Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Chapo defende mais produção e menos nascimentos no país

O Presidente da República diz que o País deve crescer mais economicamente do que em número de novos nascimentos. Daniel Chapo defende mais financiamento para iniciativas juvenis, para fazer face ao desemprego. Chapo falava na abertura da Conferência Nacional de População e Desenvolvimento.

O Governo reuniu políticos, académicos, estudantes e várias personalidades para discutir estratégias de modo a desenvolver o País, face a um crescimento populacional, na ordem de 1 milhão de habitantes por ano. 

O Chefe de Estado, que presidiu a abertura da Conferência Nacional de População e Desenvolvimento, desafiou o público a uma reflexão: 

“Ou temos que nascer ao ritmo que a economia tem que crescer mais do que estamos a nascer, que seria o ideal, ou temos que ir para uma solução que é mais difícil de fazer. Nascer não é problema, desde que se produza ao ritmo superior ao nascimento. E, mesmo quando a economia cresce, se esse crescimento não for suficientemente robusto, os ganhos do rendimento médio das famílias serão limitados. Por isso, o nosso desafio não é apenas fazer crescer a economia, é fazê-la crescer de forma sustentada a um ritmo superior ao crescimento da população, de modo a assegurar que essa riqueza se traduz em mais empregos, melhores salários para os moçambicanos, maior produtividade e melhores condições de vida”, afirmou Daniel Chapo.

Anualmente, mais de 500 mil jovens procuram por um novo emprego, porém a economia formal gera apenas cerca de 30 mil postos de trabalho por ano, empurrando mais de 470 mil para o informal ou para o desemprego.

Segundo Daniel Chapo, o Governo está ciente do desafio.

“Não basta que seja um país com mais habitantes, precisamos de construir um Moçambique com cidadãos cada vez mais prósperos. Esta realidade exige de nós uma economia mais dinâmica, produtiva e diversificada, capaz de transformar a energia da nossa juventude em riqueza nacional. Estes 500 mil jovens são uma verdadeira riqueza nacional que deve ser aproveitada. É nessa perspectiva que estamos a implementar reformas para melhorar o ambiente de negócios, promover a industrialização e ampliar os mecanismos de financiamento da economia, com destaque para o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, FDEL, o Promulher, o Fundo de Garantia Mutuária, o Conecta Negócios, o Jobs Now,  o Banco de Desenvolvimento do Moçambique”, referiu.

O Reino Unido promete apoio a iniciativas que fomentem a empregabilidade juvenil.

“Através do nosso compacto para o crescimento económico inclusivo, o Reino Unido pretende mobilizar investimento e apoiar reformas que criem mais e melhores empregos. Queremos apoiar uma economia mais diversificada, resiliente e inclusiva, incluindo através do investimento em sectores e cidades de valor capazes de gerar emprego em grande escala. O futuro demográfico de Moçambique está directamente ligado ao seu futuro económico”, disse a Louise Walker, alta-comissária adjunta e chefe de Cooperação do Reino Unido.

Para o economista Prakash Ratilal, para além do aumento da produção, é preciso controlar a natalidade.

“Não se trata de controlar a população, mas trata-se de haver um planeamento familiar, que é esta responsabilidade de cada ser humano de construir uma família sustentável. Tem de se insistir muito nas políticas da educação, do saber fazer, que é muito importante, para permitir que cada um, quando chegar à sua actividade de participar no mercado, possa não estar a depender do Estado. O Estado nunca terá capacidade para absorver esta totalidade da mão-de-obra que está a entrar no mercado. Então, é preciso haver a iniciativa privada que tem de ser acarinhada. E a iniciativa privada precisa de ter um enquadramento de um meio ambiente que funcione, um sistema bancário que funcione, que as divisas sejam disponíveis. Portanto, todos os sinais vermelhos que existem na economia, de burocracia, de uma série de entraves ao crescimento das empresas, é preciso libertar estas forças, e elas possam operar e possam produzir, porque a riqueza bruta, a riqueza natural, existe”, avançou o Chefe do Estado.

Um dos principais objectivos da reunião de dois dias será recolher contribuições para o aperfeiçoamento da proposta da nova Política Nacional da População.

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE