O País – A verdade como notícia

Por: Marcelo Panguana

 

Existem algumas marcas que corporizam o livro Escutador de Silêncios, escrito por Ricardo Santos, que nos podem conduzir a uma melhor interpretação da obra. Uma das marcas podemos encontrá-la nas palavras do professor Elisio Macamo, que assumiu a responsabilidade de prefaciar este livro, ao dizer: “cada linha é uma janela que se abre. Ela não abre para a gente ver o mundo lá fora. Ela abre-se para a gente ver o mundo dentro de si, para a gente se maravilhar com aquilo que o interprete  disse sem ter dito tudo”. Suponho que o Macamo deve estar a dizer que o livro, e acrescento que essa é a responsabilidade de todo o livro, deve ajudar na descoberta de nós próprios. Uma outra marca é a própria definição de Ricardo Santos sobre aquilo que escreve, isto é: “A poesia é inútil. De outro modo seria coisa vulgar”, isto é, o Ricardo, apesar de ter consciência da inutilidade da poesia, escreve, o que não deixa de ser uma delicada ironia. Há ainda uma terceira marca, a da grande incógnita relativamente ao género adoptado pelo autor: poemas, crónicas ou outra coisa qualquer? É a partir destas três marcas que se pode encetar a viagem de descoberta desta obra, uma viagem que provavelmente pode nos levar a percorrer vários caminhos, leves e inefáveis alguns, sombrios e ingremes outros, mas todos  eles questionando o significado da própria vida e como o poeta a vê e sente.

Sou apologista duma escrita erudita, cuidada, e terá sido precisamente por essa razão que deixei-me surpreender com a forma despretensiosa como Ricardo Santos escreveu este livro. Na literatura o meu doce calvário foi sempre a metáfora, o trabalho de ourives, como a de um Carneiro Gonçalves, o Álvaro Taruma, do Borges, ou um Eça de Queirós. Diria que “O Escutador de Silêncios” não nos oferece uma escrita inovadora e subversiva como, por exemplo, a de um Filimone Meigos, mas Ricardo Santos apresenta-se, talvez sem disso se aperceber, como um inovador, alguém que traz uma nova forma de “palavrar”. Escreve da mesma maneira como fala, “inventa” uma outra forma de versar, coloca de lado a metáfora e vai à busca dos sentimentos mais profundos:

“Querido neto Aylan Kurdi, ficou tanto por dizer, ficou tanto por fazer e eu estou só, com a minha mágoa sem tamanho. Tinha muitas coisas para viver contigo. Tinha o jogo do paulito, um pau grande e outro pequeno numa cova de grandes sobressaltos. Tinha um abafador imperdivel para jogarmos ao berlinde, sei lá  eu que mais. Até tinha, vê lá tu bem, um pulmão de peixe para te emprestar, em caso de necessidade. Tudo em vão. Perdi-te num qualquer  mediterrâneo e fiquei um avô mais pobre. Fiquei avô de um neto só. Que te sirva de consolo a nossa raiva contida, a nossa ternura sem fim. Love you. Avô Ricardo”.

Ao longo do livro os escritos do Ricardo obedecem ao pulsar dos seus sentimentos, conseguem ser profundos à medida que profundo se torna a forma como observa as coisas que o rodeiam. Este livro não foi escrito a pensar-se em alcançar o que quer que fosse, que o Ricardo sempre gostou de ter os pés assentes no chão, mas acredito que  “O escutador de silêncios” tem o mérito de ser a voz da simplicidade e da pureza, fazendo-me recordar um Mutimati Barnabé, coincidentemente mencionado no livro, com o seu Eu e o Povo. Tal como o Mutimati, Ricardo Santos escuta os silêncios do seu povo para depois os dar voz, sentimentos e tirá-los do anonimato. Dar-lhes importância na construção da nossa história. Como diria o sociólogo Elísio Macamo, “ Não é uma história feita por grandes homens e mulheres, ou grandes momentos, mas sim uma história dos que não têm nome, portanto, os mais importantes, aqueles que por serem anônimos devolvem à vida o protagonismo que ela merece no nosso devir”.

