As chuvas que caem na cidade de Maputo voltaram a criar preocupação. Nos bairros de Magoanine e Zimpeto, por exemplo, casas estão alagadas e famílias viram-se obrigadas a retirar alguns dos seus bens para evitar danos.
Na cidade e província de Maputo chove com alguma intensidade desde o fim da tarde desta quarta-feira. As águas inundaram casas e ruas de acesso, colocando à vista velhos problemas de saneamento.
“Não sabemos o que pensar e à noite choveu bastante. Assim não sabemos com que intensidade a chuva voltará a cair. Se continuar assim, esta água vai invadir a casa”, diz um dos moradores do bairro de Magoanine, na cidade de Maputo.
No bairro Magoanine “A”, um quarteirão inteiro encontra-se inundando. Famílias abandonaram casas e as que ainda resistem temem o pior, se a chuva não abrandar.
“Esta zona é assim mesmo, a água inunda casas. E não temos onde ir. Outros [moradores] transferiram-se e vivem nas escolas. Nós também seguiremos”, conta.
Em Magoanine, a situação é crítica como em vários outros bairros da periferia da capital do país, desde as chuvas de Janeiro passado. Mas com a precipitação desta quarta e quinta-feira, as casas ficaram neste estado: águas com tendência de atingir a cobertura, impossibilitando qualquer acção dos proprietários.
No quarteirão, segundo os moradores, o Conselho Municipal de Maputo já alocou uma bomba para sucção da água, mas não foi eficaz e a máquina foi retirada do local.
“Essa bomba está aí, não aguenta nada, não pode aguentar nada com essa água, porque aquela água é uma bomba que é para machamba, não é uma bomba industrial que pode baixar em um sítio de água. Não pode aguentar, porque tem um pouco de diâmetro, não pode trabalhar aquela bomba, só trabalha mais ou menos. Em seis horas, eles desligam, dizem que está quebrado”, disse Ernesto Rodrigues, morador Magoanine “A”.
No quarteirão 11 do bairro Zimpeto, também na Cidade de Maputo, sempre que chove, há vários anos a água cria pânico nos moradores. Depois da chuva torrencial em Janeiro deste ano, a água parecia estar a evaporar, mas o problema voltou a agravar-se. Nesta quinta-feira, este era o cenário que se via: casas inundadas e as famílias procurando salvar os seus pertences.
Essas casas todas, por acaso, toda essa parte aqui, todas abandonaram. Só uma ou outra família que ficou para guardar os seus pertences, porque na medida que você sai, há vandalismo. Entram, vandalizam a casa, roubam aquilo, mais aquilo, são prejuízos para nós. Denunciou Elsa Chilaule Moradora de Zimpeto
Os habitantes dizem terem encontrado a solução para o problema das águas junto de uma fábrica de colchões localizada nas proximidades, no entanto, dizem que foram barrados.
E nós tínhamos uma bomba do chinês que nós recolhemos, fizemos um documento, pedimos para a empresa Amado. Então, nós falamos com a empresa, a empresa disse que precisava de assinaturas dos responsáveis daqui do bairro.
Nós recolhemos as assinaturas e começou a puxar a água, puxava um dia sim, um dia não, um dia sim, um dia não. E, sei lá quem decidiu para que a empresa não puxasse mais água ali. Então, de repente, vimos que já não dá para puxar, procuramos saber o que está acontecendo. E a empresa disse que não era para mais ligarmos a bomba. Denunciou Custódio Julião Morador de do bairro
Os moradores do quarteirão 11, no Zimpeto, pedem a construção de valas de drenagem na periferia, à semelhança do que acontece no centro da cidade.
“Se essa pessoa que diz que senta na cadeira do poder do município, não pode sentar e ver o sistema da cidade, não. Verifica nas zonas recônditas também que possam trabalhar, fazer valas de drenagem, porque nós não vamos ficar em um período só de sol e aquecimento” disse Victor, Morador de Zimpeto
Enquanto não existir solução eficaz e definitiva para o problema de inundações, os moradores pedem a abertura de canais que permitam a drenagem das águas da chuva até ao rio Mulauzi.

