O petróleo voltou a ser vendido abaixo dos 100 dólares por barril nos mercados internacionais, nesta quinta-feira. A queda acontece depois de os investidores terem recebido sinais de que as tensões no Médio Oriente poderão diminuir, abrindo espaço para conversações entre os Estados Unidos e o Irão.
Na madrugada desta quinta-feira, o barril de Brent, referência para o mercado internacional, era negociado por 93,65 dólares, depois de perder 97 cêntimos. Já o petróleo norte-americano, conhecido como WTI, custava 86,98 dólares por barril, uma redução de 1,14 dólares.
A descida acontece depois de, na quarta-feira, os preços das duas referências terem caído mais de 8%, registando os valores mais baixos desde 31 de Agosto.
A mudança no comportamento do mercado está relacionada com a expectativa de que Washington e Teerão possam procurar uma solução diplomática para o conflito. Os investidores acreditam que os resultados das eleições intercalares nos Estados Unidos poderão aumentar a pressão sobre o Governo de Donald Trump para privilegiar as negociações e evitar o agravamento da situação militar.
O receio de uma interrupção no fornecimento de petróleo tem sido um dos principais factores por trás da subida dos preços nas últimas semanas. Isto porque o Médio Oriente é uma das regiões mais importantes na produção e exportação de petróleo.
Uma das principais preocupações está relacionada com o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde circula uma parte significativa do petróleo comercializado no mundo. Qualquer bloqueio ou perturbação naquela rota pode dificultar o transporte e provocar novas subidas dos preços.
Apesar da recente queda, ainda não existe um acordo que garanta o fim do conflito. Por isso, os mercados continuam atentos aos desenvolvimentos políticos e militares na região, uma vez que novos ataques ou dificuldades no transporte poderão voltar a pressionar as cotações.
Para os países que importam combustíveis, a descida do petróleo pode representar uma redução dos custos de aquisição. Em Moçambique, por exemplo, uma queda prolongada poderá ajudar a aliviar a factura de importação de combustíveis e reduzir a pressão sobre os custos de transporte e de produção.
Entretanto, a redução do preço do petróleo no mercado internacional não significa que os preços dos combustíveis baixem imediatamente nas bombas. O preço final também depende da taxa de câmbio, dos custos de transporte, da refinação e dos impostos.