Qualquer escrita, e este livro não constitui uma excepção, é um produto de memórias que se buscam no arquivo do tempo e que foram resistindo a poeira do esquecimento. Não é por acaso que o Ricardo vai buscar o Aquino Bragança, sempre dissimulado no seu pitoresco bigode, que reelembra o Antonio Quadros, os jogos de berlinde, o José Craveirinha do seu encantamento; não é por acaso que reencontra-se com Ughetto, o fabricante de Antiguidades, que faz um flash sobre a Rua Araujo, que fala das mãos sublimes da Reinata Sadimba, para acabar, entre outros escritos, de convidar a Noémia de Sousa para tomar um café em Algés.  Entre a ironia que é subjacente em alguns dos seus versos e a irreverência de saber que não saberemos situar os seus escritos em nenhum género, deixando-o assim livre de todos rótulos, Ricardo Santos desfila as suas memórias que ao fim e ao cabo são as memórias deste Moçambique com o qual convive  há mais de sessenta e quatro anos. Encontramos também no livro quadros sinistros, reflexos de tantas amarguras que a vida nos concede, conferindo absoluta razão ao escritor luso Baptista Bastos ao dizer que “a verdade é que os grandes livros, ainda hoje, são livros inspirados na mais pessoal e, as vezes, atroz das realidades”. Ricardo desceu por todas as alamedas daquilo que foi mais profundo viver e observar. Diria, com todo o risco de não ser verdadeiro, que quanto maior for a vivência de um escritor, existem mais probabilidades do seu livro se tornar uma obra rica e equilibrada.

E esta viagem de escassa quilometragem que fiz através do Escutador de Silêncios fica por aqui. Gostaria de ter a certeza de ter deixado ficar o essencial, mas pouco importa se essa viagem não chegou ao fim. Sei que este livro abre muitas possibilidades de leitura e é isso que espero que aconteça nos tempos próximos tempos. Fica, agora, este pedço de prosa, que com o consentimento do Ricardo Santos, vos ofereço.

“Fui encontrado há poucos dias, ainda vivo, pelo fotógrafo Mario Macilau Sameblood no meio da lixeira de Maputo. Não, não foi na lixeira de Trajouce no Concelho de Cais. Foi na lixeira de Maputo. Dizem que eu estava deitado num enorme e velho carrinho de bebé do inicio do século XX. Daqueles que usavam rodas do tamanho de rodas de bicicletas. E sorria para os meninos que chafurdavam no lixo à procura do Santo Graal”.

 

 

 

O livro Somos a primeira pessoa do plural, de José Luís Peixoto, será lançado pela Editorial Fundza, às 18 horas de 5 de Maio, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo. Pela primeira vez, o escritor português publica um livro por uma editora moçambicana.

 

Em 2013, Dany Wambire concorreu ao Prémio Literário José Luís Peixoto, em Portugal. Naquele ano, o escritor submeteu os textos agora publicados no livro A adubada fecundidade e outros contos. A partir daí, iniciou um laço fraterno entre o escritor moçambicano e o português José Luís Peixoto, que, recentemente, reencontraram-se no Corrente d’Escritas, em Portugal. “Foi aí que surgiu a ideia de fazermos este livro. Então, nesse momento, comecei a pensar nos textos que poderiam fazer parte e, em pouco tempo, aqui está o livro pronto para ser lido”, afirmou, esta quarta-feira, em Maputo, o autor de Somos a primeira pessoa do plural.

Para a sua primeira obra literária publicada por uma editora moçambicana, José Luís Peixoto juntou textos que lhe pareceram fazer sentido enquanto unidade e que têm como eixo algumas linhas que já escreveu no passado sobre Moçambique.

