempre superlativos, rasgados entre confrades – naquele espírito de uma mão lava a outra e, depois, ambas se aplaudem mutuamente), Feiras do Livro à desgarrada, tertúlias e exposições, concursos e premiações, camisetes e passeatas, Festivais e celebrações de Dias Mundiais! Entretanto, qual é o impacto de tanta explicação acerca da importância da leitura, nos índices de leitura? Se atentarmos à recorrente repetição monocórdica da mesma lamentação sempre que se abre um jornal ou se liga a televisão: é Zero! A que se deverá tamanho fracasso, então?

IMPORTÂNCIA = NECESSIDADE

A importância é uma qualidade intrínseca à necessidade. Nessa perspectiva, sou levado a perguntar: o que é que faz com que ler seja uma necessidade – e, portanto, possa ser considerada coisa importante?

Vejamos algumas razões objectivas, sem sermos exaustivos (vou excluir aqui aquelas necessidades subjectivas elevadas, relacionadas com o prazer e com a estética):

  • Ser indispensável para se passar de classe, no ensino primário!
  • Ser uma exigência para ingressar numa Universidade!
  • Ser condição ou vantagem manifesta para ter acesso a emprego!
  • Ser requisito para poder progredir na carreira profissional e ascender a funções de chefia!

Ora, nenhuma destas razões se verifica em Moçambique! Senão, vejamos:

Em Moçambique não é necessário saber ler para passar de classe, como está patente no facto público de, embora apenas 4,9% dos alunos na 3ª classe serem capazes de ler (INDE, 2016), todos aqueles que não tenham desistido antes, chegarem na mesma até à 5ª Classe! Como foi possível esses outros 95,1% (ou seja, 95 alunos em cada 100) lá chegarem sem saberem ler, e em igualdade de circunstâncias com os que o conseguiram aprender? Só pode ser porque não é necessário saber ler para passar de classe. E, logo, ler não é importante!

E se saber ler não é um requisito para passar de classe no ensino primário, obviamente que essa competência também não vai ser exigida em mais nenhum nível de ensino, incluindo para ingressar numa universidade. Seja pública ou privada, desde que paguem a Taxa de Matrícula e as mensalidades regularmente e sem atraso, os cidadãos ingressam e continuam a passar de ano sem saberem ler. E, logo, ler não é importante!

E porque são admitidos nas universidades sem saberem ler, os cidadãos, desde que paguem a beca e o diploma, são por elas também graduados sem o saberem  fazer – como se diz na informática, “Garbage in, garbage out”.[1] – o que é óbvio, afinal, porque não é nas universidades que se ensina a ler. As universidades não dispõem nem dos conteúdos, nem dos métodos, nem dos meios, nem do tempo para ensinarem a ler. Não sabem fazê-lo.

Mas, o drama não acaba aqui. Regressados aos seus locais de trabalho, onde já não tiveram necessidade de saberem ler para arranjarem emprego, estes iletrados ora graduados, esgrimindo o Diploma, têm as portas das empresas e dos serviços escancaradas para acederem a funções de direcção, gestão e governação – e lá vão acedendo e ascendendo até chegarem ao topo. E, logo, ler não é importante!

E, deste modo, estes graduados sem saberem ler tomaram de assalto o poder ao nível do Estado e ao nível do empresariado. E quem determina agora aquilo que é necessário, são eles, aqueles mesmos que não precisaram de saber ler para se guindarem ao poder. Porém, cientes que estão de que isso é uma deficiência, sentem-se ameaçados por quem quer que saiba ler, pelo que baniram essa competência da lista de requisitos de qualificação. Começaram por banir os exames no Ensino Primário. E, assim decretaram que ler não é importante!

Por fim, como se tudo isto não bastasse, como se sabe, também não é necessário saber ler nem para ser eleito nem para eleger. E, logo, ler não é importante de todo!

Em síntese, a única conclusão que se pode retirar sobre a famigerada falta de interesse pela leitura em Moçambique só pode ser que para tudo aquilo de que cada um necessita, em Moçambique não é necessário saber ler! E, logo, ler não é importante.

