O académico, filósofo e vice-reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, José Castiano defende que o maior desafio da unidade nacional e da independência são as desigualdades sociais e que não bastam os discursos e abraços de condolências para que o país conheça a verdadeira paz, reconciliação e unidade nacional. Já o Sociólogo Filimone meigos defende o abandono de discursos belicistas como um dos caminhos para a paz.
José Castiano foi orador numa mesa redonda em Maputo, onde falava dos desafios da unidade nacional moçambicana e fez constatações próprias de um filósofo.
“O maior inimigo da nossa unidade nacional e, por consequência da nossa democracia, que eu chamo reconciliatória, são as extremas desigualdades sociais. Estamos aqui todos com medo de voltarmos à guerra”.
Começou por recordar das negociações de 1992, entre o Governo e a Renamo, que culminaram com o Acordo Geral da Paz, o Processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração, DDR e, mais recentemente, o Filósofo recordou da visita do Chefe de Estado a casa de Venâncio Mondlane, para prestar condolências pelo falecimento da sua mãe, com momentos importantes, mas não suficientes para manter a paz e unidade nacional.
“Não basta só haver conversas, não basta só haver apertos de mãos, não basta só haver abraços ou visitas de sentimentos de condolências. Abraçamos aqui e estamos a continuar a visitar-nos, e estamos a continuar a aparecer com comunicação de dados públicos.
Mas é insuficiente. Para estruturar o diálogo, não. Temos que encontrar formas mais profundas”.
Castiano entende que o país persegue uma agenda de reconciliação que se rompe a cada mandato governamental e isso desvaloriza os esforços das equipas que se reúnem para desenhar tais políticas.
“Eu sou da opinião que, no Parlamento devíamos ver e desaguar nessa coisa de estruturar o diálogo, em uma comissão parlamentar de reconciliação para o futuro. O que é que essa comissão vai fazer? Isso pode ser matérias digitadas”.
Castiano tem outras sugestões:
“Começamos com desarmar as mãos e desarmar as mentes. O que é que isso significa? Várias dimensões. Uma delas é educacional, curricular, muita coisa que nós temos que recuperar nas dimensões, principalmente da história, da historicidade de Moçambique.
Educacional em vários sentidos. Requer-se trabalhar nas futuras gerações para que não pensem na arma para resolver os seus conflitos. Como é que vamos fazer isso? Não sei. A segunda dimensão é a ética. A ética do discurso”.
Estabilidade política e social são essenciais para paz
Quem também emprestou os seus conhecimentos à causa da paz e reconciliação foi o docente e sociólogo Filimone Meigos, quem toma os dois conceitos como vítimas de constantes ameaças.
“A mim parece que estamos na situação do cabrito, que é a guerra recrudece, em Cabo Delgado, corrupção aumenta, temos a lógica do “Nhoga”, aumento de intolerância, aumento da exclusão social e, eventual, retorno à guerra. Nós estamos em Guerra, ainda que não admitamos, cabo Delgado está em Guerra. Neste cenário a variável determinante cujo retrocesso tem implicações significativas sobre o futuro, o nosso futuro, o futuro de Mocambique é o da deterioração das condições que envolvem a variável determinante da estabilidade política e social”.
Na sua visão, o diálogo deve envolver todos os segmentos da sociedade.
Os académicos falavam durante a mesa redonda sobre Reconciliação e Unidade nacional.