Esta é a terceira vez que o escritor português encontra-se em Moçambique, para quem é um lugar especial. Por isso, está interessado em trabalhar as experiências resultantes de cá estar nos seus textos literários futuros. Enquanto isso não acontece, “este livro, que se publica aqui, acaba por ser uma oportunidade de levar um pouco do meu trabalho aos leitores moçambicanos. Espero que os leitores moçambicanos vejam o seu país através da minha escrita porque, nós, muitas vezes, aprendemos sobre nós próprios através do olhar dos outros”.

O título do livro inédito de Peixoto, editado pela Fundza, igualmente, pretende sugerir que em termos individuais o Homem é um ser colectivo que existe como colectivo. Assim, Somos a primeira pessoa do plural é um exercício que, muitas vezes, explora dimensões individuais, íntimas, familiares, tentando retratar o que pode e é de todos. “Aquilo que eu mais gostava que acontecesse é que os leitores moçambicanos se sentissem reflectidos por estas palavras, que encontrassem ideias que falassem com eles próprios e que sentissem que isto é aquilo que eles já pensaram e que nunca viram assim retratado em palavras”.

Somos a primeira pessoa do plural é um livro constituído por 20 crónicas, as quais perfazem 101 paginas. Entre as crónicas do livro encontram-se “Antes de embarcar para Moçambique”, “Gorongosa”, “Esta é a estrada, nós somos os condutores”, “A vida”, “Todo o silêncio” e “Família”.

O mais recente título da Editorial Fundza será lançado no Camões – Centro Cultural Português em Maputo às 18 horas do dia 5 de Maio. Segundo disse Peixoto, este deverá ser o primeiro de mais obras literárias publicadas em Moçambique por editoras nacionais.

José Luís Peixoto é um dos mais interessantes autores portugueses da actualidade. Ao longo do seu percurso, além de lançar romance, poesia, crónicas e teatro, também foi laureado com os prémios José Saramago e Oceanos. Nesta sua terceira vez no país, o escritor também irá participar no RESILIÊNCIA – Festival de Literatura, em Maputo, orientar oficina literária em Chonguene (Gaza) e participar em várias actividades sobre o Dia da Língua Portuguesa, que se comemora a 5 de Maio.

 

A Livraria Mabuko promoveu um encontro entre autores e leitores, na Cidade da Matola. A sessão serviu para celebrar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor e inaugurar um novo espaço dedicado ao livro naquele ponto do país.

O país não se encontra num bom momento, no que à promoção do livro diz respeito. Por isso, e partindo de uma boa experiência de feira do livro realizada ano passado, a Livraria Mabuko organizou um encontro entre escritores e leitores, na Cidade da Matola.
De acordo com Cisa Ponta Vida, da Mabuko, o centro comercial Novare passa a contar com a venda de livros porque o objecto literário é essencial para educação e cultura de toda a humanidade. “Nós tivemos um momento muito difícil, na altura em que a COVID-19 estava em alta. Muita gente estava a fechar as portas. Então, decidimos que tínhamos de inovar, porque a leitura é um assunto importante para todos nós”, acrescentou Cisa Ponta Vida, como que a justificar porque a Mabuko não se contentou com a livraria localizada na zona nobre da Cidade de Maputo: “Depois da adesão que registamos em Dezembro, quando cá viemos fazer uma feira do livro, decidimos ceder à vontade dos leitores em ter-nos cá”.

Além de só inagurar um novo espaço de venda de livros, num contexto em que as livrarias estão encerradas em várias cidades nacionais, a Mabuko convidou autores como Ungulani ba ka Khosa, Juvenal Bucuane e Adelino Timóteo para uma confraternização, igualmente, como forma de celebrar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, assinalado no passado dia 23 deste mês. A Mabuko procedeu assim porque percebeu que muitos dos que compram os livros nunca tiveram a oportunidade de estar com o escritor moçambicano que lêem.

Para Adelino Timóteo, que veio da Cidade da Beira precisamente para participar no evento, a iniciativa da Mabuko é importante porque tira o livro do centro urbano para outros locais, contribuindo, dessa forma, para divulgar as obras literárias em locais alternativos, onde as pessoas estão. “Deste modo, ganha a literatura, porque o livro fica mais próximo do destinatário. De igual maneira, ganham também os autores porque passamos a ter maior comunicação entre escritores e leitores”.