É neste contexto de total irrelevância da leitura que estes muitos “experts”, na mais completa dissonância com a realidade nacional, apregoam como solução a necessidade de promoção do “gosto pela leitura”!

GOSTAR = SABER

Mas, para se poder gostar de ler, primeiro é preciso saber ler!

Eu posso gostar de uma música, sem saber distinguir uma nota musical de uma de Metical, porque esse gostar não requer quaisquer competências. Posso, portanto, gostar de música sem saber cantar. Eu posso gostar de uma escultura sem saber sequer diferenciar um rastelo de um cinzel. Posso, pois, gostar de escultura sem saber esculpir. Posso gostar de um quadro, sem saber discernir a tinta-da-china do guache, e sem saber pintar. Posso gostar de teatro sem saber distinguir uma comédia de uma tragédia, e sem saber representar. Posso ser um gourmet, sem saber cozinhar. Posso gostar de moda, sem saber desfilar…  Tudo isto é espectáculo de massas, para entreter, e não requer qualquer saber. A literatura, não! Eu não posso gostar de leitura, sem saber ler! E, saber ler não é inato, tem de se aprender.

Por isso, podem até fazer-se romarias de escritores por meia dúzia de escolas e encher-se as Livrarias e Bibliotecas com todos os livros do Mundo, que enquanto as pessoas não souberem ler não irão lá para os obter. Um livro é um mero instrumento. Um livro não existe até ser aberto, desfolhado, manuseado com as mãos, com os olhos, e com a imaginação. Uma história escrita mantém-se ausente até que esfreguemos a capa do livro e libertemos o génio que lá está hibernado. Mas isso exige… saber ler!

É esbanjamento de recursos toda a acção realizada com o fito de promover a leitura junto a pessoas que não sabem ler. Tem que se ensiná-las a ler, primeiro. Ou seja, O SABER OCUPA LUGAR, sim.

Mas aqueles que tomam decisões sobre o uso a dar aos recursos para combater o problema, preferem andar a disparar a torto e a direito, cada um para seu lado, com a maior precisão, para longe do alvo. Estão a tentar TAPAR O SOL… COM O LIVRO!

Não se promove o gosto pela leitura com acções marginais do tipo espectáculo de massas. Organiza-se meticulosamente o processo de aquisição compulsória da capacidade de ler. Ninguém pode ser obrigado a gostar de ler. Gostar de ler é um Direito individual. Mas saber ler é uma obrigação social. Por isso, todos devem ser obrigados a saber ler! Não se ensina o gosto! Cria-se a competência.

Ou seja, é preciso fazer exactamente o contrário daquilo que se vem fazendo desde há anos a esta parte , e que levou a que actualmente todos os estudantes saiam de todas as escolas do país sem saberem ler, sem terem lido um único livro completo durante 12 longos anos de escola! Os poucos que aprenderam a ler (5 em cada 100) lêem apenas palavras soltas e, ainda assim, com esforço e sem compreenderem o seu significado, o que em nada contribui para tornar a leitura prazerosa. (Nota: saber ler não é gaguejar algumas palavras soltas nem cantar em eclesiásticos coros escolásticos! É ler individualmente, de forma corrida, compreendendo ao mesmo tempo aquilo que se está a ler). Para quem não sabe ler, ler faz doer!

LIVROS… ESCOLA… ACÇÃO!

Portanto, é aqui que mora o problema: aprender a ler! Logo, é para aqui que tem de se apontar. Ora, é única e exclusivamente na Escola Primária que se aprende a ler. Mais concretamente na 1ª e na 2ª Classes. Na 3ª Classe já não se ensina a ler. Usa-se a capacidade de leitura aprendida nas duas classes anteriores para começar a aprender outras coisas, através das quais, claro, se desenvolve e se consolida em simultâneo a capacidade de leitura previamente adquirida.

Se se pretende realmente promover a competência de leitura, tem que se centrar todos os esforços e todos os recursos na Escola Primária. Mas, atenção, não é para estes experts, bem como os escritores, desatarem todos a visitar escolas! É para se reactivar o trabalho dentro das salas de aula, através dos programas, dos métodos e dos meios de ensino, e dos únicos agentes competentes da acção de ensino da capacidade de leitura: os professores.

E é necessário também que o Currículo determine livros de leitura obrigatória em cada classe, e que a capacidade de interpretação correcta dessas leituras seja a condição sine qua non para a passagem de classe!

É aqui, neste nível, que a sociedade escolhe e filtra o nível de competência que quer que os seus cidadãos venham a atingir em matéria de leitura e, assim, que  determina se ler é ou não é importante! A escola é o primeiro elo desta corrente de selecção: quem aprendeu a ler passa, quem não aprendeu não passa! Até aprender.

Esta filtragem tem de ser feita, e só se pode efectuar através da realização de exames, e não removendo-os, ano após ano, classe atrás de classe, como se vem fazendo em Moçambique, de há uns anos a esta parte, em total desfasamento com a realidade nacional. São as provações que desenvolvem o génio humano. As facilidades atrofiam-no.

O problema é que em Moçambique, se escolheu intencionalmente deixar de atribuir importância à leitura ao determinar que os alunos possam passar de classe sem saberem ler.

Portanto, para que ler volte a ser importante, impõe-se voltar a exigir escrupulosamente na admissão e na progressão nas escolas e universidades, no Estado e nas empresas, a competência de leitura como critério de aptidão. Só assim saber ler voltará a fazer a diferença na vida das pessoas e, só então, ler se tornará  importante. E is-so fará com que, então, sem Feiras nem passeatas, sem apelos nem bravatas, volte a haver por todo o lado, gente que quer ler e que se vai bater por aprender a ler. Sem precisar que alguém lho venha dizer.

Mas, atenção, isto será um combate! E os combates fazem sempre vítimas. Que irão estrebuchar, na tentativa de continuarem a impedir a aprendizagem da leitura, para se conseguirem continuar a manter à tona, sem saberem nadar… aliás, ler. Porque a luz desvenda muitos mistérios, o que não interessa aos interesses instalados em ambos os hemisférios!

Sugiro até uma estratégia para vencer este combate: fazendo fé em que “O fruto proibido é o mais apetecido”, e conhecendo a propensão nacional para desobedecer a todas as regras, deve decretar-se a Proibição Nacional da Leitura! Talvez, assim, assistamos a um movimento nacional de desobediência civil, com os cidadãos, imbuídos da rebeldia que se tornou nossa cultura, a lerem livros até nos espectáculos musicais, nos desfiles de moda, nos cabeleireiros, nos campos de futebol, nas barracas, e enquanto aguardam pacientemente pelos “My Love”… bom, se calhar, se as pessoas passarem a ler deixarão de aceitar pacientemente os “My Loves”… uhn… afinal, deve ser por isso que não as deixam aprender a ler! Para que não percam a paciência. Porque ler dá cabo da paciência!

 

 

[1] Entra lixo, sai lixo.

A Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique abriu as candidaturas para a 13ª edição do Fórum de Cinema Moçambique – KUGOMA. Os cineastas africanos interessados podem concorrer entre 15 de Abril e 15 de Junho.

Uma vez mais, o Fórum de Cinema Moçambique irá levar à grande tela as emoções da sétima arte produzida por africanos. Nesta 13ª edição do evento, a Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique irá privilegiar a criação de novos públicos e a premiação de jovens profissionais dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Tais iniciativas, sublinha a organização, serão acompanhadas por actividades de valorização do património audiovisual e de formação, sobre diversas áreas profissionais.

Ao contrário do que aconteceu nos dois últimos anos, nesta 13ª edição, o Fórum de Cinema Moçambique – Kugoma irá acontecer de forma híbrida, ora presencial, com sessões de masterclasses, ora online. Assim, com o regresso do evento ao contacto com o público, como tem sido habitual, a iniciativa cinematográfica poderá realizar o Kugoma Escolas, que consiste em levar ao cinema alunos do ensino secundário de instituições públicas da capital do país. A iniciativa, com efeito, acontece em parceria com o Conselho Municipal de Maputo, e, segundo o a nota de imprensa do KUGOMA 2022, beneficia centenas de jovens locais.

