Guardo o papá no bolso e a mamã no coração…
A minha loucura mais perene é a minha lucidez. A vida é um rio ornado por vazios estilhaçados. Quando chove, do rio desponta a vida e o vazio se afunda no lugar onde nunca existiu. Muitas vezes escrevo porque me sinto tacteando o silêncio, nas restantes namoro o proibido. Até aqui muita «conversa para boi […]
Na asa da escrita – Cemitério dos pássaros*
Um romancista não terá, forçosamente, que depender do êxito ou fracasso dos seus livros, terá que continuar, sem desfalecimentos, no caminho que se propôs seguir. Eduardo Paixão “Dazanana de Araújo Simplíssimo vivia uma estranha sensação de que estava morto. Durante muitos anos cultivava em demasia a crença de que a sua vida era a morte” […]
Um lobolo suspenso por moedas
Por aqueles lados, quando o assunto é cumprir a tradição, um pequeno detalhe pode custar um casamento. Duvidas? Não te atrapalhes, conto-te isto e verás. Os frangos, deitados de costas naquela cama de ferro, desenhavam loucuras nas mentes de quem os olhava. Lembravam memórias barulhentas que não cabem numa só vida. Por baixo da cama, […]
Ondjaki e as respectivas estações do íntimo
Primeiro O Céu: espaço ilimitado em que se movem os astros, mas também, e destaco: parte desse espaço limitado pelo horizonte, ou seja, pelo olhar de quem o observa. Segundo Não Sabe Dançar, sendo que esta é uma qualidade mais humana, visto que os homens inventaram a música e decidiram dar saltos ou passos cadenciados […]
Espaço (s) e Tempo(s): uma leitura sobre raça (s) em Lisboa
Algo chamou-me atenção em Lisboa, algo que nunca foi importante observar nas ocasiões passadas, digo Lisboa como casa da memória Colonial, um espaço de reencontros étnicos-raciais, pese ainda a (in) diferença social por debaixo da glória dos descobrimentos, narrativa sempre contada na primeira pessoa do singular. Sempre olhei com desconfiança certos epítetos a que são […]
Que sirva ao futebol o exemplo/sacudidela do basquetebol!
No Estádio do Zimpeto, com pouco público, Desportivo e Costa do Sol disputaram uma partida do Moçambola, em ambiente frio e com pouco público, dando a impressão de que estavam apenas a cumprir o calendário. Na mesma altura, no Pavilhão do Maxaquene, Ferroviário de Maputo e A Politécnica, em basquetebol, davam corpo a uma jornada […]
Entre o Índico e Mariano Silva*
Eu vim/ para ser onda ao mesmo tempo que eu olho/ para o mar Raquel Lanseros A fotografia é a imortalidade do instante, se quisermos, a intercessão entre o efémero e a durabilidade das circunstâncias. Quem fotografa, na verdade, está a exercer o seu poder demiúrgico sobre as coisas e, sobretudo, sobre as emoções […]
Outras coisas: um ensaio sobre a ironia
É para mim um enorme prazer apresentar um livro de Clemente Bata, um autor, diga-se, já a contar com mais de 25 anos de publicação – quer em revistas e jornais, quer sob a forma de livros – e cuja actividade literária mereceu o reconhecimento nacional e internacional, como são os casos do Prémio Literário […]
Poh!
Poh! O som seco estilhaçou a tarde, ribombou nos tímpanos, cutucou os instintos, atiçou o medo no salão de festas: – Yuh! Havia um “Yowê” profundo subentendido no rosto pânico das pessoas. As cabeças saltaram dos ombros. Os pescoços rodaram como periscópios assustados, na direcção do estrondo. As bocas abertas. As sombracelhas levantadas. As pupilas […]
O nosso querido ditador
Eis que fui a um colóquio… não, apresentação de um livro, disfarçado de colóquio. Na minha opinião, desnecessariamente porque é normal fazer menção à verdadeira intenção por detrás de um colóquio, até porque várias vezes, por coincidência, há livros a serem apresentados em colóquios. Bom! Então, depois do “colóquio” houve “petiscas e bebes” em redor […]