Concordando com Timóteo, a escritora Stela Manhiça Langa considerou que a divulgação do livro em espaços como o centro comercial Novare, na Matola, é fundamental porque, em geral, os moçambicanos ainda estão a aprender a ler obras literárias, se se pensar em termos quantitativos. “Esta é uma forma de estimular a leitura. É um exercício que pode e deve ser feito a partir da base e da pré-escola, de modo que as crianças possam crescer com hábitos de leitura. Com um Plano Nacional de Leitura, que envolve educadores de infância e a família, passaríamos a ter no país adultos que gostam de ler”.
Já para o escritor Albert Dalela, o encontro promovido pela Mabuko foi marcante porque teve a oportunidade de estar com autores que lê desde criança. “Para além de que assim os leitores têm a possibilidade de nos conhecer e, entre nós, conversamos sobre a complexa indústria do livro. Para que as pessoas leiam, precisamos que o Governo se envolva em camanhas a favor do consumo da literatura”.

A escritora exortou o Governo a reflectir sobre a condição difícil enfrentada pelos artistas moçambicanos, que, geralmente, caminham sem apoio das instituições do Estado. Paulina Chiziane defendeu essa posição durante a sessão de homenagens realizada pela Casa d’Artista Kutenga, este sábado, na Cidade da Matola.

A Casa d’Artista Kutenga abriu as portas para receber aqueles que, ao longo de vários anos, têm feito tanto pelas artes e pela cultura moçambicanas. Por volta das 13 horas deste sábado, na zona do Tchumene, os artistas e as suas famílias começaram a chegar ao evento anual que distingue autores, em jeito de vénia pelo seu trabalho.

O primeiro a receber uma escultura simbólica, que traduz a consideração pelos artistas foi Wazimbo. Tudo surpresa. Afinal, quando Elvira Viegas, a coordenadora do programa Celebrando vidas, da Casa d’Artista Kutenga, ligou ao músico, Wazimbo ficou convencido de que lá iria cantar. No entanto, ao invés disso, subiu ao palco para ser laureado e ouvir os filhos renderem-se à figura que é. A mensagem dos seus meninos foi confiada a Sheila Benfica, que se referiu ao pai nestes termos: “Eu sempre disse que, se o nosso pai não fosse tão humilde como ele é, não estaria aqui. Estaria noutros voos, mas Deus sabe como faz as coisas. Está aqui um grande homem, o nosso melhor amigo”.

As palavras de Sheila foram ditas em lágrimas. Nesse instante, o músico também emaciou-se, mas ali teve a esposa para o consolar num abraço.

Depois de Wazimbo, o programa do Celebrando vidas homenageou Alvim Cossa, que não pôde estar no evento por ter perdido um irmão. Ainda assim, o jornalista Belmiro Adamugy recebeu a escultura pelo amigo e ainda se referiu ao grande contributo de Cossa na criação, capacitação e formação de vários grupos de actores espalhados pelo país.

Em terceiro lugar, o homenageado do dia foi David Abílio, que também esteve com a família na cerimónia. No palco, a filha mais velha do coreografo, Cleide Mondlane, resumiu: “Para nós, David Abílio Mondlane (porque muitos se esquecem que ele e Mondlane), é grande, é gigante mesmo. É gigante amor, paciência, doçura e compaixão”.

Reagindo ao gesto da Casa d’Artista Kutenga, David Abílio afirmou: “É uma satisfação. Primeiro, por ser uma iniciativa popular. Posso considerar que se trata de uma expressão da sociedade sobre aquilo que sente pelos artistas. Eu tenho a louvar e a encorajar para que iniciativas deste género se repitam ao longo do nosso país em prol do reconhecimento dos nossos artistas, das nossas referências culturais enquanto vivos”.

Por fim, esteve no palco do Celebrando vidas a família Chiziane: os irmãos, filhos e netos da escritora. A irmã mais velha, Laura Chiziane, contou que Paulina foi sempre uma menina diferente das outras do seu tempo. “A Paulina, nas actividades consideradas normais para as meninas, que eram varrer, cozinhar, cartar água e tudo o que as meninas faziam nessa altura, a minha irmã ignorava. A Paulina ignorava porque ela era preguiçosa e na cozinha péssima”.

Paulina Chiziane ouvi tudo isso, e não discordou. Pelo contrário, recebeu a escultura das mãos do Presidente do Município da Matola, Calisto Cossa, bem ao lado do Governador da Província de Maputo, Júlio Parruque, e, mais tarde, deixou um recado para os governantes moçambicanos: “Espero que este evento, na presença dos altos dignatários do Estado, sirva para que se lembrem da condição do artista. Nós trabalhamos sozinhos, chegamos onde chegamos sozinhos. Hoje, pelo menos estão aqui para olharem para a beleza daquilo que fazemos. O meu apelo é que este Governo e estes governantes que estiveram aqui presentes pensem nos artistas, na condição difícil em que nós vivemos”.

Nesta sexta edição, o Celebrando vidas teve vários convidados, entre eles Sizaquel e Gémeos Parruque, que cortaram o bolo relativo ao seu 51º aniversário na Casa d’Artista Kutenga.

O editor Celso Muianga defende que a implementação de instrumentos como Política do Livro e Lei do Mecenato são fundamentais para a promoção do livro no país.

Reflectindo sobre o que deve ser feito para que o livro chegue ao maior número de pessoas em Moçambique, o editor Celso Muianga começou por dizer que a marcha ainda é longa. “Temos um grande desafio porque estamos num cenário em que existe uma Política do Livro aprovada em 2011, no que penso ser o grande legado de Armando Artur, enquanto Ministro da Cultura, entretanto, o que se passa, até hoje, salve melhor opinião porque não estou muito actualizado sobre a agenda do parlamento, é que passados tantos anos essa Política do Livro ainda não foi regulamentada”.

Segundo lembrou Celso Muianga, ainda não existem instrumentos legais que possam explicar a operacionalização da Política do Livro. “Então, é uma palavra bonita que não sabemos para que serve ou que não tem utilidade diária”. Aliado a isso, acrescenta o editor, as editoras moçambicanas publicam poucos exemplares, cerca de 100, 200 ou 300, o que contrasta com a realidade nacional. “Se tivéssemos em linha de conta que o livro publicado fosse comprado pela Biblioteca Provincial, Biblioteca do Parlamento, da Presidência da República, das direcções nacionais, dos institutos de formação de professores, das escolas secundárias e universidades, que são mais de 50, teríamos por título vendas directas acima de dois mil exemplares. Isso não acontece porque ainda não temos esse instrumento que é a Política do Livro e já faz muito tempo”.

Muianga acredita que a inexistência de incentivo de crédito bancário definido pelo organismo de tutela para responder à demanda do livro é outro factor de fragilidade. “O nosso parque gráfico sofreu uma enorme erosão ao longo do tempo e precisa de ser reestruturado para responder às necessidades actuais”. E continuou: “O livro, ao ser feito em Moçambique, muitas vezes, a gráfica compra papel geralmente na África do Sul. E esse papel, ao entrar no país, paga imposto. No entanto, o livro, quando é impresso fora, quando entra no país não paga imposto. Consequentemente, o livro produzido em Moçambique é mais caro do que o livro que é feito fora”.

O editor defende que, neste momento, Moçambique tem um campo fértil, em termos de produção literária. “Se calhar, agora, corremos o risco de ter mais autores do que leitores. O grande desafio é mesmo de formar leitores e os institutos devem ter livros de leitura obrigatória previsto no plano de formação dos professores”.

Para Muianga, se a leitura não for uma obrigatoriedade plasmada no plano dos professores, vamos continuar a ter uma letra morta. Para que tal não aconteça, o editor realça a importância de um outro instrumento: a Lei do Mecenato. Sobre este instrumento, Emanuel Dionísio, Director Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, explicou que a Lei do Mecenato está em revisão porque, como está, não apoia aos mecenas. “O Ministério da Cultura e Turismo está a rever a Lei e, brevemente, será submetida ao Conselho de Ministros. Se for aprovada, será submetida à Assembleia da República”.