Ora, porque o Fórum de Cinema Moçambique também é network e intercâmbio,  a Associação dos Amigos do Museu do Cinema pretende promover, nesta edição, a rubrica Conversas KUGOMA, reunindo, desse modo, realizadores, produtores, investigadores e empreendedores do sector dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa numa parceria com a Rede de Cinema e Audiovisual PALOP-TL.

Ainda para a 13ª edição, já que o cinema interage com outras manifestações artísticas, a organização do Fórum de Cinema Moçambique, na rubrica Cine-concerto KUGOMA, prevê trabalhar com músicos e estudantes de música para criar uma banda sonora original para filmes que se encontram já em domínio público, e apresentar os resultados desse trabalho de criação, ao vivo, no Auditório do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.

Os que pretenderem enviar as suas curtas-metragens para a presente edição do Fórum de Cinema Moçambique – KUGOMA podem fazê-lo entre 15 de Abril e 15 de Junho. A submissão está aberta aos cineastas africanos, no continente e noutras regiões.

Maya Ângela Macuácua, com o romance Diamantes pretos em meio a cristais; Geremias José Mendoso, com o livro de contos Quando os mochos piam; Fernanda Vitorino do Rosário Mualeia João, com o romance Amor em tempos incertos; Wasquete Jasse Fernando, com a novela Noites de desassossego; e Adelino Albano Luís, com o livro de contos Estórias trazidas pela ventania, são os cinco finalistas do Prémio Literário Fernando Leite Couto. O grande vencedor, segundo informa uma publicação da organização do concurso, será anunciado esta segunda-feira, às 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto, Cidade de Maputo.

 Para a presente edição, o prémio literário foi dedicado à prosa (romance, novela, conto e crónicas). “Em 2018, o júri decidiu não atribuir o prémio, pois nenhum dos candidatos reunia os requisitos de qualidade exigidos como critérios de premiação. A nossa expectativa, nesta segunda edição, dedicada à prosa, é que o desfecho seja diferente e possamos galardoar e imprimir um novo prosador para a galeria de jovens autores moçambicanos”, le-se na nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto.

O grande vencedor do prémio literário receberá 150 mil meticais, oferecido pelo Moza Banco, e será, igualmente, patrocinado pela instituição bancária a impressão do original submetido a concurso, além de participar de uma residência artística e do Festival do Fólio, em Portugal, suportado pela Câmara Municipal de Óbidos.

O grupo Comedy Box foi criado recentemente, por três comediantes, nomeadamente, Júlio Chico, Celso Fernando e RJYuran. O trio, com efeito, lançou-se ao desafio de organizar “Noites de recital e humor”, na Cidade de Maputo.

Assim, o primeiro espectáculo de stand up comedy do grupo está marcado para às 18 horas do dia 21 deste mês, no Café e Bar Gil Vicente. Nesse dia, irão subir ao palco os humoristas Júlio Chico, Celso Fernando, Abel Bartolomeu e os poetas Neide Sigaúque e Chicassula. Portanto, além de humor, o público que irá ao Gil Vicente poderá ouvir poesia.

Já o segundo espectáculo está marcado para 4 de Maio, no Cine Teatro Gilberto Mendes, igualmente na Cidade de Maputo, às 18h30. Em princípio, a sessão durará quatro horas, devendo contar com actuações dos humoristas Meneses, Macandza, Celso Fernando, Júlio Chico e as poetisas Neide Sigaúque e Fisherwoman.

Com “Noites de recital e humor”, o objectivo do grupo Comedy Box é promover o stand up comedy e a poesia, permitindo à nova vaga de artistas conectar-se com o público através da arte de palco. Em termos colectivos, no Gil Vicente será a primeira vez que o grupo irá apresentar-se em público. Noutras ocasiões, sempre foi individualmente.

O Comedy Box é um grupo que investe no stand up comedy porque lhes permite activar alegria nas pessoas. “Isso é importante porque permite descontrair a mente, relaxar e permite às pessoas ter qualidade de vida”, acrescentou, esta quinta-feira, RJYuran, um dos membros do Comedy Box: “O grupo explora essencialmente assuntos da sociedade e aquilo que nos envolve”.

