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Amosse Mucavele é curador da colecção de fotografia moçambicana em Portugal

O poeta e consultor literário, Amosse Mucavele, é curador da colecção de fotografia contemporânea moçambicana na sexta edição dos Encontros Imagem & Território, na Guarda, Portugal. A exposição contará com a participação dos fotógrafos Thandi Pinto, Yasmin Forte, Mário Macilau, Albino Mahumane e Adiodato Gomes, que vão expor 50 trabalhos artísticos, resultado de uma proposta curatorial que apresenta interpretações originais de paisagens urbanas, inclusão social e diversidade cultural.

 

De acordo com uma nota de imprensa, o Centro de Estudos Ibéricos (CEI) vai levar a cabo a sexta edição dos Encontros Imagem & Território, de 14 a 22 de Abril, na Guarda, Portugal, evento que decorre do projecto “Transversalidades Fotografia sem Fronteiras” e do compromisso do CEI para com os territórios de baixa densidade, onde relevam os transfronteiriços.

Ainda de acordo com a nota de imprensa, tendo como mote “Memória, Coesão e Literacia Visual”, o evento tem Brasil como País Convidado de Honra e contempla Exposições, Debates, Mostras e Oficinas de Fotografia, Lançamento de Publicações, Maratona e Roteiro Fotográfico.

Através do poder comunicativo que a fotografia encerra, as actividades deste 6º Encontro visam estimular um debate crítico sobre os espaços onde nos inserimos, procurando gerar uma dinâmica virtuosa de desenvolvimento que reverta o ciclo vicioso em que mergulharam os territórios de baixa densidade. Procura-se, a partir de novos olhares, uma (re)interpretação do Interior com uma consequente renovação imagética, enaltecendo sinais emergentes susceptíveis de fazer renascer um horizonte de esperança.

Para Sérgio Fernando da Silva Santos, Presidente da Camara Municipal da Guarda, citado na nota, o projeto do Centro de Estudos Ibéricos visa esbater fronteiras, promover a cooperação e valorizar territórios com menor visibilidade, fomentando cada vez mais o necessário diálogo e a compreensão do outro.  “Em linha com os objectivos e princípios matriciais definidos por Eduardo Lourenço, o “Transversalidades” concorre, assim, para a missão sonhada pelo mentor e patrono do CEI: a afirmação da Guarda como verdadeira plataforma de diálogo, encontro de culturas e centro de transferência de conhecimentos, estimulando a cooperação entre territórios de aquém e além fronteira”.

Segundo Amosse Mucavele, “Não obstante, a pluralidade e a diversidade das fotografias e dos fotógrafos seleccionados especificamente para a exposição “Imagem e Território”, justifica o carácter multicultural da  produção versus dinâmicas estéticas e por quê não, enumerar a variedade das tendências experimentais em Moçambique, a destacar a produção fotográfica de Albino Mahumana, Mário Macilau, Thandi Pinto, Yasmin Forte e Adiodato Gomes, que documenta as mutações urbanas/ rurais, as demarcações e fronteiras do conflito social e o impacto humano no meio artístico-cultural”.

De acordo com o curador da mostra moçambicana, é válido enfatizar que, “no contexto geral, todo fotógrafo aqui exposto, exerce um papel significativo para o fortalecimento de uma consciência nacional de reescrita da história urbana, uma ambiguidade presumível, que concentra e revela similaridades de uma dinâmica plural sobre a moçambicanidade e seus enlaces. As mulheres fotógrafas estão muito pouco representadas na história da fotografia, especialmente em Moçambique. No entanto, elas assumem a dianteira na promoção dos direitos e o dos diferentes valores da mulher e o seu entorno”, prosseguiu Mucavele.

À semelhança dos anos anteriores, os Encontros contam com o envolvimento da comunidade da Guarda, através de actividades em escolas, instituições sociais, de saúde e freguesias, visando levar esta arte a novos públicos, numa perspectiva de democratização cultural e para além dos fotógrafos moçambicanos, participam fotógrafos e académicos do Brasil (a jornalista Rosilene Milliotti, a pesquisadora e curadora Lúcia Bertazzo); Portugal (os fotógrafos Duarte Belo, Lúcio Cunha, Hélder Sequeira, o professor e cronista José Pacheco Pereira, os geógrafos Rui Jacinto e José Manuel Simões; Espanha (o fotografo Valentin Cabero, o geógrafo e catedrático jubilado da Universidade de Salamanca, Valentín Cabero Diéguez) entre outros.

 Serão inauguradas 16 Exposições de Fotografia, em vários locais da cidade, funcionando como âncoras, o Museu da Guarda, o Paço da Cultura, o TMG e a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço e serão realizados 5 Debates e Mostras de fotografias, por vários autores, sobre, por exemplo, os seguintes temas: “Imagens sem fronteiras: diálogos lusófonos” (Rosilene Milliotti, Amosse Mucavele, Lúcia Bertazzo, Alfredo Cunha, Luísa Ferreira, Mário Macilau, Thandy Pinto, Roberto Montemor, Karla Inajara, Moderação: Rui Jacinto).

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