A nova proposta da Lei do Mecenato pretende garantir benefícios nas áreas elegíveis, como isenções de impostos e outros encargos aduaneiros. “A nova proposta está a aumentar o ângulo da aplicação, acrescentando a área da arte e cultura, património, preservação cultural, desporto, tecnologia e sociedade de informação”, garantiu Emanuel Dionísio.

Armando Artur diz que a política do livro, em Moçambique, não atende à actual dinâmica da sociedade. O antigo ministro da Cultura diz ainda que algumas instituições de ensino de escola só têm o nome. Na verdade, são salas de aulas.

O processo de ensino e aprendizagem em várias escolas nacionais é preocupante, afinal muitos alunos não têm acesso às bibliotecas. O problema não é de hoje, entretanto, o poeta e antigo ministro da Cultura diz que a sociedade precisa, junto do Governo, de mudar o contexto. “Um dos primeiros pontos é fazer o apetrechamento das bibliotecas escolares lá onde elas existem e a construção das mesmas nas escolas que não têm”, Referiu.

Segundo observa o poeta, a inexistência de bibliotecas nas escolas compromete a formação de novos leitores numa altura em que existem jovens que abraçaram a literatura e estão a escrever obras com qualidade. Entretanto, precisamos estender a produção literária, “precisamos levar o livro às escolas”.

Só assim o país pode responder aos desafios do desenvolvimento da literatura, que segundo o escritor, apesar de sempre serem publicados livros a sua circulação é limitada. Ao título de exemplo, o escritor indicou a Cidade da Beira, a segunda maior cidade do país que “só tem apenas uma livraria”.

Questionado sobre a recente aprovação da Lei dos Direitos do Autor, Armando Artur diz que o grande desafio é fazer chegar o livro aos leitores.

A colecção Light me, enlight me – arte que se veste, de Sónia Sultuane, foi apresentada esta quinta-feira, no Business Lounge by Nedbank, em Maputo. Trata-se de uma forma diferente de pensar a arte.

Na condição de artista visual ou plástica, Sónia Sultuane resolveu começar a desenhar arte que se veste. Na verdade, o título da sua colecção, inaugurada esta quinta-feira, no Business Lounge by Nedbank, na Cidade de Maputo, é Light me, enlight me – arte que se veste.

Essencialmente, a proposta temática de Sónia Sultuane consiste em quebrar paradigmas, rompendo com qualquer eventual tendência de se manter dentro de uma caixa-de-ressonância. Assim, a artista recorreu a materiais completamente alternativos, como louça descartável, transformando-os em colares e utensílios de cozinha, por exemplo. Do mesmo modo, Sultuane pretende que a sua arte tenha um condão estético e utilitário, daí que algumas peças também assumam uma função decorativa.

Para a sua colecção Light me, enlight me – arte que se veste, Sónia Sultuane aproveitou objectos como maças de plásticos, usadas por muitas famílias moçambicanas na decoração de mesas de salas ou de cozinhas, para as transformar em colares. O grande objectivo é fazer com que os consumidores da sua arte passem a olhar para as coisas de outra forma. Por isso, a sua proposta de colecção funciona como trabalho para inspirar. “O que não quer dizer que sou a primeira pessoa no mundo a apresentar este tipo de projecto”. Pelo contrário, Sónia Sultuane reconheceu que ela própria se inspirou nos trabalhos que viu num museu na Grécia. Porque a combinação estético-utilitária que agora apresenta é ainda pouco explorada em Moçambique, cá está a artista a preencher uma espécie de vazio.

Quem for visitar a mostra de Sónia Sultuane, no Business Lounge by Nedbank, na Cidade de Maputo, poderá apreciar colares feitos à base de colherinhas plásticas para sorvete e perceber que objectos corriqueiros, bem reutilizados, cumprem outras funções.