Os comediantes do Comedy Box contam com apoio de +258 Comedians.

As obras literárias Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho, e Rabhia, de Lucílio Manjate, serão lançadas próximo mês, em São Paulo. As duas obras literárias chegarão aos leitores pela editora Kapulana.

 

Os livros Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho, e Rabhia, de Lucílio Manjate, serão lançados durante a quarta Feira do Livro da UNESP. Sob a chancela da Editora Kapulana, ambas as obras literárias chegam ao Brasil depois de terem sido publicadas em Portugal e em Moçambique.

Reagindo a esta oportunidade de alcançar os leitores brasileiros pela terceira vez, depois de O jovem caçador e a velha dentuça (2016) e A triste história de Barcolino, o homem que não sabia morrer (2017), sempre pela Kapulana, Lucílio Manjate afirmou que a sua obra Rabhia leva um pouco do pulsar da realidade moçambicana à América Latina. Segundo reforçou, há uma marca da literatura moçambicana que a sua escrita carrega para o Brasil, tendo como base que é herdeiro de autores como Ungulani ba ka Khosa, Mia Couto e Aníbal Aleluia.

De igual modo, Manjate considera que esta terceira publicação de um título seu pela Kapulana transparece a sua consolidação como escritor, lembrando que Rabhia foi editado, pela primeira vez, em Portugal por ter sido laureado Prémio Literário Eduardo Costley-White (2017). “Eu espero que o leitor brasileiro possa encontrar em Rabhia uma forma particular de Lucílio Manjate fazer uma incursão pela narrativa policial, que é um género que tenho estado a abraçar. Sinto que em nós, moçambicanos, há uma nova gramática do policial e eu espero que o leitor brasileiro possa encontrar essa outra gramática do policial à moçambicana ou à africana”, afirmou Lucílio Manjate, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo.

O policial é promovido no Brasil, pela Kapulana, “como uma história que começa com a descoberta do corpo de Rabhia, uma prostituta. Quem vai investigar o crime é Sthoe, detective excêntrico que já actuou em outros livros de Lucílio Manjate. A trama parece simples, comum, semelhante à maior parte das histórias policiais. No entanto, somente a partir dos relatos de testemunhas e investigadores, é que o retrato de Rabhia é construído, ao mesmo tempo que o da Cidade de Maputo, capital de Moçambique”.

Quanto a Museu da revolução, a Kapulana escreve o seguinte:  “O protagonista de Museu da Revolução é um país: Moçambique. Nessa obra de ficção, João Paulo Borges Coelho nos mostra personagens diversas que participam da história de Moçambique. Em uma viagem em uma van – um Hiace antigo – várias pessoas se conhecem e percorrem caminhos em Moçambique à procura de sua história e de sua identidade. Nesse retrato contemporâneo do país africano da África Austral, o leitor não só é convidado a participar de uma viagem no tempo desde os tempos da luta de libertação, mas também a fazer um percurso geográfico por vários outros países que se relacionam com Moçambique de diversas formas”.

A propósito do seu romance, numa entrevista cedida a este jornal, a 7 de Dezembro de 2021, João Paulo Borges Coelho afirmou o seguinte: “Eu olho para o romance como uma caixa de onde vamos tirando coisas que nos interessam, vendo como essas coisas encaixam umas nas outras. E essas coisas têm a ver com temas que queremos explorar, com aspectos da nossa vida e etc. Nesse sentido, o romance é uma descoberta para o leitor, mas antes foi uma descoberta para o autor, que tem uns dias mais difíceis e outros dias mais fáceis. Por exemplo, este romance, eu não diria que tem um tema, mas vários temas que se cruzam e que se encaixam. E todos os temas têm a ver com a nossa vida recente”.

Além de Museu da revolução, de João Paulo Borges Coelho, e Rabhia, de Lucílio Manjate, a editora Kapulana também irá lançar, sempre em Maio, o livro Jaime Bunda, agente secreto, do escritor angolano Pepetela.

 

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