Em Light me, enlight me – arte que se veste, Sónia Sultuane desenvolve o que considera seus ensaios artísticos numa perspectiva mais inspiradora, questionando até onde a arte pode ir e que possibilidades proporciona aos artistas e a toda gente.

Light me, enlight me – arte que se veste pode ser visitada até 15 de Maio, de segunda a sexta-feira, entre 9 e 18 horas.

A colecção Light me, enlight me – arte que se veste, de Sónia Sultuane, será apresentada esta quinta-feira, no Business Lounge by Nedbank, em Maputo. Trata-se de uma forma diferente de pensar a arte.

 

Na condição de artista visual ou plástica, Sónia Sultuane resolveu começar a desenhar arte que se veste. Na verdade, o título da sua colecção, que será inaugurada às 16h30 desta quinta-feira, no Business Lounge by Nedbank, na Cidade de Maputo, é Light me, enlight me – arte que se veste.

Essencialmente, a proposta temática de Sónia Sultuane consiste em quebrar paradigmas, rompendo com qualquer eventual tendência de se manter dentro de uma caixa-de-ressonância. Assim, a artista recorreu a materiais completamente alternativos, como louça descartável, transformando-os em colares e utensílios de cozinha, por exemplo. Do mesmo modo, Sultuane pretende que a sua arte tenha um condão estético e utilitário, daí que algumas peças também assumam uma função decorativa.

Para a sua colecção Light me, enlight me – arte que se veste, Sónia Sultuane aproveitou objectos como maças de plásticos, usadas por muitas famílias moçambicanas na decoração de mesas de salas ou de cozinhas, para as transformar em colares. O grande objectivo é fazer com que os consumidores da sua arte passem a olhar para as coisas de outra forma. Por isso, a sua proposta de colecção funciona como trabalho para inspirar. “O que não quer dizer que sou a primeira pessoa no mundo a apresentar este tipo de projecto”. Pelo contrário, Sónia Sultuane reconheceu que ela própria se inspirou nos trabalhos que viu num museu na Grécia. Porque a combinação estético-utilitária que agora apresenta é ainda pouco explorada em Moçambique, cá está a artista a preencher uma espécie de vazio.

Quem for a visitar a mostra de Sónia Sultuane, no Business Lounge by Nedbank, na Cidade de Maputo, poderá apreciar colares feitos à base de colherinhas plásticas para sorvete e perceber que objectos corriqueiros, bem reutilizados, cumprem outras funções.

Em Light me, enlight me – arte que se veste, Sónia Sultuane desenvolve o que considera seus ensaios artísticos numa perspectiva mais inspiradora, questionando até onde a arte pode ir e que possibilidades proporciona aos artistas e a toda gente.

Light me, enlight me – arte que se veste pode ser visitada até 15 de Maio, de segunda a sexta-feira, entre 9 e 18 horas.

 

 

“Estados emergentes” é o título da exposição inaugurada ontem, no Centro Cultural Franco Moçambicano, na Cidade de Maputo. A mostra junta cinco artistas moçambicanos, que com o trabalho, pretendem despertar para uma reflexão sobre o futuro.

São vários os tipos de arte que, individualmente, os artistas com sua característica juntam, colectivamente, reflexões sobre o futuro que brota nas artes emergentes. A imaginação de cada autor serviu para perspectivar o futuro que a cada dia preocupa a sociedade, do figurativo ao abstracto.

“Nós estamos a passar por várias transformações, por exemplo a nível do clima, e tentamos transmitir através da nossa exposição”, disse Pedro Júnior, artista digital.

A escultura, tecnologias, pintura, fotografia e música marcam o trabalho colectiva de jovens emergentes nas artes moçambicanas.

A exposição foi inaugurada com a curadoria de João Roxo e Aurélien Lepetit e reúne obras de Dilayla Romeo, Nandele Maguni, Luis Santos, Namburo e Pedro Júnior.

A exposição estará patente no Centro Cultural Franco Moçambicano até 4 de Junho.

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